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quinta-feira, 12 de abril de 2012


Guiné-Bissau: Golpe militar em curso

Carlos Gomes Júnior foi o vencerdo da primeira volta das eleições presidenciais guineenses (foto ASF)
Tiroteios, pânico e descontrolo nas ruas de Bissau
Vários tiros foram ouvidos ao princípio da noite desta quinta-feira em Bissau, onde há pessoas a correr em pânico nas ruas, sendo visível aparato militar, Segundo avança a France Presse, os militares já tomaram controlo da Rádio Nacional e da sede do PAIGC, o partido do poder, e há grande aparato policial nas ruas.
Há relatos da continuação de tiroteios e de pânico entre a população e de descontrolo nas ruas de Bissau, capital do país, onde as forças militares também cortaram as estradas.
Desconhece-se o paradeiro do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior - candidato do PAIGC e vencedor da primeira volta das presidenciais guineenses - depois de, esta quinta-feira, terem sido disparados tiros de metralhadora junto à sua residência oficial que terá sido atacada por militares com granadas.
Embaixada de Portugal e outras representações diplomáticas na Guiné-Bissau cercadas por militares
A Embaixada de Portugal e outras representações diplomáticas na capital da Guiné-Bissau estão cercadas por militares, disse à lusa o embaixador português em Bissau.inlusa
blog D"SUL

Madeira: Partidos têm de devolver milhões

O Ministério Público no Tribunal de Contas (TC) da Madeira está a notificar actuais e ex-líderes parlamentares da região para que devolvam mais de 5,8 milhões de euros de subvenções, utilizadas «indevidamente» em 2006 e 2007. Se não o fizerem, serão alvo de acções de responsabilidade financeira.
Em causa estão duas auditorias feitas pelo TC às subvenções dadas aos grupos parlamentares em 2006 e 2007. O Tribunal concluiu que todas as bancadas e os deputados independentes utilizaram, em actividades partidárias ou injustificadas, os subsídios atribuídos pela Assembleia Legislativa Regional. Ou seja, o TC diz que as verbas destinadas aos grupos parlamentares foram desviadas para financiar as actividades dos partidos e não apenas os gastos dos gabinetes parlamentares, tal como prevê a lei orgânica da Assembleia legislativa.
Segundo os relatórios, a bancada do PSD-Madeira é a que tem mais verbas a devolver: 4,4 milhões de euros. Segue-se a do PS, com 848 mil euros, e a do CDS, com 229 mil euros, que não foram justificados nas actividades previstas na lei. Também o PCP terá de devolver 150 mil euros, o BE 62 mil euros, o MPT 38.961 euros e o PND 25 mil euros.
‘Estamos a decidir o que fazer’
O antigo presidente do grupo parlamentar do CDS Madeira, José Manuel Rodrigues, já foi notificado pelo procurador-geral-adjunto do TC. «É-me solicitado o pagamento voluntário de 61.496,23 euros referentes a 2006 e 167.544,10 euros referentes a 2007, que o Tribunal entende ser da minha responsabilidade como líder do grupo parlamentar à época».
O deputado tem 30 dias a contar da última notificação para devolver a verba, mas recusa adiantar qual será a sua posição. «Estamos ainda em prazo para decidir o que fazer», limita-se a dizer, adiantando que o CDS-Madeira já contestou as conclusões das auditorias: «Nenhuma verba foi usada para outro destino que não actividades políticas e todas as receitas foram auditadas pelo Tribunal Constitucional». Se não pagar, o TC avançará com um pedido de responsabilidade financeira. «Se o fizer, fico isento de responsabilidade», diz José Manuel Rodrigues.
Também João Isidoro, presidente do MPT, terá de devolver cerca de 40 mil euros que o TC considerou injustificados. «Cerca de 10.600 euros são do período em que fui candidato independente pelo PS. Os restantes ao tempo em que era deputado do MPT», disse ao SOL.
João Isidoro garante que todas as verbas – bem como as do outro deputado independente pelo, PS Ismael Rodrigues – «foram justificadas», inclusive a compra de uma carrinha «para o transporte de crianças de uma instituição de solidariedade ou os gastos em material escolar para a Associação Abraço».
O actual líder do MPT não quer acreditar que será obrigado a pagar por uma prática diz estar institucionalizada na Madeira: «As subvenções foram a forma airosa que a Assembleia legislativa arranjou para financiar os partidos da Madeira. Foi sempre assim. Só agora é que o TC leva a letra a lei orgânica da Assembleia». Por isso, defende que a lei deveria regularizar estas situações e tornar todo o processo transparente, já que na Madeira as contas dos grupos parlamentares e dos partidos sempre se confundiram.
Prática de muitos anos
É isso que admitem também o CDS e o PSD na região. Para José Manuel Rodrigues, a devolução das verbas já justificadas não faz sentido porque «as transferências de dinheiros entre o grupo parlamentar e o CDS estão suportadas num protocolo existente há muitos anos e devidamente documentadas».
Este é também o argumento usado pelo líder parlamentar social-democrata. Jaime Ramos, que garante ainda não ter sido notificado pelo TC para devolver os 4,4 milhões de euros de verbas que o TC considerou injustificadas diz que as subvenções da Assembleia Legislativa «são desde 1976 directamente transferidas para o PSD, pois o grupo parlamentar é um órgão do partido, mas não tem conta bancária, nem número de contribuinte». Há depois «um protocolo entre o Grupo Parlamentar e o PSD para apoiar as suas iniciativas», acrescenta.


16: Moments


William Hoffman é um cineasta de Nova York, que criou este vídeo que considera “uma celebração da vida”, inspirado no livro de David Eagleman, Sum.
Esse vídeo, diferente do tão famoso e viralizado “Sun screen” “Filtro solar”, não tem locução, ou melhor, a locução se forma na cabeça de quem vê e transporta esses momentos para sua própria vida.

MACDONES O VENDEDOR DE PEIXE DE SANTA BÁRBARA DE NEXE- OS ARRIEIROS



MACDONES, O VENDEDOR DE PEIXE


O MAC era  um relógio suíço. Às onze  e meia da manhã passava nos Braciais, vindo não se sabe de onde, talvez de Olhão,  na sua bicicleta com as duas canastras semi cheias de carapau e sardinha E o Mac, que tinha a sua clientela certa,  fazia accionar o búzio donde saía aquele  ruído seco  tipo buuuuuuuu e as mulheres vinham  e bradavam por ele, éh Mac, espera aí Mac. E o Mac parava. Mal o Mac parava  e descia da bicicleta o mulherio avançava e questionavam o Mac, perguntando éih Mac, o que é que tens aí hoje Mac? E ele, aqui são sardinas  a cinco escudos o cento  e aqui são carapaus a sete escudos o cento. Mac, o preço está alto.. tens de baixar Mac .. e o Mac nada... e a luta continuava até uma conclusão final. De referir que  a venda destes peixes avulso era ao cento e raramente ao quilo, pois nem todos tinham balança.    

SANTA BÁRBARA DE NEXE deu muitos vendedores ambulantes e o Mac era um dos mais populares. Mac tinha fibra  e quando chegava à aldeia, na subida,  já com a canastra vazia ou quase, o Mac dava espectáculo. Mac punha aquela marcha de pedalada na bicicleta e dali não saía.  O Mac às vezes irritava-se... mas passava-lhe pouco tempo depois. Vida dura aquela  do Mac mas  o Mac era vendedor de peixe e tinha os seus clientes que não podia abandonar. Ele era o fornecedor daquela rapaziada amiga.. .Na venda da Maria Rosa todos esperavam por ele, regateavam os preços mas o Mac tinha sempre um sorriso para toda a gente. Mac amigo,

A TUA CLIENTELA TE AGUARDA

Eram doze  e trinta quando o Mac chegava,
Vinha cansado da subida mas estava feliz....
O Mac... vendia sim... mas também dava,
Algum peixe... de “contrapartida” ...como ele diz.

Os meus fregueses gostam de mim... eu sei...
Porque eu às vezes acrescento um pouco ao peso
Mas, é assim...  dou-lhes do peixe que eu comprei
E se alguém ficar lesado sou eu que  a mim próprio leso.

O Mundo seria melhor se fossemos todos assim...
Mal iria o Mundo se comprassem todos a mim.
Só porque eu ofereço um peixe à cliente.

Mas se o peixe é bom e há compradores
Eu também posso oferecer algum sem favores
Ganham os fregueses, ganho eu e toda a gente....
João Brito Sousa



                            


ARRIEIRO

"Buuu, Buuu, Buuu ...  ...  vem aí o Arrieiro!"

Na Conceição de Faro, há alguns anos atrás, o Arrieiro era o vendedor de peixe que ia de porta em porta fazendo a sua venda ou seja, nem mais nem menos que o Almocreve que neste caso apenas se dedicava á venda de peixe.

O homem percorria uma grande distância desde que se abastecia na lota de Faro ou de Olhão, até á venda do peixe que era feita de forma ambulante, utilizando o burro, para transportar as canastras de peixe.

Mais tarde com o aparecimento das bicicletas, primeiro a pedal e depois a motor, passam a ser esses os meios de transporte que o Arrieiroutiliza.

Recordo alguns dos Arrieiros que pela sua longevidade, assiduidade e forma particular de fazer a venda, foram famosos na nossa freguesia, tais como: -o Joaquim Barras (Chebarrinho), o António Fitas, o Emilio, o Sareto, o Pinto (Marroco).

Um dos Arrieiros mais esforçado foi o Francisquinho Albardeiro que não possuia burro, nem tão pouco bicicleta e por isso fazia a sua venda a pé.
Não sei ao certo o tempo que andou nesta actividade, mas o facto é que percorria uma grande parte da freguesia a pé, com as canastras do peixe colocadas uma em cada ponta de uma vara que depois transportava ao ombro.

O peixe normalmente Carapau (charro) ou Sardinha era vendido á meia dúzia, dúzia, dúzia e meia, quarteirão,  meio cento ou um cento.

O peixe mais "grado" como o charro do alto ou liro e a cavala,  vendiam-se á unidade, um, dois ou mais de acordo com o desejo do comprador.

Para anunciar a sua presença o Arrieiro utilizava uma buzina feita da casca de um grande búzio ou uma corneta de metal que quer esta quer aquela produziam um som caracteristico e inconfundível.

Buuu! Buuu! Buuu! Toda a gente sabia, vem aí o Arrieiro!

E o homem lá chegava mais ou menos á hora habitual, ainda a tempo de comprarmos o peixe para o almoço.

No inverno, na falta de peixe fresco vendia-se peixe salgado. A sardinha amarela, assim chamada por adquirir essa cor com o tempo de "salga".
Também se vendia, berbigão, ameijoa e conquilha.

Estes usos foram mantidos ao longo dos tempos, embora com as necessárias adaptações a cada época, passando o peixe a ser vendido a peso, com mais escolha nas espécies comercializadas. Também as velhas bicicletas a pedal ou a motor, foram aos poucos, substituídas por furgonetas.

Actualmente a actividade ainda existe mas o vendedor desloca-se numa moderna carrinha com caixa isotérmica com todas as condições de higiene, utilizando uma moderna balança electrónica.
Publicada por                               

RECADOS PARA O GOVERNO - VAI TOMAR NO C. (clip)


A Beleza


"Eu sou bela, ó mortais! como um sonho de pedra"


Baudelaire





blog feira das vaidades

MEDIR OU NÃO MEDIR A ESTRADA -(sonetilho) - A EQUAÇÃO DA VIDA (sonetilho) - Blog Poetaporkedeusker - de Maria João Brito de Sousa

A EQUAÇÃO DA VIDA - Sonetilho


São tantas as variáveis
Desta equação de viver
Que os resultados prováveis
Jamais se hão-de resolver

Mas, entre as mais condenáveis
Das mil coisas por fazer,
Estará sermos vulneráveis
Aos disfarces do Poder!

Que, ao pouco que aqui fizermos,
Se acrescente o nosso amor
Pois, nas mil voltas que dermos,

Andaremos ao sabor
Da Vontade que opusermos
A tudo o que é predador…





Maria João Brito de Sousa
Blog Poetaporkedeusker



A regra de ouro


O PS revelou hoje que é à esquerda, enquanto partido, um ator definitivamente ausente. Qualquer cidadão de esquerda, independentemente da sua árvore genealógica, percebeu que a regra de ouro de défice estrutural de 0,5% a ser inscrita numa lei para-constitucional, ou mesmo na Constituição, é a tradução para a arquitetura jurídica portuguesa do liberalismo extremado eterno e da austeridade permanente.

Não se pode defender retórica e esteticamente o Serviço Nacional de Saúde, a Segurança-Social, a Escola Pública, em suma, o Estado Social e depois promulgar o seu assassinato com o voto favorável ao tratado europeu, imagine-se - depois deste teatrinho todo da adenda do "crescimento económico" - com disciplina de voto. A lucidez da discussão dos factos e dos efeitos atesta automaticamente a incoerência e a mentira política. A troika e o Estado Social, pertencem à partida, a campos radicalmente opostos, sem qualquer nexo ou fio de correlação possível.

Honestamente, não era de esperar outra coisa na prática nem nos argumentos. O voto favorável dos "socialistas" deve-se ao sentido de estado e à responsabilidade de defesa dos superiores interesses da nação, quando a coisa chega a este ponto, entende-se que o PS não tem um único argumento que fuja para lá da política austeritária, para defender a sua posição política à esquerda. O interesse nacional é em todas as circunstâncias, enquanto argumento, o mais barato, populista, demagógico e vazio, e ao mesmo tempo, a última divisão da discussão política e ideológica.  

Não é de estranhar que se tenha ouvido por parte de Francisco Assis e de Mota Amaral ataques viscerais às propostas da esquerda parlamentar anti-troika, de abnegação total do papel da democracia enquanto processo de decisão coletiva, criando uma narrativa que toda e qualquer proposta plebiscitária ou de consulta popular é um entrave político, uma não solução, uma reação conservadora. No passado, o argumento era parecido, mas apesar de tudo diferente, recordo-me que o Tratado de Lisboa não foi referendado porque o "povo não estava informado para o efeito". O espírito desta ideia em toda a sua forma e conteúdo é profundamente autoritária. Quando a democracia e o direito de participação pública cidadã são uma barreira à condução da vida do país, sabe-se que a soberania popular é algo que a elite portuguesa tem prazer em abdicar para conduzir seguramente o seu programa de extorsão. Não fosse o povo votar mal.

A saída do troikismo, cabe à união de todos que se lhe opõem, o Partido Socialista relembrou hoje aos esquecidos, que não está nessa.

blog Adeus LENINE

SELEÇÃO DE POEMAS ILUSTRADOS - ANTÓNIO GARROCHINHO












Quanto custará uma chamada do Pedro Mota Soares para a Direcção do Jornal de Notícias?


Às exatas 00:00 horas do dia em que o Conselho de Ministrosaprova mais uma medida rumo à eliminação total e completa do RSI - a redução máxima da prestação dos 32 para os 12 meses - o JN publica na sua página esta matéria com o título que se pode ler acima. Repare-se que a Jornalista Leonor Paiva Watson não escreve RSI, escreve Rendimento Mínimo, pois é por esse nome que o povo conhece esse mecanismo satánico promotor da preguiça. O objectivo já foi alcançado, com milhares de pessoas a partilhar este escândalo de alguém receber em média 88 euros por mês e não conseguir estudar ou procurar emprego.

É caso para perguntar: A quanto equivale em prestações do RSI uma chamada de Pedro Mota Soares para a direcção do Jornal de Notícias?
blog Adeus Lenine

SANTANA LOPES : REFORMAS: FOI UM GOLPE NA CONFIANÇA PORTUGUESES!

SÍNTESE - Santana Lopes critica a suspensão das reformas antecipadas - "Foi um golpe na confiança, lá isso foi", defendeu Santana Lopes, no seu habitual comentário na TVI24. Para o responsável, "a reforma é um contrato entre duas partes, e quando uma das partes altera unilateralmente o contrato, e sem aviso prévio, as pessoas sentem-se traídas".

O social-democrata diz que o Governo provocou um golpe de confiança com os portugueses e não explicou bem ainda a razão da decisão de suspender as reformas antecipadas.
explica.
"Para se fazer isto às pessoas tem de ser tudo muito bem explicado, e de facto não foi sequer explicado antes e não foi muito bem explicado depois, nem foi muito bem explicado, na minha opiniao, ainda", acrescenta.
Recorde-se que na semana passada o Governo aprovou a "suspensão imediata" das normas do regime de flexibilização da idade da reforma antes dos 65 anos, admitindo contudo o acesso à pensão de velhice aos desempregados involuntários de longa duração.
A decisão de suspender as reformas antecipadas tem sido alvo de fortes críticas, nomeadamente por não ter sido comunicada quando foi aprovada no Conselho de Ministros de 29 de Março.


 Espanhóis à procura de parceiro... para explorar petróleo
11-04-2012 22:45:00

REPSOL quer encontrar investidores para perfurarem a costa do Algarve, depois da desistência dos alemães.
 
petroleo_offshore.jpg
Ver Galeria
 
Segundo o jornal "O Económico" a garantia foi dada por Max Torres, director para o norte de África e Europa da Repsol, durante o encontro sobre recursos energéticos em Portugal promovido pelo lide - Grupo de Líderes Empresariais.
Torres mostrou-se convicto da existência de gás natural na região devido às características geológicas, semelhantes às duas explorações que a Repsol tem na zona de Cádis.
Recorde-se que os espanhóis da Repsol ganharam por concurso a concessão dos blocos 13 e 14 da exploração de gás natural no Algarve, num investimento total de cerca de 83 milhões de dólares. Destes, 65 milhões estão relacionados com a perfuração de um poço de gás. O consórcio inicial era constituído em 70% pela Repsol e em 30'% pela RWE, mas o grupo alemão acabou por abandonar o projecto devido à reestruturação dos seus activos.

Observaório do Algarve

Leitura do acórdão feita esta manhã

Absolvidos todos os arguidos do caso Portucale



Chegada de Abel Pinheiro ao tribunal esta manhãChegada de Abel Pinheiro ao tribunal esta manhã (Rui Gaudêncio)
 Todos os arguidos no processo Portucale, ligado ao abate ilegal de sobreiros para a construção de um empreendimento imobiliário e turístico em Benavente, foram absolvidos.

A leitura da sentença decorreu nas Varas Criminais de Lisboa. Todos os arguidos foram absolvidos das acusações de tráfico de influências, de abuso de poder e de falsificação.

Não houve provas nem especial intenção relativamente ais crimes de que os 11 arguidos do caso vinham sendo acusados, considerou o tribunal. Por isso, decidiu absolvê-los a todos.

Ao fim de sete anos, o processo acabou, esta manhã, com beijos, abraços e parabéns, na sala de audiências, entre arguidos e advogados. A fundamentação detalhada, para já, não se entendeu porque, apesar da peitura do acórdão ser um acto público e obrigatoriamente compreensível, a juíza presidente do colectivo, Laura Maurício, leu a decisão a alta velocidade, sem pausas, sem pontuação e, muitas vezes, de forma imperceptível.

À saída do tribunal, o ex-director-geral das Florestas, António de Sousa Macedo, considerou ter-se feito justiça. Contudo, realçou a morosidade do processo. Carlos Pinto de Abreu, advogado de defesa de António de Sousa Macedo, considerou que a decisão pôs “fim a um longo calvário” dos arguidos, que foram “flagelados” apesar de serem pessoas inocentes, pelo que hoje se assistiu à “morte da injustiça e à ressurreição da verdade”.

José António Barreiros, advogado do principal arguido, o empresário e ex-dirigente do CDS-PP Abel Pinheiro, repetiu aos jornalistas que o seu constituinte agiu "de modo lícito e é um homem honrado".

Por sua vez, Abel Pinheiro, mostrando-se agradado com o desfecho do processo, salientou "a inexistência de qualquer ilicitude nas funções que exerceu".


Crimes de que eram acusados

O caso Portucale tinha como principal arguido Abel Pinheiro, que era acusado de tráfico de influências e de falsificação de documentos.

No total, o MP tinha pedido a responsabilização penal de seis dos 11 arguidos do caso Portucale, defendendo a condenação de Abel Pinheiro, Eunice Tinta e José António Valadas (dois funcionários do CDS/PP à data dos factos) pelo crime de falsificação de documentos, mas com uma pena não privativa da liberdade.

Em julgamento, o MP deu como provado o crime de abuso de poder para os arguidos António de Sousa Macedo, ex-director-geral das Florestas, Manuel Rebelo, ex-membro desta direcção, e António Ferreira Gonçalves, antigo chefe do Núcleo Florestal do Ribatejo.

Em causa está a entrada de mais de um milhão de euros nos cofres do CDS/PP, para a qual, segundo a acusação, não existem documentos de suporte que justifiquem a sua proveniência e cujos recibos são falsificados.

O caso Portucale relaciona-se com o abate de sobreiros na herdade da Vargem Fresca, em Benavente, para a construção de um projecto turístico-imobiliário da empresa Portucale, do Grupo Espírito Santo (GES), por força de um despacho-conjunto dos ministros do então Governo PSD/CDS Nobre Guedes (Ambiente), Telmo Correia (Turismo) e Costa Neves (Agricultura).

A investigação do caso Portucale envolveu escutas telefónicas e as conversas interceptadas deram origem a um outro processo (autónomo) relacionado com a compra, por Portugal, de dois submarinos ao consórcio alemão Ferrostal e cujo inquérito, também com contornos políticos, está por concluir há vários anos no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). 

Publico

Teoria económica da revolução

É uma pena que um governo que tem os seus valores formados no marginalismo não perceba que poderá estar a criar os fundamentos para uma teoria económica da revolução. Não me refiro, é óbvio, a governantes como Passos Coelho, Relvas ou mesmo o sô Álvaros, esses até parece que pensam com a barriga das pernas o que, aliás, já é um progresso em relação a outros membros deste governo que não pensam, como o Aguiar ou o Macedo dos polícias, que quando pensam era melhor não o terem feito, como a menina da justiça, que em vez de pensarem optam por rezar, como a Assunção Cristas, que poem um ar muito sério para darem ares de quem pensa, como o Paulo Macedo, ou que é melhor nem pensarmos no que eles estarão a pensar, como é o caso do Paulo Portas.

Se o Gaspar aplicasse às convulsões sociais o que andou a ensinar aos seus alunos sobre matérias como, por exemplo, a poupança, poderia muito bem desenvolver uma teoria económica (marginalista) da revolução. O povo torna-se revolucionário quando nada tem a ganhar sendo manso. Enquanto conseguem dar de comer aos filos, manter a casa e enfrentar a sociedade com dignidade os trabalhadores podem optar por serem mansos, mas quando já não têm nada a perder só poderão concluir que só terão a ganhar com uma revolução.

Veja-se o caso de Dimitris Chrisula, o farmacêutico aposentado que se suicidou em Atenas, o seu caso poderá não ser o da generalidade dos trabalhadores gregos, diz a polícia que era doente de cancro. Ainda que nestas coisas a polícia grega mereça tanta confiança quanto o director do Diário Económico, é evidente que o argumento invocado por Dimitris Chrisula assenta que nem uma luva nos argumentos dos teóricos do marginalismo. Quando forem muitos a pensar como ele haverá uma revolução, quando se conclui que vale a pena morrer também se conclui que vale a pena fazer tudo para sobreviver.

Os nossos governantes não ignoram esta realidade, tiveram o cuidado de aumentar o orçamento da Administração Interna e na primeira ocasião em que a polícia teve a oportunidade de molhar a sopa, foi o que se viu no Chiado. Alguns reforçaram as condições de segurança nos seus ministérios e vivem rodeados de um batalhão de homens armados, o problema é que apesar da tentação da ditadura falta-lhes o jeito. Ditador que se preze trata bem os seus polícias o que não é o caso dos nossos governantes, muitos dos que os protegem detestam-nos tanto quanto os manifestantes que estão do outro lado da rua, os seguranças das empresas privadas que estão ao seu serviços ganham miseravelmente e muitas vezes nem recebem os ordenados, os polícias perderam os subsídios e muitos deles passam fome.

Se Vítor Gaspar fizesse um intervalo para reflectir veria que em vez de ser a cobaia ideal para as loucas propostas económicas dos seus papers, o país está mais próximo do que poderá ser um modelo para uma teoria económica da revolução. Dezenas de milhares de pessoas estão à beira de ficar sem casa porque foram empobrecidos à força, há polícias que são obrigados a roubar para sobreviver, há magistrados a pedirem a sua própria insolvência em tribunal, centenas de milhares estão condenados ao desemprego.

Estão reunidas as condições para aparecerem muitos Dimitris Chrisulas e o que faz o governo? Enche os bolsos dos Teixeiras Pintos e Catrogas, esquece o prometido em relação ás gorduras do Estado, não extingue uma única fundação, a Parque Expo vai sobrevivendo e até já tem boys novos, as PPP estão na mesma e o acordado com a troika em relação à EDP já foi esquecido. As medidas que incidiriam sobre os ricos foram substituídas por mais austeridade sobre os que trabalham.

Por muito menos e com uma situação social bem menos grave há poucos anos discutiu-se muito o risco de o país assistir a convulsões sociais. Agora governam e comportam-se no pressuposto de que os portugueses foram capados.


MORRER DE PÉ NA PRAÇA SYNTAGMA


MORRER DE PÉ NA PRAÇA SYNTAGMA


Quando se ouviu um tiro na Praça Syntagma,
logo houve quem dissesse: “É a polícia que ataca !”.
Mas não, Dimitris Christoulas trazia consigo a arma,
a carta de despedida, a dor sem nome, a bravura,
e vinha só, sem medo, ele que já vivera os tempos
de silêncio e chumbo do terror dos coronéis.
Mas nessa altura era jovem e tinha esperança.
Agora tudo isso findara, mas não a dignidade,
que essa, por não ter preço, não se rende nem desiste.

Dimitris Christoulas podia ser apenas um pai cansado,
um avô sem alento para sorrir, um irmão mais velho,
um vizinho tão cansado de sofrer. Mas era muito mais
do que isso. Era a personagem que faltava
a esta tragédia grega que nem Sófocles ou Édipo
se lembraram de escrever, por ser muito mais próxima
da vida do que da imaginação de quem efabula.
Ouviu-se o tiro, seco e certeiro, e tudo terminou ali
para começar logo no instante seguinte sob a forma
de revolta que não encontra nas bocas
as palavras certas para conquistar a rua.
Quando assim acontece, o silêncio derruba muralhas.
Aos jovens, que podiam ser seus filhos e netos,
o mártir da Praça Syntagma pediu apenas
para não se renderem, para não se limitarem
a ser unidades estatísticas na humilhação de uma pátria. Não lhes pediu para imitarem o seu gesto,
mas sim que evitassem a sua trágica repetição.
E eles ouviram-no e choraram por ele, e com ele,
sabendo-o já a salvo da humilhação
de deambular pelas lixeiras para não morrer de fome.

Até os deuses, na sua olímpica distância,
se perfilaram de assombro ante a coragem deste gesto.
Até os deuses sentiram desprezo, maior do que é costume, pela ignomínia de quem se vende
para tornar ainda maior a riqueza de quem manda.
A Dimitris bastou um só disparo, limpo e breve,
para resumir a fogo toda a razão que lhe ia na alma. Estava livre. Tornara-se herói de tragédia
enquanto a Primavera namorava a bela Atenas,
deusa tantas vezes idolatrada e venerada.
Assim se despedia um homem de bem,
com a coragem moral de quem o destino não vence.

Quando o tiro ecoou na praça de todas as revoltas,
Dimitris Christoulas deixou voar uma pomba,
uma borboleta, uma gaivota triste do Pireu
e disse, com um aceno: “Eu continuo aqui,
de pé firme, porque nada tem a força de um homem
quando chega a hora de mostrar que tem razão”.
Depois vieram nuvens, flores e lágrimas,
súplicas, gritos e preces, e o mártir da Syntagma,
tão terreno e finito como qualquer homem com fome,
ergueu-se nos ares e abraçou a multidão com ternura.

José Jorge Letria

6 de Abril de 2012


José António Saraiva - A ciência é uma coisa fantástica!


(José António Saraiva, in “Sol”)
Não se pode deixar de ficar esmagado perante o brilho literário e, sobretudo, o rigor científico deste verdadeiro tratado de “sexo-antropologia”, em boa hora parido pelas meninges do genial director do “Sol”.
Não consegui uma fotografia que testemunhasse este bonito momento de descoberta vivido por José António Saraiva, dentro do elevador... nem sequer uma que mostrasse o modo de poisar os pés no chão. Daí ter-me ficado pela pesquisa do "cruzar de mãos e ligeira inclinação da cabeça".
Não faltavam exemplos por onde escolher. Na verdade, acabei por utilizar a primeira fotografia que veio à mão.
A “ciência” é uma coisa fantástica!!! Parafraseando Eintein, é quase tão infinita quanto a estupidez!