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sexta-feira, 6 de abril de 2012

ATENÇÃO AMIGOS, AMIGAS E CAMARADAS - FILMES ONLINE DE BORLA COM TRADUÇÃO EM PORTUGUES- NA PARTE INFERIOR DO VÍDEO ESTÁ UM LOCAL PARA A TRADUÇÃO.



Filmes online… de borla!…


Filmes Espíritas e Espiritualistas

16. O Sexto Sentido - 52. A Partida
26. Suicídio Nunca - 62. Sidarta
29. Giordano Bruno - 65. Sinais
33. Lutero - 69. O Pequeno Buda


Outros Filmes Sugeridos

09. A Estrada - 35. Blaise Pascal
26. Stigmata

Filmes Bíblicos/Religiosos/Épicos

Filmes Romance/Drama
9. Olga - 26. O Corpo
10. Titanic - 27. Homens de Honra
Filmes Infanto-Juvenis
10. Operação Cupido - 23. Rango
 
Filmes Ação/Policial/Aventura/Drama/Ficção
 
 
Filmes Suspense/Policial/Ação/Drama
 

Filmes Comédia/Romance


PESSOA CONTAMINADA DE ORVALHO

   

   Pessoa contaminada de orvalho
   necessita perambular pelas ruas,
   cultivar vastos campos de sonhos,
   contaminar outras pessoas
   fazendo-as imunes
   ao veneno das madrugadas,
   e por tanto e louco feitiço
   iniciá-las nos mistérios,
   ritos sagrados da lua cheia.

   Pessoa que se alimenta de insônia,
   é antes de tudo um forte,
   a pele curtida pelo vento,
   os olhos marejados pela dor
   de já ter vivido mil mortes,
   de ter se apaixonado pelo caminho,
   de ter se perdido em atalhos
   e de ter sobrevivido ao veneno
   da mais sedutora sereia.
   Paixão, magia, saudade...
   Podia ter sido tão diferente!

   Pessoas com encosto de nostalgia,
   acabam ficando abestadas,
   vivem de falar bobagens,
   uns viram poetas,
   outros enlouquecem também,
   mas há sempre aquele que nega,
   tranca desgostos a sete chaves,
   morre uma única morte
   e não deixa nada pra ninguém.

FILHO DO HOMEM ( PARTE II )


Enquanto houver um homem caído de bruços no passeio 
e um sargento que lhe volta o corpo com a ponta do pé 
para ver quem é; 
enquanto o sangue gorgolejar das artérias abertas 
e correr pelos interstícios das pedras, 
pressuroso e vivo como vermelhas minhocas despertas;
enquanto as crianças de olhos lívidos e redondos como luas,
órfãs de pais e de mães,
andarem acossadas pelas ruas
como matilhas de cães;
enquanto as aves tiverem de interromper o seu canto
com o coraçãozinho débil a saltar-lhes do peito fremente,
num silêncio de espanto
rasgado pelo grito da sereia estridente;
enquanto o grande pássaro de fogo e alumínio
cobrir o mundo com a sombra escaldante das suas asas
amassando na mesma lama de extermínio
os ossos dos homens e as traves das suas casas;
enquanto tudo isto acontecer, e o mais que se não diz por ser verdade,
enquanto for preciso lutar até ao desespero da agonia,
o poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:



António Gedeão

Camões é cego, Palito tem um olho

imagem da net trabalhada por A.Garrochinho


"Dou graças por não ter sido eleito Presidente." 
As palavras são do ex-candidato a Presidente da República 
Manuel Alegre e constam do prefácio do livro de Alfredo Barroso '
A Crise da Esquerda Europeia'.
Alegre justifica, dizendo ser incapaz de suportar "tamanha humilhação" 
que é ter de lidar com os funcionários da troika."É muito penoso, 
para não dizer intolerável, assistir à vinda periódica de 
rês funcionários de pasta na mão para dizer a este 
velho país o que tem de fazer", refere o socialista.
As declarações proferidas no referido prefácio, e divulgadas 
pelo semanário 'Expresso', vão ainda no sentido de alertar para a 
"ditadura dos mercados".

Blog D"SUL




De mentira em mentira até à mentira final...

A suspensão imediata das reformas antecipadas, publicada na quinta-feira em Diário da República, pode levantar dúvidas de constitucionalidade, sobretudo na frustração de expectativas, consideram os juristas ouvidos pela agência Lusa.
Na quinta-feira, foi publicado em Diário da República o diploma da suspensão imediata das normas do regime de flexibilização da idade da reforma antes dos 65 anos, ainda que admita o acesso à pensão de velhice dos desempregados involuntários de longa duração.
Apesar de então não ter sido divulgado, entra em vigor já hoje.
O secretário-geral da UGT, João Proença, condenou nesta sexta-feira o "secretismo" do Governo em torno da suspensão das reformas antecipadas e acusou o Executivo de ter tomado uma "medida impositiva" e "ilegal".
blog D"SUL
FILHO DO HOMEM

Subia eu o monte e alguns troçaram,
Enquanto a multidão, lá em baixo, ria.
Ria risos e troças que arranharam
Tudo o que em mim, sensível, se doía...

Todos eles, depois, me detestaram
Por eu me destacar da maioria.
Fortes, pois, contra um só, cem abusaram,
Enquanto a multidão, em volta, ria.

Vilanagem, fartar!, que estou cansado.
Eis-me, Ecce homo! – nu, vencido, atado.
Podeis cuspir-me à cara os vosso lodos.

Mas quanto mais de rastos, mais me prezo.
Só o meu amor iguala o meu desprezo...
E eu vingo-me expirando por vós todos!
José Régio


O PRIMEIRO MINISTRO


Texto de Isabel do Carmo.

O primeiro-ministro anunciou que íamos empobrecer, 

com aquele desígnio de falar "verdade", que consiste na banalização do mal, 
para que nos resignemos mais suavemente. Ao lado, uma 
espécie de contabilista a nível nacional diz-nos, como é hábito nos contabilistas, 
que as contas são difíceis de perceber, mas que os números são crus. 
Os agiotas batem à porta e eles afinal até são amigos dos agiotas. 
Que não tivéssemos caído na asneira de empenhar os brincos, os anéis e as pulseiras 
para comprar a máquina de lavar alemã. E agora as jóias não valem nada. 
Mas o vendedor prometeu-nos que... Não interessa.

Vamos empobrecer. Já vivi num país assim. Um país onde os "remediados" 

só compravam fruta para as crianças e os pomares estavam rodeados de muros encimados 
por vidros de garrafa partidos, onde as crianças mais pobres se espetavam, 
se tentassem ir às árvores. Um país onde se ia ao talho comprar um bife que se pedia "mais tenrinho" 
para os mais pequenos, onde convinha que o peixe não cheirasse "a fénico". 
Não, não era a "alimentação mediterrânica", nos meios industriais e no interior isolado, era a sobrevivência.

Na terra onde nasci, os operários corticeiros, quando adoeciam 

ou deixavam de trabalhar vinham para a rua pedir esmola 
(como é que vão fazer agora os desempregados 
de "longa" duração, ou seja, ao fim de um ano e meio?). 
Nessa mesma terra deambulavam também pela rua os operários e operárias 
que o sempre branqueado Alfredo da Silva e seus descendentes punham na rua nos "balões" 
("Olha, hoje houve um ' balão' na Cuf, coitados!"). 
Nesse país, os pobres espreitavam pelos portões da quinta dos Patiño 
e de outros, para ver "como é que elas iam vestidas".

Nesse país morriam muitos recém-nascidos e muitas mães durante o parto 

e após o parto. Mas havia a "obra das Mães" e fazia-se anualmente "o berço" 
nos liceus femininos onde se colocavam camisinhas, casaquinhos 
e demais enxoval, com laçarotes, tules e rendas e o mais premiado 
e os outros eram entregues a famílias pobres bem - comportadas (o que incluía, é óbvio, casamento pela Igreja).

Na terra onde nasci e vivi, o hospital estava entregue à Misericórdia. 

Nesse, como em todos os das Misericórdias, o provedor decidia em absoluto 
os desígnios do hospital. Era um senhor rural e arcaico, vestido de samarra, 
evidentemente não médico, que escolhia no catálogo os aparelhos 
de fisioterapia, contratava as religiosas e os médicos, atendia os pedidos dos administrativos 
("Ó senhor provedor, preciso de comprar sapatos para o meu filho"). 
As pessoas iam à "Caixa", que dependia do regime 
de trabalho (ainda hoje quase 40 anos depois muitos pensam que é assim), 
iam aos hospitais e pagavam de acordo com o escalão. E tudo dependia da Assistência.
 O nome diz tudo. Andavam desdentadas, os abcessos dentários 
transformavam-se em grandes massas destinadas a operação e 
a serem focos de septicemia, as listas de cirurgia eram arbitrárias.
 As enfermarias dos hospitais estavam cheias de doentes com 
cirroses provocadas por muito vinho e pouca proteína. 
E generalizadamente o vinho era barato e uma "boa zurrapa".

E todos por todo o lado pediam "um jeitinho", "um empenhozinho", "um padrinho", 

"depois dou-lhe qualquer coisinha", "olhe que no Natal não me esqueço de si" e procuravam "conhecer lá alguém".

Na província, alguns, poucos, tinham acesso às primeiras letras 

(e últimas) através de regentes escolares, que elas próprias só tinham a quarta classe. 
Também na província não havia livrarias (abençoadas bibliotecas itinerantes da Gulbenkian), 
nem teatro, nem cinema.

Aos meninos e meninas dos poucos liceus (aquilo é que eram elites!) 

era recomendado não se darem com os das escolas técnicas. 
E a uma rapariga do liceu caía muito mal namorar alguém dessa outra casta. 
Para tratar uma mulher havia um léxico hierárquico: você, ó; tiazinha; senhora (Maria); dona; 
senhora dona e... supremo desígnio - Madame.

Os funcionários públicos eram tratados depreciativamente por "mangas-de-alpaca" 

porque usavam duas meias mangas com elásticos no punho e no cotovelo a proteger as mangas do casaco.

Eu vivi nesse país e não gostei. E com tudo isto, só falei de pobreza, não falei de ditadura. 

É que uma casa bem com a outra. A pobreza generalizada e prolongada necessita de ditadura. 
Seja em África, seja na América Latina dos anos 60 e 70 do século XX, 
seja na China, seja na Birmânia, seja em Portugal.