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segunda-feira, 23 de abril de 2012




Figura da semana



A decisão da Associação 25 de Abril merece o meu fervoroso aplauso. Pactuar com gente que vende o país a pataco e ameaça com a polícia, para tentar desmobilizar  a manifestação, seria vergonhoso. A dureza das palavras de Vasco Lourenço permite acreditar que ainda há homens neste país que recusam vergar-se diante dos colonizadores e dos seus súbditos instalados em S.Bento.
Espero que os portugueses demonstrem o seu  apoio a esta decisão, comparecendo em massa na manifestação e mostrando a este governo que é imune às ameaças e provocações. Se este governo pensa que chegou a altura de malhar na esquerda, este é o momento adequado para os portugueses mostrarem que não têm medo das ameaças desta corja que se escuda atrás da polícia, para lançar o medo.

Spot 25Abril Porto 2012.mov



FALIRAM...um terço das lojas na Baixa de Portimão fecharam em ano e meio.


Em Faro a situação do pequeno comércio, serviços e restauração também está em agonia e com o agravamento dos parquimetros que deixou a Baixa às moscas.
( reabilitação urbana não existe, projecto da marina está na gaveta, atrium cheio de lixo, enfim uma mão cheia de nada..)

Portimão: Crise e grandes superfícies arrasam pequeno comércio



O comércio de Portimão está de rastos, havendo cada vez mais lojas a fechar as portas. A crise económica e a concorrência das grandes superfícies estão a asfixiar o comércio tradicional da cidade.

"Das 297 lojas do centro da cidade já fecharam 100", revela João Rosado, presidente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), com base num levantamento realizado nos últimos dias. O dirigente associativo diz que "a tendência é para mais lojas fecharem as portas, se nada for feito rapidamente".

Para João Rosado, uma medida essencial para revitalizar o centro da cidade seria a instalação da Loja do Cidadão, que permitiria atrair mais pessoas. "A câmara tem feito ouvidos de mercador, pelo que vamos avançar este mês com um abaixo-assinado a pedir que isso seja concretizado", diz o presidente da ACRAL, adiantando que "até existe uma verba de um milhão de euros do QREN [Quadro de Referência Estratégico Nacional] para a implementação da Loja do Cidadão". E defende que o antigo edifício da Caixa Agrícola podia ser o local escolhido.

Fonte da autarquia responde que "todo o processo da Loja do Cidadão es-tá em reanálise, não havendo qualquer decisão sobre a localização". Inicialmente, esteve prevista a construção de um edifício de raiz por detrás da câmara.

Cómo grabar una revolución


Em defesa da Austeridade, António Costa ataca os murais da Greve Geral

Portugal - Precári@s Inflexíveis - António Costa, Presidente da Camâra Municipal de Lisboa, é um adepto da austeridade e dos sacrifícios. Todos os dias, milhares de habitantes lisboetas juntamente com trabalhadores residentes nos concelhos adjacentes são altamente explorados dentro da cidade de Lisboa. Lisboa é hoje uma capital fortemente marcada pela precariedade. Lisboa é marcada pelas precariedades: a precariedade laboral, mas também a precariedade na vida. António Costa, nem sempre o autor da Austeridade, interpreta-a na perfeição. Interpreta a Austeridade com a subtileza de quem assobia para o lado ante o massacre da população. Se falarmos da precariedade laboral, dentro de Lisboa, basta olhar para todos os callcenters, ou para os vários centros comerciais. Os callcenters da Estefânia, do Cais-do-Sodré, de Arroios, do Marquês de Pombal, Restauradores, Sete Rios ou os de Cabo Ruivo/Parque das Nações. O Vasco da Gama, o El Corte Inglés, o Colombo, as Amoreiras, ou os centros comerciais do Saldanha. São incontáveis os serviços que funcionam com mão-de-obra contratada a prazo ou comprada em saldo às Empresas de Trabalho Temporário. Podemos ainda olhar para o sector da cultura, um sector também altamente precarizado, onde há um ano atrás, no Museu do Design e da Moda (MUDE), António Costa despediu 70 trabalhadores a falsos recibos verdes (ver aqui). Estes, e tantos outros exemplos, fazem de Lisboa uma capital arrasada pela precariedade laboral. Mas Lisboa é também a Capital da Precariedade na Vida. Olhemos para as Universidades. Cidade Universitária, ISA (Agronomia), FCSH (Av. de Berna), Campus de Campolide(UNL), Belas Artes, Faculdade de Arquitectura e restante Polo da Ajuda, etc. As propinas subiram tão ou mais rápido que a taxa de desemprego. Os ontem trabalhadores-estudantes abandonaram estes espaços, hoje são desempregados e sem dinheiro para estudar. Muitos já deixaram Lisboa, voltaram às terras de origem. Há vinte anos, todos sem excepção, defenderiam um ensino gratuito e universal. Hoje é diferente, muitos acreditam na inevitabilidade de um sistema de ensino quase exclusivo para as elites. Fonte: Diário Liberdade


Portugal: Plutocracia

Portugal - Jornal Mudar de Vida - 38 anos depois do 25 de Abril, o retrocesso na vida dos trabalhadores portugueses é evidente. Em 74-75, apesar do regresso maciço de militares e civis, o desemprego não passou dos 5%; hoje está nos 15%. O mesmo com os salários: a forte subida de 74-75, que chegou a atingir 7% e 15%, foi brutalmente contrariada nos anos seguintes com duas intervenções do FMI; e nos últimos anos caíram a pique, sob a acção devastadora dos PEC e da troika. A parte do trabalho na repartição da riqueza subiu em 74-75 a mais de dois terços; hoje é menos de metade. Tudo obedeceu a uma regra simples: quando a luta de massas esteve em alta, os trabalhadores ganharam vantagem; quando enfraqueceu, ganhou o capital. A marcha atrás nos aspectos materiais, sentida na casa de cada um, é acompanhada da degradação cada vez mais visível do regime. Aquilo que hoje se passa não é apenas um ponto baixo da vida nacional: é a decadência do regime consagrado em Novembro de 75, que se expressa tanto na sua incapacidade económica como na degradação das suas instituições. Os sinais dessa decadência estão à vista no escandaloso enriquecimento dos gestores e patrões dos grandes negócios, feitos à sombra do Estado. Estão à vista na corrida aos lugares de poder pelas clientelas partidárias, em busca de vantagens políticas ou económicas. Estão à vista na corrupção generalizada, de que apenas se conhecem casos isolados. Estão à vista nas guerras entre os órgãos do Estado, envolvendo presidência, governo, tribunais. Estão à vista no arbítrio crescente das polícias, secretas ou não secretas. Vivemos o culminar da "normalização democrática", da recuperação capitalista e burguesa que pôs termo à onda popular de 74-75. Não é preciso, pois, indagar muito para se perceber a razão do descrédito generalizado a que o povo vota esta democracia de fachada feita à medida de gente rica. 
Fonte: Diário Liberdade
BLOG NOVA CENTELHA

The Engineering of Consent

A informação prolifera, e a humanidade continua às cegas a obedecer aos caprichos dos que se auto-intitulam poderosos. Lavagem cerebral ou perspectivas angulares de um mesmo fenómeno? Depois de Zeitgeist e outros documentários semelhantes onde deparámos com a realidade do controlo de massas, continuamos, obtusamente, conformados e apáticos, servindo o poder. Para sermos poderosos? Espelho meu, espelho meu.... Este documentário encontra-se dividido em 6 partes que se encontram no youtube.
José Saramago morreu mas nós continuamos por cá, à margem do seu Ensaio sobre a Cegueira, de onde não retiramos qualquer lição. Em terra de cego, quem tem olho é rei. E nós não somos nem precisamos de ser, mas abrir os olhos já não era má ideia.


PARA PORTUGAL, O TEMPO ESTÁ A ESGOTAR-SE

por Costas Lapavitsas* e Nuno Teles** 

No mês passado, o ministro das Finanças português declarou em Washington que "o ajustamento será mais rápido e bem sucedido do que o previsto no programa [da troika]".

Animado pela redução do défice externo no último trimestre do ano passado, Vítor Gaspar reafirmava assim a sua fé nas actuais políticas do seu governo – pouco importando que esta redução do défice se tenha devido a uma queda das importações causada pelo colapso do consumo e investimento internos e a um crescimento das exportações para o espaço não europeu que beneficiou da desvalorização do euro durante o mesmo período.

No entanto, a euforia governamental foi de curta duração. Através dos dados da execução orçamental, ficámos a saber que embora a carga fiscal tenha sido brutalmente aumentada, o aprofundamento da recessão conduziu a uma queda das receitas fiscais em 5,3% durante os dois primeiros meses de 2011 face ao período homólogo. Os números do desemprego, que atinge actualmente 15% segundo o Eurostat, ultrapassam o que foi estimado para este ano pelo Governo. As metas definidas para o défice orçamental parecem difíceis de atingir, ao mesmo tempo que a dívida atingiu já os 110% do PIB e que os juros no mercado secundário de dívida pública a dez anos registam valores em torno dos 12%, acima dos 8% verificados aquando do pedido de "resgate" externo. É, pois, cada vez mais consensual a necessidade de um segundo programa de financiamento e a provável renegociação da dívida pública com o sector privado.

Enganam-se, contudo, aqueles que vêem a nova "ajuda" europeia e o cancelamento de parte da dívida (promovida pelos credores, como sucedeu no caso grego) como um balão de oxigénio para a economia portuguesa. A Grécia funciona, mais uma vez, como uma "bola de cristal" onde é discernível a evolução futura da economia portuguesa. Quando a crise se iniciou, em 2010, a dívida soberana grega ascendia a 300 mil milhões de euros e era detida sobretudo por credores privados, encontrando-se enquadrada pelo ordenamento jurídico grego. Depois de dois anos de resgate, a Grécia viu a sua dívida pública total aumentar para 370 mil milhões de euros, dos quais os privados detêm apenas 200 mil milhões.

Com a actual reestruturação, os credores privados foram forçados a aceitar perdas nominais de 53,5% nos seus títulos. As suas perdas serão compensadas através de um conjunto de pagamentos imediatos, entendidos como indemnizações necessárias ao acordo voluntário. Por outro lado, uma vez que uma parte substancial da dívida privada é detida pela banca grega, o Estado será obrigado a um processo de recapitalização num montante total de cerca de 50 mil milhões de euros – os quais acrescem à dívida pública. Conclusão: tendo em conta o novo endividamento junto da troika, a redução real da dívida grega é de menos do que 10% do PIB - com a diferença que os novos títulos de dívida detidos por privados passam a ser protegidos pela lei britânica. Tudo isto, claro, a par de novas doses de austeridade, permitindo concluir que o futuro que a Grécia tem pela frente não é mais do que o aprofundamento da depressão e o intolerável agravamento dos seus custos sociais.
Face à previsível evolução da situação na Grécia, ao impacte negativo sobre o nosso PIB da já notória recessão europeia e aos sinais claros de que o programa que tem vindo a ser imposto pelo actual Governo está a falhar os objectivos, Portugal não pode perder mais tempo. Este mês será publicado um livro, intitulado Crisis in the Eurozone (Verso Books), que reúne o trabalho que temos vindo a desenvolver há mais de dois anos sobre a crise europeia no quadro do grupo de investigação Research on Money and Finance. Nesse livro, procede-se a uma reflexão em torno de quais as saídas possíveis, e quais as mais favoráveis, para a periferia europeia – começando desde logo pela Grécia, cujo caso antecipa e serve de modelo para Portugal. Defende-se uma reestruturação da dívida liderada pelos estados devedores, assente na participação democrática (tal como tem vindo a ser efectuado através dos processos de auditoria cidadã), por forma a reduzir a dívida para níveis sustentáveis do ponto de vista financeiro, económico e social.

Sabemos que este caminho implicará, provavelmente, a saída do euro – e sabemos também que esse processo não está isento de custos e riscos. Tal saída forneceria, contudo, novos instrumentos para a recuperação económica, incluindo a possibilidade de desvalorização da moeda (promovendo o equilíbrio externo) e de adopção de uma política monetária autónoma financiadora de uma política orçamental de combate à crise.

Face à certeza de uma política europeia desastrosa para a periferia, agora reforçada à luz dos novos acordos, esta via é a única susceptível de colocar os países da periferia europeia numa trajectória de recuperação económica, se adequadamente planeada e implementada de modo a minimizar os riscos e custos da transição monetária. Isso implica um controlo público efectivo sobre a banca, a introdução de controlos de capitais, uma reforma fiscal profunda e a prossecução de uma política industrial activa – ou seja, uma profunda alteração da actual correlação de forças sociais. A alternativa contra a qual este cenário deve ser avaliado é o actual empobrecimento sem fim, a perda de soberania nacional e a regressiva redistribuição do rendimento. Um caminho no qual, aliás, o risco de uma saída caótica do euro, com uma economia arrasada e em total ruptura, não cessará de aumentar.

Primeiro para a Grécia, depois para Portugal.

9/Abril/2012

*Professor de Economia da School of Oriental and African Studies (SOAS), membro do RMF (Research on Money and Finance)
**Doutorando em Economia na SOAS, membro do RMF.