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terça-feira, 13 de março de 2012

VEJA NO DESENVOLTURAS E DESACATOS ESTE ESPECTACULAR DESPISTE E A SORTE DE QUEM DELE ESCAPOU !



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O guardador de sonhos



Era uma vez, um rapaz, que vestia calças talhadas pela noite, camisa experimentada pelo dia e sapatos que continham a beleza do mar. Era guardador de sonhos.  Nos altos montes, construiu uma arca enorme, tão enorme, que lá cabia os sonhos. Quase todos. Pensou que guardá-los, era uma boa ideia! E descia todo o tempo, com a chave metida no bolso da noite, para recolher o tesouro, dos Homens. Os sonhos. E, foi conseguindo. A arca, cada vez mais se estendia nos píncaros das montanhas, onde só ele podia chegar e, dentro dela, os sonhos se entrelaçavam, na esperança de puderem se libertar. E eram muitos. Eram esperanças, eram saudades, eram alegrias, eram maldades, eram agruras, eram suspiros, eram sonhos que se encontravam desavindos e, mesmo eles sonhavam em regressar ao sonho de onde vieram!Pobres sonhos, agora enclausurados, e às ordens de um rapaz que se vestia, enfeitado com o universo!Não dormia. Planava o mundo à procura de um tesouro que nem ele sabia o que era! Pois nunca sonhou. Tropeçava no amor, tropeçava no desamor, não ouvia as palavras de socorro dos sonhos roubados. O vento, sacudia os seus longos cabelos pintados pelo arco-íris e, rolava pelas nuvens brancas, cinzentas e, caía no chão enlameado pela chuva. Pobre guardador de sonhos! Não sabia, que nunca os poderia gradar todos. Prendê-los. E isso cansava-o, a sua tarefa era árdua, quanto mais sonhos prendia, outros se renovavam. Quando subiu a montanha, ouviu um murmurar sofrido dentro da caixa da clausura. E nunca se arrependeu de tamanha maldade. Ficou cada vez mais franzino com passar do tempo, pois os sonhos que nasciam, renovavam os gemidos dos prisioneiros e transformava-os em bolas transparentes que rebolavam para os bicos das estrelas. Aí, ele não chegava. As estrelas, iluminavam-no e, ele quando olhava para si sentia-se só, sem sonhos. E depois chorava. Pobre guardador de sonhos!
Vitória, vitória, acabou-se a história!.

      



Qual o interesse em fazer da Síria a nova Bósnia?


Opera Mundi - [Petar Orlovic] Comparação mais apropriada seria com a Nicarágua, onde os EUA não intervieram porque opressores eram seus aliados

Os chamados “pundits” – termo de origem hindu que designa os “analistas” e comentaristas convidados pela mídia anglo-saxã para dar palpites sobre o noticiário – têm um papel estratégico na formação da opinião pública. Legitimados pela imprensa como “especialistas” autorizados a dar palpites com mais propriedade que outros, sentam-se às bancadas de telejornais e assinam colunas nas páginas de opinião para falar do mundo, sob o pretexto da análise e interpretação dos fatos. Mas os pundits não dizem qualquer coisa que pensam. Eles são chamados para dizer aquilo em que os donos da mídia – e seus aliados de classe – já acreditam e com o que concordam, com opiniões que os editores já sabem de antemão quais são. Portanto, toda vez que os pundits começam a falar em uníssono, estão refletindo a posição conjuntural do bloco histórico hegemônico num determinado momento.

E os pundits da mídia britânica e norte-americana, nas últimas semanas, começaram a fazer comparações entre o que está ocorrendo agora na Síria e o que aconteceu em meados dos anos 1990 na Bósnia. Chamam a atenção para um potencial genocídio que possa ser cometido pelas tropas legalistas contra os rebelados de Homs, “a exemplo” do que foi, para eles, a guerra civil de duas décadas atrás na Iugoslávia. Alegam que, se o Ocidente não “aprender as lições” que teve nos Bálcãs durante a violenta desintegração iugoslava, terá fracassado em sua “responsabilidade de proteger”. O fracasso da missão da ONU chefiada pelo ex-secretário-geral Kofi Annan, neste fim de semana, insuflou esse argumento.

Da conservadora revista Foreign Policy ao mais progressista inglês The Independent, passando pelo web-hit Huffington Post, da republicana Arianna Huffington, diversos veículos da imprensa anglo-saxã nos dois lados do oceano fizeram a comparação. O Guardian, o principal título da imprensa britânica fora da égide de Murdoch, deu voz a repórteres na zona de conflito que alardearam o perigo de haver um novo massacre “como o de Srebrenica” em Homs, se “nós tivermos a vergonha de ficarmos sentados assistindo”. No Le Monde, o escritor e ativista de direitos humanos Jonathan Littell desmereceu a ação da ONU na Síria, insinuando que “corredores humanitários” dos capacetes-azuis são fadados ao fracasso, trazendo “lembranças ruins” da Bósnia entre 1993 e 1995, quando “80 mil pessoas foram mortas na frente de jornalistas do mundo inteiro”.

“Alguém, por favor, esqueça a geopolítica, esqueça as reuniões, esqueça tudo isso. Por favor, mandem ajuda. Eles precisam de ajuda. Isso está além das reuniões. Eles precisam que algo aconteça”, disse o fotógrafo Paul Conroy, ferido no mesmo ataque que matou a veterana repórter norte-americana Marie Colvin.

A agência Reuters disseminou o paralelo Síria-Bósnia com uma matéria de Douglas Hamilton que ressalta a “violência aleatória” e a assimetria entre os lados beligerantes em ambos os conflitos. Mas culpa a “relutância do Ocidente” pelos mais de 100 mil mortos no país balcânico, ao longo de três anos de guerra e mais de 100 resoluções do Conselho de Segurança da ONU. O texto praticamente traça um plano de ação, descrevendo que uma operação armada de tropas estrangeiras na Síria deveria ser “protegida por fogo aéreo e com mandato para contra-atacar”, além de ser liderada pela OTAN comandada “por um general muçulmano da Turquia”, país-membro. E Hamilton ainda sugere que a aliança – que já declarou não ter intenção de entrar no conflito – pode mudar de ideia se houver “protestos em massa nas capitais ocidentais exigindo que os governos da OTAN intervenham na Síria”.

Já a revista The Atlantic, conhecida por ser mais “eclética” em seu time de editorialistas, defende que a melhor estratégia para o Ocidente é “armar os rebeldes sírios” (pois eles, “e não tropas estrangeiras, devem liderar a luta”), assim como foi feito para “virar a maré” na Bósnia. Mas, alega a revista, isso não deve ser feito antes de “a oposição se unificar, incluir mais não-sunitas e demonstrar coesão militar”. Até lá, os aliados e a Liga Árabe “devem proceder lentamente”. Salvar vidas humanas fica em segundo plano nessa estratégia.

Até os socialistas ingleses da New Statesman pegaram jacaré na onda intervencionista, levantando a bandeira da “responsabilidade de proteger” (mais um slogan que um conceito, criado pelos ideólogos belicistas das Relações Internacionais) e alegando o fracasso das operações de paz da ONU na Bósnia: “Não podemos copiar esse modelo de mandar tropas para proteger comboios humanitários, simplesmente para alimentar hoje quem será assassinado por um agressor poderoso amanhã”, escreve o autor, John Slinger. Para ele, assim como os sérvios na Bósnia foram vilões de uma “agressão avassaladora”, o regime de Assad está trucidando a oposição, que ele trata pelo reaganiano termo “freedom-fighters”.

Mesmo veículos especializados em Leste Europeu ou Oriente Médio, como a revista Transitions Online e a TV Al-Arabiya, respectivamente, compraram a ideia, mesmo conhecendo a fundo as particularidades de suas regiões. O The National, dos Emirados Árabes, publicou artigo de Michael Young defendendo o envio imediato de armas para qualquer grupo que lute para derrubar o regime sírio. Teria sido isso, alega, “que permitiu aos muçulmanos da Bósnia retomar a iniciativa” contra os combatentes sérvios, “mais bem armados” – apesar de haver um embargo sobre a venda de armas imposto pela ONU, que os EUA optaram por ignorar.

Diferenças estruturais

Tudo faria muito sentido, seria muito nobre e levaria à indubitável conclusão de que é urgente e inexorável que a OTAN erga “da justiça a clava forte” e dê um basta aos desmandos da família Assad... não fosse o fato de que a comparação não procede.

Em primeiro lugar, é preciso entender as diferenças estruturais entre os dois conflitos. A da Bósnia foi uma rara guerra de três lados (sérvios ortodoxos, croatas católicos e sérvios/croatas muçulmanos), com base em linhas divisórias etno-religiosas e travada por disputa de território numa sociedade heterogênea (as fronteiras das repúblicas iugoslavas foram desenhadas por Tito para não coincidir com as populações, de propósito). A Iugoslávia socialista era um regime autoritário, porém com economia de mercado e gestão distribuída (horizontalmente, entre etnias e entre classes).

O caso da Síria é um levante armado num regime também autoritário, mas institucionalmente estável, que manteve o país como uma potência regional (manteve o Líbano sob suas rédeas por 15 anos), contrabalançando o poder de Israel. A natureza do conflito é ideológica, numa sociedade razoavelmente homogênea (ainda que a Síria também tenha grupos minoritários importantes, como os curdos na etnia e os alauitas na religião). Os rebeldes de Homs não querem se separar do país (como os croatas e muçulmanos queriam na Bósnia), mas derrubar o governo para instalar um regime distinto – que pode ser democrático, como se vende na mídia, ou baseado na lei islâmica, como o do Conselho de Transição na Líbia.

A natureza do conflito

O Ocidente “demorou” a intervir na Bósnia porque não havia legitimidade para isso. Esta só foi obtida em 1995, graças à comoção causada pelo massacre de Srebrenica, quando 8.000 muçulmanos foram mortos após a retirada das tropas responsáveis por protegê-los. Na época, quem esteve à frente dos chamados por intervenção foi o senador norte-americano Joe Biden, hoje vice-presidente de Obama. O filme “The Weight of Chains” (em tradução livre, ”O Peso dos Grilhões”) realizado em 2010 na ex-Iugoslávia, por uma equipe de cineastas e produtores de todas as repúblicas do antigo país, mostra bem como se deu o processo e relembra a tese que acusa o ocidente de ter facilitado deliberadamente o massacre de Srebrenica (ao retirar as tropas que faziam a segurança específica do povoado) para criar um evento de comoção junto à opinião pública que justificasse a intervenção.

Os 8.000 mortos de Srebrenica foram vítimas de ódio etno-religioso, alimentado por lideranças locais, que por sua vez eram insufladas por potências estrangeiras (basicamente Alemanha, o Vaticano e a Rússia de Iéltsin) interessadas na criação de uma situação real para reorganizar o equilíbrio geopolítico na Europa após a débâcle do socialismo. Esse ódio não existe na Síria.

O que existe na Síria é a crise de um regime “independente demais”, último bastião de uma vertente do socialismo árabe cujo maior representante tinha sido Saddam Hussein. Embora menos idiossincrático que a Jamahiriya de Muammar Ghaddafi, o baathismo dos Assad é uma ilha secular numa região de fundamentalistas. Por isso, mesmo a alardeada “aliança com o Irã” é circunstancial e não deve salvar o governo de Damasco. Os iranianos têm que guardar seus mísseis para – se chegar – a hora de defender seu próprio país.

O único paralelo possível seria do ponto da vista da decisão de "intervir ou não" que as potências de hoje têm de tomar – e isso, pra elas, independe da natureza do conflito. Quando quer, a OTAN chuta logo a porta perguntando pelos "bad guys", sem se importar com o fato de serem ou comunistas, ou fundamentalistas, ou mafiosos.

Responsabilidade de proteger

Mas o fato é que o Ocidente não tem pressa de intervir na Síria porque o país não tem petróleo. O combustível fóssil – ou, em termos mais amplos, a “segurança energética” europeia – era o que estava em jogo na Líbia, e foi por isso que os aviões da OTAN nas bases no sul da Itália não demoraram a decolar.

A “responsabilidade de proteger”, defendida pelos intervencionistas, diz respeito a quem – ou, melhor, a o quê? Proteger os civis, como na Líbia, onde o conflito total deixou 30 mil mortos, sendo dois terços civis (só a própria OTAN admite 60 civis mortos em seus bombardeios), e cuja situação atual foi considerada pela Anistia Internacional, em relatório no mês passado, como pior do que antes da intervenção? Ou seria proteger o petróleo, ameaçado por regimes autoritários “independentes” demais para serem confiados?

Uma comparação mais apropriada do caso sírio seria com a Nicarágua dos anos 1970, quando outra dinastia de ditadores estava no poder, também promovendo um massacre socioeconômico contra a população e militar contra seus opositores, também desafiada pela força de guerrilheiros (no caso, os sandinistas) que enfrentavam assimetricamente o exército regular, bem equipado e treinado (no caso, pelos norte-americanos).

Onde estava, então, a “responsabilidade de proteger” as vítimas de repressão dos Somoza na Nicarágua, os fuzilados do Estádio Nacional no Chile e os alvos da guerra suja na Argentina? Era apenas dissuadida pelo jogo de forças na Guerra Fria, em que havia uma outra superpotência militar para contrabalançar o tabuleiro? Ou era porque esses regimes autoritários e sanguinários, no caso latino-americano, eram plenamente confiáveis para Washington?

A farsa e a tragédia

“Esquecer a geopolítica”, como está pedindo a mídia, é esquecer também os limites do direito internacional, os lastros de legitimidade e soberania, a coerência nas ações e, mais importante que tudo, a consideração prévia sobre a real eficácia de uma intervenção armada: ela irá salvar vidas humanas? Ou irá causar ainda mais mortes e instaurar um governo corrupto e fundamentalista, como foi na Líbia?

Argumentam também que o direito internacional deve ser deixado de lado em caso de violação de direitos humanos. Só que o emprego acrítico do tema dos DDHH favorece o status quo da unipolaridade militar, que confere aos Estados Unidos (usando a OTAN como transparente máscara de legitimidade) o papel de polícia do mundo. A diferença fundamental é que a polícia age em cumprimento da lei, sob supervisão da Justiça e chancelada pelo Estado – que tem, de fato, o monopólio do uso da força. Já os EUA e a OTAN agem por conta própria, sem prestação de contas (ou accountability, como gostam de usar no jargão anglo-saxão) a nenhuma entidade supranacional ou universalmente aceita – que realmente não existe, mas de cujo perfil ideal a ONU seria o que mais se aproxima. O poderio militar norte-americano e a aliança atlântica não respondem a ninguém acima de si mesmos, como se pode facilmente verificar lembrando de episódios recentes de intervenções militares sem mandato específico da ONU, como o Iraque, o Kosovo, a Líbia (a resolução falava apenas em “proteção a civis”, jamais em equipar rebeldes nem destroçar a força aérea do país soberano) e... ora, vejam... a Bósnia.

A verdadeira pergunta que se deve fazer é: a quem interessa “embosnizar” a Síria? Quais são os frutos políticos e estratégicos que se pode tirar dessa comparação forçada e que atores do cenário internacional usufruiriam dela? Quem mais lucraria com uma intervenção armada ocidental na Síria, e um possível prolongamento do conflito – ao estilo do Iraque – que causaria muito mais mortes do que poderia poupar?

Aprendemos com Hegel e com Marx que a História só acontece duas vezes: a primeira vez como tragédia, e a segunda como farsa. A Bósnia foi a tragédia. Resta saber o que farão da Síria.

Petar Orlovic é jornalista, mestre em comunicação e especializado em cobertura internacional e conflitos nos Bálcãs.

Fonte: Diário Liberdade


Anjinhos (por ajuste directo)

Dentro de três meses, os desempregados inscritos nos centros de emprego vão ter de aceitar entrevistas acompanhadas.Leu bem. Vem no Diário da República. A medida poderia levar-nos a crer que o Governo está plenamente convencido que a preguiça é uma das principais causas de desemprego e, porque “na situação que o país atravessa” não podemos compadecer-nos com mandriões, decidiu pôr um anjo da guarda ao lado de cada malandro para não ser enganado. Seria loucura. Seria demasiado mau para ser verdade.


Acontece, porém, que os centros de emprego estão com falta de técnicos. O número de inscritos a cargo de cada funcionário dos centros de emprego aumentou 46 por cento desde 2008. Entre 2008 e o final de 2011, o número de técnicos do IEFP diminuiu de 2170 para 4099, ao passo que, no mesmo período, o número de inscritos como desempregados aumentou de 416.005 para 605.134 pessoas. E acontece também que, naúltima vez que a demagogia do desemprego pôs as garras de fora, o Governo acenou ao empreendedorismo de Estado anunciando que vai pagar a agências privadas de emprego que arranjem trabalho a desempregados. Quem era mesmo o anjinho? Negócio, como sempre, que o moralismo também é sempre para os tolos.
Filipe Tourais
Blog O país do burro

NOITES SEM TI - VELHICE - POEMAS DE ANTÓNIO GARROCHINHO



BAILE DE CARNAVAL EM SANTA BÁRBARA DE NEXE -2012



Em risco a sobrevivência da humanidade


Em risco a sobrevivência da humanidade

Por:Raymundo de Oliveira


Não há registro na história da humanidade de uma nação relativamente tão poderosa quanto os atuais Estados Unidos. Quantas bases militares tem a China no exterior? E a Rússia? E o Irã? E a Síria? E o Brasil, Cuba, Venezuela, Japão, Alemanha?Posso afirmar que não têm nenhuma base militar no exterior. Por quê, com que direito os EUA têm dezenas de bases militares em todas as partes do mundo?

América Latina

Não há um só país na América Latina que não tenha sido vítima da agressão dos EUA, direta ou indiretamente. O golpe de Pinochet, no Chile, foi diretamente apoiado pelo governo americano. O golpe de 64, no Brasil, tinha a Quarta Frota norte americana preparada para a eventualidade de não dar certo.

““O México foi esquartejado pelos EUA no século XIX e quando Cárdenas resolveu nacionalizar o petróleo, a pressão foi imediata e direta, ficando célebre a expressão:” México, triste México, tão longe de Deus e tão próximodos Estados Unidos”. Hoje a NAFTA está destruindo a indústria mexicana. A ALCA, no restante da América Latina, tinha o mesmo objetivo, felizmente afastado.


Poderíamos citar ainda a Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Argentina, Colômbia, Haiti, Peru, Equador, Bolívia, Uruguai, Paraguai. Cada país uma história triste, os EUA sempre apoiando os governos repressivos, onde os interesses das grandes empresas americanas se confundem com aqueles dos grupos internos de empresários associados a elas. É quase sempre uma história similar.

E não me referi ainda a Cuba, onde o domínio americano substituiu o espanhol, na passagem do século XIX para o XX. Vem daí a excrescência histórica da base de Guantánamo que os EUA se recusam a devolver a Cuba e que foi transformada em centro de tortura de militantes árabes. Além disso, até hoje o Império mantem o criminoso bloqueio a Cuba.

Como a política venezuelana não é aquela que os americanos gostariam, eles construíram sete bases militares na Colômbia e armaram fortemente este país, insuflando a guerra, que todos sabemos seria instrumento da destruição da Venezuela pelos EUA, tendo como objetivo verdadeiro as reservas petrolíferas do país.

Quando o Brasil descobre o pré-sal, num momento em que as multinacionais procuram desesperadamente novas reservas de petróleo, imediatamente é reativada a Quarta Frota que, há décadas, estava adormecida. Esse acordar da Quarta Frota está sendo um aviso aos brasileiros e latino-americanos de que um poder mais alto está de olho nessa riqueza estratégica.


Oriente Médio
Sem qualquer simpatia pelo Iraque sob o governo de Saddam Hussein, período em que os comunistas e a esquerda em geral estavam na cadeia, é preciso reconhecer que se tratava de um país com uma das melhores qualidades de vida na região e onde as mulheres tinham mais direitos. Porém, possuía a terceira maior reserva de petróleo do mundo.

Tendo perdido a confiança dos EUA, o Iraque é invadido por decisão unilateral dos norte-americanos, sem, para isso, ter conseguido nem mesmo o apoio da própria Europa. Alegavam que o Iraque teria armas de destruição em massa, o que ficou provado que era mentira. São tão fortes que não precisam dar satisfação a ninguém. Destruído o país, Saddam é preso e levado a julgamento, durante o qual foram assassinados três advogados de defesa e trocado o juiz-chefe. Imaginem se isso tivesse acontecido em Cuba!!!!

Procuraram impedir qualquer pronunciamento de Saddam Hussein, tendo o julgamento sido interrompido diversas vezes. Seu depoimento seria perigoso, pois poderia dizer de quem recebeu os gases tóxicos que usou contra os curdos. Poderia relembrar o apoio que tivera dos EUA na guerra contra o Irã. Moral de história: os defensores da “democracia ocidental e cristã”, os norte-americanos, forçaram seu enforcamento, transmitido ao vivo pela Internet. Há poucas barbaridades tão graves no passado recente e tão bem documentadas.

Hoje o Iraque é um país arrasado, sem infraestrutura de saneamento, sem hospitais, suas estradas destruídas, escolas fechadas, toda uma juventude, que chegou a ser das mais instruídas da região, sem condições de assistir às aulas. Mas seu petróleo está controlado pelos EUA e as empresas americanas contratadas para reconstruírem o país.

Esse processo se repetiu na Líbia, que também possui enorme reserva de petróleo, tendo sido assassinado Muammar Kadhafi pelas forças da OTAN, sob orientação dos EUA.

Há pouco mais de um ano, as coisas fugiram do controle no Egito, à época comandado por Hosni Mubarak, homem de confiança dos EUA. Rapidamente, a Sra. Hillary Clinton deixou claro que Mubarak era amigo e o defendeu contra os que se levantavam por eleições livres. Não deu certo, o movimento cresceu, Mubarak caiu. A palavra final não foi dita, mas os americanos estão apoiando o que restou da ditadura militar anterior, receosos de que as coisas possam ir longe demais.

Os EUA querem continuar decidindo o destino de cada país e controlando suas riquezas estratégicas. Serão melhores, por acaso, os dirigentes da Arábia Saudita ou eles estão sobrevivendo porque são submissos e permitem que seu petróleo, a maior reserva do mundo, seja utilizada livremente pelo maior império da história da humanidade?

Há quarenta anos os norte-americanos saíram enxotados do Vietnam, após causarem milhões de mortes. Hoje estão destruindo o Iraque e o Afeganistão e se preparando para destruir a Síria.

E, com tudo isso, querem impedir que o Irã se prepare para a guerra, construindo suas próprias armas. O que aconteceu no Iraque e na Líbia é incentivo para que se armem as nações ameaçadas pelos EUA.

O drama é ainda mais profundo, pois Síria, Irã, Líbia, Afeganistão, Iraque, entre outros, têm tido governos deploráveis, ditaduras teocráticas, algo que sonhávamos não seria visto no século XXI. É inconcebível qualquer apoio a esses governos, por tudo o que têm representado de atraso. Porém, não se pode dar uma carta em branco para os EUA escolherem que ditaduras podem ficar e quais as que ele decidiu acabar. A superação desses governos precisa ser algo vivido por seus povos, nascido de suas lideranças, superado pelo avanço de seus próprios quadros: cientistas, mulheres e homens, profissionais liberais, trabalhadores e suas organizações.


Crise e Guerra
Como colocado no início, não há registro na história da humanidade de uma nação tão poderosa. Sua atuação no exterior é suportada pelo desnível nos armamentos onde os EUA têm larga vantagem sobre todos os outros países somados. O perigo adicional é que, numa dessas crises cíclicas a que somos levados pela lógica do Capital, como a que estamos vivendo, o Império se desespere e faça “bobagem maior”. A história mostra que a guerra é sempre uma possibilidade nas grandes crises.

Em risco a sobrevivência da humanidade

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Raymundo de Oliveira
Mafarrico vermelho


DIA A DIA - O MUNDO MUDOU

Sou do tempo das cartas. Do telefone preto agarrado à parede. Dos telegramas e do telex. O fax era milagre. A televisão era a preto e branco. Uma caixa arredondada com lugar em cima da cristaleira. Válvulas iónicas e transístores; gira-discos e gravadores de fita; cartridges e cassettes. Foi assim até 1990. De repente o mundo ficou sem fios. Em Portugal há hoje mais telemóveis do que habitantes. Os SMS sucedem-se. Fala-se ao jantar enquanto se come bacalhau com batatas. O telemóvel ganhou lugar à mesa. É parte da família. O computador apareceu timidamente. Escondido nas caves. Dominado por tresloucados informáticos com pronúncia em COBOL. Em breve o Personal Computer estaria em cima da secretária de qualquer executivo de alta cilindrada. Primeiro só para enfeitar. Depois para uso intensivo. Hoje as empresas trabalham mil vezes mais depressa. Não há tempo para pensar. O PC obceca-nos as noites na volta dos blogues. Na premência das redes sociais. Nos e-mails repassados com anexos em PDF, zipados, em slide-show. A relação com o mundo ficou dependente da net. A nossa vida está guardada para sempre. Tudo fica registado. A privacidade acabou. Mesmo depois da morte, a memória persiste. A televisão agora é digital. De alta definição. Grava-se o que não se vê. Vê-se do princípio quando o programa já está a meio. Paga-se para ter 200 canais que não servem para nada. Boxes para descodificar. Canais pagos para esquecer. Por esta altura, a música já não se toca. Fabrica-se. Há programas para todos os gostos. Download pirata ou compra na Amazon. Ouve-se directamente do PC. YouTube no iPhone. Jornais no iPad. Revistas na internet. Livros no Kindle. Em cinquenta anos o mundo mudou. Mudou muito. Hoje somos milhões de uns e zeros. Zeros sem uns. Uns sem outros. Milhões que querem ser tudo. Quase nada de qualquer coisa. Um lugar na blogoesfera. Uma alma no facebook. Um link para a eternidade. Um site no paraíso. Estamos a criar personalidades digitais. Dependentes de “likes” e “unlikes”. Avatares vitalícios, eternamente renovados. Existimos no arquivo das “clouds”. Nunca nos vamos ver. Nunca nos vamos tocar. Estamos condenados a sentir nos chips do imaginário electrónico. A sonhar nos murais das redes sociais. A viver nos megabytes da memória RAM. Mais do que ser importa estar. Mais do que conhecer queremos parecer. Mais do que convencer preferimos iludir. Existimos para além da morte e morremos eternamente. O mundo mudou muito. A questão é saber como vamos mudar nós.

DOIS MARAVILHOSOS POEMAS DE ANTÓNIO GEDEÃO - O POEMA DO AUTOCARRO E TROVAS PARA SEREM VENDIDAS NA TRAVESSA DE SÃO DOMINGOS



Dois poemas de António Gedeão

POEMA DO AUTOCARRO

Quantos biliões de homens! Quantos gritos
de pânico terror!
Quantos ventres aflitos!
Quantos milhões de litros
do movediço amor!
Quantos!
Quantas revoluções na cósmica viagem!
Quantos deuses erguidos! Quantos ídolos de barro!
Quantos!
até eu estar aqui nesta paragem
à espera do autocarro.
E aqui estou, realmente.
Aqui estou encharcado em sangue de inocente,
no sangue dos homens que matei,
no sangue dos impérios que fiz e que desfiz,
no sangue do que sei e que não sei,
no sangue do que quis e que não quis.
Sangue.
Sangue.
Sangue.
Sangue.
Amanhã, talvez nesta paragem de autocarro,
numa hora qualquer, H ou F ou G,
uns homens hão-de vir cheios de medo e sede
e me hão-de fuzilar aqui contra a parede,
e eu nem sequer perguntarei porquê.
Mas...
Não há mas.
Todos temos culpa, e a nossa culpa é mortal.
Mas eu só faço o bem, eu só desejo o bem,
o bem universal,
sem distinguir ninguém.
Todos temos culpa, e a nossa culpa é mortal.
Eles virão e eu morrerei sem lhes pedir socorro
e sem lhes perguntar porque maltratam.
Eu sei porque é que morro.
Eles é que não sabem porque matam.
Eles são pedras roladas no caos,
são ecos longínquos num búzio de sons.
Os homens nascem maus.
Nós é que havemos de fazê-los bons.
Procuro um rosto neste pequeno mundo do autocarro,
um rosto onde possa descansar os olhos olhando,
um rosto como um gesto suspenso
que me estivesse esperando.
Mas o rosto não existe. Existem caras,
caras triunfantes de vícios,
soberbamente ignaras
com desvergonhas dissimuladas nos interstícios.
O rosto não existe.
Procura-o.
Não existe.
Procura-o.
Procura-o como a garganta do emparedado
procura o ar;
como os dedos do afogado
buscam a tábua para se agarrar.
Não existe.
Vês aquele par sentado além ao fundo?
Vês?
Alheio a tudo quanto vai pelo mundo,
simboliza o amor.
Podia o céu ruir e a terra abrir-se,
uma chuva de lodo e sangue arrasar tudo
que eles continuariam a sorrir-se.
Não crês no amor?
?
Não ouves?
?
Não crês no amor?
Cala-te, estupor.
Tenho vergonha de existir.
Vergonha de aqui estar simplesmente pensando,
colaborando
sem resistir.
Disso, e do resto.
Vergonha de sorrir para quem detesto,
de responder pois é
quando não é.
Vergonha de me ofenderem,
vergonha de me explorarem,
vergonha de me enganarem,
de me comprarem,
de me venderem.
Homens que nunca vi anseiam por resolver o meu problema concreto.
Oferecem-me automóveis, frigoríficos, aparelhos de televisão.
É só estender a mão
e aceitar o prospecto.
A vida é bela. Eu é que devia ser banido,
expulso da sociedade para que a não prejudique.
Hã?
Ah! Desculpe. Estava distraído.
Um de quinze tostões. Campo de Ourique.
Máquina de fogo, 1961

TROVAS PARA SEREM VENDIDAS NA TRAVESSA DE S. DOMINGOS

O repórter fotográfico
foi ver a fuzilaria.
Ganhou o prémio do ano
da melhor fotografia.
Notícias não confirmadas
informam, de origens várias,
que as tropas revolucionárias
recentemente cercadas
acabam de ser esmagadas
com perdas extraordinárias.
Na redacção do jornal
corre tudo em sobressalto.
A hora é sensacional.
Toda a gente dormiu mal,
gesticula e fala alto.
Passageiros recém-chegados
do lugar da revolução
viram dúzias de soldados
prontos a ser fuzilados
e muitos já arrumados
e amontoados no chão.
Agora que se anuncia
já estar regulado o tráfico,
inda mal rompera o dia
foi ver a fuzilaria
o repórter fotográfico.
Vá lá, vá lá, felizmente,
felizmente que ao chegar
inda havia muita gente
que estava por fuzilar.
Numa ridente campina
de papoilas salpicada,
um sol de lâmina fina
cortava a densa neblina
da metralha disparada.
Berrando como vitelos
a malta dos condenados
avançava aos atropelos
e arrepanhava os cabelos
com gestos alucinados.
O repórter já suava,
não tinha mãos a medir;
ora a máquina carregava,
apontava e disparava,
ora no chão se agachava,
pulava e gesticulava
com afanosa presteza.
Há empregos, com franqueza,
nem haviam de existir.
A um tipo de mãos nojentas
que aos berros sobressaía
gritando frases violentas,
focou-o mesmo nas ventas
no momento em que caía.
Mas o melhor não foi isso.
O melhor foi uma velhota
que pôs tudo em rebuliço.
Rápida como um rastilho,
em convulsivos soluços,
foi estatelar-se de bruços
sobre o corpo do seu filho.
«Meu menino, meu menino!
Valha-me a Virgem Maria!
Que vai ser o meu destino
sem a tua companhia?!
Mataram-me o meu menino!
Filho do meu coração!
Que vai ser o meu destino
sem a tua protecção?!»
Nunca uma cena de horror,
Uma tragédia tão viva,
tão grande e expressiva dor,
alguém teve ao seu dispor
defronte duma objectiva.
Era uma face crispada,
um olhar perdido e louco,
uma boca de xarroco
em lágrimas ensopada.
Foi uma sorte, realmente.
Um desses casos notáveis,
bestiais e formidáveis
que acontecem raramente.
Aquelas faces crispadas
correram pelo mundo inteiro
nas revistas ilustradas,
em tiragens esgotadas
que deram muito dinheiro.
Com aquele sentido humano
da justiça e da harmonia,
o repórter todo ufano,
ganhou o prémio do ano
da melhor fotografia.
Máquina de fogo, 1961

Afeganistão exige julgar no país soldado americano assassino


Do Portal Vermelho


O PARLAMENTO DO AFEGANISTÃO PEDIU HOJE (12) UM JULGAMENTO PÚBLICO PARA O SOLDADO NORTE-AMERICANO QUE MATOU 16 CIVIS, INCLUSIVE NOVE CRIANÇAS, NA CIDADE DE CANDAHAR. OS ASSASSINATOS OCORRERAM ONTEM (11) QUANDO O SOLDADO ATIROU EM MORADORES DE DOIS BAIRROS. A IDENTIDADE DO MILITAR É MANTIDA SOB SIGILO. 


Afeganisgão: povo exige julgamento de soldado dos EUA assassin
Afeganistão: povo exige julgamento local de soldado assassino

Para o Parlamento do Afeganistão, é preciso investigar se há outros envolvidos no caso. “Pedimos com firmeza e esperamos que o governo norte-americano puna os culpados e os julgue em um processo público perante o povo afegão”, diz um comunicado oficial. Os deputados classificaram o crime como “brutal e desumano”. “A população perde a paciência perante a ignorância das forças estrangeiras”, diz o texto.

O massacre ocorreu depois que soldados norte-americanos em Bagram, também no Afeganistão, queimaram exemplares do Corão – o livro sagrado do Islã. O ato desencadeou uma onda de manifestações antiamericanas no país.

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, chamou o massacre de “ação imperdoável” e pediu explicações ao governo dos Estados Unidos. O presidente norte-americano, Barack Obama, telefonou para Karzai e pediu desculpas, prometendo investigar e julgar os responsáveis pelos crimes.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, desembarcou hoje em Mazar I Sharif (no Norte do Afeganistão). Merkel disse “não pode garantir” que as tropas alemãs sairão do Afeganistão em 2014, como foi planejado. “Ainda não chegou o momento de a Alemanha dizer que pode sair hoje do Afeganistão”, disse ela. Esta é a quarta visita de Angela Merkel ao Afeganistão, desde que tomou posse, em 2005.

Depois dos Estados Unidos e do Reino Unido, o contingente alemão é o terceiro maior no grupo de 130 mil militares das forças de segurança internacionais no Afeganistão. Em fevereiro deste ano, a Alemanha tinha no país um total de 4.9 mil soldados.

Fonte: Agência Brasil

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DO TAMANHO DAS NOSSAS VIDAS - FILIPE CHINITA



Do Tamanho...






 Algarve foi a única região portuguesa que ficou mais pobre face à Europa

Dados do Eurostat de 2009 confirmam hierarquia entre as regiões portuguesas, com o Norte a manter-se como a mais pobre, lugar que durante décadas foi dos Açores. Madeira e Lisboa são as únicas que mantêm um nível de vida superior ao da média europeia.
O Algarve foi a única região portuguesa que viu o seu nível de vida, medido pelo PIB per capita ajustado ao poder de compra, cair face à média europeia. 

De acordo com dados hoje divulgados pelo Eurostat relativos a 2009, o PIB per capita algarvio era equivalente a 84,6% da média europeia. Um ano antes, o mesmo indicador estava em 86%, o que quer dizer que os algarvios tinham um poder aquisitivo 14% abaixo da média europeia, tendo, num ano, perdido mais 1,4 pontos percentuais.

Esta maior distância relativa face à Europa começa por ser também cá dentro, já que todas as outras seis regiões portuguesas (assim definidas para efeitos da política regional europeia) viram o respectivo PIB per capita subir face à média da UE-27. O que fez subir também a média de Portugal: entre 2008 e 2009 (ano do pico da crise financeira), o PIB per capita ajustado ao poder de compra passou de 78% para 80% da média comunitária. Desde 2001 que o poder aquisitivo português não estava tão perto (ainda assim, 20% abaixo) do da média europeia.

Açores são “os novos ricos” da Europa: ultrapassaram fasquia dos 75%

A mais recente actualização do PIB per capita regional não altera a hierarquia entre as regiões portuguesas, com o Norte a manter-se como a mais pobre, com um rendimento equivalente a 63,6% da média comunitária. 

Já os Açores, que durante décadas foram a região mais pobre, inclusive da União Europeia (antes do alargamento a Leste), ultrapassaram em 2009, e pela primeira vez, a fasquia dos 75% que a União Europeia utiliza como referência para traçar a fronteira entre regiões desfavorecidas, que necessitam de maiores intensidades de apoios comunitários, das mais ricas.




Bispo de Beja – Uma notícia do “anno da graça” de 1250... mais ou menos...


Assim não é fácil! Ao mesmo tempo que o Vaticano tenta dar uma no cravo, declarando o seu desacordo (e faz bem) no que respeita à internacional negociata da privatização da água, declarando esta um bem público, ainda que reconhecendo os “direitos” dos negociantes... vem logo um destacado membro do clero dar uma na ferradura. Estrondosamente.
Falo do senhor que faz de bispo de Beja, que esteve a um passo de culpar os portugueses pela seca. A um passo de considerar a seca como um (merecido) castigo divino a todos nós, miseráveis pecadores. Diz a luminária que os portugueses estão muito longe de rezar o suficiente para que a divindade se digne conceder-nos a “bênção” da chuva... e que, pelo contrário, estão mais virados para as ajudas de Bruxelas. Para o bispo, a esta hora já o país deveria estar a ser sulcado, em todas as direções, por intermináveis procissões a implorar pela chuva. Aparentemente, para o senhor António Vitalino Dantas, essa falta de rezas e procissões é muito grave.
É bem capaz de ser! Pelo menos, quase tão grave como o facto de o senhor bispo ter chegado tão atrasado à reunião em que distribuíram os cérebros. Tão grave como esse facto o ter deixado parado... lá... em plena época medieval.



A liberalização dos bigodes

Sou do tempo da pasta medicinal Couto, do pudim boca doce é bom é bom é e do talvez sabonete Lux. Foram tempos de gente moralmente irrepreensível: o rapaz colorido da cabeleira loura, o sr. Silva salvando a moral candura da família, o O'Neill a interrogar publicitações, o regime masculinizado - algumas mulheres exibiam os seus fartos bigodes -, a massificação da ignorância e alguns filhos e filhas à boca de sino. Na cidade rolavam uns automóveis boca de sapo, uns dois cavalos e uns pão de forma. Eram tempos censuráveis para os progressistas, alguns conservadores pós tradicionalistas e os comunistas.
Os bons velhos tempos regressaram sob a forma de alguns homens providenciais. Uma espécie quase sempre rara e à beira da extinção, mas apta na mercadorização do lixo. Seguem uma fórmula recauchutada, vendem uma ou outra ideia privatizável, o regresso aos bons velhos tempos aráveis, publicam um livro, reposicionam a história e propagandeiam uma maneira fácil de resolver a crise: deixar crescer o bigode.
blog O homem das tabernas



TVI - MARCELO - Era preciso um “golpe de Estado” para demitir o Governo?

NINGUÉM ACREDITOU - "Marcelo Rebelo de Sousa estranha que Cavaco Silva tenha sofrido “a maior deslealdade institucional dos últimos 30 anos” e mesmo assim não tenha demitido o Governo de José Sócrates."... "Marcelo estranha também o silêncio de Cavaco Silva que, tendo sofrido essa deslealdade, optou, para além de manter o Governo em funções, por não dizer nada aos portugueses. TODOS ESTRANHAMOS!

"No seu habitual espaço na TVI, Marcelo comenta assim o prefácio escrito pelo Presidente da República no seu livro “Roteiros VI”.Lembra que o Chefe de Estado diz que “houve um comportamento de deslealdade institucional como não houve nos últimos 30 anos, mas ‘eu não demiti o Governo porque isso para mim não era pôr em causa o regular funcionamento das instituições’.
Eu pergunto: o acontecimento mais grave dos últimos 30 anos não põe em causa o regular funcionamento das instituições? Se não põe, não sei bem o que ponha. Um golpe de Estado? O Presidente cercado em Belém?”
Depois, Marcelo estranha também o silêncio de Cavaco Silva que, tendo sofrido essa deslealdade, optou, para além de manter o Governo em funções, por não dizer nada aos portugueses. Por outro lado, fica assim confirmado - acrescenta - que o Chefe de Estado faz uma interpretação "minimalista" das suas funções"


Carta a professores, alunos, pais, governantes, cidadãos...- Por Sara Fidalgo

«As reformas na educação estão na boca do mundo há mais anos do que os que conseguimos recordar, chegando ao ponto de nem sabermos como começaram nem de onde vieram. Confessando, sou apenas uma das que passou das aulas de uma hora para as aulas de noventa minutos e achei aquilo um disparate total. Tirava-nos intervalos, tirava-nos momentos de caçadinhas e de saltar à corda e obrigava-nos a estar mais tempo sentados a ouvir sobre reis, rios, palavras estrangeiras e números primos.

Depois veio o secundário e deixámos de ter “folgas” porque passou a haver professores que tinham que substituir os que faltavam e nós ficávamos tristes. Não era porque não queríamos aprender, era porque as “aulas de substituição” nos cansavam mais do que as outras. Os professores não nos conheciam, abusávamos deles e era como voltar ao zero.

Eu era pequenina. E nunca me passou pela cabeça pensar no lado dos professores. Até ao dia 1 de Março.

Foi o culminar de tudo. Durante semanas e semanas ouvi a minha mãe, uma das melhores professoras de Inglês que conheci, o meu pilar, a minha luz, a minha companhia, a encher a boca séria com a palavra depressão. A seguir vinham os tremores, as preocupações, as queixas de pais, as crianças a quem não conseguimos chamar crianças porque são tão indisciplinadas que parece que lhes falta a meninice. Acreditem ou não, há pais que não sabem o que estão a criar. Como dizia um amigo meu: “Antigamente, fazíamos asneiras na escola e quando chegávamos a casa levávamos uma chapada do pai ou da mãe. Hoje, os miúdos fazem asneiras e os pais vão à escola para dar a dita chapada nos professores”. Sim, nos professores. Aqueles que tomam conta de tantos filhos cujos pais não têm tempo nem paciência para os educar. Sim, os professores que fazem de nós adultos competentes, formados, civilizados. Ou faziam, porque agora não conseguem.

A minha mãe levou a maior chapada de todas e não resistiu. Desculpem o dramatismo mas a escola, o sistema educativo, a educação especial, a educação sexual, as provas de aferição e toda aquela enormidade de coisas que não consigo sequer enumerar, levaram deste mundo uma das melhores pessoas que por cá andou. E revolta-me não conseguir fazer-lhe justiça.

Professores e responsáveis pela educação, espero que leiam isto e acordem, revoltem-se, manifestem-se (ainda mais) mas, sobretudo e acima de qualquer outra coisa, conversem e ajudem-se uns aos outros. Levem a história da minha mãe para as bocas do mundo, para as conversas na sala dos professores e nos intervalos, a história de uma mulher maravilhosa que se suicidou não por causa de uma vida instável, não por causa de uma família desestruturada, não por dificuldades económicas, não por desgostos amorosos mas por causa de um trabalho que amava, ao qual se dedicou de alma e coração durante 36 anos.

De todos os problemas que a minha mãe teve no trabalho desde que me conheço (todos os temos, todos os conhecemos), nunca ouvi a palavra “incapaz” sair da boca dela. Nunca a vi tão indefesa, nunca a conheci como desistente, nunca pensei ouvir “ando a enganar-me a mim mesma e não sei ser professora”. Mas era verdade. Ela soube. Ela foi. Ela ensinou centenas de crianças, ela riu, ela fez o pino no meio da sala de aulas, ela escreveu em quadros a giz e depois em quadros electrónicos. Ela aprendeu as novas tecnologias. O que ela não aprendeu foi a suportar a carga imensa e descabida que lhe puseram sobre os ombros sem sentido rigorosamente nenhum. Eu, pelo menos, não o consigo ver.

E, assim, me manifesto contra toda esta gentinha que desvaloriza os professores mais velhos, que os destrói e os obriga a adaptarem-se a uma realidade que nunca conheceram. E tudo isto de um momento para o outro, sem qualquer tipo de preparação ou ajuda.

Esta, sim, é a minha maneira de me revoltar contra aquilo que a minha mãe não teve forças para combater. Quem me dera ter conseguido aliviá-la, tirar-lhe aquela carga estupidamente pesada e que ninguém, a não ser quem a vive, compreende. Eu vivi através dela e nunca cheguei a compreender. Professores, ajudem-se. Conversem. E, acima de tudo, não deixem que a educação seja um fardo em vez de ser a profissão que vocês escolheram com tanto amor.

Pensem no amor. E, com ele, honrem a vida maravilhosa que a minha mãe teve, até não poder mais.» – Sara Fidalgo (via mail)

Filipe Tourais
blog O país do burro