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quarta-feira, 18 de abril de 2012

HUMOR - POR ANTÓNIO GARROCHINHO




O PIOR É QUE É VERDADE !


recordações - poema de António Garrochinho

recordações

recordo-te recortada na neblina da praia
molhando os pés na espuma morna e ousada
que deixava desenhos nos teus tornozelos
recordo a tua figura delicada
e o negro brilho dos teus cabelos
recordo essas tardes mágicas de amor
onde louvávamos o sol pôr
juntos, abraçados
anseio esses momentos
desenhar corações na areia molhada
e ver o teu sorrir
os teus olhos apaixonados

António Garrochinho



UE – União Empresarial?


Por mais que, em princípio, simpatize com a medida adoptada pela Presidente Cristina Kirchner, não possuo “ferramentas” que me permitam fazer uma análise séria ao que se está a passar entre o governo da Argentina e a petrolífera Repsol. Nem quanto à justeza, nem à legalidade, nem à oportunidade e utilidade real da nacionalização, nem ao que realmente possa estar por detrás do caso. Ainda assim...
Mesmo que a chamada União Europeia já nos tenha habituado à ideia de que os seus dirigentes e burocratas (quase) só levantam os nutridos rabos das cadeiras para arranjar dinheiro para os bancos (ou para si próprios)... ainda assim, o que se está a passar com relação a este episódio é nojento!
Nojento é mesmo uma palavra suave para classificar uma UE que, ao mesmo tempo que assiste, quase impassível, ao massacre dos trabalhadores de vários dos países que a integram... está numa agitação assinalável, reagindo mesmo violentamente à “agressão” do governo argentino... a uma gigantesca empresa privada espanhola.
Pena... que os simples trabalhadores contribuintes não sejam defendidos com esta garra! Pena... que os cidadãos não possam, a título individual, “desariscar-se” desta tremenda e descarada vigarice que é a chamada União Europeia!




Concurso de Bandas MUSIFARO 2012

2ª eliminatória
12  de Maio na ARCM em Faro

Dirty, Faro
. Smente, Faro
. Saída de Emergência, Loulé
. Genoma 3.14, Loulé


Não percam os concertos deste dia, é importante o vosso apoio!!!





Em defesa dos interesses de Portugal e dos Portugueses





No início dos anos 90 começou a ser publicado o “Região Sul”. Nessa altura, este jornal regional terá, com certeza, publicado notícias de um processo que iria determinar de forma decisiva o futuro do País. Refiro-me à destruição do aparelho produtivo nacional. Pagava-se aos agricultores para não cultivarem as suas terras, abatia-se a frota de pesca, desmantelavam-se indústrias vitais para o desenvolvimento nacional. Portugal passava a comprar no estrangeiro aquilo que aqui se deixava de produzir. Esta desastrosa política, prosseguida por sucessivos governos do PS e do PSD/CDS, acabaria por conduzir o País a uma situação de elevada dependência externa e ao crescimento acelerado da dívida pública.

A crise financeira mundial de 2008 veio agravar ainda mais a situação. O Estado correu em auxílio dos grandes grupos económicos e financeiros, assumindo os seus prejuízos (lembremo-nos dos milhares de milhões enterrados no BPN) e transformando dívida privada em dívida pública. Os mercados financeiros, aproveitando-se da fragilidade económica do País, desencadearam ataques especulativos à dívida pública portuguesa, levando a uma escalada das taxas de juro, num vergonhoso processo de extorsão da riqueza nacional. O Estado e a economia nacional começaram a enfrentar sérias dificuldades de financiamento.

Chegados a este ponto, os responsáveis pelas políticas que conduziram Portugal a esta dramática situação e aqueles que delas beneficiaram apressaram-se a lançar as culpas sobre os trabalhadores e o povo português. “Vivem acima das suas possibilidades!”, afirmaram despudoradamente, enjeitando as suas responsabilidades e preparando o terreno para a imposição de duríssimas medidas de austeridade no âmbito do memorando de entendimento com a troika externa, subscrito há um ano pela troika doméstica do PSD, PS e CDS.

O memorando da troika trata-se de um verdadeiro Pacto de Agressão contra Portugal e os portugueses. Exige insuportáveis sacrifícios aos mesmos de sempre, aumenta a exploração de quem trabalha, liquida direitos duramente conquistados e conduz a um retrocesso social de décadas, enquanto disponibiliza apoios milionários para o setor financeiro.

Este Pacto de Agressão, reforçado agora com o Tratado sobre Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária, não resolve – antes pelo contrário acentua – os graves problemas nacionais. Não contém qualquer medida destinada a promover a produção nacional, na agricultura, nas pescas e na indústria. Não contém medidas de apoio às micro, pequenas e médias empresas, que constituem a esmagadora maioria do tecido empresarial português. Não contém medidas de combate ao flagelo do desemprego.

A difícil situação que Portugal vive não é resultado de uma qualquer fatalidade, não é um azar do destino. É uma consequência clara de opções tomadas nos últimos 20-25 anos pelos governos da política de direita, quer do PS, quer do PSD/CDS. Foram estas políticas que ditaram o gradual declínio da capacidade produtiva nacional, arruinaram inúmeras pequenas empresas, aumentaram o desemprego e a precariedade, enquanto abriam caminho à reconstituição dos grandes grupos económicos monopolistas e à financeirização da economia.

As políticas prosseguidas pelo atual Governo, com a cumplicidade do PS, não permitirão que Portugal se liberte da armadilha da dívida externa; apenas perpetuarão a tutela da troika e a subordinação aos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros.

O que o País precisa é de uma política diametralmente oposta. Uma política que aposte na recuperação do aparelho produtivo nacional, no apoio às micro, pequenas e médias empresas, na valorização salarial, no combate ao desemprego e à precariedade, e no reforço da presença do Estado nos setores básicos e estratégicos da economia.

Para isso é necessário que se proceda, de imediato, à renegociação da dívida pública. Não uma reestruturação da dívida como se fez recentemente na Grécia, completamente controlada pelos credores e acompanhada por brutais medidas de austeridade. Portugal precisa de uma verdadeira renegociação – dos juros, prazos e montantes da dívida –, que permita libertar os indispensáveis recursos para o crescimento económico e o progresso social.

É este o caminho alternativo proposto pelo PCP. Em defesa dos interesses de Portugal e dos portugueses!

Deputado do PCP à Assembleia da República

Paulo Sá *
quarta-feira, 18 abril 2012

Durante comício em Paris

Sarkozy esconde relógio com receio de ser roubado (COM VÍDEO)

O presidente francês Nicolas Sarkozy protagonizou um momento caricato no domingo, momentos depois de discursar na Place de la Concorde, em Paris, durante a campanha para as eleições presidenciais.

Após o discurso, Sarkozy não evitou a multidão que se reuniu para o apoiar. No entanto, enquanto os cumprimentava, o chefe de estados francês foi filmado pelas câmaras a tirar o relógio do pulso, guardando-o no bolso do casaco.
À primeira vista, o gesto pode parecer algo ofensivo, como se o presidente desconfiasse de que alguém o pretendia roubar, mas, se for acrescentada a informação de que o objecto foi oferta da sua mulher, Carla Bruni, e está avaliado em cerca de 55 mil euros, talvez se perceba melhor a sua atitude.
Sarkozy seguiu a máxima "mais vale prevenir do que remediar", e não arriscou perder o seu precioso ‘Patek Phillipe 5130G'. Algo que não seria inédito, se tivermos em conta que o ex-presidente dos EUA, George W. Bush, ficou sem o seu relógio durante uma visita a Tirana, em 2007.


A caridadezinha (2)

Segunda feira publiquei um vídeo que serve de suporte a uma acção que dá pelo nome de “Desperdício Zero”. 
Tinha ouvido no rádio a canção e algumas notas sobre a iniciativa,
o numeroso numero de cantores,  o autor da letra e da musica e a qualidade que reconheço à generalidade dos participantes, não me levou a ter qualquer hesitação na procura e sua publicação em post. Tive o cuidado de copiar todos os nomes e acrescentá-los para que ficassem visíveis sem ter de se ir directamente ao You Tube.
Algumas coisas que já ontem e hoje, li com espirito crítico relativo à iniciativa levaram-me a procurar conhecer melhor a iniciativa, quem a promove, quem a apoia e quem a patrocina.

Primeiro. Está subjacente que a ideia é fazer com que parte dos produtos que habitualmente vão para o lixo a nível da restauração, porque não são servidos por falta de clientela, possam ser doados dentro das condições de higiene adequadas a quem delas necessita, outra ideia é a de que produtos a atingir o prazo de validade, mas ainda em perfeitas condições de consumo, desde que imediato possam também ser entregues a quem deles carece.

Põe-se aqui a questão. Está correcto? Aparentemente dar aos “necessitados” aquilo que por outros não é consumido? Claro que não! O ideal era que não houvessem seres humanos carentes das condições mínimas de sobrevivência. Sim é por isso que quem tem o mínimo sentido de justiça deve lutar e tudo fazer para que esta miserável situação que aumenta todos os dias, tenha um fim. Mas e até lá? Há algum mal em alimentar algumas bocas esfomeadas e por muito rápido que sejam ultrapassados os problemas com que a nossa sociedade se debate quantos continuarão nesta situação?

Lembro-me da “caridadezinha” e sobre isso já algumas vezes escrevi. Mas não confundo esta e outras iniciativas com os tempos em que as senhoras anafadas e ricas davam aos pobres as “sobras” e por isso eram enaltecidas.

Quanto ao alto patrocínio da Presidência da Republica, porque não? Sabemos o quanto tem de responsabilidade o actual P.R. nesta situação, talvez tenha dado o seu patrocínio como forma de limpar a sua consciência, mas que raio, que se aceite sem complexos algo que até pode ter algo de meritório. Desgraçadamente um pouco por todo o mundo há gente com fome. Todos os dias morrem dezenas de milhares de seres humanos vítimas de subnutrição. Subsistem várias organizações em torno da desgraça alheia, os actos meritórios e desinteressados deixam-me muita dúvida. Mas perante este flagelo que a ganância do Capital financeiro tem tendência a fazer aumentar, não chega desmascarar e criticar. A par da luta para pôr termo às origens desta situação, podemos fazer mais qualquer coisa para aliviar o sofrimento dos que de nós estão mais perto.

Sou dos que luta pela dignificação do ser humano. Luto para que não haja gente a viver da caridade. Mas vejo gente carenciada e a cada dia que passa, duma forma crescente. Se posso fazer algo para diminuir esse sofrimento, faço! VER MAIS

blog folha seca


Se Mentir na Justiça For Importante, Um dos DoisTerá que Ir à Vida...


Dadas as declarações um dos dois parece mentir... Como é que pode haver justiça se temos uma média de 50% de mentira nos dois principais responsáveis pelo assunto?
Num país minimamente sério um dos dois teria que ser demitido e deixar de viver à custa erário público...

Submarinos: Ministra assegura que pedido do PGR nunca foi feito. TSF
Caso submarinos: PGR diz que não há dinheiro para perícias. TSF

blog porque me dizem

ÁLVARO SANTOS PEREIRA

Ministro leva estudo sobre indemnizações à concertação

por LusaHoje
Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia, está hoje no Parlamento
Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia, está hoje no Parlamento
O ministro da Economia e do Emprego disse hoje que o estudo sobre indemnizações por cessação do contrato de trabalho elaborado pelo ministério que tutela é indicativo e vai ser levado à concertação social.
Em declarações aos jornalistas antes de ser ouvido na comissão parlamentar de Economia,
"Este estudo toma em conta algumas especificidades da economia portuguesa e diz que a média é entre sete e 13 [dias]. No entanto, esta é uma matéria que será alvo de concertação", afirmou, recordando que o memorando de entendimento assinado com a 'troika' refere que as compensações deverão baixar entre oito e 12 dias.
Já durante a audição, o ministro disse que o estudo é um documento indicativo, que terá de ser discutido em concertação social.
Em Portugal, entrou em vigor em outubro uma nova lei que estipula indemnizações de 20 dias por cada ano de trabalho, com um limite máximo correspondente a 12 meses de salários e são esperadas novas alterações no âmbito do Memorando de Entendimento da 'Troika'.
Até então os portugueses tinham direito a 30 dias de salário por cada ano de trabalho em caso de cessação de contrato.

O anticomunismo, arma estratégica da ideologia burguesa

O anticomunismo, arma estratégica da ideologia burguesa

Por Manuel Gusmão 





A ideologia burguesa é a ideologia da burguesia. Dizer isto parece ser uma banalidade sem consequências ou uma mera tautologia Mas talvez não o seja. É que uma das características básicas da ideologia burguesa consiste em recusar que seja uma ideologia e que seja referida a um sujeito social preciso, a burguesia.

Assim, a maior parte das vezes, a ideologia burguesa tenta fazer-se passar por uma espécie de senso comum, ou por uma difusa doxa, uma espécie de «opinião pública» que atravessasse as fronteiras entre as diferentes classes. Todas essas formas de se considerar a si mesma, comportam gestos que visam recusar e dificultar a sua percepção como ideologia, ou seja, um conjunto de representações, imagens do mundo e valores que exprimem os interesses e as necessidades de reprodução das condições de existência de uma determinada classe social.

A ideologia burguesa funciona, assim, como um conjunto de «evidências» destinadas a promoverem uma (falsa) consciência de si no mundo e na sociedade, por parte de indivíduos vivendo numa sociedade de classes antagónicas.





 Uma outra das suas características básicas que visa também dificultar a sua percepção como ideologia, que representa os interesses, os desejos e os fantasmas de uma classe social, manifesta-se no seu carácter intensamente contraditório, flexível, destinado a adaptar-se a um número extensível de conjunturas e a diferentes funções - sujeito.

Sendo social e colectivamente produzida, a ideologia burguesa funciona como uma banca onde se vão buscar estruturas pré-fabricadas de sentidos que asseguram aos indivíduos uma estruturação e uma afirmação de si próprio como sujeito. Podemos dizer que o indivíduo abstracto burguês é um produto das relações de produção capitalistas e da ideologia burguesa que se apresenta como um pensamento que seria uma função de tal sujeito. Ou seja, a ideologia burguesa constitui um sujeito ilusoriamente criador de um pensamento, que é de facto fabricado algures.
 
O anticomunismo é uma das formações da ideologia burguesa de conteúdo mais virulento e agressivo. O que aqui pretendemos não é identificar todas as variantes do anticomunismo, mas apenas algumas, que estão mais activas no nosso país e em circunstâncias eleitorais.

1) Sobre o tema do Trabalho

 A – Os comunistas são apontados como os principais responsáveis pelo carácter atrasado da nossa economia, porque ‘não querem e não deixam os outros trabalhar’, ‘só fazem greves e não querem que se aumente a competitividade das empresas’.

B – Os comunistas são «produtivistas»: privilegiam a quantidade da produção, em vez da sua qualidade da produção. Porque privilegiam a quantidade da produção, logo que se apanhem no poder aumentarão o horário e os ritmos de trabalho que agora contestam.
Interessante é verificar como a ideologia burguesa manifesta um grande pudor linguístico e uma susceptibilidade semântica que a leva a procurar impor designações que recobrem as realidades chocantes da exploração capitalista com eufemismos ou fórmulas que escondam por exemplo a conflitualidade de classe e a oposição entre o trabalho e o capital. Assim, o capital esconde-se por trás de uma cortina de «empregadores» ( sem os quais, como se deduz do próprio corpo da palavra, não haveria emprego), de «empreendedores» (de onde se gera um nome que gostariam que substituísse o de capitalismo o de «empreendorismo») e os seus trabalhadores assalariados são «promovidos» a «colaboradores». A «flexibilidade», a «flexibilização», a «flexissegurança» e outras invenções terminológicas buscam esconder e retirar da discussão aquilo que está efectivamente em causa, a desregulamentação das relações de trabalho, a precarização do trabalho, o ataque desenfreado aos direitos do trabalho e ao trabalho com direitos.

Aliás, a «criatividade semântica» é de tal modo um vício que até as designações oficiais, «técnicas», revelam esse tipo de pudor. É por isso que os trabalhadores assalariados são designados trabalhadores por conta de outrem – assim, procura retirar-se da exposição explícita e do exame crítico o salário e o salariato.

2) Sobre o tema da Organização

A primeira manifestação da intervenção ideológica burguesa está aqui na própria escolha da palavra: a organização, aquilo a que chamamos com orgulho «o colectivo partidário» é pela burguesia designado como máquina.


 A – Há usos da palavra que são tidos como positivos, significando por exemplo que alguém ou uma instituição é dotado de um elevado grau de eficácia ou eficiência no desempenho de uma dada tarefa ou função: «Fulano é uma máquina»; «O PCP é aquela máquina».

 
B – Entretanto, a expressão quando utilizada numa conversa com alguma extensão presta-se a um uso pejorativo e a uma significação negativa. É fácil encontrarmos contextos do uso da palavra, em que ela pretende representar o funcionamento mecânico, ou sem alma; os militantes organizados são apresentados como peças de uma máquina, treinados, como os elementos de um exército, a responderem, ou seja a obedecerem cegamente. Em outras ocasiões ainda, a palavra máquina pode significar organização e funcionamento burocráticos. O PCP é reduzido a ser um «aparelho», ou é um conjunto de pessoas, amalgamadas e dominadas por um «aparelho».

O princípio de que ninguém deve ser beneficiado nem prejudicado pelo exercício de cargos públicos para os quais se foi eleito em representação do PCP, é apresentado como um traço de igualitarismo que penaliza o legítimo desejo individual de ascensão ou promoção social por mérito, e deixa esses representantes eleitos sujeitos à vontade do Partido, mais do que a representarem aqueles que os elegeram.

3) «Os partidos são todos iguais»

Pode dizer-se que esta «fórmula» embora parecendo corresponder à experiência real que os eleitores têm dos partidos burgueses e da mistificação que é a representação formal na democracia burguesa, é desviada desse terreno e é posta a funcionar fundamentalmente contra o PCP. Porque o PCP é o partido mais diferente, pela sua natureza de classe, pela teoria que o guia, pelos objectivos imediatos e finais que prossegue, pelas regras explícitas do seu funcionamento, o PCP deveria ser a opção eleitoral de inúmeros leitores fartos de serem enganados pelos partidos em que têm votado. Entretanto a fórmula «são todos iguais» é usada particularmente por aqueles que, desesperados com o sistemático logro em que são levados a cair, não são ainda capazes de alterarem a sua opção de voto e votarem no PCP. A fórmula «são todos iguais» é assim uma espécie de seguro de vida para os partidos da política de direita que assim conseguem que os seus eleitores rigorosamente não vejam a diferença dos comunistas.

O silenciamento, o discurso da exclusão
e a invisibilidade dos comunistas

O anticomunismo, enquanto arma fundamental da ideologia burguesa, indica a direcção e a orientação fundamental da sua estratégia de mistificação. Os seus diferentes temas visam assegurar a «invisibilidade» dos comunistas. Por isso, um dos eixos fundamentais do seu comportamento é o sistemático, prolongado e implacável silenciamento da sua voz, das suas propostas, da sua história, indiscernível da história do povo português no último século e da sua presença quotidiana na sociedade portuguesa.

O silenciamento do PCP é assumido por um discurso que atribui ao excluído a responsabilidade por aquilo que é assim apresentado como a sua auto-exlusão. É o que o próprio PCP é, aquilo porque tem combatido e combate, que é a razão da sua (auto)-exclusão.


 A exclusão do PCP é, por outro lado, «justificada» porque o PCP «está fechado à realidade». A credibilização desta ideia passa por uma manipulação completa da realidade. Assim, o PCP não aparece na realidade portuguesa porque dela foi previamente retirado. A televisão não concede a palavra ao PCP, ignora acções, grandes reuniões, debates de propostas para os problemas do País, lutas um pouco por todo o país e em variadíssimos sectores da vida nacional, e depois conclui que o PCP está calado, não tem opinião, não é visível. Nos debates sobre os grandes temas económicos, políticos e sociais, frequentemente não há um comunista. O argumento, que podem explicitar, ou deixar que as pessoas o infiram: é o de que não há comunistas que sejam especialistas dessa matéria, ou que tenham ideias interessantes sobre aquela matéria. Isto torna-se mais escandaloso quando o tema parece trazer consigo os comunistas, os trabalhadores, a sua luta. Suponhamos uma luta de empresa ou a luta num sector profissional. Se é demasiado escandaloso não convidar nenhum representante dos trabalhadores, da CGTP ou dos comunistas, a dificuldade pode ser contornada convidando a participar um elemento da UGT, mesmo que nada efectivamente represente nessa luta ou nesse sector de actividade, ou um especialista universitário de «sociologia do trabalho» que represente os interesses patronais.

A manipulação da realidade, a fabricação do consenso e a imposição da obediência

A televisão e os media em geral apresentam as medidas que o Governo (seja ele um governo do PS, seja ele do PSD e do CDS) vem tomando como inevitáveis. Esta é uma das características que identificam a política de direita: a inevitabilidade é uma espécie de deus ex maquina que governa a situação política, social e económica portuguesa. A tentativa de convencer dessa inevitabilidade representa uma activa imposição da obediência, baseada na generalização de um falso consenso, que é sobretudo a obtenção, pela violência psicossocial e pela aculturação, de uma disposição para o consentimento. Esse consenso manipulado que se visa impor é também a partilha de uma outra ideia que não precisa de ser explicitada para ficar a pairar suspensa, ao nível sub-consciente dos espectadores, mas sempre que necessário pronta a ser reactivada, segundo a qual o capitalismo é a realidade, a ordem natural das coisas; e a realidade é um dado intransponível, imóvel e intransformável, contra o qual nada se pode fazer. O PCP ao não aceitar esta realidade, que representaria o final da evolução histórica, mostra assim estar fora da realidade.

 A «realidade» é configurada pelos grandes meios audio-visuais de forma intensamente mistificadora. Desde os programas de informação ao conjunto da programação; tudo trabalha para impor uma noção de realidade.

A realidade é algo de inteiramente visível: é algo que se vê completamente, no ecrã de televisão, que mostra o que se passa (presente), ou o que se passou, (passado) e se pode passar (futuro).

Telenovelas, noticiários, diversos tipos de talk-shows, concursos, documentários, séries, filmes, tudo se homogeneíza num discurso uniforme e absolutamente dominante, que absorve qualquer reparo crítico, que tende a impor modelos de reconhecimento da realidade e padrões de comportamentos aceitáveis.

Toda a descrição da realidade é, neste quadro, subordinada à definição de objectivos a alcançar, num determinado momento. Os reality-shows, por exemplo, não se limitam a pôr ou a «dar» em espectáculo aquilo que é a realidade, mas constroem modelos de comportamento susceptíveis de serem reconhecidos e adoptados. As sondagens mais do que diagnósticos de um estado da opinião são construções tendentes a induzir determinados resultados. Os programas de entretenimento potenciam o que já é conhecido quanto aos valores e desejos maioritários e tendem a torná-los ainda mais maioritários. 

É conhecido o fenómeno da espectacularização do político e da aplicação da lógica da publicidade comercial à propaganda política. São os efeitos de expansão de dois dos grandes valores da ideologia burguesa, que reflectem duas tendências do desenvolvimento do capitalismo contemporâneo: a mercadoria – a tendência para a mercantilização de todas as relações sociais e humanas; e o espectáculo – a tendência para a espectacularização de todas as esferas da vida humana.

Estes dois valores e tendências exprimem a imposição de dois modelos da organização burguesa do viver social: o mercado substitui o diálogo e o confronto no espaço público, o espectáculo impõe a distância e promove uma satisfação ilusória dos desejos dos cidadãos reduzidos de participantes a espectadores.

A ideologia burguesa, jogando com estes dois valores, acaba por confundir o funcionamento do mercado capitalista com o funcionamento da democracia e este com o da representação.

São várias as formulações produzidas sobretudo na área das relações internacionais onde os representantes do imperialismo e das potências capitalistas identificam, numa confusão deliberada, as sociedades democráticas como «sociedades de livre mercado». Essa confusão é tal que para a ideologia burguesa dizer que as sociedades democráticas são sociedades de mercado e estas são necessariamente sociedades democráticas é rigorosamente equivalente, embora essa equivalência possa ser empiricamente refutada. 

Por outro lado, pode dizer-se que a ideologia burguesa é uma idolatria da representação. A sua concepção da democracia tende a esgotar-se no mecanismo de representação, que introduz ou supõe uma separação inultrapasssável entre representantes e representados. Essa separação traduz-se numa forte desigualdade na participação e exercício do poder. A maioria da população só pode ser representada, a sua participação no poder limita-se à escolha de quem serão os seus representantes. A pressão das divisões de classe numa dada sociedade e os mecanismos de controlo da opinião procedem a uma evidente (e, contudo, silenciosa) selecção social dos representantes. Assim, os trabalhadores tendem a ser representados por indivíduos com outras origens e situações de classe.

 É claro que as sociedades baseadas na exploração do trabalho e na opressão dos trabalhadores tudo fazem para autonomizarem a representação, da função pela qual ela é representação de outros. Assistimos então a uma manipulação da representação de tal forma empreendida que os representantes em vez de cuidarem da fidelidade àqueles que os escolheram para os representarem, constroem a representação como modelação retroactiva dos representados.

A representação pode então tornar-se um colossal embuste: os representantes escolhem e fabricam os conteúdos da representação; modelam e remodelam a vontade daqueles mesmos que os «escolheram» como seus representantes e que, nesse preciso momento, ficam sem efectiva representação.




Fonte; Revista O Militante  Nº 313 




Qual será o problema do FMI

A comunicação social tem vindo a dar conta de algumas críticas e receios do FMI ao programa de austeridade que está a ser implementado em Portugal, ainda hoje a edição impressa do jornal Público dava conta dos receios de que o Estado possa perder uma boa parte dos seus melhores quadros, algo que parece preocupar mais a instituição financeira internacional do que um governo formado à base de gente cuja matriz é precisamente o ódio à competência no Estado.

Estamos perante uma demarcação do FMI em relação à política económica do Gaspar, serão apenas receios manifestados publicamente por esta instituição ou o FMI está a dizer que nem tudo o que se está a passar me Portugal merece o seu acordo e que não assumirá as consequências caso as coisas corram mal. A verdade é que sempre existiram divergências entre os membros da troika e entre esta e o governo. A troika defendia uma descida da TSU e venceu a tese de Vítor Gaspar do empobrecimento forçado e feito á revelia da democracia, António Borges saiu do FMI em conflito com a actual directora e agora é ministro sombra do governo, a troika optou pelo silencia público na sequência da última avaliação tendo o Gaspar chamado a si todo o protagonismo, mais recentemente é o governo a demarcar-se da troika dizendo que não lhe comunicou previamente algumas decisões.

A verdade é que toda a gente já percebeu que as coisas estão a correr mal, os erros de previsão do competente Gaspar fazem esquecer os de Teixeira dos Santos, o desemprego cresce em exponencial, não se sabe bem a que período temporal se aplicam os abusos do Gaspar, o aumento dos impostos revelou-se ineficaz pois ao aumento das taxas não corresponde um aumento equivalente das receitas, todos rezam para que a economia não entre numa espiral de recessão. Portugal está hoje mais endividado, mais pobre e menos competitivo do que no dia em que a direita chumbou o PEC IV.

A política governamental é pouco transparente, o governo português é menos transparente do que os governos de algumas ditaduras, agora já nem se sabe o que o governo decidiu, decide-se às escondidas e os portugueses só sabem o que foi decidido quando já está em vigor, os cidadãos são tratados como doentes mentais. Não se sabe bem o que está neste momento acordado entre a troika e o governo, a oposição é desprezada nas negociações entre o governo e a troika, udo é feito nas costas dos portugueses e do parlamento.

Não admira que o FMI se comece a demarcar e tome uma posição bem mais dura do que as que têm sido tomadas, por exemplo, por António José Seguro. Fica-se com a impressão de que o FMI receia o por e começa a demarcar-se dos excessos de austeridade do governo português e da dupla formada pelo extremista Gaspar e pelo ignorante Passos Coelho.

Aliás, o próprio Paulo portas há muito que saiu de cena e se na campanha eleitoral o líder do CDS prometeu ser o amaciador a aplicar a seguir ao shampoo mata-piolhos aplicado por Passos Coelho, a verdade é que desde que roubou o AICEP ao sô Álvaro o Paulinho das Feiras desapareceu e o papel de amaciador tem sido desempenhado pelo suposto líder da oposição.