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segunda-feira, 19 de março de 2012



Comunicado das FARC-EP: Estamos prontos para iniciar a liberação dos prisioneiros de guerra


ANNCOL - 1. Informamos ao grupo de Mulheres do Mundo pela Paz, coordenado por Piedad Córdoba e a organização Asfamipaz, que estamos prontos para iniciar o processo de libertação,em duas jornadas, de 10 prisioneiros de guerra que estão em nosso poder.

2. Manifestamos nosso acordo com os pontos do protocolo de segurança. Só resta que o presidente Juan Manuel Santos permita a visita humanitária projetada por Mulheres do Mundo pela Paz, aos prisioneiros políticos e de guerra nos centros de reclusão do país. Não é possível entender que o governo colombiano negue a existência deles, só para obstruir essa visita, quando o Instituto Nacional Penitenciário e Carcerário, INPEC, atendendo um direito de petição, acaba de reconhecer que há 15.000 prisioneiros políticos. Esta é uma realidade inocultável num país que tem já décadas de conflito armado.

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP

Montanhas de Colômbia, 16 de março de 2012

Fonte: Diário Liberdade
BLOG NOVA CENTELHA




Hoje... Ontem...Atenção ao amanhã! Somos todos iguais!


Tiroteio em frente de uma escola judia em França, em Toulouse. Um professor e duas crianças de 3 e 6 anos mortas. Um adolescente de 17 gravemente ferido. Ignora-se o paradeiro do assassino. Sabe-se o modus operandi...

Há dias, matara a sangue frio (mesma arma identificada pelas balas, mesma scooter usada, mesmo esquema) 3 paraquedistas em frente do próprio quartel. Por acaso, dois magrebinos e um antilhês...

Outra vez?

Demasiadas coincidências: crianças judias, soldados árabes, um soldado, "negro", das Antilhas...

Há qualquer coisa de  repetitivo e assustador, nisto.

Quem não recordará a matança na Noruega? Um desequilibrado? Como hoje, metódico, tranquilo, organizado.

Já chega!


E na América? E em África? E o colonialismo?

E, andando um pouco mais para trás, a hecatombe: a matança de judeus, ciganos, homossexuais nos campos de concentração...

Inquietante, sem dúvida!

Defendamo-nos uns aos outros: somos todos iguais!




Inacreditável....

Jogadas do Barcelona são código para tráfico de armas
Rebeldes sírios utilizam as jogadas da equipa catalã para definir as rotas para o contrabando de armas.
O relvado de Camp Nou é uma rota para o tráfico de armas. Messi, Xavi e Fàbregas são os traficantes e a bola é a localização das armas. Confuso? Não para os rebeldes opositores ao presidente da Síria, Bshar El-Assad, que utilizam as jogadas do Barcelona para definir as rotas do contrabando de armas.
A revelação foi feita pela estação televisiva Al Dunya, que explica que o campo representa a rota, os jogadores são os traficantes e a bola aponta para a localização das armas.veja o vídeo abaixo...


Governo gastou 160 mil euros por mês em viagens até final de 2011


Nos primeiros 231 dias de governação, executivo realizou 246 viagens. Quase metade foram para Bruxelas


TÃO IGUAIS


Salazar 27 de Abril de 1928
SEI MUITO BEM O QUE QUERO E PARA ONDE VOU


Victor Gaspar 4 de Março de 2012
SABEMOS ONDE ESTAMOS E O QUE QUEREMOS FAZER

Ambos economistas, ministros das finanças, prepotentes, amigos do "quero-posso-e-mando", do "eu é que sei como é",  do "ou fazem como eu mando ou vou-me embora", do "não fui eu que quis vir, vocês é que me foram buscar",  um liberal-fascista, outro ultra-liberal (as diferenças são mínimas ou nenhumas). As semelhanças são notórias, as diferenças nenhumas.
blog Ferroadas

BAPTISTA BASTOS ESCREVE SOBRE CAVACO SILVA


*A pátria, estarrecida, assistiu, nos últimos dias, à declaração de pobreza do dr. Cavaco, e aos ecos dessa amarga e pungente confissão. O gáudio e o apoucamento, a crítica e a repulsa foram as tónicas dominantes das emoções.

Os blogues, aos milhares, encheram-se de inauditos gozos, e a Imprensa, grave e incomodada, não deixou de zurzir no pobre homem. Programas de entretenimento matinal, nas têvês, transformaram o coitado num lázaro irremissível. Até houve um peditório, para atenuar as suas preocupações de subsistência, com donativos entregues no Palácio de Belém. Porém, se nos detivermos, por pouco que seja, no dr. Cavaco e na sua circunstância notaremos que ele sempre assim foi: um portuguesinho no Portugalinho.

Lembremo-nos desse cartaz hilariante, apostou em tudo o que era muro ou parede, e no qual ele aparecia, junto de um grupo de enérgicos colaboradores, sob o extraordinário estribilho: "Deixem-nos trabalhar!" (CAVACO SILVA-DIAS LOUREIRO-OLIVEIRA e COSTA)

Cavaco governava pela primeira vez e os publicitários colocaram-no e aos outros em mangas de camisa arregaçadas. Os humoristas de serviço rilharam os dentes, de gozo, mas a época não era propícia à ironia. O País tornou-se numa espécie de imagem devolvida do primeiro-ministro: hirto, um espeque rígido, liso, um carreirinho de gente cabisbaixa.

O respeitinho é muito lindo: essa marca d'água do salazarismo regressava para um país que perdera a noção do riso, se é que alguma vez o tivera.

Cavaco resulta desse anacronismo que fede a mofo e a servidão. É um sujeito de meia-tijela, inculto, ignorante das coisas mais rudimentares, iletrado e, como todos os iletrados, arrojado nas afirmações momentâneas. As suas "gaffes" fazem história no anedotário nacional. É um Américo Tomás tão despropositado, mas tão perigoso como o original.

Manhoso, soube aproveitar o momento vazio, no rescaldo de uma revolução que também acabou no vazio. Os rios de dinheiro provindos de Bruxelas, e perdulariamente gastos, durante os infaustos anos dos seus mandatos, garantiram-lhe um lugar de aplauso nas consciências desprotegidas dos portugueses. Este apagamento da verdade está inscrito, infelizmente, numa Imprensa servida por estipendiados, cuja virtude era terem o cartão do partido. Ainda hoje essa endemia não foi extirpada. Repare-se que, fora alguns escassos casos isolados, ainda não foi feita a crítica aos anos de Cavaco e das suas trágicas consequências políticas, ideológicas, morais e sociais. Há uma falta de coragem quase generalizada, creio que explicada pela teia reticular de cumplicidades, envolvendo poderes claros e ocultos.

A mediocridade da personagem é cada vez mais evidente. E se, no desempenho das funções de primeiro-ministro, foi sustentado pela falsa aparência de el dourado, devido aos dinheiros da Europa, generosamente distribuídos por amigos e prosélitos, como Presidente da República é uma calamidade afrontosa. Tornou o lugar desacreditante e desacreditado.

Logo no primeiro dia da sua entrada no palácio de Belém, o ridículo até teve música. Um país espavorido assistiu, pelas televisões, sempre zelosas e apressuradas, àquela cena do dr. Cavaco, mãos dadas com toda a família, a subir a rampa que conduz ao Pátio dos Bichos, e ao interior do edifício. Um palácio que não merecia recolher tal inquilino. Mas ele é mesmo assim: um portuguesinho no Portugalinho, um inesperadamente afortunado algarvio, sem história nem grandeza, impelido para o seu peculiar paraíso. A imagem da subida da ladeira possui algo de ascensão ao Olimpo, com aquelas figuras muito felizes, impantes, formais, intermináveis. Mas há nisto um
panteísmo marcadamente ingénuo e tolo, muito colado a certa maneira de ser portuguesinho e pobrezinho: tudo em inho, pequenininho, redondinho.

Cavaco nunca deixou de ser o que era. Até no sotaque que não perdeu e o leva a falar num idioma desajeitado; no inábil que é; no piroso corte de cabelo à Cary Grant; no embaraço que sente quando colocado junto de multidões ou de pessoas que ele entende serem-lhe "superiores". Repito: ele não dispõe de um estofo de estadista, e muito menos da condição exigida a um Presidente da República.

O discurso da sua pobreza resulta de todas essas anomalias de espírito. Ele tem sido um malefício para o País. É ressentido, rancoroso, vingativo, possidónio e brunido de mente. Mas não posso deixar de sentir, por este pobre homem, uma profunda compaixão e uma excruciante piedade.*

BAPTISTA BASTOS - JORNALISTA E ESCRITOR

FADO DO SOBREIRO - ERVA CIDREIRA DO GRUPO CANTARES DE PORTEL


IMPRESSIONANTES , CHOCANTES IMAGENS AINDA DO TSUNAMI NO JAPÃO - VEJA VÍDEO

BEIJO SILVESTRE - ANTÓNIO GARROCHINHO


HÁ MUITO ENTERRADO O, O DITADOR


TU - A PRAIA - POEMAS ILUSTRADOS DE ANTÓNIO GARROCHINHO





EMPRESA | Controvérsia em Portugal

"Memórias de Salazar", um vinho chamado de ditador

  • O prefeito da cidade onde nasceu quer promover produtos locais
  • Resistentes antifascistas União criticou a iniciativa Português
"Memórias de Salazar é o nome que será colocado à venda um vinho que as pessoas nascidas na ex-ditador de Portugal quer preservar sua memória enquanto estiver usando seu nome em benefício do desenvolvimento econômico da região. O prefeito de Santa Comba Dão , uma cidade perto de Coimbra, em que Antonio de Oliveira Salazar nasceu em Abril de 1889, se propôs a criar uma marca com o nome 'Salazar' e usá-lo para promover os produtos locais, tais como no caso de vinhos.
A idéia não caiu nada bem no seio da União de Resistentes Antifascista Português (URAP). Antonio Vilarigues, dirigente do núcleo local, criticou a iniciativa, lamentando que ela pretende "recorrer à trágica realidade do regime de Salazar, que viu a prisão e morte de milhares de Português" .
No entanto, o prefeito de Santa Comba, João Lourenço, defende-se dizendo que a idéia ou apenas uma "perspectiva objetiva e histórica", sem procurar se envolver em avaliações subjetivas "que não pertencem ao prefeito" quando se utiliza o nomear Salazar. "O objetivo é permitir que os historiadores que estudam o Estado Novo (como ele conheceu o regime do ditador Português) e oferecem aos visitantes a oportunidade de aprender mais sobre a vida de Salazar na sua terra natal", defendeu o prefeito, acrescentando que os visitantes da região buscando sempre fazer também o nome de Salazar.
Portanto, da Associação de Desenvolvimento Local, criado especificamente para melhorar a economia da região , o prefeito procura o investimento privado para reabilitar todo o espaço relacionado com o ex-ditador, estimado em 10 milhões de euros, que visa tudo está pronto em cerca de cinco ou seis anos para passar e que as negociações com os herdeiros do ex-presidente do Conselho de Portugal em relação ao património.
Mas para a resistência anti-fascista, todo esse interesse em recuperar a memória do ditador e da insistência do prefeito em "ligar o nome de Salazar para os produtos da terra" é uma "ofensa" aos milhares de Português que sofreram no regime ditatorial, tanto para criar um vinho chamado "Memórias de Salazar", como "querer reescrever a história em favor do ditador."
tradução Google

SILÊNCIO OPORTUNISTA

Carlos Costa ao lado de Teixeira dos Santos ex-ministro das finanças do Governo Sócrates



Silêncio oportunista

Sabem quem é um tal Carlos Costa? Este nome diz-lhes alguma coisa? Para muitos o nome não diz nada, mas se recuassem dois meses seria dos mais badalados na nossa comunicação social, era raro o dia que não aparecia a apoiar a política económica do Gaspar, de vez em quando até pedia medias ainda mais duras, chegou a ir ao Parlamento ofender um deputado. De repente calou-se, retirou-se da ribalta.

Aliás, o próprio Gaspar optou por ser mais discreto e um rapazinho chamado Hélder Rosalino também quase despareceu, o primeiro todos sabemos da pior forma que é ministro das Finanças, o segundo é secretário de Estado da administração Pública. Qual é a relação entre estas personagens?

O Carlos Costa é governador do Banco de Portugal, o Rosalino é um alto cargo do banco de Portugal e que por principal tarefa no governo teve a nova lei orgânica do Banco de Portugal onde trabalha, e o Gaspar tem como emprego de recuo precisamente o de consultor do Banco de Portugal.

E desde quando é que o Carlos Costa anda Calado, quase não se dá pelo Rosalino e o Gaspar anda a dar menos nas vistas? Foi quando o governador do Banco de Portugal foi confrontado com perguntas incómodas dos jornalistas sobre as razões de a sua seita ficar de fora dos cortes dos salários e dos subsídios. Como se sabe os funcionários do BdP têm o estatuto fiscal e económico de diplomatas suíços residentes em Portugal, ganham mais do que todos os outros e há décadas que se escapam às medidas de austeridade. O Banco de Portugal funciona como uma off-shore.

O Costa deu cambalhotas, prometeu que os administradores do BdP sofreriam os cortes e acabou por explicar que era impossível cortar aos seus empregados, que até gozaram tranquilamente o Carnaval, porque com o novo estatuto do banco decidido pelo governo tais cortes eram impossíveis. Ora lelas, pessoal do BdP está imune porque o Rosalino deu um exemplo da independência entre o BdP e o Governo, foi do primeiro para o segundo fazer o estatuto do banco para garantir que quando regressasse ganharia o mesmo que ganhava quando saiu. E quem o levou para o governo? Precisamente o Gaspar, que quando regressar ao BdP voltará a ter subsídios e terça –feira de carnaval.

Pois, percebe-se porque andam tão caladinhos e o Costa quase desapareceu, para que o povo não perceba que os que mais defendem o empobrecimento forçado dos portugueses montaram um esquema para continuarem a enriquecer.

Código do Trabalho: 100 mil trabalhadores dispensáveis

Corte de quatro feriados e de três dias de férias faz com que necessidade de funcionários diminua. Contas feitas pela CGTP

As alterações legislativas aos Código do Trabalho vão reduzir a necessidade de quase 100 mil trabalhadores. A estimativa é feita pela CGTP.

O corte de quatro feriados e da majoração de três dias de férias estão previstos na proposta de revisão do Código do Trabalho, o que aumenta as horas de trabalho por individuo e torna prescindível aquele número de funcionários.

«Considerando apenas a redução do número de feriados e a eliminação da majoração dos três dias de férias, as mesmas horas de trabalho poderão ser efetuadas com menos 98 mil trabalhadores», diz a Intersindical no parecer que vai entregar esta segunda-feira no Parlamento e a que a agência Lusa teve acesso.

A central sindical lembra no documento que o Governo justifica as alterações à legislação laboral com a necessidade de aumentar a produtividade e a competitividade da economia nacional e a criação de emprego.

Mas para a CGTP as alterações propostas relativas à organização do tempo de trabalho «terão como resultado um aumento efetivo do tempo de trabalho, bem como a redução do valor da remuneração/hora, e podem mesmo destruir empregos pois o empregador dispõe de um maior número de horas efetuadas por trabalhador».

«Se a duração do trabalho fosse o determinante da competitividade, o país seria altamente competitivo. Em Portugal, cada trabalhador efetua em cada ano cerca de 48 horas a mais que a média dos trabalhadores da União Europeia e cerca de 76 horas a mais que na Alemanha».

Segundo a Inter, que cita a classificação do Fórum Económico Mundial e dados da Fundação Dublin, os países europeus mais competitivos (Suécia, Finlândia e Alemanha) têm durações de trabalho mais baixas que Portugal.

Portugal tem uma média de 1.734 horas de trabalho por trabalhador enquanto a Alemanha, por exemplo, tem uma média anual de 1.659 horas de trabalho por pessoa.

Banco de horas = perda de três salários por ano

A CGTP sublinha que as alterações à legislação laboral propostas pelo Governo têm como objetivo «a redução dos custos com o trabalho» e a aplicação da adaptabilidade e dos bancos de horas pode levar a perdas superiores a três salários por ano.

Segundo a CGTP, o «problema fundamental da competitividade das empresas e do país não reside nos custos excessivos com o trabalho». A insuficiência da procura é sim o principal obstáculo à produção ou à atividade das empresas.

Este fator representa 80% na construção, 72% na indústria transformadora e 54% nos serviços e «o seu peso está claramente a aumentar em resultado das medidas de austeridade».

O parecer da CGTP cita dados do Eurostat, do Banco de Portugal e do Banco Central Europeu: em 2011 a evolução dos custos laborais nominais horários foi mais baixa em Portugal do que na média da União Europeia ou na Alemanha.

Os custos laborais cresceram 0,8% no terceiro trimestre de 2011, face ao mesmo período do ano anterior, enquanto na UE (27) cresceram 2,6% e na Alemanha 2,9%. Só na Irlanda e na Grécia esses custos foram menores que em Portugal.

A CGTP critica ainda a redução das indemnizações por cessação do contrato de trabalho por considerar que isto «pode fazer acelerar os despedimentos» sem contribuir para o aumento da competitividade.

«A descida das indemnizações por cessação do contrato de trabalho/despedimento e por caducidade dos contratos a termo enquadra-se numa ofensiva mais geral de ataque aos direitos dos trabalhadores e aos salários em particular, tanto mais que o peso das indemnizações por despedimento é de apenas 0,1 por cento do total dos custos do trabalho».

A Inter defende que «o mercado de trabalho português não é rígido» pois tem uma elevada incidência de contratos não permanentes entre os trabalhadores em geral (21%) e entre os jovens em particular (35%).

A consulta pública sobre as alterações ao Código do Trabalho propostas pelo Governo termina esta segunda-feira e tem já debate agendado para o próximo dia 28 de março.


O poeta António Aleixo, cauteleiro e guardador de rebanhos, cantor popular de feira em feira, pelas redondezas de Loulé, é um caso singular, bem digno de atenção de quantos se interessam pela poesia.

Embora não totalmente analfabeto – sabe ler e tem lido meia dúzia de bons livros – não é capaz, porem, de escrever com correcção e a sua preparação intelectual não lhe dá certamente qualificação para poder ser considerado um poeta culto.

Todavia, há nos versos que constituem este livro uma correcção de linguagem e, sobretudo, ema expressão concisa e original de uma amarga filosofia, aprendida na escola impiedosa da vida, que não deixam de impressionar.

Alem disso, o tom sentencioso da maior parte das quadras que se reuniram e o facto de serem produto de uma espontaneidade, quase inacreditável para quem não conheça pessoalmente o poeta, justificam suficientemente a tentativa de dar a conhecer e de registar, em livro, uma inspiração raríssima, que seria injusto não divulgar.

António Aleixo compõe e improvisa nas mais diversas situações e oportunidades. Umas vezes, cantando numa feira ou festa de aldeia, outras, a pedido de amigos que lhe beliscam a veia; ora aproveitando traços caricaturais de pessoas conhecidas, ora sugestionando por uma conversa de tom mais elevado e a cuja altura sobe facilmente. De todas as maneiras, passeando, sozinho, a guardar umas cabras ou a fazer circular as cautelas de lotaria – sua mais habitual ocupação -, ou acompanhado por amigos, numa ceia ou num café, o poeta está presente e alerta e lá vem a quadra ou sextilha a fixar um pensamento, a finalizar uma discussão, a apreciar um dito ou a refinar uma troça. E, a forma é lapidar, o conceito incisivo e o vocabulário justo e preciso.

Os motivos e temas de inspiração são bastante variados. Note-se, porém, que não fere, com a habitual pieguice sentimental lusitana, a nota amorosa. E isto é bastante singular; uma ou outra pequena composição com esse carácter lírico foi quase sempre, de certeza, de inspiração alheia ou a pedido de qualquer moço amigo.

O que caracteriza a poesia de António Aleixo é o tom dorido, irónico, um pouco puritano de moralista, com que aprecia os acontecimentos e as acções dos homens. E, no fundo, muito embora não seja um revoltado, é a chaga aberta de um sofrimento íntimo, provocado por certas injustiças, a fonte dos seus desabafos. Com efeito, não pode ser mais pessoal e mais subtilmente dada a dor de um homem que tem mulher e filhos a sustentar com o mísero ganho de meia dúzia de cautelas por semana e vê todos os dias ir morrendo, sem possibilidade de assistência cuidada, uma filha tuberculosa:

Quem nada tem, nada come;
E ao pé de quem tem comer,
Se alguém disser que tem fome,
Comete um crime, sem querer.


Primavera de 1943
Joaquim Magalhães

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António Aleixo é sem dúvida nenhuma um poeta que extravasa em muito a restrição que o cataloga como poeta popular. É talvez um dos grandes poetas deste século pela jactância, pela sua capacidade de improviso e pela sua visão do mundo que, nesta curva do milénio, continua a ser o mesmo. Neste sentido está ao mesmo nível de dois outros grandes poetas que com uma cultura mais erudita, também se distinguem nesse aspecto: o Fernando Pessoa e o Vitorino Nemésio. Efectivamente, graças a um intelecto poderoso, António Aleixo conseguiu trabalhar as palavras ultrapassando a sua formação académica bastante rudimentar e as múltiplas limitações da sua saúde vacilante. Uma situação a que se refere uma das suas ultimas quadras, recordada pelo irmão de Tossan, Armando dos Santos: Quando em mim penso com calma
E me compreendo melhor
Bem merecia que a minha alma
Tivesse um corpo maior


25/2/1999
João Ventura

1899 – 18 de Fevereiro – às 4 horas da manha, nasce António Aleixo, na freguesia e concelho de Vila Real de Santo António, filho de José Fernandes Aleixo, tecelão, e de Isabel Maria Casimiro, de ocupação domestica, naturais, ele da freguesia de S. Clemente, vila e concelho de Loulé, e ela de Vila Real de Santo António, onde se receberam e são paroquianos e residentes na Rua do Príncipe, neto paterno de António Fernandes Aleixo e de Francisca de Jesus e materno de Silvestre Casimiro e de Maria da Encarnação. Foram padrinhos Domingos Samídio, marítimo, casado, e sua filha, Luísa SamÍdio, solteira. Foi baptizado aos 24 dias do mês de Junho do ano de 1899, na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Encarnação de Vila Real de Santo António

1906 – Os pais de António Aleixo transferem-se para Loulé

1907 – António Aleixo começa a frequentar a escola. Aprende as primeiras letras

1909 – Depois de dois anos de escola, primeira revelação do talento de improvisador a cantar as janeiras

1912 – Aprendiz de tecelão, o oficio do pai. De 1912 a 1919 é a pratica do ofício. Como cantador de improvisos, em festas, por convite de amigos, às vezes retribuído, vai treinando o seu jeito para versejar (ou versar, como ainda hoje se diz, na gíria popular dos poetas espontâneos)

1919 – Apurado para o serviço militar, em Faro

1920 – 18 de Janeiro – soldado no Regimento de Infantaria 4

29 de Abril – dado como pronto da instrução de recruta- passa à classe de soldado aprendiz de corneteiro

1922 – Alistamento na polícia, em Faro. É o guarda n.º44 um aumentado ao efectivo deste corpo de policia, como guarda de 2ª, em 7 de Julho, sendo comissário o cidadão Carlos Augusto Lyster Franco, professor e pintor

1923 – 27 de Novembro – louvado pelo mesmo comissário de polícia

1924 – Casamento, em Loulé

1928 – 1930 – Ida para França como servente de pedreiro

1931 – Regresso a Portugal

1931 – 1933 – Residência em Loulé. É cauteleiro e vende gravatas

1937 – Classificado em 4º lugar nuns jogos florais em Faro, no Ginásio Clube

1939 – 1940 – Um amigo do poeta, José Rosa Madeira, junta algumas quadras, em duas folhas de papel. Vão ser o núcleo do seu primeiro livro Quando Começo a Cantar… 

1940 – Operação ao estômago, em Lisboa

1943 – Lançamento do primeiro livro, começando a vender no dia 25 de Abril, domingo de Páscoa, por iniciativa do Circulo Cultural do Algarve

    – Agravamento do estado de saúde. A tuberculose obriga a internamento, em Coimbra, no Sanatório dos Covões
    – Maio – Primeira referência à publicação de Quando Começo a Cantar… em artigo de Cândido Marrecas no jornal de Beja
1943 a 1949 – Permanência no Sanatório, com curtas visitas família, até que, no Outono de 1949, regressa para ficar. 

16 de Novembro de 1949 – Morte de António Aleixo. O poeta fica…


QUANDO COMEÇO A CANTAR… – 1ª Edição, Faro, 1943; 2ª edição, Coimbra, 1948; 3ª edição, Lisboa, 1960

INTENCIONAIS – 1ª EDIÇÃO, Faro, 1945; 2ª edição, Lisboa, 1960

AUTO DA VIDA E DA MORTE (1 acto) – 1ª edição, Faro, 1948; 2ª edição, Faro, 1968

AUTO DO CURANDEIRO (1 acto) – 1ª edição, Faro, 1949; 2ª edição, Faro, 1964

ESTE LIVRO QUE VOS DEIXO… Volume I, 18ª EDIÇÃO, Lisboa, 2003

ESTE LIVRO QUE VOS DEIXO… Inéditos – Volume II , 13ª edição, Lisboa, 2003

INÉDITOS – 1ª edição, Loulé, 1978; 2º edição, Loulé, 1979


A vida é uma ribeira;
Caí nela, infelizmente…
Hoje vou, queira ou não queira,
Aos trambolhões na corrente.

Crês que ser pobre é não ter
Pão alvo ou carne na mesa?
Mas é pior não saber
Suportar essa pobreza!

O luxo valor não tem
Nos que nascem p’ra pequenos:
Os pobres sentem-se bem
Com mais pão luxo a menos!

A esmola não cura a chaga;
Mas quem a dá não percebe
Ou ela avilta, que ela esmaga
O infeliz que a recebe.

A ninguém faltava o pão,
Se este dever se cumprisse:
- Ganharmos em relação
Com o que se produzisse.

O homem sonha acordado;
Sonhando a vida percorre…
E desse sonho dourado
Só acorda, quando morre!

Quantas, quantas infelizes
Deixam de ser virtuosas…
E depois são seus juízes
Os que as fazem criminosas!...

Sem que o discurso eu pedisse,
Ele falou; e eu escutei.
Gostei do que ele não disse;
Do que disse não gostei.

Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias,
Hoje que podes – esqueceste
Tudo quanto prometias…

Chegasses onde pudesses;
Mas nunca devias rir
Nem fingir que não conheces
Quem te ajudou a subir!

Os que bons conselhos dão
Às vezes fazem-me rir,
- Por ver que eles próprios são
Incapazes de os seguir.

Mesmo que te julguem mouco
Esses que são teus iguais,
Ouve muito e fala pouco:
Nunca darás troco a mais!

Entra sempre com doçura
A mentira, pr’a agradar;
A verdade entra mais dura,
Porque não quer enganar.

Se te censuram, estás bem,
P’ra que a sorte te perdure;
Mal de ti quando ninguém 
Te inveje nem te censure! 





Associação R.C. dos Músicos de Faro (ARCM) despejo ou não? é hoje a decisão do tribunal..





"...Associação de Músicos, uma das mais dinâmicas da cidade de Faro, tem ordem de despejo iminente. Em causa, projeto imobiliário a erguer no local.         
É na sexta-feira que a Associação Recreativa e Cultural dos Músicos de Faro (ARCM) ficará a saber se terá de abandonar os armazéns localizados junto à estação de caminho-de-ferro, vendidos há cinco anos por 2,3 milhões de euros. O processo está em tribunal a aguardar a sentença, isto depois de a associação ter recorrido para o Tribunal da Relação após ser alvo de uma ação de despejo.
Os armazéns, já em mau estado de conservação, têm sido a "casa" da Associação, arrendatária desde 2002. A ARCM utiliza as instalações para aulas de música, formações, workshops e ensaios de bandas de garagem. O espaço possui ainda uma espécie de auditório, sala de espetáculos que foi construída entretanto e é utilizada por várias instituições para concertos, muitos deles de beneficiência. Só que, em 2007, a música começou a desafinar, quando o imóvel foi vendido e o contrato de arrendamento terminou.
"Na altura, foi-nos dito que não nos preocupássemos, porque teríamos que sair dali mas iria ser encontrada uma solução", conta Armindo Silva, sócio-fundador da ARCM e ex-presidente da associação. A promessa foi feita pela ex-proprietária, mas também por Luís Coelho, que na altura acumulava a presidência da Assembleia Municipal de Faro (que ainda mantém) com a administração da Cléber.."
"...Uma das últimas sugestões passava por um espaço disponibilizado pela Câmara Municipal de Faro já no mandato de José Apolinário (PS) mas também essa solução ficou em 'banho-maria'.
Por fim, já com Macário Correia (PSD) no executivo, estará a desenhar-se uma solução no horizonte, com a cedência de um terreno para a nova sede da associação, junto ao bairro social da Horta da Areia. A ARCM terá de encontrar fundos para a construção, o que não resolve para já a questão das instalações, caso o tribunal decida a favor da ação de despejo interposta pela Cléber..."