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terça-feira, 15 de maio de 2012

Danielle Licari - Concerto pour une voix

Golden Earring - Radar Love (The best version)

Mary Hamilton- Joan Baez




Hollande promete unidade nacional e nova via para a Europa

Paris, 15 mai (Prensa Latina) Em seu primeiro discurso como presidente da França, François Hollande prometeu hoje criar uma nova via para a Europa e trabalhar pela reunificação nacional como base para restaurar a confiança da população. Hollande recebeu no Palácio do Eliseu as honras como sétimo presidente da V República e o vigésimo quarto na história republicana do país. Durante sua mensagem, reiterou seu projeto de promover um novo pacto para a União Europeia onde se combinem as medidas para equilibrar as finanças públicas com políticas destinadas a estimular o crescimento da economia. "Europa nos espera e nos observa", disse o presidente e assegurou que a França, como testemunha da Declaração Universal dos Direitos Humanos, está comprometida com o mundo e manterá uma política de respeito com todos os povos. Contribuir à paz e mobilizar todas as forças do país foram outros dos propósitos que estabeleceu para estes cinco anos de mandato. Ao se dirigir à população, Hollande assegurou que o país precisa de reconciliação e ofereceu exercer o poder sem excessos e com singeleza. Em suas palavras citou os habitantes das comunidades, cidades, do campo, dos estados e regiões ultramarinas e afirmou que todos fazem parte da França reunida sob uma mesma comunidade de destino. Prometeu combater com energia o racismo e toda forma de discriminação e declarou que o Estado será imparcial porque pertence a todos. Hollande disse ser consciente da difícil situação do país, com uma dívida massiva, um crescimento fraco, alto desemprego, uma competitividade degradada e em uma Europa com dificuldades, mas sublinhou que não há razões para a fatalidade se todas as forças são mobilizadas. Quanto às linhas gerais de sua administração, disse que a produção será colocada acima da especulação e se empreenderá a transição para uma tecnologia energética ecológica. Também propôs seu compromisso com a independência dos organismos legislativo e judicial. A justiça será o único critério de toda decisão que seja tomada durante seu governo, prometeu o novo presidente, cujo mandato se estenderá até 2017. Fonte: Prensa Latina

acalma o meu coração - poema de António Garrochinho


José Mário Branco - Qual é a tua, ó meu

PRONTO ! A BANCA, O CAPITAL, OS NEO-LIBERAIS, OS XUXIALISTAS, OS FASCISTAS ETC ETC VÃO CONVOCAR NOVAS ELEIÇÕES NA GRÉCIA -


Grécia voltará às urnas em junho após fracasso para formar governo
ATENAS — Os gregos irão novamente às urnas antes do final de junho após o fracasso de seus dirigentes para formar um governo de coalizão depois das eleições legislativas de 6 de maio, que desautorizaram as políticas de austeridade realizadas pelo país há dois anos.
"Desgraçadamente, vamos ter eleições de novo, em alguns dias, sob muitas más condições", disse o líder do socialista Pasok, Evangelos Venizelos, no fim de uma reunião dos principais responsáveis políticos com o presidente da Grécia, Carolos Papulias.
O chefe da pequena formação de esquerda moderada Dimar, Fotis Kuvelis, que rejeitou participar de uma aliança conservadora socialista, também confirmou a volta às urnas.
"Os esforços de formação de um governo foram concluídos sem sucesso", confirmou um comunicado da Presidência, lido diretamente por um jornalista da televisão pública Net.
As eleições legislativas serão realizadas, a princípio, antes do fim de junho.
O euro caía fortemente depois do anúncio do fracasso das negociações, abaixo do patamar dos 1,28 dólares pela primeira vez em quatro meses.
Paralisado politicamente desde as eleições legislativas de 6 de maio, na qual nenhum partido obteve maioria, o país tentou formar um governo que leve em conta a rejeição maijoritária dos gregos à política de austeridade aplicada por exigência dos credores do país e evitar sua saída do euro.
A grande divisão do Parlamento, em que nenhum grupo conta com maioria, impediu a tarefa.
Em uma última tentativa, o presidente, Carolos Papulias, de 82 anos, recebeu nesta terça-feira na residência presidencial os principais líderes políticos: o conservador da Nova Democracia, Antonis Samaras, o socialista Evangelos Venizelos do Pasok, Alexis Tsipras da esquerda radical Syriza, Fotis Kuvelis da esquerda democrática e Panos Kammenos da formação nacional-populista Gregos Independentes.
Papulias propôs formar um governo de "personalidades não políticas" que teriam o apoio de pelo menos 151 deputados dos 300 do Parlamento, diante do "perigo" que o país corre, cuja instabilidade preocupa a zona do euro.
O país é dirigido desde novembro pelo ex-banqueiro Lucas Papademos que disse à imprensa nos últimos dias que não está interessado em prosseguir com sua missão.
Para convencer os dirigentes políticos, o presidente os alertou do "perigo real" que o país corre.
Ele lembrou a advertência do primeiro-ministro, Lucas Papademos, do diretor do Banco de Grécia e do ministro de Finanças sobre o "estado das reservas financeiras do país e sobre o perigo de afundamento do sistema bancário com a retirada de dinheiro gerada pela insegurança que a situação política criou nos cidadãos".
Depois das declarações ameaçadoras destes últimos dias de alguns responsáveis europeus sobre a necessidade de o país de prosseguir com seu programa de austeridade apesar da recessão, a zona do euro reiterou, na segunda-feira à noite, seu apoio à permanência da Grécia na União Monetária.
"A possibilidade de que a Grécia saia da zona do euro não foi objeto de debate, ninguém se manifestou a favor" durante a noite, declarou o presidente do Eurogrupo Jean-Claude Juncker, criticando abertamente a "propaganda" dos que evocam a possibilidade de que Atenas seja expulsa.
Enquanto isso, nos bastidores, se afirma que o plano não vai ser renegociado, Juncker evocou a possibilidade de que seja estendido o prazo de sua aplicação, em uma primeira concessão às reivindicações dos responsáveis gregos de que a cura da austeridade seja suavizada.
Charles Dallara, o presidente do Instituto Internacional de Finanças (IIF), organização com sede em Washington, que reúne os principais bancos do mundo e que negociou recentemente o plano para a condenação de parte da dívida soberana grega, deu um apoio imprevisto à Grécia, segundo os meios de comunicação gregos.
"Estou no grupo dos que pensam que uma saída da Grécia da zona do euro não está decidida", afirmou ao canal britânico Channel 4, retomada pelo jornal Kathimerini.
Por outro lado, a Grécia continua se afundando na recessão, como demonstra a queda do PIB em 6,2% no primeiro trimestre de 2012, depois de quatros anos consecutivos de recessão.
Nesta terça-feira, o país também teve que pagar mais caro para financiar a curto prazo, com taxas de 4,34% para captar 1,3 bilhões de euros em bônus do tesouro a três meses, em vez dos 4,20% do dia 17 de abril.

UMA ALDRABICE MUITO CARA: 8.000.000.000€


Cadilhe: Teixeira dos Santos e Constâncio “enganaram” portugueses ao justificar nacionalização com risco sistémico

O ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos e o ex-Governador do Banco de Portugal Vítor Constâncio “enganaram” os portugueses quando justificaram a nacionalização do BPN com o risco sistémico, considerou hoje o ex-presidente do banco, Miguel Cadilhe.
“O ministro das Finanças e o Governador enganaram o país a 2 de Novembro de 2008 quando, em conferência de imprensa, argumentaram com o risco sistémico”, disse hoje no parlamento o presidente da BPN/SLN ao tempo da nacionalização. 

Para Miguel Cadilhe, estes dois responsáveis não podiam ter invocado o argumento de que o BPN poderia provocar o colapso do sistema financeiro português quando o banco tinha uma quota de mercado de apenas 2%. 

“O risco sistémico é uma das partes mais infelizes do argumentário da nacionalização [do BPN]”, sublinhou. 
Público

Esquerda livre? O quéqué isso?


O meu amigo Rodrigo (Folha Seca) é um homem desejoso de ver o que tarda em aparecer. Mal se acende uma luzinha, nem que seja, um "vaga-lume", pensa: é agora. Suponho que foi isso que mais uma vez lhe aconteceu ao ler um manifesto - Manifesto para uma esquerda livre - que de pronto subscreveu e me foi propor lá na minha página do facebook. Respondi logo ali, mesmo sem ler o tal manifesto, mas deixando-lhe a promessa de o ir fazer:
"Só o titulo me arrepia. Esquerda Livre? Livre da direita? Não me parece, pois é redundante com a própria identidade de esquerda. Livre de qualquer ideologia? Mas se é livre de qualquer ideologia, como combate a ideologia de direita? Denunciando-lhe a desumanidade? Mas isso é mera contestação sem avançar com os seus próprios valores... Livre de outra esquerda? Mas isso soa-me a divisão, que fazemos de uma esquerda livre que mete outra num gueto? Com todas estas interrogações, vou ler. Comentarei se for caso disso..."
Depois de ter lido, confirmo as apreensões. E nem comento. Limito-me a reproduzir o que outros já disseram e que subscrevo:
"(...) Fora de brincadeiras. Que vazio confrangedor. Tanta frase vã que, há anos, vejo escritas em diferentes colunas de opinião, emaranhadas numa coisa a que alguém resolveu chamar manifesto. Para todos os que, como eu, se irritam com o adiar da unidade de acção que PCP e BE têm de construir, estes manifestos fazem-nos perceber que tudo podia ser muito pior sem uns e outros. Não fosse a palavra “Esquerda” e “Direita”, todos os Camilos Lourenços deste planeta não teriam qualquer pudor em subscrever este manifesto."

blog Conversa avinagrada 

IR DE TÁXI TERIA SIDO MAIS BARATO...

A operação militar "Manatim" 
 Operação militar na Guiné-Bissau custou quase seis milhões
O relatório apresentado aos deputados pelo ministro da Defesa, que está a ser ouvido à porta fechada na comissão parlamentar, aponta a Marinha como o ramo com mais gastos nesta operação (4,3 milhões de euros), seguida da Força Aérea (957 mil euros).
blog D"SUL

Eros Ramazzotti - otra como tu.

Vasco Cardoso *

Quanto mais calado, mais roubado




Está em curso em toda a região do Algarve um processo de agravamento de taxas e tarifas diversas 
impostas pela maioria das autarquias do PS e do PSD às populações. 
Nos últimos meses sucedem-se os anúncios de aumentos brutais nos 
preços não só no conjunto de serviços prestados pelas câmaras municipais, 
mas também, na simples utilização do espaço público.


Aumentos no preço das tarifas das tarifas da água – em alguns casos para o dobro - 
como os que foram impostos pelas Câmaras Municipais de Albufeira ou de Lagos; 
alargamento das zonas de estacionamento pago, deixando milhares de automobilistas 
sem alternativas, como está a acontecer em Faro e Portimão; novas tabelas de preços 
pela utilização do espaço público em função da colocação de esplanadas, toldos, 
ou exibidores de produtos do pequeno comércio, designadamente em Vila Real de Santo António 
e Albufeira; criação de novas tarifas – seja associadas à factura da água, seja indexadas 
ao imposto sobre imóveis – como está a acontecer em Portimão ou VRSA, 
a pretexto das necessidades das corporações de bombeiros. No fundo, um verdadeiro 
assalto ao bolso das populações que se acrescenta ao roubo que está em curso 
por acção do Governo na concretização do Pacto de Agressão que PS, PSD e CDS 
subscreveram com a União Europeia e o FMI.


Na origem deste assalto estão os significativos cortes orçamentais ao poder local que têm vindo 
a ser concretizados nos últimos anos - e que foram brutalmente agravados no quadro das 
medidas da troika - e a acentuada quebra de uma das principais receitas das autarquias – 
fruto de um errado modelo de financiamento – em resultado do estoiro da actividade 
imobiliária e especulativa que durante décadas desgraçou o Algarve e o país. 
Quebras de receitas às quais se somam os incomportáveis juros à banca, fruto de um 
significativo endividamento de muitas autarquias seja porque para aí foram empurradas, 
seja porque se meteram em aventuras e negócios que acabariam por ser ruinosos.


O certo é que sem as receitas do governo central e dos licenciamentos de novas construções, 
e com o garrote imposto pela banca por via dos juros – de facto o capital financeiro 
é neste momento o grande sorvedouro de recursos nacional – as câmaras de maioria 
PS, PSD e PSD/CDS estão a assumir-se como parceiros do governo no esbulho que 
está a ser feito às populações.


E só poderá ficar surpreendido com este comportamento por parte de figuras como 
Macário Correia/PSD em Faro, Luís Gomes/PSD em VRSA ou Manuel da Luz/PS 
em Portimão, quem andar distraído sobre aquilo que tem sido a marca da governação 
destes partidos seja no governo central, seja no poder local. Mais, procurando ir passando 
pelos intervalos da chuva sempre que as posições nacionais dos seus partidos 
entram em confronto – e elas são tantas - com os interesses das populações locais, 
ada um destes autarcas, sempre que têm que escolher entre os interesses dos grupos 
económicos, dos banqueiros, dos especuladores, e os direitos das populações, 
optam pelos primeiros. E a verdade é esta!


É preciso interromper este caminho de exploração e empobrecimento que está a transformar 
a vida dos algarvios num inferno. Como defende o PCP e a CDU, é preciso ir buscar 
os recursos aonde eles efectivamente estão – não se pode aumentar a factura da água 
à população para tapar o buraco cavado pelas dívidas de milhões água dos hotéis de luxo 
como foi denunciado na Assembleia Municipal de Albufeira – fazendo uma justa distribuição 
da riqueza e tributação fiscal. É preciso afrontar todas e cada uma das medidas do governo, 
envolver e mobilizar as populações na exigência de uma vida melhor. O povo pode aguentar muito 
e durante muito tempo, mas não aguenta tudo e muito menos, o tempo todo. 

Vasco Cardoso
Dirigente do PCP

Audição no Parlamento

Relvas admite ter recebido propostas de nomes para as secretas



Relvas admitiu que Silva Carvalho lhe enviou SMS com nomes de funcionários que deveriam ser promovidosRelvas admitiu que Silva Carvalho lhe enviou SMS com nomes de funcionários que deveriam ser promovidos (Enric Vives-Rubio)
 Na 1.ª comissão parlamentar, Miguel Relvas disse não ter “pedido nenhum estudo de reestruturação” das secretas a Silva Carvalho. Mas admitiu ter recebido SMS e emails do ex-director do SIED.

Ouvido na Comissão de Assuntos Constitucionais, nesta terça-feira de manhã, na Assembleia da República, o ministro dos Assuntos Parlamentares afirmou não ter “pedido nenhum estudo de reestruturação” dos serviços de informação feito por Jorge Silva Carvalho, ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED).

Porém, o governante assumiu ter recebido um “clipping de informação”, recolhido “em fonte aberta” (“era mal feito e tinha muita informação”, referiu), e admitiu que Silva Carvalho lhe enviou SMS com nomes de funcionários que deveriam ser promovidos a dirigentes. Não esclareceu, porém, se comunicou ou não ao primeiro-ministro – que tutela os serviços – a informação que recebeu de Silva Carvalho com nomes concretos para um novo organigrama das secretas.

Miguel Relvas não respondeu à questão, lançada pelos deputados do BE Cecilia Honório e do PCP António, Filipe, sobre se nunca se questionou em que estatuto Silva Carvalho lhe enviava clippings diários de imprensa e SMS e se sabia que as informações recolhidas ilegalmente no SIED eram depois remetidas, também ilicitamente, para Silva Carvalho, então já na Ongoing. Esta situação acabou com a exoneração na passada semana do director geral adjunto do SIED, João Bicho, que enviou a Silva Carvalho, pelo menos até Outubro do ano passado, resenhas de imprensa diárias, com notícias nacionais e internacionais.

Para Relvas, porém, “há uma diferença entre receber SMS e emails e trocar SMS e emails”. E “a realidade demonstra que essas alegadas influências não tiveram sequência”, disse, numa referência às “influências” que Silva Carvalho moveu junto de “dirigentes partidários” (entre os quais Relvas ), citadas no despacho de acusação do Ministério Público.

António Filipe notou, contudo, que Relvas “disse à comunicação social que não se lembra de ter recebido emails e SMS sobre a matéria e que daí não resultou nenhuma interacção”. “Convenhamos que há aqui uma contradição: se não recebeu não podia haver interacção”, afirmou o comunista.

Relvas não esclareceu porque disse, em Janeiro, que a notícia do PÚBLICO (sobre o envio do projecto de Silva Carvalho para o Governo) era “totalmente falsa”, admitindo na passada semana, quando o PÚBLICO escreveu o mesmo, que não se lembrava de ter recebido o plano de reforma das secretas feito por Jorge Silva Carvalho.

Também a pergunta de Cecília Honório sobre se Passos Coelho, que tutela os serviços, delegou em Relvas ou no seu gabinete qualquer responsabilidade sobre as secretas, ficou sem resposta.

Relvas disse ter conhecido Jorge Silva Carvalho quando foi eleito secretário-geral do PSD e enquanto exerceu funções partidárias esteve com ele “uma vez”. Mas mais tarde disse que quando Silva Carvalho estava ainda no SIED (até 2010) esteve “com ele várias vezes”. Depois de o responsável ter saído dos serviços de informação, Relvas encontrou-se com Silva Carvalho “apenas uma vez”. Não especificou se foi desta vez que se encontraram, já depois de Relvas chegar ao Governo, numa “festa de aniversário no Algarve, onde estavam centenas de pessoas”.

Publico

LÁ VAI O PORTUGUÊS - José Cardoso Pires - PORTUGAL - Alexandre O'Neill


Lá vai o português, diz o mundo, quando diz, apontando umas criaturas carregadas de
História que formigam à margem da Europa.
Lá vai o português, lá anda. Dobrado ao peso da História, carregando-a de facto, e que
remédio – índias, naufrágios, cruzes de padrão (as mais pesadas). Labuta a côdea do sol-a-sol e
já nem sabe se sonha ou se recorda. Mal nasce deixa de ser criança: fica logo com oito séculos.
No grande atlas dos humanos talvez figure como um ser mirrado de corpo, mirrado e
ressequido, mas que outra forma podia ele ter depois de tantas gerações a lavrar sal e cascalho?
Repare-se que foi remetido pelos mares a uma estreita faixa de litoral (Lusitânia, assim
chamada) e que se cravou nela com unhas e dentes, com amor, com desespero ou lá o que é.
Quer isto dizer que está preso à Europa pela ponta, pelo que sobra dela, para não se deixar
devolver aos oceanos que descobriu com muita honra. E nisso não é como o coral que faz
pé-firme num ondular de cores vivas, mercados e joalharia; é antes como o mexilhão cativo,
pobre e obscuro, já sem água, todo crespo, que vive a contra-corrente no anonimato do
rochedo. (De modo que quando a tormenta varre a Europa é ele que a suporta e se faz pedra,
mais obscuro ainda).
Tem pele de árabe, dizem. Olhos de cartógrafo, travo de especiarias. Em matéria de argúcias
será judeu, porém não tenaz: paciente apenas. Nos engenhos da fome, oriental. Há mesmo
quem lhe descubra qualquer coisa de grego, que é outra criatura de muitíssima História.
Chega-se a perguntar: está vivo? É claro que está: vivo e humilhado de tanto se devorar
por dentro. Observado de perto pode até notar-se que escoa um brilho de humor por sob a
casca, um riso cruel, de si para si, que lhe serve de distância para resistir e que herdou dos
mais heróicos, com Fernão Mendes à cabeça, seu avô de tempestades. Isto porque, lá de
quando em quando, abre muito em segredo a casca empedernida e, então sim, vê-se-lhe uma
cicatriz mordaz que é o tal humor. Depois fecha-se outra vez no escuro, no olvidado.
Lá anda, é deixá-lo. Coberto de luto, suporta o sol africano que coze o pão na planície;
mais a norte veste-se de palha e vai atrás da cabra pelas fragas nordestinas. Empurra bois para
o mar, lavra sargaços; pesca dos restos, cultiva na rocha. Em Lisboa, é trepador de colinas e de
calçadas; mouro à esquina, acocorado diante do prato. Em Paris e nos Quintos dos Infernos
topa-a-tudo e minador. Mas esteja onde estiver, na hora mais íntima lembrará sempre um cismador
deserto, voltado para o mar.
É um pouco assim o nosso irmão português. Somos assim, bem o sabemos.
Assim, como?

José Cardoso Pires, E agora José. Moraes Editores, 1977


Portugal
Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!


Alexandre O´Neill, Poesias completas 1951/1981,



É PRECISO RECORDAR. PORQUE ESTÁ O PAÍS EM CRISE?


SE ALGUÉM TEM CULPA DA SITUAÇÃO A QUE O PAÍS CHEGOU, OS RESPONSÁVEIS NÃO SÃO OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS, OS TRABALHADORES FABRIS, OS PESCADORES, OS AGRICULTORES E DEMAIS TRABALHADORES.

OS CULPADOS SÃO OUTROS, AQUELES QUE VIVEM À CONTA DO ORÇAMENTO E QUE COM DESPUDOR AFIRMAM QUE SEM ELES O PAÍS NÃO SE GOVERNA.

NÃO SE GOVERNA?

COM GOVERNANTES DESTES PORTUGAL NÃO PRECISA DE INIMIGOS.


Mais austeridade, olhem estes exemplos !!!

1º Exemplo

- Presidente dos EUA recebe por ano $400.000,00 (291.290,417 Euros);


- O Presidente da TAP recebeu, em 2009, 624.422,21 Euros;


- O Vice-Presidente dos EUA recebe por ano $ 208.000,00 (151.471,017 Euros);


- Um Vogal do Conselho de Administração da TAP recebeu 483.568,00 Euros;


- O Presidente da TAP ganha por mês 55,7 anos de salário médio de cada português.



2º Exemplo


- A Chanceler Ângela Merkel recebe cerca de 220.000,00 Euros por ano;


- O Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 560.012,80 Euros;


- O Vice-Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 558.891,00 Euros;


- O Presidente da Caixa Geral de Depósitos ganha por mês 50 anos de salário médio de cada português.



3º Exemplo


- O Primeiro-Ministro José Sócrates recebeu cerca de 100.000,00 Euros por ano;


- O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS recebeu 249.896,78 Euros;


- O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS ganha por mês 22,3 anos de salário médio de cada português.



4º Exemplo


- O Presidente da República recebe cerca de 140.000,00 Euros por ano;


- O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal recebeu 205.814,00 Euros;


- O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal ganha por mês 18,4 anos de salário médio de cada português;


5º Exemplo


- O Presidente Sarkozy recebeu cerca de 250.000,00 Euros por ano;


- O Presidente de Administração dos CTT - Correios de Portugal, S.A. recebeu 336.662,59 Euros;


- O Presidente de Administração dos CTT ? Correios de Portugal, S.A. ganha por mês 30 anos de salário médio de cada português.



6º Exemplo


- O Primeiro-Ministro David Cameron recebe cerca de 250.000,00 Euros por ano;


- O Presidente do Conselho de Administração da RTP recebeu 254.314,00 Euros;



7º Exemplo


- O Presidente da Assembleia da República recebe cerca de 120.000,00 Euros por ano;


- O Presidente de Administração da ANA Aeroportos de Portugal SA. recebeu 189.273,92 Euros;


- O Vice-Presidente de Administração da ANA Aeroportos de Portugal SA. recebeu 213.967,23 Euros;



O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos ou dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons.



(Martin Luther King)


............. e nós, vamos continuar calados a assistir a todas estas imoralidades e outras semelhantes que conduziram o País ao "lixo" ???


É mais que tempo de todos acordarmos !!!

COMO A ECONOMIA GLOBAL PRODUZ BENS BARATOS

A LEI DA CRIMINALIZAÇÃO DOS ACTOS PÚBLICOS: 34/87


A lei da criminalização dos actos públicos existe há 15 anos.
É a 34/87.

Se esta Lei fosse aplicada, Cavaco, Dias Loureiro, Sócrates, Alberto João, Vitor Constâncio, Isaltino Morais, Oliveira e Costa, e tantos outros, estariam agora na prisão.

A Lei existe e é bem explícita... mas os Tribunais não a querem aplicar.
Porquê?

Vejamos primeiro o que se passa com a criminalização jurídica dos actos políticos maléficos para a sociedade noutros países:

Aqui ao lado em Espanha estão 437 políticos presos por actos desta ordem.
Em França em que a lei é mais apertada estão 236 e alguns ministros
Na Alemanha 29
Na Inglaterra, 18
Na Holanda, 12
Na Dinamarca, 31
E até nos EUA estão 657 presos segundo a informação disponível na net.

Em Portugal - o país em que os políticos e os seus amigos banqueiros levaram à bancarrota - estão ZERO criminosos presos!

Quem usa e abusa dos dinheiros públicos, politicamente ou em proveito próprio deve prestar contas. E os tribunais devem actuar.
E actuam em todos os países civilizados menos em... Portugal.
Isto não é populismo: é simplesmemte exigir que se faça Justiça! e que se puna quem arruinou uma nação inteira.


Pois bem: a Lei existe e tem 15 anos!

Porque espera a Justiça?!

"Lei n.º 34/87, de 16 de Julho
CRIMES DA RESPONSABILIDADE DE TITULARES DE CARGOS POLÍTICOS, Artigo 14.º, Violação de normas de execução orçamental:

"O titular de cargo político a quem, por dever do seu cargo, incumba dar cumprimento a normas de execução orçamental e conscientemente as viole:
a) Contraindo encargos não permitidos por lei;
b) Autorizando pagamentos sem o visto do Tribunal de Contas legalmente exigido;
c) Autorizando ou promovendo operações de tesouraria ou alterações orçamentais proibidas por lei;
d) Utilizando dotações ou fundos secretos, com violação das regras da universalidade e especificação legalmente previstas;

será punido com prisão até um ano."


E nos casos mais graves, que põem em perigo a Independência Nacional a Lei vai mais longe:


"CAPÍTULO II - Dos crimes de responsabilidade de titular de cargo político em especial, Artigo 7.º - Traição à Pátria:
"O titular de cargo político que, com flagrante desvio ou abuso das suas funções OU COM GRAVE VIOLAÇÃO DOS INERENTES DEVERES, ainda que por meio não violento nem de ameaça de violência, tentar separar da Mãe-Pátria, ou entregar a país estrangeiro, ou submeter a soberania estrangeira, o todo ou uma parte do território português, ofender OU PUSER EM PERIGO A INDEPENDÊNCIA DO PAÍS será punido com prisão de dez a quinze anos."
Cavaco Silva aumentou a dívida pública em 384%.

José Sócrates aumentou a dívida externa em 81% durante a sua governação.


PORQUE É QUE OS TRIBUNAIS NÃO ACTUAM?



A ESQUERDA ATÓNITA QUER SER LIVRE.



"Portugal afunda-se, a Europa divide-se e a Esquerda assiste, atónita", assim começa o Manifesto duma esquerda que não se sente livre, que assiste atónita e atarantada a uma realidade que nem sequer se esforça por compreender.


Num arroubo de introspeção lá vão dizendo que "a esquerda está dividida entre a moleza e a inconsequência"sem coragem nem alternativas, enquanto ignoram com sobranceria a esquerda que não se limita a assistir, que vai à luta, que não desiste.


E para os que estão, como eles, por aí à espera, o melhor que têm a propor, como solução para a Crise, é um ameno retorno às virtudes republicanas de 1910 e aos egrégios ideais da grande revolução burguesa de 1789: Liberdade, Igualdade, e Fraternidade.


Apetece lembrar: Não é a Crise, pá, é o Capitalismo

Uau! Está cheio de fome? É um sortudo

Não tem com que alimentar os filhos, é velhota e vai comer apenas uma sopa de coentros, há três dias que não janta, não sabe com que comprar uma couve? Não se sinta desiludido, não veja as coisas pelo lado negativo, agradeça a Passos Coelho e ao Gaspar, quem sabe se não lhe estarão salvando a vida. Antes de protestar ou de ir a correr para os descontos do Pingo Doce gastar os seus últimos cem euros pense duas vezes, se calhar a fome que sente é uma bênção que caiu dos céus.
  
Passar fome pode ser a oportunidade da sua vida, quem sabe se não estará mesmo a salvá-lo sem o saber. Cancro no intestino, diabetes, tensão alta, problemas cardíacos, acidentes vasculares celebrais, a lista de doenças provocadas pelo excesso de comida nunca mais acaba. Passar fome é mais saudável do que comer em demasia, não tenha ciúmes dos ricos que estão cada vez mais ricos e já nem sabem o que comer, agradeça ao governo por o ter eleito para este trilho da saúde. A sua sopa de coentros é mais saudável do que o manjar do Gambrinos
  
Se o governo o pôs a passar fome não julgue que foi para enriquecer outros, não senhor, ao contrário do que dizem alguns infiéis mais empedernidos tudo o que o governo faz é a pensar em si, a pensar na sua saúde, no seu bem-estar. Até mesmo a pensar na sua criatividade, como se lembraria de ir apanhar as baldroegas que nascem na sua rua e fazer uma sopa na moda se não fosse o governo? Já viu, come a sopa mais procurada na gastronomia de fusão sem ter que ir ao mercado ou ser atropelado num qualquer Pingo Doce?  Se está com fome o risco de doença cardíaca é menor, o colesterol baixa, deixa o cancro dos intestinos para quem ainda tem dinheiro para bifes, até os seus filhos só terão a ganhar com a fome, com o estômago a dar horas estarão mais acordados, não correm o risco de sofrer de obesidade infantil.
  
Veja a fome como uma oportunidade de mudar de vida, de ganhar melhores hábitos alimentares, de prevenir as doenças que mais matam, de levar uma vida saudável. E se à fome juntar o desemprego nem imagina a sorte que tem, vá a qualquer cemitério e vai ver quantos obesos com peso certo lá estão a chegar. rechonchudo e com um bom emprego nunca lhe passaria pela cabeça lançar a sua própria empresa, quem lhe garante que daqui a uns anos não será um importante hoteleiro de um Algarve transformado em Florida da Europa, enchendo-se de massa a cuidar de velhos boches fartos do frio, de salsichas e de cerveja.
  
Quem lhe garante que ao virar da esquina não é convidado pelos chineses  para administrador da EDP ou, quem sabe, ser colega do António Borges no Pingo Doce, a verdade é que as oportunidades estão a chover no país, basta procurá-las ou estar no lugar certo à hora certa. Deixe-se de filas nos centros de emprego ou nas mercearias do holandês, vá antes para as filas dos lugares de administradores não executivos, diga maravilhas do Gaspar e ponha os palitos à mulher que ainda se arrisca a ir para administrador da PT, conte uns segredos ao Relvas que o Vasconcellos (não se esqueça que tem dois "ll") ainda lhe paga quarenta mil dele na Ongoing.
  
Deixe-se lamúrias e de subsídios de desemprego, aproveite a sorte que tem de viver neste país, beneficie do mundo de oportunidades para exportar que o pessoal da troika criou e lance-se por esse mundo fora, exporte pastéis de nata, sandes de courato, entremeada à Negrais, sopa da pedra, figos torrados, torresmos prensados, carapaus alimados, tem um mundo de oportunidades de se encher de massa na exportação graças às reformas estruturais. Imagine-se se o Silva a ir a Moscovo, Nova Iorque ou Pequim e entrar no Silva's para pedir uma sandes de courato mais um copo de água pé, ou ser um Álvaro e optar por ir ao Álvaro's e pedir uma dúzia de pastéis de nata. Nada disto teria sido possível com o conforto da barriga cheia e do emprego certo. 
  
Deixe-se de lamúrias por estar desempregado ou de protestar por sentir fome, não sabe a sorte que tem, é um dos sortudos eleitos pelo governo para mudar de vida, se a Bíblia sofresse um upgrade à Passos Coelho diria que é mais fácil um rico entrar num serviço de urgência com um ataque cardíaco do que passar pelo buraco de uma agulha. Aproveite, Deus prometeu-lhe o Reino dos Céus por ser pobre, agora é Passos Coelho que lhe promete o Reino da Terra. 
  
Se está sem emprego e cheio de fome nem sabe a sorte que tem!

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