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sexta-feira, 3 de agosto de 2012



Eurico de Melo – Elogios de Dias Loureiro... nem depois de morto!



Desaparece do convívio dos vivos o engenheiro Eurico de Melo, político do PSD a quem a atávica parolice “tuga” se encarregou de dar o cognome de “vice-rei do norte”.
Pelos olhos e palavras dos seus amigos, perdeu-se um homem de consensos, pacificador, mediador, recto, de convicções firmes, discreto, de bom trato, homem de estado, digno, arguto, de princípios... e que, a fazer fé em Santana Lopes, levou consigo muitos segredos.
Não posso acompanhar todos os amigos nestas considerações compreensíveis, já que vindas precisamente dos amigos... por um lado, porque nunca estive sequer junto ao engenheiro Eurico de Melo; por outro lado, porque a imagem que guardo dele, a imagem que me deram os meios de comunicação social, foi a do trauliteiro de direita, portador daquela espécie de cegueira do norte, que tende a acrescentar aos problemas que o país já tem, mais um: o ódio regional.
Claro que a minha visão poderá estar toldada pelo calor do que então por cá se vivia...
Seja como for, não foi o natural ambiente de pesar e os mais que naturais elogios de circunstância à figura agora desaparecida, que me levam a escrever. Na verdade, o que é “irresistível” nesta estória é o aparecimento em cena de Manuel Dias Loureiro, dissertando, em pleno serviço fúnebre, sobre qualidades como a rectidão, honestidade, verticalidade, etc., etc., para acabar numa maniqueísta divisão da população mundial em apenas dois tipos de pessoas: boas e más.
Claro que, já que estava a falar, poderia ter dissertado sobre corrupção, desonestidade, aldrabice, impunidade intolerável, falta de vergonha na cara... tudo habilidades em que é um verdadeiro especialista... mas não. Ficou-se pela “bondade”.
Admirável momento de má ficção científica!!!


Meninos de antigamente


Cavaste as linhas do chão
para plantares o teu sonho.
Eras menino incauto,
tudo no mundo existia…
as florestas
eram ninhos onde tu
te sacudias em voos,
acrobacias,
no rasto de passarinhos;



o céu,
um rebanho de ovelhas,
com olhos bem luzidios,
onde colhias estrelas,
agachado em penedios;
o mar,
bolas de sabão, a brincar
no horizonte…
nem precisavas de ponte,
era só estender a mão;
a lua,
um foco de luz
a separar o contaste…
a vida que tu viveste
e o sonho que tu plantaste.
E tu cresceste assim:
Um mundo tão
pequenino
dobrado em tantos sonhos
no teu olhar
de menino.

Texto: Maria da Fonte
Imagem: blogs.estadao.com.br