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domingo, 8 de abril de 2012

LEIA AQUI O POEMA DE GUNTER GRASS QUE FEZ FUROR NO IRÃO E LEVOU O ESCRITOR A SER CONSIDERADO HOJE PERSONA NO GRATA EM ISRAEL



O escritor alemão Günter Grass, laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1999, disfarçou de poema um artigo sobre o programa nuclear iraniano, onde se opõe declaradamente a que Israel ataque o Irão. Vai mais longe: diz que Israel ameaça a paz mundial. Já há reacções. E bastante inflamadas.
Günter Grass é contra qualquer ataque ao Irão por parte de Israel. E di-lo hoje, com todas as letras, sob a forma de um poema intitulado “O que há a dizer” e publicado em simultâneo em vários jornais.


O escritor alemão, conhecido por obras como “O tambor” ou “A ratazana”, fala da “hipocrisia do Ocidente”, ataca a capacidade nuclear de Israel e o facto de não haver provas de que o programa nuclear do Irão se destine à construção de armas.


Além disso, critica a Alemanha por fornecer um submarino a Israel, que poderá com ele lançar mísseis sobre o Teerão.


No mesmo poema, Grass salienta que o seu sangue alemão o tem impedido de se pronunciar contra Israel (numa alusão “ao peso carregado” pela Alemanha devido às atrocidades de Hitler contra os judeus), mas que chegou a hora de quebra o silêncio.


As reacções ao poema de Grass, actualmente com 84 anos, não se fizeram esperar. A embaixada de Israel emBerlim respondeu com a sua própria versão de “O que há a dizer”. “O que há a dizer é que é tradição europeia acusar os judeus (…) o que há a dizer é que Israel é o único Estado do mundo cujo direito a existir é abertamente posto em causa”, diz a declaração da embaixada, sublinhando que os israelitas querem viver em paz com os seus vizinhos.


“Não estamos preparados para desempenhar o papel que Günter Grass está a tentar atribuir-nos, como parte dos esforços do povo alemão de ajustar contas com o passado”, finaliza o comunicado, citado pelo “Spiegel Online”.


Em vários jornais alemães, é notória a crítica feita a Grass, que é acusado de ser um antisemita. Uns entendem e apoiam as críticas, outros defendem o escritor. Afinal, o que há a dizer?




O que há a dizer


Porque guardo silêncio, há demasiado tempo,


sobre o que é manifesto


e se utilizava em jogos de guerra


em que no fim, nós sobreviventes,


acabamos como meras notas de rodapé.


É o suposto direito a um ataque preventivo,


que poderá exterminar o povo iraniano,


conduzido ao júbilo


e organizado por um fanfarrão,


porque na sua jurisdição se suspeita


do fabrico de uma bomba atómica.


Mas por que me proibiram de falar


sobre esse outro país [Israel] onde há anos


- ainda que mantido em segredo –


se dispõe de um crescente potencial nuclear,


que não está sujeito a qualquer controlo,


já que é inacessível a qualquer inspecção?


O silêncio geral sobre esse facto,


a que se sujeitou o meu próprio silêncio,


sinto-o como uma gravosa mentira


e coacção que ameaça castigar


quando não é respeitada:


“anti-semitismo” se chama a condenação.


Agora, contudo, porque o meu país,


acusado uma e outra vez, rotineiramente,


de crimes muito próprios,


sem quaisquer precedentes,


vai entregar a Israel outro submarino


cuja especialidade é dirigir ogivas aniquiladoras


para onde não ficou provada


a existência de uma única bomba,


se bem que se queira instituir o medo como prova… digo o que há a dizer.


Por que me calei até agora?


Porque acreditava que a minha origem,


marcada por um estigma inapagável,


me impedia de atribuir esse facto, como evidente,


ao país de Israel, ao qual estou unido


e quero continuar a estar.


Por que motivo só agora digo,


já velho e com a minha última tinta,


que Israel, potência nuclear, coloca em perigo


uma paz mundial já de si frágil?


Porque há que dizer


o que amanhã poderá ser demasiado tarde,


e porque – já suficientemente incriminados como alemães –


poderíamos ser cúmplices de um crime


que é previsível,


pelo que a nossa quota-parte de culpa


não poderia extinguir-se


com nenhuma das desculpas habituais.


Admito-o: não vou continuar a calar-me


porque estou farto


da hipocrisia do Ocidente;


é de esperar, além disso,


que muitos se libertem do silêncio,


exijam ao causante desse perigo visível


que renuncie ao uso da força


e insistam também para que os governos


de ambos os países permitam


o controlo permanente e sem entraves,


por parte de uma instância internacional,


do potencial nuclear israelita


e das instalações nucleares iranianas.


Só assim poderemos ajudar todos,


israelitas e palestinianos,


mas também todos os seres humanos


que nessa região ocupada pela demência


vivem em conflito lado a lado,


odiando-se mutuamente,


e decididamente ajudar-nos também.



Günter Grass é 'persona non grata' em Israel

Escritor alemão virou alvo de polêmica depois de divulgar um poema no qual acusa o estado hebreu de ameaçar a paz mundial
Poema de Günter Grass foi publicado no jornal alemão Süddeutsche Zeitung e desagradou os israelenses  / Süddeutsche Zeitung/AFPPoema de Günter Grass foi publicado no jornal alemão Süddeutsche Zeitung e desagradou os israelensesSüddeutsche Zeitung/AFP



Israel anunciou neste domingo a proibição para Günter Grass entrar em seu território, após a polêmica provocada pela publicação de um poema no qual o escritor alemão acusou o estado hebreu e seu arsenal atômico de ameaçar a paz mundial.

"O ministro do Interior, Elie Yishai, declarou Günter Grass 'persona non grata' em Israel", anunciou um comunicado do gabinete do ministro.

"O poema de Günter é uma tentativa de atiçar as chamas do ódio contra o Estado de Israel e contra o povo israelense", afirmou o ministro neste comunicado, três dias depois de o governo israelense qualificar o poema de "vergonhoso" e "lamentável".

Poema 

"Se Günter quiser continuar disseminando suas obras deformadas e enganosas, o aconselho que o faça fora do Irã, onde encontrará um público que o apoia", acrescentou Yishai.

O poema, intitulado "O que deve ser dito", escrito em prosa e publicado no jornal alemão Süddeutsche Zeitung denunciou eventuais ataques israelenses contra instalações nucleares iranianas como um projeto que poderia levar "à erradicação do povo iraniano porque se suspeita que seus dirigentes constroem uma bomba atômica".

Os ocidentais temem uma possível dimensão militar ao programa nuclear iraniano, condenado por seis resoluções da ONU, e Israel ameaçou em várias ocasiões nos últimos meses atacar as instalações nucleares para impedir Teerã a se dotar de arma atômica.

Em 2006, o Nobel de Literatura de 1999, conhecido por sua posição esquerdista, admitiu ter feito parte, durante a juventude, das Waffen SS, unidade de elite do regime de Adolf Hitler, apesar das críticas que fez à Alemanha por seu passado nazista.





O PCP propõe



Urgente! Renegociar a dívida;
Romper com a política de direita;
Pôr o país a produzir.


Ontem, num acto público, o Secretário Geral do PCP, Jerónimo de Sousa, mostrou como eram correctas as propostas apresentadas pelo PCP, a necessidade imediata de uma política alternativa e apresentou a proposta de urgente renegociação da dívida pública, como única forma de libertar meios financeiros para pôr Portugal a produzir e entrar pelo caminho do crescimento. 


Disse Jerónimo de Sousa: "Há precisamente um ano – face à degradação da situação económica e social e à espiral especulativa que arrasava o país – o PCP propôs, em alternativa, a renegociação imediata da divida pública portuguesa a par de outras medidas que, em ruptura com o rumo ruinoso da política de direita, assegurasse um outro caminho que, não isento de dificuldades, garantiria a inversão da dependência externa no quadro de uma política de promoção da produção nacional, de dinamização do mercado interno e de valorização dos rendimentos do trabalho.






Passado um ano...


Lembrou que "Há precisamente um ano", o PCP alertou e denunciou os perigos que viriam da política de direita, neoliberal, que os partidos PS, PSD e CDS/PP teimavam em prosseguir. "Um ano depois, a situação do país aí está para provar a razão dos alertas, das denúncias e das propostas do PCP", disse Jerónimo de Sousa que concvretizou: "Um ano depois, Portugal está mais endividado e dependente, afundado numa recessão económica sem precedentes traduzida num aumento exponencial do desemprego e do encerramento de empresas, saqueado nos seus recursos e riquezas, marcado por crescentes injustiças e pelo empobrecimento da generalidade da população".


Contra factos...


Como o PCP previra e prevenira esta política serve apenas a especulação financeira, os bancos, "que, depois da construção de lucros milionários alcançados (...) é contemplada com mais de 12 mil milhões de euros em nome da sua recapitalização e beneficiária de mais 35 mil milhões de euros disponibilizados a título de garantias" e ainda os chamados mercados que associados ao BCE e ao FMI vêem garantidos, à conta do empréstimo de 78 mil milhões de euros, um acrescento em juros e comissões superior a 35 mil milhões de euros".


(Continuação)
Quem ganha com isto?


Os partidos de direita facilitaram o desvio "dos recursos que supostamente eram invocados para acudir à situação do país", para os "bolsos dos principais grupos financeiros pagos à custa da exploração e dos rendimentos dos trabalhadores e da ruína de centenas de milhar de famílias e dezenas de milhar de pequenas empresas".


Jerónimo de Sousa apelou ao rompimento "com este rumo de declínio económico, retrocesso social, saque e de dependência externa que PSD, CDS e PS, com o apoio do Presidente da República, estão a impor ao país". 


Anos de mentiras e desculpas


Acusou ainda de "que as mentiras e a propaganda do governo não iludem" a realidade e que "o irresponsável discurso do Governo sobre uma ilusória retoma" é desmentido pelas estimativas do Banco de Portugal". Esta política de direita, leva-nos por um caminho de "economia em queda livre" de recessão, "de uma retracção do PIB de 3.4 em 2012, quebra no consumo privado (- 7.3 %); destruição liquida de empregos (mais de 170 mil neste ano); redução de investimento (-18.9%); desaceleração no crescimento das exportações".


A alternativa existe. A direita esconde-a


Jerónimo de Sousa mostrou que passado um ano, a vida e os factos, mostram que o PCP tinha razão e que as propostas que defendeu e defende são actuais e urgentes "no sentido de uma ruptura com a política de direita e de uma rejeição, sem hesitações e mais demora, do Pacto de Agressão que PSD, CDS e PS estão a impor ao país".


A renegociação da dívida abrirá possibilidades para a "adopção de uma política virada para o crescimento económico tendo como eixos essenciais a defesa e valorização da produção nacional, a valorização dos salários e reformas essenciais para a dinamização do mercado e da procura interna e o apoio às pequenas e médias empresas, a dinamização do investimento público, a par da aposta nas exportações de forte valor acrescentado e na diversificação dos mercados externos".


O dinheiro não se evaporou. Onde está?


O secretário Geral do PCP mostrou ainda que o recurso a outros meios de financiamento e "a tributação efectiva dos lucros do grande capital, do património de luxo, da especulação financeira" permitem ir "buscar recursos tão necessários ao desenvolvimento do país, aonde eles efectivamente se encontram". Exigiu ainda "O termo do ruinoso processo de privatizações" e a intervenção junto de outros países que enfrentam problemas similares de dívida pública – Grécia, Irlanda, Espanha, Itália, Bélgica,etc – visando uma acção convergente face às imposições da União Europeia", para "uma resposta de fundo à situação de estrangulamento económico e social dos seus países".


Renegociar a dívida. Mudar de política


No fundo disse Jerónimo, que "a solução para os problemas do país, a salvaguarda do futuro dos portugueses exige uma política contrária à que está a ser executada". 


A concluir, o Secretário Geral do PCP, anunciou que o seu partido "apresentará uma proposta na Assembleia da República com vista à urgente abertura de um processo de renegociação da dívida publica que liberte o país das amarras da especulação e de submissão aos interesses estrangeiros e do grande capital".


Rematou, afirmando que "o país e os portugueses precisam de uma nova política. Uma política patriótica e de esquerda, condição para abrir uma nova fase na vida nacional e relançar Portugal no caminho do desenvolvimento e do progresso".


Para ver texto completo clique (aqui)




Anoitece e, tenho frio ...

Tenho frio ! No horizonte distante fina-se o dia .
Não há regresso à cabana dos sonhos eróticopoéticos.
Há paredes cruelmente nuas, sem portas nem janelas.
Não há candeia sobre a mesa, nem bruxeleantes velas 
.
Tenho, unicamente frio ...
Queria escrever apenas uma triste e longa poesia,
a escuridão da alma, a musa ausente, a mente vazia,
não tem história, nem memória alguma , p'ra fazê-la .

Olho novamente o horizonte.Transfigurou-se :
Tal como eu, renasce a inquietude do passado,
na contradição de contar a longa insana história,
da qual eu próprio duvido se foi real ou imaginária ...

Será que a quero contar ou cobardemente olvidá-la ?
Diluí-la no pensamento, ou aguardando que o tempo,
a faça regredir aos coloridos e felizes tempos d'outrora,
em que havia o alvor dengoso e suave da aurora,
e sonhos de amor, carnais, de luxúrias sem fim ?
Haviam ainda flores a desfolhar, floridas primaveras,
em que te despia e amava, contava desejos, quimeras ,
... e infindáveis noites eternas a cheirar a jasmim ...

Não !
Somente tenho frio ...
Somente, em mim o calor da vida e o teu anoitece ...
Sem luz da Lua, de vela ou de candeia,
em cima da minha rude mesa,
a alma poética escureceu,
e o poema morreu !

Joaquim Oliveira

( Quim Trovador )

José Afonso - Canção Longe


Guerra dos bifes em Viana do Castelo

Publicado às 00.00

LUÍS HENRIQUE OLIVEIRA
 

Mais de meia tonelada de bifes foi, no sábado, consumida por perto de 700 homens em dois convívios, realizados em Cardielos e Santa Marta. Em comum, as realizações voltaram a honrar o costume nascido há mais de meio século e mantiveram as suas portas vedadas à participação feminina.
Cardielos reclama a origem da tradição mas perde gente
 
foto SÉRGIO FREITAS/GLOBAL IMAGENS
Guerra dos bifes em Viana do Castelo
 
"Qualquer pessoa pode fazer o convívio que quiser e dar-lhe o nome que entender. O que não pode é chamar-lhe 'Bife da Páscoa', porque esse foi o encontro iniciado pelo meu pai, há mais de 50 anos, cujo nome tratamos, em devido tempo, de registar".
Manuel Correia, herdeiro do costume iniciado pelo pai, Américo Correia, na já desaparecida pensão e restaurante 'Rio Lima', em Viana do Castelo, alude, assim, às raízes da tradição que leva a que, no sábado de Aleluia, os homens se sentem à mesa para degustar um sem número de bifes, em convívio encerrado às mulheres. "Isto sempre foi assim. Nada tem de machismo", garante.
Em Cardielos, sentaram-se à mesa 130 comensais. Na cozinha, 110 quilos de bifes. "Se é muita carne? Acho que não. Já comi cinco bifes, mas olhe que há quem tenha comido mais", atirou Silvestre Rocha, de 67 anos. E tinha razão. Ao lado, José Rodrigues, de Loures, desforrara-se da Quaresma com 12 bifes: "isto é muito bom. Muito bem feito. E as mulheres não fazem cá falta. Só a servir. Então não têm já um dia para elas?".


Os tabus e o sexo na vida conjugal

A sociedade já começou a lidar com os seus macaquinhos no sótão e a olhar para o sexo como algo natural, parte do seu self e parte do nós na complementaridade com o outro, nas suas relações afectivas.
Os casais, para além de procurarem ajuda, estão cientes da importância do sexo saudável na vida conjugal.
Marta Crawford responde a várias questões.



Semanada


Quando o bom cristão Paulo Portas desaparece durante toda a Semana Santa e ninguém o vê na mais pequena celebração é porque algo vai mal no contento governamental. Não seria de esperar uma auto flagelação digna dos seus pecados, ou mesmo a missa do lava pés com Passos Coelho no papel de filho de Deus, já nos bastava uma pequena confissão de rotina, mas nem isso, o representante dos valores cristãos no governo deixou as celebrações pascais por conta da Assunção e teve mais um desaparecimento pecaminoso.
Em vez do Paulo Portas apareceu mais uma vez o Miguel Relva, o número dois do governo, como e ele próprio se considera, veio a público no Sábado, dia da Semana Santa a que muitos designam pelo dia do Judeu, esclareceu os portugueses, povo de gente bruta e idiota, que quando Passos Coelho diz em alemão que provavelmente não iremos ao mercado em 2013 isso quer dizer que não há a mais pequena dúvida que de que o país superou a crise e estará a comprar euros no dia 23 de Setembro de 2013. A língua alemã é mesmo muito complexa, quase tão complexa como o sumério.

Mas quem fez de crucificado nesta Semana Santa foi Gaspar, o neto da avó Prazeres, nem lhe faltou um Judas que por três vezes garantiu que o corte dos subsídios era para durar mais um ano e que só seria restituídos às mijinhas. Depois de ter transformado os restantes ministros e primeiro-ministro nos seus onze discípulos, doze com o Moedas, o Gaspar acabou por ser crucificado e tudo leva a crer que não ressuscitará tão cedo.

Para Catroga a Quaresma começou com uma gorjeta mensal de cinquenta mil euros gentilmente paga pelos comunistas chineses e acaba com um doutoramento honoris causa na escola do seu amigo Duque. O homem qeu chegou a cetedrático a tempo parcial 0% sem ter qualquer doutoramento acaba por ser doutor da mula russa depois dos setenta. Nessa idade há muita gente que perde a noção do ridículo, começam a ter dificuldade em distinguir pentelhos do cabelo na testa.

O País vai interromper as celebrações pascais, os crentes vão deixar arrefecer o borrego, o cardeal vai fazer esperar o seu licor, o país aguarda ansiosamente por ouvir a palavra do senhor, Marcelo Rebelo de Sousa dirigir-se-á aos portugueses logo, à noite em mais uma mensagem pascal para responder ao inseguro Seguro.

“A Ceia dos Cardeais” de Júlio Dantas

19.10.2008
“A Ceia dos Cardeais” de Júlio Dantas é uma peça de teatro, em verso, em um acto, que fez parte do repertório de muitos dos grandes teatros da Europa, queridíssimo no Brasil e na América espanhola. Foi representada pela primeira vez em 24 de Março de 1902 no antigo teatro D. Amélia.
Entre outros actores, representaram esta peça, João Rosa, Eduardo Brasão, Augusto Rosa, Alves da Cunha, Assis Pacheco, João Villaret, Paiva Raposo, Raul de Carvalho, Virgílio Macieira, Erico Braga e José Gamboa.
A acção decorre no Vaticano, durante o pontificado de Bento XIV, no século XVIII.
A gravação que vamos ouvir reproduz uma representação que nunca existiu, senão na imaginação do Estúdio Raposa.
Cenário: Uma grande sala no Vaticano – Paredes cobertas de panos de Arrás – Amplos tetos de caixão, com apainelamentos de talha doirada – Um retrato de cardeal, vermelho, sobre o fogão – À D. baixa, o cravo (que não será usado na representação no Estúdio Raposa), o violoncelo de um terceto clássico – Estantes altas de couro – Luzes – Ao fundo, largo tamborete onde repousam as capas, os chapéus, os bastões – À E. baixa, grande armário de baixela de oiro e prata lavrada. – Quase a meio, mesa onde ceiam os três cardeais: toalha de holandilha picade de rendas; serviço de Sèvres, cristais.
Cardeal Gonzaga (português), Cardeal Rufo (espanhol) e Cardeal Montmorency (francês), sentados à mesa, ceando: fâmulos, vestidos de verde e prata, servem-nos de joelhos.
"Dr.

dói-me o peito
do cigarro
do bagaço
do catarro
do cansaço

dói-me o peito
do caminho
de ida e volta
do meu quarto
à oficina
sem parar
sempre a andar
sempre a dar
dói-me o peito
destes anos
tantos anos
de trabalho
e combustão

dói-me o luxo
dói-me os fatos
dói-me os filhos
dói-me o carro
de quem pode
e eu a pé
sempre a pé

dói-me a esperança
dói-me a espera
pelo aumento
pela reforma
pelo transporte
pela vida e pela morte.


Dr.
já estou farto
de não ser
mais que um braço
para alugar
foi-se a força
e o meu corpo
é como o mosto pisado
como um pássaro insultado
por não poder mais voar.


Dr.
eu não sei ler
os caminhos
por dentro
dos hospitais
mas alguém há-de aprender
entre as rugas do meu rosto
o que não vem nos jornais
e não há nada no mundo
nem discurso
nem cartaz
capaz de gritar mais alto
que as palmas das minhas mãos
que o meu sorriso sem jeito,


Dr.
Dói-me o peito…"


José Fanha.