AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


quarta-feira, 13 de junho de 2012



Iminente golpe de Estado na Síria


Hilary Vader e o lado negro da força


Iminente golpe de Estado na Síria
- A NATO prepara uma vasta operação de intoxicação

por Thierry Meyssan

Os estados membros na NATO e do CCG preparam um golpe de Estado e um genocídio sectário na Síria. Caso pretendam opor-se a estes crimes, ajam quanto antes; façam circular estes artigos na Net e alertem os vossos conhecidos.

Dentro de poucos dias, talvez a partir de sexta-feira 15 de Junho ao meio-dia, os sírios que pretenderem ver as cadeias de televisão nacionais terão estas substituídas nos écrans por televisões criadas pela CIA. Imagens realizadas em estúdio mostrarão cadáveres imputados ao governo, manifestações populares, ministros e generais apresentarão a sua demissão, o presidente el-Assad tratando de fugir, os rebeldes reunindo-se no coração das grandes cidades e um novo governo instalando-se no palácio presidencial. Esta operação, diretamente monitorizada a partir de Washington por Ben Rhodes, conselheiro adjunto da segurança nacional dos Estados Unidos, visa desmoralizar os sírios e preparar um golpe de Estado. A NATO, que esbarrou no duplo veto da Rússia e da China, conseguiria assim conquistar a Síria sem ter de a atacar ilegalmente. Qualquer que seja o julgamento sobre os atuais acontecimentos na Síria, um golpe de Estado poria fim a toda a esperança de democratização. 




De maneira absolutamente formal, a Liga Árabe pediu aos operadores de satélite Arabsat e Nilesat para cortarem a transmissão dos media sírios, públicos e privados (Syria TV, Al-Ekbariya, Ad-Dounia, Cham TV, etc.). Existe um precedente, dado que a Liga Árabe tinha já procedido à censura de televisão líbia de forma a impedir os dirigentes da Jamahiriya de comunicarem com o seu povo. Não existe rede hertziana na Síria, onde as televisões são exclusivamente captadas por satélite. Mas este corte não deixaria os écrans apagados. De facto, esta decisão é apenas a parte emersa do iceberg. Segundo informações de que dispomos, diversas reuniões internacionais foram levadas a cabo na semana passada para coordenar a operação de intoxicação. As duas primeiras, de natureza técnica, tiveram lugar em Doha (Qatar), a terceira, política ocorreu em Riade (Arábia Saudita).

Uma primeira reunião juntou os oficiais de guerra psicológica “embedded” em certas cadeias de satélite, entre as quais Al-Arabiya, Al-Jazeera, BBC, CNN, Fox, France 24, Future TV, MTV. Sabe-se que desde 1998 os oficiais da United States Army's Psychological Operations Unit (PSYOP) foram incorporados na redação da CNN; a partir daí, esta prática foi estendida pela NATO a outras estações estratégicas. Redigiram antecipadamente falsas informações, segundo um “storytelling” elaborado pela equipa de Ben Rhodes na Casa Branca. Um procedimento de validação recíproca foi posto em marcha, cada media devendo citar os outros de forma a contribuir para torná-los credíveis aos ouvidos dos telespectadores. Os participantes decidiram igualmente requisitar não apenas as cadeias da CIA para a Síria e o Líbano (Barada, Future TV, MTV, Orient News, Syria Chaab, Syria Alghad), mas também outras quarenta cadeias religiosas wahhabitas, as quais apelarão ao massacre confessional aos gritos de “Os cristãos para Beirute, os alauitas para o túmulo!”

A segunda reunião juntou engenheiros e realizadores, visando planear a fabricação de imagens de ficção, misturando uma parte em estúdio a céu aberto e uma parte de imagens de síntese. Os estúdios foram arranjados durante as últimas semanas na Arábia Saudita, de modo a reconstituir aos dois palácios presidenciais sírios e os principais lugares de Damasco, Alepo e Homs. Já havia estúdios deste tipo em Doha, mas eram insuficientes.

A terceira reunião agrupou o general James B. Smith, embaixador do EUA, um representante do Reino Unido e o príncipe Bandar Bin Sultan (a quem o presidente George Bush pai designou como seu filho adotivo, ao ponto de a imprensa norte-americana o ter designado como “Bandar Bush”). Tratava-se de coordenar a ação dos media e a do “Exército Sírio Livre”, do qual os mercenários do príncipe Bandar formam o grosso dos efetivos.

A operação, em gestação desde há meses, foi precipitada pelo conselho de segurança nacional dos EUA, depois de o presidente Putin ter notificado a Casa Branca de que a Rússia se oporia pela força a toda a intervenção militar ilegal da NATO na Síria.

Essa operação compreende dois vetores simultâneos: por um lado, diversificar as falsas contra-informações; por outro lado, censurar toda e qualquer a possibilidade de lhes responder.

A interdição das TVs por satélite como forma de conduzir uma guerra não é uma novidade. De facto, sob pressão de Israel, os EUA e a União Europeia impuseram sucessivas interdições a cadeias libanesas, palestinianas, iraquianas e líbias. Nenhuma censura foi imposta a cadeias de satélite provenientes de outras partes do mundo.

Tão-pouco a difusão de notícias falsas constitui uma estreia. Entretanto, quatro novos passos significativos foram dados na arte da propaganda durante o decurso das últimas décadas:

- Em 1994 uma estação de música Pop, a “Radio Libre des Mille Collines” (RTML) deu o sinal para o genocídio no Ruanda apelando a “Matar as baratas!”.
- Em 2001 a NATO utilizou os media para impor uma interpretação dos atentados de 11 de Setembro e justificar os ataques ao Afeganistão e ao Iraque. Nesta altura, já Ben Rhodes tinha sido encarregado pela administração Bush de redigir o relatório da Comissão Kean/Hamilton sobre os atentados.
- Em 2002 a CIA utilizou cinco cadeias, Televen, Globovision, Meridiano, ValeTV et CMT, para fazer crer que manifestações monstruosas tinham forçado o presidente eleito da Venezuela, Hugo Chávez, a demitir-se, dado que tinha sido vítima de um golpe de Estado.
- Em 2011, aquando da batalha de Trípoli, a NATO fez realizar em estúdio e difundir pela Al-Jazeera e pela Al-Arabiya imagens de rebeldes líbios entrando na praça central da capital enquanto eles realmente ainda se encontravam longe da cidade, de forma que os habitantes, persuadidos de que a guerra estava perdida, cessaram toda a resistência.

Doravante, os media já não se contentam em apoiar a guerra, eles praticam-na diretamente. Este dispositivo viola os princípios básicos do direito internacional, a começar pelo artigo 19 de Declaração Universal dos Direitos do Homem relativo ao facto de “receber e difundir, sem consideração de fronteiras, as informações e as ideias por qualquer meio de informação”. Sobretudo, ele viola também as resoluções da Assembleia-Geral da ONU, adotadas no final da Segunda Guerra Mundial, para evitar as guerras. As resoluções 110, 381 e 819 interdizem “os obstáculos à livre troca de informações e de ideias” (no caso vertente, o corte das cadeias sírias) e “a propaganda de natureza a provocar ou encorajar toda a ameaça à paz, rotura da paz ou outro ato de agressão”.

No direito, a propaganda da guerra é um crime contra a paz, o mais grave dos crimes, dado que ele torna possíveis os crimes de guerra e os genocídios. 



O original encontra-se em www.domenicolosurdo.blogspot.pt/... . Tradução de JCG. 

Este artigo encontra-se também  em http://resistir.info/ . 


O Mafarrico Vermelho


Dia de Santo António de Lisboa, dia de tudo lembrar


Soubesse eu desenhar um só som que fosse
Soubesse eu escrever entre claves de várias partituras
Palavras e quadras (1) alegres, graves, suaves ou duras
Que sob a forma de canção
Te desse deste dia toda a sua dimensão

De arco, balão, vestes antigas e com antigas lembranças
Desceram a avenida com marcação e sorrisos
Da Liberdade de que desceram esquecidos
de antes sonhadas e ansiadas esperanças

Soubesse eu desenhar um só som, que nos fosse querido
E escreveria, à memória dos meus mortos (2) um hino
Que lembrasse, também, um sermão esquecido (3)
Desse, que trás ao colo um menino

Povo tão afastado de si, bem levado se leva
Quem de alegria mascara a treva 
Rogério Pereira
blog Conversa avinagrada 

QUE DEUS É ESSE DOS RICOS - POESIA DE BERNARDO PASSOS - POETA ALGARVIO

Morre o pobre e nem caixão 
Vai no esquife, que desgraça! 
Para o cemitério passa 
Sem padre nem sacristão!... 
Quem fará esta excepção?... 
Se é Deus que rege os destinos 
Dos grandes e pequeninos, 
E todos são filhos seus... 
Pra desmentir esse Deus, 
Morre o rico, dobram sinos. 

Diz, padre, que leis são essas 
Que servem pra ti somente... 
Tu confessas toda a gente 
E à gente não te confessas... 
Diz por que tanto te interessas 
Nesses segredos que encobres, 
Porque é que não te descobres 
Nos jornais ou num sermão, 
Dizendo porque razão 
Morre o pobre e não há dobres? 

Só os ricos são gerados, 
Dessa Virgem, desse Deus?... 
Só eles são filhos seus 
E os pobres são enteados?... 
Padre, tu só tens cuidados 
Com os ricos, teus compadres, 
Que deixam ir as comadres 
Esmolinhas oferecer 
A Deus, sem ninguém saber... 
Que Deus é esse dos Padres?... 

Qual é o Deus que autoriza, 
Ao rico, mil esplendores, 
E aos pobres trabalhadores, 
Nem pão, nem lar, nem camisa?... 
Manda, pra quem não precisa, 
O oiro, a prata e os cobres, 
Palácios, honras de nobres!... 
E eu, triste farrapo humano, 
Julgo esse Deus um tirano, 
Que não faz caso dos pobres 


Bernardo Passos

Deixem-se de pieguices


Tenho andado intrigado com o distanciamento entre o governo e a seleccção nacional de futebol. Compreendo que com o João Pinto na Ucrânia não é preciso gastar dinheiro com um Falcon mandando o Miguel Relvas, se alguém se meter com a selecção portuguesa leva e como se sabe nos últimos tempos são mais as que o Relvas leva do que as que o pobre diabo dá.
  
Ainda se poderia colocar a hipótese de mandar o Vítor Gaspar para a Ucrânia, até porque só ele consegue explicar com clareza as opções do Paulo Bento. A opção faria todo o sentido pois o Gaspar tem vindo a substituir os seus colegas sempre que está em causa uma despesa. Mas para ministro das finanças da Federação temos o Humberto Coelho que explicou o milagre financeiro das despesas da bola com um brilhantismo bem maior do aquele com que o Gasparoika explicou o desvio colossal que ele próprio inventou.
  
Há ainda a justificação maldosa, que o governo espera que as coisas comecem a correr bem para que os ministros apareçam, até porque com a crise financeira o governo só encontra razões para se deslocar tão longe a partir dos quartos de final e apenas nos jogos realizados na Polónia. À Ucrânia já o Portas disse que ninguém vai e na Polónia sempre há a possibilidade de o Soares dos Santos fazer uma promoção de 50% na Biedronka e sempre se poupava nas cervejas. Mas não, se há coisa que ninguém é neste governo é maldoso, são todos uns santinhos e umas santinhas com o ar mais virginal deste mundo.
  
A explicação para a ausência governamental na cruzada futebolística a terras do czar, agora que o imenso império já se rendeu à Nossa Senhora de Fátima é outra. Passos Coelho não se identifica com os jogadores da selecção, são demasiado piegas. Para Passos Coelho português que não tem avião porque os tripulantes da TAP estão em greve faz-se à estrada e vai à boleia, se os arrais dos cacilheiros faltaram para irem armar a Festa do Avante não há nada mais saudável do que vir a nado de Cacilhas ao Cais Sodré.
  
Mas os nossos jogadores estão a revelar-se uns maricas, aquilo que para o Passos Coelho se designa por piegas, ainda bem que o Humberto Coelho nos garante que trabalham quase todos no estrangeiro, se assim não fosse teríamos que passar a ver os jogos da terceira divisão pois com jogadores piegas como estes a troika ainda se lembrava de acabar com a liga. Aquela gente é tão piegas que quase choram nas entrevistas, o seleccionador farta-se de gaguejar e escolhe os jogadores em função das críticas, jogador criticado é jogador titular, para ganhar coragem.
  
Esperemos que de uma vez por todas os nossos jogadores sigam os exemplos de gente como o João Pinto, o Sá Pinto ou o Miguel Relvas e deixem de ser piegas, se for necessário bater na mãe para ganhar aos dinamarqueses então que batam pois se for necessário o Passos Coelho até garante às progenitoras que essas lambadas estavam no memorando. Mas façam o favor de se deixarem de pieguices.
  
Ou deixam de ser piegas ou entra na próxima selecção de produtos portugueses que o Soares dos Santos vai vender a 50% e com a populaça a invadir do Pingo Doce ninguém consegue distinguir o Miguel Veloso de um bife do lombo.

PARA OS COLECIONADORES - MAIS IMAGENS DE ERNESTO CHE GUEVARA
































E de repente tudo desapareceu


Não há crise, não há fome, não há orçamento, não há ratings, não há Troika, nem FMI, não há guerras, não há acidentes, não há mulas a parirem burros. Está tudo bem no País das Maravilhas, enquanto a selecção respirar, comer, beber, cagar e mijar. E tenham a certeza de que todos esses movimentos serão acompanhados com o maior detalhe, para delírio das massas endrominadas pelo futebol.
Eu gosto de futebol, qb. Mas é preciso esta fantochada toda? E a propaganda idiota de que é a selecção que pode salvar a imagem de Portugal lá fora? São eles que nos vão pagar as contas? Bem podiam, com aqueles salários milionários, mas não me parece. As pessoas não têm noção do quanto estão a ser idiotas? Não admira que o PM venha elogiar a paciência do povo, em jeito de nos chamar cornos mansos. Basta atirarem-nos um bocadinho de pão e dar um espectáculo de circo, que tudo fica bem.

Eu sei que não pode ser tudo mau, que as pessoas precisam de se divertir, para não se atirarem dos prédios como os gregos. Mas encher carros e casas de bandeiras nacionais, tendo em conta que o estado nos f#*&%$, todos os dias, é uma piada de mau gosto. Ainda ontem vi um carro com uma bandeira preta que dizia “Euro desemprego 2012”, isto sim é uma manifestação digna de registo. E tenho a certeza de que aquele senhor não deixa de ver o seu joguinho e torcer pela sua selecção.

Desculpem a má disposição. Sabem que esta recta final da gravidez afecta muito o espírito. Mas não consigo deixar de sentir, sempre que ligo a TV, que me estão a passar um atestado de estupidez e eu não gosto disso.

Quanto à selecção, espero que ganhem e que, quando os portugueses acordarem de mais um sonho sebastianista, não se assustem com o choque da realidade e com os cortes e austeridade, que hão-de vir. Neste caso, é a tempestade que vem depois da bonança.

Carlos Paião - Marcha do "pião-das-nicas"




Anda p'la vida à futrica
O estica-larica,
O "Mangas Portuga"
Fecha-se em copos e copas,
Cafés e cachopas,
Tabuca e madruga

Galfarro, afiambrado,
Pachola, arremelgado,
De grimpla levantada e garrafal.
Amigo do amigo
Farelo e muito umbigo,
Vestiu-se e veio a pé p'ra o arraial

Refrão

Viva o Santo António
Viva o São João,
Viva o 10 de Junho e a Restauração!
Viva até São Vento
Se nos arranjar
Muitos feriados para festejar!

Gosta de armar ao efeito,
Baboso e com jeito
P'ra ser bagalhudo.
Mas, na mulher do carteiro,
Já manca o dinheiro
Alfaces e é tudo...

Se ele anda co'o nerveco,
Grazina dum caneco,
Lá vai o lascarino p'ra o granel!
E faz as partes gagas,
Fosquinhas de aldeagas,
Palrando até fazer grande arranzel

Refrão

Chorou, por causa da seca,
Que a terra ficou viúva.
Até correu Ceca e Meca,
Fartou-se de pedir chuva.

A chuva quis-lhe agradar,
Banhou a terra, as culturas!
A água deu-lhe p'la barba,
A fome em farturas.

Às vezes já nem petisca,
A doença na isca,
É má p'ra o vistaço.
Os vinhos e os jaquinzinhos
São só decaminhos,
Vai dar ao esquinaço.

És tu, "pião das nicas"
Das bocas e das dicas,
Que pegas nos calcantes e te vais
Adeus, leão dos trouxas,
Chupado das carochas,
Que foste no embrulho uma vez mais!

Quinta do Bill - Voa


CHIBO DE BELFEIRO ADIVINHA RESULTADOS DO EURO


Manuel Bode, criador de caprinos do Belfeiro, afirma ter no seu rebanho um Chibo que adivinha o que se passa no Euro
O "Ti Bode", como é conhecido na terra, deslocou-se recentemente aqui à taberna tendo-nos dito, com indisfarçável orgulho, que o seu Chibo, animal possante, de longa pêra e garbosos chifres, tem adivinhado alguns resultados do Euro. 
"Oh senhores, então se há polvos e gatos que adivinham, porque é que o meu Chibo não havia de adivinhar também lá o Euro? Fique sabendo que quando há um ano e tal, mais ou menos, vá, o Sócrates pediu aquilo da Troika, para nos darem euros, ele fartou-se de marrar contra uma fotografia dele que estava numa parede e que sobrou da campanha eleitoral. E há dias, quando a Espanha também pediu euros, ele desatou a barregar o 'Viva la Espanha'... 
Pelo menos parecia ser, porque as cabras desataram logo a bater as castanholas e a barregar 'olés' !..."


O homem das tabernas


Segurança Social retira subsídio de invalidez a paralímpico sem mão

O nadador David Grachat nasceu sem a mão esquerda e recebia um subsídio vitalício por isso, mas o Estado agora diz que já não é inválido.



A frase “o Estado dá com uma mão e depois tira com a outra” seria um resumo cruel da situação actual do nadador paralímpico português David Grachat: já representou o país nos Jogos Paralímpicos de Pequim, em 2008, vai voltar a fazê-lo este ano em Londres e até recebe uma bolsa paralímpica de 320 euros mensais para treinar, financiada pelo Estado. O problema é que, ao mesmo tempo, deixou de ser considerado inválido pela Segurança Social, tendo perdido o subsídio de invalidez vitalício que recebia desde os 14 anos. David nasceu sem uma das mãos.
“Não faço isto por causa do dinheiro, mas por ser um direito meu, que deixou de ser respeitado sem qualquer justificação ou lógica por parte do Estado”, diz ao i o atleta, que actual- mente treina seis horas diárias para tentar bater os seus recordes de natação e levar a bandeira portuguesa a fazer boa figura, a partir de Agosto, no pódio londrino dos atletas com deficiência. David Grachat quer reaver o seu direito ao subsídio e “um pedido de desculpa pelo sucedido”.
A indignação do atleta faz sentido: em Janeiro de 2011 deixou de receber os 115 euros mensais de subsídio, atribuídos desde 2002 em regime vitalício, por um grau de invalidez de 60% causado por uma deformação congénita, que o levou a nascer sem a mão esquerda.
E assim começou o calvário. David Grachat enviou várias cartas a contestar o corte inexplicado de subsídio, até que em Junho foi a uma junta médica, onde se constatou que “ainda não me tinha crescido a mão esquerda, como é óbvio”, explica o atleta. Mas este “óbvio” afinal não o era assim tanto, pois em Novembro recebeu uma carta da Segurança Social a dizer que o pedido do subsídio tinha sido “indeferido por não ser portador de deficiência”. O i tentou obter uma reacção da Segurança Social, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.
“Esta luta não é só minha”, diz David Grachat, referindo-se à página pessoal do Facebook, onde na sexta-feira passada fez a denúncia do seu caso. Ali o caso espoletou vários comentários de apoio, muitos deles também a referir casos de deficientes com situações similares na Segurança Social.
Para David Grachat, “todo este caso é muito triste, pois era preferível que um cidadão não tivesse de ir para a comunicação social denunciar estas situações”.

“GRAÇAS A DEUS NASCI ASSIM”

A natação entrou na vida de David por causa da deficiência congénita. Aos dois anos, a mãe apostou neste desporto “para reforçar os músculos e ganhar mais à vontade”, conta David, que tem um discurso muito positivo sobre a sua deficiência: “Costumo dizer que graças a Deus nasci assim, pois nunca soube o que é ter a mão esquerda e por isso nunca me fez falta.”
Participa em competições desde 1999 e destaca vários recordes que já bateu na sua categoria ao longo dos anos. “Em 2006 bati dois recordes europeus e fui vice-campeão da Europa em 2009. A par da natação, David está no curso de Ciências do Desporto na Faculdade de Motricidade Humana.

Segurança Social retira subsídio de invalidez a paralímpico sem mão | iOnline