AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


sexta-feira, 27 de abril de 2012


Saques em Bissau descrevem caos após levante golpista

Guiné-Bissau - Prensa Latina - Grupos de soldados saqueando instalações governamentais nesta capital e denúncias de seus responsáveis descreviam hoje um cenário de caos na Guiné Bissau após o golpe de estado do último dia 12 de abril. Ao menos dois edifícios estatais foram assaltados nas últimas horas por militares que levaram dinheiro em numerário e equipamentos, declararam diretores dessas dependências. "Cerca de 10 homens uniformizados e armados entraram nesta manhã nos escritórios da Administração de Tráfico e levaram oito milhões de francos guineanos (17 mil dólares)", informou a diretora dessa dependência, Lucinda Barbosa Ahukarie. Entre os organismos oficiais assaltados por militares em meio do desespero pós golpe figura o Ministério de Agricultura, de onde foram roubados produtos químicos, segundo um comunicado do organismo. Outras ações similares ocorreram em diferentes localidades, entre elas o roubo de gado e de mantimentos em regiões do interior do país, de acordo com os meios de imprensa locais. A confusão entre empregados de instituições governamentais acentuava-se com a decisão de atrasar o pagamento dos salários públicos por parte do comando militar que assumiu o poder após dissolver o Executivo e suspender as eleições. Essa facção das Forças Armadas tomou o controle do país após prender o presidente interino, Raimundo Pereira, e o premiê e candidato presidencial favorito, Carlos Gomes Junior. A ação golpista, condenada internacionalmente, produziu-se em torno do processo eleitoral para substituir o presidente Malam Bacai Sanhá, morto em janeiro em um hospital de Paris por conte de uma doença. Os militares fecharam o espaço aéreo e marítimo, advertiram que qualquer infração receberá uma "resposta militar" e anunciaram a proibição de entrada no território guineano de aviões e barcos sem autorização prévia. A Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental anunciou ontem o envio de forças militares a Guiné-Bissau para supervisionar o processo de transição de poderes após o golpe de Estado e um alerta sobre possíveis sanções. Fonte: Diário Liberdade

ALCINA - ASSASSINA


LELLO (MANUEL JOÃO VIEIRA)

ALCINA, ASSASSINA


Alcina assassina
Senhora da sua vagina

Debaixo das suas saias
Há velhas ruínas maias

Coladas às suas cuecas
Bizarras casinhas aztecas

No meio das suas mamas
Antigas cidades romanas

Por dentro dos seus slipes
Há velhas fogueiras friques


Lello, Brito & Irmão, Portugal alcatifado: Canções anormais& etc., Lisboa, 2012.

Vangelis - Conquest Of Paradise /Alpha- Cosmos

José Fanha Eu sou português aqui




Eu sou português

aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.

Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.

Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.

Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.

Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que empapa a terra que piso.

Eu sou português
aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.

Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.

Nasci
aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada
ainda urgente.

Eu sou português
aqui
o português sem mestre
mas com jeito.
Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar
dentro do peito.

Eu sou português aqui

José Fanha
Obras de José Fanha

em cada portuguesa, uma guia turística; em cada português, um zezé camarinha

Por João Quadros

"(...) sejamos honestos, se o discurso do Presidente da República, de comemoração do 25 de Abril, tinha como temas centrais a nanotecnologia, telemóveis 4G e o Twitter o Vasco Lourenço não ia lá fazer nada. Na Associação 25 de Abril só têm um furriel que percebe umas coisas de informática. 

Cavaco conseguiu enfiar nanotecnologia e 25 Abril de 74 no mesmo discurso. Foi a primeira homenagem a uma revolução que incluiu uma menção a cartões pré-pagos de telemóvel. Estou ansioso por ouvir o discurso do 1 de Maio sobre domótica. 

O Presidente disse que "na rede Twitter, o português é a terceira língua mais utilizada". É verdade, mas é quase tudo para dizer mal dele. 

O Presidente falou de portugueses com sucesso lá fora, como: João Salaviza, Joana Vasconcelos, Miguel Gomes. Foi o momento RTP2 de Aníbal. Temos que colocar a hipótese de Cavaco se ter enganado e ter lido o discurso que tinha guardado para a António Arroio. 

Faltou falar dos Buraka Som Sistema para sossegar os desempregados da construção civil. E ainda bem que Cavaco não deu como exemplo da obra de Joana Vasconcelos aquele sapato de senhora que é todo feito de tachos. Consta que Catroga tem um par de botas de montar, igual. 

Não fazia ideia que em Belém eram tão alternativos. Maria Cavaco Silva viu o filme do Miguel Gomes e recordou os bons velhos tempos quando Cavaco fazia filmes parecidos em Moçambique. Não os sabia apreciadores da sétima arte e não quero imaginar Aníbal a comer pipocas. 

Voltemos ao discurso. O Presidente aproveitou para exortar os concidadãos a corrigir a falta de informação que subsiste no estrangeiro sobre o País que somos - e como é que vamos fazer isso? Já viram o preço do "roaming"?! Eu pago o meu telemóvel…

Cavaco disse que temos um problema de imagem - fala por ti. É verdade que, em termos de imagem positiva lá fora, temos: João Salaviza, Joana Vasconcelos, Miguel Gomes. Mas depois também há: Vale e Azevedo, Duarte Lima, Renato Seabra… assim é difícil. 

Resumindo, no dia 25 de Abril, o Presidente da República acha que a principal preocupação que os portugueses têm que ter é… dar uma boa imagem à malta lá de fora. Por acaso, na minha lista de preocupações, o que os outros pensam de nós estava em 4º lugar; à frente do desemprego e atrás do empréstimo da casa. O nosso primeiro dever é o dever de explicar Portugal ao mundo e deixar o mundo impressionado. Em cada portuguesa, uma guia de turismo. Em cada português, um Zezé Camarinha. 

Foi um discurso estranho, sobre os êxitos de Portugal na tal década que deu cabo disto. Foi um discurso Socrático, um ano mais tarde do que dava jeito a Sócrates."
blog quatro almas

Areia para os olhos na luta contra a corrupção. Com 250 euros acabava-se com a corrupção. Mas eles não querem.




1- O fiscalista Tiago Caiado Guerreiro afirma que bastava pegar em 250 euros pagar a um advogado 
e tradutor para traduzir as normas, anti corrupção, de um país decente e acabava-se com a corrupção por cá. 
Na verdade as aprovações, é só atirar areia para os olhos. 
2- Os governos fazem sempre uma confusão e depois não dá em nada. 
Vem com  um conjunto enorme de medidas em vez de normas claras e transparentes sobre o que é que é a corrupção.
3- A luta contra a corrupção não é difícil de fazer, bastando para tal copiar o que existe, 
por exemplo, nos cinco países menos corruptos do mundo, são normas que são muito transparentes, 
são normas que, ao contrário do que aqui está previsto, não se aplicam a toda a população portuguesa.
Aplicam-se só a detentores de cargos políticos, por isso são muito mais 
focadas naqueles que têm o risco de praticar a corrupção e permite, 
por isso, um enfoque muito mais fácil da polícia judiciária, do ministério público, 
dos tribunais e dos outros órgãos de fiscalização.
4- em Portugal, as leis são feitas exatamente para não 
ser possível apanhar as pessoas em situação de corrupção... 
e não se conseguir provar em tribunal.
5- Todos estes casos, que estão em tribunal, não vão dar em nada, porque a norma, 
mesmo que eles fossem filmados no acto de corrupção, seria difícil provar em tribunal com as normas 
que temos, quanto mais com advogados competentes (do lado dos corruptos).
6- Por outro lado, temos o Ministério Público que está organizado, (e que sem culpa disso), 
ara não conseguir investigar a corrupção.
7- Também a polícia judiciária não tem meios para investigar a corrupção.
8- Se juntarmos a isto, tribunais pouco treinados e normas que não funcionam, então isto é o paraíso dos corruptos.
9- Aliás, todos nós conhecemos casos, ao longo do país todo, de fortunas inexplicáveis 
ue continuam inexplicáveis e que apareceram de repente, após o exercício de cargos políticos ou em ligação com o Poder.
10- Todos nós sabemos que muita gente sai dos cargos públicos, políticos, 
 depois vai para a frente de grandes empresas e alguns deles criam grandes fortunas, quer dizer, tudo coisas que são inexplicáveis 
e inaceitáveis em sociedades civilizadas, excepto neste país, onde se pode bater sempre no contribuinte 
mas tratamos maravilhosamente bem os corruptos…
11- Eu espero que isto não seja mais uma vez o que tem sido feito, que sempre que eles alteram as normas de corrupção, 
tornam-nas mais incompreensíveis e mais impossíveis de aplicar pelos tribunais e pela investigação.
12- … Nós não temos um combate à corrupção.Temos normas de branqueamento, que é uma coisa diferente. 
Temos normas que permitem aos corruptos saírem de um julgamento todos praticamente ilibados...
13 - Há casos que eu acho terríveis: as parcerias público-privadas e o BPN são de certeza casos de polícia, 
são dois casos paradigmáticos em Portugal.


Acesse o Artigo Original: http://apodrecetuga.blogspot.com/2012/04/areia-para-os-olhos-na-luta-contra.html#ixzz1tGULwmOS

o espelho quebrado

no pequeno quarto glandestino
descansa sobre a cadeira
mudo, mas vigilante
um quebrado espelho
cumplíce dos amantes
dos romances proibidos
dos amores despidos
prova de que 
o amor nunca é velho !

António garrochinho




Fátima mudou-se para Penela e

Maria travestiu-se de Aníbal
Os pastorinhos membros do governo vão a caminho para oferecer cordeiroscoelhos, que são mais baratos.





CRESCIMENTO

Cavaco tem "alguma esperança" na economia portuguesa


Cavaco tem "alguma esperança" na economia portuguesa
Fotografia © Vítor Rios/Globalimagens

O Presidente da República Cavaco Silva manifestou hoje, em Penela, "alguma esperança" de que no segundo semestre de 2012 a economia possa começar a crescer.

"Eu tenho alguma esperança de que já no segundo semestre deste ano, a nossa economia possa inverter e possa começar a crescer", disse o Presidente da República discursando na sessão solene nos paços do concelho.
O PR adiantou que em Penela, "como em muitos outros concelhos do país", existem hoje "sinais muito positivos" de empreendedorismo, inovação, criatividade e de iniciativas de aproveitamento dos produtos locais e de empresas exportadores "que conseguem conquistar mercados" no exterior.
"Sinais positivos de que Portugal, com certeza, vai ultrapassar as suas dificuldades", disse o PR.
Para além de Penela o Presidente da República desloca-se hoje a Vagos, Águeda e Albergaria-a-Velha, no distrito de Aveiro, num roteiro dedicado à cultura e empresas da região centro.

humor - o bicho



Uma história de touros, cornos e curros!


Essa sinistra figura que dá pelo nome de Herman van Rompuy, capacho oficial da chancelerina Merkel e do imperialismo germânico, actuando como seu fantoche na qualidade de presidente do conselho europeu, comportou-se em relação a Portugal, aos trabalhadores e ao povo português como o senhor colonial que avalia a jóia da coroa do império.

Discursando em Bruxelas para uma plateia de investidores empreendedores, isto é grandes capitalistas detentores quer da indústria, quer do capital financeiro e bancário, o fantoche Rompuy teve a distinta lata de referir queEspanha e Portugal tornaram os seus mercados mais flexíveis de forma aadaptar os seus modelos socioeconómicos para um modo em rápida mutação, concluindo que, assim, o continente europeu poderia permaneceratractivo para viver trabalhar!

Mas, de que estados-membros desta união europeia está Rompuy a falar? Claro que daqueles que Merkel e o imperialismo germânico, com a prestimosa colaboração do capitulacionista Sarkozy, considera os elos fracos da cadeia e que, na perspectiva da divisão do trabalho que desenhou para a sua nova Europa, depois de, gradual e sagazmente, os ter obrigado a desindustrializar- se e a abandonar e a liquidar a sua agricultura e pescas, quer agora que se transformem em protectorados ou colónias detentores de um sector industrial com baixa incorporação de valor e ritmos de trabalho intensivos e uma mão-de-obra barata, sem qualificação e sem quaisquer direitos.

Escamoteando que as reformas estruturais de que fala, uma fórmula que a tróica germano-imperialista tem imposto, entre outros países, a Portugal, isto é, aos trabalhadores e ao povo português, além de não terem, como afirmam, por objectivo a consolidação orçamental, mas sim a crescente acumulação de riqueza nas mãos da burguesia detentora dos grandes grupos financeiros e bancários, com a Alemanha à cabeça, e que tal desiderato só será conseguido se conseguirem subjugar, humilhar e colonizar, à custa da chantagem das dívidas soberanas os países que consideram os elos mais fracos da cadeia capitalista na Europa, Rompuy engana-se, no entanto, no alvo quando elogia países como Portugal e o seu governo de traidores Passos/Portas como aqueles que tinham sabido agarrar o touro pelos cornos!,entendendo nós que se está a referir, provocatoriamente aos trabalhadores e aos povos desses países, entre os quais Portugal.

Claro está que pelos cornos e de cernelha irá a classe operária, os trabalhadores e o povo português, e os povos martirizados pela tróica germano-imperialista, agarrar este touro representado pelos interesses do eixo Berlim/Paris, obrigando-o, como já o fez no passado, a fugir a sete pataspara o curro da história onde merece ser encarcerado e cuja chave deverá, em definitivo, ser deitada fora.



não tenha fim


cigarro

cigarro

cigarro
farol da lembrança
brisa opiosa
que semeia bonança
cigarro
trovão, catarro
neste peito fraco
cigarro
pensamento, deriva
nevoeiro da esperança
tábua de naufrágio
a que me agarro

António Garrochinho

e se despiu


tormenta


deste mar
de onde já tirei o pão
deste mar
que me ofereceu
que me roubou
resta-me agora
olhá-lo
com olhos de gaivota
ferida
enfrentando a tormenta
do pensamento


António Garrochinho

a casa de ti


macario_campanha1.jpg

Macário admite situação "angustiante" na Câmara 


Faro atravessa o "pior período de sempre", admite Macário Correia, numa carta dirigida aos munícipes.
Ver Galeria
Segundo o presidente da autarquia, na base do problema está o passivo da ordem dos 70 milhões de euros criado pela Câmara de 2002 até 2009.
"Agora essa dívida gera diariamente juros, amortizações, inspecções e penhoras. E provoca nas empresas que nos serviram, desemprego, insolvências e falências", escreve o presidente da Câmara de Faro.
Em 2010 e 2011 "pagaram-se cerca de 7 milhões de euros de dívida antiga e reduziu-se assim o passivo", mas - diz Macário Correia - com as receitas a descerem drasticamente, a situação da Câmara é "angustiante".
No primeiro trimestre deste ano, enuncia o autarca, o movimento de obras particulares (moradias, loteamentos) baixou 78 por cento comparativamente com o período 2005 – 2008; o "Estado aumentou em 17 por cento o IVA sobre a iluminação pública, daí a tentativa de se poupar uns minutos ao entardecer e ao amanhecer"; "o IMT (Imposto Municipal sobre Transacções) caiu 64 por cento de 2007 para 2011 – as receitas em Abril são "400 mil euros inferiores às do período homólogo do ano anterior".
"A agravar tudo isto, o Governo decidiu desviar-nos cerca de 200 mil euros do IMI a receber em Maio", continua Macário Correia, aludindo à retenção de cinco por cento do imposto cobrado em 2011 para financiar a avaliação de prédios urbanos, decisão já contestada pela ANMP - Associação Nacional dos Municípios Portugueses.
Entre 2002 e 2009, critica, "as receitas cresceram bastante, mas a dívida em vez de ser controlada, aumentou muito mais do que as receitas, agora, com menos receita, ainda é preciso fazer poupança para pagar essa dívida antiga".
De acordo com o presidente da Câmara de Faro, é preciso fazer "uma ginástica rigorosa para conseguir manter os transportes urbanos, as escolas, as piscinas, as bibliotecas e museus a funcionar".
O objectivo da missiva, esclarece o autarca, é informar os nossos munícipes das terríveis dificuldades que se atravessam, as quais nos impedem de fazer por eles tudo o que mais precisam".
Ainda assim, o presidente da capital algarvia promete continuar a trabalhar para garantir a manutenção dos serviços e das políticas públicas por parte da autarquia farense: "Vamos trabalhar com todo o rigor e com a vossa compreensão e ajuda para que se consiga vencer este período tão difícil. O pior de sempre", conclui.


Observatório do Algarve

Os capitães desconhecidos de Abril

Sexta-feira, 27 de Abril de 2012

As comemorações do 25 de Abril, especialmente as oficiais, procuram centrar-se sobretudo nos acontecimentos do próprio dia, nos seus eventos e protagonistas, carregando na nota romântica dos jovens heróis generosos que salvaram um Povo de uma ditadura decrépita. Sublinham a importância da conquista das liberdades, da democracia e o fim da guerra. E muito pouco mais.

Nada disto está errado, mas é certamente redutor. Neste tipo de abordagem, de que o filme de Maria de Medeiros, “Capitães de Abril”, é um exemplo acabado, nota-se bem o nosso tradicional gosto pelo épico, pelo episódico, pelo quase acidental, optando pelos protagonistas oficiais, deixando de lado os inúmeros atores anónimos que são quem de facto faz mover os grandes processos históricos. Esta visão estreita do 25 de Abril reduz uma Revolução a uma mera mudança de sistema político e apaga todo o papel que o Povo, no seu conjunto, desempenhou no 24, no 25 mas, sobretudo, no 26 de Abril. 

As transformações mais profundas que o 25 de Abril trouxe à sociedade portuguesa foram despoletadas pela ação do movimento dos capitães, mas nasceram do sonho e da vontade posta em prática por milhões de portugueses. Desses anónimos capitães de Abril e das transformações que trouxeram, pouco se fala.

Esvaziar o 25 de Abril dos seus verdadeiros conteúdos, tirar-lhe tudo aquilo que tem impacto real na nossa vida é contribuir para o tornar apenas mais um feriado pitoresco no nosso calendário, uma data histórica distante da qual recordamos anualmente a estória, mas que não sentimos nem próxima, nem nossa. 

E é nossa, sim, e tem tudo a ver com a vida que sonhámos para este país: A justiça social; A melhoria dos salários; A igualdade de direitos entre homens e mulheres; A criação dos subsídios de férias e de natal (lembram-se deles?); A criação do salário mínimo; A legalização dos sindicatos; O direito à Greve; A licença de parto; A proteção no desemprego; A criação do Serviço Nacional de Saúde; A democratização de todos os níveis do Ensino; As nacionalizações, que permitiram que o Estado voltasse a assumir o papel de condução da nossa economia; A reforma agrária e o fim dos latifúndios; O Poder Local Democrático; A Autonomia das Regiões. Estas foram apenas algumas das transformações que fizeram com que o 25 de Abril tenha sido uma Revolução com letra maiúscula (ainda que inacabada) e não apenas um golpe de estado.

Acima de tudo são transformações que apontam valores e objetivos de fundo que nos unem enquanto sociedade: A dignidade e liberdade da pessoa humana; o direito de todos a realizarem-se pessoal e profissionalmente, a serem felizes; a proteção solidária da sociedade a todos os que enfrentam dificuldades, seja a doença, a velhice ou o desemprego; a construção de um país de progresso e igualdade de oportunidades. 

Olhe-se agora para este Portugal de 2012 e é assustador, senão deprimente, ver quão longe estamos destes valores e destes objetivos. Que é feito do emprego, do salário digno, dos direitos de quem trabalha? Que é feito do apoio social para quem precisa, transformado em esmola miserável pela hipocrisia do assistencialismo? Que é feito do acesso à educação, com propinas cada vez mais pesadas a expulsarem os jovens das Universidades? E, já agora, que é feito do subsídio de natal e de férias? 

A nossa situação atual torna ainda mais urgente relembrar os desconhecidos capitães sonhadores que, sem outras armas que a sua cidadania ativa e a sua vigilância atenta, construíram o Portugal moderno em que nasci. 

Hoje é dia 25 de Abril. Sonhemos então com um futuro melhor do que este presente acabrunhado em que nos encolhemos. Amanhã, 26, lutemos outra vez para tornar esse sonho realidade. 


Segurança: Dados do relatório do Departamento de Armas e Explosivos

Há mais 19 607 armas no País

A PSP registou 19 607 armas em 2011, tendo sido emitidas perto de 21 mil novas licenças de uso e porte de arma. Os números constam do relatório do Departamento de Armas e Explosivos daquela força de segurança. No total, existem mais de 1,4 milhões de armas legais no nosso país. Mais as 1,2 milhões ilegais, de acordo com as estimativas oficiais.



Os dados referem ainda que perto de mil portugueses pediram armas de defesa pessoal – caso das pistolas, calibre 6,35 mm e revólveres. Por norma, são os taxistas, ourives e donos de empresas os mais interessados em adquirir armas no nosso país, de acordo com a subintendente Florbela Carrilho, chefe da Divisão de armas e munições da PSP. "No fundo, são pessoas que trabalham fora de horas, lidam directamente com dinheiro ou com objectos de valor e, por isso, sentem-se mais inseguras e querem adquirir as armas", justifica (ver discurso directo).
Foram também emitidas mais 11 777 licenças para caçadores e 4317 para detenção no domicílio (estas não podem estar municiadas).
O mesmo relatório dá conta de que no ano passado foram roubadas 1095 armas em Portugal, o que dá uma média de três por dia. Foram também apreendidas 6570 armas no âmbito de operações de fiscalização da polícia. No quadro das exportações, foram vendidas mais 1528 armas em 2011 face ao ano anterior – de 13 788 para 15 316. Segundo a PSP, Portugal vende armas para empresas de segurança dos países PALOP, sobretudo Angola.
CRISE AFECTA VENDA DE EXPLOSIVOS
A compra de explosivos à PSP diminuiu drasticamente em 2011, em comparação com o ano anterior, caindo de 11 616 para 7431 as autorizações e licença de compra e emprego desses materiais. A explicação que a PSP encontra é a diminuição de obras públicas e privadas. Não se vendem tantos explosivos, que são utilizados normalmente nas pedreiras e construção de vias.
"LUTAMOS CONTRA AS ARMAS ILEGAIS": Subintendente Florbela Carrilho, da PSP
Correio da Manhã – Os pedidos de licença de uso e porte de arma significam que a população se sente insegura?
Florbela Carrilho – Não, até porque as armas não são apenas para defesa, como vemos no caso dos caçadores ou coleccionadores.
– As regras de licenciamento das armas são rígidas?
– Quem quer uma arma tem de ter uma justificação válida, não pode ser só porque quer ter a arma em casa. Isto requer exigência.
– São ainda muitas as armas ilegais em Portugal?
– São sempre muitas, claro, mas lutamos todos os dias contra isso. Tentamos fazer o rastreio da arma e do seu percurso para travar a circulação.
CM

PASSOS COELHO E A CONTRAFAÇÃO DA VERDADE! (hoje, no DN, a minha opinião)

"Falar verdade" aos portugueses foi lema de campanha que o governo plagiou de Manuela Ferreira Leite, mas com estratégia bem diferente, diga-se. A coisa, agora, passa-se em inglês. É, certamente, uma homenagem aos socialistas por terem introduzido nas escolinhas a aprendizagem da língua dos personificados “John Bull” e “Tio Sam”.
Quase não há semana que jornal do reino de sua majestade, revista germânica ou diário americano, não publique uma entrevista do primeiro-ministro ou desabafos do ministro das Finanças, dando boa nota de que os seus conterrâneos “não se importam de fazer sacrifícios” se perceberem que valem a pena. E, segundo dizem estes ilustres, Portugal está no "bom caminho", razão pela qual os portugueses andam felizes.
É certo que não se nota muito, mas tal ficará a dever-se ao nosso gosto pela discrição. De facto, quem não rejubila ao confirmar que se divorciou para todo o sempre, de comum acordo, dos subsídios de férias e Natal? Ninguém, se não os próprios, os mesmos que podem sentir a felicidade de poderem vir, finalmente, a reformar-se mais tarde, aos 67 anos. Desejo antigo, como se sabe! E fazem-no com grande desprendimento, porque não só as reformas serão cada vez mais pequenas como, eventualmente, deixarão mesmo de existir. É o mais singelo dos sentimentos.
Depois há sempre aquela alegria de vermos partir os filhos para o estrangeiro, seguindo os conselhos de Pedro Passos Coelho. Sempre se poderão encontrar, de quando em vez, com o ministro Paulo Portas. Por cá nem sempre teriam essa oportunidade! Sim, isto de trabalhar em Portugal é coisa para os antigos, os que ainda o conseguem fazer.
Que orgulho termos os filhos fora de casa e do país, nos vários continentes, levando a língua de Camões cada vez mais longe! É um hino à filantropia portuguesa. Oferecemos ao mundo tudo aquilo que investimos e pagámos na sua formação. Agora não é só a exportação dos nossos pastéis de nata, os “alvarinhos” que conta, temos também a nossa massa critica e a nossa inteligência na diáspora. “Estamos no bom caminho” como tão afetivamente nos lembra o governo.
Será neste ambiente de euforia, poliglota, cosmopolita, que nos reencontraremos todos nos mercados financeiros, a 23 de Setembro de 2013, como nos assegurou Vítor Gaspar. Não desesperemos, é já a seguir, para o ano. E só não sabemos a hora por um eventual lapso que se percebe muito bem - e se desculpa - no meio de tanta azáfama.
E nem vale a pena referir a ousadia de um país tão pequeno como o nosso estar quase a apanhar o nível de desemprego de “nuestros hermanos”, de Rajoy: “la misma derecha, la misma gobernación”. Como este governo é pioneiro será como diz Pedro Passos Coelho: vamos conseguir, “custe o que custar”!
Quase um ano depois ninguém poderá dizer que o governo não trabalhou e que não fez o melhor que sabia e podia. Imaginem o esforço que não terá sido necessário para baixar o saldo da segurança social para um décimo do que existia em 2010, colocando-a na pré-falência; ou, em tão pouco tempo, parar todas as obras nas escolas, desabituar os portugueses do serviço nacional de saúde e conseguir organizá-los em filas para as consultas; ou remediar a situação financeira difícil em que se encontraria Eduardo Catroga atribuindo-lhe, segundo o próprio, um justo preço de mercado de 600 000 euros ano; ou a aposta na inovação, transformando um autarca, cliente-devedor das Águas de Portugal, o maior, em administrador-credor, mesmo depois de ter perdido em tribunal a queixa que apresentara contra a empresa.
Portanto, “estamos no bom caminho” e se nada correr mal, diz o primeiro-ministro, vai correr tudo bem. Ora, pois claro! O governo de Passos Coelho descobriu uma nova indústria: a da contrafação da verdade!
José Junqueiro - 2012-04-20