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domingo, 19 de agosto de 2012


Marcelo diz que grupos angolanos querem media portugueses ao serviço das suas estratégias

 Marcelo Rebelo de Sousa não o disse de forma clara, mas a sugestão foi forte: os grupos económicos angolanos querem comprar a comunicação social portuguesa porque estão pensar nas suas estratégias na sucessão do presidente angolano, José Eduardo dos Santos.
No seu habitual comentário dominical na TVI, o antigo presidente do PSD considera que José Eduardo dos Santos ainda é o homem mais poderoso em Angola, mas criou grupos que se automatizaram e que hoje já pensam na sucessão. Marcelo, que relembrou que recentemente falharam as negociações para o grupo de comunicação social de Joaquim Oliveira (JN, DN e TSF, entre outros), nomeou os grupos económicos das duas filhas de José Eduardo dos Santos, do seu chefe da casa civil, Kopelipa, e o Newshold, que segundo Marcelo controla já o semanário Sol e o diário i.“Os grupos começam a posicionar-se para a sucessão [de José Eduardo Santos]. (…) No futuro esses grupos vão digladiar-se com estratégias diferentes, nomeadamente em Portugal”, acrescentou, deixando em meias palavras a ideia que os grupos económicos angolanos querem controlar a comunicação social portuguesa para a colocarem ao serviço das suas estratégias.O também Conselheiro de Estado de Cavaco Silva comentou também a compra por parte da RTP dos jogos de futebol à Olivedesportos de Joaquim Oliveira para os transmitir nos seus canais internacionais, afirmando que não percebe por que o canal público não revela quanto pagou pelas transmissões das partidas.Já sobre o discurso de Passos Coelho na festa Pontal, no Algarve, Marcelo lembrou que o primeiro-ministro foi alvo de várias críticas, recordou que o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, “caiu-lhe em cima” porque acabou a dizer o contrário e considerou a intervenção um déjà vu.
19.08.2012 - 21:48 Por:Público/Luciano Alvarez


O Engraxanço e o Culambismo Português



Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele. 
Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia. 
Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço». Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores, os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc... Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso. 
Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada. O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas. Ninguém gostava de um engraxador. 

Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu. O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu. Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu. Para fazer face à crescente popularidade do desporto, importaram-se dos Estados Unidos, campeão do mundo na modalidade, as regras e os estatutos da American Federation of Ass-licking and Brown-nosing.Os praticantes portugueses puderam assim esquecer os tempos amadores do engraxanço e aperfeiçoarem-se no desenvolvimento profissional do Culambismo. 

(...) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional. O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês. 

Miguel Esteves Cardoso

A incrível arte das "Esculturas de Areia"




Esculturas de areia são feitas utilizando apenas areia e água. Elas podem ter quase qualquer formato, tamanho ou forma. Podem ser um castelo, um ser humano, um animal, uma planta ou uma forma de fantasia! Efêmera em sua natureza, a arte de areia é vista nas praias de todo o mundo. Por serem feitas usando apenas materiais naturais, são amigas e não prejudicam o meio ambiente. Com areia como matéria prima você pode criar grandes esculturas em tempo relativamente curto, com resultado surpreendentes. Neste post um balanço das esculturas que foram criadas e fotografadas em 2011. São várias e espalhadas pelo mundo, a grande maioria delas participantes de concursos e competições oficiais. Como sobrevivem a apenas algumas horas ou, no máximo, alguns dias, ficam para a história nesses registros fotográficos. Vale a pena curtir.  




























Planeta Fantástico: As praias de Vidro

As Glass Beach (Praias de Vidro) são duas praias americanas, uma na Califórnia perto de Fort Bragg e outra na região de Kauai, no Hawaii, cujas areias são impregnadas por pedras de vidro parecidas com cristais e que foram criadas, por incrível que pareça, pela ação involuntária, mas irracional do ser humano. É que em ambos os casos, durante dezenas e dezenas de anos, as falésias próximas as referidas praias serviam de depósito de lixo, onde os moradores e veranistas depositavam de tudo, inclusive cacos de vidro. Com o passar dos anos esse lixo acabou levado para o mar e as marés se encarregaram de lapidar os vidros junto as pedras das praias. O que se vê hoje é um espetáculo multicolorido, apesar de perigoso, pois andar descalço sobre as "pedras" não é aconselhável. Vejam mais fotos na sequência.
   









Fonte: Wikipédia e Google
Post(s) á beira mar

Assange pede fim da "caça às bruxas contra a Wikileaks"

O fundador da Wikileaks falou na varanda da embaixada do Equador em Londres e voltou a pedir a libertação do soldado Bradley Manning, preso há mais de dois anos sem julgamento.
Julian Assange discursou na varanda da embaixada do Equador em Londres.
"Peço ao Presidente Obama que faça o que está certo: os Estados Unidos devem renunciar à sua caça às bruxas contra a Wikileaks", declarou Julian Assange no seu discurso de 10 minutos, feito a partir a varanda da embaixada equatoriana em Londres, a poucos metros dos agentes policiais que o querem prender mal saia das instalações diplomáticas.
Assange denunciou ainda a tentativa da polícia britânica de invadir a embaixada na madrugada da passada quarta-feira. "Pude ouvir equipas policiais avançarem dentro do edifício através da saída de emergência", declarou o fundador da Wikileaks. "Se o Reino Unido não deitou fora a Convenção de Viena nessa noite, foi porque o mundo estava a ver. E o mundo estava a ver porque vocês estavam a ver", acrescentou, agradecendo aos apoiantes que se deslocaram à embaixada nessa noite, provocando a chegada da imprensa.
"Da próxima vez que alguém vos disser que não vale a pena defender os direitos que consideramos mais valiosos, lembrem-lhes a vossa vigília na escuridão frente à embaixada do Equador. E lembrem-lhes como de manhã o sol se levantou num mundo diferente, e um país corajoso da América Latina se levantou em nome da justiça", acrescentou.
Julian Assange não se pronunciou sobre o pedido de extradição para a Suécia, onde a justiça o quer ouvir no âmbito de uma queixa de duas mulheres que o acusam de ter mantido sexo sem preservativo, e que está na origem do seu pedido de asilo ao Equador. O fundador da Wikileaks teme que, uma vez na Suécia, possa ser extraditado para os Estados Unidos, onde pode ser condenado à morte por revelar emails que comprovaram crimes de guerra dos norte-americanos no Iraque.
No âmbito da campanha contra a Wikileaks que retrata o seu fundador como um agente ao serviço do Kremlin, Assange tinha sido criticado nos últimos dias por não ter dado sinais de solidariedade com a banda punk feminista Pussy Riot. No discurso deste domingo, após falar de Bradley Manning - o soldado norte-americano que disponibilizou os emails classificados dos militares e embaixadas dos EUA à Wikileaks - como um dos principais presos políticos no mundo, Assange lembrou também a condenação das três mulheres da banda Pussy Riot a dois anos de prisão por um tribunal russo. "Existe unidade na repressão. Tem de existir unidade e determinação absoluta na resposta a ela", declarou Julian Assange.

Nova Centelha

Marikana: uma tragédia brutal que nunca devia ter acontecido

O afastamento entre os trabalhadores sindicalizados e os líderes sindicais é um elemento que está por detrás do que aconteceu na Lonmin e do que está a acontecer noutras minas de platina. Editorial da revista sul-africana Amandla.
O massacre policial na mina de Marikana matou mais de 35 pessoas
Nenhum acontecimento desde o fim do Apartheid pode resumir a superficialidade da transformação neste país como o massacre de Marikana. O que ali aconteceu irá ser discutido por muitos anos. Já é evidente que os mineiros irão ser culpados de serem violentos. Os mineiros serão retratados como selvagens. Ainda assim, a verdade é que a polícia fortemente armada com munições reais disparou e matou brutalmente mais de 35 mineiros. Muitos mais ficaram feridos. Alguns irão morrer por causa desses ferimentos. Outros dez trabalhadores já tinham sido assassinados nas vésperas deste massacre.
O que aconteceu não foi uma ação de polícias desobedientes. O massacre resultou de decisões tomadas no topo da cadeia de comando. A polícia tinha prometido responder com força e apareceu armada com balas reais. Não se portaram melhor que a polícia do Apartheid quando enfrentou as revoltas de Sharpeville em 1960, do Soweto em 1976 ou os protestos dos anos 1980 quando tantos do nosso povo foram mortos.
A resposta agressiva e violenta da polícia aos protestos contra as condições de vida nos bairros degradados tem agora o seu eco  neste massacre.
Isto representa uma mancha de sangue na nova África do Sul.  
Isto representa um fracasso de liderança. Um fracasso da liderança do Governo: os ministros do Trabalho e dos Recursos Minerais que estiveram ausentes durante todo este episódio; do ministro da Polícia que continua a dizer que esta disputa não e política mas apenas entre trabalhadores, enquanto apoia a ação policial; um fracasso do Presidente que só consegue dizer banalidades perante esta crise e não mobiliza o Governo e os seus enormes recursos para dar resposta imediata às preocupações dos mineiros e das suas famílias agora enlutadas.
Foi um fracasso e traição por parte da administração da empresa mineira Lonmin, que se recusou a dar seguimento aos compromissos com os líderes sindicais para encontrar-se com os trabalhadores e responder às suas queixas. A administração deu uma cambalhota ao aceitar a negociação com os trabalhadores e depois voltar atrás dizendo que já tinham um acordo por dois anos com o Sindicato Nacional de Mineiros (NUM).
É infelizmente também um fracasso da liderança sindical: em primeiro lugar do NUM, que considera qualquer oposição à sua liderança como criminosa, criada seguramente pela Câmara das Minas [a associação patronal do setor mineiro]. Isto obviamente não é verdade. É também um fracasso do Sindicato Associativo da Construção e Minas (AMCU), que age de forma oportunista, esforçando-se por recrutar membros descontentes do NUM, mobilizando os trabalhadores com reivindicações irrealistas e não condenando a violência por parte dos seus membros.
O nível de violência nas nossas minas demonstra as divisões profundas e a polarização da sociedade Sul-Africana. Os mineiros trabalham em condições de pobreza extrema e muitas vezes vivem na miséria em acampamentos sem serviços básicos. Frequentemente, estes trabalhadores são utilizados por engajadores e não têm condições de trabalho dignas.
A "greve selvagem" (à semelhança doutras greves mineiras) que despoletou os acontecimentos anteriores ao massacre é uma resposta à violência estrutural do sistema mineiro na África do Sul. Contudo, também é uma resposta a outra coisa, que não podemos ignorar.
Os proprietários das minas enriquecidos com a experiência do programa BEE [Empoderamento Económico Negro] vêem a oportunidade para cavar um fosso entre líderes sindicais "razoáveis" e os trabalhadores. Eles seduzem os sindicatos para relacionamentos muito próximos, separando-os da base dos trabalhadores. A raiva presente nas minas é uma raiva profunda contra os gestores que está a ser progressivamente dirigida para a submissão e o fracasso da sua liderança sindical em defender e representar os interesses dos trabalhadores.
Este afastamento entre os sindicalizados e os líderes sindicais é um elemento que está por detrás do que aconteceu na Lonmin e do que está a acontecer noutras minas de platina.
Apesar disso, o massacre de mais de 35 mineiros continua a ser o resultado da violência do estado, em particular da polícia. No mínimo, o ministro [da Polícia] Mthethwa deve assumir a responsabilidade e demitir-se. 

Publicado na página da revista Amandla. Traduzido por Luís Branco.
Nova Centelha