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quarta-feira, 21 de março de 2012



Bruxelas diz que podia ser mais barato liquidar o BPN


Esquerda - O procedimento aberto em Bruxelas investiga as ajudas públicas ao BPN e o negócio com o BIC. A Comissão diz que o BPN obteve uma vantagem económica à custa do Estado e põe em causa a venda do banco ao capital angolano, admitindo que venha a ser feita por um valor "inferior ao preço de mercado".

As 16 páginas da investigação publicada no Jornal Oficial da União Europeia em dezembro de 2011 compreendem o período desde a nacionalização até à reprivatização do BPN, negócio ainda por concluir e do qual a Comissão não tinha na sua posse todos os elementos necessários para a decisão de punir ou não o Estado português por distorção da concorrência no sector bancário.

Sobre a venda do BPN ao BIC, a Comissão diz que "é incontestável que a venda é efectuada a um preço negativo, dado que os custos de venda, incluindo a recapitalização atualmente estimada em 535 milhões de EUR, excedem em muito o preço de venda de 40 milhões de EUR". E sublinha que os valores finais deste negócio ainda terão de ser confirmados, mas que "a Comissão não pode excluir, neste momento, que custos adicionais que não estão actualmente contemplados no cenário de venda ao BIC, não estejam devidamente contabilizados".

A Comissão decidiu dar início ao procedimento de investigação à reestruturação do BPN e diz manter as dúvidas quanto ao facto de "o BPN ser viável, enquanto entidade integrada com o adquirente, e a venda ter sido a opção menos onerosa em comparação com um cenário de liquidação", bem como se a venda implicou "um auxílio a favor do adquirente".

No fim da carta, a Comissão aproveita para deixar um alerta ao Governo: no fim desta investigação, a provar-se que as ajudas fora dadas à margem das regras comunitárias, "qualquer auxílio ilegal poderá ser recuperado junto do beneficiário".

Fonte: Diário Liberdade


Saúde Pública - O cheiro já não se pode ignorar...


Não fosse a dedicação, persistência e firmeza de convicções de milhares de profissionais da saúde, que estão certos da razão que lhes assiste ao defenderem que a vida das pessoas não pode estar à mercê da ganância e dos lucros de meia dúzia... e o Serviço Nacional de Saúde, por estes dias já pareceria um corpo gigante em decomposição, como uma baleia que tivesse dado à costa há meses.
Mesmo assim, não é possível ignorar o cheiro nauseabundo que é já indisfarçável. Um cheiro de morte. De morte inútil eantecipada de muitos portugueses. Sim! Não vale a pena armarem-se em virgens ofendidas, pois é da morte antecipada de muitos portugueses que se está a falar. E falará ainda mais.
Do lado de fora do “monstro”, os milhões de pobres. Tão pobres, que quase um milhão já pediu a isenção de pagamento de taxas moderadoras. Tão pobres, que mesmo havendo muitos que não têm acesso a essa “caridosa” isenção, tal como os outros, acabam por evitar as consultas, escolher os medicamentos que conseguem pagar, não aviando as receitas por inteiro. Sem dinheiro para os transportes cada vez para mais longe e mais caros.
Do lado de dentro, hospitais sobrelotados, por tudo e também pelo afluxo de milhares de doentes adicionais que viram fechados os seus Centros de Saúde habituais. Camas nos corredores, camas no refeitório, horas e horas (ou dias) sem acesso a qualquer médico, riscos acrescidos de infecções hospitalares, enfermeiros que vão saindo do sistema e não são substituídos, cortes de milhões e milhões nas verbas disponíveis, entrada no sistema de materiais de qualidade medíocre. Como se tudo isto não bastasse, a (criminosa) tentação de reutilizar materiais que não são, de todo, reutilizáveis, como por exemplo, “pacemakers” e produtos da área da diálise, ou dos transplantes.
Voando por cima de tudo isto, em largos círculos, toda a “indústria” privada da saúde, elaborando planos e fazendo contas, para descobrir qual destas desgraças será a mais rentável e privatizável numa próxima oportunidade.
Que comentários fazer perante uma situação destas?!
É a diferença entre ter à frente dos destinos do país gente de bem... ou um bando de canalhas.

George Carlin - Aborto e Santidade de Vida



A PÁSCOA BY TONHO

O Tonho tem da Páscoa uma visão mercantilista. Uma visão em que as Fábricas de Chocolates enriquecem à custa do pobre cristão (ou será do cristão pobre). O Natal é outra epopeia de consumo. Será isto religião? As festas religiosas promovem a troca de presentes. Por vezes são só isso. E muitas vezes são um completo exagero. A verdade, porém, é que podem ser um pontapé na crise. Para muitos comerciantes, devia ser Natal o ano todo. A economia ganha com a religião e a religião com a economia. Se dos pobres será o Reino dos Céus, em verdade vos digo, um Céu sem chocolates é como um inferno sem fogo.

A VIZINHANÇA POBRE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA














Por decreto régio de 25 de Janeiro de 1906 criou o Jardim Colonial, que nos primeiros anos esteve instalado nas estufas do Conde de Farrôbo. Em 1912 foi transferido para a Cerca do Palácio de Belém. Em 1944 passou a designar-se como Jardim e Museu Agrícola Colonial. Em 1951 foi rebaptizado de Jardim e Museu Agrícola do Ultramar. Em 1974 passou a integrar a Junta de Investigação do Ultramar, antecessora do actual Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT). Em 1983 mudou novamente de nome e passou a chamar-se Jardim-Museu Agrícola Tropical.

Agora chama-se Jardim Botânico Tropical e no seu sítio na Internet é apresentado como “um mundo, uma herança a explorar, divulgar e conservar”. Tem como objectivos “desenvolver e assegurar a manutenção de colecções de plantas vivas das zonas tropicais e subtropicais, ao ar livre ou em ambiente confinado, com classificação e catalogação actualizadas, que constituem material de estudo e ensino”.

O Jardim Botânico Tropical tem uma área de 7 hectares e é um dos jardins mais notáveis de Lisboa, aliando a qualidade paisagística à excepcional riqueza botânica (no catálogo elaborado pela investigadora Maria Cândida Liberato, publicado em 1994, constam 430 espécies).

Localizado numa das mais nobres zonas da capital, tendo inclusivamente dois portões de ligação ao jardim do Palácio de Belém, o Jardim Botânico Tropical tem vindo a degradar-se de forma preocupante. 

Junto à entrada principal, na Travessa dos Ferreiros de Belém, o muro que ostenta uma placa com a indicação “Património do Estado”, é usado para secar a roupa da vizinhança pobre do Presidente da República.

Dentro do centenário jardim são evidentes as lacunas na catalogação das espécies e gritante a falta de manutenção em alguns dos sectores. A área dedicada às plantas suculentas está abandonada e algumas das estufas são irrecuperáveis. O Jardim Botânico Tropical não está a funcionar como espaço de educação ambiental e deixa muito a desejar como espaço de divulgação científica. 

As fotografias, registadas na visita de estudo que ontem realizei, mostram que esta unidade funcional do Instituto de Investigação Tropical, presidido pelo Doutor Braga de Macedo, antigo ministro das finanças dum governo presidido pelo Professor Cavaco Silva, é mais um triste exemplo da insensibilidade e do desprezo pelo património natural e cultural . 

Quando na Cerca do Palácio de Belém o património está tão mal tratado, que poderemos esperar do resto do país?
Raimundo Quintal

Como se tudo dependesse da Primavera - I


DESERTIFICAÇÃO
Fala a pedra com a pedra: Onde a erva?
Fala a terra com a terra: Onde o húmus?
Fala a porta com a janela: Onde a gente?
Fala a parede com o sobrado: Tens saudade dos passos?,
onde pára o espanta pardais, esse espantalho de falsos braços
que afastavam os pássaros?
Onde param as searas? e as eiras? e os cantos? e o pão?
Flor? Que é uma flor?
Flor era essa coisa de pétalas e cor que tu trazes na memória
e que segundo o calendário do tempo devia povoar esses campos?
Árvores? Que é uma árvore?
Árvore era essa coisa de raízes, folhas, ramos, frutos
que juras te ter no passado dado meiga e fresca sombra?
Água? Que é a água?
Água é essa coisa que te molhava o rosto, a roupa o corpo
e que as escuras nuvens teimam levar para outro lugar?
Ah, meu amor, este abandono
Ah, meu amor, este deserto
Se cada um de nós somos três
porque me falas
como se houvesse apenas Minha Alma?
Porque me falas
como se tudo dependesse da Primavera e nada dependesse de nós?
Rogério Pereira  
blog Conversa anvinagrada 


O MINÉRIO DE MONCORVO E O MINISTRO MENTIROSO



Há, no governo de traição nacional PSD/CDS, um ministro obscenamente ridículo, chamado Álvaro dos Santos Pereira, para cima do qual já todos os membros do governo expeliram sólidos e molhados, com especial relevo para o primeiro-ministro Passos Coelho, o ministro dos negócios estrangeiros Paulo Portas e o ministro das finanças Vítor Gaspar, sem que o homenzinho tuja nem muja.

O Álvaro, como até há pouco tempo pedia para ser chamado, licenciou-se em Coimbra e acabou docente numa universidade em Vancouver, no oeste do Canadá, onde, sem saber nada do que se havia em concreto passado na sociedade portuguesa nos últimos quinze anos, mesmo assim escreveu, e publicou em Abril de 2011, um livro intitulado Portugal na Hora da Verdade – Como Vencer a Crise, com o qual se propunha salvar a parvónia.

Uma vez eleito, Passos Coelho, em quem nunca se notou que abundasse alguma ideia acertada, foi buscar este novo D. Sebastião ao off shore canadiano do Pacífico e pespegou com ele na pasta da Economia, criando para o sujeitinho um super-ministério que englobava, além da economia propriamente dita, os transportes e comunicações, a energia, os subsídios europeus, as obras públicas e o emprego.

O Álvaro era, então, a grande aposta de Coelho, pois o Álvaro, com aquela incontinência verbal que todos os portugueses hoje conhecem, havia escrito na portada de um dos capítulos da sua bíblia redemptora: “Chamem-me o que quiserem, mas esta crise é o melhor que nos podia ter acontecido”...

Ora, este jaleco que parecia disposto a comer crises ao pequeno-almoço, começou por pretender endireitar o país mediante a liquidação do sector dos transportes, manobra que suscitou a mais férrea das resistências dos trabalhadores do sector e dos utentes do serviço, resistência que ainda hoje continua e que liquidou completamente o D. Sebastião de Vancouver, que está já de patins calçados para o regresso à universidade de Simon Frazer.

Quando ficou totalmente isolado na tentativa de aplicar em Portugal o trabalho forçado (meia-hora de trabalho diário não pago), o Álvaro lançou e pagou nos meios de comunicação portugueses e espanhóis a famigerada campanha do Minério de Moncorvo: mil milhões de euros de investimento imediato da empresa anglo-australiana Rio Tinto, com 2.000 postos de trabalho directos e alguns seis mil indirectos!

Foi no dia 21 de Outubro de 2011, por altura da marcação da greve geral nacional de 24 de Novembro, que o país acordou em alvoroço com o anúncio da nova corrida ao ferro.

Nos dias seguintes, o Álvaro anunciou uma nova corrida ao ouro, com a abertura de novas minas e a reabertura de velhas, como a de Jales; mas também uma nova corrida ao volfrâmio e uma outra às pirites alentejanas!...

Para um país que naquela data tinha atingido o nível máximo de desemprego, ficou toda a gente excitada com a conferência de imprensa sobre a reanimação da indústria mineira, apregoada pelo ogro de Vancouver.

Diga-se, de passagem, que as serras de Moncorvo e Reboredo, em Trás-os-Montes, contêm no seu seio as maiores reservas de minério de ferro da Europa.

Realidade essa que sempre foi escondida aos portugueses, como é apanágio da política dos imperialistas, que ocultam aos povos as riquezas de que são donos, até que as possam abocanhar.

Há mais de quarenta anos que o nosso Partido tem chamado a atenção para as nossas riquezas mineiras, e, no caso das Minas de Moncorvo, para o crime económico que representou o encerramento da exploração em 1986, por força das negociações para a entrada na Comunidade Económica Europeia, a então CEE.

Avaliando por baixo o valor de uma jazida de ferro que nunca foi devidamente avaliada, os recursos das Minas de Moncorvo e Reboredo, segundo cálculos da Direcção-Geral de Geologia e Minas (hoje, Direcção-Geral de Geologia e Energia) serão de 552 milhões de toneladas de minério, o que, à cotação actual mundial de 150 dólares (125 euros) por tonelada, representa qualquer coisa como 69 mil milhões de euros, cerca de 40% do produto interno bruto português.

Em Moncorvo, os depósitos de ferro existem e são os maiores de todo o continente europeu, ainda que o teor de ferro no minério não seja o maior.

O certo é que, depois do foguetório subsequente à conferência de imprensa promovida pelo Álvaro em Outubro do ano passado, nunca mais ninguém falou no mega-investimento da Rio Tinto, ainda que já naquela altura se soubesse que os direitos de exploração das minas da Torre de Moncorvo tinham sido concedidas pela Direcção-Geral de Geologia e Energia não à Rio Tinto, mas à MTI-Minning Techonology Investments, pelo período compreendido entre 2011 e 2070.

Esta concessão do couto mineiro da Torre de Moncorvo por sessenta anos foi feita nas costas do povo português, ocultando-lhe os valores em causa. Sabe-se muito bem que o sigilo destes negócios é uma imposição das práticas criminosas de corrupção; mas o que não se compreende é como se calam os partidos da oposição parlamentar, pois os seus deputados nunca obrigaram o governo a vir ao parlamento explicar estas negociatas...

A inacção dos deputados da oposição só pode significar que as negociatas também corrompem os partidos parlamentares que não estão no poder.

Como, nos últimos cinco meses, ninguém falou mais nos minérios de Moncorvo, e tendo atingido entretanto o desemprego máximos históricos, o Jornal de Noticias, diário nortenho de maior circulação, entrou em contacto com a empresa Rio Tinto, a qual negou qualquer perspectiva de investimento no Leste transmontano e, com o azedume conhecido dos capitalistas saxónicos, lá foi acrescentando que “não comenta especulações da imprensa portuguesa”, ficando-se todavia sem saber quais serão afinal as especulações da imprensa que a Rio Tinto comenta...

Jornal de Notícias dirigiu-se então ao ministério do Álvaro, para saber o que se passava, e a resposta foi esta: “Não temos qualquer comentário a fazer”.

Chamem-me o que quiserem – pediu o Álvaro a fls 536 da sua vulgata de Vancouver, lembram-se?!

Nós, aqui e por agora, vamos chamá-lo apenas de ministro mentiroso, para não repetir nas páginas de um jornal comunista o que lhe chamam os trabalhadores e os passageiros do sector dos transportes, porque não seria curial ofender aqui a mãezinha do cavalheiro...

PÁRA TUDO !!!


SELECÇÃO DE POEMAS DE ANTÓNIO GARROCHINHO







Marinho e Pinto denuncia o enriquecimento ilícito, criticando o povo que pactua e vota em criminosos.

Paula Teixeira da Cruz afirma que vai dar prioridade máxima ao combate da corrupção, 
no entanto, ela própria já foi o centro das atenções em 3 casos recentes de corrupção, 
tendo em conta que a corrupção não é apenas  a "oferta" de dinheiros públicos 
mas também de favores ou  ainda o (ab)uso 
do poder público para benefícios  pessoais, segundo a organização"Transparency International".
Os casos onde o seu nome apareceu envolvido foram os 15 cargos (tachos) para amigos do namorado,

 foi o "tacho" para a sua irmã, e foi a atribuição de subsídios proibidos a um informático 
que só de salário base usufrui perto de 4 mil euros.



Marinho e Pinto critica o povo português por continuar a pactuar e a dar o seu aval aos corruptos, 

votando neles. Fazendo referencia que os nossos políticos têm na sua maioria problemas com a justiça
alguns deles bem óbvios e no entanto os portugueses confiam o seu país, o seu futuro e o seu dinheiro nas mãos deles.
O exemplo de Armando Vara que encabeça um banco, após várias suspeitas de crimes, e no entanto a instituição bancária 

que o alberga, não vê nisso uma perda de credibilidade 
perante os clientes ( apesar de a lógica nos dizer que um banco com criminosos, 
na direcção, pode não ser de confiança) 
mas em Portugal parece que é precisamente o oposto... os criminosos são os maiores, 
os mais espertos e safam-nos sempre!!??? 
Será que é isto que se passa na cabeça dos portugueses???
Para Marinho e Pinto os processos nunca chegam a lado nenhum, são inconclusivos, 

anulados, prescrevem, inocentados, etc etc, a única utilidade que têm os processos é que servem 
para fazer esquecer os anteriores e desviar atenções.
O bastonário da ordem dos advogados refere 

ainda o caso dos sobreiros... numa zona considerada reserva ecológica 
durante 10 ou 15 anos, de repente aparecem 3 ministros 
que decidem que já não é reserva e numa noite abatem 2 mil sobreiros.
Mas mais descarado ainda é que pouco tempo depois começam 

a entrar aos 10 mil dólares em cash na conta de um partido, de pessoas fictícias/falsas.
Os envolvidos continuam por aí, totalmente impunes e nem uma leve 

censura lhes foi dirigida!


Acesse o Artigo Original: http://apodrecetuga.blogspot.com/2012/03/marinho-e-pinto-denuncia-o.html#ixzz1pktPMVun
 

blog Não votem neles, pensem !

Ana, greve geral a 22 Março



Ana, greve geral a 22 Março






Fazer greve não é baldar-se ao trabalho, fazer greve é muito mais que isso, fazer greve é dizer que quando vendemos a nossa força de trabalho, as alfaces que plantamos e colhemos, as letras que ensinamos, os sapatos que sabemos cozer, o chão que sabemos limpar, o lixo que recolhemos, o parafuso que apertamos, os papeis que arquivamos, o tijolo que assentamos entre creme de cimento, o comboio que conduzimos, a camisola que vendemos, o embrulho com fita azul ou rosa, a fralda que trocamos ao idoso ou à criança, o autocarro que conduzimos diariamente, cheios de iguais a nós, pessoas que vendem o que sabem fazer, vendem todos os meses para comprar isso, alfaces, sapatos, parafusos, pagar um tecto um abrigo, o caderno onde os nossos filhos aprendem as letras, o pão, o pão de cada dia de todos os dias, mas por vezes esta troca torna-se insustentável e arquivar papeis todos os dias ou cozer sapatos, dar injecções ou vender camisolas, torna-se mais ou menos um trabalho escravo, onde mudam os nossos dias de descanso, as horas de trabalho, as de inicio de trabalho, as de fim de trabalho, podem ainda mudar o local de trabalho, e no fim, no final de cada mês o preço que nos pagam ou paga a alface ou o abrigo, o remédio ou o sapato, o bife ou a injecção, e dado que não é possível viver em meio tecto, andar só com um sapato, ensinar só as vogais e os números primos, não é justo nem inteiro, e então pensamos o que fazer, primeiro arranjamos forma, compramos alfaces pequenas, pagamos as contas urgentes, engraxamos os sapatos velhos e vamos seguindo assim, depois vemos que não somos só nós, são todos ao nosso redor, pelo menos todos os vivem assim de vender o que sabem fazer, e mais ainda vemos que cada vez mais alguns de nós ficam parados em casa, com as mãos vazias, impotentes, sentindo-se um pouco culpados ou diferentes, outros olham para o pouco que tem para uma vida passada de trabalho que lhes deixou queixas várias, dores difusas, falta de liquidez para as alfaces, e então tentamos falar, não nos escutam, depois gritamos na rua e dizemos de nossa justiça, e não nos escutam, depois pensamos assim, há qualquer coisa que posso fazer, posso não apertar o parafuso um dia, mesmo que isso implique receber menos esse dinheiro, do pouco que já temos e que nos falta para as alfaces, podemos mostrar que fazemos falta, que um dia sem comboios, sem autocarros, sem papeis arquivados, letras ensinadas e lixo recolhido faz diferença, que fazemos falta, que exactamente porque queremos trabalhar, todos, queremos sapatos para todos, alfaces para todos, leite para todos, letras para todos, o direito a sorrir a sonhar com o futuro, e porque não queremos outro caminho que não seja este delineado por quem não tem problemas com o preço das alfaces, quem nunca apertou parafusos, quem nunca trabalhou e não dá valor nenhum ao trabalho, como nós damos, nós os grevistas…    




O PROFETA ZECA DIZIA "ELES COMEM TUDO E NÃO DEIXAM NADA"

Já dizia o profeta Zeca :- eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada.
É uma manada de vampiros, incluindo os activos e os passivos !!!
E faltam aqui as empresas públicas, as regionais e as municipais, onde há mais boys por m2 e acumulam milhões de prejuízo , mas tratam os servidores como príncipes !!!!!!
         
Aqui vai a razão pela qual os países do norte da Europa estão a ficar cansados de subsidiar os países do Sul.
Governo Português
3 governos no continente e ilhas,  333 deputados no continente e ilhas,  308 câmaras,  4259 freguesias,  1770 vereadores,  30000 carros, 40000(?) fundações e associações,  500 assessores em Belém,  1284 serviços e institutos publicos.

Para a Assembleia da República Portuguesa ter um número de deputados equivalentes à Alemanha, teria de reduzir mais de 50%
 
      O POVO PORTUGUÊS NÃO TEM CAPACIDADE PARA CRIAR RIQUEZA SUFICIENTE PARA ALIMENTAR TANTA GENTE A SEM NADA FAZER. 

Jardim Manuel Bívar


Conhecido, vulgarmente, pelo Jardim da Doca, era vivo e barulhento com imensa gente, crianças, jovens e adultos a procurá-lo para agradáveis convívios.

Os farenses, nas horas de lazer, enchiam o Jardim andando nele às cotoveladas, aos encontrões, conversando e rindo uns com os outros, indo e vindo desde o monumento a João de Deus até ao coreto.
Mantenho ainda o gosto de meditar, discorrendo placidamente, sentada num banco do Jardim da doca, olhando, ou antes, saboreando os fins de tarde, com os lindos “pores de sol” sempre diferentes e belos.
O Jardim da cidade era também procurado para encontros profissionais (trabalhadores e empregadores), marcando-o como um verdadeiro “centro de emprego”.
Nele, junto do coreto, do Aliança ou do Largo das camionetas, homens honestos de fracos recursos, peças fundamentais no xadrez social da vida (na época) procuravam contratos de trabalho ocasional. Eram trabalhadores independentes, solicitados para pequenos arranjos domésticos ou outros serviços.
Normalmente eram educados, de falas mansas, respeitosos, dispostos ao trabalho fora de horas, incluindo domingos, e mal recompensados do esforço.
Creio firmemente, que história não é só o desfiar árido de acontecimentos relatados pelos compêndios, de forma cronológica. Os compêndios realçam o papel desempenhado pelos grandes senhores, esquecendo às vezes os operários que são a base da sociedade.
História é mais do que isso!
Impõe-se o dever de realçar o factor humano e todo o legado deixado por homens iguais a nós, que doutros homens o receberam. A evolução das coisas e dos tempos não contém mistérios, somos nós os condutores dos factos, seremos nós a trabalhar para as gerações vindouras.
Era no nosso Jardim e arredores que se encontravam os moços de fretes, os estivadores que carregavam e descarregavam os barcos da doca, carroceiros que implicavam a presença do ferrador, albardeiro, abegão, e até o aguadeiro e latoeiro, ardinas e vendedores de lotaria, carvoeiros, varredores, caiadores, vendedores de produtos da ria, limpa chaminés…tantos…tantos outros, cuja actividade desapareceu por não ser necessária, mas que deixaram a sua “marca”, a sua história!...
Não poderei esquecer e deixar de realçar o jardineiro Zé Nabo, responsável fervoroso pelo Jardim, que só ia a casa dormir, passando os dias no local de trabalho entre as flores, a poda das árvores, o corte rigoroso das sebes que o circundavam e almoçava da marmita preparada pela mulher, entre alfaias de jardinar, guardadas no coreto.

Havia mulheres que buscavam trabalho, mas o nome delas era divulgado “boca a boca”, como recomendação de uma amiga. Eram as das limpezas, dos recados (porque não havia telefone), lavadeiras, parteiras/curiosas…
Ainda há poucos anos, à volta do coreto, homens de outros tempos, engraxadores e retratistas “à la minuta”, desenvolviam as suas actividades.
Recordo com saudade os engraxadores, à volta do coreto, disputando entre si os fregueses, com a sua caixa da graxa, de madeira, abrindo lateralmente, com o pé alto, contendo as tintas, as pomadas, as escovas, os panos de dar lustro, as talas para protegerem os peúgas dos clientes.
Trabalho modesto, independente, de pouca aplicação de capital e que permitia um bom contacto com o público.
Lembro-me do “Marrequinho” com a sua corcunda e permanente má disposição, do”Cow-boy” amantíssimo da “pinga”, do “Mestre Zé Cuco” que punha tanto empenho no trabalho que comparava o brilho dos sapatos por ele engraxados com o dos espelhos da Casa Nobre e que estabeleceu o seu horário de trabalho cumprindo-o tão rigorosamente que deixava o freguês com um sapato por engraxar ao bater do meio-dia, dizendo:
-Volte às duas horas.
No local operavam ainda, na nobre missão do brilho do sapato, o “Zé Fitas”, o “27”, o “Pinau”, o “Menino António”, o “Velhote Macário”, o “Ti Macoi”, o “Gastaldo”, o “Maçarico”, o “Rato”, o “Américo”, o “Alvor”…
Cada engraxadela custava uma coroa (5 tostões, 50 centavos), o mesmo preço do café e do jornal e os Sábados e Domingos eram dias de trabalho intenso.
Todos eles tinham orgulho na sua profissão, engraxando meio mundo, submissos mas vaidosos dos clientes ilustres que continuavam com eles ao longo de gerações.
Os sapatos ficavam a luzir e se alguma mancha, impertinente, permanecia estragando o seu brio profissional, uma boa “cuspidela” seguida de uma fricção, dada com “genica”, à custa de esforço, punha o sapato num brinquinho, o cliente satisfeito e ele, engraxador, vaidoso da obra desempenhada.
Também fizeram história, no mesmo sítio, os retratistas “à la minuta”, com o tripé que suportava uma caixa, com um pano preto a tapar a parte posterior evitando a entrada da luz, e a objectiva, na dianteira.
Era uma caixa mágica que nos reproduzia as caras!
O fotógrafo/artista metia a cabeça no pano preto, espreitava, corrigia a nossa posição, espreitava de novo, pegava num interruptor, retirava a cabeça e, olhando para nós, recomendava:
-Não se mexa! Atenção!
-OLHA O PASSARINHO!!!!!!!!!!!!!!!!
Tirada a fotografia, colocava a cartolina branca com as pessoas brancas de cor preta, “de pernas para o ar”, em frente da câmara, voltando a dar o “clik” com o interruptor.
Mergulhava a foto numa pequena tina contendo um líquido, durante algum tempo. Retirava-a, olhava para verificar se estava perfeita e estendia-a numa corda, presa com uma mola de roupa.
Os últimos retratistas que me recordo, os irmãos Seita, tinham um cavalo de madeira e/ou papelão, para alindarem as fotografias infantis, montando a criançada ou colocando-os de pé junto do brinquedo.
A caixa/máquina/fotográfica era decorada, lateralmente, com retratos já realizados, que serviam de modelo e prova de eficiência.
Tudo era feito no momento, do positivo a fazer negativo, com arte, saber e desejo de bem servir.
Tratando da sua história de vida, os carroceiros e os moços de fretes permaneciam ali nas redondezas, aguardando trabalho.
Os moços de fretes autorizados, cirandando no Largo das camionetas, no café Coelho e no Madeira, tinham um boné com uma chapa numerada na copa e alguns, uma carreta para carregarem as malas dos imensos caixeiros-viajantes que chegavam a Faro com muita frequência.
Os ganhos eram fracos e o facto levava-os a perseguirem os passageiros para que lhes entregassem as bagagens. Assisti, uma vez, a um moço ser levado para a esquadra por um polícia, por ter assustado uma senhora ao querer levar-lhe, à força, uma pequena sacola.
Ainda recordo muitos desses moços de fretes, o “Pirilau”, o “Má-língua”, o “Macaco”, o “Rato-chino”, o “Menino Chico”…
Vejo, ainda, o Menino Chico correndo pela rua a transbordar de felicidade porque, finalmente, lhe tinham atribuído o boné de trabalho!
Lembro-me de um, que morreu novo, que assobiava magistralmente, deleitando-nos nas noites de Verão, quando toda a rua convivia à porta das casas…
Existiam verdadeiros artistas na arte de barbear e de cortar o cabelo, que não se estabeleciam, por falta de recursos, e que procuravam clientes no Jardim. A compra do espelho e da cadeira do cliente, articulada e cómoda, implicava uma grande despesa…
Eram procurados por pessoas acamadas e que não saíam de casa.
Não era o caso do meu avô Pinto, homem dinâmico, irrequieto, incapaz de se sujeitar a ficar sentado numa barbearia aguardando vez. Era uma perda de tempo, dizia ele…Os jornais postos à disposição dos clientes não lhe serviam porque não sabia ler, as conversas não o cativavam porque versavam mulheres e ele, se as queria, procurava-as, não falava sobre elas. De futebol não gostava. Política para ele não existia, o trabalho é que era real; só sabia que havia um Salazar que mandava em tudo e em todos.
Vivia impondo à família a sua vontade, como rei de poder absoluto.
Uma vez no mês levava um barbeiro a casa a fazer-lhe a barba e cortar o cabelo. Eu assistia sempre a essas operações, observando, curiosa, os gestos ágeis das mãos do barbeiro que faziam rodopiar a navalha entre os dedos.
O avô sentava-se num cadeirão com uma opa enorme e branca amarrada ao pescoço, o barbeiro cortava o cabelo, seguindo-se a barba.
O ritual não variava. Numa taça era desfeito o sabão na água, formando uma espuma espessa e branca, que era espalhada pela cara do avô com um pincel largo, muito peludo e de cabo curto.
Pegava na navalha colocando-a aberta entre os dedos, com verdadeira mestria e fazia um teste, na unha, a verificar o corte. Quase sempre afiava a navalha, de um lado e do outro, durante muito tempo, na tábua afiadora.
Iniciava o trabalho nas “patilhas”, com cuidado para ficarem certas.
Escanhoava com rapidez toda a cara, muito concentrado, a evitar cortes, desinfectava e espalhava uma loção refrescante pelo rosto.
Antes do avô se levantar ainda era energicamente escovado, com pó de talco, no pescoço e era-lhe retirada a opa, com um gesto muito teatral.
O avô olhava-se ao espelho do barbeiro/artista, olhava para mim e dizia:
-Queres cabelo, barba ou bigode?
Em Faro havia muitas barbearias espalhadas por toda a cidade. Sempre que passava perto de uma, achava curiosos os calendários, expostos em lugares de destaque, com fotografias de mulheres quase nuas, mostrando as pernas gordas e rosadas.
Recordo o “Ti Pedro”, de cor negra, cauteleiro de profissão, que cirandava perto do coreto e calcorreava toda a cidade vendendo sonhos, ilusões e esperanças…
E o Santo Toninho vendedor de caça brava que vinha na camioneta de Cachopo carregado com coelhos, lebres e perdizes, gritando:
-Ó caça brava! Ó caça brava!
Era baixinho, vestia um casaco maior do que ele, calçava uns enormes sapatos, carregava um peso superior às suas forças, preso à cintura e aos ombros, arrastando-se como que grudado ao chão…
O Artur Costa, conhecido por Charlot, cirandava por ali na esperança de vender os seus lindos quadros que versavam, em quase todos, o moinho holandês. Em casa tínhamos dois na sala de jantar e eu levava horas a observá-los, fascinada pela cor.

Os limpa-chaminés que apareciam, quando chamados, amedrontavam-me com a sua figura sinistra, vestidos de negro e transportando vassouras e raspadores com enormes cabos.
Metiam-se pela chaminé e quando de lá saíam, a negrura da roupa espalhara-se pela cabeça, pescoço e mãos. Pestanejavam os olhos com insistência, a boca aberta, seca, revelando dificuldades na respiração.
Julgava que eram o “homem do saco”, que nunca vi, mas fazia parte do meu imaginário, porque a mãe chamava por ele quando me recusava a comer a sopa.
-Não comes, vem o velho do saco e leva-te!
O medo abria-me a boca e a sopa era enfiada a um ritmo diabólico.
Mulheres vindas do campo carregando nos alforges dos burros repolhos, batatas, cenouras, nabos…artigos das hortas, vendiam-nos pela manhã não só nas diferentes ruas de Faro como na Praça Velha, perto da estátua a João de Deus…

Recordo ainda a curiosidade mórbida que permaneceu no meu espírito durante imenso tempo!

Amigas da mãe visitavam-na e travavam, entre elas, conversas envoltas em mistério… Eu bem me punha a jeito, disfarçando o interesse, mas não entendia nada… Sentia mistério no ar aumentado pelas saídas, nunca explicadas, das senhoras…
Quais os segredos que as uniam?
Ouvia frases soltas nada elucidativas!
-Tens que te precaver!?
-Percebe de desmanchos!?
-Agora fica de resguardo e come caldos de galinha!?
Sentia que a minha mãe e as amigas estavam unidas por laços fortíssimos, numa solidariedade sofrida, comum a todas, por serem mães, esposas, avós…
Problemas de MULHERES!...
As práticas abortivas e ilegais eram reais, acima de tudo, por causas económicas com a impossibilidade de criar mais um filho.
O sentido de culpa, o pecado mortal, massacrava mais do que o risco da prisão…
Era a dureza da VIDA!!!!!!
Estávamos em 1940 e 1950!!!!!!!!

Num dia, não sei quando nem porquê, recordei todos estes homens e mulheres que gravitaram no Jardim Manuel Bívar, e um “flash” de luz clara mostrou-me a realidade e o sofrimento de todos eles…
Viveram no meu tempo de menina e moça na época em que, despreocupada e feliz, saía do Liceu, descia a Avenida, passava pela R. de Santo António e parava no Aliança. Conforme o interesse, integrada no grupo de raparigas amigas, voltava para trás, dizendo:
-Para além é Marrocos (referíamo-nos ao Jardim).
Se decidíssemos alongar o passeio, íamos até à estátua de João de Deus, poeta das Crianças e da Mulher, grande figura humana… e algarvio…cumprimentá-lo!


A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa:
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!

Lina Vedes - 2010