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sexta-feira, 11 de maio de 2012






CHAMARAM-TE POETA
Podiam ter-te chamado outro nome,
Mas Poeta, isso é que não!
Escrevinhas com letras gordas
Algumas vezes com erros
...
 Gramaticais, ortográficos
Mas, chamaram-te POETA.
Tens que carregar o nome,
Contar o que foi a vida
Intensamente vivida.
Os sentimentos lavrados
Nas rugas da tua face.
Será que isso interessa a alguém?
Mas chamaram-te POETA.
Contas histórias em versos
Tristes, modestos, risonhos,
Que tantas vezes colidem
E se guerreiam nos sonhos.
Serás versejador, talvez?
Sem rima nem quadratura,
Mas chamaram-te POETA.
Não creias, não te envaideças.
Sei que já não terás tempo,
Mas lê Cesário, Pessoa,
Lê o Alberto Caeiro
Lê tudo se faz favor
Se quiseres ler sobre o amor
Lê Florbela, por favor.
Se o conseguires fazer
Decerto vais entender
Que ser POETA é talvez
Um dom que nasce, ao nascer.
Mas mesmo assim contínua
Nunca faz mal escrever

Escrever a realidade
Não distorcer a verdade
Mesmo não sendo POETA.
Há sempre algo que fica,
Mesmo sem palavra rica,
Mesmo sem versos quadrados
Escreve sem floreados,
As letras que o Povo gosta,
Nunca lê no subtexto!

VERSEJADOR E POETA
PARA MIM,
ANTÓNIO ALEIXO !

Manuel Coelho

blog O toque de MIdas

Novidades semanais


Com as eleições de 6 de maio ficou evidente a linha de rutura entre a elite do poder e os cidadãos. Talvez porque parte substancial dos primeiros vive num mundo que não é de parte substancial dos segundos. Fala-se de "viragem à esquerda" e "novo rumo para a Europa". Para manter de pé o sonho europeu há que abandonar o fundamentalismo do rigor cultivado (carinhosamente) pelas elites e encetar novas perspetivas de solidariedade e de integração verdadeiramente protetores dos cidadãos. A Europa é hoje um feudo encrustado de interesses de elites, alheada dos interesses dos cidadãos. O que este superdomingo revelou foi uma consciência inesperada de que a rutura pode ser o caminho para uma nova união (possível). O que não é, ainda,  um plebiscito negativo, é, sem dúvida, um alerta convicto. Circula, na Europa, uma petição a que chamam “da ingenuidade” cujo mote é - “Não perguntem o que é que a Europa pode fazer por vós, mas sim o que é que vocês podem fazer pela Europa”. Está assinada por um grupo de intelectuais europeus. Parte destes indaga-se “Quanto tempo mais?” tem a ditadura de Angela Merkel, que vai ficando com a sua tropa enfraquecida na Europa e se prepara para mais um revés eleitoral nas eleições da Renânia do Norte-Vestefália, a 13 de maio. À esquerda ou à direita, o que importa aos cidadãos é, primeiro, a sobrevivência à Troika, e, depois, o retorno possível (nada será como dantes!) à qualidade de vida que entendem como “mínima”.
Em Dezembro, Pedro Nuno Santos (então "vice" da bancada parlamentar do PS) disse "estou-me a marimbar para os credores", o que suscitou a indignação de algumas pseudo-virgens conformadas com a ditadura da abstenção violenta socialista. Dizer, na altura, que Portugal devia exigir outras condições no pagamento “arrepiou” a (in)disciplinada (por dentro, felizmente, vai havendo alguns indisciplinados – há esperança para o PS?) bancada parlamentar. Hoje, depois de domingo, soou o alarme com Soares a defender que o PS deve desvincular-se do acordo com a troika e o País "rasgá-lo". E António José Seguro lá vai falando conforme os outros vão falando, em jeito de boleia. Talvez sim, talvez não, ou nem por isso, diz.
Esta falta de oposição e esta incapacidade de lutar pelos direitos dos cidadãos (trauma da Europa que provocou o resultado eleitoral da França) é notória (tristemente), com as consequências da proposta de lei 46/XII, aprovada a 02 de fevereiro em Conselho de Ministros, entrada no Parlamento a 09 de fevereiro – o novo Código de Trabalho - e acabadinha de aprovar com os votos do PSD e CDS. O PS absteve-se. Ribeiro e Castro, do CDS, e 9 deputados do PS votaram contra. Depois de ter ouvido Jorge Miranda dizer que os deputados estão “domesticados”, afirmação que corroboro na sua infeliz generalidade, e que obedecem aos “diretórios políticos”, sem pestanejar, sob pena de a cadeira lhes deixar de servir de assento, renasceu a esperança quando vi Paulo Campos, Sérgio Sousa Pinto, Isabel Moreira, Isabel Santos, Renato Sampaio, André Figueiredo, Carlos Enes, Pedro Delgado Alves (o jota socialista que recomendou ao Presidente da República que retire a estátua da República depois da maioria aprovar no código do trabalho o fim do cinco de Outubro, o dia em que se comemora a implantação da República) e Rui Santos votarem contra. Políticos castrados, não!
O novo Código do Trabalho contém alterações à atual legislação laboral, e, desta nova golpada nos direitos sociais não destaco nem a questão dos feriados, nem a duração das férias, nem as “pontes”, mas a alteração na relação com a inspeção do trabalho (as empresas deixam de estar obrigadas a enviar à Autoridade para as Condições do Trabalho o mapa de horário ou o acordo de isenção de horário), o conjunto de novas regras que servem de base para o despedimento (a dispensa por inadaptação passa a ter critérios subjetivos e fica dependente da avaliação de produtividade e qualidade do trabalhador), o “preço” do trabalho suplementar (reduzido para metade: na primeira hora extra, um acréscimo de 25 por cento (contra os atuais 50 por cento) e de 37,5 por cento nas horas seguintes (contra os atuais 70 por cento) e, no trabalho suplementar ao fim de semana ou feriado, 50 por cento, contra os atuais 100 por cento); a compensação do trabalho extraordinário (que deixa de dar direito a descanso compensatório, que atualmente representa 25 por cento de cada hora de trabalho suplementar (15 minutos)); a criação de um banco de horas (após negociação, por proposta escrita, ou, se o trabalhador não responder a essa proposta, ao fim de 14 dias, tacitamente aceite) e, por fim, a alteração de critérios de extinção do posto de trabalho (com o funcionário mais novo a desocupar a linha da frente do despedimento e a permissão da aplicação de critérios arbitrários pela empresa que decide quem dispensa e deixa de ter a obrigação de procurar um posto de trabalho compatível com o trabalhador antes de o despedir).Isto, a par, do que espera os trabalhadores da Função Pública com a mobilidade geográfica forçada alargada, a mobilidade interna temporária com unidades orgânicas desconcentradas e o despedimento por acordo,faz prever “sangue”. Isto é que vai ser perseguição legitima e legitimada!
A modos que chegou a hora de dizer às elites que nos governam: "Vocês são indivíduos tristes e isolados, vocês estão falidos, o vosso papel acabou. Vão para onde vocês pertencem a partir de agora - para a lixeira da história!" (Leon Trotsky). Que a hora é dos cidadãos!

Jerónimo de Sousa. Ideia de Passos de que desemprego pode ser uma oportunidade é uma "ofensa"


Declarações de Passos Coelho sobre desemprego são "indignantes", diz Francisco Louçã

  • Jerónimo de Sousa


Venizelos falha acordo para formar governo na Grécia

O líder do partido socialista grego, o PASOK, também não conseguiu formar um governo de coligação na Grécia. O Syrisa negou o convite. Depois de negociações com os líderes dos principais partidos políticos gregos, Evangelos Venizelos, o líder do PASOK e antigo ministro das Finanças grego, anunciou hoje que não conseguiu formar um Executivo de unidade nacional e vai devolver o mandato de três dias para formar governo ao Presidente grego Karolos Papoulias, amanhã pelas 13h.
Venizelos explicou que não conseguiu formar um governo de unidade pró-Europa para os próximos dois anos depois de o Syriza, o segundo partido mais votado nas eleições do último domingo, ter recusado o convite para fazer parte do futuro Executivo grego.
O líder do Syrisa, Alexis Tsipras, referiu, no fnal do encontro com Venizelos, que "não foi a coligação de Esquerda que recusou a proposta, mas o povo grego que o fez através da votação de domingo".
Em declarações na televisão grega, citadas pela Bloomberg, o líder do PASOK adiantou que as conversações em busca de um novo governo vão agora continuar sob a liderança do Presidente Papoulias e voltou a vincar que os gregos deixaram bem claro nas eleições que querem um governo de coligação que assegure que a Grécia vai continuar na zona euro.
O falhanço do PASOK surge depois das tentativas também frustradas da Nova Democracia e do Syrisa para formar um governo de coligação em Atenas, o que torna cada vez mais provável a realização de novas eleições no País, em meados de Junho.
 Eudora Ribeiro,Económico-11/05/12, 18:53  

As escolhas da Grécia


Os gregos votaram contra a austeridade que lhes foi imposta. Mas, ao que tudo indica, não votaram pela saída da zona euro. Será possível satisfazer a vontade dos gregos? É, se admitirmos que há uma alternativa à saída e à submissão, adesobediênciaAlbert Hirschman pode ser uma inspiração. Mas não me parece que, após novas eleições, as esquerdas da Grécia tenham inteligência e maturidade política para, com base nesta alternativa, constituir um governo de coligação.

No entanto, é esse o caminho defendido pelo economista Jacques Généreux, do Parti de Gauche, nesta entrevista de que traduzo um excerto:

Regards.fr : É preciso sair agora do euro?

Jacques Généreux : Tudo o que digo não parece possível no quadro europeu e um número importante de pessoas sérias defende a saída do euro. Há outras vias para além do nacionalismo, frequentemente neo-fascista, ou da abdicação frente ao neoliberalismo. Nós desejamos manter-nos no quadro europeu a partir do qual vieram contributos importantes em termos de ambiente, de segurança, de desenvolvimento económico, de progresso social, de bens públicos. Somos internacionalistas e portanto pelo reforço da cooperação entre os povos. Há uma via para fazer mudar as coisas na União Europeia: a subversão a partir de dentro. Permanecemos dentro e desobedecemos de maneira muito educada e diplomática: prevenimos os outros governos que, em conformidade com o mandato do povo francês, nós não vamos respeitar um certo número de tratados e de directivas europeias. Arriscamo-nos a medidas de retaliação? Não, existem muitas condições para entrar na União Europeia mas nenhuma para dela ser excluído. Se um único país decide retomar em parte o controlo do seu banco central, se proíbe alguns produtos financeiros, e se retoma o controlo parcial dos movimentos de capitais, em síntese, se decide proteger-se da especulação, isso muda tudo para a França e para a Europa. Os países vizinhos verão que, sem sair do euro, sem drama, podemos proceder de outra forma para resolver a crise. Os gregos, os portugueses, os irlandeses deixarão de aceitar a austeridade e despedirão os actuais governos. A partir desse momento teremos uma revolução através do voto que desembocará numa verdadeira renegociação dos tratados europeus e das directivas.

O cu e as calças e a incapacidade de estabelecer conexões e retirar conclusões...

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criador deste cartoon irá, talvez, levar a mal, mas tinha-o de roubar. Está genial

No prédio do Rogérito, a vizinha do 4º andar tem, agora, a despensa quase vazia. Mas tem andado com azia. Farta de comer enchidos e ovos mexidos, de andar quatro dias a comer atum e cavala, agora questiona a dona Esmeralda, quando é que o merceeiro dará outra balda, que lhe alivie a magra bolsa. Coitada. 

Entretanto, há pouca gente a fazer correlações entre as margens de lucro do merceeiro e outras dimensões, e que têm a ver com tais tostões. Quanto ao lucro, é ele que vem afirmar: "O presidente do grupo Jerónimo Martins alegou que na campanha não houve prática de "dumping" (venda a preço inferior ao do custo), embora tenha admitido que possa ter havido "um ou outro preço errado" em 16.000 referências de produtos." (*)  Quanto às correlações, que tal o campeão da distribuição ser o segundo homem mais ricode Portugal? Que tal assinalar que o crescimento da cadeia acontece na proporção e na mesma cadência com que a terra cultivável desaparece, o trabalho agrícola é abandonado e o endividamento cresce? 

Será que o cu deixou de ter a ver com as calças?

(*) Como se perceberá o lucro do Pingo Doce não corresponderá à diferença entre o preço de compra e o da venda. Os seus próprios custos terão naturalmente que ser considerados. Mas isso é história que não vem a público...
blog COnversa avinagrada


Isaltino Morais – E vai mais um!!!



Os espertalhaços que o defendem e os incompetentes (serão???) que o acusam… deixaram prescrever o crime... deixando assim escapar o corrupto!

Deve ser mais uma forma de incentivo e moralização para os milhões de portugueses que suportam dia a dia o esmagamento da chamada crise, e do fanatismo “austeritário” do governo PSD/CDS, com desemprego, cortes nos salários, roubo dos subsídios de férias e natal, aumentos  generalizados de impostos e as mais variadas taxas, cortes nos apoios sociais, destruição dos mais variados direitos, conquistados ao longo de décadas de luta...

Sim! Que esses, nem pensem em ousar uma "mentirinha" que seja, nas suas declarações ao fisco!


É a valsa da Burguesia.wmv

José Mário Branco - Ser Solidário

Jorge Fernando & Sam The Kid - Pois é



Cimeira “ibérica”


Nem por sombras quero imiscuir-me na discussão dos que não se entendem quanto à distinção entre “porco alentejano”, ou “porco preto”, ou “pata negra”... ou aqueles que para facilitar (ou baralhar e dar de novo) dizem que é tudo “porco ibérico”. Não sei. Sei apenas que em relação ao referido bicharoco só tenho um “adjectivo”: gosto!
Posto isto, estava eu deliciado num pequeno restaurante montemorense (que só por si me faria regressar de vez em quando a Montemor-o-Novo) cuja exagerada simplicidade na decoração é diametralmente oposta à excelente preparação da grelhada mista de secretos e plumas do estimado animal, mais as migas de espargos e a fruta cortada que servem de acompanhamento... quando fui atingido pelas imagens televisivas, vindas directamente do Palácio da Bolsa do Porto, onde decorria a chamada “Cimeira Ibérica”, que juntou primeiros ministros, grandes empresários e outros ladrões menores... dos dois Estados.
Durante o minuto e pouco em que aquilo me prendeu a atenção, entre duas garfadas de plumas e apreciando a “fauna ibérica” que povoava o Palácio da Bolsa... não pude deixar de pensar em como aquele pequeno e despretensioso restaurante alentejano está infinitamente mais bem servido de “porcos ibéricos”. Mas isto sou eu a divagar...

Soares dos Santos – Não é possível disfarçar o ódio de classe eternamente



Da figura daquele senhor que aparecia na televisão, a toda a hora, dando conselhos e pregando ralhetes aos portugueses, dando lições de moral a toda a gente e mostrando o seu génio de “empresário culto e com coração” a meio mundo... daquele de que já muitos diziam: Ora ali está o melhor exemplo do “capitalismo ético” do senhor Tozé Seguro!... dessa figura, como dizia, praticamente só restam sombras.
Mesmo para os mais crédulos, desde a estória da fuga de impostos para um paraíso fiscal, na Holanda, que começou a ver-se, por detrás do brilho da banha da cobra, a corriqueira imagem de um oportunista e aproveitador, um aldrabão como qualquer um dos outros.
Desde esta nojeira que foi a provocação ao 1º de maio e aos trabalhadores, provocação conseguida à custa das dificuldades de muitos e da velha índole açambarcadora e rasca de outros, da compra de “colaboradores” para trabalhar nesse dia, pagos (provavelmente em moedas de prata) com 500% de aumento, os “castigos” aos que não foram trabalhar, etc., etc.... resta, como bem lhe chama o Sérgio Ribeiro, o “senhor SS”.
Eu sei que o “SS” é de Soares dos Santos... mas o trocadilho, ainda que apenas insinuado, fica-lhe a matar! O grande traste, em vez de reconhecer a enormidade da provocação acanalhada que levou a cabo, insiste em defender-se contra-atacando.
É vê-lo a vomitar por aí que o 1º de Maio foi uma escolha irrelevante, que os sindicalistas têm é inveja de não terem juntado tanta gente nas “demonstrações” da CGTP como ele teve à bofetada e aos encontrões nas suas mercearias (demonstrações?! Onde é que o traste terá aprendido a falar?), e que não haverá mais “promoções” destas, no 1º de Maio, ou seja quando for... apenas porque «são muito caras».
Sei que o calhordas espera que sejamos tão patetas que acreditemos que está a falar de dinheiro quando diz que esta campanha lhe ficou cara. Porém, como o grande merceeiro pode ser um canalha, mas estúpido não é, sabe muito bem que todo este escândalo lhe custou e custará bem caro... mas em aspectos que vão muito para lá do dinheiro.
Demorará anos (se alguma vez o conseguir) a reconstruir a imagem com que andou, durante tanto tempo, a ludibriar milhões... e que agora estilhaçou.