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quarta-feira, 15 de agosto de 2012


Na beira do abismo na Ilha da Madeira

Pico do Arieiro é um pico situado na ilha da Madeira, no arquipélago do mesmo nome no Oceano Atlântico, que pertence a Portugal. Com 1818 metros de altitude é o terceiro pico mais alto da ilha, depois do Pico Ruivo(1861m) e do Pico das Torres (1851m). O pico pertence ao concelho de Funchal e é acessível através de automóvel. No seu cume encontra-se uma pousada, um café, uma loja de souvenirs e um mirante. A partir doPico do Arieiro existe uma difícil trilha que leva ao Pico Ruivo. É esse caminho que vamos fazer hoje pelas lentes do fotógrafo ucraniano Dmitri Korobtsov. O percurso demora três horas a ser feito e atravessa vários túneis escavados nas montanhas, longas escadarias, trilhas a beira de penhascos e outras dificuldades, mas segundo os especialistas de trilha é um dos mais fascinantes do planeta. Tomara que gostem da série de fotos. Eu achei maravilhosa.

Esse é o ponto máximo do Arieiro, onde fica o mirante e as outras instalações e de onde se parte pela trilha para chegar ao Pico Ruivo.


No início a trilha até que é "comportada" e os aventureiros até que a superam com facilidade.


Na sequência da caminhada as dificuldades vão aumentando e os riscos também, apesar de todos os equipamentos de segurança instalados pelas autoridades locais.



A trilha é equipada com vários decks de observação. Num deles se tem a vista maravilhosa da cidade de Porto Cruz, na costa norte da ilha.


Além da visão panorâmica curtir a diversidade da flora no terreno pedregoso é também um dos atrativos. 


Além do descanso, parar possibilita uma visão mais detalhada das montanhas e penhascos.


Em certos pontos a trilha se divide, dando ao caminhante a oportunidade de seguir por lados diferentes. 







Na trilha existem vários túneis a serem transpostos.


Durante a viagem não é incomum que as montanhas sejam tomadas pelas nuvens. Apesar de prejudicar a visão panorâmica, elas proporcionam imagens surreais para os trilheiros. Muito aproveitam para descansar.
















Durante o Inverno o pico e as áreas circundantes podem encontrar-se cobertas com neve, sendo por isso alvo de visitas por parte dos habitantes da ilha.





Do Pico do Arieiro avistam-se outros locais da ilha, como a Ponta de São Lourenço, o Curral das Freiras e até mesmo a ilha do Porto Santo (caso as condições meteorológicas sejam favoráveis).

Fonte: Wikipédia e Loveopium
Post(s)s á beira mar

E depois dos incêndios...?


Segundo Gonçalo Ribeiro Telles os incêndios surgem “por causa dos monopovoamentos, alastrando-se assim com facilidade". Outra razão apontada é a falta de apoios à pastorícia e consequente falta de pessoas no interior do país.
Por outras palavras, Gonçalo Ribeiro Telles diz-nos que a diversidade de espécies existentes na Floresta Mediterrânica, onde as plantas se apresentam em diferentes níveis desde as plantas rasteiras às árvores (como sobreiros, oliveiras, alfarrobeiras, etc…) passando pelos arbustos como as estevas e os medronheiros, dificultam o alastramento dos incêndios. A pastorícia tem um papel importante na proteção ambiental. O gado caprino, pela sua fisiologia, tem a capacidade de arrancar pela raiz as pequenas ervas que no verão servem de rastilho aos incêndios. Estes pequenos ruminantes são um recurso a ter, cada vez mais, em consideração, na limpeza e revitalização de áreas florestais. Usados de forma tecnicamente eficaz, podem ser a única maneira de tornar economicamente suportável a limpeza de algumas áreas florestais como já acontece nos Estados Unidos onde rebanhos de cabras são alugados com o objetivo de prevenir incêndios.
O projeto desenvolvido pela ANCCRAL (Associação Nacional de Criadores de Caprinos de Raça Algarvia) no Azinhal, Castro Marim, é um bom exemplo. 40 produtores têm cerca de quatro mil cabras de raça algarvia. Com o leite fazem iogurtes e queijos frescos de grande qualidade (produzido com cardo e sal marinho da Reserva Natural do Sapal de CM/VRSA). As cabras ao puxarem pela raiz as ervas revitalizam e revolvem o solo ao mesmo tempo que o fertilizam e adubam de forma natural. A título indicativo, nos últimos anos o efetivo de pequenos ruminantes na região do Algarve diminuiu cerca de 35% e com eles diminuíram as pessoas no interior do território.
Outro projeto benéfico, não só, ao povoamento, mas também, no combate aos incêndios são as coutadas de caça, tanto associativas como turísticas, que existem em Alcoutim e Castro Marim. Os caçadores promovem a limpeza de áreas agrícolas e procedem à sementeira de cereais nas épocas de escasseio e fornecem água e alimento aos animais que residem nas coutadas. Foi assim que as perdizes regressaram à serra algarvia. Castro Marim é o único município do país sem corpo de bombeiros, o que levou a autarquia a dotar as várias associações de caçadores com equipamentos de prevenção e proteção contra incêndios e são estes homens que fazem vigilância na zona mais desprotegida do Algarve. Os caçadores foram os segundos heróis no combate aos incêndios.
Ardeu e 5% do Algarve. Não o litoral das praias, das festarolas, das roupas fashion e dos flashes, mas o interior que também produz riqueza. Entre as perdas está, não só, a produção de cortiça e o respetivo sobreiral que levará cerca de 30 anos a ser reposto, mas também, milhares de colmeias. A importância destes pequenos polinizadores é vital para vida na terra. A pesar da reposição das colmeias ser mais fácil do que a dos sobreiros ambos fazem falta ao Algarve.
Se no inverno se previnem os incêndios, no verão, evitam-se os deslizamentos de terra. A experiência diz-nos que depois dos incêndios é necessário: limpar as ribeiras e açudes; reflorestar a área ardida e criar barreiras no perímetro ardido. Caso contrário, quando chover, a falta da vegetação que produz o efeito amarramento do solo, traduzir-se-á em deslizamentos de terra, enxurradas e mais acidentes trágicos para as pessoas. Aprenda-se com os erros do passado.


Antonieta Guerreiro
antonietaguerreiro@gmail.com

EM TEMPO DE BURLÕES, VALE A PENA AQUI RECORDAR UM DE MANEIRA BREVE - ALVES DOS REIS


    Artur Virgílio Alves Reis (Lisboa, 3 de Setembro de 1898 - 9 de Julho de 1955)
    foi certamente o maior burlão da história portuguesa e possivelmente um dos
    maiores do Mundo. Foi o cabecilha da maior falsificação de notas de banco da
    História: as notas de 500 escudos, efígie Vasco da Gama, em 1925.[1]



    Inícios


    Filho de uma família modesta (o pai era cangalheiro, tinha
    problemas financeiros e acabou por ser declarado insolvente) Alves Reis quis
    estudar engenharia. Efectivamente, começou o primeiro ano do curso, mas
    abandonou-o para casar com Maria Luísa Jacobetty de Azevedo, no mesmo ano em que
    a casa comercial do pai faliu. Em 1916, emigrou para Angola, para tentar fazer
    fortuna e assim escapar às humilhações que lhe eram impostas pela abastada
    família de Luísa, devido à diferença de condição social. Começa como funcionário
    público nas obras públicas de esgotos.
    Para ir para Angola, fez-se passar por engenheiro, depois de ter falsificado
    diploma de Oxford, aliás de uma escola politécnica de engenharia que nem sequer
    existia: a Polytechnic School of Engineering. De acordo com esse diploma
    falsificado, teria estudos de ciência da engenharia, geologia, geometria,
    física, metalurgia, matemática pura, paleografia, engenharia eléctrica e
    mecânica, mecânica e física aplicadas, engenharia civil geral, engenharia civil
    e mecânica, engenharia geral, design mecânico e civil. Ou seja, quase tudo.
    Com um cheque sem cobertura, comprou a maioria das acções da companhia dos
    Caminhos de Ferro Transafricanos de Angola, em Moçâmedes. Tornou-se rico e
    ganhou prestígio.


    O caso Ambaca


    De volta a Lisboa em 1922, compra uma empresa de revenda
    de automóveis americanos. Depois tenta apoderar-se da Companhia Ambaca.
    Para o conseguir, passou cheques sem cobertura e usou depois o dinheiro da própria
    Ambaca para cobrir os cheques sobre a sua conta pessoal. No total, apropriou-se
    ilegitimamente de 100 mil dólares americanos. Com esse dinheiro comprou também a
    Companhia Mineira do Sul de Angola. No entanto, antes de controlar toda a
    Ambaca, foi descoberto e preso no Porto, em Julho de 1924, por
    desfalque. Foi
    acusado também de tráfico de armas.


    O caso das notas Vasco da Gama


    Foi durante o tempo da prisão (só esteve preso 54 dias e foi libertado em 27 de Agosto de 1924 por pormenores
    processuais) que concebeu o seu plano mais ousado. A sua ideia era falsificar um
    contrato em nome do Banco de Portugal, o banco central emissor de moeda, e que
    na altura era uma instituição parcialmente privada, que lhe permitiria obter
    notas ilegítimas mas impressas numa empresa legítima e com a mesma qualidade das verdadeiras.
    Em 1924, Alves dos Reis contactou vários cúmplices e outros colaboradores de
    boa-fé para pôr o seu plano em marcha. Entre os seus cúmplices e
    colaboradores
    encontrava-se o financeiro holandês Karel Marang van Ijsselveere; Adolph
    Hennies, um espião alemão; Adriano Silva; Moura Coutinho; Manuel Roquette e
    especialmente José Bandeira. Um pormenor importante era que José
    Bandeira era
    irmão de António Bandeira, o embaixador português em Haia.
    Alves dos Reis preparou um contrato fictício e conseguiu que este contrato fosse reconhecido notarialmente. Através de José Bandeira, obteve também a assinatura
    de António Bandeira. Conseguiu ainda que o seu contrato fosse validado pelos
    consulados da Inglaterra, da Alemanha e França. Traduziu o contrato em
    francês e
    falsificou assinaturas da administração do Banco de Portugal.
    Através de Karel Marang, dirigiu-se a uma empresa de papel-moeda
    holandesa, mas
    esta remeteu-os para a empresa britânica Waterlow & Sons Limited de
    Londres, que
    era efectivamente a casa impressora do Banco de Portugal. Em 4 de Dezembro de
    1924, Marang explicou a sir William Waterlow que, por razões políticas, todos os
    contactos ligados à impressão das novas notas deveriam ser feitos com a maior
    das discrições. O alegado objectivo das notas era conceder um grande empréstimo
    para o desenvolvimento de Angola. Cartas do Banco de Portugal para a
    Waterlow &
    Sons Limited foram também falsificadas por Alves dos Reis. William Waterlow
    escreveu uma carta confidencial ao governador do Banco de Portugal
    Inocêncio
    Camacho Rodrigues em que referia os contactos com Marang. Mas,
    aparentemente, a carta extraviou-se.
    No caderno de encargos de impressão das notas, estipulava-se que estas viriam a
    ter posteriormente a sobrecarga Angola dado que, como se disse acima,
    alegadamente se destinariam a circular aí. Por essa razão, as notas tinham
    números de série de notas já em circulação em Portugal.
    Waterlow & Sons Limited imprimiu assim 200 mil notas de valor nominal 500
    escudos (no total quase 1% do PIB português de então), efígie Vasco da Gama
    chapa 2, com a data de 17 de Novembro de 1922. O número total de notas falsas de
    500 escudos era quase tão elevado como o de notas legítimas. A primeira entrega
    teve lugar em Fevereiro de 1925, curiosamente cerca de um ano depois das notas
    verdadeiras de 500 escudos, efígie Vasco da Gama terem começado a circular. As
    notas passavam de Inglaterra a Portugal, com a ajuda dos seus cúmplices, José
    Bandeira, que utilizava as vantagens diplomáticas de seu irmão, Karel Marang e
    ligações ao cônsul da Libéria em Londres.
    Alves dos Reis, embora o mentor da fraude e o falsificador de todos os
    documentos, ficava só com 25% das notas. Ainda assim, com esse dinheiro fundou o
    Banco de Angola e Metrópole em Junho de 1925. Para obter o alvará de abertura
    deste banco, recorreu também a diversas outras falsificações. Investiu na bolsa
    de valores e no mercado de câmbios. Comprou também o Palácio do Menino de Ouro
    (actualmente o edifício em Lisboa do British Council) ao milionário Luís
    Fernandes. Adquiriu três quintas e uma frota de táxis. Além disso, gastou uma
    avultadíssima soma em jóias e roupas caras para a sua mulher quando das estadias
    em Paris no Hotel Claridge, e para a amante de José Bandeira, Fie Carelsen, uma
    actriz holandesa. Compraram uns fantástico Hispano-Suiza. Tentou também
    comprar o Diário de Notícias.
    O objectivo de Alves dos Reis era afinal comprar acções, e conseguir controlar o
    próprio Banco de Portugal, de forma a cobrir as falsificações e abafar qualquer
    investigação. Durante o Verão de 1925, directamente ou através de diversos
    "testa-de-ferro", comprou sete mil acções do Banco de Portugal. No final de
    Setembro já tinha nove mil acções, e no final de Novembro dez mil. Seriam
    necessárias 45 mil acções para controlar o banco central.


    Burla revelada


    Ao longo de 1925 começaram a surgir rumores de notas
    falsas, mas os especialistas de contrafacção dos bancos não detectaram nenhuma
    nota que parecesse falsa. A partir de 23 de Novembro de 1925, Alves dos Reis e
    os negócios pouco transparentes do Banco de Angola e Metrópole começam a atrair
    a curiosidade dos jornalistas de O Século, o mais importante diário português de
    então. O que os jornalistas tentavam perceber era como era possível que o Banco
    de Angola e Metrópole concedesse empréstimos a taxas de juro baixas, sem
    precisar de receber depósitos. Inicialmente pensou-se que se tratava de uma
    táctica alemã para perturbar o país e obter vantagens junto da colónia angolana.
    A burla é publicamente revelada em 5 de Dezembro de 1925 nas páginas de O
    Século. No dia anterior, o Banco de Portugal enviara para o Porto o inspector do
    Conselho do Comércio Bancário João Teixeira Direito para investigar os vultosos
    depósitos pelo Banco de Angola e Metrópole em notas de 500$00 novas na firma
    cambista Pinto da Cunha. Só a altas horas conseguem detectar uma nota
    duplicada,com o mesmo número de série, nos cofres da delegação do Porto do Banco Angola e
    Metrópole. Depois, como são dadas instruções para que as agências bancárias
    ponham as notas em cofre por ordem de número, para controlar
    duplicações, muitas mais notas com números repetidos apareceram.
    O património do Banco de Angola e Metrópole foi confiscado e obtidas provas
    junto da Waterlow & Sons Limited. Alves dos Reis é preso a 6 de Dezembro, quando
    se encontrava a bordo do "Adolph Woerman" ao regressar de Angola. Tinha 28 anos
    no momento da prisão. Adolph Hennies, que estava consigo, fugiu. A maior parte
    dos seus associados foram também presos.


    Julgamento e prisão


    Alves dos Reis esteve preso, aguardando julgamento,
    desde 5 de Dezembro de 1925 até 8 de Maio de 1930. Durante esse tempo conseguiu
    convencer um juiz de instrução que a própria administração do Banco de Portugal
    estava implicada na fraude, tendo falsificado documentos na prisão e
    tentado suicidar-se.
    Foi finalmente julgado em Lisboa no Tribunal de St.ª Clara em Maio de 1930, e
    condenado a 20 anos: 8 de prisão e 12 de degredo ou, em alternativa, 25
    anos de degredo. Durante o julgamento, alegou que o seu objectivo era simplesmente
    desenvolver Angola. Na prisão, converteu-se ao protestantismo. Foi libertado em
    Maio de 1945. Foi-lhe oferecido um emprego de empregado bancário;
    recusou. Ainda veio a ser condenado por uma burla de venda de café de Angola, mas já não cumpre
    a pena. Morreu de ataque cardíaco em 9 de Junho de 1955, pobre.
    José Bandeira teve idêntica condenação. Morreu em 9 de Junho 1957, sem fortuna.
    Hennies fugiu para Alemanha. Reapareceu mais tarde, sob o seu verdadeiro nome,
    Hans Döring. Morreu em 1957, sem fortuna. Karel Marang foi preso e julgado na
    sua Holanda natal, mas sentenciado a 11 meses de cadeia. Posteriormente,
    naturalizou-se francês e terminou os seus dias, muito rico, em Cannes.


    Epílogo


    O escudo, a moeda portuguesa, teve perturbações cambiais e
    perdeu muito da sua credibilidade. As notas de 500 escudos começaram a ser
    retiradas de circulação a 7 de Dezembro de 1925.
    A 6 de Dezembro, o Banco de Portugal ordenou a retirada de circulação de todas
    as notas de 500 escudos. Inicialmente a troca das notas foi autorizada até 26 de
    Dezembro. Durante estes 20 dias, saíram de circulação 115 mil notas
    legítimas ou não. No entanto, em Abril de 1932, o Banco de Portugal determinou que fossem
    abonadas aos portadores de reconhecida boa fé as notas de 500 escudos (…), quer
    sejam autênticas, quer façam parte das que foram entregues por Waterlow & Sons a
    Marang e seus cúmplices. Isso implicou um enorme prejuízo para o Banco Central.
    Na verdade, um pequeno grupo de notas – a que se veio a chamar notas camarão –
    foram recusadas para troca pelo Banco de Portugal. O nome provinha de terem sido
    banhadas numa solução de ácido cítrico, com o objectivo de as livrar do
    cheiro de tinta fresca. O resultado foi uma ligeira descoloração, resultando
    numa cor semelhante ao daquele marisco.
    De acordo com a lei portuguesa, as notas retiradas de circulação em 1925
    puderam
    ser trocadas no Banco de Portugal até 1995. Naturalmente que esta
    prescrição não
    era relevante dado que o valor de colecção das notas (legítimas e falsas) a
    partir dos anos 50 passou a ser muito superior ao seu valor facial.
    A fraude criou uma enorme crise de confiança na população em relação aos poderes
    públicos. Embora os desenvolvimentos desse período sejam complexos, essa crise
    pode ter facilitado a revolução de 28 de Maio de 1926, que derrubou o presidente
    da República Bernardino Machado e deu origem à ditadura e, a partir de 1932, ao
    Estado Novo de Salazar.
    O Banco de Portugal processou a Waterlow & Sons nos tribunais londrinos: um dos
    mais complexos casos da história judiciária britânica até então. Sir William
    Waterlow foi demitido de presidente da casa impressora em Julho de 1927. Em
    1929, foi eleito presidente da câmara (mayor) de Londres. O caso foi resolvido
    em 28 de Abril de 1932. A mesma pagou uma indemnização ao Banco de
    Portugal efaliu.
    Em 27 de Outubro de 2005 decorreu um leilão com umas das notas falsas de Alves
    dos Reis com base de licitação estimada no valor de 6 500 euros

    O CASO ALVES REIS (uma abordagem diferente) II

    Alves Reis não era falsificador profissional, embora fosse vigarista nato e definição legal. Se tivesse sido um vigarista profissional, possivelmente nunca teria levado a cabo o golpe que, de forma muito reduzida esquematizei. Era um homem que fundamentalmente trabalhava sozinho.





    Os colaboradores que escolheu, mesmo os mais próximos, jamais poderiam saber toda a extensão da trama, embora a partir de certa altura não pudessem desconhecer que se estava perante uma fraude de dimensões espantosas. Apesar de não ser um profissional, de não ter uma equipa a trabalhar consigo, de ser descuidado, teve até certa altura muita sorte. Que tinha de acabar. Porque é que dissemos que a fraude de Alves Reis é única nos anais do crime? Porque nunca fora feito, nem tentado nada semelhante, nem seria possível repeti-lo. As notas de banco têm sido falsificadas ao longo dos tempos. Umas vezes com mais técnica ou imaginação, outras de forma muito grosseira. A origina­lidade de Alves dos Reis, lisboeta e português, é que as notas que falsificou e pôs em circulação, não eram imitações, eram rigorosamente iguais às do Banco de Portugal.

    Nenhum caixa de banco, nenhum lojista ou cidadão, por mais cauteloso, podia detectar a fraude. Alves Reis não teve refinados problemas técnicos a resolver com a gravação e impressão das notas porque as mandou fazer em Inglaterra, aos fornece­dores do Banco de Portugal, como se fosse para este. Não teve problemas em passá-las, porque criou o Banco Angola e Metrópole e quase conseguiu o controle do próprio Banco de Portugal, que era o seu objectivo final. Não obstante tudo isto, a sua detenção era inevitável, uma questão de tempo. A falsificação de moeda ameaça os fundamentos do Estado, talvez como nenhum outro crime. O Estado não pode ser indulgente com este tipo de crime e Portugal não fugiu a esta regra de ouro.

    O julgamento de Alves Reis, de sua mulher, dos irmãos Bandeira e outros, começou no dia 5 de Maio de 1930, às 12h45m, numa sala do Tribunal Militar de Santa Clara, em Lisboa, depois de peripécias várias e da promulgação de uma Lei Especial, com efeito retroactivo, a Lei 1871, de 29 de Maio de 1926… (ainda da responsabilidade do Governo da República). Mas logo em Dezembro de 1925 o caso assumira uma popularidade controversa, com o sentimento entre o divertido e o crítico, que um tal Eugénio Bataglia aproveitou para escrever uma novela social que intitulou O BANCO FANTASMA, que teve rotundo sucesso e duas edições.



    António Ferro, responsável mais tarde pelo Secretariado da Propaganda Nacional, autor de uma biografia de Salazar, a propósito do julgamento de Alves Reis, escreveu empolgadamente, no Diário de Notícias:



    Alves dos Reis é um criminoso. Todos nós o sabemos. Sabe-o ele melhor que ninguém. E já o confessou com singular altivez, castigando-se, exauterando-se publicamente. Sabe-o a polícia que o prendeu. E sabe-o a justiça que o envolveu nas suas malhas, que anda a contas com ele no Tribunal de Santa Clara, no Teatro de Santa Clara. Alves dos Reis, impossível negá-lo sem faltar à verdade, conseguiu impressionar o tribunal na audiência de ontem. Não o convenceu possivelmente das suas boas intenções, da sinceridade da sua confissão, das suas completas responsabilidades, mas convenceu-o da sua inteligência, da sua habilidade, da sua eloquência, do seu admirável temperamento de advogado. Não houve tribunal, nem réu, nem juiz. Havia um homem livre diante de homens livres: um Ministro no Parlamento a responder a uma interpelação, o orador no tablado de um comício, um industrial explicando a sua indústria (...) Simpatia por Alves dos Reis? De modo algum (...). A admiração, natural e justa, provocada pelo espectáculo da inteligência em acção, da inteligência em movimento. Alves dos Reis começou a falar e bem depressa o tribunal foi seu. Um silêncio absoluto, quase respeitoso... Alves dos Reis contou o seu romance com vivacidade, com energia, com sabor literário, por vezes, e deslumbrou toda a gente com parágrafos e artigos.



    Alves dos Reis contou depois, como fez a burla, como encontrou as escalas, como falsificou as assinaturas, como descobriu que não havia con­trole no Banco de Portugal, mas tudo isto explicado como um engenheiro pode explicar o funcionamento de certas máquinas. Alves dos Reis continuou a falar com a mesma habilidade, ou com a mesma sinceridade, até se cansar, até pedir um copo de água, até ao intervalo. E segue, reaberta a audiência, com igual energia, com igual força. O Senhor Dr. Delegado do Ministério Público deixa escapar um Vossa Excelência que recolhe apressadamente, e o presidente do tribunal, cuja atitude impressionou pela imparcialidade e pela nobreza, declara a certa altura que as palavras do réu foram ouvidas com muito agrado. Alves dos Reis confessa-se fatigado a certa altura, e todos lhe reconhecem o direito a estar cansado, todos reconhecem o esforço prodigioso da sua memória, dos seus nervos, da sua inteligência durante cinco horas de luta. Julgo sincero no conjunto, o seu depoimento. A verdade de Alves dos Reis pode ser uma verdade polvilhada de mentiras, mas é uma verdade. Eu aconselharia mesmo Alves dos Reis, como exercí­cio de vontade, se a sua reabilitação é sincera, a emendar-se à vista do público, sempre que mentisse involuntariamente: Menti agora... Des­culpem-me... Foi sem querer... É o hábito.



    E passou-se alguma coisa, passou-se este facto surpreendente, na verdade: um homem que devia apresentar-se vencido, tímido, humilhado, depois de confissão de um crime vergonhoso, apresenta-se de cabeça levantada, combativo quase alegre, de alegria sem cinismo. Entrega-se com ardor a uma nova causa, à defesa dos seus companheiros, que procura ilibar de todas as responsabilidades.



    No Diário de Lisboa, outra vedeta do jornalismo nacional, acompanhou e escreveu sobre os debates. Um tipo invulgar, singular, de construtor de romances, de construtor de sonhos, assim o qualificou, por sua vez, Norberto Araújo.



    Como disse António Ferro, Alves dos Reis foi o espectáculo julgamento, alegando que a sua emissão era tão falsa como as do Banco de Portugal, já que não havia para elas encaixe de ouro. Mais tarde, na prisão Alves dos Reis escreveu nas suas memórias, O Segredo da Minha Confissão, o seguinte trecho: Que obras de fomento e de ressurgimento nacional se realizam com as colossais emissões de papel moeda equivalentes a 626.623 libras? Nenhuma. Eu queria emitir para realizar um plano de fomento em Angola, e dentro do meu materialismo, julgava-me com muito mais direito de emitir notas que o Banco de Portugal. Não sabiam os técnicos que 99% das grandes operações financeiras tinham uma base irregular e que quase sempre de uma tão grande simplicidade que muito poucos procuravam essa base?.



    Pelo Banco de Portugal, o principal lesado, que indemnizou os portadores das notas falsas, mas que era objecto ainda de uma persistente desconfiança popular, actuou um advogado ao tempo muito conhecido, Horta Osório, e que veio a publicar a História do Crime, que possuo. Ramada Curto defendeu José Bandeira, que considerou iludido por Alves dos Reis, sem se aperceber que cooperava num crime. Alves dos Reis foi defendido por Nóbrega Quintal.



    No dia 20 de Junho de 1930 foi lida a sentença, sem poesia nem lirismos. O processo fora julgado por um júri de 8 juízes e compunha-se de 58 volumes e mais de 7 mil folhas. Ao longo dele foram ouvidas 25 testemunhas, de que se destacam Júlio Dantas, Norton de Matos, antigos ministros e presidentes do ministério como Domingos Pereira, que autorizou a abertura do Banco de Angola e Metrópole.



    Artur Virgílio Alves Reis que quis assumir a responsabilidade de todos os actos cometidos, ilibando cúmplices e colaboradores, foi condenado a 8 anos de prisão celular, seguida de mais doze de degredo ou vinte anos de degredo em Angola ou Moçambique. Preferiu a primeira modalidade e cumpriu os vinte anos inteiros na Penitenciária de Lisboa, sem beneficiar de qualquer amnistia e com todo o rigor. Outros tiveram penas idênticas, como José Bandeira, Adolph Hennies, embora julgado à revelia, ou ficaram pela prisão já cumprida preventivamente como sua mulher Maria Luísa. Alves Reis, foi libertado em 7 de Maio de 1945, às 16 horas, por alturas do armistício da II Guerra, com Lisboa (e a Europa) em grande euforia. Na prisão, converteu-se à fé protestante e, em liberdade, chegou, com proselitismo e algum sucesso, a pregar no Porto. Morreu em 8 de Julho de 1955, com quase 59 anos de idade, 2 anos após a sua mulher que falecera, entretanto, num manicómio, indo a enterrar apenas envolvido num lençol, numa sepultura sem marca no Alto de S. João. Os jornais lisboetas dedicaram ao óbito poucas e anódinas linha.



    Karl Marang, foi julgado em Novembro de 1926 em Haia, na Holanda. A sua defesa, baseou-se na circunstância de ter agido de boa fé, em todo o caso, ter acreditado que os contratos de que foi portador eram genuínos, tanto mais que Sir William Waterlow os aceitara. Também argumentou, muito curiosamente, que o Banco de Portugal não podia emitir notas por não existir legalmente em termos de Lei Portuguesa. De facto, o Código Comercial Português, prescrevia no seu art°. 49° que uma sociedade comercial, para ter existência legal, tinha de estar registada no Registo Comercial. Nessa altura, o Banco de Portugal era uma sociedade comercial, que nunca fizera esse registo, corrigindo a situação, apenas, em fins de 1926. Salazar, acompanhou de perto este caso, que foi desde logo um caso criminal, mas também um enorme escândalo social e político que abalou as ténues estruturas da I República e ajudou a dar razão aos que defenderam a necessidade do 28 de Maio. Um dos pormenores menos conhecidos, possivelmente por não ser dos mais relevantes para a história do processo Alves dos Reis, diz respeito à incriminação, pelo M.P. e Banco de Portugal, do Doutor Diogo Pacheco de Amorim, Professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, que fora pronunciado em 1927, e preso sem admissão de causa, entre outros, pelos factos seguintes:



    (1)-Passagem de notas falsas, por combinação com Alves Reis e cúmplices;



    (2)-Ter intervindo pessoalmente nos actos da constituição do Banco de Angola e Metrópole, de que foi accionista fundador, assinando dois requerimentos para esse fim, embora soubesse que o primeiro fora indeferido, graças a parecer desfavorável do Conselho Bancário, por causa de alguns nomes que nele figuravam;



    (3)-Ter sido Presidente do Conselho de Administração do dito Banco e Administrador da sua filial no Porto;



    (4)-Ser pessoa de toda a confiança de Alves dos Reis, com quem colaborava, apesar de conhecer o seu passado suspeito.
    .

Algumas coisas estranhas ao redor de nós

A beleza da natureza ou da obra humana está nos olhos de espectador. A fotografia é apenas uma maneira de mostrar ou representar essa beleza. Este post é um acumulado de fotos especiais que não são apenas o exemplo de belas fotografias, mas também fotografias de alguns milagres que acontecem no mundo, seja pela própria natureza, seja pelas mãos dos homens. Também podemos considerar a criatividade e inovação da mente do fotógrafo, tanto quanto clica o natural, como o artificial. O importante é que algumas são realmente muito bonitas e misteriosas, pois mesmo que as imagens estejam disponíveis aos nossos olhos quase todos os dias, não conseguimos vê-las com a forma como estas fotografias nos mostram. Eu sou simplesmente apaixonada por essas fotos. Essa ai de cima, por exemplo. Ilusão de ótica? Photoshop? Que nada! Essa estátua do francês Bruno Catalano está às margens de um lago no seu país natal e mostra um homem com cabeça, ombros e um dos braços apoiado numa mala que, por sua vez, está soldada as pernas. Numa galeria seria algo comum. Com a natureza de fundo nos causa uma impressão do extraordinário. Mas vamos a todo o post. Espero que vocês gostem, mesmo que provavelmente já conheçam algumas dessas fotos. 

Aeroporto de Gibraltar, um dos mais extraordinários do mundo. É cortado por uma avenida, cujos usuários se vêm obrigados a parar quando das decolagens e pousos dos aviões. 


"A Glória da Manhã". Tipo de nuvem rara que se forma no Golfo de Carpentaria, na Austrália. 


O fantástico rio sobre o rio. Esse é o complexo de Vias Navegáveis de Magdeburg, na Alemanha.



 Flagrante do forte nevoeiro que envolveu toda a cidade de Sydney, na Austrália, em meados do ano passado. 



 A surpreendente Torre da Lua Crescente, em Dubai, nos Emirados Árabes, que abriga um complexo empresarial e comercial. 


A fantástica foto de uma tempestade em Montana, EUA, no ano de 2010. 



Essa foto é fruto de muita polêmica na WEB. Alguns acreditam ser montagem, mas a história nos conta que pertence a Jean Guichard, e foi tirada em 1989 quando o mesmo estava num helicóptero acompanhando as ondas que castigavam os faróis franceses após dias de fortes tempestades. Como os guardas faroleiros aguardavam resgate, um deles abriu a porta de acesso a plataforma ao ouvir o barulho da aeronave. Ao perceber que a onda abraçava o farol ele fechou rapidamente a porta e conseguiu se salvar.



Aeroporto da Maldivas, localizado numa ilha ampliada artificialmente no meio do Oceano Índico. 
  


A noroeste de Montana, EUA, a água deste lago é tão transparente que parece que o mesmo é raso, quando na verdade é bastante profundo. 



Este é um fenômeno geológico único conhecido como Danxia Landform. Estes fenômenos podem ser observados em vários lugares na China, sendo que  este exemplo está localizado em Zhangye, na Província de Gansu. O multicolorido é resultado de acumulação de arenito vermelho e outras rochas durante milhões de anos.


Uma rara foto de um pôr do sol visto de dentro de uma onda. 



Do lado de fora da parede. 



Da varanda do piso 103, em Chicago, EUA. 



Um paraíso perdido na Ilha de Lamu, no Oceano Índico. 



 Uma favela em São Paulo, no Brasil. A fronteira entre a riqueza e a pobreza. 



A maravilhosa Ponte Banpo, em Seul, na Coréia do Sul. 



Os pilares de Lena, as margens do Rio Lena, na Rússia. 



A "Feliz Casa Rizzi" em Bruswick, na Alemanha. Projetada pelo artista americano James Rizzi. 



Na cidade de Buford, EUA, vive apenas uma pessoa. É um homem, que trabalha como zelador e prefeito. 


Marcos Levine é um artista no sentido literal. Ele cria suas pinturas com pregos num painel de madeira. Na sua última exposição nos EUA ele utilizou mais de 50 mil pregos para fazer suas obras. 



Loja de jogos em Paris. Na verdade o chão é absolutamente plano. 



O maior congestionamento de trafego do mundo foi registrado nesta rodovia, na China. A fila se estendeu por 260 quilômetros. 



O grande exemplo de uma "Grande Família".


Um túnel incomum no Sequoia National Park, na Califórnia, EUA. 



Dia e Noite. Os efeitos da sombra da luz artificial sobre o Monumento na cidade de Kaunas, na Lituânia. 



Essa é a ponte sobre o Golfo de Jiaozhou, na província chinesa de Shandong. É a maior ponte do mundo, com aproximadamente 40 kms e oito pistas de rolamento.



Na cidade turística de Skagen você pode assistir a um fenômeno natural surpreendente. Esta cidade é o ponto mais setentrional da Dinamarca, onde o Báltico e o Mar do Norte se encontram. As duas marés opostas neste lugar não podem mesclar, porque têm diferentes densidades.



O fenômeno da migração das arraias. Duas vezes ao ano cerca de 10 mil arraias nadam da província de Yucatán, no México, até a Florida para procriar. Fazem as viagens na primavera e no outono. 



A fronteira entre Bélgica e Holanda em um café. Na verdade não é toda a fronteira entre belgas e holandeses que é inusitada. Apenas a parte entre os municípios de Baarle-Nassau (Holanda) e Baarle-Hertog (Bélgica) que chama atenção. São 26 peças, espécie de azulejos no chão, que delimitam onde é a Holanda e onde é a Bélgica. Na foto a cima, a esquerda está a parte holandesa e a direita a belga.


Essas árvores crescem na floresta perto de Gryfino, na Polônia. O motivo da curvatura é desconhecido. 



Dubai vista do BurjKhalifa, o maior edifício do mundo. 



Chicago, EUA, debaixo de um nevoeiro no ano passado. 




Os balões sobre a Capadócia, na Turquia. 




Um deserto tomado por Phacelia, nos EUA. Essa floração acontece de vez em quando em vários anos. 



Escritório de Selgas Cano, em Madri, Espanha. 




Restaurante em um penhasco na Costa Leste de Zanzibar. Dependendo da maré o mesmo pode ser alcançado de barco ou a pé. 




O fantástico "Lago Esmeralda" na cratera de um vulcão extinto na Nova Zelândia. 




O Carrocel de Correntes mais alto do mundo, localizado em Viena, na Austria. Tem 117 metros. 




As "Portas da Masmorra" na Cape Perpetua, região litorânea do Oregon, EUA. Na maré com fortes ondas a água corrente cria paisagens fantásticas. 


Fonte: Odssfu
Post(s) á beira mar