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quinta-feira, 14 de junho de 2012



Crime ou decisão política? Onde começa um e acaba o outro?

"Porque será que nunca se legislou neste sentido?
Porque será que "o legislador" imediatamente isentou de crime todo o acto praticado por 
políticos ou juizes no exercício de funções? Todos entendemos que quem tem a 
responsabilidade de decidir, por vezessobre montantes muitíssimo elevados
teria muita dificuldade em fazê-lo caso soubesse que no futuro, muito provavelmente, 
alguém lhe viria pedir justificações alegando que ele teria agido de má-fé.
Sendo compreensível que a responsabilização possa limitar a decisão, não o será menos 
que a irresponsabilidade, possa conduzir à tentação criminosa.
Existe, no entanto, um meio-termo que não sendo perfeito, pode limitar imenso a responsabilidade 
da decisão, quando pesada, ter de ser solitária: torná-la colectiva!
Se no meio judicial tal já é recorrente, com o recurso aos colectivos de juízes, em política, 
tal parece não ser nada simpático aos decisores. Porquê?


Se um ministro ou secretário de estado tem de propor uma decisão envolvendo montantes muito elevados, porque será que ele não solicita - e publica 
em Diário da República, junto ao seu Despacho - pareceres a toda a cadeia hierárquica técnica, jurídica e financeira da direcção-geral ou 
equiparado que se encontra envolvida no processo, decidindo posteriormente na sequência desses pareceres?
Ainda que a decisão política final seja contrária ao proposto, a argumentação será certamente muito mais justificada e compreensível do que o habitual 
“concordo e autorizo” sustentado apenas pelo parecer de um ou dois membros do seu gabinete pessoal!
A assumpção de tanto risco isoladamente, SÓ pode levantar suspeitas..."desabafosdeumtraido


Na Finlândia, um dos países menos corruptos do mundo, já descobriram isso mesmo, e implementaram... por cá a vontade 
é pouca, ou nula. Por cá todos os que legislam teimam em manter a liberdade de esbanjar e desviar os dinheiros públicos, 
sem limitações ou entraves. Aproveitando-se de uma lei que serve para libertar os politicos de responsabilidades excessivas e castradoras, 
abusam da irresponsabilidade para se tornarem criminosos descarados e impunes.

Na Finlândia... 
SEXTA: A estrutura do poder é de coligação: 
Corrupção espalha-se mais facilmente quando o poder está concentrado em apenas um 
indivíduo, é por isso que na Finlândia se promove a 
tomada de decisão através do debate e consenso. 
O Conselho de Ministros tem mais poder que o Presidente da República.

SÉTIMO: O princípio do livre acesso ao poder.  

A possibilidade de se tornar um membro do poder politico ou de ministérios, 
finlandês não está circunscrito numa elite intelectual formada em instituições 
educacionais concretas (como na França), nem em  pessoas que tem  a capacidade de atrair 
investidores de diferentes empresas para financiar suas campanhas ( EUA exemplo) ou membros de partidos e 
organizações políticas públicas cujo único mérito foi alcançado internamente e apenas no seu partido 
(caso espanhol e português) 
Na Finlândia, as posições no poder, são ocupadas  por funcionários públicos (seguindo uma escala de mérito) 
e cuja escalada na carreira está aberta ao conhecimento de todos os finlandeses. 


blog não votem mais neles, pensem !

"Declaração de Amor à Lingua Portuguesa" (Teolinda Gersão)


UM TEXTO imperdível, que circula pela Internet, de Teolinda Gersão!

Teolinda Gersão (escritora)

«
Tempo de exames no secundário,os meus netos pedem-me ajuda para estudar português.Divertimo-nos imenso,confesso.E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas,mas as ideias são todas deles.
Aqui ficam,e espero que vocês também se divirtam.E depois de rirmos espero que nós,adultos,façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.
Redacção – Declaração de Amor à Língua PortuguesaVou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.
No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.
No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.
No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela,subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?
A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português,que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo,o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)
Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens,ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.
E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.
João Abelhudo, 8º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática).
                                          (Teolinda Gersão ) »         
_____________________
Mas não é que é quase  assim, como TG coloca o problema, fora umas brincadeiras  mais hiperbólicas?É para ver como esta disciplina anda a ser massacrada por constantes disparates programáticos e "desgovernânticos".
(recebido por mail. Muito obrigada, querida Sílvia!)
                                            
(imagem da Net:  os chamados "Cupcakes Cerebrais",  queques criados para alegrar festas de Halloween. A sério!  O que se descobre!!!Para mim  simbolizam bem  o  que  o ME/MEC tem andado todos estes anos a criar: histórias de terror  com os Programas de Português, fazendo as crianças engolir muitos destes bolos e saladas cerebrais que dão o nó na cabeça de qualquer um!)

marcha nocturna minera (León, 12 de junio de 2012)

Eh Companheiro - José Mário Branco ao vivo em 1997



O QUE É ISSO DA "DEMOCRACIA PARTILHADA"?

Cada vez se percebe menos o significado exacto dos discursos do Dr. Pedro Passos Coelho.
Cada vez se percebe menos o significado exacto dos discursos do Dr.Pedro Passos Coelho. Agora, numa magna reunião qualquer, confessou uma doce esperança, na "democracia partilhada." Partilhada como, com quem e com quê? Com os bancos, com a troika, com a senhora Merkel, com aqueles cujo rosto desconhecemos? O português não precisa de ser medianamente letrado para recusar esta "partilha." E, apesar da propaganda do Governo, já não admite, acrítico e resignado, a falácia do que lhe é dito.

As coisas ainda não se moveram o suficiente para que extraiamos conclusões. Porém, as últimas sondagens são de molde a fazer reflectir alguns e a alimentar noutros uma réstia de esperança. Não podemos continuar a assistir ao vexame de o primeiro-ministro de Portugal se comportar como um subalterno abjecto da chanceler alemã. Ao seguir-lhe o passo e ao apoiá-la, em decisões gravíssimas, como a rejeição das euro-obrigações, contrariando Hollande, Monti, Rajoy, Juncker e instituições respeitáveis, Passos Coelho pareceu um servil trintanário. 

O homem anda muito mal avisado, e sugiro ao meu velho amigo Luís Fontoura, lido, reflectido e sábio, que lhe indique uns livros e o persuada a dar a volta, ao arrepio desses "conselheiros", certamente inimigos, que o empurram para a fossa. De contrário, estamos todos tramados.

De facto, Passos anda em maré de azar. O caso Relvas veio dar forte machadada na já debilitada credibilidade do Governo. Depois, é a contestação a todos os níveis: até os patrões já começam a dizer que "isto não vai bem." O País despovoa-se de juventude, sequestrada por uma política sem direcção nem sentido, e apenas obcecada pela norma neoliberal, que não é norma, mas sim a monstruosidade de uma ideologia predadora. Os fins hegemónicos da doutrina Merkel são da mesma passada, coagindo a Europa (desprovida de líderes fortes, ou sequazes ideológicos) a um papel de miserável vassalagem.

A própria exposição mediática de Pedro Passos Coelho tem-no desfavorecido. A falta de contenção e a ausência de estrutura cultural prejudicam-no; e as assessorias, notoriamente, não o ajudam. Ele não sabe dar resposta adequada aos que indicam a falência acentuada do seu Governo. Não pode, aliás. E a dar continuação a um projecto roto encaminha o País para um desastre cujas consequências são imprevisíveis.

O Governo quer realizar dinheiro a todo o custo. E a acção das Finanças converteu-se num desporto particularmente requintado. O Fisco é um confisco. Com lapsos e enganos gravíssimos. Fazem-se penhoras apressadamente; e, quando o erro é divulgado, o mal já está feito. A devolução das importâncias extorquidas só muito tarde é cumprida. A morosidade da máquina administrativa não se compadece com os problemas humanos. É assim e assim tem de ser. Até nestas coisas se verifica a fragilidade da organização do Estado.

A esquizofrenia alastrou, associada ao medo. O Governo diz e decreta, mesmo (ou sobretudo) que sejam decisões injustas e iníquas. A Justiça causa mal-estar. O que se faz, neste campo, é feito com a leviandade apontada pelo bastonário Marinho e Pinto. O seu estilo é criticado porque o País foi anestesiado: não há polémica, não há debate, não há controvérsia. Estamos em pleno domínio do pensamento único, e as vozes discordantes, dissentes, antagónicas, são tidas como "excessivas" ou "arrebatadas." Marinho e Pinto enfrenta não só a beligerância de adversários, como o ódio de numerosos e cavilosos interesses instalados. Numa sociedade como a nossa, quem sacuda a apatia e grite que o rei vai nu, é quase apontado à execração popular. 

O discurso político é quase inexistente. Já sabemos o que deseja Pedro Passos Coelho, nas linhas gerais do seu pensamento: a destruição do Estado Social, uma das maiores conquistas civilizacionais e morais saídas do século XX. Todavia, que faz o PS para enfrentar e combater com êxito esse projecto? Vagas declarações de princípio, desprezando, isso sim, as forças, sobretudo as sindicais, que se têm oposto, com coragem e denodo ao sombrio propósito ideológico.

Se a doutrina do PSD é conhecida, a do PS esboroa-se em contradições de toda a monta. Se Passos Coelho não é um doutrinador (ele repete o que ouve dizer a Angela Merkel), António José Seguro apresenta limitações culturais e políticas verdadeiramente devastadoras. Claro que ele é um líder de passagem. Mas se assim não for? Se, de um momento para o outro, circunstâncias extraordinárias o posicionam à frente do País? 

As interrogações aqui ficam consignadas. Mas não é preciso ser futurologista, ou desses "politólogos" de televisão, para se saber que as coisas estão negras, muito negras. 



b.bastos@netcabo.pt

De olhos bem fechados



CGTP faz muito bem em tomar a iniciativa de ir esfregar na cara... perdão, apontar as inconstitucionalidades do Código do Trabalho a Aníbal Cavaco Silva. Temo é  que a coisa não passe de uma grande perda de tempo.
Aníbal Cavaco Silva tem o arguto hábito, que já lhe vem do tempo do fascismo, de manter os olhos bem fechados sempre que isso lhe convém. Ou quando convém aos seus amigos.
Há bem pouco tempo, vimo-lo de olhos mais fechados que sei lá o quê, enquanto ganhava milhares de euros com ocambalacho das ações do BPN. De olhos bem fechados enquanto o trafulha do seu protegido Dias Loureiro já não tinha mais a que se agarrar. De olhos bem fechados enquanto fazia a troca da vivenda algarvia, foleira e antiga, por uma nova e muito maior, na praia da Coelha, rodeado de belas vivendas de amigos igualmente especialistas em fechar os olhos enquanto abrem muito os bolsos. De olhos fechados... e a fazer figas para que não se soubesse que a "troca por troca" era, afinal, mais uma vigarice.
Voltando ao assunto do post, bastará ver a quem interessa este Código do Trabalho, quem vai lucrar milhões com ele, para imaginar a força e determinação com que Aníbal Cavaco Silva vai fechar os olhos às inconstitucionalidades!
Claro, claro... já sei que ele jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição; mas alguém pode afiançar que não estava a cruzar os dedos quando jurou? Alguém pode garantir que não estava também, então, de olhos fechados?



"Desmancha Prazeres"

Com o meu pedido de desculpas àqueles que neste momento ainda gozam a vitória da nossa selecção (diga-se que por um triz) frente à Dinamarca, coisa que não deixou de me proporcionar alguma emoção dado que  ouvi durante alguns minutos o final do relato transmitido pela Antena 1, acabei por sentir uma  ou outra lágrima  soltar-se.

Não pude durante o resto do percurso que fiz, deixar de lembrar "cenas" que me levaram a afastar completamente de tudo ao que ao futebol respeita. Pois quando vejo um jovem futebolista exibir a sua bomba de quatro rodas que custou tanto como um trabalhador normal  recebeu uma vida inteira pelo seu trabalho, quantas vezes profundamente árduo, mexe profundamente comigo.
Inveja? Não! um sentimento de revolta que não é de agora.
Entretanto surripiei para aqui uma imagem que achei adequada.

Folha seca


Uma saída federalista?

Os comentadores das televisões já não sabem o que dizer. A ajuda aos bancos espanhóis está decidida e, mesmo assim, os mercados financeiros estão a desfazer-se da dívida pública espanhola fazendo subir as taxas de juros implícitas para níveis históricos. Pior ainda, têm a dívida pública de Itália sob mira. Não é verdade que há poucas semanas se pretendia travar o contágio da crise às grandes economias europeias através de um Mecanismo Europeu de Estabilidade com uma grande dotação financeira? Admitia-se que a simples existência desse Mecanismo seria dissuasora da especulação dos mercados. Afinal não foi.

O que é que está a falhar? A resposta é simples: a UE está nas mãos dos mercados financeiros e estes ainda não estão convencidos da bondade das políticas. Repare-se que, no caso espanhol, os mercados estão a dizer que o resgate dos bancos significa um enorme acréscimo na dívida pública espanhola. Mais, num contexto de austeridade reforçada e sob tutela alemã, a recessão aprofundar-se-á. O crédito malparado vai crescer e só fará piorar a situação dos bancos. Ou seja, o montante necessário para evitar a falência dos bancos tenderá a subir. Por outro lado, a recessão também agrava o défice público cujo financiamento nos mercados, a taxas exorbitantes, vai desencadear um efeito bola de neve na dívida acumulada. A verdade é que a dívida pública espanhola é insustentável e por isso, mais adiante, virá um outro resgate para evitar a bancarrota do Estado Espanhol.

Admitindo que na Alemanha ainda há dinheiro e vontade política para liderar o financiamento de Espanha (bancos e Estado), e para dar continuidade ao financiamento da Irlanda e de Portugal, já a perspectiva de que a Itália vem a seguir faz do actual momento a hora da verdade da UE. Neste quadro, o resultado das eleições na Grécia será o detonador de uma sequência de decisões que serão tomadas à revelia dos cidadãos.

Muitos comentadores entendem que, perante o descalabro da zona euro e os prejuízos que teria de suportar, a Alemanha acabará por aceitar a mutualização da dívida pública do clube da moeda única contra a imposição de um controlo férreo das políticas económicas. Porém, esta solução não é tão simples como a têm apresentado à opinião pública. Há duas opções: 1) mutualizam-se as dívidas até 60% do PIB dos respectivos países, mas nesse caso a dívida restante, a cargo dos países em dificuldade, é dificilmente sustentável num clima de permanente austeridade; 2) mutualizam-se as dívidas acima de 60% do PIB dos respectivos países, o que elimina as dificuldades do presente mas cria um modelo que incentiva o desleixo orçamental.

Uma vez tomada a decisão, o recurso à mutualização da dívida poria termo, pelo menos no imediato, à pressão dos mercados financeiros sobre os países em dificuldades. Mas aqui surge uma outra dificuldade. Anular a pressão dos mercados financeiros desagrada profundamente à Alemanha. Sabendo que a eficácia das regras de contenção orçamental seria sempre baixa, a Alemanha apenas abdicou da sua moeda na condição de a Europa se integrar plenamente nos mercados financeiros mundiais.

Seriam estes a impor a normalização das políticas económicas nacionais como hoje o vemos com clareza. Por isso, se vier a aceitar as euro-obrigações, a Alemanha exigirá um controlo total da política económica dos restantes países que, em situações de crise, se tornará num verdadeiro protectorado. Há quem chame a isto federalismo orçamental, mais um passo para um federalismo europeu sem nação, sem Estado, sem escolha dos cidadãos. Era bom que alguém explicasse isto aos portugueses.

(O meu artigo de hoje no jornal i)

Sim, é possível os comunistas vencerem eleições burguesas


Sim, é possível os comunistas vencerem eleições burguesas
por Manuel Gouveia
 
 
"Só os comunistas resistem – e por isso são ferozmente atacados. Porque apontam o dedo ao sistema capitalista, à sua essência, às suas contradições insanáveis, às suas taras. Porque colocam como tarefa dos trabalhadores e dos povos a libertação nacional do imperialismo, a superação revolucionária do capitalismo e a construção do socialismo"


Este domingo trava-se importantes batalhas eleitorais na Grécia e em França, onde a 6 de Maio os povos rejeitaram o caminho que lhes está a ser imposto (que este prossiga, meramente recauchutado, expõe mais uma vez que o sistema eleitoral burguês se destina a preservar a ditadura da burguesia e nunca a colocá-la em causa).

Num e noutro país, é infindável a lista de candidatos a gerir de forma mais eficaz (à direita) ou mais humana (à esquerda) o mesmo sistema capitalista cuja falência se torna dia a dia mais evidente. Fazem fila indiana para vender ao povo as mesmas ilusões – escolham-nos a nós, que saberemos salvar o capitalismo fazendo-o funcionar de forma mais eficaz/humana – escondendo nas artes da oratória que apenas aspiram a administrar a exploração e comandar a opressão do povo.

Milhões de trabalhadores, enfrentando uma situação social insustentável, sofrem ainda o ataque de tenaz destinado a fazê-los optar entre um e outro «mal menor»: entre a chantagem da «austeridade ou caos»; e as promessas de retirar umas gramas ao peso da canga e almofadar as grilhetas, com as austeridades inteligentes.

Para tornar mais difícil o esclarecimento e mobilização popular, à «esquerda», bandos de oportunistas de todos os matizes (e de ingénuos e bem-intencionados consumidores de banha da cobra) chapinham alegremente no pântano, reinventando todas as ilusões sobre o papel da social-democracia, sobre a possibilidade de reforma da UE e do próprio capitalismo.

Só os comunistas resistem – e por isso são ferozmente atacados. Porque apontam o dedo ao sistema capitalista, à sua essência, às suas contradições insanáveis, às suas taras. Porque colocam como tarefa dos trabalhadores e dos povos a libertação nacional do imperialismo, a superação revolucionária do capitalismo e a construção do socialismo – o poder dos trabalhadores, a socialização dos meios de produção. Porque apesar de admitirem todas as etapas, todas as conquistas intermédias, todas as reformas que minorem o sofrimento popular, só as concebem como conquistas e se recusam a fazer concessões ao sistema, se recusam a semear ilusões sobre um utópico capitalismo civilizado.

Domingo, os comunistas vencerão mais umas eleições. Resistindo! 





Publicado originalmente no Jornal Avante




AUTÁRQUICAS 2013
Estamos a pouco mais de um ano das eleições autárquicas e começam a contar-se as espingardas. As concelhias dos partidos reúnem-se elegem as "concelhias", começa a luta pelo Poder. No caso do P"S", o ditador "Pininha" e a sua equipa vencedora já vão ameaçando com a marginilização dos seus "adversários" internos, ou seja, estes não vão ter direito a nada.
O PSD prepara-se para dar mais do mesmo. As vozes que ténuamente põem em causa a "santa aliança" com o P"S", são sub-repticiamente mandados calar.
Olhão, mais do que nunca, precisa de uma verdadeira mudaições propícias nça, uma mudança em termos políticos e em termos de gestão autárquica e se, por um lado a oposição não consegue derrubar estes "jagunços" que tem governado a câmara desde o 25 de Abril, por outro lado estão reunidas as condições propícias para que apareçam candidaturas independentes. Mas, sejamos claros, uma candidatura independente para termos o mesmo desempenho também não. É fundamental que apareça uma candidatura que tenha a coragem de defender a realização de auditorias à gestão da autarquia. Todos sabemos que a gestão do P"S" meteu a câmara em falência técnica e há que apurar as causas, há que apurar responsabilidades. Não com o espírito de caça às bruxas. Se as auditorias determinarem que houve ilegalidades e porque as ilegalidades andam de mãos dadas com a corrupção, só há um caminho: participação ao ministério público. Se assim for, a participação ao ministério não é um resulta de um acto político mas de uma decisão técnica, jurídica.
Noutra vertente, é do conhecimento público, há pareceres técnicos muito "convenientes", pareceres que podem indiciar algo mais que uma decisão séria. Estes pareceres devem ser analizados com rigor, caso a caso, verificar se foi por "incompetência", se foi premeditadamente ou por uma falha dos serviços. As infracções aos diferentes Planos são por de mais evidentes para se deixar passar em claro. Algumas dessas infracções resultam em benefício para alguma parte que não o município.
As sessões de câmara não passam de uma forma capciosa de aparentar uma gestão "democrática". Há que mudar o modelo, há que chamar os munícipes a participarem na vida da autarquia e as sessões devem passar para um horário conveniente para os munícipes e não para os eleitos pagos por todos nós. O mesmo se passa com a Assembleia Municipal. Esta câmara e esta Assembleia não mostram qualquer respeito pelos munícipes. Os municípes que queiram colocar alguma questão vêem-se obrigados a esperar pela ponta final, esquecendo-se os eleitos de que os munícipes tem que trabalhar no dia seguinte. A "maioria" tem utilizado esta artimanha para afastar os munícipes da discussão das coisas que dizem respeito a todos nós.
É urgente mudar, mudar de política, mudar o modelo de gestão, mudar a atitude dos eleitos para com quem os elege. Votar P"S" e PSD é votar na continuidade, é votar contra o próprio munícipe.

Olhão Livre