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segunda-feira, 13 de agosto de 2012




130812 eua repressAldeia Gaulesa - [Margaret Kimberley] Há tantas coisas erradas nos EUA, que nem se sabe por onde começar. Mas, de todas as calamidades que os norte-americanos enfrentam, a mais cruel é o sistema de justiça criminal.

Os EUA são a capital mundial das prisões. Só num estado, na Louisiana, a taxa de encarceramento, em relação à população do estado, é 13 vezes maior que a da China e cinco vezes maior que a do Irã.

O encarceramento em massa não é acaso, mas reação coordenada e aperfeiçoada contra o sucesso do movimento pelos direitos civis. As leis de segregação racial foram tornadas ilegais. E imediatamente criaram-se novos meios legais para segregar e destruir a comunidade negra nos EUA.

A obsessão dos EUA com o castigo sempre foi cause célèbre que chamou a atenção de parte da mídia, quando é muito flagrantemente injusta, ou evidencia vícios processuais ou mostra muito evidente racismo. Mas esses detalhes perdem importância, se se considera o terror sem fim que é o sistema judicial nos EUA.

O calvário de Brian Banks é exemplo disso.

Banks tinha 16 anos e era aluno e jogador destacado da equipe de futebol americano de uma escola em Long Beach, Califórnia, quando foi falsamente denunciado por estupro, por uma colega de classe, em 2002. Banks foi formalmente acusado, não só por estupro, mas também por sequestro. Preferiria ter-se declarado inocente, mas estava ameaçado, se condenado, por uma sentença de 41 anos de prisão. Como Banks relembra, seu advogado lhe disse que era "negro alto e forte" e que os jurados o considerariam culpado, dissesse o que dissesse; e que a confissão reduziria a sentença. Seguindo conselho do advogado, Banks declarou-se culpado.

Foi condenado a cinco anos de prisão, depois dos quais passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica e identificado como "agressor sexual". Quem seja identificado como "agressor sexual" é condenado, de fato, a prisão perpétua; fica proibido de frequentar determinados espaços, ou recebe a tornozeleira eletrônica várias vezes ao longo da vida, por diferentes períodos.

As sentenças draconianas não reduziram o número de ataques sexuais, nem aumentaram a segurança de ninguém. São apenas mais um item acrescentado à longa lista de instrumentos criados para infligir cada vez mais sofrimento.

Acontece assim com milhares de norte-americanos que, por um motivo ou outro, acabam colhidos nas malhas do sistema, mesmo quando não praticaram nenhum tipo de crime. No caso de Banks, a suposta vítima arrependeu-se, confessou que mentira, e a história de Banks afinal chegou às manchetes. Mas ainda não se cogita de levar a julgamento todo o sistema de justiça criminal nos EUA.

Não é raro que os procuradores ampliem a lista de acusação contra os réus, o que força muitos a declarar-se culpados, na tentativa de escapar de décadas de encarceramento. É como se os procuradores do estado da Florida tivessem decidido que não seria necessário seguir todas as etapas do justo processo legal. Basta aumentar os crimes de que os réus sejam acusados, pedir sentenças gigantescas, cinco, dez, às vezes 20 vezes mais longas do que as sentenças previstas para o caso de o acusado declarar-se culpado, vale dizer, para o caso de o acusado "confessar" –, e o trabalho de todo o sistema judicial fica muito facilitado.

Marissa Alexander foi acusada de ter dado um tiro no marido. Se se declarasse culpada, seria condenada, no máximo, a três anos de prisão. Mas recusou-se. O caso portanto teve de ir a júri, e ela, apesar de não ter dado tiro algum em marido algum, cumpre hoje pena de 20 anos atrás das grades.

O que se vê nas cortes norte-americanas nada tem a ver com sistema de justiça que, por definição, sempre daria aos acusados o direito de ser julgado por juiz legal, assistido por advogado legal, sem medo de, por razão nenhuma, acabar condenado a prisão perpétua. O sistema de justiça nos EUA castiga, sempre mais, os inocentes que se declarem inocentes.

Em muitos estados dos EUA, quem se declare inocente expõe-se a penas mais curtas, mas, automaticamente, perde o direito às audiências preliminares de defesa. Assim, os inocentes que se declarem inocentes se autocondenam a permanecer presos por longos períodos, sem serem ouvidos por nenhum juiz... até que confessem ter feito o que não fizeram, quando, então, vão a julgamento, já condenados.

O sistema judicial criminal e de correição dos EUA não passa de ninho de corruptos e corruptores, e tem de ser desmontado até a raiz.

Prisões e carceragens nos EUA são instituições que geram negócios e criam empregos para a fechada comunidade dos carcereiros, para empresas privadas que vivem do negócio de construir e administrar prisões, e que impedem os negros norte-americanos de efetivamente questionar todo o sistema, como faziam há 40 ou 50 anos.

Procuradores e políticos beneficiam-se e lucram com o número sempre crescente de condenados a sentenças cada vez mais longas, além de ganharem tempo de exposição na mídia, nos casos mais espetacularizados, o que muito os interessa no caso de serem candidatos a "promoção", seja no sistema judicial-policial seja no sistema político.

Pouco têm a perder com as condenações a prisão perpétua que resultaram das leis de "três acusações [de crime menor] equivalem a uma [de crime maior], inventada para prender pequenos traficantes de drogas. A "tolerância zero" nunca passou de metáfora para manter negros pobres – e pobres em geral – sob controle.

O discurso codificado e enunciado pela mídia e o lucro que advém da falácia segundo a qual "se há sangue, é notícia" alimentam o medo e ajudam também a obter o apoio de muitos negros e de muitos pobres, para essas medidas judiciais, que são apresentadas como justas e legais, quando são legais, mas são racistas.

Para meter negros e pobres nas cadeias, nenhum crime é pequeno crime. Até abandono dos filhos é crime que mete negros pobres nas prisões dos EUA, negros pobres que, metidos nas cadeias por décadas, se não abandonaram antes, fatalmente abandonarão os filhos depois de "justiçados". Mas, evidentemente, não há no mundo quantidades de pais e mães espancadores de filhos, ou de predadores sexuais ou de assassinos psicopatas, para encher prisões cujos proprietários privados são remunerados "por cabeça".

Esses crimes-espetáculo, que são os únicos que são midiatizados, só são midiatizados para manter operante o sistema judicial de distribuir e perpetuar injustiças, aumentar o lucro das prisões-empresa, atrair votos para candidatos financiados pelas mesmas prisões-empresas e pela mídia, e para manter satisfeitos os norte-americanos racistas, "em uniforme" ou sem uniforme.

O caso de Brian Banks atraiu a atenção das televisões, jornais e jornalistas, porque uma mentirosa o mandou para a cadeia. E as televisões, os jornais e os jornalistas repisam sempre esse aspecto desse caso. Mas essa explicação pouco explica dos outros muitos casos em que o único mentiroso foi o sistema judicial norte-americano.

Temos de considerar, isso sim, o que disse aquele advogado, para convencer Banks a confessar crime que não cometera: que "negro alto e forte", nos EUA, é pressuposto culpado e é pré-condenado a longas sentenças e castigo eterno.

Sempre haverá casos cujas histórias atraem mais simpatias, ou cujos personagens atraem apoiadores mais bem organizados. Ainda que nós também sejamos atraídos para esses casos mais espetacularizados pelas televisões, jornais e jornalistas, temos de lembrar que há muitos outros negros e pobres que enchem as prisões nos EUA. O caso "do dia" deve ser ocasião para desentocar a besta e cortar-lhe a cabeça de uma vez por todas. É a única notícia que realmente vale a nossa atenção.

Sobre a autora:

A coluna "Freedom Rider", de Margaret Kimberley, é publicada semanalmente em: Black Agenda Report, BAR e reproduzida em muitos jornais nos EUA.

Mantém um blog também com o nome de Freedom Rider.

Recebe e-mails em: Margaret.Kimberley@BlackAgandaReport.com
Traduzido pela Vila Vudu

























E todas as noites mais não são que esquecimento.
Ao acordar só há tempo para memórias.
E tudo começa de novo no meio de uma interrogação
Temporal. E caminho sem rumo, sem destino e sem
Instante. E passo pela madrugada de gotas de orvalho
E flores que se revelam. Não há passado nem futuro
Só o presente se revela imutável. Mas a cada instante
Que passa é a morte do presente que o já não é.

E se o presente nunca é, o passado apenas tempo
E o futuro mera incógnita.
Então toda a existência é simplesmente ilusória.

Manuel F. C. Almeida

O MINISTRO DISSE QUE NUNCA ANDOU DE SUBMARINO


abismos - poema de António Garrochinho


olhar maior - é noite - poemas de António Garrochinho



As cidades mais coloridas do planeta

A maioria das cidades espalhadas pelo Planeta Terra tem como cor predominante o cinza. Não que essa seja a tinta usada nas edificações residenciais ou comerciais, mas é que o concreto e metal fazem das cidades um cenário quase sempre nessa tonalidade. Existem, todavia, locais no mundo – das pequenas comunidades as grandes metrópoles – que resistem à mesmice com uma cartela de cores cheia de graça. Às vezes um bairro, ou mesmo uma cidade toda, se colocam aos nossos olhos de forma multicolorida, e por isso fomos buscar neste post alguns destes locais que as revistas de arquitetura definem como os "mais coloridos do Planeta". Vale a pena acompanhar. E, quem sabe, visitar.
Acima Willemstad, capital da antiga Antilhas Holandesas, hoje Curaçau, no Mar do Caribe. Siga o post e conheça todas as cidades selecionadas por nós.  


1. Guanajuato, México
Na região central do México, as cidades surgiam em torno das minas que produziam 30% da prata comercializada na época colonial. A escalada de construções espanholas refletiu a prosperidade, e o colorido das fachadas, o espírito latino do povo.



2.Willemstad, capital de Curaçau 
Foi a capital do território das Antilhas Holandesas, dissolvido em 10 de Outubro de 2010. Atualmente é capital da ilha onde está localizada, Curaçao, ou Curaçau, como também é conhecido o território. Sua população é de 125.000 habitantes. Tem um porto importante que serve como uma das bases para o turismo no Mar do Caribe.


3. Wroclaw, Polônia
Wroclaw fez parte da Alemanha, Prússia e Aústria antes de entrar para o domínio da Polônia, após a Segunda Guerra Mundial. Embora tenha passeado pelo mapa, a identidade cultural foi mantida, principalmente nas residências coloridas.


4. San Francisco, Califórnia, EUA
Uma das maiores metrópoles do mundo com suas particularidades coloridas. Tudo começa pela sua ponte, talvez a mais famosa do mundo, com sua cor marrom. San Francisco tem vários bairros onde o colorido toma conta do casario antigo. Por ser uma cidade multicultural também não é improvável se encontrar várias fachadas de casas e muros transformados em murais de arte. Um espetáculo. 








5. Estocolmo, Suécia
Estocolmo tem sido o centro cultural, político e econômico da Suécia desde o século XIII. Sua localização estratégica sobre 14 ilhas no centro-sul da costa leste da Suécia, no lago Mälaren, tem sido historicamente importante. Uma vez que a cidade é construída sobre ilhas e conhecida pela sua beleza, tem interesses turísticos e tentou popularizar o apelido de "Veneza do Norte". A cidade é conhecida pelos seus edifícios coloridos e parques. Estocolmo é uma das cidades mais visitadas dos países nórdicos, com mais de um milhão de turistas internacionais por ano.



6. Jodhpur, Índia
“cidade azul” brotou no mapa a partir da separação de castas que há no país. Os brâmanes, que pertecem à linha sacerdotal, pintaram suas casas de azul para diferenciá-las das do restante. Quando o local começou a crescer, os novos moradores, religiosos ou não, construíram seus imóveis e pintavam as paredes com a mesma cor, até que a cópia virou uma tradição – raramente se vê outro tom que não o índigo.


7. St. Johns, Canadá
O clima gélido do ártico destaca ainda mais essa cidadezinha, que fica no Canadá. Quanto mais perto do canal, mais intensas são as cores dos imóveis de madeira.


8. San Juan, Porto Rico
A parte antiga da cidade é um verdadeiro mosaico de estilos. Dos tons quentes aos pastéis, as cores revestem toda a região, das fachadas às ruas — os paralelepípedos que vieram da Espanha no século 16 ganharam uma leve coloração azulada com o passar do tempo.


9. Valparaíso, Chile
O colorido das residências que vão de uma ponta à outra é um dos charmes da cidade portuária. Cercada por aproximadamente 40 colinas, a região ganhou o apelido de "San Francisco" da América do Sul.



10. Cinque Terre, Itália
Na costa da Riviera Ligure, situada entre cinco praias, as comunidades tingem o mediterrâneo com suas casinhas que escalam o morro. De tons pastéis, as vilas de pescadores recebem durante a temporada de verão celebridades de todo o mundo.

11. Ilha de Burano, Italia
Burano situa-se na Lagoa de Veneza, e tal como a sua vizinha 7 km mais a sul, é na realidade uma localidade constituída por várias ilhas pequenas ligadas por pontes entre si. Situada próxima a Torcello no extremo norte da Lagoa, é conhecida pelos seus cristais, trabalhos em renda e por suas casas coloridas. Um espetáculo singular. 

Fontes: Wikipédia, Flickr e sites de viagens
Post(s) á beira mar

“Fácil é tropeçar em uma pedra”


Há anos tropeçava-se muito em Portugal. Uma pessoa ia a passar no Chiado, via-se repentinamente desviada para a António Maria Cardoso e era tropeção na certa. As mulheres, em casa, também tropeçavam muito. Regressados os maridos da labuta, era um ver que te avias de tropeções. As crianças, os loucos, os pretos, as criadas… tudo gente que tropeçava p’ra caraças. 
Há tropeções famosos. Bastante conhecido foi o de D. Pedro II que, ao perder o equilíbrio no baile da Ilha Fiscal, comentaria com espírito: “A monarquia tropeça mas não cai”, e 11 dias depois chegava ao Brasil a República.
Aos tropeções nacionais chamava Salazar “meia dúzia de safanões [dados] a tempo”, evidenciando através do eufemismo que pouco saía de casa, razão por que nunca visitou, por exemplo, o Tarrafal. Entretanto, veio o 25 de Abril, os tropeções entraram em desuso. 
Ultimamente, porém, a vox populi (e não vamos culpar os taxistas...) começa a clamar pelo seu regresso, que antes seriam aqueles mal empregues mas agora bem merecidos, o que me recorda a resposta do espanhol Fernando Savater ao francês Jean Daniel no El País, a propósito das caricaturas do Profeta: “Jean Daniel informou-nos (…) que aceita a blasfémia sempre que acompanhada de bom gosto e dignidade artística: ele é daqueles que apenas apreciam stripteases quando são feitos ao som de Mozart.”
O último tropeção de que tive conhecimento envolveu um agente da autoridade em perseguição de um assaltante desarmado. A arma ter-se-á disparado devido ao desequilíbrio do polícia, indo alojar-se no pescoço do meliante que morreu no local. Como não tenho espaço para mais, limito-me a parafrasear o Almirante: os tropeções são uma coisa que me chateia, pá.

blog Meditação na pastelaria

Roda Viva - Chico Buarque


Afinal os documentos da compra dos submarinos não desapareceram, estão ao cuidado desta assessora.


A justiça alemã já fez a parte dela e condenou dois ex-gestores da Ferrostaal por terem pago subornos no valor de 62 milhões de euros, entre 2000 e 2003, para conseguir vantagens sobre a concorrência na venda de submarinos a Portugal e Grécia.

Já o DCIAP arquivou um inquérito pois "Apesar de todos os esforços e diligências levadas a cabo pela equipa de investigação" desconhecem "qual o destino dado à maioria da documentação".

Já se lembraram de ir ver as cópias dos documentos do ministério da Defesa que Paulo Portas levou para casa em 2005?