AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


quarta-feira, 14 de março de 2012


Encontrados cinco milhões de “dólares pretos” numa rua da Venda Nova

Notas falsas servem, depois de lavadas com líquido milagroso, para burlar incautos e gananciosos

14.03.2012 - José Bento Amaro

Burlões acenam com fortuna em dólares e fogem com dinheiro de incautosBurlões acenam com fortuna em dólares e fogem com dinheiro de incautos (Paulo Pimenta)
 O que sente alguém que, ao caminhar numa rua meio deserta, tropeça, literalmente, num imenso cofre carregado de notas de 100 dólares? Tão carregado que a soma total do dinheiro chega aos cinco milhões de dólares. Desmaia? Pula desalmadamente? Enlouquece? Não. Chama a polícia.

Foi isso que ocorreu ao fim da tarde de ontem, na Venda Nova, Amadora. E, depois da emoção de ter a imensa fortuna nas mãos, sobreveio a enorme desilusão por saber que, afinal, aquele enorme monte de notas nada vale. Eram “dólares pretos” ou “dólares nigerianos”. Reles imitações do papel/moeda norte-americano que todos os dias, em todo o mundo, são utilizados para burlar incautos.

A “fortuna” encontrada na Venda Nova estava ao alcance da mão de quem passasse. Em boa verdade, as notas não tinham bom aspecto. Estavam enegrecidas, como se tivessem sido submetidas a meses de intenso fumeiro. Tão negras que mal se conseguia vislumbrar os seus dizeres. Porém, um olhar mais atento dos polícias que as levaram para a esquadra depressa desfez qualquer sonho de um resto de vida desafogada. Eram falsos os imensos dólares.

Os dólares da Venda Nova eram tão falsos como os transaccionados uns meses antes na Amadora. Eram, do mesmo lote dos quer serviram para ludibriar, em 100 mil euros, um construtor civil que fora abordado por “amigos” de Chelas, proprietários de uma imensa “fortuna enegrecida” mas que necessitavam, com urgência de um produto branqueador e milagroso para poderem recolocar as notas em circulação.

Versão moderna do conto do vigário

“É o conto do vigário numa versão quase inacreditável mas que, por muito estranho que seja, é utilizado há muitos anos e que tem burlado dezenas de pessoas”, explicou ao PÚBLICO um responsável policial.

E como é que se processa a burla? “O dono das notas, normalmente depois de estudar as possíveis vítimas, que são sempre pessoas com muitas posses mas simplórias, aborda-a e propõe-lhes negócio: dá-lhe uma parte significativa dos dólares se a vítima se prontificar a avançar com uns milhares de euros para comprar o produto branqueador”, explica o mesmo investigador.

A resposta afirmativa nem sempre ocorre no primeiro encontro. Por norma, alguns dias volvidos, a gula de umas dezenas de milhares de dólares ganhos por via de um investimento dez vezes mais pequeno, leva avante. A prudência é quase sempre vencida pela ganância. Que o diga o construtor civil enganado, no final do ano, na Amadora.

Depois de muito pensar apresentou-se aos homens com o dinheiro para comprar o branqueador. Em boa verdade os burlões ainda possuíam uma pinga do líquido no fundo de uma garrafa e, para provarem que o mesmo funcionava, fizeram uma demonstração. Uma nota preta foi ungida pelo produto milagroso. Foi esfregada com rapidez, quase sofreguidão, entre mãos hábeis e, quando voltou a reaparecer, era uma cintilante e apelativa nota de 100 dólares. Um verdadeiro toque de Midas.

“O mais provável é que a nota falsa tenha sido escondida na manga do burlão, que anda sempre com dinheiro verdadeiro”, diz o polícia.

Os 100 mil euros acordados para lavarem o milhão de dólares mascarrados mudaram de mãos de imediato e, tão depressa quanto é possível imaginar. Os três empresários que andavam a lavar dólares desapareceram, numa fuga desenfreada, por entre as barracas do Bairro 6 de Maio. No chão deixaram um saco com um milhão de “dólares pretos”.

Resgatar dinheiro perdido

Esta história poderia ter terminado aqui, não fora o caso de o burlado ter recorrido aos serviços de três homens contratados no Alentejo para, de armas em punho, irem resgatar o dinheiro perdido. Os “salvadores”, cientes que teriam uma missão difícil em Chelas, onde moravam os burlões, começaram a exigir cada vez mais dinheiro ao contratador. E fizeram-no sob a ameaça de armas. Extorquiram assim cinco mil euros e, dizem fontes policiais, só não terão levado mais porque acabaram por ser interceptados por polícias que estranharam vê-los, há vários dias, à coca e armados, numa rua de Chelas, como se preparassem uma emboscada.

“Não é possível dizer qual o valor das burlas praticadas com os ‘dólares pretos’, mas é muito dinheiro. Sabemos de um caso em que, no momento em que o burlão se preparava para lavar as notas, deixou cair, de propósito, a garrafa ao chão para assim pedir mais dinheiro para comprar mais líquido. E a pessoa voltou a pagar”, diz ainda o mesmo investigador da PSP.
publico.pt

BABTISTA BASTOS - O PREFÁCIO



O prefácio

por BAPTISTA-BASTOSHoje
Anda por aí um desassossego de frases agrestes que envolvem um autor e o prefácio a um livro de discursos. O autor é o inexcedível dr. Cavaco. O prefácio é um texto levemente tonto e claramente escrito com a fatal tendência para a quezília e o conflito gramatical. Nada de importante. Impelido pela minha malvada curiosidade, decidi-me a ler o texto, sabendo, de antemão, que tamanho exercício mental ser-me-ia extremamente fatigante.
Espanto dos espantos!, ao contrário do que se diz, o teor não passa de modesta redacção, das que as professoras primárias nos exigiam na antiga terceira classe. Não se vislumbra nenhum ajuste de contas, apenas a expressão mal cerzida da birra de um homem amuado porque um outro o desprezou quando o não devia desprezar. A tal "deslealdade institucional" pode ser criticável, com base numa certa alínea da Constituição, a que o autor se apoia, mas é caso de pouca monta, tendo em aviso o que ele faz a outros, com displicente sobranceria. E as coisas não foram bem assim, a crer nas contraversões seguintes.
Sócrates, que tem sido o bombo da festa, com pancadaria de criar bicho nos lombos e na alma, serve de pretexto, neste parolar copiosamente vesgo, para o autor nos fornecer o estofo do homem e o estilo do estadista. Atordoado com a quantidade e o teor das críticas que recebeu, decidiu remeter os inadvertidos para o "sítio" que alimenta na rede. Disse, grave e soturno: ali está o que, na verdade, escrevi. E alertou para eventuais manipulações de conteúdo, praticadas, como doloso objectivo, pela imprensa.
Precipitei-me, arquejante, para o "sítio", na ânsia de descortinar o que os jornais haviam omitido. Nada de novo, nem de diferente. A mesma peripécia atabalhoada: umas tacadas num homem tombado e cheio de nódoas negras. O pouco edificante relambório não possui uma ideia, não defende uma tese, não pleiteia uma doutrina - e, pior do que tudo, não convence ninguém.
O autor pretendeu, talvez, fazer história e atirar para o limbo um opositor que o ofendera gravemente, além, com perdão da palavra, de amolgar, dolorosamente, um artigo da Constituição. Não é preciso ser muito rigoroso para se verificar o que o prefácio intenta. Mas o autor é tão desajeitado, na forma como no recheio, que o tiro sai pela culatra. Antagonistas e apoiantes, encavacados pelo facto de o prefaciador negligenciar as funções a que devia dar lustre, não param de o desacreditar. O mais tenaz dos críticos, será, acaso, o Marcelo Rebelo de Sousa, que desfez a sustentação institucional feita, em apressada defesa própria, pelo autor.
Este segundo mandato repete, agravando-os, os dislates do primeiro. E alguém, dos círculos íntimos do senhor, devia ajudá-lo a rematar, com dignidade e piedosa lástima, o tempo que lhe resta para sair de Belém.




Zita Seabra – Era o vinho, meu Deus, era o vinho...



Voltando à vaca fria... e mais uma vez garantindo que “a vaca fria” se trata de uma frase feita, desta vez relacionada com o universo dos “ex-inscritos no PCP”, o assunto de hoje tem que ver com a azougada Zita Seabra.
Depois de ler uma crónica do Viriato Teles, fui confirmar na página web do Pingo Doce”... e lá estava a coisa escarrapachada. A ladina livreira, por estes tempos avençada pelo senhor Soares dos Santos do “Pingo”, decidiu pôr a render as suas juvenis memórias bairradinas das vindimas e seus derivados... a aconselha-nos uns vinhos.
Não tenho grandes reparos a fazer, para além de duas notas:
Uma primeira nota de satisfação.
  Dado que as minhas memórias juvenis também estão ligadas à região da Bairrada e às suas vindimas, aos bagos dourados comidos à torreira do sol, ao pisar das uvas, à tentação dos copos de mosto, à prensa do bagaço, ao choque do cheiro da fermentação, ao acerto de aduelas, à azáfama das garrafas, as idas até ao alambique, etc., etc., fico muitíssimo agradecido à conjugação de planetas que me impediu de estar hoje no triste lugar da dona Zita Seabra... pese embora o efeito nocivo que isso teve no meu saldo bancário.
Uma segunda nota... de tristeza.
          No fim de tanta polémica, tanto azedume, tanta luta... afinal, o grande futuro da dona Zita Seabra era ser empregada do “Pingo”... a dar a cara pela pinga!

QUE TRISTEZA, SOMOS PORTUGUESES DE 1ª DE 2ª DE 3ª E POR AÍ ADIANTE -PORTO Trabalhadores da STCP exigem regime de TAP e CGD por lusa12 Março 2012 Fotografia © Fernando Timoteo A Comissão de Trabalhadores da STCP considerou hoje "vergonhoso" que os trabalhadores dessa empresa do Porto não se enquadrem nos "regimes de exceção" concedidos pelo Governo e pedem a intervenção do Presidente da República sobre os cortes salariais "ilegais". "Sempre invocámos que os cortes salariais são ilegais e, como tal, sugerimos que o Presidente da República exerça a sua magistratura de influência e não permita que existam portugueses de primeira e de segunda", diz a CT da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), numa carta aberta enviada à Lusa. No sábado, na Nazaré, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, explicou que a manutenção de salários permitidas pelo Governo para os trabalhadores da TAP e da Caixa Geral de Depósitos não são exceções mas sim adaptações. O Governo aceitou manter os salários dos trabalhadores da TAP, mas a companhia aérea comprometeu-se a poupar mais de 73 milhões de euros, segundo dados divulgados na quinta-feira pelo Ministério das Finanças. A CGD foi também autorizada a manter os salários dos colaboradores este ano, desde que cumpram os objetivos de redução de custos com pessoal equivalentes a esses cortes, ainda que se mantenha a suspensão dos subsídios de férias e Natal. A Comissão de Trabalhadores da STCP reagiu, assim, ao "regime de exceção dado pelo Governo aos trabalhadores da TAP e da Caixa Geral de Depósitos [CGD]" relativamente aos cortes salariais. A CT revela que, "mesmo após ter conhecimento judicial de que os direitos consagrados nos acordos de empresa não podem ser nunca retirados por decreto-lei", o Governo obrigou "vários Conselhos de Administração" a aplicarem cortes nos salários os seus trabalhadores "nas várias empresas do Sector Empresarial do Estado". Para esta estrutura representativa dos trabalhadores, tal atitude "ultraja a verdadeira essência de um Estado de Direito". "Mesmo após as nossas denúncias, até o Presidente da República insiste em dar conivência a estas atitudes que deveriam envergonhar qualquer constitucionalista", criticam. Assim, a CT revela que "os trabalhadores da STCP solicitam ao Governo de Portugal o mesmo tratamento concedido aos trabalhadores da TAP e da CGD face às condições de concorrência e de reestruturação que a STCP está a sofrer". A estrutura revela ainda que pretende "legalizar um plenário geral de trabalhadores para definir as formas de luta a adotar para defender a empresa, os seus trabalhadores e os seus utentes". Na carta aberta enviada à Lusa, a CT diz considerar "vergonhoso que os trabalhadores da STCP não se enquadrem nos regimes de exceção concedidos pelo Governo". Para a CT, "este Governo, para além de desgovernado, anda mesmo à deriva", até porque "numa atitude ditatorial, decide e manda aplicar medidas lesivas aos direitos dos utentes e trabalhadores da STCP, sem audição das partes". A CT critica que o Governo tenha aumentado "drasticamente os títulos de transporte", em vez de "contratualizar estruturalmente o serviço público", ao mesmo tempo que "rouba os direitos adquiridos dos trabalhadores da empresa".ADIANTE -


PORTO

Trabalhadores da STCP exigem regime de TAP e CGD

por lusa12 Março 2012
Trabalhadores da STCP exigem regime de TAP e CGD
Fotografia © Fernando Timoteo

A Comissão de Trabalhadores da STCP considerou hoje "vergonhoso" que os trabalhadores dessa empresa do Porto não se enquadrem nos "regimes de exceção" concedidos pelo Governo e pedem a intervenção do Presidente da República sobre os cortes salariais "ilegais".

"Sempre invocámos que os cortes salariais são ilegais e, como tal, sugerimos que o Presidente da República exerça a sua magistratura de influência e não permita que existam portugueses de primeira e de segunda", diz a CT da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), numa carta aberta enviada à Lusa.
No sábado, na Nazaré, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, explicou que a manutenção de salários permitidas pelo Governo para os trabalhadores da TAP e da Caixa Geral de Depósitos não são exceções mas sim adaptações.
O Governo aceitou manter os salários dos trabalhadores da TAP, mas a companhia aérea comprometeu-se a poupar mais de 73 milhões de euros, segundo dados divulgados na quinta-feira pelo Ministério das Finanças.
A CGD foi também autorizada a manter os salários dos colaboradores este ano, desde que cumpram os objetivos de redução de custos com pessoal equivalentes a esses cortes, ainda que se mantenha a suspensão dos subsídios de férias e Natal.
A Comissão de Trabalhadores da STCP reagiu, assim, ao "regime de exceção dado pelo Governo aos trabalhadores da TAP e da Caixa Geral de Depósitos [CGD]" relativamente aos cortes salariais.
A CT revela que, "mesmo após ter conhecimento judicial de que os direitos consagrados nos acordos de empresa não podem ser nunca retirados por decreto-lei", o Governo obrigou "vários Conselhos de Administração" a aplicarem cortes nos salários os seus trabalhadores "nas várias empresas do Sector Empresarial do Estado".
Para esta estrutura representativa dos trabalhadores, tal atitude "ultraja a verdadeira essência de um Estado de Direito".
"Mesmo após as nossas denúncias, até o Presidente da República insiste em dar conivência a estas atitudes que deveriam envergonhar qualquer constitucionalista", criticam.
Assim, a CT revela que "os trabalhadores da STCP solicitam ao Governo de Portugal o mesmo tratamento concedido aos trabalhadores da TAP e da CGD face às condições de concorrência e de reestruturação que a STCP está a sofrer".
A estrutura revela ainda que pretende "legalizar um plenário geral de trabalhadores para definir as formas de luta a adotar para defender a empresa, os seus trabalhadores e os seus utentes".
Na carta aberta enviada à Lusa, a CT diz considerar "vergonhoso que os trabalhadores da STCP não se enquadrem nos regimes de exceção concedidos pelo Governo".
Para a CT, "este Governo, para além de desgovernado, anda mesmo à deriva", até porque "numa atitude ditatorial, decide e manda aplicar medidas lesivas aos direitos dos utentes e trabalhadores da STCP, sem audição das partes".
A CT critica que o Governo tenha aumentado "drasticamente os títulos de transporte", em vez de "contratualizar estruturalmente o serviço público", ao mesmo tempo que "rouba os direitos adquiridos dos trabalhadores da empresa".
por lusa12 Março 2012

A Comissão de Trabalhadores da STCP considerou hoje "vergonhoso" que os trabalhadores dessa empresa do Porto não se enquadrem nos "regimes de exceção" concedidos pelo Governo e pedem a intervenção do Presidente da República sobre os cortes salariais "ilegais".
Fotografia © Fernando Timoteo


"Sempre invocámos que os cortes salariais são ilegais e, como tal, sugerimos que o Presidente da República exerça a sua magistratura de influência e não permita que existam portugueses de primeira e de segunda", diz a CT da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), numa carta aberta enviada à Lusa.
No sábado, na Nazaré, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, explicou que a manutenção de salários permitidas pelo Governo para os trabalhadores da TAP e da Caixa Geral de Depósitos não são exceções mas sim adaptações.
O Governo aceitou manter os salários dos trabalhadores da TAP, mas a companhia aérea comprometeu-se a poupar mais de 73 milhões de euros, segundo dados divulgados na quinta-feira pelo Ministério das Finanças.
A CGD foi também autorizada a manter os salários dos colaboradores este ano, desde que cumpram os objetivos de redução de custos com pessoal equivalentes a esses cortes, ainda que se mantenha a suspensão dos subsídios de férias e Natal.
A Comissão de Trabalhadores da STCP reagiu, assim, ao "regime de exceção dado pelo Governo aos trabalhadores da TAP e da Caixa Geral de Depósitos [CGD]" relativamente aos cortes salariais.
A CT revela que, "mesmo após ter conhecimento judicial de que os direitos consagrados nos acordos de empresa não podem ser nunca retirados por decreto-lei", o Governo obrigou "vários Conselhos de Administração" a aplicarem cortes nos salários os seus trabalhadores "nas várias empresas do Sector Empresarial do Estado".
Para esta estrutura representativa dos trabalhadores, tal atitude "ultraja a verdadeira essência de um Estado de Direito".
"Mesmo após as nossas denúncias, até o Presidente da República insiste em dar conivência a estas atitudes que deveriam envergonhar qualquer constitucionalista", criticam.
Assim, a CT revela que "os trabalhadores da STCP solicitam ao Governo de Portugal o mesmo tratamento concedido aos trabalhadores da TAP e da CGD face às condições de concorrência e de reestruturação que a STCP está a sofrer".
A estrutura revela ainda que pretende "legalizar um plenário geral de trabalhadores para definir as formas de luta a adotar para defender a empresa, os seus trabalhadores e os seus utentes".
Na carta aberta enviada à Lusa, a CT diz considerar "vergonhoso que os trabalhadores da STCP não se enquadrem nos regimes de exceção concedidos pelo Governo".
Para a CT, "este Governo, para além de desgovernado, anda mesmo à deriva", até porque "numa atitude ditatorial, decide e manda aplicar medidas lesivas aos direitos dos utentes e trabalhadores da STCP, sem audição das partes".
A CT critica que o Governo tenha aumentado "drasticamente os títulos de transporte", em vez de "contratualizar estruturalmente o serviço público", ao mesmo tempo que "rouba os direitos adquiridos dos trabalhadores da empresa".



PORQUE VAMOS À GREVE GERAL
Terça, 13 Março 2012
grevejuntossomosfortesNo dia 22 de Março de 2012 a Greve Geral em Portugal vai sair à rua para contestar a austeridade que nos está a ser imposta pela Troica, agravada pelo governo PSD/CDS que com o seu lema “ custe o que custar “, leva o Povo e o País aceleradamente para o caminho da Grécia.

O que hoje está em causa e debaixo de fogo das Troicas, não são só os direitos laborais, sociais, económicos, dos trabalhadores e demais cidadãos, mas a própria democracia. Permitem-se já substituir, sem qualquer legitimidade democrática, os governos da Grécia e Itália por tecnocratas ligados à Goldman Sachs.
Em toda a Europa estão a ser implementadas políticas de austeridade, que visam a destruição do Estado Social, acabar com os direitos do trabalho, acompanhadas dum vasto programa de privatizações e revisões de “ códigos de trabalho “ completamente desequilibrados a favor do capital.
Os cidadãos do Estado Espanhol estão convocados para a Greve Geral no dia 29 de Março para, como nós, defenderem os seus direitos. Que perca, não ser possível acertar data comum para uma Greve Geral Ibérica, só por 7 dias!
A articulação das lutas à escala Europeia e a solidariedade entre os povos é urgente para juntar forças e responder de forma global e eficaz ao capital e aos seus governos na Europa.
Em Portugal as medidas de austeridade arrastam consigo um aumento brutal do desemprego; da precaridade; o congelamento dos salários; mais desigualdades sociais; ataques ao sector empresarial do Estado, veja-se os transportes; cortes nos orçamentos da Saúde e Educação; roubo dos subsídios de natal e férias na Administração Pública e aos reformados, pelo menos até 2013.
Todos os dias ficamos mais pobres com estas medidas, que levam a mais recessão económica, e são acompanhadas da tentativa de retirada de direitos como agora acontece com a proposta de Lei n.º 46/XII que revê para muito pior o Código do Trabalho.
As direitas e o capital estão unidos para se vingarem e ajustarem contas com as conquistas do 25 de Abril de 1974.
Assistimos à imposição dum retrocesso civilizacional e ao maior ataque aos direitos laborais desde o 25 de Abril, que merece uma resposta à altura. A Greve Geral de 22 de Março convocada pela CGTP, mas que é de todos e para todos, é um importante e significativo passo nesse sentido.
O descontentamento é generalizado e alastra cada vez mais em vários sectores da sociedade. Todos cabem na luta independentemente das expressões e formas como se manifestam.
Para os que ainda temos trabalho, sabemos bem os efeitos da greve nos orçamentos de cada um de nós, mas não lutar agora, certamente que nos custará muito mais no futuro.
Fazer Greve Geral hoje, é um acto de dignidade, de coragem e representa a vontade e o acreditar que se pode mudar o presente e ganhar um futuro melhor para todos, especialmente para as gerações mais jovens, que sofrem de forma brutal os efeitos do desemprego e da precariedade.
Vamos à Greve Geral porque, com a nossa participação nos piquetes em cada local de trabalho e mais tarde na manifestação a sair do Rossio em Lisboa e noutras cidades, queremos dar um combate mais forte e radical à ditadura dos credores e aos seus representantes no governo.
Francisco Alves – dirigente sindical

A HISTÓRIA DO TEATRO LETHES - FARO


Por Leitor devidamente identificado
Se é de Faro, se reside nesta cidade ou se simplesmente a visitou, certamente conhece ou ouviu falar do Teatro Lethes. Contudo, é possível que não conheça a sua história ou pelo menos, que não conheça asestórias que deram origem ao que é hoje o Teatro Lethes.

Vamos viajar no tempo...

Estamos em 1599. São restauradas em Faro umas casas antigas, que vão servir para instalar um Colégio e uma Igreja da Companhia de Jesus. Esta ordem religiosa vai permanecer neste local até 1773, ano em que é extinta.
A partir de 1779 serve de habitação aos Padres Marianos ou Carmelitas Descalços que ocupam o edifício até 1834. Nesse ano, são extintas as ordens religiosas em Portugal e os seus bens arrolados, pelo que o edifício passa para as mãos do Estado.

Voltemos, no entanto, um pouco atrás, quando por volta de 1804, numa terrível noite de tempestade, naufraga ao largo da costa algarvia um navio veneziano que transportava Lázaro Doglioni, jovem médico de Veneza, que se deslocava a Inglaterra para aprofundar os seus estudos.

Os náufragos vêm para Faro e são entregues ao cuidado do Cônsul de Veneza nesta cidade.

Durante a sua convalescença, o jovem Lázaro Doglioni torna-se amigo dos mais ilustres habitantes da cidade, entre eles Guilherme de Barr Crispin, por cuja filha, Maria, se terá interessado, tanto mais que esta jovem era herdeira de uma das maiores fortunas do Reino…
Apesar da discordância da família da noiva, e, depois de várias peripécias, o casamento foi consentido.

De um momento para o outro, Lázaro Doglioni passa a dispor desta enorme fortuna, o que lhe permite dedicar-se ao fomento das artes.
Amante de música e de ópera, decide criar em Faro um teatro destinado principalmente a esse fim, de modo a poder rodear-se do ambiente boémio da sua Veneza natal.

Assim, em 1843 adquire, em hasta pública, o Colégio e Igreja da Companhia de Jesus. De imediato começam as obras de transformação e restauro destes edifícios, que duram até 1845, ano em que é inaugurado o Teatro Lethes.
Interior do Teatro Lethes

Tendo como modelos o Scala em Milão e o São Carlos em Lisboa, a capela passa a sala de espectáculos, para estranheza da população local que não esperaria tal transformação, algo sacrílega.

No entanto, o resultado final é encantador e Faro ganhou um teatro com um palco e uma plateia delicadamente trabalhados, com capacidade para quinhentos espectadores e com duas ordens de camarotes.

O seu promotor quis ainda deixar à vista de todos a máxima latina Monet Oblectando – Instruir Divertindo, que mandou inscrever no frontão exterior do edifício.
Teatro Lethes - Faro

Las Palomitas


Por Ilídia Sério
[Empresária - Restaurante Casa Algarvia, Faro]
Decorriam os loucos anos sessenta… Faro, a capital do Algarve, não passava de uma pacata cidade de província ainda sem Universidade, mas já com uma notável vida estudantil, dado que só aqui havia Liceu e os jovens de quase todo o Algarve e Baixo Alentejo vinham completar os estudos, antes de alguns seguirem para Lisboa ou Coimbra onde iriam frequentar as universidades.

Entre outras figuras típicas, vivia em Faro um artista pintor chamado Sidónio Almeida, qual personagem saída de um romance qualquer.
Sidónio era um artista. Sem dúvida alguma, quem conhece a sua obra pode atestá-lo. Muita gente ainda se deve lembrar das suas estórias, algumas incontáveis. Eu conheço esta que me foi contada por um amigo:

Quatro ou cinco amigos, também amigos da boa disposição, juntaram-se em casa do Sidónio para mais uma paródia. Conversa, puxa conversa, a tertúlia decidiu que o Sidónio deveria pintar um quadro, no qual estaria um deles, sentado num cadeirão, todo nu, com dois pombos que viviam em casa do Sidónio, pousados nos ombros. Resta acrescentar que o “modelo” escolhido para posar tinha um corpo pouco vulgar, completamente coberto de pelos. A obra iria chamar-se “Las Palomitas”.

Não consta que o quadro tenha sido alguma vez pintado. Sabe-se é que os pobres pombos acabaram, nessa noite, dentro da única e velha panela que existia no meio de toda aquela grande confusão que era a casa do pintor Sidónio Almeida.

Óleo sobre tela - Sidónio

Gramsci: Os Indiferentes

"Os Indiferentes" é um texto clássico do marxista italiano Antonio Gramsci publicadooriginalmente em "La Città Futura", em fevereiro de 1917, e que permanece extremamente atual.

Por Antonio Gramsci
Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que "viver significa tomar partido". Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.
A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.
A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar. A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então zangam-se, queriam eximir-se às conseqüências, quereriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis. Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.
A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim a falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admite agnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.
Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir. Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos. Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir do pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.
Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes.

Fonte: http://www.aldeiagaulesa.net/

PATUÁ - UMA LÍNGUA PORTUGUESA EM EXTINÇÃO

Patuá macaense, também chamada Crioulo macaensePatuá di MacauPapia Cristam di MacauDoci Papiaçam di Macau ou ainda de Macaista Chapado, é uma língua crioula de base portuguesa formada em Macau a partir do século XVI, influenciada pela línguas chinesas, malaias e cingalesas. Sofre também de alguma influência do inglês, do tailandês, do espanhol e de algumas línguas da Índia.Actualmente continua a ser ainda falado por um pequeno número de macaenses que vivem em Macau ou no estrangeiro, na sua maioria já com uma idade avançada.

Santa Comba Dão lança “marca Salazar” para vender produtos locais



Salazar nasceu em Santa Comba Dão e a terra valoriza essa memóriaSalazar nasceu em Santa Comba Dão e a terra valoriza essa memória (Foto: Adriano Miranda)
 Salazar vai ser marca registada para potenciar a economia do concelho que viu nascer o antigo Presidente do Conselho, Santa Comba Dão, e um dos primeiros produtos com esse cunho será o vinho “Memórias de Salazar”. O projecto da marca “vai contar com a firme oposição” da União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP).

António de Oliveira Salazar nasceu no Vimieiro, a 28 de Abril de 1889, onde está também sepultado, mas a ideia de recorrer à “marca Salazar” para o desenvolvimento do concelho, como explicou à Lusa o presidente da autarquia, João Lourenço (PSD), “não pretende alicerçar-se no saudosismo nem nas romarias da saudade” em relação ao antigo ditador.

“A nossa é sempre uma perspectiva objectiva e histórica, porque os juízos de valor não têm de ser feitos pela autarquia, têm de ser as pessoas, os historiadores, os investigadores [a fazê-los]. Nós temos apenas de demonstrar a nossa convicção de que o que estamos a fazer é útil para o concelho e para a região. E se temos um vinho “Memórias de Salazar” é porque sentimos que as pessoas procuram essa ligação quando nos visitam”, disse o autarca.

António Vilarigues, dirigente do núcleo local da URAP, lamentou que a autarquia prossiga na ideia de recorrer à “realidade trágica” do Estado Novo, “que conduziu à detenção de milhares de portugueses e à morte de centenas”, para alicerçar o desenvolvimento do concelho. “Estamos perante a mesma questão de sempre, a tentativa de reescrever a história daquilo que foi o regime fascista em Portugal”, apontou Vilarigues, sublinhando que “este revisionismo histórico é uma ofensa a milhares de portugueses que sofreram às mãos de Salazar”. A URAP, adiantou o dirigente do núcleo da união em Viseu e Santa Comba Dão, “nada tem contra a investigação e o estudo daquilo que foi o estado Novo”, mas frisou que “toda a documentação importante está na Torre do Tombo” e, por isso, “aquilo que se pretende para Santa Comba Dão nada adianta”.

O objectivo da autarquia – que criou já a Associação de Desenvolvimento Local (ADL) de Santa Comba Dão – é “ligar um nome conhecido em todo o mundo aos produtos da terra”, como é o caso do vinho, criar condições para historiadores e investigadores poderem estudar o Estado Novo e fornecer aos visitantes um espaço que lhes permita contactar com o passado de Oliveira Salazar na sua terra”.

A questão comercial e da marca merece “a clara oposição” da URAP, frisou António Vilarigues, que contesta a ideia de ligação das memórias de Salazar ao desenvolvimento quando “é sobejamente conhecido que o Estado Novo produziu subdesenvolvimento, obrigou milhões de portugueses a emigrarem para fugir à miséria e conduziu milhares à morte e às prisões e a 13 anos de uma guerra colonial geradora de imenso sofrimento”. “Todos os dados estão aí para desaconselhar esta ideia. A 24 de Abril de 1974, Portugal era um país subdesenvolvido e com uma pobreza onde todos os índices de desenvolvimento humano o colocavam na cauda da Europa”, acrescentou.

A ideia da autarquia é dar agora um “novo fôlego” ao projecto, criar uma “marca Salazar” e, através da ADL, “procurar investidores que permitam o desenvolvimento integral da ideia, que passa pela recuperação da área urbana do Vimieiro ligada ao património que pertenceu a Salazar e espaço envolvente”.

Toda a parte de recuperação patrimonial pode custar, segundo o autarca, dez milhões de euros, dinheiro esse que terá de vir da iniciativa privada, “mas também de entidades públicas” que tenham como missão o desenvolvimento local, sendo que este “é um dos ‘projectos-âncora’ para o desenvolvimento da região Dão-Lafões”.

Segundo João Lourenço, “o tempo dos grandes investimentos acabou para as autarquias. Os municípios têm tudo feito, das redes de saneamento aos espaços culturais e desportivos, e, obrigatoriamente, o papel dos municípios terá de ser redireccionado, o desenvolvimento tem de partir de ideias locais”.

Em cima da mesa há, todavia, questões por resolver, como o património ainda na posse dos dois herdeiros - Rui Salazar, que vive no Vimieiro e com quem a autarquia “tem tudo bem encaminhado”, e António Salazar, o outro sobrinho-neto do ditador, “com quem decorrem conversações com muitos pormenores por acertar”.

Se o projecto “entrar agora em definitivo nos carris”, apesar dos “passos seguros” que já foram dados, este poderá estar concluído, de acordo com João Lourenço, “num espaço de cinco, seis anos”.Na opinião do autarca, “para a população, quase a 100 por cento, ainda é muito tempo perdido”.

Assim pensa Maria Natália, de 78 anos, que nasceu na casa ao lado daquela que viu nascer Oliveira Salazar, e para quem, como contou a própria à agência Lusa, “é uma necessidade não deixar morrer a memória de Salazar”.
PUBLICO.PT



A liberdade e os direitos são bens que temos de defender


Num só dia li uma noticia e recebi uma informação que nos devem assustar a todos e que mostra que algo não vai bem nesta democracia e na liberdade que a deve acompanhar.

«O CDS-PP quer saber quanto custaram ao país as greves realizadas no sector dos transportes nos últimos 10 anos e, para isso, enviou ao Parlamento um conjunto de perguntas que pretende ver respondidas pelo ministro da tutela. »

Hoje de manhã fui constituído único arguido, pela Polícia de Segurança Pública, pelo crime (político) de desobediência civil por, alegadamente, ter permitido que a manifestação do 15-O do passado dia 24 de Novembro se tenha realizado pelas 15h00, portanto, antes das 19h00 - horário legalmente permitido para as manifestações aos dias de semana. Este (mais um) ataque à Democracia, pelos comandos da PSP, a mando do governo de Passos Coelho, visa-me (curiosamente só à minha pessoa) na medida em que fui um dos promotores oficiais da dita manifestação, segundo a informação obrigatoriamente prestada às autoridades (ex-governador Civil de Lisboa, hoje presidente da Câmara Municipal de Lisboa).


Porque anda tão preocupado o CDS a questionar o custo de greves quando se sabe que quem perde o dia de salário é o próprio trabalhador? Será que deseja acabar com mais este "direito"? Porque não questiona quanto tem custado todas as ajudas aos bancos ou as negociatas com as privatizações ou os favorecimentos e empregos para os amigos? Quantos nos custou já o BPN? E a compra de submarinos? E as viagens do Paulinho?
Seria bom também saber porque está a PSP tão interessada e acusar um cidadão que cumpriu com o procedimento de comunicar atempadamente às autoridades o dia e hora de uma manifestação, que decorreu de forma ordeira e vigiada pela policia num dia em que se realizava uma greve geral? Também constituíram arguido algum dirigente da CGTP que convocou uma outra manifestação uma hora antes no mesmo dia? Porque teme tanto a PSP e o poder a voz e o protesto de cidadãos deste país? Porque procura amedrontar aqueles que assumem nas suas mãos a vontade de mudança e de combate às injustiças? 
Se já era urgente lutar por uma democracia mais verdadeira e pela defesa das liberdades estes dois casos mostram bem que não podemos parar nem ceder ao medo. A luta é de todos e no próximo dia 22 apoiar a greve geral é essencial assim como ir para a rua mostrar o nosso descontentamento. Seja no dia 22, no 25 de Abril, no 1º de Maio ou na Primavera Portuguesa no dia 12 Maio. Para se ter direito à liberdade e à justiça temos de lutar por elas