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sábado, 14 de julho de 2012






Cacela : poema azul e branco



Cacela : poema azul e branco
Cacela, Portugal

Foram as palavras dos poetas que me levaram a Cacela. Funcionaram como mapa e cartão de visita. E quando lá cheguei, encontrei as palavras que tinha lido nas paredes das casas brancas, ainda mais brancas por causa da luz anunciada nos versos.
Esses poemas são curtos, contidos. No entanto dizem tudo sobre Cacela: da sua beleza, da sua luz, do seu calor, das suas cores. Também da sua história , da qual fazem parte nomes que lembram outros sítios, ainda mais meridionais. Os poetas , os conquistadores e guerreiros árabes estiveram ali. Se calhar os poetas-guerreiros ou guerreiros-poetas: ambos desejam Cacela pela sua beleza, como escreveu Sophia de Mello Breyner Andresen. Ambos rendidos àquele canto do Algarve, banhado pelo mar e pela ria Formosa.

Poema «A conquista de Cacela», Sophia de Mello Breyner Andresen
Cacela fica muito perto de Tavira. Cacela fica num ponto elevado da geografia algarvia, como se quisesse dali ver sempre o mar e o que está para lá dele. Como se desejasse seduzir quem por ali passava, à procura dos lugares que ainda não estavam nos mapas todos. Mas isso foi há muito, muito tempo. Hoje Cacela aparece nos mapas, é um ponto. Há também Vila Nova de Cacela, mais afastada do mar, mas Cacela, a Velha, a dos poemas, não pode viver sem ele.

Poema de Eugénio de Andrade
Entra-se em Cacela pelo meio de casas brancas e azuis. Baixas. Por cima o azul límpido do céu. Sobe-se em direcção ao centro da vila e dos poemas registados na memória. No sítio mais elevado, a fortaleza. As muralhas.O cemitério antigo e a cisterna. A igreja. A igreja é branca por fora e por dentro. No interior também há o azul, o amarelo e o frescor reconfortante para quem vem de fora, com a luz no corpo.
Os poemas acompanham-nos sempre pelas paredes das casas de Cacela: de Sophia de Mello Breyner, de Eugénio de Andrade, de Ibn Darraj Al-Qastalli (poeta nascido em Cacela em 958). Palavras daqueles que também não resistiram a Cacela, que se renderam à sua beleza. As ruas têm os nomes de quem transformou aquele sítio em versos. E então caminhamos e passamos por poetas e pelos seus versos. E pelo silêncio. Cacela é silenciosa, apenas murmura as palavras escritas no branco das suas paredes.
O sul de Cacela é feito de luz, céu aberto, branco das paredes das casas baixas, com notas de rosa ou verde – rosa das buganvílias, verde das janelas ou dos jardins à frente. O verde também vive nas árvores – nos muitos ciprestes (como eu gosto desta árvore…) em redor do cemitério e nas palmeiras que, de repente, todas juntas, parecem levar-nos para outras latitudes.
No centro da povoação, uma praça, um largo, com vestígios da fortaleza de um lado, a igreja do outro e , no centro do centro, árvores que parecem pássaros – são duas esculturas em metal. Árvores que em vez de folhas dão asas. Ramos que parecem ter sede de céu, mais do que o desejo de chão.
A singularidade de Cacela é o que faz deste sítio um ponto marcante da geografia pessoal de quem o visita. Em muitas outras coisas assemelha-se a um Algarve que se encontra do lado do sotavento: as terras férteis que a circundam oferecem pomares de muitos frutos, com cores e aromas que encontramos neste sul, campos de alfarrobas, de amendoeiras e figueiras. As técnicas e os instrumentos para da terra tirar os frutos foram trazidos há muito por romanos e árabes: noras, aquedutos. Do mar tiravam-se os bivalves e os moluscos ali abundantes. Ainda hoje.
Uma das vozes mais antigas de Cacela escreveu sobre Primaveras e vidas. Essas voltam sempre àquele lugar e ali ecoam através das palavras.
Chamam-te, escuta a sua voz.
A vida sorri-te, bebe desse vinho e saboreia-o,
é promessa de uma nova Primavera que chega.
É flor que atrai
com sua fragrância de almíscar,
bela e sensual.
Do seu caule de esmeralda libertam-se
folhas de prata e pétalas de ouro
que se entrelaçam como filamentos de seda
e se erguem como um cálice para te brindar
num inesgotável inebriamento.
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Diz à Primavera:
estende as nuvens do teu manto
e abre os teus véus
sobre os lugares onde brinquei
na minha infância.
Dois poemas de Ibn Darraj Al-Qastalli

Ana Sofia Melo

Gatinho esperto :)

BOM FIM DE SEMANA!

DOR DE SEM ABRIGO DIVERTIA JOVENS ENDINHEIRADOS

Os quatro jovens, oriundos de ricas famílias de Cascais e que anteontem foram detidos pela PJ, tinham já estado dezenas de vezes no prédio devoluto frequentado por sem-abrigo, em Caxias, Oeiras. Divertiam-se a assustá-los e a atacá-los das mais diversas formas.

Na manhã de 31 de Março saíram todos da discoteca e, alcoolizados, foram incomodá-los. Incendiaram-lhes a casa, puseram-nos em risco de vida, mas, ontem, o juiz do Tribunal de Oeiras, libertou os quatro jovens. Estão indiciados pela tentativa de homicídio de quatro cabo-verdianos, mas têm como medida de coacção, apenas, a obrigação de se apresentarem regularmente às autoridades. Estão ainda proibidos de passarem na rua onde provocaram o pânico.

Segundo o CM apurou, tudo terá acontecido diante do olhar assustado dos quatro homens. Os jovens atacaram de madrugada e depois de arrancarem a roupa que estava no estendal, atearam fogo na casa. Partiram ainda, a pontapé, as portas dos quartos onde aqueles dormiam e saíram, obrigando as vítimas a saltar do 2º andar.

Os quatro jovens, três deles universitários, nunca admitiram a autoria do bárbaro crime. No entanto, as vítimas não tiveram dúvidas e reconheceram-nos como os autores do fogo. Contaram, aliás, à PJ que os detidos já lá tinham estado várias vezes, sempre para se divertirem enquanto os atacavam. Durante esses momentos eram confrontados, repetidamente, com insultos de teor racista.

Os actos violentos, cometidos por motivações puramente fúteis, deixaram perplexos os inspectores. As famílias descreveram-nos como jovens educados que nunca causaram problemas. O MP pediu que fossem para a cadeia.

ENSINAMENTOS CATÓLICOS NO EXTERNATO

Embora três dos detidos frequentem já a Universidade - o quarto cúmplice trabalha num restaurante gourmet propriedade de um familiar - todos os jovens continuam a manter fortes ligações ao Externato dos Maristas, estabelecimento de ensino que frequentaram, e não ao Colégio dos Salesianos como ontem o nosso jornal erradamente noticiou.

No Externato dos Maristas, um dos colégios mais caros e prestigiados da região de Lisboa, os quatro jovens receberam uma educação católica, alicerçada nos valores humanos - um dos princípios mais presentes no estabelecimento -, o que chocou ainda mais os inspectores da Polícia Judiciária de Lisboa.