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quarta-feira, 2 de maio de 2012



A mulher que segurava uma caixa de madeira

A mulher estava ali de novo. O João tinha reparado nela pela primeira vez havia talvez umas duas semanas. Estava sentada num banco do jardim que ficava do outro lado da rua, mesmo em frente de casa. Provavelmente aquela mulher já devia frequentar o jardim há mais tempo. Mas só tinham passado duas semanas desde que o João a vira pela primeira vez. Costumava sair apressado para apanhar o autocarro, na paragem que se encontrava a cinquenta metros dali. Como ele, à mesma hora do dia, muitas pessoas aguardavam o autocarro que as levaria para o trabalho. A rua fervilhava de gente, de carros, de buzinas, de fumos… e do lado de lá da estrada, sentada no banco do jardim, estava aquela mulher. Imóvel, olhando fixamente para os prédios que se encontravam na sua frente, no lado da rua por onde João passava todos os dias. A mulher segurava uma pequena caixa. Era uma pequena caixa de madeira. Olhando para aquela mulher o João parecia conhecê-la de algum lugar. Esforçava a memória mas não conseguia perceber de onde. Já na paragem do autocarro, olhava para trás, para o lado o banco do jardim e para aquela mulher e concluía que a conhecia dali. Mais nada.

Ultimamente, também aos fins de semana, quando o João saía de casa, via ali a mulher. Imóvel, sempre sentada no mesmo banco do jardim, a mulher segurava uma pequena caixa de madeira. Por vezes levantava a cabeça e olhava para o lado do prédio onde o João morava. E logo olhava de novo para a caixa.

Havia cinco anos já que o João morava naquele prédio. Tinha-se mudado depois da morte do pai. Ali sempre estava mais próximo do emprego e de alguns amigos com quem partilhava esporadicamente saídas à noite. Tinha sido criado pelo pai e sempre tinha vivido com ele. Quando este morreu não suportou continuar na mesma casa. Vivia só mas gostava daquele lugar. O jardim, ali tão próximo, levava até ele os sons das brincadeiras das crianças que todos os dias usavam os baloiços e o canto das aves, logo pela manhã. A vida corria-lhe sem sobressaltos mas desde que reparara naquela mulher sentia-se inquieto. Não conseguia perceber porque razão isso sucedia mas dava por si a espreitar com certa frequência pela janela da sala, procurando com o olhar aquele banco de jardim onde a mulher costumava estar sentada.

Numa tarde de sábado, estava nas traseiras ocupado na rega das plantas que tinha na marquise, quando ouviu a sirene da ambulância. Terminou a sua tarefa e dirigiu-se à janela da sala como tantas vezes fazia. Olhando para o lado do jardim percebeu que os socorristas se afadigavam junto ao banco onde a mulher costumava estar sentada. Pouco depois a ambulância retomava a sua marcha e alguns transeuntes que assistiam ao socorro dispersaram. Parado, à janela, o João continuava a olhar para o banco do jardim, agora vazio. A fim de uns instantes avistou junto ao banco, quase por baixo dele, um pequeno volume. Esforçou o olhar e percebeu que devia ser a caixa de madeira que aquela mulher costumava segurar. Num impulso saiu de casa, atravessou a estrada e correu para aquele banco. Pegou na caixa. Sentou-se, tal qual aquela mulher costumava estar sentada. Sentia uma agitação no peito enquanto uma força maior lhe movia os dedos das mãos que, como autómatos, abriram a caixa de madeira. Lá dentro o João encontrou apenas uma velha fotografia. Trémulo pegou-lhe e viu-se, menino, ao colo de uma desconhecida.


"Um monumental embuste político"

"A Associação 25 de Abril (A25A) recusou participar nas comemorações oficiais do 25 Abril, embora tenha participado nas comemorações populares. Também artífices fundamentais da implantação do regime demoliberal e representativo, o antigo Presidente da República (PR) Mário Soares e o antigo deputado e vice-presidente da AR (Assembleia da República) Manuel Alegre juntaram-se-lhe no protesto. Entre os argumentos da A25A está a ideia de que “o contrato social estabelecido na Constituição da República Portuguesa (CRP) foi rompido pelo poder”. Será que o modelo de democracia e de contrato social, vertidos na CRP, estão em risco com esta governação?
Em primeiro lugar, é óbvio que princípios fundamentais de uma democracia representativa têm sido violados com a ação deste governo. Numa democracia representativa há duas funções essenciais (das eleições): a representação e a responsabilização. A representação assenta num “contrato” entre os partidos, que propõem aos eleitores determinados pacotes de políticas públicas, e os eleitores, que votam nos diferentes competidores tendo em conta essas propostas. Basta ver o vídeo que circula no YouTube, “Passos Coelho
(PPC) Best of 2010-2011”, para constatar que estamos perante um monumental embuste político. Aí se pode ouvir PPC, candidato, em muitos casos já depois de conhecido o acordo com a troika, a dizer que não cortará salários, que não cortará subsídios, que se tiver que subir impostos privilegiará os impostos indiretos (IVA), que não acabará com o IVA intermédio para a restauração, que poupará as classes médias, que se oporá a cortes nos benefícios fiscais (em saúde e educação), que não quer liberalizar os despedimentos… que nunca dirá que só há um caminho… E note-se que muitos dos compromissos violados, porventura os mais gravosos, não decorrem do acordo com a troika (cortes de salários, subsídios
e pensões), e contrariam os programas eleitorais e de governo dos partidos vencedores em 2011. Não é a primeira vez que há compromissos eleitorais que são violados, mas nesta extensão, com esta gravidade e em tão pouco tempo, é uma novidade absoluta. Mais grave: tudo isto tem sido feito com o beneplácito do PS, e as suas “abstenções violentas”, e do atual Presidente da República. Acresce que vários constitucionalistas de prestígio, bem como um grupo de deputados que pediu a fiscalização constitucional dos cortes de subsídios, pensam que muitas destas medidas representam entorses ao Estado de direito e à CRP. Perante isto, a ministra da Justiça não diz que cumprirá escrupulosamente as orientações do TC, quaisquer que elas sejam, como competiria a quem tem a tutela do Estado de direito, diz sim que se o TC chumbar os cortes “será o colapso”, “porque não há outro caminho”.
Em segundo lugar, temos a escandalosa dualidade de critérios (ver também texto da A25A). De facto, para transformar o Estado social num Estado assistencial, para liberalizar os despedimentos (tornando-os absurdamente fáceis e baratos), para aumentar a carga de trabalho e reduzir remunerações (num dos países da UE onde já se trabalha mais horas e o pagamento horário já é dos mais baixos), tem sido uma urgência absoluta e uma vontade explícita de ir muito além da troika. Pelo contrário, e apesar das circunstâncias alegadamente extraordinárias que explicariam a necessidade de violar grosseiramente compromissos eleitorais cruciais, noutros domínios que tocam os privilégios do sector privado que vive de principescas rendas pagas pelo Estado, não só nada (ou muito pouco) se faz, como os indícios apontam para se querer ficar muito aquém da troika, se é que se quer cumprir o memorandum: “rendas excessivas” nas parcerias público-privadas e no sector da energia; cortes nos “consumos intermédios” (leia-se cortes na externalização de funções do Estado para escritórios de advogados e firmas de consultoria); etc. Tudo isto demonstra que não há só um caminho, e que o caminho seguido resulta não tanto do acordo com a troika como de um programa ideológico radical (da coligação governamental) que se esconde atrás do memorandum.
Só por isto, o sobressalto cívico da A25A, de Soares e de Alegre está inteiramente justificado. O que espanta é que, perante o monumental embuste político, não haja um movimento geral de indignação (dos cidadãos, dos jornalistas, da oposição, dos cientistas sociais e políticos, etc.), antes uma apatia geral. Espanta também, a contrario do que se passa noutros países, a fraqueza dos novos movimentos sociais e a sucessão de embriões falhados de novos partidos, que têm surgido como resposta à crise democrática que vivemos e ao bloqueamento das respostas sociopolíticas à mesma."

[André Freire; "Sobressalto cívico contra uma democracia ultrajada" (hoje no "Público", edição impressa)]


Razões para Despedimento



A MINISTRA Assunção Cristas diz que a campanha levada a cabo pela cadeia Pingo Doce prova que a grande distribuição tem capacidade financeira para pagar a nova taxa alimentar, só que não diz que essa taxa se irá repercutir, fatalmente, sobre os preços finais ao consumidor. Na verdade, só nos faltava mais esta preciosidade: as cadeias de distribuição passaram a ser também laboratórios para testar a aplicabilidade de taxas e impostos.


É por estas e outras que entre um despedimento colectivo por falência do programa de governo, e um despedimento com justa causa por incumprimento de compromissos eleitorais e sistemática provocação de conflitos, que aqui deixo uma pergunta: qual era a modalidade que escolhia para mandar o Governo dar uma volta?


Sem ser ao abrigo do Código do Trabalho, e porque há quem queira que a desregulamentação e o vale-tudo passe a ser o padrão das relações ditas civilizadas, aceitam-se outras sujestões.

NOVAS FOTOS DA PROVA DE ATRELAGEM EM BORDEIRA NO DIA 25 DE ABRIL 2012 - QUIM E DANIEL EM PROVA












ROMANCE DO HOMEM DE BOCA FECHADA

Um poema de Jaime Cortesão que me foi dado a conhecer recentemente, uma alusão a um episódio protagonizado pelo homem que não traíu, que cortou a própria língua para não falar...: Jaime Rebelo.










ROMANCE DO HOMEM DE BOCA FECHADA





—Quem é esse homem sombrio

Duro rosto, claro olhar,

Que cerra os dentes e a boca

Como quem não quer falar?

— Esse é o Jaime Rebelo,

Pescador, homem do mar,

Se quisesse abrir a boca,

Tinha muito que contar.



Ora ouvireis, camaradas,

Uma história de pasmar.



Passava já de ano e dia

E outro vinha de passar,

E o Rebelo não cansava

De dar guerra ao Salazar.

De dia tinha o mar alto,

De noite, luta bravia,

Pois só ama a Liberdade,

Quem dá guerra à tirania.

Passava já de ano e dia...

Mas um dia, por traição,

Caiu nas mãos dos esbirros

E foi levado à prisão.



Algemas de aço nos pulsos,

Vá de insultos ao entrar,

Palavra puxa palavra,

Começaram de falar

—Quanto sabes, seja a bem,

Seja a mal, hás de contá-lo,

— Não sou traidor, nem perjuro;

Sou homem de fé: não falo!

— Fala: ou terás o degredo,

Ou morte a fio de espada.

— Mais vale morrer com honra,

Do que vida deshonrada!



—A ver se falas ou não,

Quando posto na tortura.

—Que importam duros tormentos,

Quando a vontade é mais dura?!



Geme o peso atado ao potro

Já tinha o corpo a sangrar,

Já tinha os membros torcidos

E os tormentos a apertar,

Então o Jaime Rebelo,

Louco de dor, a arquejar,

Juntou as últimas forças

Para não ter que falar.

— Antes que fale emudeça! -

Pôs-se a gritar com voz rouca,

E, cerce, duma dentada,

Cortou a língua na boca.



A turba vil dos esbirros

Ficou na frente, assombrada,

Já da boca não saia

Mais que espuma ensanguentada!



Salazar, cuidas que o Povo

Te suporta, quando cala?

Ninguém te condena mais

Que aquela boca sem fala!



Fantasma da sua dor,

Ainda hoje custa a vê-lo;

A angústia daquelas horas

Não deixa o Jaime Rebelo.

Pescador que se fez homem

Ao vento livre do Mar,

Traz sempre aquela visão

Na sombra dura do olhar,

Sempre de boca apertada,

Como quem não quer falar.


Portimão - Porto de Portimão recebe 13 escalas em maio e mais de sete mil passageiros


Mesmo com crise

Porto de Portimão vai receber 13 navios durante o mês de maio, num total superior a sete mil passageiros e 3400 tripulantes, o que representará o maior movimento mensal ao longo de todo este ano.

Logo hoje, primeiro dia do mês, o primeiro navio a fazer escala em Portimão é o «Ryndam», da companhia Holland America Line, com 1266 passageiros e 618 tripulantes, seguindo-se amanhã, 2, o «Saga Pearl II», com 512 turistas e uma tripulação de 220 elementos, enquanto a 3 de maio será a vez do «Grand Holiday» chegar a Portimão, transportando 1452 passageiros e 714 tripulantes.
Em comunicado, a Câmara de Portimão destaca as escalas em simultâneo de dois navios da mesma companhia especializada no segmento de luxo, o que sucederá pela primeira vez no Porto de Portimão dia 6 de maio: o «Silver Explorer» e o «Silver Whsper», respetivamente com 132 passageiros e 11 tripulantes e 388 passageiros e 287 tripulantes.
Para 12 de maio, está agendada a escala do navio «Seabourn Sojourn», que trará 450 turistas e 335 tripulantes, no dia seguinte é esperado o «Silver Cloud», com 296 passageiros e 185 tripulantes, ao passo que no dia 15 será a vez do «Adonia», com 702 passageiros e 372 tripulantes e no dia 16 atraca em Portimão o «Seabourn Pride», com 200 passageiros e uma tripulação de 149 elementos.
Portimão receberá a 17 de maio o «Minerva», que tem uma capacidade de 335 passageiros e 90 tripulantes, enquanto no dia 18 será a vez do navio de cruzeiros «Kristina Katarina», com 462 passageiros e 160 tripulantes.
Depois de um interregno de alguns dias, o Porto de Portimão será escala a 29 de maio para o «Amadea», que transporta 584 passageiros e 244 tripulantes, estando a última escala do mês reservada para o navio «Hamburg», com 420 passageiros.
Para 2012, e até ao momento, estão confirmadas 45 escalas, “prevendo-se uma ligeira diminuição face ao ano passado”, assinala a autarquia portimonense.
Nos últimos quatro anos, o número de passageiros de cruzeiros movimentados no Porto de Portimão cresceu 673%, passando de 5798 passageiros movimentados em 2007 para 44.841 passageiros em 2011. 


Santigold - Disparate Youth [Official Music Video]

Lana Del Rey - Blue Jeans

luzernas - poema ilustrado de António Garrochinho





O Bodo aos Pobres, por Soares dos Santos. A que custo? À custa da dignidade…



Sumário: A promoção levada a cabo pelo “Pingo Doce”, em pleno 1.º de Maio, mobilizou dezenas de milhares de pessoas. Um verdadeiro bodo aos pobres, com consequências graves, e cujo preço pode ser afinal insuportável para o Povo Português e para o Estado de Direito Democrático. Com esta promoção poderá até ter sido posta em causa a autoridade do Estado. Até quando, e com que consequências?



O Grupo Jerónimo Martins, cujaestratégia fiscal já aqui foi alvo de crítica, demonstrou uma vez mais uma peculiar visão da ética empresarial.


Após o episódio da deslocalização da holding para território fiscal holandês, desta vez, através da promoção levada a cabo neste 1.º de Maio pelos supermercados “Pingo Doce”, este grupo económico ultrapassou todos os limites, desfiando até a autoridade do Estado.


Propondo descontos de 50% em compras superiores a € 100, neste 1.º de Maio, a cadeia de supermercados “Pingo Doce” provocou uma verdadeira corrida às compras, conseguindo desde logo grande publicidade e adesão por parte do público.


Em tempos de crise, esta generosa contribuição do Grupo “Jerónimo Martins” para as condições de vida dos portugueses foi bem aceite. Mas como se costuma dizer, não há almoços grátis.


E o preço deste bodo aos pobres começa-se desde logo a pagar com a humilhante submissão dos consumidores portugueses ao desrespeito ao 1.º de Maio, Dia do Trabalhador. Após a decisão de muitas cadeias de supermercados de abrir neste dia outrora sagrado, alguns sindicatos convocaram uma greve para este dia. Ora, os estrategas do Grupo “Jerónimo Martins”, com esta táctica comercial, procuraram inculcar nos portugueses a falta de respeito pelo Dia do Trabalhador e, quiçá, chegar mais longe, atingindo a própria defesa dos direitos laborais.


Mas este não é o único preço a pagar por este bodo aos pobres. Mais uma vez, o Grupo “Jerónimo Martins” demonstrou as capacidades dos oligopólios na manipulação e formação de preços, humilhando uma vez mais consumidores e pequenos operadores, pondo a nu aquilo que ninguém quer assumir: o mercado não funciona bem e nele há quem mande pelo desequilíbrio de forças. Mais uma humilhação, especialmente para quem acredita nas virtualidades do mercado de concorrência perfeita (que afinal é um modelo utópico tão naif como o comunismo): a esses, o Grupo “Jerónimo Martins” demonstrou cabalmente a sua cegueira e ingenuidade.


Por último, e sendo Portugal uma economia de mercado, existem regras que sancionam as práticas comerciais restritivas da concorrência, por forma a corrigir os inevitáveis excessos permitidos pela acumulação de capital (sim, não estranhe o leitor, não sendo comunista, não ignoro os bons ensinamentos de Karl Marx). E essas regras terão sido violadas? É o que compete apurar às entidades competentes, sob pena de o Estado português perder toda a sua autoridade. E esse, seria um preço muito grande a pagar, talvez o mais caro de todos: concluirmos pela submissão do Estado aos interesses económicos.


O apuramento do cumprimento das regras de concorrência, relativamente a esta promoção, deve ser rápido punindo-se, se for caso disso, de forma implacável as infracções que esta acção comercial tenha dado lugar.


A excessiva concentração económica distorce a justiça nas relações laborais e nas relações comerciais, expondo os elos mais fracos do tabuleiro económico: os trabalhadores, os pequenos agentes económicos e os consumidores. Se para além disso significar também a subversão da autoridade do Estado, compreendido, claro está como Estado de Direito Democrático, atingiu-se o último limite admissível.


Esta acção do Grupo “Jerónimo Martins” impõe medidas claras e imediatas: se tal não acontecer o preço deste bodo aos pobres será muito caro: será a nossa dignidade enquanto Povo e Estado de Direito Democrático.


Ventosa, 1 de Maio de 2012


Rui Costa



Guadiana:
PCP do Algarve critica adiamento para 2013 das obras de navegabilidade do rio
A Organização Regional do Algarve do PCP criticou hoje o adiamento para 2013 das obras que permitirão a navegabilidade do Rio Guadiana, que os comunistas consideram fundamental para o desenvolvimento das zonas raianas do nordeste algarvio e sudeste alentejano.

Segundo uma nota dos comunistas algarvios, ao adiar a intervenção no rio para 2013, e ainda assim sem dar a certeza de a fazer, o Governo “mais uma vez adia o projeto de melhoria da navegabilidade do rio Guadiana e, o que é mais grave, coloca mesmo em causa a realização desse projeto”.

O Partido Comunista Português recorda que, em junho de 2009, em resposta a um requerimento do grupo parlamentar, o Governo, informou que o lançamento da empreitada de melhoria da navegabilidade do rio Guadiana ocorreria até finais de 2010.

Em fevereiro deste ano, face ao atraso nas obras, o PCP questionou de novo o Ministério da Economia e Emprego e a tutela respondeu que, após a emissão da Declaração de Impacte Ambiental, em setembro de 2011, é ainda “imperativo fazer estudos relacionados com o rio Guadiana”.

Segundo a resposta do Executivo, o lançamento do concurso para o projeto de execução “não poderá acontecer antes do último trimestre de 2012” e “a intervenção no rio Guadiana apenas será possível entre julho e novembro e, a ter lugar, só em 2013”.

Os comunistas recordam que o projeto de melhoria de navegabilidade do rio Guadiana se arrasta “pelo menos desde 2004 (altura em que o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos concluiu um estudo sobre esta questão), não podendo ser continuamente adiado”.

O PCP garante que continuará a sua luta pela concretização urgente daquele projeto, que considera muito importante para o desenvolvimento das zonas raianas e que, garantem os comunistas, contrariará “um processo de desertificação económica e demográfica que há décadas vem afetando profundamente estas regiões”.

Região Sul

JENNIFER RUSH - 'THE POWER OF LOVE' 1984

Sidney Bechet - Petite Fleur ( the Olympia Concert Paris, December 8, 1954)

o nosso amor - quarto - poemas de António Garrochinho





O homem que quis comprar o 1º de Maio

Faz-me lembrar o “senhor” que atirava moedas ou côdeas a pobres para os ver lutar, ou o turista entediado que na Madeira atirava moedas ao mar para ver as crianças a mergulhar, arriscando a vida. Um gesto cheio de significado de um grupo económico que, ao querer comprar o 1º de Maio, passou a dedicar-se, não só aos negócios, mas à política pura.

OS MAIS PEQUENINOS COM ABRIL E MAIO





LA DÉCADANSE - JANE BIRKIN & SERGE GAINSBOURG - (1971)

Chico Buarque - Geni e o Zepelim

Adelaide Ferreira - Dava Tudo




Subsídios de férias e natal



Pois... roubo! Não devo dizer, porquê? É muito “pesado” para classificar a política destes canalhas quanto aos subsídios de férias e de natal, que regressarão lá para 2018... na melhor das hipóteses?
Ah... e “canalhas” também é demasiado agreste para classificar os ladrões que nos querem impor esta refinada canalhice?
Pronto... então chamo-lhes exactamente o quê?!


Porque ontem foi dia do trabalhador...


Se tivesse a honestidade e a confiança de um Warren Buffett, uma pequena elite nacional bem inserida internacionalmente podia a esta hora já ter repetido as palavras do bilionário norte-americano: “a luta de classes existe e a minha classe está a ganhá-la”. A quebra dos salários em curso é um bom indicador de uma vitória ajudada por uma taxa de desemprego de 15%. Sabemos que, em 2014, o poder de compra do salário auferido por essa ficção estatística que é o “português médio” estará ao nível de 1996. Serão pelo menos duas décadas perdidas para as classes trabalhadoras portuguesas. A quebra em curso nos salários, vá lá perceber-se porquê, não costuma ser muito animadora para uma certa economia da reciprocidade positiva em que a mais recente economia convencional diz que assenta uma boa relação laboral: ninguém trabalha bem numa economia do medo e de cada vez mais baixa pressão salarial. 

Além disso, os chamados custos unitários do trabalho, que relacionam crescimento nominal dos salários com crescimento real da produtividade, servem apenas para criar um viés que favorece a redução do peso dos rendimentos do trabalho no rendimento nacional, ocultando a responsabilidades dos custos do capital pelos problemas de competitividade, como se argumenta num estudo que indica também que a compressão dos custos unitários do trabalho pode fazer muito mal ao crescimento. Esta curta e enviesada forma europeia de medir a competitividade conduz a jogos de soma nula, na melhor das hipóteses, entre os países e a jogos de soma negativa para classes trabalhadoras europeias. O peso dos rendimentos do trabalho reduziu-se em 10,5 pontos percentuais na Zona Euro, entre 1981 e 2007, o que teve óbvias consequências negativas em termos de crescimento. Outro estudo indica-nos que esta contenção salarial não tem qualquer relação, surpresa, surpresa, com a competitividade assente na transformação estrutural e na modernização tecnológica.

O resto são as realidades macroeconómicas e de economia política com que os economistas do cortejo fúnebre da economia portuguesa, nacionais e estrangeiros, evitam confrontar-se: quebra dos rendimentos do trabalho e maior vulnerabilidade a estratégias comerciais agressivas dos sítios do costume (já lá iremos...), redução da procura interna, desaceleração da procura externa, porque afinal de contas a tal luta de classes tem escala europeia e tem no euro o seu melhor aliado, aumento das famílias insolventes e todos os paradoxos da depressão, incluindo o que resulta da ausência de contrapoderes laborais fortes, o pior que pode acontecer para o dinamismo de uma economia porque passam a existir alternativas medíocres à realização de investimentos genuinamente inovadores.

Investimento é coisa que as empresas não efectuam neste contexto, mesmo aquelas que continuam a apresentar lucros bastante significativos, como as empresas do PSI-20. Quem controla a generalidade das empresas diz nos inquéritos que o principal obstáculo é a perspectiva de falta de procura e logo a seguir, se bem que a larga distancia, o acesso ao crédito. Basta lembrar que enquanto o capitalismo financeiro se entretém com ofertas públicas de aquisição, transferências de direitos de propriedade com a cumplicidade de um banco público longe da sua missão, as pequenas e médias empresas têm o financiamento mais caro da zona euro.

Estruturalmente, e já antes da crise, vários economistas tinham assinalado o divórcio no capitalismo maduro entre os lucros das grandes empresas financeirizadas, em crescimento, e o investimento produtivo, decrescente, um dos efeitos da hegemonia da finança que trata as empresas como vacas leiteiras para extrair dividendos ao ritmo mais rápido que for possível. Todos estes paradoxos só se vão acentuar no futuro. Que outra coisa se poderá esperar a continuarmos assim? A crise de um modelo assente na descoordenação está a servir para reforçar esse mesmo modelo, graças à coordenação das fracções dominantes do capital.

A luta dos trabalhadores, a sua coordenação, pode introduzir racionalidade através da reforma igualitária das políticas e das instituições, que acabam por beneficiar os investimentos produtivos e inovadores. Para isso, é importante estar a par do que se passa: o relatório anual da Organização Internacional do Trabalho sobre o mundo do trabalho, um oásis de bom senso económico, coordenado pelo economista Raymond Torres, é um bom ponto de partida, já que expõe de forma robusta a lógica perversa da “armadilha da austeridade” e a inanidade de políticas de liberalização destruidoras de emprego e inimigas do trabalho digno.

ASAE investiga Pingo Doce

por Dn.ptHoje
ASAE investiga Pingo Doce
Fotografia © José Carmo/ Global Imagens
A Autoridade de Segurança Económica e Alimentar (ASAE) está no terreno a investigar a campanha levada a cabo pela cadeia de supermercados da Jerónimo Martins, ontem, 1 de maio.
"A ASAE já está no terreno a avaliar se a campanha de um dia do Pingo Doce reúne indícios de práticas não adequadas", disse ao Jornal de Negócios ao secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação. O que está em causa, continua o responsável, é a violação da legislação sobre a venda abaixo de custo.
Ao DN, a Associação Portuguesa de Direito ao Consumo (DECO) critica a campanha e fala em violação das regras da concorrência. O presidente, Mário Frota, diz que pode haver "uma infração ao regime de preços no âmbito do direito da concorrência e a consequente lesão dos direitos dos seus concorrentes mais diretos.

VÍDEO DO PINGO DOCE ONDE SE VÊ AS PRATELEIRAS VAZIAS E SE OUVE DIZER - DIZEM QUE NÃO HÁ DINHEIRO ! O GOVERNO É QUE NOS LIXA BEM !



A Verdade sobre Madre Teresa de Calcutá


FREGUESIAS DE FARO
Faro: Bloco de Esquerda promove debate público sobre impacto do novo 
mapa administrativo no concelho
O Bloco de Esquerda de Faro vai organizar na quinta-feira, 3, às 21:00 horas,
 um debate público sobre a nova lei de reorganização administrativa, 
que visa discutir o impacto da eventual aplicação da legislação em causa no concelho farense.

O debate, marcado para a delegação da Penha da junta de freguesia da Sé, 

pretende ser “plural e aberto a todas as opiniões e perspetivas políticas”.

Neste sentido, o BE/Faro convidou os autarcas do executivo municipal, 

das assembleias de freguesia e os dirigentes e militantes das diferentes forças 
políticas representadas na assembleia municipal de Faro.

“A aplicação da lei agora aprovada levará ao encerramento de duas freguesias do nosso

 concelho. As freguesias da Sé e de S. Pedro devem ser fundidas numa única freguesia 
urbana e das restantes quatro freguesias (Conceição, Estói, Montenegro e Santa Bárbara de Nexe) 
devem ficar só três. Qual deve desaparecer? A lei não define e não parece clara a aplicação dos
critérios nela definidos”, 
lembram os bloquistas.

O BE diz já ter reunido com os presidentes das juntas de freguesia do concelho de Faro e a 

opinião “unânime” dos encontros realizados “é que a dimensão das freguesias do nosso 
concelho é a adequada ao trabalho a realizar”.

“De todos ouvimos que o trabalho de proximidade que efetuam dificilmente é substituível num 

organismo maior. A posição geral é de recusar qualquer alteração do mapa administrativo de Faro. 
A consequência legal é entregar a decisão a uma unidade técnica central”, sublinha-se. 


Região Sul