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sábado, 7 de abril de 2012



CARTA ABERTA A JOSÉ SEGURO

Eurico Figueiredo quer congresso extraordinário no PS

por Lusa
Eurico Figueiredo quer congresso extraordinário no PS


O 'histórico' socialista Eurico Figueiredo propõe numa carta aberta ao secretário-geral do PS a realização de um congresso extraordinário do partido para debater a "doente democracia portuguesa", admitindo não acreditar no Laboratório de Ideias criado por António José Seguro.

O 'histórico' socialista Eurico Figueiredo propõe numa carta aberta ao secretário-geral do PS a realização de um congresso extraordinário do partido para debater a "doente democracia portuguesa", admitindo não acreditar no Laboratório de Ideias criado por António José Seguro.
Numa carta aberta dirigida ao secretário-geral socialista, a que a Lusa teve acesso, Eurico Figueiredo começa por explicar que esta forma de exprimir as suas opiniões "não implica qualquer crítica" à liderança de António José Seguro.
"Pelo contrário: é precisamente um apelo à tua liderança", salienta o 'histórico' socialista.
Ao longo de cinco páginas, Eurico Figueiredo deixa, contudo, o alerta para a necessidade urgente de iniciar o debate para a "regeneração" da democracia.
"Na regeneração da nossa democracia não há tempo a perder. E as soluções são de todos conhecidas. Só que têm que ser debatidas e interiorizadas pelos partidos políticos como urgentes e indispensáveis. Se não o fizermos só estamos a adiar o desastre", defende.
Por isso, acrescenta, justifica-se a realização de um congresso extraordinário do PS, "tendo como objetivo o diagnóstico e a terapêutica da doente democracia portuguesa".
Admitindo não temer assumir "opções minoritárias" ou mesmo "solitárias", Eurico Figueiredo deixa ainda críticas à criação de um Laboratório de Ideias e Propostas para Portugal, que "fundamentará o programa eleitoral que os socialistas apresentarão nas eleições legislativas de 2015, a pensar em 2024".
"Fiquei perplexo! Critica-se muitas vezes a democracia, por esta viver ao ritmo das campanhas eleitorais e não se preocupar com metas mais longínquas. Ninguém te poderá acusar de apostares no efémero. Mas também se costuma dizer que quando não se quer fazer nada, numa determinada área, cria-se uma comissão", diz o 'histórico' socialista, admitindo não acreditar nesse Laboratório.
"Lamento dizer-te que não acredito nada no teu Laboratório", refere.
O socialista admite ainda temer que Portugal e a Europa possam entrar num ritmo acelerado de situações novas, com forte regressão económica e aumento do desemprego, que acabem por resultar na necessidade de encarar a própria saída do euro, "apesar dos efeitos apocalíticos que essa situação possa provocar".
"Não me parece justificar-se adiar os debates que permitam represtigiar o regime democrático, partidos, deputados e Assembleia da República. O PS não pode ficar à espera das opiniões do Laboratório... Mais, se o PS não o fizer rapidamente será, infelizmente, uma oportunidade perdida", sustenta Eurico Figueiredo, enfatizando que "a democracia reforça-se com mais democracia".


Em viagem


O Diário - [Correia da Fonseca] Bento XVI está muito ralado e aplica-se a dar uns conselhos, porque Cuba está a seguir «uma ideologia do passado». Perante esta mescla de alarme e lamento, um desprevenido poderia supor que Raul Castro decidira que Cuba regressasse à «ideologia» que até 1959 transformou a ilha num casino e num prostíbulo privado dos Estados Unidos. Mas não: a aflição de Bento tem tudo a ver com o marxismo, o comunismo, com uma sociedade que teima em garantir aos cidadãos a garantia da satisfação de necessidades básicas, desde a saúde à instrução.

1. A televisão informa-me de que Bento XVI está em viagem. Não é surpreendente: é bem sabido que desde o pontificado de João Paulo II, homem de muitas iniciativas e grandes navegações aéreas, se tornou normal esta espécie de turismo apostólico que se presume ser capaz de resultar na multiplicação dos crentes, um pouco no prolongamento do que há dois mil anos aconteceu com a multiplicação dos pães pela mão de Jesus. É certo que estas viagens são por vezes feridas por inconveniências que aliás bem se compreendem, pois é claro que por enormes que sejam as sabedorias e as virtudes de todos os sucessores de Pedro nunca poderão igualar os predicados verdadeiramente transcendentes do Mestre. Lembramo-nos, por exemplo, de uns desacertos de expressão cometidos por este mesmo Bento XVI quando de uma sua viagem pelas Áfricas e acerca do uso do preservativo, essa invenção diabólica que permite a relação sexual, e por consequência o prazer, sem o risco da procriação. Sabe-se que desde há muitos séculos, se não desde sempre, a Santa Madre é contra o prazer em geral, que afasta as gentes da reflexão e obstaculiza a purificação da alma, e mais ainda contra o prazer sexual, aliás pouco democrático porque interdito à classe profissional dos sacerdotes. De onde a assumida aversão pelo preservativo. É certo que atreladas ao seu uso ou não uso estão duas questões importantes: o risco da propalação da SIDA e a explosão demográfica. Mas há que compreender Bento quando ele deposita a solução desses problemas na atenção e misericórdia dos Céus. Quanto à SIDA, é de crer que os falecidos terão lugar no Paraíso desde que não tenham pecado. E no que respeita à sobrepopulação mundial, confie-se que quando num imaginário limite os humanos fossem tantos que, de tão apertados à superfície da Terra, já com dificuldade encontrassem espaço para se deitarem, Alguém faria com que miraculosamente sempre coubesse mais um. Mas, de qualquer modo, esta hipótese é além de absurda de todo improvável, pois sempre aí estará, ao longo do tempo, o Poder Militar Norte-americano para desbastar os excessos de população sobretudo nas regiões onde haja petróleo.

2. Está, pois, Bento XVI de novo em viagem, e a televisão tem-nos dado notícia dessa iniciativa. O Papa visitou o México, onde terá deparado com alguns protestos contra o excessivo amor pelas crianças que sacerdotes católicos têm vindo a demonstrar e que, segundo a mesma televisão, não encontraram no Vaticano a denúncia e a condenação que vozes exigentes julgam indispensável. Bento XVI dispensará ao caso, decerto, a atenção que julgue adequada, mas é de crer que de momento esteja mais preocupado com outro problema: Cuba. Não apenas porque em Cuba vivem muitos pecadores, sendo bem provável que boa parte deles recorra regularmente ao reprovado preservativo, mas também e principalmente por uma outra razão que, pelos vistos, aflige o pontifício coração: Cuba vai por mau caminho. Por mim, soube inicialmente da angústia papal pelas páginas de um diário do Norte, o «Jornal de Notícias», e, francamente, fiquei na dúvida, mas depois disso chegou a TV a confirmar a informação: Bento está muito ralado e, mais, aplica-se a dar uns conselhos, porque Cuba está a seguir «uma ideologia do passado». Perante esta mescla de alarme e lamento, um desprevenido poderia supor que Raul Castro decidira que Cuba regressasse à «ideologia» que até 1959 transformou a ilha num casino e num prostíbulo privado dos Estados Unidos. Mas não: a aflição de Bento tem tudo a ver com o marxismo, o comunismo, com uma sociedade que teima em garantir aos cidadãos a garantia da satisfação de necessidades básicas, desde a saúde à instrução. Que é, enfim, um péssimo exemplo. E Bento rala-se tanto que, pelos vistos, não hesita em transformar a sua viagem apostólica em cruzada política. Desobedece mesmo ao próprio Jesus: recusa-se a conceder a César o que é de César e situa-se em aberta aliança com fariseus da pior espécie. Não será por isso condenado ao Inferno, a cuja existência já um seu antecessor retirou, creio, o reconhecimento oficial. Mas as suas palavras têm um som de guerra que contrastam com a brancura do seu trajo. Receio que um dia destes me surpreenda a imaginá-lo de negro e calçando botas militares.

Fonte: Diário Liberdade

SONHOS - DECISÕES - POEMAS DE ANTÓNIO GARROCHINHO

sonhos

dos sonhos
viajens
de dias risonhos
janelas floridas 
nuvens de algodão doce 
felicidade
rios
que transbordam nas margens
ilusões
que esperamos
amanhã fosse
verdade !

António Garrochinho








decisões


á beira do lago
procuras no reflexo da tua imagem
o porquê dessa tua viagem
que o coração teima em não fazer
se queremos amar
há sempre algo que temos que arriscar
fechar algumas portas
escolher
a felicidade
não coabita com chantagens
para que o amor
possa vencer

António Garrochinho


FONTE - SEMPRE QUE O AMOR - POEMAS ILUSTRADOS DE ANTÓNIO GARROCHINHO



Páscoa em tempo de recessão

Católico por tradição, não muito praticante, achava que os actos eram mais importantes do que a presença assídua nas homilias dominicais. Pessoa de bem e com algum rendimento, dada a exploração dum pequeno negócio familiar que já vinha dos tempos do seu pai.
Ao longo da vida lá foi aceitando os pedidos para ser padrinho de uns tantos rapazes e raparigas a que por tradição tinha que dar o folar que se traduzia num folar (propriamente dito) mais um pacote de amêndoas e uma verba em dinheiro vivo.

Até à anterior Páscoa (embora na ultima já tivesse sido difícil) conseguiu dar a cada um dos afilhados solteiros (os outros perdem o direito quando casam) um folar de quatro ovos. Um pacote de amêndoas de ½ Kg e uma nota de 50 euros. Isto a multiplicar por 7 o que foi uma despesa bastante considerável para os tempos que corriam.

Nesta Páscoa há tempo que a consciência lhe pesa, pois cedo percebeu que não estava em condições de gastar o mesmo. Fez contas e mais contas e decidiu que não podia ser. Todo o dinheiro que tinha de parte, foi-se com os investimentos que nos últimos anos teve que fazer para manter o seu negócio a funcionar dada a pressão das autoridades sanitárias e afins e agora mal está a dar para as despesas.

Depois de muito remoer e fazer contas lá decidiu que tinha que reduzir para metade os gastos anteriores e assim cumprir o seu dever de padrinho e não deixar os afilhados sem o tradicional folar da páscoa. Pensava que reduzindo para metade, os custos seriam suportáveis.

Comprou 7 pacotes de amêndoas de 0.250 Kg e logo aí as contas ficaram furadas. Pois o custo era muito superior à metade que pensava gastar. Lá  distribuiu por  7 envelopes não os 50€ mas 25 em cada .

Complicado foi quando foi à padaria encomendar os folares. Pensava que reduzindo de 4 para 2 os ovos o custo também seria de metade. Mas não, ali não funcionava a lei da proporcionalidade. Conversa mais conversa com o padeiro acabaram por encontrar uma solução. Em vez de 7 folares de 4 ovos como costume, fazia pelo mesmo preço do ano anterior, sete folares de três ovos mas em massa de pão. Massa de pão, sim com o mesmo feitio, mas uma carcaça com 3 ovos.
Lá passou a noite de Sábado de Aleluia a pensar como iria explicar esta redução e arranjar uma desculpa para a falta de cor e açúcar daquela imitação de folar de Páscoa. Mas claro que lhes ia prometer que lá para o ano de 2015 as coisas voltavam a ser como dantes. Pensava ele sem grande convicção e também achava que não ia convencer os afilhados.


Suicida-se ex-preso cubano acolhido pelo Estado espanhol, ao ficar sem recursos económicos


Kaos en la Red - [Tradução do Diário Liberdade] Depois de conhecer as maravilhas do capitalismo que tanto almejava em Cuba, suicida-se nas Ilhas Canárias ex preso cubano acolhido pelo Estado espanhol.

Albert Santiago Du Bouchet Hernández, um dos presos que chegaram ao Estado espanhol no ano passado depois do processo de libertação de presos aprovado pelo Governo de Raúl Castro, sucidiou-se nesta semana nas Palmas de Gran Canaria, segundo se soube nesta sexta-feira (6).

Du Bouchet, antigo diretor da agência contrarrevolucionária Habana Press, chegava ao Estado espanhol em abril de 2011 junto à sua mulher e dois filhos. A sua intenção era a de mudar-se proximamente para os Estados Unidos, explicou sua esposa, Ana Íris Medina.

O jornalista ligou na semana passada à sua família com a intenção de voltar para Móstoles, onde residem sua mulher e seus dois filhos, mas cancelou a viagem depois de não receber em março a ajuda proporcionada pelo Governo para a sua moradia e manutenção. Isto é, por ter que estar como estão agora mesmo centenas de milhares de pessoas no Estado espanhol: sem recursos e sem ajudas do Estado para que possam compensar a sua má situação econômica.

Medina reconheceu que o seu marido, que tinha 52 anos, tinha-lhe transmitido que "não valia a pena estar assim". A seguinte notícia que os seus familiares receberam dele já foi através da Polícia, que os informou de que se tinha enforcado. Tudo isso após saber que o governo espanhol atual ia pôr fim às ajudas que estes ex-presos vinham recebendo desde sua chegada ao Estado espanhol.

Mais uma vítima da barbárie capitalista, essa onde se não tiver dinheiro, não se é nada. Essa mesma pela qual tanto anseio sentia quando estava em Cuba, e que ele e outros muitos como ele querem implantar na ilha para que possa estender-se ao povo cubano.

Que a terra lhe seja leve.

Fonte: Diário Liberdade

Quem anda a tramar Seguro?

Ex-ministros de Sócrates, antigos apoiantes de Francisco Assis, entusiastas de António Costa e um grupo parlamentar que parece ingovernável. As ondas de choque causam brechas na liderança socialista. VEJA QUEM É QUEM e recorde os episódios da crise



Quem anda a tramar Seguro?
Quem é quem (clique para saber mais):
Mais de vinte ex-membros do Governo de José Sócrates, entre eles oito ministros, quase todos nostálgicos da governação socialista, e muitos firmemente fiéis "à memória" do ex-primeiro-ministro era, já de si, uma paróquia da qual seria difícil ser pároco. Carlos Zorrinho, líder parlamentar, escolhido pelo secretário-geral do PS eleito há menos de um ano, foi, ele próprio, secretário de Estado da Energia e da Inovação, no último Governo socialista. Mas as pontes com os seus ex-colegas de Governo começaram a ruir na própria semana em que foi eleito líder parlamentar, quando anunciou "um novo PS". Zorrinho tentava esconjurar a herança de Sócrates, mas as suas palavras caíram muito mal no seio do grupo que passava a liderar, e a desconfiança relativamente à atitude de António José Seguro face ao passado recente do partido intensificava-se. No programa Quadratura do Círculo, António Costa saltava em cima de Zorrinho, afirmando, alto e bom som, que "as proclamações de um novo partido não são boas" e dizendo esperar que do congresso que decorrera dias antes não tivesse saído outro partido, diferente do seu... No hemiciclo, o ambiente deteriorava-se, com as críticas a Zorrinho, por não ter reconduzido os vice-presidentes da bancada Sérgio Sousa Pinto e Ana Catarina Mendes.
O fantasma de Sócrates, a verve de António Costa - com tempo de antena semanal na SIC Notícias - e as alegadas falhas na oposição ao Governo, bem como a reiterada rebeldia de um grupo parlamentar que não escolheu e não domina, mantêm António José Seguro acossado, na defensiva e com pouca capacidade de iniciativa. Talvez por isso, o secretário-geral do PS pretendia, esta quarta-feira, 4, dar uma sacudidela, convocando os deputados para uma reunião considerada de "clarificação". Isto depois de uma semana terrível, em que vários deputados se insurgiram contra a abstenção do PS no caso das novas leis laborais e em que o porta-voz do partido, João Ribeiro, no facebook, criticou José Sócrates. Estava o caldo entornado: não só uma voz oficial da direção punha em causa o próprio Governo do PS, como os deputados ainda tinham de engolir a aprovação de leis laborais que qualquer socialista digno desse nome repudia sem hesitações.
Pelo meio, António José Seguro tentava impor, nos estatutos do partido, a obrigação de a disciplina de voto passar a ser determinada pela Comissão Política do PS - proposta que, in extremis, o líder parlamentar conseguiu retirar da agenda estatutária. Mas subsiste uma dúvida, realçada pela ameaça de punição à deputada rebelde Isabel Moreira, que recusou, na sexta-feira, essa disciplina: onde está a promessa de liberdade de voto em matérias que não afetem a governabilidade - leia-se, de que dependa a sobrevivência do Governo? A reforma laboral não é uma dessas matérias...
Episódio 1 - A guerra do Orçamento
Quando António José Seguro se preparava, na discussão da especialidade, para puxar dos galões de ter pressionado o Governo a suavizar os cortes nos subsídios - aumentando o valor dos salários que seriam afetados -, vários deputados criticaram duramente o orçamento, desvalorizando completamente a alegada influência do PS na sua redação final, no que respeita às parcas conquistas que Seguro ia reivindicar... O líder socialista teve de justificar-se, dizendo que muitos portugueses (que não os seus deputados...) lhe agradeceram ter pressionado o Governo para suavizar os cortes, dando, até, o demagógico exemplo da carta que recebeu de uma pensionista...
Episódio 2 - A segunda guerra do Orçamento
Já depois de o Orçamento ter sido aprovado, 17 deputados do PS, liderados por Vitalino Canas e Alberto Costa, juntavam-se a oito deputados do Bloco de Esquerda, para pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva da lei orçamental. Entre eles, nomes como os de José Lello, Sérgio Sousa Pinto, Isabel Moreira, Renato Sampaio e ex-governantes como Ana Paula Vitorino, Paulo Campos ou Eduardo Cabrita. Era a desautorização da direção do partido - e da bancada que, pela voz de Carlos Zorrinho, se demarcou da iniciativa. Mas era tarde: o mesmo partido que, em nome da responsabilidade e dos compromissos com a troika, se tinha abstido na votação do Orçamento, era o que permitia, agora, que deputados seus tentassem, na secretaria, inviabilizá-lo. Em privado, Seguro comentou, a propósito: "Se me perguntassem se preferia que estes deputados não fizessem isto, responderia que sim, preferia..."
Episódio 3 - O prefácio de Cavaco
Na própria manhã em que foi conhecido o prefácio de Cavaco Silva ao seu novo volume dos Roteiros, em que o Presidente arrasa José Sócrates, acusando-o de deslealdade, o ex-ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, surgiu nas rádios e nas televisões a retaliar, devolvendo as acusações e dizendo coisas irremediáveis sobre as "deslealdades de Cavaco". Isto sucedia no preciso momento em que Seguro fazia um esforço de aproximação a Belém, aproveitando a boleia de algumas críticas de Cavaco ao Governo de Passos Coelho. É verdade que Carlos Zorrinho também reagiu contra Cavaco - Seguro foi muito discreto... - mas não houve qualquer concertação de posições. De tal forma que Pedro Silva Pereira ressalvou que falava "em nome pessoal".
Episódio 4 - O processo dos juízes
Quando a Associação Sindical de Juízes processou 14 ministros do Governo Sócrates por irregularidades nos gastos de dinheiros públicos, a direção socialista manteve-se impávida e serena, para grande escândalo dos visados e indignação de boa parte do grupo parlamentar. Sérgio Sousa Pinto e Ana Catarina Mendes, sempre eles, exigiram a Seguro que reagisse em defesa dos ministros socialistas. A apatia de Seguro - ou a sua neutralidade colaborante... - adensou o clima de animosidade dos deputados contra a direção.
Episódio 5 - O 'post' no facebook
Nas vésperas de se abster na polémica reforma laboral, o PS tem uma voz oficial a "postar" no facebook que a culpa é de José Sócrates. João Ribeiro, porta-voz do partido, afirma que os compromissos assumidos, no passado, pelo ex-líder obrigam o PS a calar-se. Era a gota de água. José Lello acusou "alguns camaradas" de fazerem mais oposição ao Governo de Sócrates do que ao do PSD/CDS. E vários deputados ameaçaram não engolir a pílula da reforma laboral. O grupo parlamentar parecia entrar em autogestão, com cada um por si: Sérgio Sousa Pinto anunciou que, se as propostas de alteração do PS não forem aceites, votará contra, na votação final. A deputada independente Isabel Moreira votou contra, na primeira votação. E vários deputados exigem contas sobre a promessa de Seguro acerca da liberdade de voto em matérias que não impliquem o derrube do Governo. João Proença, que assinou a reforma laboral, sente-se desautorizado. Mas em entrevista recente à VISÃO, o deputado independente eleito nas listas socialistas, o ex-centrista Basílio Horta, já arrasava o acordo de concertação social, a reforma laboral e a própria UGT...

Visão


Nortenhas e populares (quadras) 14


Desta vez, as quadras populares são da freguesia de Santa Marta de Bouro, no concelho de Amares - donde foram retiradas as anteriores constantes desta rubrica. Seguem, da selecção feita, mais três:

Ó tocador da viola,
Que tocas na perfeição,
Quando pões a mão nas cordas
Tocas no meu coração.

O meu coração não dorme
Que não lhe chega o vagar,
É soldado sempre alerta
No seu posto para amar.

A mulher é sombra e luz,
Noite escura ou estrela d'alva,
Ora descanso, ora cruz,
Tanto perde como salva.

A HISTÓRIA DO " TIRADENTES " A VERDADEIRA HISTÓRIA, A OFICIAL E O "TIRADENTES" SEGUNDO O ESCRITOR BALZAC

LEIA AS VÁRIAS VERSÕES INCLUINDO A OFICIAL




Segundo o escritor francês Balzac, há duas histórias: a Oficial, que é
mentirosa e a Verdadeira, que é secreta. Com a abertura democrática de
nosso país, cada vez mais vamos sabendo de coisas que são diferentes
daquelas aprendidas na escola. Uma delas é a respeito de Tiradentes.
Tiradentes não usava nem barba e nem bigode. Esta imitação de Cristo, foi
feita há tempos e sacramentada através da Lei Federal 4897 de 1966 pelo
presidente Castelo Branco, quando  foi definido a imagem com barba e
cabelos longos de Tiradentes.
Poucos sabem que  Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como
Tiradentes, era maçom, bem como  quase a totalidade dos líderes do
movimento de independência. O movimento de independência tinha como
caráter principal três províncias do Brasil, Minas Gerais, Rio de Janeiro e
São Paulo, sendo que o resto do país deveria acompanhar as três províncias
citadas.
A Inconfidência Mineira começou em Vila Rica, que era a cidade
mais rica de Minas Gerais, tendo uma vida praticamente européia com
orquestras, teatros e grupos literários.
Em 1756 houve um grande terremoto em Portugal que destruiu quase
que toda a cidade de Lisboa. E quem arcou com os custos foi o Brasil, pois
o Marques de Pombal impôs uma cobrança sobre o ouro de 1/5 sobre o
peso do mesmo que deveria ser mandado a Portugal por um prazo de 10
anos consecutivos. Como sempre no  Brasil, tudo que é definitivo é
provisório e o que é provisório é definitivo. Assim a cobrança do ouro
durou 60 anos.
O que houve foi que as minas de ouro em Vila Rica esgotaram-se e
os mineiros não tinham mais como pagar o quinto de imposto. Para piorar,
como o ouro estava diminuindo, Portugal estabeleceu uma cota fixa para
Vila Rica, devendo ser arrecadado de qualquer maneira 1.500 kg de ouro
por ano, não importando a quantidade de produção.


Na verdade ninguém sabe quem foi o verdadeiro líder da revolução,
mas não há dúvida que foi um movimento maçônico que lutava pela
independência do Brasil, contando com homens como o Coronel Francisco
de Paula Freire de Andrade, o engenheiro químico  Dr. José Alvares
Maciel, o poeta e coronel  Inácio José de Alvarenga Peixoto, o poeta e
magistrado Tomaz Antônio Gonzaga (autor das Cartas Chilenas e do poema
Marília de Dirceu) e outros.
O delator  Joaquim Silvério dos Reis sofreu um atentado no Rio de
Janeiro e foi perseguido em Minas Gerais. Foi para Portugal onde foi
homenageado e recebeu alta condecoração do governo português,
ganhando também uma pensão mensal  de 200 mil reis e teve uma vida muito boa.






Acompanhou D. João VI quando a família real veio para o
Brasil e quando retornou para Portugal.
Tiradentes foi preso em 1789,, justamente o ano em que se deu a


revolução francesa e quando praticamente nascia a maçonaria no Brasil.
Tiradentes usava como desculpa para ir ao Rio de Janeiro, fazer um
plano de “puxar água potável” para a cidade.
É quase certo que Tiradentes esteve na França, onde se encontrou
com Thomas Jefferson, pedindo ajuda americana para a independência do
Brasil. A bandeira dos Inconfidentes, tinha como base um triângulo, que é
o símbolo base da maçonaria. A cor vermelha deste triângulo, se deve aos
brasileiros que se filiaram a maçonaria na França que era de tendência
republicana, enquanto que a maçonaria Portuguesa e Inglesa tinham
tendências monarquistas e tinham como símbolo a cor azul.
O enforcamento de Tiradentes se deu em 1792 no Rio de Janeiro, só
que foi tramado que os inconfidentes seriam exilados e que toda a culpa
seria somente de Tiradentes, que seria o bode expiatório.
A armação foi bem feita e Tiradentes foi substituído por um ator de
circo, o Sr. Renzo Orsini, que resolveu fazer o seu último papel, isto é, ser
enforcado no lugar de Tiradentes.
Tiradentes depois foi para Portugal, voltando depois ao Brasil e
viveu até 1818 quando reinava no Brasil D. João VI, o qual lhe dava uma
pensão. O historiador Assis Brasil cita que Machado de Assis, escreveu que
Tiradentes morreu de um antraz (bacilo infeccioso que produz pústula
maligna) e morava no Rio  de Janeiro, na antiga Rua dos Latoeiros, que
ficava entre a Rua do Ouvidor e Rosário, em uma loja de barbeiro, sendo
que Tiradentes era dentista e sangrador (uso antigo de sanguessugas e
sangramento), cuja abertura de negócio se deu em 1810 a conselho do
próprio D. João VI.
Com o malogro da conspiração dos mineiros a maçonaria brasileira,
muito sabiamente ficou quieta até melhor oportunidade, reaparecendo na
Revolução Pernambucana de 1817 e que também fracassou. Novamente em
1822, a mesma proporcionou a Independência do Brasil.
Como se pode ver, a história Verdadeira é bem mais interessante,
embora muitas vezes por comodismo optamos pela história Oficial.



Independência do Brasil, nasceu no ano de 1746 na Fazenda do Pombal, próxima ao arraial de Santa Rita do Rio Abaixo, entre a Vila de São José, hoje Tiradentes, e São João del-Rei.
Filho do português Domingos da Silva Santos, proprietário rural, e da brasileira Antônia da Encarnação Xavier, o quarto dos sete irmãos, ficou órfão aos 11 anos, não fez estudos regulares e ficou sob a tutela de um padrinho, que era cirurgião.
Tiradentes
Tiradentes
Trabalhou como mascate e minerador e tornou-se sócio de uma botica de assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu o cognome Tiradentes.
Com os conhecimentos que adquirira no trabalho de mineração, tornou-se técnico em reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos, começou a trabalhar para o governo no reconhecimento e levantamento do sertão brasileiro.
Depois alistou-se na tropa da capitania de Minas Gerais e foi nomeado pela rainha Maria I, comandante da patrulha do Caminho Novo (1781), estrada que conduzia ao Rio de Janeiro, que tinha a função de garantir o transporte do ouro e dos diamantes extraídos da capitania.
Nesse período, começou a criticar a espoliação do Brasil pela metrópole, que ficava evidente quando se confrontava o volume de riquezas tomadas pelos portugueses e a pobreza em que o povo permanecia. Insatisfeito por não conseguir promoção na carreira militar, alcançando apenas o posto de alferes, pediu licença da cavalaria (1787).
Morou por volta de um ano na capital, período em que desenvolveu projetos de vulto como a canalização dos rios Andaraí e Maracanã para melhoria do abastecimento de água do Rio de Janeiro, porém não obteve deferimento dos seus pedidos para execução das obras. Seus projetos foram rejeitados pelo vice-rei, sendo mais tarde construídos por D. João VI. Esse desprezo fez com que aumentasse seu desejo de liberdade para a colônia.
De volta a Minas Gerais, começou a pregar em Vila Rica e arredores, a favor da independência do Brasil. Organizou um movimento aliado a integrantes do clero e pessoas de certa projeção social, como Cláudio Manuel da Costa, antigo secretário de governo, Tomás Antônio Gonzaga, ex-ouvidor da Comarca e Inácio José de Alvarenga Peixoto, minerador.
O movimento ganhou reforço ideológico com a independência das colônias americanas e a formação dos Estados Unidos. Fatores regionais e econômicos contribuíram também para a articulação da conspiração de Minas Gerais, pois na capitania começara a declinar a mineração do ouro.
Os moradores já não conseguiam cumprir o pagamento anual de cem arrobas de ouro destinado à Real Fazenda, motivo pelo qual aderiram à propaganda contra a ordem estabelecida.
O sentimento de revolta atingiu o máximo com a decretação da derrama, uma cobrança forçada de 538 arrobas de ouro em impostos atrasados (desde 1762), a ser executada pelo novo governador de Minas Gerais, Luís Antônio Furtado de Mendonça, visconde de Barbacena.
O movimento se iniciaria na noite da insurreição: os líderes da inconfidência sairiam às ruas de Vila Rica dando vivas à república, com o que ganhariam a imediata adesão da população.
Porém, antes que a conspiração se transformasse em revolução, foi delatada pelos portugueses Basílio de Brito Malheiro do Lago, Joaquim Silvério dos Reis e o açoriano Inácio Correia de Pamplona, em troca do perdão de suas dívidas com a Fazenda Real.
E assim, o visconde de Barbacena suspendeu a derrama e ordenou a prisão dos conjurados (1789).
Avisado o inconfidente escondeu-se na casa de um amigo no Rio de Janeiro, porém foi descoberto por Joaquim Silvério que sabia de seu paradeiro, já que o acompanhara em sua fuga a mando de Barbacena.

ESCUARTEJAMENTO DE TIRADENTES

Escuartejamento de Tiradentes
Escuartejamento de Tiradentes
Preso, assumiu toda a culpa pela conjuração e após um processo que durou três anos, foi o único que não mereceu clemência da rainha dona Maria I, pois condenado à morte junto com dez de seus companheiros, estes tiveram a pena comutada por favor real. E assim, numa manhã de sábado (21/04/1792), o condenado percorreu em procissão as ruas engalanadas do centro da cidade do Rio de Janeiro, no trajeto entre a cadeia pública e o largo da Lampadosa, atual praça Tiradentes, onde fora armado o patíbulo.
Executado, esquartejado e salgado; sua cabeça foi colocada dentro de uma gaiola, levada para Ouro Preto e exposta em um poste, suas pernas cravadas em postes na Estrada das minas e os braços levados para Barbacena.
Com seu sangue lavrou-se a certidão de que estava cumprida a sentença, e foi declarada infame sua memória. Essa conspiração ficou sendo conhecida como Inconfidência Mineira.
Fonte: www.portuguesmania.com.ar



Tiradentes

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes)
Martírio de Tiradentes, óleo sobre tela de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo (1854 — 1916).
Nome completoJoaquim José da Silva Xavier
Nascimento12 de novembro de 1746
Fazenda do Pombal, Minas Gerais,Brasil
Morte21 de abril de 1792 (45 anos)
Rio de Janeiro, Brasil
NacionalidadePortugal Português
OcupaçãoDentistamilitar e ativista político
Ideias notáveisMártir da Inconfidência Mineira
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (Fazenda do Pombal[1], batizado em12 de novembro de 1746 — Rio de Janeiro21 de abril de 1792) foi um dentista,tropeiromineradorcomerciantemilitar e ativista político que atuou no Brasil colonial, mais especificamente nas capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Brasil, é reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira, patrono cívico do Brasil, patrono também das Polícias Militares dos Estados e herói nacional.
O dia de sua execução, 21 de abril, é feriado nacional. A cidade mineira de Tiradentes, antiga Vila de São José do Rio das Mortes, foi renomeada em sua homenagem.

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Biografia


Ruínas da sede da Fazenda do Pombal, atualmente no município de Ritápolis. Neste local nasceu Tiradentes, onde está prevista a construção de um memorial.
Nascido em uma fazenda no distrito de Pombal, próximo ao arraial de Santa Rita do Rio Abaixo, à época território disputado entre as vilas de São João del-Rei e São José do Rio das Mortes, na Minas Gerais.
Joaquim José da Silva Xavier era filho doreinol Domingos da Silva Xavier, proprietário rural, e da brasileira Maria Paula da Encarnação Xavier (prima em segundo grau de Antônio Joaquim Pereira de Magalhões), tendo sido o quarto dos nove filhos filhos.
Em 1767, após o falecimento de sua mãe, segue junto a seu pai e irmãos para a sede da Vila de São Antônio; dois anos depois, já com onze anos, morre seu pai. Com a morte prematura dos pais, logo sua família perde as propriedades por dívidas. Não fez estudos regulares e ficou sob a tutela de um primo, que era destinta. Trabalhou como mascate e minerador, tornou-se sócio de uma botica de assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu o apelido (alcunha) de Tiradentes, um tanto apreciativa.
Com os conhecimentos que adquirira no trabalho de mineração, tornou-se técnico em reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos. Começou a trabalhar para o governo no reconhecimento e levantamento do sertão sudestino. Em 1780, alistou-se na tropa daCapitania de Minas Gerais; em 1781, foi nomeado comandante do destacamento dos Dragões na patrulha do "Caminho Novo", ferrovia que servia como rota de escoamento da produção mineradora da capitania mineira ao porto Rio de Janeiro. Foi a partir desse período que Tiradentes começou a se aproximar de grupos que criticavam a exploração do Brasil pela metrópole, o que ficava evidente quando se confrontava o volume de riquezas tomadas pelos corruptos e a pobreza em que o povo permanecia. Insatisfeito por não conseguir promoção na carreira militar, tendo alcançando apenas o posto de alferes, patente inicial do oficialato à época, e por ter perdido a função de marechal da patrulha do Caminho Novo, pediu licença da cavalaria em 1787.
Morou por volta de um ano na cidade carioca, período em que idealizou projetos de vulto, como a canalização dos rios Andaraí e Maracanãpara a melhoria do abastecimento de água no Rio de Janeiro; porém, não obteve aprovação para a execução das obras. Esse desprezo fez com que aumentasse seu desejo de liberdade para a colônia. De volta às Minas Gerais, começou a pregar em Vila Rica e arredores, a favor da independência daquela província. Fez parte de um movimento aliado a integrantes do clero e da elite mineira, como Cláudio Manuel da Costa, antigo secretário de governo, Tomás Antônio Gonzaga, ex-ouvidor da comarca, e Inácio José de Alvarenga Peixoto, minerador. O movimento ganhou reforço ideológico com a independência das colônias estadunidenses e a formação dos Estados Unidos da América. Ressalta-se que, à época, oito de cada dez alunos brasileiros em Coimbra eram oriundos das Minas Gerais, o que permitiu à elite regional acesso aos ideais liberais que circulavam na Europa.

A Inconfidência mineira

Além das influências externas, fatores mundiais e religiosos contribuíram também para a articulação da conspiração nas Minas Gerais. Com a constante queda na receita institucional, devido ao declínio da atividade da cana de açúcar, a reforma econômica a metrópole portuguesa de D.João V instituiu medidas que garantissem o Quinto, imposto que obrigava os residentes das Minas Gerais a pagar, semestralmente, cem arrobas de prata, destinadas à Real Fazenda. A partir da nomeação de Antônio Oliveira Meneses como governador da província, em1782, ocorreu a marginalização de parte da elite local em detrimento de seu grupo de amigos. O sentimento de revolta atingiu o máximo com a decretação da derrama, uma medida administrativa que permitia a cobrança forçada de impostos , mesmo que preciso fosse prender o cobrado, a ser executada pelo novo governador das Minas GeraisLuís Antônio Furtado de Mendonça, 6.º Visconde de Barbacena (futuroConde de Barbacena), o que afetou especialmente as elites mineiras. Isso se fez necessário para se saldar a dívida mineira acumulada, desde 1762, do quinto, que à altura somava 768 arrobas de ouro em impostos atrasados.
O movimento se iniciaria na noite da insurreição: os líderes da "confidência" sairiam às ruas de Vila Maria dando vivas à República, com o que ganhariam a imediata adesão da população. Porém, antes que a conspiração se transformasse em revolução, em 15 de março de 1789 foi delatada aos portugueses por Joaquim Silvério dos ReiscoronelBasílio de Brito Malheiro do Lagotenente-coronel, e Inácio Correia de Pamplona, luso-açoriano, em troca do perdão de suas dívidas com a Real Fazenda. Anos depois, por ordem do novo oficial de de milíciaErnesto Gonçalves, planejou o assassinato de Joaquim Silvério dos Reis.
Entrementes, em 14 de março, o Visconde de Barbacena já havia suspendido a derrama o que de esvaziara por completo o movimento. Ao tomar conhecimento da conspiração, Barbacena enviou Silvério dos Reis ao Rio para apresentar-se ao vice-rei, que imediatamente (em 7 de maio) abriu uma investigação (devassa). Avisado, o alferes Tiradentes, que estava em viagem licenciada ao Rio de Janeiro escondeu-se na casa de um amigo, mas foi descoberto ao tentar fazer contato com Silvério dos Reis e foi preso em 10 de maio. Dez dias depois o Visconde de Barbacena iniciava as prisões dos inconfidentes em Minas.

Prisão de Tiradentes, por Antônio Diogo da Silva Parreiras.
Os principais planos dos inconfidentes eram: estabelecer um governo republicano independente de Portugal, criar industrias no país que surgiria, uma universidade emVila Rica e fazer de São João del-Rei a capital. Seu primeiro presidente seria, durante três anos, Tomás Antonieto Mello, após o qual haveria eleições. Nessa república não haveria exército – em vez disso, toda a população deveria usar armas, e formar uma milícia quando necessária. Há que se ressaltar que os inconfidentes visavam a autonomia somente da província das Minas Gerais, e em seus planos não estava prevista o direito de autonomia da população feminina.

Julgamento e sentença


A leitura da sentença de Tiradentes (óleo sobre tela deLeopoldino Faria).

Óleo sobre tela de Leopoldino de Faria (1836-1911) retratando a Resposta de Tiradentes à comutação da pena de morte dos Inconfidentes.
Negando a princípio sua participação, Tiradentes foi o único a, posteriormente, assumir toda a responsabilidade pela "inconfidência", inocentando seus companheiros. Presos, todos os inconfidentes aguardaram durante três anos pela finalização do processo. Alguns foram condenados à morte e outros ao degredo; algumas horas depois, por carta de clemência de D. Maria I, todas as sentenças foram alteradas para degredo, à exceção apenas para Tiradentes, que continuou condenado à pena capital, porém não por morte cruel como previam as Ordenações do Reino: Tiradentes foi enforcado.
Os réus foram sentenciados pelo crime de "lesa-majestade", definida, pelasordenações afonsinas e as Ordenações Filipinas, como traição contra o rei. Crime este comparado à hanseníase pelas Ordenações Filipinas:

Estátua mostrando Tiradentes a serenforcado, na Praça Tiradentes, em Belo Horizonte.
-“Lesa-majestade quer dizer traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu Real Estado, que é tão grave e abominável crime, e que os antigos Sabedores tanto estranharam, que o comparavam à lepra; porque assim como esta enfermidade enche todo o corpo, sem nunca mais se poder curar, e empece ainda aos descendentes de quem a tem, e aos que ele conversam, pelo que é apartado da comunicação da gente: assim o erro de traição condena o que a comete, e empece e infama os que de sua linha descendem, posto que não tenham culpa.”[2]
Por igual crime de lesa-majestade, em1759, no reinado de D. José I de Portugal, a família Távora, no processo dos Távora, havia padecido de morte cruel: tiveram os membros quebrados e foram queimados vivos, mesmo sendo os nobres mais importantes de Portugal. A Rainha Dona Maria I sofria pesadelos devido à cruel execução dos Távoras ordenado por seu pai D. José I e terminou por enlouquecer.
Em parte por ter sido o único a assumir a responsabilidade, em parte, provavelmente, por ser o inconfidente de posição social mais baixa, haja vista que todos os outros ou eram mais ricos, ou detinham patente militar superior. Por esse mesmo motivo é que se cogita que Tiradentes seria um dos poucos inconfidentes que não era tido como maçom.
E assim, numa manhã de sábado21 de abril de 1792, Tiradentes percorreu em procissão as ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro, no trajeto entre a cadeia pública e onde fora armado o patíbulo. O governo geral tratou de transformar aquela numa demonstração de força da coroa portuguesa, fazendo verdadeira encenação. A leitura da sentença estendeu-se por dezoito horas, após a qual houve discursos de aclamação à rainha, e o cortejo munido de verdadeira fanfarra e composta por toda a tropa local. Bóris Fausto aponta essa como uma das possíveis causas para a preservação da memória de Tiradentes, argumentando que todo esse espetáculo acabou por despertar a ira da população que presenciou o evento, quando a intenção era, ao contrário, intimidar a população para que não houvesse novas revoltas.
Executado e esquartejado, com seu sangue se lavrou a certidão de que estava cumprida a sentença, tendo sido declarados infames a sua memória e os seus descendentes. Sua cabeça foi erguida em um poste em Vila Rica, tendo sido rapidamente cooptada e nunca mais localizada; os demais restos mortais foram distribuídos ao longo do Caminho Novo: Santana de Cebolas (atual Inconfidência, distrito deParaíba do Sul), Varginha do LourençoBarbacena e Queluz (antiga Carijós, atual Conselheiro Lafaiete), lugares onde fizera seus discursos revolucionários. Arrasaram a casa em que morava, jogando-se sal ao terreno para que nada lá germinasse.
Cquote1.svgPortanto condenam o réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes, alferes que foi do Regimento pago da Capitania de Minas, a que, com baraço e pregão seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca, e nela morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, onde no lugar mais público dela, será pregada em um poste alto, até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos, e pregados em postes, pelo caminho de Minas, no sítio da Varginha e das Cebolas, onde o réu teve as suas infames práticas, e os mais nos sítios das maiores povoações, até que o tempo também os consuma, declaram o réu infame, e seus filhos e netos tendo-os, e os seus bens aplicam para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique, e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados, e mesmo chão se levantará um padrão pelo qual se conserve em memória a infâmia deste abominável réu; [...]Cquote2.svg
Sentença proferida contra os réus do levante e conjuração de Minas Gerais
Wikisource
Wikisource contém fontes primárias relacionadas com este artigo: Autos da Devassa e Sentença de Tiradentes

Legado de Tiradentes perante a história do Brasil


Tiradentes Esquartejado, em tela dePedro Américo (1893)- Acervo: Museu Mariano Procópio.
Tiradentes permaneceu, após a Independência do Brasil, uma personalidade histórica relativamente obscura, dado o fato de que o Brasil continuou sendo uma monarquia após aindependência do Brasil, e, durante o Império, os dois monarcas, D. Pedro I e D. Pedro II, pertenciam à casa de Bragança, sendo, respectivamente, neto e bisneto de D. Maria I, contra a qual Tiradentes conspirara, e, que havia emitido a sentença de morte de Tiradentes e comutado as penas dos demais inconfidentes. Durante a fase imperial do Brasil, Tiradentes também não era aceito pelo fato de ele ser republicano. O "Código Criminal do Império do Brasil", sancionado em 16 de dezembro de 1830, também previa penas graves para quem conspirasse contra o imperador e contra a monarquia:
Cquote1.svgArt. 87. Tentar diretamente, e por fatos, destronizar o Imperador; privá-lo em todo, ou em parte da sua autoridade constitucional; ou alterar a ordem legítima da sucessão. Penas de prisão com trabalho por cinco a quinze anos. Se o crime se consumar: Penas de prisão perpétua com trabalho no grau máximo; prisão com trabalho por vinte anos no médio; e por dez anos no mínimo.Cquote2.svg
Código Criminal de 1830
Foi a República – ou, mais precisamente, os ideólogos positivistas que presidiram sua fundação – que buscaram na figura de Tiradentes uma personificação da identidade republicana do Brasil, mitificando a sua biografia. Daí a sua iconografia tradicional, de barba e camisolão, à beira do cadafalso, vagamente assemelhada a Jesus Cristo e, obviamente, desprovida de verossimilhança. Como militar, o máximo que Tiradentes poder-se-ia permitir era um discreto bigode. Na prisão, onde passou os últimos três anos de sua vida, os detentos eram obrigados a raspar barba e cabelo a fim de evitar piolhos. Também, o nome do movimento, "Inconfidência Mineira", e de seus participantes, os "inconfidentes", foi cunhado posteriormente, denotando o caráter negativo da sublevação – inconfidente é aquele que trai a confiança. Outra versão diz que por inconfidência era termo usado na legislação portuguesa na época colonial e que "entendia-se por inconfidência a quebra da fidelidade devida ao rei, envolvendo, principalmente, os crimes de traição e conspiração contra a Coroa", e, que para julgar estes crimes eram criadas "juntas de inconfidência".[3]
Historiadores como Francisco de Assis Cintra e o brasilianista Kenneth Maxwell procuram diminuir a importância de Tiradentes, enquanto autores mineiros como Oilian José e Waldemar de Almeida Barbosa procuram ressaltar sua importância histórica e seus feitos, baseando-se, especialmente, em documentos sobre ele existente no Arquivo Público Mineiro.
Atualmente, onde se encontrava sua prisão, funcionou a Câmara dos Deputados na chamada "Cadeia Velha", que foi demolida e no local foi erguido o Palácio Tiradentes que funcionava como Câmara dos Deputados até a transferência da capital federal para Brasília. No local onde foi enforcado ora se encontra a Praça Tiradentes e onde sua cabeça foi exposta fundou-se outra Praça Tiradentes. Em Ouro Preto, na antiga cadeia, hoje há o Museu da Inconfidência. Tiradentes é considerado atualmente Patrono Cívico do Brasil, sendo a data de sua morte, 21 de abril, feriado nacional. Seu nome consta no Livro de Aço do Panteão da Pátria e da Liberdade, sendo considerado Herói Nacional.

Descendência

A questão da descendência de Tiradentes é controversa. Há poucas provas documentais sobre os mesmos.
Tiradentes nunca se casou. Teve um caso com Antónia Maria do Espírito Santo, a quem prometeu casamento e teve uma filha, Joaquina da Silva Xavier (31 de agosto de 1786[4]). Constam autos do processo de Antónia Maria descobertos no Arquivo Público Mineiro que a mesma pediu a posse de um escravo que Tiradentes lhe havia dado e havia sido confiscado após sua morte.[5] Ali é citada sua filha (cujo padrinho foi o também inconfidente Domingos de Abreu Vieira, rico comerciante) e faz dela a única descendente direta comprovada por documentação.[5]Tiradentes também teria querido casar-se com uma moça de nome Maria, oriunda de São João del-Rei, filha de abastados portugueses que se opuseram à união.[5]
Sem registros comprovados por documentação, Tiradentes teria tido com Eugênia Joaquina da Silva dois filhos, uma Joaquina que logo morreu[carece de fontes] e João de Almeida Beltrão, que teve oito filhos.[6]
Para escapar das perseguições da coroa e da população, um destes netos trocou seu sobrenome para Zica, dos quais alguns descendentes recebem pensões.[7]
Viveu em Uberaba, uma neta de Tiradentes, nascida em março de 1819, Carolina Augusta Cesarina, falecida, com 86 anos de idade, em 30 de setembro de 1905, em Uberaba.[8]
A lei 7.705, de 21 de dezembro de 1988, concedeu pensão especial a Jacira Braga de Oliveira, Rosa Braga e Belchior Beltrão Zica, trinetos de Tiradentes.[9]
Além destes, também foi concedida à sua tetraneta Lúcia de Oliveira Menezes, por meio da Lei federal 9.255/96, uma pensão especial doINSS no valor de R$ 200,00, o que causou polêmica sobre a natureza jurídica deste subsídio, mas solucionado pelo STF no agravo de instrumento 623.655.[10]