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Não foi artista distinto, empresário prestigiado ou desportista reconhecido. Enfim, não foi em vida nada que o distinguisse especialmente neste ou naquele campo profissional. Mas foi uma das figuras mais populares de Setúbal. José Maria Tavares, desde há décadas conhecido por Zé Maluco ou Zé dos Gatos, faleceu esta semana com 85 anos.
Todas as terras terão as suas figuras queridas e estimadas. E por isso mesmo Zé Maluco era único para nós, os de Setúbal. Várias gerações de setubalenses habituaram-se a conviver com ele nas ruas, nos cafés, nas sociedades recreativas ou noutros espaços públicos. À sua volta era alegria e animação.
Zé Maluco já era avant-garde antes mesmo de muitos de nós sabermos o que isso podia ser. E daí, talvez, o apelido de Zé Maluco. Sabia como suscitar o interesse dos outros pelas suas exibições. Fosse com truques de cartas, em que era exímio, fosse como jogador de matraquilhos, de bilhar ou apostador de coisas exóticas, contador de estórias e charadas.
E as suas performances “artísticas”? Registo na memória quando, algures em finais dos anos setenta, sem qualquer anúncio prévio, encheu de público um dos largos do centro da cidade com uma sessão de auto-cobertura com marmelada, margarina e açúcar (ou farinha) ao som de banda sonora yé-yé. Era um público extasiado perante um acto que não se sabia como qualificar – e que o “artista” acolhia com evidente satisfação. Foram muitas as performancescom que, ao longo dos anos, brindou o público.
O seu amor pelos gatos foi uma das suas mais vincadas características, acolhendo a expensas suas dezenas, centenas desses animais, numa demonstração de amor que lhe valeu o seu segundo epíteto de Zé dos Gatos.
Zé, quando passar pelas ruas da cidade, vou lembrar-me de ti e vou ter saudades tuas e dos momentos de pura alegria que me proporcionastes…
Praça do Bocage