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sexta-feira, 8 de junho de 2012


Dama de Ferro, o filme que legitima uma hegemonia

A trama do filme é a história de uma senhora que não consegue desapegar-se do passado, o seu passado pessoal e seu papel histórico. Por Carla Luciana Silva [*]


Normalmente quando se resenha um filme recém-estreado tem-se o cuidado de não contar tudo sobre ele, não explicitar demais o roteiro, não contar “o final” para que outros possam assistir-lhe. Não é o caso em Dama de Ferro (Phyllida Lloyd, 1h44). Quanto mais se falar dele numa resenha mais diminui a chance de que outros queiram assisti-lo, ainda bem. O filme não vale a ida ao cinema e o pagamento do alto preço; além disso, há o incômodo de ver sempre algum vizinho de poltrona admirado com o personagem criado na grande tela [ecran], sensação desagradável. Afinal, o filme foi laureado por duas estatuetas no Oscar. Meryl Streep, por sua atuação, ao construir uma personagem de forma absoluta e inquestionável. E, ao mesmo tempo, maquiagem. Perfeito, afinal, o filme propicia um tal maquiamento da história e construção de uma memória estetizada que realmente faz pensar que mereceu o prêmio.
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O filme tenta fazer piadas, fazer rir através da criação de um personagem – o marido, um boboca [palerma] que nada mais é do que a vingança de todos os homens sobre uma mulher poderosa, numa alegoria fraca, sem graça e falsa que o filme cria. Gera-se uma espécie de Ghost: do outro lado da vida. O homem, marido da grande dama de ferro, que aparece não só como sem personalidade mas como alguém que vive do ar que ela respira, e não um grande empresário do ramo petrolífero, é um fantasma que a assombra em suas alucinações doentias. Se ao longo da vida ela quis agir como homem (“forte”), no fim da vida, apenas depois do fim da vida do seu “fraco” marido, ele tem o poder de infernizá-la com coisas banais, como contar o final do livro que ela está lendo ou colocando em xeque seu poder absoluto.

A trama do filme é a história de uma senhora que não consegue desapegar-se do passado, o seu passado pessoal e seu papel histórico. Mas o passado pessoal será facilmente descartado, doado para a Oxfan, através das roupas do marido morto que farão com que ela complete seu luto. No final do filme ela consegue se desfazer das roupas e do fantasma, quando finalmente vemos uma emoção, uma lágrima lhe escapa do olho. Ela perdeu seu apego pessoal. Mas, e o legado histórico? Bem, a reconstrução de uma memória absolutamente conservadora é o que filme propõe sucessivamente. Um passado reificado, um “objeto de consumo, estetizado, naturalizado e rentabilizado, pronto para ser utilizado”.[1] Não existe memória sem consequências, sem implicações, e é esse embate que queremos perceber no filme.

As remissões à Margareth jovem são bizarras. Primeiro, mostrando um ideal presente nas falas de seu pai, de um conservadorismo a toda prova, de um individualismo segundo o qual pode o personagem se colocar como portador da verdade, ela possui a verdade e não importa o que aconteça, fará com que ela impere, à luz da construção do seu poder. O personagem Thatcher surgirá como guia, alguém que deverá levar o partido a um caminho. Interessante que esse caminho aparece apenas como idealizado por essa mulher jovem, idealista. Em nenhum momento se refere ao seu embasamento teórico neoliberal, que fundamenta com precisão as políticas que colocaria em prática, suas relações com Hayek, nada disso aparece no filme; afinal, é uma “memória pessoal”.

A figura da “mulher” também passa por contradições. A mulher velha sofre na memória suas escolhas históricas com relação aos filhos. Busca se reconciliar com o filho, a quem ela chama em vários momentos de senilidade, por quem clama e que sarcasticamente no final se nega a aparecer, “foge” para a África do Sul, não tem tempo para a mãe. A culpa da mãe que trabalha e que “abandonou” o filho, ao dedicar-se a qualquer coisa na vida, no caso, a política, fica mais uma vez interiorizada.
reunida 

Já li em vários lugares comentários alegando um certo “feminismo” no filme. Ideia mais absurda! O tempo todo o personagem deixa claro que “prefere a companhia dos homens”, porque eles teriam obviamente uma lógica própria, um modus de ser distinto, que não seria fútil como o das mulheres. Com eles estava o poder. Interessante que o filme mostra justamente uma mulher não apenas bonita, como atraente, focando em várias cenas seu corpo acinturado, focando seu traseiro marcado pelas saias de um azul claro celestial. A cena que precede sua entrada no Parlamento como primeira-ministra tem uma virada de corpo que faz dela uma Marilyn Monroe da política, mas aos avessos, porque quando ela dá a virada com a saia os homens como que desaparecem, abrindo caminho para sua entrada triunfal.

Assim, de feminismo o filme não tem nada. Tanto é que em uma das últimas cenas Margareth aparece lavando a xícara do próprio chá que acabara de beber. Ou seja, encerrada na cozinha. Aliás, é na cozinha que se passam várias de suas alucinações, como se aquele espaço representasse a prisão da qual fugiu mas que agora a prendia, e o marido (ghost) retornava para torturá-la psicologicamente. Aliás, a única cena em que sua mãe aparece no filme ocorre quando ela foi chamada para a Universidade, comemorou com seu pai e, quando foi ao encontro da mãe, essa se “esconde” lavando louças na cozinha. No âmbito da “prisão” de sua cozinha, numa cena mostra sua vingança, acendendo todos os eletrodomésticos para fazer barulho e impedir de ouvir as críticas do fantasma do seu marido sobre seu papel histórico.

Há ainda outra cena de uma sensualidade descabida. Diante de um debate forte sobre a resistência do aprofundamento das políticas neoliberais, ela, impassível, tem seu vestido ajustado por uma serviçal, que aparece apenas de costas e que foca todo seu trabalho em ajustar os peitos da dama de ferro. Numa cena em que os homens do partido falam que não poderão mais aguentar o arroxo [cortes de salários], a câmera foca nos peitos pendularmente. No final, ela aparece triunfal, dizendo que esse remédio amargo iria aplicar no seu povo/doente que precisava de remédio, segundo ela própria.

A figura autoritária é tão forte que mais tarde, quando consulta o médico, ela dá uma lição de moral dizendo-lhe que ele deveria perguntar o que ela pensa, não o que ela sente. Ou seja, quando está de um lado, aplica o remédio e pronto; quando está do outro, ensina ao médico a não aplicar o remédio. O filme com isso naturaliza o remédio, como se Thatcher não tivesse historicamente sido a responsável pelo desemprego massivo que criou com suas medidas.

Quando foi primeiro Ministra da Educação, além de ter fechado várias escolas, uma de suas medidas mais controversas foi acabar com o leite da merenda escolar. O filme, que em nenhum momento fala disso, começa com Thatcher fugindo do controle de seus empregados e indo ao mercadinho comprar leite, e reclamando do preço do leite, que havia subido de novo. Ela compra o leite em meio a desconhecidos, como se tivesse finalmente se misturado, passando, ironia da história, a ser uma igual.
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Também o discurso antiterrorista acompanha todo o filme, assim como atentados do IRA, que vão seguindo ao longo da trama. Não aparece, no entanto, a intransigência da personagem, essa memória que se constrói possui apenas um lado. Interessante observar como o discurso de realocação do papel histórico de figuras deploráveis para a classe trabalhadora, como Thatcher, segue uma linha parecida com aquela usada nas biografias de grandes fascistas, como no caso do ditador português Salazar, que é mostrado como um homem solitário, e que seria o preço a pagar pela dedicação de uma vida inteira à “causa pública”. Nessas biografias desaparecem seus apoiadores e todos aqueles que lucravam com suas decisões. No caso de Thatcher, vemos raramente relações pessoais além da família. Uma cena de seu triunfo pós-guerra das Malvinas a mostra bailando com ninguém menos que Ronald Reagan, como se fosse um conto de fadas.

Desde o início do filme suas lembranças vêm acompanhadas da moral de que o Estado não deve intervir, não “sabe” o que fazer, e que cabe às pessoas cuidarem de si. Isso remete ao mercadinho no qual trabalhava para ajudar seu pai, denotando um estigma contra o trabalho que segue demarcando todo o filme: “a filha do merceeiro”. Uma menina ousada, auto-suficiente, cheia de iniciativas. O ideal neoliberal vai aparecendo nas suas falas, embora não tenha identidade, não apareça como um projeto de hegemonia. Aparece com ela dizendo que as pessoas têm que aprender a “controlar-se”, a gastar menos; ou dizendo que sempre há os que vêm “comer de graça” (alusão à criação da Comunidade Européia). Seu discurso antiorganização sindical, antitrabalhadores está presente o tempo todo, num crescente que ao invés de dizer realmente o que ela estava fazendo, mandando reprimir, bater, destruir, quebrar a espinha dorsal do movimento operário, constrói, ao contrário, uma imagem de uma mulher forte que sabe tomar decisões em momentos difíceis. As imagens difusas de trabalhadores sendo pisoteados por cavalos são totalmente desfocadas em função do close na coragem e nos peitos de Thatcher. Uma mulher que não quer saber de conversa, não há entendimento possível. Como se essa posição, uma vez mais, fosse apenas fruto de uma grande personalidade. O desprezo para com os trabalhadores aparece em frases como “muitos já estão quase a morrer de fome” – terão que voltar ao trabalho. O ideal que ela diz que sabe que está preservando, sua verdade que porta é: liberdade e oportunidade. O filme coloca em suas falas o “desejo de dizer o indizível”, ou seja, de tomar essas medidas; alguém ambicioso e com princípios, embora não diga quais são do ponto de vista histórico.

A mudança em seu perfil pessoal também aparece no filme, tomando aulas de postura de voz, mudando o penteado para deixar de parecer uma dona de casa, e o marido sempre como figurante nessas cenas, o que não faz qualquer sentido. A lógica da estetização da política paira no ar. E aos poucos o filme mostra a virada em sua vida, em que os homens começam não apenas a respeitá-la mas a admirá-la.

Em 1979, quando assume como primeira-ministra suas palavras são claras: o país “que amamos” tinha um preço a pagar para livrar-se do “socialismo”, ou seja, da organização dos trabalhadores. E, para ficar completo, não podia deixar de rezar uma oração de São Francisco: onde houver dúvida, que eu leve a fé. Ou seja, minha verdade vos libertará!!

Mas o filme se torna ainda mais insuportável quando mostra a invasão das Malvinas. A arrogância de uma guerra aparece uma vez mais como fruto da vontade de uma mulher que percebe que seu país estava com a honra ameaçada, e justamente essa é a tônica final, que a mostra com um mundo a seus pés depois da guerra. Se antes já sentimos falta de alguns amigos queridos seus, aqui nos perguntamos porque o filme não mostra Pinochet lhe cedendo bases militares dentro do território chileno para atacar as Malvinas-argentinas?

Sempre há riscos em qualquer filme histórico, que busque a reconstituição da história. Esses filmes têm toda liberdade de interpretar, mas sua visão corre o sério risco de aparecer como um todo fechado, uma verdade absoluta. Por isso é mais grave, aparece como verdade porque “mostra”. Evidentemente que tudo o que é narrado não ocorreu sem oposição, sem resistência, embora a ênfase fosse sempre ocultada. O que prevalece são mulheres chorando quando Thatcher deixa o poder, como se fossem as mulheres que tivessem sido lá representadas.
A memória vai sendo reconstruída, a história passa a ser recontada a partir dela. E, por isso, a força do personagem e a “individualização” das decisões e da linha política. Por isso o personagem mostrado não titubeia, não tem dúvidas, faz parecer que a história se move para atender sua vontade.

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O jornal francês Libération fez uma vasta matéria sobre o filme. O mais interessante foi que deu voz a pessoas que eram mineiros na época de Thatcher e a manchete é: “Quando ela morrer, nós faremos a festa!”.[2] Segundo o jornal, abaixo de um frio imenso os velhos mineiros se reuniram para ver o filme e urravam: “Maggie, Maggie, out, out, out” [Margarida, Margarida, fora, fora, fora], como na época das greves em 1983-84. O filme tem servido para reavivar a raiva desses homens e mulheres, mostrando o lugar onde milhares de pessoas perderam seus empregos por causa das decisões da primeira-ministra. Também as suas mulheres estão indignadas contra o retrato de Thacher “ícone feminista”, que o filme tenta passar: “Ela jamais defendeu as mulheres, não se bateu por seus direitos, não colocou mais mulheres no seu governo”, inclusive “queria mesmo estar sozinha no mundo de homens”. E recorda a cena chocante em que Thatcher passava impassível de carro enquanto as manifestações dos mineiros quase derrubavam seu carro: “mas o filme não mostra uma só vez por quais razões os mineiros estavam encolerizados, eles tiveram suas vidas destruídas, eram pessoas desesperadas”. 

E segue uma mulher de um ex-mineiro: “as verdadeiras damas de ferro são as mulheres dos mineiros, que enquanto tinham seus maridos pagos miseravelmente, ou que quando faziam greve não podiam pagar as dívidas, mesmo assim continuaram a chegar ao fim do mês como conseguiam.” Narra pessoas que perderam sua casa, seus maridos ficaram a ver navios.

Um homem diz: “ela é apresentada no filme como uma heroína. Mas ela não era nada disso, era uma bruta, tirana, que jamais teve qualquer compaixão pelas pessoas que batalhavam pelos seus empregos, não por férias ou melhores salários”, como o filme leva a crer. A conclusão é sintética: Thatcher foi “sobretudo uma personalidade que dividia, ela foi a principal responsável pela destruição de toda a indústria manufatureira do país. Ela começou pela indústria de estaleiros navais, depois o aço, o carvão e, finalmente, aliada a Rupert Murdoch (magnata da imprensa), ela destruiu a indústria gráfica”. 

Esta é sua herança. “Ela é odiada por aqui e, quando morrer, nós faremos a festa nas ruas, eu posso lhes assegurar”. Seria sem dúvida uma tentativa de vingança histórica contra uma memória forçada, forjada e falsa de uma “heroína”. Totalmente compreensível essa visão dos trabalhadores, mas o passo adiante é perceber que, diferentemente do que propõe o filme, as medidas por ela adotadas e impostas não foram apenas fruto de seu desejo de poder, e sim uma prática sistemática e articulada do capitalismo como reação à crise dos anos 1970.

A conclusão de outro comentador do jornal é interessante: tudo isso não faz deste filme um filme ridículo ou mal feito, mas um filme resolutamente de direita, e que por ser bem feito é que vai passar a construir relatos históricos. Com um fervor sincero ele exalta as virtudes de uma “Grã-Bretanha grande outra vez”.[3] Ou seja, como filme de qualidade técnica (ganhador de prêmios), será certamente mais assistido do que as aulas de história que se podem produzir para criticá-lo.
caricatura-tatcher2 

Também no francês Le Monde lemos uma pergunta instigante: “porque ela fez isso? Com que apoios?”[4] Não saberemos assistindo o filme. Já na revista brasileira Veja, que sempre exaltou a figura de Thatcher, identificamos uma “leoa do inverno”: “a primeira-ministra que era exatamente aquilo que os britânicos precisavam”.[5] A crônica na revista reproduz a fala da própria diretora [realizadora], que justifica seu filme dizendo que apenas quis mostrar a visão da própria história, sem “fazer julgamento histórico”, como se isso fosse possível, e como se o resultado não fosse um julgamento histórico apriorístico e hegemônico do início ao fim. Afinal, reafirma que a sua queda se deu porque “tinha razão” em vaticinar contra a entrada na zona do euro, e por isso foi punida, segundo a resenha de Veja, que ainda cobra mais do filme. Parece descontente com tanto foco na demência da personagem, cobrando que se diga, didaticamente, que havia coerência no seu pensamento e que ela apenas “dizia o que os ingleses realmente precisavam ouvir”. Por isso, nas três páginas da revista, repleta de imagens, há espaço de destaque para suas “benfeitorias”: resistência aos sindicatos; privatização; limites à Comunidade Europeia; enxugamento do estado de bem-estar social; intransigência com as ameaças externas; intransigência com o terrorismo; articulação entre EUA e URSS. Cada item vem explicado, como uma homenagem e uma lembrança, reafirmando os princípios em comum.

Notas

[*] Docente do Curso de História e do PPGH da UNIOESTE. carlalusi@gmail.com
[1] TRAVERSO, Enzo. O passado, modos de usar. Lisboa, Unipop, 2012, p. 11.
[2] Libération, mercredi. 15 février, 2012, À l’affiche. Cinéma. III. Sonia Delesalle Stolper.
[3] Libération. En fer et dame nation. Bruno Icher. 15/2/2012, p. II.
[4] Le Monde, 15/2/2012, p. 26. Une biographie cosmétique et vaine pour un colosse politique. Thomas Sotinel.
[5] Veja. 22/2/2012, p. 95. Isabela Boscov.

NOVA CENTELHA

HUMOR ILUSTRADO E BONECOS (MONTAGENS) DE ANTÓNIO GARROCHINHO













UMA POSE APRECIADA



'The New York Times' diz que portugueses aceitam austeridade

A população portuguesa é a mais "complacente" entre os diversos países da "zona de austeridade" na Europa, "pouco protestando" contra os cortes orçamentais ou aumentos de impostos, lê-se na edição desta sexta-feira do 'The New York Times'.

CM
blog A dita e o balde

Santo António – Mas o “a sério”!!!


Lido assim, de chofre, este título de jornal deixou-me a pensar “Não querem lá ver que o santarrão de Santa Comba fazia anos agora?”... mas não! O feriado tem que ver com o outro “santo” António. O de Lisboa.
Já a notícia fica a dever-se à irresistível tentação demagógica e populista do Governo Passos/Portas que, não fosse dar-se o caso de ninguém reparar... tem que lembrar que é «governo de todo o país e não apenas de Lisboa», chamando a atenção para o facto de trabalhar durante um feriado municipal, um feito patriótico pelo qual devem supor que lhes ficaremos eternamente gratos.
Quanto à minha ligação reflexa deste Governo à figura do “salazarento escroque das botas”... é um “pecado” que tento aqui compensar, ilustrando o post com um Santo António, mas “a sério”, feito pelos filhos (e seguidores da arte) do grande artesão barrista de Barcelos que foi Domingos Gonçalves Lima, mais conhecido pelo nome de “Mistério”.



A propósito de pressões…



Como sabemos, a jornalista do Público, que foi alegadamente pressionada por Miguel Relvas, despediu-se na passada segunda-feira do jornal.
Quem deve ter ficado a esfregar as mãos de contente, terá sido Belmiro de Azevedo!
Tomaria ele que Relvas, ministro, pressionasse mais 20 ou 30 jornalistas…
Aqui, pelo Outra Margem, dado que outras pressões não têm sortido o efeito desejado, talvez seja a altura do Relvas, ministro, actuar…
Por favor, pressionem aqui quem quiserem.
Mas, V. Exªs. é que escolhem…

Cavaco Silva – Porque não lhe enfiam uma fatia de bolo-rei nas beiças?


Na tentativa de se armar em carapau de corrida ao comentar uma “reorganização” do negócio da saúde “sugerida” pela troika, Cavaco Silva proclamou: «Espero bem que nunca se ponha em causa o acesso à saúde por razões económicas».
Pois espera! Deve mesmo esperar muito...
Já para aprovar todas as leis e normas que têm vindo a ser criadas pelo governo do seu partido, medidas que têm vindo, efectivamente, a fechar as portas do acesso à saúde a milhares de portugueses, como os aumentos das taxas, os cortes nos transportes de doentes, o encerramento sucessivo de serviços, os cortes nas pensões e ordenados, etc., etc., etc.... o Sr. Cavaco Silva, habitualmente, não espera quase nada. Promulga de imediato.
Demagogo! Miserável! Hipócrita! Sonso!



Um génio da treta


O que chamavam de Génio da Economia e que foram buscar a uma Universidade de segunda ao Canadá não passava de uma obra de ficção como a realidade rapidamente mostrou. Das bandeirinhas de Portugal aos pasteis de nata foi-se desfazendo a imagem do Super-Ministro até que o governo se sentiu obrigado a distribuir as suas competências primeiro por outros Ministérios e depois tentar dar-lhe algum protagonismo mediático para não ter de fazer uma rápida remodelação ministerial. Quando as coisas pareciam que lhe corriam melhor um peixe maior, o Miguel Relvas, necessitou de protagonismo mediático e lá se converteu o Álvaro de novo em fumaça. Mesmo sendo medidas sobre o emprego e a economia, o Programa do Impulso Jovem foi entregue ao Relvas. Depois de ser desrespeitado por quase todos os ministros este "géniozinho" foi mais uma vez tratado como lixo, mas sem um verdadeira coluna vertebral continua a aceita-lo sem de demitir. Patético.

Roubo de crianças por Freiras e Padre da Igreja Católica.

Movimento Por Um Algarve Livre De Petróleo.


 Com a devida vénia transcrevo o comunicado publicado no blog de Movimento Apartidário da Cidade de Loulé que subscrevo na totalidade:
5º Comunicado de Imprensa

Na sequência da primeira sessão do ciclo de debates promovido pelo Movimento Por Um Algarve Livre de Petróleo (MALP) intitulado "A exploração de petróleo e gás natural no Algarve: Tornar o oculto visível" cujo orador principal foi Paulo Rosário Dias, coordenador regional do Algarve do MPT – Partido da Terra, o MALP faz saber que se ficou a conhecer através das palavras do nosso orador convidado a verdadeira natureza contratual que concessionou as actividades de pesquisa e exploração de petróleo e gás natural no Algarve e ficou demonstrado que os contratos assinados, são de facto, do ponto de vista da segurança, das garantias, dos riscos e mesmo das contrapartidas económicas para o“Estado Português de Lisboa”, para utilizar uma expressão de Paulo Rosário Dias, um desastre para a região e para o país.


Estiveram presentes no debate um público de características marcadamente heterogéneas com destaque para a presença de membros de organizações ambientais, empresários ligados ao turismo, professores da Universidade do Algarve e conhecidos membros de partidos políticos da região. O debate vivo e interessante pôs em confronto os argumentos daqueles que confundem desenvolvimento com crescimento e que são favoráveis à exploração de petróleo na região do Algarve, menorizando os perigos associados e os defensores de um verdadeiro desenvolvimento sustentável que vêem uma enorme incompatibilidade entre a exploração de petróleo na costa marítima do Algarve e o bem estar económico, social e ambiental das populações que aqui residem.


No final do debate saiu reforçada a ideia que a exploração de petróleo traz associada a si várias ameaças preocupantes, merecendo por isso o empenho e a melhor atenção de todos os algarvios em proteger o desenvolvimento sustentável da sua região. O sucesso deste primeiro debate reforçou as nossas convicções de que o Movimento Por Um Algarve Livre De Petróleo está no caminho certo quando defende a incompatibilidade total da exploração de hidrocarbonetos na costa do Algarve com uma qualquer ideia de “turismo sustentável”.


O caminho para o futuro da região passa pela aposta na valorização da sua extraordinária biodiversidade e por uma crescente exigência na busca do equilíbrio entre as dimensões económicas, ambientais e sociais do desenvolvimento. A exploração do Petróleo não cabe nesta harmonia. Os erros do passado associados à monocultura do turismo e à excessiva dependência da actividade turística não se corrigem acrescentando novos erros que mais não irão fazer do que hipotecar o futuro das jovens gerações.





Todos sabiam e ninguém fez nada... Teve que ser a TROIKA a mostrar a vergonha das PPP??

Existem 3 pontos importantes a realçar no escândalo que se segue:
1º quem apresentou a primeira queixa contra este abuso descarado, foi a ACP, 
e não o governo, ou os tribunais, ou a oposição...
2º quem está a obrigar a que o caso seja levado por diante, é a TOIKA e não o governo ou os tribunais.
3º mais uma vez os culpados "criminosos" já deram inicio ao velho truque,  processar quem os denuncia, 
enrolando a lei, atrasando processos e ganhando a impunidade.

As pessoas poderão acreditar que com a exposição deste caso, muitos politicos 
serão punidos e a justiça finalmente dará sinais de vitalidade e força...
Muitos acreditarão que finalmente existe vontade de desmascarar e castigar os corruptos 
que roubam o povo. Que o governo finalmente resolveu defender o país...
Desenganem-se... Pois tudo permanece imutável, no seu percurso de impunidade e falta de denúncia.
Tal como o caso dos submarinos que foi provado e investigado na Alemanha e em Portugal, 
não se apura nada,  nem julga ninguém.
o caso de corrupção, onde se julga que Portugal também estava envolvido... mas por cá, nem se 
toca no assunto.
Agora é o caso das SCUTs, e para que conste, mais uma vez, o assunto apenas está a obter 
projecção porque são entidades externas, que exigem investigação... e neste caso é a TROIKA. 
Não foram os juízes do TC, não foram os nossos ministros das finanças, ou todo o governo 
que se preocupou em ajudar Portugal e o povo, a fazer justiça e a deixar de sustentar parasitas 
e criminosos. Foi apenas a TROIKA que exigiu, e os fantoches terão de avançar com a investigação 
e renegociação... Porque em boa verdade já há 5 anos se sabe deste abuso, deste roubo, 
e desta vergonha, e nenhum governo, nenhum tribunal ou juiz, ou nenhum partido da oposição 
fez nada para mudar o saque continuado e descarado das PPP.
e provavelmente o povo não sairá justiçado ou vitorioso de mais esta profunda e cruel injustiça 
Existe ainda um pequeno detalhe a acrescentar...  (já estamos habituados) na justiça portuguesa 
isto vai dar pano para mangas e vai culminar num mar de impunidade. Pois os acusados começarem 
já a ameaçar quem os denuncia, irão fazer gato sapato da lei, até que o tempo passe e a impunidade vença.

Segundo este video já em 2007 o presidente da Republica foi avisado e chamado a intervir neste desvio 
de dinheiro público, e pura e simplesmente remeteu-se ao silêncio.  Ainda segundo o video, 
este caso mostra claramente que teve que  existir compadrio criminoso e descarado entre bancos, 
construtoras, consultoras, POLÍTICOS E grandes gabinetes de advogados. O papel mais descarado 
foi o do secretário de estado que agora tenta fingir que não teve a ver com nada. 
Isto apenas mostra que Portugal está a saque, sem ninguém que nos proteja. Portugal 
tem um grupo de inimigos que diariamente conspiram contra o nosso futuro, 
o nosso dinheiro, os nossos filhos e o nosso país. Conspiram e levam a cabo todo 
o tipo de crimes sem dó nem piedade, roubando os pobres para luxos dos ricos. 
Portugal está entregue a um gang de políticos criminosos e o povo ingénuo... 
otário continua a dar-lhe votos de confiança. 







Eis o artigo do expresso, que confirma o acima comentado... 
"Negócios das SCUT chega a tribunal
O Ministério Público entra em cena após o Tribunal de Contas ter detetado a ocultação de €705 milhões pagos a concessionárias
Passos Coelho admitiu que as conclusões do TC poderão “iluminar o Governo” na renegociação contratual das PPP
uma exigência da troika, aliás). Para o parceiro de coligação, o CDS, a auditoria demonstra que 
o Executivo de Sócrates foi também “um Governo da mentira, do engano e da fraude”. (...) 
o PCP fala de um “modelo desastroso para o interesse público e para a economia nacional”, que “tem de acabar”.
Para o Automóvel Club de Portugal, “este processo não pode morrer na praia”. O ACP já fizera, no início de maio, uma queixa-crime, 
visando explicitamente, além de Paulo Campos, os antigos ministros Mário Lino e António Mendonça. 
Além do processo desencadeado pelo ACP.
Não faltam assim as vias para descobrir os segredos dos negócios das estradas em Portugal.
A condução habilidosa ocorreu em seis subconcessões rodoviárias — Baixo Alentejo, Litoral Oeste, Algarve Litoral, Baixo Tejo, 
Douro Interior e Auto-Estrada Transmontana. Segundo os juizes, em decisão tomada por unanimidade, ao volante da operação estaria o anterior 
secretário de Estado das Obras Públicas Paulo Campos.
“A documentação facultada pelo InIR — Instituto das Infraestruturas Rodoviárias”, entre 2010 e 2011, “evidencia 
a existência de divergências e, por vezes, omissões, disparidades que, alegadamente, o InIR afirma dever-se 
a orientações a que estava sujeito pela tutela”, diz o relatório. Mais adiante, reforça o TC: “Verificou-se terem sido 
omitidos, por intervenção da tutela, factos relevantes”. Nas conclusões do Tribunal, são descritos mecanismos e esquemas 
(como cálculos com base em taxas de inflação superiores às previstas, por exemplo) que fariam existir
 “benefícios-sombra” para concessionárias e entidades bancárias, em detrimento dos interesses do Estado e dos contribuintes.
Paulo Campos, hoje deputado, rejeita ter negociado qualquer acordo paralelo. Nega ainda ter ordenado a 
eliminação de páginas em qualquer documento, ameaçando mesmo processar o InIR.fonte


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