AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


sexta-feira, 25 de maio de 2012




José Mário Branco 70 anos

Para quem nunca deu grande importância aos seu próprios aniversários e passou muitos, quase sem dar conta, não fosse um ou outro telefonema de um familiar ou amigo, hoje graças às novas tecnologias começa a ser difícil a gente esquecer-se (ou fazer-se esquecido) do aniversário dos mais próximos e daqueles que não sendo próximos em termos sanguíneos ou de intimidade acabam por nos ser muito queridos.
De facto acho que assisti a 2 ou 3 espectáculos ao vivo com o José Mário Branco, o mais próximo que dele estive foi da plateia para o palco.
No entanto o J.M.B faz parte dum leque de cantores que marcou a minha vida e a forma de nela estar.
Muito se poderia escrever sobre este cantaautor, maestro, compositor, orquestrador encenador e mais uma série de coisas que não faço intenção de para aqui trazer, porque outros mais conhecedores e entendidos certamente o farão.
No entanto não poderia deixar de prestar aqui a minha homenagem ao José Mário e agradecer-lhe o facto de um dia me ter feito perceber que a “Cantiga é uma Arma”
carrega na seta do vídeo aqui em baixo





Nota:



José Mário Branco compôs para a peça "A Mãe" de Bertolt Brecht  pelo grupo de teatro A Comuna e gravou um disco com o nome da peça, i em 1978. Esta é uma das canções que como todas tem música do Zé Mário e as letras também baseadas nos textos de Brecht.

As canseiras desta vida

As canseiras desta vida
tanta mãe envelhecida
a escovar
a escovar
a jaqueta carcomida
fica um farrapo a brilhar

Cozinheira que se esmera
faz a sopa de miséria
a contar
a contar
os tostões da minha féria
e a panela a protestar

Dás as voltas ao suor
fim do mês é dia 30
e a sexta é depois da quinta
sempre de mal a pior

E cada um se lamenta
que isto assim não pode ser
que esta vida não se aguenta

-o que é que se há-de fazer?

Corta a carne, corta o peixe
não há pão que o preço deixe
a poupar
a poupar
a notinha que se queixa
tão difícil de ganhar

Anda a mãe do passarinho
a acartar o pão pró ninho
a cansar
a cansar
com a lama do caminho
só se sabe lamentar

É mentira, é verdade
vai o tempo, vem a idade
a esticar
a esticar
a ilusão de liberdade
pra morrer sem acordar

É na morte ou é na vida

Obrigado José Mário Branco por tudo o que nos deste e que assim continueis por muito, muito tempo.


blog Folha seca

Fome, Fausto, Austeridade, e Parcerias Público-Privadas: tristeza!


secretário-geral do PS desceu do alto dos seus tamanquinhos e afirmou que advertiu os representantes da troika que Portugal "atingiu o sinal vermelho", designadamente quanto ao nível do desemprego. Mas este não é o único dado com que os portugueses se preocupam, embora muitos dos problemas secundem este. A começar pelo endividamento que ensombra quase 40% das famílias. Acabando no flagelo da pobreza, indiciada pela fome, com 19 bancos alimentares a apoiar 2110 instituições que, por sua vez, ajudaram já 337.500 pessoas. A cara da pobreza em Portugal está a mudar, com o surgimento de uma nova classe de pobres, ex-classe média, a braços com um dos cônjuges (ou os dois nos casos mais extremos) no desemprego. Crianças a evidenciarem má nutrição logo de manhã nas escolas, fruto de situações precárias de fome não assumidas. Até os emigrantes portugueses recém-chegados a França e à Alemanha experimentam a miséria num cenário inimaginável há uma década. Não esquecendo os 40 mil idosos sem capacidade financeira sequer para comprar alimentos. Falando em pobreza e em fome, indignou-nos saber que perdiz, porco preto alimentado a bolota e lebre são alguns dos produtos exigidos pelo Caderno de Encargos do concurso público para fornecer refeições e explorar as cafetarias do Parlamento. Sinal de que por lá a crise não se faz sentir! E nem por isso de barriga cheia os deputados decidem melhor, talvez se recomendasse até algumas restrições/contenções no pecado da gula. Para melhor compreenderem o comum dos mortais que vive fora dos muros de São Bento. Quem diria que convento beneditino ali albergou gente santa!
E se dentro de portas, o ministro das Finanças se limita a vaticinar, no debate do Documento de Estratégia Orçamental, aquela constatação de la palisse, dizendo de que o crescimento da economia exige a  dose necessária de austeridade (ou queria dizer reforçada?!), já fora de portas, Philippe Aghion, professor de economia na Universidade de Harvard (EUA) e conselheiro do presidente francês, François Hollande, melhor propôs uma reestruturação das dívidas públicas de Portugal e Espanha, para superar a crise na zona euro, chegando mesmo ao ponto de afirmar que a Grécia, a Espanha e Portugal não têm hipótese de crescimento sem um haircut (corte da dívida pública) que confira mais flexibilidade no Tratado para levar a cabo reformas estruturais. Haverá luz ao fundo do túnel?
Falando em túneis, pontes e afins, o juiz jubilado do Tribunal de Contas, Carlos Moreno, por quem nutro admiração e respeito desde os meus tempos de auditora do TC, chamou, sem dó nem piedade, como é seu timbre, ‘incompetentes’ os políticos que negociaram as Parcerias Público-Privadas, defendendo que as empresas devem aceitar baixar os seus lucros, face ao especial contexto de crise em que vivemos. A verdade é que os contratos foram visados pelo TC, cujos juízes se dizem “enganados” pelos precedentes governos. E é também curioso que este Governo que tanto falou isto antes de ser eleito, tenha agora, com o Decreto-Lei n.º 111/2012, de 23 de Maio, impedido que, da sua aplicação, resultem alterações aos contratos de parcerias já celebrados, ou derrogações das regras neles estabelecidas, nem modificações a procedimentos de parceria lançados até à data da sua entrada em vigor. Ou seja, tanta acusação de “incompetência” e de “incapacidade técnica do sector público’ na negociação de PPP’s – ainda nos recordamos do episódio mais recente com a Lusoponte – deu em coisa nenhuma, para não variar àquela máxima de que, por cá, as montanhas parem ratos.
E é assim em cenário de desemprego, pobreza e fome e de fausto e abundança beneditino, de soluções de maior flexibilidade no Tratado a partirem mais de fora que de dentro, e de “bloqueios” reforçados a contratos leoninos que se vai vivendo num País em que toda a gente fala que se desunha e nada faz de protesto efetivo e sério.
O que é certo é que o pano de fundo desta opereta triste está cada vez mais negro e nós ora nos sentimos palhaços ora pierrots. Enfim, de todo o modo, tristes! 


amigos de CR7 acusados de atirarem modelo ao Tejo
Os amigos de Cristiano Ronaldo estão a ser acusados de terem arrastado e atirado ao rio Tejo o vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor Modelo Masculino, Gonçalo Viriato Teixeira.
Após a gala no Coliseu, no domingo passado, o manequim foi até à discoteca Urban Beach, em Lisboa, na companhia da namorada e de um amigo. Nesse mesmo espaço nocturno estava Cristiano Ronaldo com o cunhado, José Pereira, e um grupo de amigos.
jogador estava a aproveitar a última noite de descanso antes do estágio da Selecção Nacional.
CR7 reparou na namorada de Gonçalo Teixeira e terá tentado, através do cunhado, arranjar o número de Carolina Fernandes, também ela modelo. A jovem não quis dar o seu contacto e o próprio Cristiano Ronaldo terá tentado abordá-la, avança a revista ‘Nova Gente'.
A manequim não terá gostado do modo como o jogador a interpelou. "Ele segurou-a pelo vestido", contou uma fonte próxima de Carolina à mesma publicação.
Quando estavam de saída, por volta das 04h00, a jovem contou a Gonçalo o que se tinha passado e o modelo decidiu confrontar Cristiano Ronaldo, que já estava dentro do seu Lamborghini.
Os amigos do jogador não gostaram desta atitude e o modelo foi "arrastado e empurrado para o rio", contou Afonso Quadros, gerente do Grupo K, à ‘Nova Gente'.
"Nós é que tirámos o Gonçalo da água. Não foi bem uma zaragata, não lhe bateram, foi só empurrado. Não terá sido o Ronaldo que o atirou ao rio. Ouvi dizer que foram os amigos, mas já ouvi várias versões. O alarido foi grande e por isso accionámos nós o salvamento", afirmou o gerente.
De acordo com a informação divulgada pela ‘Nova Gente', Gonçalo Teixeira tenciona avançar juridicamente contra o atleta.


II Tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal: Uma obra inspiradora 


Por Rui Mota 
    


O II tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal, que agora vem a público, traz-nos textos escritos entre 1947 e 1964. Neste período de pouco mais de 15 anos, Álvaro Cunhal reata as relações internacionais do PCP na sua viagem à Jugoslávia e à União Soviética, é preso, faz da prisão um espaço de luta, de resistência e de estudo, participa na grandiosa fuga da Cadeia do Forte de Peniche, com mais 9 camaradas, desempenha um destacado e decisivo papel no intenso debate ideológico no interior do Partido e no seio do movimento comunista internacional.

A reorganização de 1940-41, corajosamente realizada no contexto da Segunda Guerra Mundial, quando o fascismo tomava conta de praticamente toda a Europa e intensificava os seus métodos repressivos em Portugal, foi feita sem contactos com o movimento comunista internacional. Apesar do sucesso da reorganização, confirmado pelos III e IV Congressos, o Partido não podia «aproveitar as experiências de luta dos outros Partidos Comunistas» nem «coordenar correctamente a luta em Portugal com a luta dos outros países pela Democracia e pela Paz». Por isso, Álvaro Cunhal terá como tarefa «estabelecer relações com o movimento operário internacional», bem como dar a conhecer a situação portuguesa. Disso tratam os primeiros textos deste II tomo.

 

Durante o período no estrangeiro, elabora relatórios e artigos para publicações do movimento comunista internacional com a denúncia da política fascista de Salazar, cúmplice de Franco no «Bloco» fascista ibérico e fantoche dos anglo-americanos. Nesses textos, analisa a política externa salazarista: a colaboração activa nas forças de agressão durante a Guerra Civil Espanhola; o fornecimento de bens alimentares, matérias-primas para a indústria de guerra de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial; a viragem para os Aliados depois da vitória de Stalinegrado. Analisa também as consequências de 22 anos de domínio fascista em Portugal: o reforço da posição do capital estrangeiro em Portugal; a submissão do governo de Salazar ao imperialismo anglo-americano; o domínio da vida económica por parte dos monopólios; a miséria, a doença e o obscurantismo entre as classes trabalhadoras. Analisa, por fim, a luta do povo português: as «eleições» e a criação do Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista e do Movimento de Unidade Democrática; as greves e manifestações de massas, de operários, camponeses e democratas; o Partido Comunista Português e os aspectos fundamentais dos seus progressos desde a Reorganização.

No final de 1948, já em Portugal, escreve «Algumas observações à autocrítica do camarada Ramiro». Aí procura sobretudo levar o camarada Ramiro (Júlio Fogaça) a aprofundar a sua autocrítica, ainda pouco clara, em relação à política de transição, desvio oportunista surgido na Organização Comunista Prisional do Tarrafal e que já tinha sido devidamente analisado no IV Congresso. Na luta contra o desvio oportunista, o Partido «saiu fortalecido» pois o debate, travado «na base da fidelidade aos princípios do marxismo-leninismo», «pôs a nu o perigo das concepções oportunistas», foi «realizado a par da defesa intransigente dos princípios orgânicos do Partido» e «dentro dos princípios do centralismo democrático, da disciplina, da crítica e da autocrítica», «fortaleceu a unidade de vontade e de acção do Partido», «obrigou a um grande esforço no trabalho político da Direcção do Partido, à definição mais sólida da linha do Partido, à elevação do nível do trabalho político» e «à preparação política dos quadros», educou os quadros «nas ideias da responsabilidade, da modéstia e da autocrítica». Uma lição que se aplica a outros momentos na história do Partido.

Em O Partido Comunista e as «Eleições Presidenciais Álvaro Cunhal demonstra como a apresentação da candidatura democrática às «eleições» é sinal do enfraquecimento do regime fascista e do fortalecimento das forças democráticas. Enumerando as condições essenciais para umas eleições em que os democratas pudessem participar - «um recenseamento honesto, fiscalizado pelas forças democráticas», «ampla liberdade de propaganda eleitoral», «participação dos democratas nas mesas eleitorais e nas assembleias de contagem dos votos» - combate «as ilusões legalistas e constitucionais», que limitam a unidade nacional antifascista e «só ao fascismo podem aproveitar», defendendo que apenas as lutas de massas podem conduzir o povo português à vitória (como aliás a experiência demonstrou).

A 25 de Março de 1949 é preso no Luso, juntamente com Militão Ribeiro, membro do Secretariado (e que morreria, assassinado pelo fascismo, na prisão), e Sofia Ferreira. Durante os quase 4000 dias de prisão, metade deles passados em regime de isolamento (e mais de um ano ainda em regime de incomunicabilidade), fez da cadeia um espaço de luta, estudo, reflexão e criação.

Logo na sua intervenção no tribunal fascista, a 2 de Maio de 1950, no confronto directo com o inimigo, utilizou «o banco dos réus como uma tribuna» para defender «a política do Partido» e desmascarar «os crimes do governo fascista». Não se tratou de uma novidade ou do último caso na luta antifascista portuguesa; no entanto, poucas tiveram tanto eco no movimento democrático ou foram tão acutilantes.

Álvaro Cunhal fez da prisão um espaço de luta pois nunca abrandou a sua defesa e a defesa do Partido. Em torno do seu processo, das «medidas de segurança» que lhe foram aplicadas para prolongamento da pena, da vida prisional, transcrevem-se neste tomo dezenas de cartas para o Director da Cadeia Penitenciária de Lisboa, para o seu advogado Armando Bacelar, para o Ministro da Justiça, para o Director-Geral dos Serviços Prisionais e para os juízes responsáveis pelos seus processos. Em todas elas se vê a mesma firmeza e inteligência na acusação do fascismo, sobretudo da sua ilegalidade, já que não cumpre as suas próprias leis. Mas esclarece Álvaro Cunhal: «Se alguma coisa aprendi nos estudos de Direito foi a existência duma ilimitada elasticidade das leis, já feitas com contradições e alçapões bastantes para poderem voltar-se contra quem convenha.» No fascismo como na contra-revolução.

Fez da prisão também um espaço de estudo, reflexão e criação. Refere numa carta em que solicita a devolução dos seus cadernos de apontamentos que neles estavam incluídos «vários estudos originais de economia, história e arte, num total de mais de 1000 páginas, uma tradução de O Rei Lear de Shakespeare e apontamentos (ainda em borrão mas muito adiantados) para um romance». Muitos desses estudos viriam a ser publicados mais tarde, depois de aprofundados. Sobre arte, durante a sua prisão, sai na revista Vértice um artigo publicado sob pseudónimo intitulado «Cinco notas sobre forma e conteúdo», matéria sobre a qual mais tarde reflectirá em A Arte, o Artista e a Sociedade.

De particular importância são duas cartas para a direcção do Partido. Uma primeira com «pontos dispersos abordados ligeiramente», nomeadamente a defesa da repressão, a luta contra o oportunismo e a imprensa do Partido, e uma segunda sobre o Projecto de Programa do PCP. Nesta, caracteriza o projecto como sendo «bem fundamentado e útil» mas com «algumas fraquezas graves», a começar pelo facto de não definir «expressamente este objectivo básico: o PCP propõe-se a criação duma sociedade comunista» e que «tal sociedade será alcançada através da edificação duma sociedade socialista sem classes». Tal documento «não pode pois ser considerado de forma alguma como o programa do PCP» e considerá-lo assim seria um «perigoso erro de carácter oportunista».

Após a fuga de Peniche, a 3 de Janeiro de 1960, desenvolve-se no interior do Partido um intenso debate ideológico com vista à clarificação da via do derrubamento do fascismo. Surgem dois textos de Álvaro Cunhal, publicados neste tomo nos Anexos, de enorme importância: A Tendência Anarco-Liberal na Organização do Trabalho de Direcção e O Desvio de Direita nos Anos 1956-1959.

No primeiro desses textos começa por fazer uma curta história da evolução do trabalho de direcção do Partido desde a reorganização de 1929, para depois referir as incorrectas e perigosas exigências colocadas, numa situação de clandestinidade, no sentido de combater um excessivo centralismo. Combate que, sendo justo e correspondendo «a uma necessidade da vida do Partido», não se fez «duma forma correcta» e por isso teve resultados negativos. A «luta contra o culto da personalidade» (transposição mecânica e dogmática da realidade soviética à realidade portuguesa e «base ideológica» da tendência anarco-liberal) deu larga margem à «defesa do “igualitarismo” e “nivelamento” nos organismos de direcção», à «fácil promoção de elementos débeis», à «diminuição da autoridade dos organismos superiores do Partido», a «concepções “rotativistas” no desempenho de tarefas de maior responsabilidade», ao «liberalismo e falta de vigilância», ao «afrouxamento geral da disciplina».

Na análise feita ao desvio de direita procura-se corrigir a linha política do Partido, adoptada a partir do V Congresso em 1957 e que preconizava uma solução pacífica para o problema político português. Mas nas condições do fascismo, o povo português e as forças democráticas tinham de preparar-se para «duras batalhas», tinham de preparar-se para «se levantarem em massa contra a ditadura fascista e derrubá-la pela força». Filiando-se nas conclusões do XX Congresso do PCUS mas sem ter em conta as condições concretas do nosso país, a solução pacífica não visava sequer «a conquista do poder por meios pacíficos pelas forças democráticas» mas apenas «o “afastamento” de Salazar por uma acção de fascistas descontentes, o afastamento de Salazar em consequência da desagregação do seu próprio regime». Colocava como tarefa do Partido e das forças democráticas «“acelerar” a desagregação do regime», o que retirava o papel dirigente da luta nacional antifascista à classe operária. Em resultado, desenvolveram-se ilusões legalistas e golpistas, ilusões que diminuíam e desvalorizavam a luta de massas. No sentido inverso, Álvaro Cunhal valoriza a luta de massas na perspectiva do derrubamento do fascismo («O LEVANTAMENTO NACIONAL deve ser o objectivo da acção das forças democráticas e em especial do nosso Partido e a perspectiva revolucionária a apontar às massas populares») e a participação das forças armadas como resultado do ascenso dessa luta: «um levantamento popular suficientemente poderoso para derrubar a ditadura fascista tem de contar com a participação duma importante parte das forças armadas. Com esse trabalho não é um golpe militar que se tem em vista, mas assegurar a vitória ao movimento popular, criar condições para um levantamento nacional vitorioso». Como, mais uma vez, a história viria a demonstrar.

Publicou em seguida diversos artigos na imprensa estrangeira, interveio no XXII Congresso do PCUS, deu diversas entrevistas (entre outras à Rádio Portugal Livre, criada em Março de 1962). Ao longo desses textos podemos acompanhar a evolução da situação nacional e internacional e da luta e da unidade antifascista em Portugal. Destaca a tarefa patriótica do povo português que é «reconhecer a independência dos povos das suas colónias e conquistar aos imperialistas a sua própria independência»; destaca as conquistas do povo soviético e o programa do PCUS, «poderosa ajuda» à luta da classe operária portuguesa contra o fascismo, luta que é «parte constitutiva da sua luta pelo socialismo»; destaca o desenvolvimento da luta de massas, de grandes greves, manifestações e conquistas; destaca o desenvolvimento da unidade nacional antifascista e a criação da Frente Patriótica de Libertação Nacional.

Apesar destas evoluções positivas, a situação no movimento comunista internacional evoluiu desfavoravelmente, no fundamental porque o Partido Comunista da China desenvolveu uma actividade cisionista. Em A Situação no Movimento Comunista Internacional, defende-se a coexistência pacífica como «produto do desenvolvimento do processo revolucionário mundial», pois ela trava «os planos agressivos do imperialismo». Defendendo existir uma variedade de caminhos para o socialismo (dependendo sempre da «conjuntura internacional» e do «grau de desenvolvimento do capitalismo», do «tipo de Estado da burguesia», da «correlação de forças das várias classes sociais» e da «maturidade política e da organização da classe operária e da sua vanguarda»), sustenta que é possível a passagem pacífica para o socialismo, no quadro de «um regime democrático e preenchidas determinadas condições» (o que não se aplicava ao caso português). O PCC negava tal possibilidade preconizando a obtenção da «vitória à escala mundial através duma “guerra revolucionária”». Tal concepção levaria a que os partidos comunistas se lançassem «em acções prematuras, precipitadas e aventureiristas», nomeadamente através de uma guerra mundial revolucionária. Álvaro Cunhal afirma que o movimento comunista não abandona a revolução, como diz o PCC, por medo à guerra mundial mas, pelo contrário, é por querer a revolução que não defende a guerra mundial. Considerando que o dogmatismo e o sectarismo, de que a China era «o centro de irradiação», se tinham tornado o inimigo principal», Álvaro Cunhal assinala contudo que havia que continuar a intensificar a luta contra o oportunismo de direita presente na actividade de alguns partidos. Apesar de o PCC desenvolver verdadeiras actividades cisionistas e posições dogmáticas e sectárias, continua a ser «um partido irmão», pois acima de tudo estão «os interesses da grande causa de todos os comunistas do mundo», sendo por isso a unidade a principal tarefa do momento.

Em 1963, Álvaro Cunhal escreve um prefácio para Quando os Lobos Uivam, de Aquilino Ribeiro, pouco tempo depois da sua morte. Defende, com reconhecida justeza, que «para os críticos burgueses que afirmam que as intenções sociais nas obras de arte sacrificam a forma ao conteúdo, Quando os Lobos Uivam é um nítido desmentido» e que, pelo contrário, «a nova riqueza do conteúdo deste romance deu nova riqueza e novo mérito à forma literária». Nesse prefácio, tal como Aquilino no seu romance, o fascismo é novamente acusado de reprimir o povo português, as suas lutas e aspirações.

O último texto deste tomo é o histórico Se Fores Preso, Camarada. Publicado pela primeira vez em 1947, mas sofrendo alterações ao longo dos anos com a experiência acumulada, visa auxiliar os camaradas em situação de prisão e ajudá-los a manter «um moral elevado», a defender-se «dos truques da polícia» e a defrontar «os seus processos», de forma a melhor defender o Partido.

Fica aqui feito o convite à leitura e estudo deste II tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal, com a advertência que o camarada fez no IV Congresso: «Os textos dos nossos clássicos e os nossos materiais não podem ser lidos como um romance para que se possa mais tarde dizer que já se leram. É necessário lê-los e relê-los, é necessário estudá-los e compreendê-los.» E como acrescenta mais tarde, «não se trata de criarmos ideias de que estudar é tudo e afastarmos portanto os quadros do trabalho corrente para os tornarmos “teóricos” petulantes», pois «o marxismo-leninismo é uma ciência ligada à vida e às condições de lugar e de tempo, uma ciência que se enriquece com novas experiências e novos conhecimentos», e «daí a necessidade de que o estudo dos teóricos do marxismo seja acompanhado pelo estudo da realidade portuguesa».

Saibamos, pois, fazer deste livro mais uma arma para a nossa luta.





Texto publicado originalmente na Revista O Militante Nº 297 - Nov/Dez 2008 • PCP     




O Mafarrico Vermelho


ESCÂNDALO

Preso suspeito pela fuga de informações no Vaticano


Bento XVI nomeou há cerca de um mês uma comissão de cardeais para investigar a fuga de documentos do Vaticano
Bento XVI nomeou há cerca de um mês uma comissão de cardeais para investigar a fuga de documentos do Vaticano
A Santa Sé anunciou a detenção de uma pessoa na posse ilegal de documentos secretos, que poderá ser o mordomo principal (maggiordomo) do Papa Bento XVI.
Interrogado por jornalistas, o porta-voz da Santa Sé, o padre Federico Lombardi, revelou que "o inquérito desencadeado pela polícia do Vaticano, segundo as instruções da Comissão dos Cardeais e sob a direção do procurador de justiça do Vaticano, permitiu identificar uma pessoa na posse ilegal de documentos confidenciais".
O Papa nomeou há cerca de um mês uma comissão de três cardeais para investigar a repetida fuga de documentos que vem sucedendo desde janeiro.
"Essa pessoa está agora sob jurisdição da magistratura vaticana", indicou Lombardi, sem precisar nem a identidade nem qualquer informação sobre essa pessoa. Mas segundo fontes informadas, o suspeito foi preso hoje de manhã e, escrevem 'Il Foglio' e a agência Ansa, tratar-se-ia de Paolo Gabriele, o mordomo principal que tem acesso direto ao papa e aos seus aposentos.
Escreve 'Il Foglio' que esta rápida detenção poderá residir mais na necessidade de encontrar um responsável pela fuga de documentos da Santa Sé, e que Gabriele não será o responsável pelo sucedido ou não será, pelo menos, o único envolvido no caso.
Há uma semana saiu para as bancas em Itália um livro intitulado 'Sua Santidade', em que se reproduzem dezenas de faxes e de cartas ultra-secretas destinadas ao Papa ou dos quais Bento XVI tomou conhecimento. Estes documentos foram entregues por "gargantas fundas" do Vaticano ao jornalista.

DN



CASO 'SECRETAS': Os nomes enviados por Silva Carvalho a Relvas

Ex-espião sugeriu para o SIED o nome de João Bicho, já demitido, e Filomena Teixeira, a mesma pessoa que em 2011 participou numa investigação interna. Luís Neves da PJ era o nome indicado para o SIS.
Foram três os nomes indicados por Jorge Silva Carvalho, antigo director do SIED, acusado pelo Ministério Público de corrupção e violação do Segredo de Estado, a Miguel Relvas para a liderança dos serviços de informações. Em cima das eleições legislativas de 2011, Silva Carvalho enviou um sms a Miguel Relvas com as propostas: João Bicho foi o nome indicado para o SIED, e teria como adjunta Filomena Teixeira. Para o SIS, foi indicado o nome de Luís Neves, atual director da Unidade Nacional Contra Terrorismo da PJ.
A informação consta no processo a Silva Carvalho que foi hoje tornado público.
O sms de Silva Carvalho com os nomes foi enviado a 6 de Junho de 2011, um dia depois de o PSD ter ganho as eleições legislativas. Neste mesmo dia, Silva Carvalho enviou um sms a Miguel Relvas dizendo-lhe que Angelo Correia tinha pedido ao banco Millennium BCP para contratar um quadro do SIS, Gil Vicente. Segundo Silva Carvalho, com esta manobra, estaria aberto caminho para Heleno Rêgo, casado com Gil Vicente, para a liderança do SIS.
No sms, Silva Carvalho trata Relvas por "tu".
Entretanto, depois da acusação do Ministério Público contra o antigo director do SIED, João Bicho, que era diretor adjunto do SIED, foi exonerado. Filomena Teixeira, apesar da proximidade com Silva Carvalho, participou, em 2011, como instrutora do processo de averiguações interno nos serviços secretos sobre a obtenção da lista de telefonemas do jornalista Nuno Simas.
Dn.pt-Carlos Rodrigues Lima-Hoje
blog A carta a Garcia

Swing of Change (2011) - uma animação excelente

A POLÉMICA DO AMOR E OUTROS POEMAS ILUSTRADOS DE ANTÓNIO GARROCHINHO


a polémica do amor

tanto que se fala do amor
armam-lhe guerra
falam de pudor
dizem ser ilusão
simbiótico
poluem-nos as mentes
os safados
os crentes
não o querem erótico
não sabem que o amor existe
até ...
nas serpentes

António Garrochinho







José Mário Branco, Amélia Muge e João Afonso - Que Amor não me Engana

Amélia Muge - Nevoeiro

Andrea Bocelli and Dulce Pontes - O Mare E Tu



ANDREAS SMETANA - FOTOGRAFIAS COM NUS


Andreas Smetana fez as fotografias dos nus dispostos em grupos; depois Electric Art fez os retoques digitais e juntou-as como peças de um puzzle. E o resultado final foi...






 Andreas Smetana
O rosto da atleta australiana Cathy Freeman foi recriado pelo fotógrafo Andreas Smetana para um programa da SBS-TV intitulado Who do you think you are. Para o representar, Smetana não se limitou a fotografá-la; escolheu um processo muito mais complexo: fotografou grupos de pessoas nuas dispostas de tal modo que formassem partes do rosto da atleta - boca, nariz, olhos, etc. A tarefa foi difícil e imensa. Mas a de reunir todos estes grupos de imagens, montá-las como peças de um puzzle e retocá-las digitalmente não lhe ficou atrás. Para isso foi escolhida a Electric Art.






Electric Art é um estúdio de criação de efeitos visuais e pós-produção de imagem sediado em Sidney, na Austrália. O trabalho da EA é integralmente dirigido para a vertente comercial (campanhas publicitárias, etc. ) e muito variado mas a sua especialidade são os retoques. Foi por este motivo que Andreas Smetana a escolheu para fazer a montagem e tratamento digital das suas fotografias. Smetana é um fotógrafo austríaco a trabalhar há vários anos na Austrália. É considerado internacionalmente como um dos grandes profissionais da fotografia publicitária, a quem as grandes marcas recorrem frequentemente.
É espantoso como todos estes corpos nus, aglomerados, colocados na posição correcta e com uma iluminação adequada, se transformam no fim no rosto de Cathy Freeman. Afinal, a imagem da atleta foi o início de todo este trabalho.
 Andreas Smetana
 Andreas Smetana
 Andreas Smetana
 Andreas Smetana

SONETO SÓ PARA NÃO FICAR A GANHAR PÓ
Dizia dar – promessas são de mel…-
A lua, o sol… inteira, a claridade
Arrancada ao silêncio dum pincel
Em dias de inspirada ubiquidade…

Todo se dava, em juras de cordel,
Julgando conquistar corpo e vontade,
Mas nada o impediu de, na verdade,
Ir resguardando a sua própria pele…

Assim morre esquecido, esse perjuro
Duma promessa insólita, intangível,
Sem assumir um erro, um erro só,

Onde nunca o encontro, nem procuro,
Elevando uma mão imprevisível
Na qual nada apanhara… a não ser pó.



Maria João Brito de Sousa – 24.05.2012 
blog poetaporkedeusker


Imagem "roubada" da net, via Google - Fonte de Neptuno, palácio de Schonnburg (com trema :), Viena, Áustria

10 razões que me impedem de acreditar em Miguel Relvas


O “Público” veio, finalmente, esclarecer os seus leitores sobre o caos Miguel Relvas. Mais vale tarde do que nunca, mas  é bom lembrar que se não fosse o Conselho de Redacção, talvez  a direcção do jornal optasse por deixar cair o caso no esquecimento.
Devo dizer que o esclarecimento do jornal, em duas páginas, me esclarece pouco  e não mudou a minha opinião. Nenhum dos 10 pontos em que me sustentava  para duvidar de Relvas, sofreu qualquer alteração depois de ler o esclarecimento do “Público”. Por isso, aqui os enuncio:
1- Ter-se recusado a prestar esclarecimentos na AR, ao contrário do que fez aquando do caso das secretas, onde foi o primeiro a pedir para ser ouvido; 
2- A irritação perante a pergunta da jornalista que apenas pretendia esclarecer uma incoerência entre a realidade dos factos e as declarações que fizera na AR sobre a sua relação com Jorge Silva Carvalho: “ Se só conheceu Silva Carvalho em 2010, como justifica ter recebido um clipping dele sobre a visita de George Bush ao México, que ocorreu em 2007?”.  Por que razão essa pergunta foi tão incómoda para o ministro, ao ponto de o levar a telefonar directamente para a editora do jornal?
3- Ter dito, uma semana antes de ir à AR que não se lembrava de ter recebido SMS de Jorge Silva Carvalho e, na audição em Comissão, ter reconhecido que afinal os  recebera, mas os apagava;
4- Ter-se remetido ao  silêncio quando o Conselho de Redacção do Público fez o comunicado a acusá-lo de pressões inaceitáveis sobre uma jornalista, ameaçando-a de divulgação de dados da sua vida privada;
5- Não ter invocado imediatamente o direito de resposta, face às acusações gravíssimas que lhe eram feitas e, a serem falsas, constituem crime;
6- Ninguém telefona para um jornal  a pedir desculpa de algo que não fez;
7- Uma pessoa que reconhece ter-se exaltado com as perguntas formuladas pelo “Público” não pega no telefone a dizer “ continuando a haver comportamentos como este, tenho o direito de apresentar uma queixa na ERC, nos tribunais, e de eu, pessoalmente, deixar de falar com o Publico”. Não está apenas em causa o tom discursivo, absolutamente inverosímil…  Está em causa, essencialmente,  o facto de o ministro ter falado directamente com a editora e a directora  do Público. Relvas tem assessores de imprensa , bem pagos, a quem compete fazer esse trabalho. Ou ganham milhares de euros para fazer recortes de jornais, ler e escrever em blogs?;
8-  O facto de ter  optado por  comunicar directamente com o jornal  tem um significado explícito e constitui, por si só, uma pressão. Principalmente, sendo Relvas  o responsável pela tutela da comunicação social;
9- Os vários antecedentes de supostas interferências  não abonam em defesa de Relvas:  Mário Crespo, Paulo Futre e Pedro Rosa Mendes;
10- A prática reiterada de gente do PSD em  utilizar a vida privada de jornalistas para fazer pressões e ameaças. ( Lembram-se do caso Branquinho/ Fernanda Câncio?).

Poderia ainda invocar o  comportamento de alguns  bloguistas que lhe são afectos. Tão preocupados com a liberdade de expressão no tempo de Sócrates, remetem-se agora a um cobarde, mas esclarecedor silêncio.
Poderia argumentar que, pertencendo Relvas a um governo onde a mentira é moeda corrente no discurso e prática política, o mais natural é que estejamos, uma vez mais, perante uma mentira de um membro do governo.
Poderia perguntar como se explica que depois de tanto ter criticado a ERC no tempo de Sócrates, chegando a considerar a entidade reguladora como uma inutilidade, venha agora depositar toda a sua confiança no seu julgamento. Sente-se confortável, porque já a domesticou, sr ministro?

Não vou, no entanto, por aí. Limito-me aos factos e a dizer que enquanto não apresentar queixa-crime contra o “Público” por difamação  e se recusar a ir à AR esclarecer todas estas questões de modo a que não restem quaisquer dúvidas, continuo a abdicar da presunção de inocência e a considerá-lo culpado.
Desculpe se me enganei mas, não raras vezes, o que parece é…



Troika – A face “legal” do crime organizado


Lendo um “desabafo” do Sérgio Ribeiro e depois de ir procurar o link que vos desse a possibilidade de ler a fonte que está na origem desse desabafo, a saber, o facto deveras alucinado de os senhores da troika “pensarem” que «desemprego é causado pelos altos salários dos trabalhadores», ou que no nosso país, afinal «tudo corre bem», não pude deixar de pensar que os “troikanos” não devem ter lido esta outra notícia muito recente, que nos diz existirem já dois terços de trabalhadores, em Portugal, que auferem salários abaixo dos 900 euros, sendo que 35,5% dos trabalhadores por conta de outrem têm um rendimento salarial mensal líquido inferior a 600 euros.
Claro que também pensei outras coisas sobre esses laboriosos embaixadores das potências ocupantes... mas não ficaria bem escrevê-las aqui.
Achei também que uma boa imagem para ilustrar este post, seria esta reprodução (surripiada no Facebook) de um anúncio de oferta de trabalho, apoiada (ainda por cima!) num programa oficial de apoio ao emprego, o “Medidas Estímulo 2012”, onde uma empresa pretende contratar, por seis meses, um arquitecto com mestrado, carta de condução, viatura própria, dinamismo e pró-atividade(?), fluência em francês e inglês falados e escritos, prática de trabalho com programas informáticos de arquitectura, etc., etc., etc... tudo isso apoiado numa oferta de salário de 500 eurosMai nada!!!
Num mundo ideal, nem as declarações dos bandalhos da troika, nem esta “oferta” de emprego teriam sequer lugar! Num mundo bastante menos ideal... mas ainda assim, interessante, seriam imediatamente seguidas do mavioso som de vários dentes a partir...
A verdade é que não há, nem haverá em parte alguma um mundo ideal! Haverá apenas o mundo que a nossa força, razão, determinação e oportunidade conseguirem conquistar!