AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

poemas de vida e de guerra



Poema de amor

Poema de amor

Enquanto os meus passos procuram
nos teus a ressonância da alegria
e ambos reconhecemos a luz fascinada
do olhar, dá-me a tua mão.
O nosso caminho não é a tristeza,
nem a raiva, nem o medo.
O rio conhece-nos a voz
porque transportamos no coração
pássaros em chamas e vagueamos lado
a lado, sem tempo, sem idade.
Um desvio de malícia denuncia
a suspeita cumplicidade da brisa
que nos brinca no rosto.
Uma densa névoa lambe,
tumultuada, a pele da noite,
Ao amanhecer, quase inesperadamente,
far-se-á verão em nossas bocas.
O teu nome e o meu nome serão frutos
de esperma e saliva presos à língua.
Os teus olhos : inquietos,
deslumbrados, transparentes.

Graça Pires




Carta Erótica da Srª Poesia ao Pénis Astro

"Poesia é uma inteligência, emplogante, emplogada, viva na turbulência entornada, no [meu] nome transfigurado. Consanguíneo. Nos amplos quadris, onde se alojam Impérios, que, se laceram sobre a minha cabeça, inclusa e arremessada dentro da vulcanica névoa, pulsando, à distancia o teu rosto na minha carne implantado, que implora o exprimir das minhas cruas escarpas, no meu enlace maternal,... onde húmidos e escarlates, os lábios se desvaneiam num indefinido desejo oculto em nós. 
O acto corre na paisagem, na personagem em ti explicita e obsessiva, num tumulto fundo, onde o meu poder te enche nas prosas que em mim tanto despes. Lívido. Na minha abertura interior. Onde te concentras, trémulo e seguro das labaredas que em ti ardem e nos afundam num tempo que não é de ninguém, porque a poesia é um nome largo, um astro que nos queima, nos perfura em jorros, as folhagens quentes. Transparentes na brasa. Em brasa. Que em nós geme, explodindo, geme, comprimidas, gemem numa manhâ infinita, renascente, geme e tudo se espalha num impulso longo e caído no tempo e nas coadas das palavras. Gemendo odores nominais. Limbos translúcidos. Seivas compactas. Um espigão negro que devora (nos) areas actuais, abraçado a uma pauta rápida, em areas reais, desdobradas no silêncio delirante, na pele. Da nossa pele, em figuras de estilo. Nos baixos ventres. Da pele. Transportos na gota, na vulva, onde escorrega, um êxtase horizontal, e a vida secreta de um poema... 
O nosso!... (...) 


Luisa Demétrio Raposo

O meu amor

odeio - poema de António Garrochinho


odeio os muros
os labirintos escuros
os dias já antecipadamente desenhados
os discursos 
para os ursos domesticados
odeio a mentira
a da Joana
com os seus conselhos e recados
os choros
os namoros
sempre com os mesmos namorados
odeio a trapaça
a fumaça
as bocas, os olhos de espanto
dos esfomeados
os sem abrigo
que como castigo
estão a cada esquina
em todos os lados
odeio os servis
com aquele ar feliz
de resignados
odeio os que não odeiam
os chefes, os cristos, os iluminados
odeio os carrascos
odeio os crucificados


António Garrochinho



encontro dos desafortunados


ali...
com o coração cheio de tanta amargura
soltaram a ternura
vingaram-se do mundo que lhes "passou a perna"
deixaram que o amor fosse rio
e se enlaçaram
nos mosaicos frios
da taverna

António Garrochinho

sem pudor - António Garrochinho



Fascistas

Fascistas
Por Filipe Diniz


As votações obtidas recentemente por forças de extrema-direita e abertamente fascistas em França e na Grécia – que seguem uma significativa tendência instalada em boa parte da UE – justificam alerta e análise.

Desde logo, há duas coisas que será fundamental ter em conta neste quadro. Uma é que a cada um dos votos que essas forças vêm obtendo não corresponde necessariamente um fascista. A outra é que o facto de alguns fascistas fazerem um tão grande esforço para se parecerem com fascistas serve para ocultar outros que cuidadosamente se fazem passar por outra coisa.

Se os fascistas e a extrema-direita ganham força eleitoral nos dias de hoje, um dos motivos por que tal sucede já Dimitrov o assinalava em 1935: «o fascismo consegue atrair as massas porque faz apelo, de forma demagógica, às suas necessidades e aspirações mais sentidas». Não é verdade que Marine Le Pen fez campanha junto dos agricultores reclamando a reforma da PAC? Não é verdade que os fascistas gregos fizeram a sua campanha, violentamente racista, com o slogan «do povo e para o povo»? Não é verdade que a campanha (ela própria fascizante) que visa fazer equivaler comunismo e fascismo facilita o voto popular em fascistas?

É o capitalismo em crise e as suas medidas de bárbara agressão contra os trabalhadores e os povos quem lhes abre caminho. Lembremos ainda Dimitrov: «não pode subestimar-se a importância de que se revestem [para o avanço do fascismo] as medidas reacionárias da burguesia que se agravam hoje nos países de democracia burguesa e que esmagam as liberdades dos trabalhadores», palavras tão válidas em 2012 como o eram em 1935.

Os mais hábeis fascistas são os que não vestem como tal. Basta ver como estão bem representados(as) entre os habituais «comentadores» que enchem as televisões. E, se tivermos em conta a análise de Umberto Eco (sobre o «fascismo eterno»), veremos como um canal de televisão por cabo preenche o requisito – correspondente à irracionalidade do «culto da tradição» fascista – de associar «o Graal, a alquimia, Santo Agostinho e Stonehenge». Trata-se, claro, do canal «História( no Brasil History channel)», essa eclética mistura de anticomunismo, Salazar e extra-terrestres.


Texto publicado originalmente no Jornal Avante em www.avante.pt




Faro: Crise leva teatro municipal a baixar preços dos bilhetes
A crise e a elevada taxa de desemprego no Algarve levaram os responsáveis pelo Teatro Municipal de Faro a baixar os preços dos bilhetes para os espetáculos, disse à Lusa a administradora, Anabela Afonso.

“Nós este ano tivemos essa atenção e reduzimos um bocadinho o valor dos bilhetes porque no ano passado já começámos a sentir esse reflexo da crise na adesão aos espetáculos”, admitiu.

Nesse sentido, os preços das entradas para os espetáculos programados pelo próprio teatro – que também aluga a sala -, foram reajustados para evitar uma quebra acentuada de espectadores.

Contudo, apesar da crise, a administradora daquela estrutura – que integra os teatros Lethes e das Figuras -, referiu que no primeiro trimestre do ano chegaram a ter algumas salas esgotadas.

“A nossa experiência também nos diz que nos primeiros meses do ano temos mais público, apesar de não termos uma explicação sociológica para isso”, sublinhou, acrescentando que, no verão, a tendência é para diminuir o número de eventos.

Também o fim do programa “Allgarve”, anunciado em janeiro, cinco anos depois da sua criação, veio diminuir a quantidade de espetáculos realizados na região, embora Anabela Afonso acredite que o Teatro de Faro não é o mais penalizado.

Criado como programa de eventos de promoção do destino Algarve, o “Allgarve” deverá ser substituído por um programa financeiramente menos ambicioso, designado "Algarve Com Vida", já proposto pelo Turismo do Algarve às 16 autarquias da região.

Em 2011, o programa teve um orçamento de 2,8 milhões de euros, ainda assim significativamente mais baixo do que em 2010, ano em que foram investidos 4,6 milhões de euros.

“O que pode haver de dificuldades na nossa programação não tem tanto a ver com o fim desse apoio, mas com a conjuntura geral, não considero que o Teatro de Faro seja das estruturas que possam sentir mais o fim do ‘Allgarve’”, concluiu.
Redacção DORS
11:18 quinta-feira, 17 maio 2012




Colo de mãe




Colo de mãe é assim, quentinho, cheiroso, saboroso, aconchegante.
Protege do frio, das incertezas da vida e inspira dias melhores,
Vitoriosos e cheios de dádiva.
Colo de mãe acalma e está presente em todos os dias do ano.
Minutos. Segundos. Instantes.
Colo de mãe é macio, amigo. Jardim em flores no coração de nossas almas.
Beleza. Pureza. Leveza. Certeza de segurança e fidelidade.
Colo de mãe cativa a alma. Abriga.
E convida para um novo dia!
Colo mãe é mensagem de amor no coração mundo.
Esperança no amanhecer do céu que colore o universo com as mãos agis do criador.
Colo de mãe é serenidade, carinho, ternura.
Cheiro de café gostoso. Doce de coco saboroso.
Raio de sol. Pingo de luz.
Colo de mãe é amor que consola.
Vida que ensina. Dia que nasce.
Colo de mãe é pra sempre. Sinal de eternidade.
Guia meus passos.
Orienta meu mundo. Me afasta da solidão.
Defende das tempestades!
Colo de mãe é amor, alimento, ensino, partilha.
Vida que pulsa!
Luz que irradia.




Autor: Antonio Marcos Pires
blog Trinta e poucos anos


Passos quer que Portugal se transforme numa Singapura... embora não exatamente igual.



O Pedro leu um livro sobre Singapura e ficou deslumbrado. Era mesmo aquilo que ele sempre sonhou para Portugal. Claro que não é para serexatamente igual.


AS DIFERENÇAS SERÃO: à esquerda no lugar do 1º Ministro Lee Hsien Loong, teremos o Pedro, a seguir, e para chefiar as polícias, promove-se o Bagina da Silva, ao centro, em vez de S.R Nathan, um presidente um bocado mais alto, e a seguir no lugar do gajo do turbante, mas igualmente de turbante, ficará o Relvas.

Terrorismo made in USA

Terrorismo made in USA
Por Rui Paz


A 7 de Maio o governo de Obama anunciou que os EUA tinham conseguido evitar um atentado à bomba contra um avião de passageiros. No dia seguinte, Hillary Clinton acusava os «terroristas» de utilizarem «métodos perversos e terríveis» e de procurarem «matar pessoas inocentes». Mas poucas horas depois, descobre-se que o «terrível» plano da matança dos inocentes tinha partido da própria CIA e deveria ser executado por um seu colaborador.

Não é a primeira vez que Washington afirma ter feito despoletar actos de terrorismo cujos autores e executantes mantêm ligações aos serviços secretos norte-americanos. Desde que o presidente Jimmy Carter assinou a 3 de Julho de 1979 a directiva do apoio secreto aos mudjaedines no Afeganistão (Brezinski) que o governo norte-americano e os seus aliados sauditas passaram a trabalhar com grupos terroristas, como o de Bin Laden. No futuro, uma das maiores dificuldades dos historiadores na análise dos acontecimentos das últimas quatro décadas será saber qual o contributo de Washington para a criação e disseminação do fenómeno do terrorismo internacional. Como acabámos de ver mais uma vez nas terríveis explosões de 10 de Maio em Damasco, que mataram dezenas de sírios, estes actos de terrorismo coincidem com a estratégia intervencionista do imperialismo na região.


Qual o papel dos membros ou colaboradores infiltrados da CIA e de outros serviços secretos aliados das potências ocidentais nestes massacres terroristas? Até que ponto determinadas organizações já sob o controlo parcial ou total do imperialismo intervêm activamente no acicatar dos conflitos étnicos e religiosos, entre xiitas e sunitas, com o objectivo de estabelecer o caos, dividir para reinar ou enfraquecer regimes e governos que não se rendem aos interesses ocidentais? Não esqueçamos a recente mentira do FBI sobre uma tentativa de atentado dos serviços secretos iranianos contra o embaixador da Arábia Saudita em Washington que conduziu ao envio de notas do Departamento de Estado para as embaixadas do mundo inteiro. Serviços secretos e governo norte-americano trabalham visivelmente em conjunto para ludibriar a opinião pública.


No relatório final da comissão do 11 de Setembro de 2001, a componente terrorista dos Balcãs é referida só algumas vezes num total de 567 páginas, apesar de ter desempenhado um papel muito importante nos atentados de Nova Iorque. Segundo o autor de «como o Djihad chegou à Europa», Jürgen Elsässer, a razao é simples: «os amigos de Bin Laden nos Balcãs estavam na lista de pagamentos da CIA». Face à rapidez com que determinadas forças e grupos terroristas passam de aliados a inimigos dos Estados Unidos e da NATO, e vice-versa, o assassínio de Bin Laden e de outros elementos oficialmente apresentados como adversários presumíveis ou declarados dos EUA, destina-se de facto a «combater o terrorismo» como é afirmado oficialmente pelo governo norte-americano ou a apagar ligações e rastos de colaboração entre o Pentágono, a CIA e determinados grupos bombistas cujos interesses coincidiram ou coincidem com os de Washington?


É absolutamente necessário que uma instituição como a ONU se pronuncie contra os assassínios sem julgamento por um Estado que se diz de «direito». De outro modo corre-se o risco de ver a barbárie institucionalizar-se com a cumplicidade e cobertura de uma organização internacional que segundo a sua Carta deveria preservar as normas do direito internacional e as conquistas civilizacionais.
 
 
Texto publicado originalmente no Jornal Avante- Portugal em www.avante.pt