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segunda-feira, 12 de março de 2012



Vampiros

António Borges – ministro-sombra das privatizações, parcerias, recapitalizações da banca e outras idas ao pote – auferirá um rendimento mensal de 25 mil euros que terá de dividir com os outros cinco economistas que coordena, tudo gente polivalente. Fará a sua consultoria, diz-nos o Expresso, a partir do seu gabinete de administrador, reparem no detalhe, da fundação Champalimaud. Pobre do descartável Álvaro. Enfim, esta flexibilidade laboral de Borges deve ser o preço a pagar para atrairmos o “talento” de topo da Goldman Sachs –“gigantesca lula-vampiro enrolada na cara da humanidade, com o seu tubo de sucção alimentar incansavelmente fossando em busca de tudo o que lhe cheire a dinheiro”.

Borges já tinha mostrado, em 2008, a sua admiração pelo  sistema chinês de poupança, que é parte dos desequilíbrios da economia mundial, exortando também os portugueses a comprarem menos Mercedes e tudo. Talvez seja mesmo este modelo, assente num Estado social demasiado frágil para as necessidades dos reprimidos trabalhadores chineses, que está subjacente a um estudo encomendado pela associação portuguesa das seguradoras, que propõe o desmantelamento do Estado social para supostamente fomentar a poupança à chinesa.

Vejam lá que quem tem mais dinheiro é quem poupa em Portugal, o que implicitamente até justificaria a actual política de alterações das regras económicas por forma a favorecer a redistribuição de baixo para cima. O problema é a chata da procura que também vem do consumo a que a maioria é mais atreita, gastando tudo em vinho, até porque teve acesso a hospitais, escolas e subsídios de desemprego. O problema é o paradoxo da poupança e a depressão assim gerada, a dificuldade em promover simultaneamente a poupança pública e privada. A poupança é o que sobra e sobra cada vez menos, claro. O problema central foi a perversidade de um modelo de financiamento por poupança externa, o inevitável destino das periferias que se abrem de forma irrestrita às forças do mercado global e aderem a uma moeda forte. Em conjunto com as privatizações foram as grandes obras da ideologia liberal em Portugal.

O problema também é o que sabemos sobre o modelo norte-americano de capitalismo financeirizado, longe da “repressão financeira” dos chineses que ainda não foram totalmente nas cantigas dos Borges na área financeira, e para onde os bancos e as seguradoras nos querem na realidade levar: reformas derretidas no casino financeiro, famílias ainda mais endividadas e insolventes por terem de fazer face às despesas com bens e riscos sociais, todo o poder aos bancos e seguradoras para inventarem custos de transacção sem fim e assim sugarem, em comissões e outras extorsões, os rendimentos dos trabalhadores: a tal economia política da expropriação financeira de que nos fala Costas Lapavitsas. A erosão do Estado social no mundo desenvolvido só alimenta as lulas-vampiro financeiras e a ideologia da “promoção da poupança” é a forma possível de ocultar este processo nas actuais condições intelectuais e políticas.

De resto, haverá cada mais material para filmar um “Inside Job” em Portugal, para filmar o mundo dos que querem continuar a ir ao nosso pote. Um mundo feito de práticas financeiras opacas, mas também de percursos transparentes. Que o diga Luís Amado: o ex-dirigente de um partido que contesta há muito, e bem, os paraísos fiscais vai voltar às suas origens madeirenses, acumulando a direcção do BANIF com um cargo na administração da Sociedade de Desenvolvimento da Madeira, ou seja, do sórdido inferno fiscal madeirense. São mesmo estrangeiros estes negócios.

José Afonso já cantou o essencial:

A PRIMEIRA DE MUITAS LARANJAS CAÍU - Henrique Gomes sai do Governo O secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, deixou o Governo, apurou o Económico. Artur Trindade, da ERSE, deverá ser o substituto.




Henrique Gomes sai do Governo


O secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, deixou o Governo, apurou o 
Económico. Artur Trindade, da ERSE, deverá ser o substituto.
Contactado oficialmente pelo Económico, fonte do ministério da Economia não comentou a saída do secretário de 
Estado da Energia, Henrique Gomes. 
Artur Trindade, director da ERSE, a entidade reguladora do sector, deverá ser o substituto de Henrique Gomes.
Henrique Gomes terá sido afastado do cargo por pressão dos operadores do sector energético, alegam fontes conhecedoras do processo.
Em causa estará o estudo de avaliação dos custos das rendas excessivas, encomendado pelo Governo para entregar à ‘troika', segundo o qual o Estado estará a pagar 3,9 mil milhões de euros a grandes produtores de electricidade em rendas excessivas. O objectivo do Governo seria cortar 2,5 mil milhões deste montante.
As conclusões do estudo, encomendado à Universidade de Cambridge, foi alvo de críticas de vários agentes do sector, que apontam "erros básicos de avaliação económica" e, por isso, chegar a conclusões erradas. Também o presidente executivo do grupo EDP, António Mexia, na apresentação de resultados da companhia na passada semana, acusou o estudo de apresentar "erros grosseiros".
Fontes próximas do ministério explicam que a resistência das empresas ao corte de custos de interesse económico já tinham levado o secretário de Estado da Energia a ameaçar demitir-se. Em Janeiro, Henrique Gomes voltou a reforçar a intenção do Governo em reduzir estes custos e a necessidade de actuar em todo o sector. Acusou ainda a EDP de ter "excessivo poder de mercado e de influência", disse em entrevista ao Jornal de Negócios.

RTP 50 ANOS 50 NOTÍCIAS




18 equipas na liga......

Aprovado o alargamento da Liga de Futebol para 18 clubes
A Assembleia Geral da Liga Portuguesa de Futebol Profissional decidiu, em assembleia geral realizada esta segunda-feira, na Alfândega do Porto, alargar a Primeira Liga de 2012/2013 para 18 clubes. 
A proposta de alargamento foi aprovada por larga maioria, com 31 votos a favor, 15 contra e duas abstenções. Apesar da votação ser secreta, os representantes do F. C. Porto e do Nacional entenderam fazer uma declaração de voto, em ambos os casos no sentido contrário à proposta. O Nacional pretende mesmo ir mais longe e já prepara uma impugnação aos resultados da assembleia geral.
BLOG D"SUL

Massagem Tailandesa com Final Feliz



Pina Moura – Rumo á vit... bom... qualquer coisa, desde que paguem bem


«Goste-se ou não, este governo tem um rumo»... diz Pina Moura. Pelos vistos... ele gosta!
Pouco me interessam os gostos deste ex-inscrito no PCP (não, não lhe chamo ex-comunista...), como tampouco me interessa o seu meteórico percurso pessoal, desde os tempos em que alguns diziam ser o “delfim” de Cunhal (não faço ideia do que é que ele pensava vir a sacar com isso), passando depois a ministro do PS, função que lhe abriu as portas ao lugar de criado dos espanhóis na presidência da Iberdrola, percurso que lhe possibilitou um prodigioso salto de um ganho anual de pouco mais que 20.000€ em 1994, para os 697.000€ em 2006 e aos sabe-se lá quantos em 2011 ... até chegar a este momento de “epifania” sobre o alegado “rumo” de Passos Coelho.
Não sei se este polifacetado político/economista acabará a vociferar contra os emigrantes num qualquer partideco de extrema direita, mas, pegando na sua própria ideia que abriu este texto, 
goste-se ou não, este Pina Moura tem um rumo!





O MAFARRICO 


Posted: 12 Mar 2012 07:26 AM PDT

Se o mundo fosse comunista....




Se o mundo fosse comunista não existiriam guerras. Não existiriam a fome e a pobreza; não haveriam pobres nem ricos. A riqueza seria de todos. Não existiria o analfabetismo. Não existiria o flagelo do desemprego. Haveria igualdade social; saúde, educação e moradias para todos. A terra seria de Todos. Não existiriam os maltratos, o abuso e a impunidade. Todos seríamos irmãos.









Mas, infelizmente, o mundo ainda não é comunista. Assistimos, diáriamente, todos esses flagelos (fome,desemprego, miséria) e suas consequências, nos assombrar e maltratar nossas consciências como sêres humanos. Vemos, todos os dias, a mídia a trombetear as "guerras humanitárias" contra os povos. Os "massacres piedosos" de civis, principalmente mulheres e crianças, perpretados pelas forças imperialistas nos países periféricos e continuamos impassíveis a todas essas barbaridades.

Ontem, noticiaram mais um massacre de civis no Afeganistão. Um soldado psicopata do EUA ( as forças armadas dos EUA são formadas e dirigidas por psicopatas assassinos) matou 16 civis. Esse massacre se soma a outros inúmeros assassinatos de civis, cometidos pelas tropas de psicopatas  Americanos pelo mundo ( ver link sobre as intervenções pelo mundo abaixo). Alegam que o assassino teve um "colapso nervoso". Nada mais falso, eles primeiro demonizam os govêrnos dos países que vão invadir, depois desumanizam seu povo, deixando-o à sanha assassina de seus psicopatas. Matam sem punição, como mataram no Vietnam, no Iraque e agora no Afeganistão e Paquistão. No Paquistão seus Drones (avião não tripulado) já mataram 3.000 mulheres e crianças em seus ataques "humanitários".

Este "post" ficaria interminável se ficássemos falando dos crimes dos países imperialistas.

Portanto, lutar contra a Barbárie capitalista é um dever do todo homem/mulher que deseje um mundo melhor para si e seus descendentes. Derrotar os bárbaros imperialistas é um dever da humanidade!

Socialismo/Comunismo, sempre!




Links relacionados aos "soldados psicopatas dos EUA" :



Posted: 12 Mar 2012 06:03 AM PDT

Soberania e independência nacional - Uma questão central do nosso tempo
Por Pedro Guerreiro 

Revista O Militante - Nº 317 - Mar/Abr 2012 • Tema 



Face ao aprofundamento da crise do capitalismo – que resulta da agudização das suas insanáveis contradições –, este lança-se numa sistemática e ampla ofensiva contra os direitos e as conquistas sociais históricas dos trabalhadores, a soberania dos povos e a independência dos Estados.

Sem a opressão da democracia, da soberania e independência nacionais, o imperialismo – o capitalismo na sua fase monopolista – não poderia impor o seu domínio político e económico, assegurar a exploração e a gigantesca transferência da riqueza criada pelo trabalho para o capital monopolista.

Sem salvaguarda da soberania e independência nacionais não será possível assegurar a ruptura com os instrumentos de exploração e opressão do imperialismo e levar a cabo um efectivo processo de transformação social – isto é, a questão de classe e a questão nacional andam de braço dado no caminho da conquista da emancipação dos trabalhadores e dos povos.

A experiência histórica da luta do movimento operário, dos trabalhadores e do povo português, a Revolução portuguesa – os seus avanços e recuos –, comprovam a intrínseca relação entre a questão de classe e a questão nacional, entre a emancipação social e a emancipação nacional.

No seu Programa adoptado no VI Congresso (1965), o PCP caracterizou o regime fascista como a «ditadura terrorista dos monopólios associados ao imperialismo estrangeiro e dos latifundiários» 
(1) e a luta contra a ditadura fascista como tendo um cunho anti-monopolista e anti-imperialista, apontando o caminho da revolução democrática e nacional como parte integrante da luta pelo socialismo.

Comprovando que Portugal não era um país independente e que as principais riquezas e sectores básicos da economia se encontravam sob o domínio ou influência de monopólios estrangeiros, o PCP sublinhou a importante tese de que «a dependência económica é acompanhada pela dependência política» 
(2) e, consequentemente, pela perda da soberania e independência nacionais – concluindo que, apesar de ser ainda uma potência colonial, Portugal era ao mesmo tempo um país dependente.

A conquista da verdadeira independência de Portugal e a instauração e viabilidade de um regime democrático exigiam e colocavam como um dos objectivos a libertação de Portugal do domínio imperialista, o que permitiria «pôr ao serviço do povo e da nação parte considerável das riquezas nacionais […] nas mãos dos monopólios estrangeiros, impedir a drenagem para o estrangeiro do valor criado pelo trabalho nacional, aumentar os investimentos nacionais, desenvolver a economia numa base nacional e independente, liquidar na vida económica e política portuguesa a influência, supervisão e comando das potências imperialistas» 
(3).

A Revolução libertadora e democrática, iniciada a 25 de Abril de 1974, acabou com o fascismo, pôs fim às guerras coloniais, liquidou o capitalismo monopolista de Estado, realizou profundas transformações políticas, económicas, sociais e culturais no País, melhorou as condições de vida dos trabalhadores e do povo, contribui para a conquista da independência dos povos submetidos ao colonialismo português, pôs fim ao isolamento internacional de Portugal e à sua inteira submissão ao imperialismo e abriu caminho a uma política externa de paz, de amizade e de cooperação

As amplas e profundas transformações democráticas e o projecto de desenvolvimento patriótico e internacionalista iniciado pela Revolução de Abril foram alcançados porque esta se alicerçou e foi a expressão da livre e soberana vontade dos trabalhadores e do povo português e da afirmação da independência nacional – aliás, consagradas na Constituição da República Portuguesa, aprovada a 2 de Abril de 1976.

Se a Revolução de Abril demonstra o carácter indissociável e complementar das dimensões política, económica, social, cultural e da soberania e independência nacionais para a conquista de profundas transformações democráticas e sociais, o processo contra-revolucionário que se lhe seguiu, pelas razões inversas, não lhe fica atrás.

Ao longo dos últimos 36 anos, o processo contra-revolucionário, na sua obra de destruição das conquistas de Abril desenvolve-se em cinco direcções fundamentais: a restauração do capitalismo monopolista de Estado; o agravamento da exploração dos trabalhadores; a perversão do regime democrático; a promoção e reposição de valores obscurantistas ou retrógrados; e a crescente dominação do capital estrangeiro sobre a economia portuguesa e a limitação da soberania e independência nacionais.

No processo de reconstituição do capitalismo monopolista, a submissão aos interesses do capital estrangeiro, às grandes potências capitalistas, ao imperialismo, assume uma particular importância.

Apesar de ter diversificado as relações externas do país – incluindo o estabelecimento de relações com a URSS e outros países socialistas –, a Revolução de Abril não conseguiu libertar Portugal de importantes posições do capital estrangeiro e das ingerências e pressões económicas, financeiras, diplomáticas e militares do imperialismo, que activamente incentivou e apoiou o PS, o PPD, o CDS e todas as forças reaccionárias e conservadoras quer para o desencadeamento, quer na sustentação do processo contra-revolucionário.

Como é sublinhado no Programa do PCP «Portugal – Uma Democracia Avançada no Limiar do Século XXI», aprovado no XIV Congresso (1992), «a aceitação, como opção estratégica, de limitações à soberania e à independência nacionais foi inspirada pelo propósito de acelerar o processo de liquidação das conquistas da revolução de Abril e de restaurar o capitalismo monopolista e de acorrentar Portugal ao sistema capitalista internacional e traduziu-se designadamente em múltiplas orientações e decisões que nos domínios da integração de Portugal na CEE, da participação do País em outras organizações internacionais, e nos planos económico, militar, cultural e de política externa e de segurança criaram novos e mais agravados laços de dependência e subordinação». 
(4)

Alertava-se então para que se «o Mercado Comum (nomeadamente a circulação livre de mercadorias e capitais) já continha para Portugal, dado o seu atraso relativo, elementos desfavoráveis ao desenvolvimento e novas limitações à independência. A evolução num sentido federalista da integração europeia nos planos económico, político e militar, ameaça transformar Portugal num Estado subalternizado e periférico, cuja política poderá passar a ser crescentemente decidida, mesmo que contra os interesses portugueses, por instâncias supranacionais dirigidas no fundamental pelos Estados mais fortes e mais ricos e pelas empresas transnacionais». (5)

Se analisarmos o período que antecipou a adesão de Portugal à CEE, em 1986, e os 26 anos que se lhe seguiram, podemos comprovar que a concretização e avanço da política de direita em Portugal vão de braço dado com o processo de integração capitalista europeia e seu respectivo aprofundamento, sendo a segunda um alicerce fundamental da primeira.

O processo de integração capitalista europeia que se precipitou, desde 1986, numa incessante escalada federalista, neoliberal e militarista – não deixando de constituir uma autêntica «fuga em frente» face às suas insanáveis e cada vez maiores contradições –, é determinado e dirigido pelas grandes potências capitalistas em função das necessidades e interesses dos seus grupos monopolistas.

Acto único (1986), Tratado de Maastricht (1992), Tratado de Amesterdão (1997), Tratado de Nice (2001) e o Tratado de Lisboa (2007), tiveram como objectivo reforçar os instrumentos políticos, económicos e militares do processo de integração capitalista europeia, como: o «Mercado Único», a «Política Agrícola Comum», a «Política Comum de Pescas», a «União Económica e Monetária» (com o seu Euro, Pacto de Estabilidade e Banco Central Europeu), a «Política Externa e de Segurança Comum» ou a«Política de Defesa e de Segurança Comum» (que definem a UE como pilar europeu da NATO).

Como comprova a evolução da União Europeia, cada novo avanço neste processo – nas suas indissociáveis vertentes federalista, neoliberal e militarista, que, sublinhe-se, se alicerçam e reforçam mutuamente – consolidam uma «construção» que tem como objectivo garantir e sustentar o domínio político e económico dos monopólios e das grandes potências capitalistas na Europa, demonstrando que, na sua essência, esta não é reformável – «do ponto de vista das condições económicas do imperialismo, isto é, da exportação de capitais e da partilha do mundo pelas potências coloniais «avançadas» e «civilizadas», os Estados Unidos da Europa, sob o capitalismo, ou são impossíveis, ou são reaccionários». 
(6)

Tratado após Tratado, a UE reforçou-se como instrumento de classe do capitalismo monopolista e das grandes potências capitalistas da Europa, como pólo imperialista dirigido para a intensificação da exploração, para o domínio político e económico, para a agressão militarista.

A propósito da UE e quanto às diferentes formas sob as quais se manifesta e exerce o domínio imperialista, recordem-se as pertinentes e actuais chamadas de atenção de Lénine: «ao falar da política colonial da época do imperialismo capitalista, é necessário notar que o capital financeiro e a correspondente política internacional, que se traduz na luta das grandes potências pela partilha económica do mundo, originam abundantes formas transitórias de dependência estatal. Desta época são típicos não só os dois grupos fundamentais de países – os que possuem colónias e as colónias –, mas também as formas variadas de países dependentes que, de um ponto de vista formal, político, gozam de independência, mas que na realidade se encontram envolvidos nas malhas da dependência financeira e diplomática.» 
(7), salientando, que «a subordinação mais lucrativa e «cómoda» para o capital financeiro é uma subordinação que traz consigo a perda da independência política dos países e povos submetidos». (8)

Constatando-se que «a internacionalização da economia, a profunda divisão internacional do trabalho, a crescente cooperação entre Estados e os processos de integração correspondem […] a realidades e tendências de evolução não exclusivas do capitalismo. [E que] Em função da sua orientação, características e objectivos, tais processos podem servir os monopólios e as transnacionais, ou podem servir os povos» (9), forçosamente se conclui que, pelo seu carácter de classe, a finalidade da UE é servir os interesses dos monopólios – que têm na UE o seu melhor instrumento de domínio – e não os dos trabalhadores e dos povos.

Cada etapa no processo de integração capitalista europeia, cada aprofundamento das suas políticas, teve e terá profundas e gravosas consequências para os trabalhadores e o povo português, representando maiores imposições e condicionamentos e acrescidas dependência e submissão de Portugal aos interesses do capital financeiro e dos grandes grupos económicos.

Portugal enfrenta actualmente uma nova e séria ameaça com a proposta do dito «Tratado sobre a Estabilidade, a Coordenação e a Governação na União Económica e Monetária».

Se ratificado, este novo tratado representará um significativo ataque à soberania e independência nacionais, pois o seu objectivo é o reforço dos instrumentos de ingerência e de controlo da política económica do país (nomeadamente, das suas políticas orçamental, fiscal e de emissão de dívida) por parte das grandes potências e do capital financeiro, isto é, um gravíssimo e inaceitável passo na progressão das políticas e da ingerência da UE – hoje ostensivamente concretizadas através do pacto de agressão (instrumento que se institucionalizaria) – e a condenação do país a uma permanente e intolerável tutela, à dependência e ao subdesenvolvimento.

A contradição maior e o carácter de classe e não democrático da UE têm a sua raiz num projecto que, centralizando o poder em instituições supranacionais dominadas pelas grandes potências e cujas políticas servem os interesses dos monopólios, está em conflito aberto com as necessidades e os anseios dos trabalhadores e a soberania dos povos dos diferentes países que a compõem.

A resposta adequada ao domínio das grandes potências e à imposição dos interesses dos grandes grupos financeiros e económicos não passa pela ilusão do reforço ou criação de mais instituições supranacionais onde, de uma ou doutra forma, tal domínio e interesses irão prevalecer.

Só através da afirmação e pleno exercício da soberania nacional é possível rejeitar imposições e condicionalismos externos que agridem os interesses dos trabalhadores e dos povos e salvaguardar a democracia, isto é, o direito soberano de cada povo a decidir do seu presente e futuro, de determinar de forma autónoma e livre as suas políticas económicas, de garantir a utilização e promoção das potencialidades produtivas de cada país, de realizar uma política de paz e cooperação com todos os povos.

Neste quadro, ganha evidência a importância do marco nacional como campo fundamental da luta dos trabalhadores e dos povos em prol da democracia e da soberania, em prol de transformações sociais.

Recorde-se que já no «Manifesto do Partido Comunista», Marx e Engels sublinhavam que «pela forma, embora não pelo conteúdo, a luta do proletariado contra a burguesia começa por ser uma luta nacional. O proletariado de cada um dos países tem naturalmente de começar por resolver os problemas com a sua própria burguesia.» 
(10); tendo Engels acrescentado que «sem a sua autonomia e unidade restituídas a cada nação europeia, nem a união internacional do proletariado nem a cooperação pacífica e inteligente destas nações para fins comuns poderiam consumar-se» (11). Teses que, apesar das diferenças quanto ao momento histórico de há 150, mantêm toda a sua actualidade.

Aliás, como comprova a nossa história recente, o maior contributo que o povo português pode dar para uma Europa de cooperação, de progresso e de paz é a retoma e concretização do projecto de desenvolvimento democrático, patriótico e internacionalista iniciado pela Revolução de Abril.

Para o PCP, a resolução dos graves problemas do país e a resposta às necessidades e anseios dos trabalhadores e do povo português impõem a ruptura com a política de direita e a conquista de uma política patriótica e de esquerda, que crie as condições e abra caminho à concretização de uma democracia avançada, parte constitutiva da luta pelo socialismo.

A ruptura com a política de direita impõe a ruptura com cada uma e todas as suas dimensões, como, aliás, é preconizado na proposta de democracia avançada que o PCP propõe.

A ruptura com a política de direita impõe a ruptura com os seus alicerces, designadamente com a UE e o seu rumo federalista, neoliberal e militarista cada vez mais ostensivo.

Só com a plena afirmação e exercício da soberania nacional será possível libertar Portugal das autênticas grilhetas que são as políticas da UE e recuperar os instrumentos fundamentais (políticos, económicos, monetários,…) para assegurar o desenvolvimento económico do país ao serviço dos trabalhadores e do povo e uma política externa de paz e cooperação.

Tal pressupõe, face à UE, a exigência da «consagração institucional da possibilidade da reversibilidade e da alteração de acordos e tratados que regem a integração europeia, ajustando o estatuto de cada país à vontade do seu povo e à sua real situação, incluindo o direito à decisão soberana sobre a desvinculação da UE» 
(12).

A soberania e independência nacionais são uma questão central do nosso tempo, uma questão com comprovada e acutilante actualidade. A luta em defesa da soberania e independência nacionais são, face ao imperialismo, uma expressão da luta de classes, assumindo um incontornável conteúdo internacionalista e pondo em evidência a importância determinante do marco nacional para a luta de transformação social e a emancipação dos povos.

A experiência histórica da luta do movimento operário, dos trabalhadores e do povo português pela sua emancipação, a Revolução portuguesa – os seus avanços e recuos –, comprovam que a soberania e independência nacionais são condição para a salvaguarda da democracia; condição para o desenvolvimento do país e a concretização dos interesses e aspirações do povo português; condição para a livre escolha dos caminhos de cooperação entre países soberanos e iguais em direitos na Europa, de uma relação solidária e de paz com todos os povos do mundo; condição para o fim da exploração do homem pelo homem; para o socialismo.
blog Mafarrico vermelho



Cientistas criam vacina que protege contra todos os tipos de gripe


Hypescience - Cientistas estão realizando os primeiros procedimentos de segurança de uma vacina que deve te proteger contra todos os tipos de gripe – e tudo indica que ela poderá ser testada em pacientes já em 2013.

Os pesquisadores estão trabalhando com ratos, furões e macacos. A equipe "colocou" no sistema imunológico dos animais uma "base" de DNA da gripe. Eles acrescentaram um "reforço" constituído por uma vacina contra a gripe regular sazonal, o que aumentou e ampliou sua imunidade. A eficácia da vacina deve melhorar a cada ano até que, teoricamente, os beneficiários fiquem imunes à gripe.

A base da vacina veio de um vírus de 1999, mas foram gerados anticorpos que neutralizam vários subtipos de vírus de diferentes anos. Ratos e furões foram capazes de combater tanto vírus de datas anteriores a 1999, incluindo a "leva mortal" de 1934, como vírus de gripes de 2006 e 2007. A vacina também foi eficaz contra o H5N1, conhecido como "gripe aviária".

Essa abordagem abre uma nova porta para a vacinação da gripe, que seria semelhante à vacinação contra doenças como hepatite, na qual você se vacina no início da vida e aumenta a imunidade através de inoculações adicionais ocasionais na idade adulta.

Os vírus da gripe são conhecidos por sua habilidade de sofrer mutações e tornarem-se resistente às vacinas. Por exemplo, os anticorpos acertam como alvo um vírus em forma de pirulito. Mas a estrutura da cabeça da proteína do vírus se transforma rapidamente, então o anticorpo não o detecta. A nova vacina gera "anticorpos universais" que conseguem identificar o vírus pirulito mesmo nas suas variações. Dessa forma, o que se vê é uma vacina que será capaz de introduzir um anticorpo universal que ataca muitos tipos diferentes de vírus, o protegendo de praticamente todas as gripes.

Fonte: Diário Liberdade

HOJE NA HISTÓRIA - COM A PRESIDÊNCIA DE GORBACHEV ALTEROU-SE O RUMO DA UNIÃO SOVIÉTICA



Hoje na História: 1985, Mikhail Gorbachev assume a liderança da URSS


Opera Mundi - Secretário-geral do Partido Comunista reformularia política externa do país.

Coroando sua rápida ascensão na hierarquia do Partido Comunista, Mikhail Gorbachev é indicado em 11 de março de 1985 como o novo secretário-geral da União Soviética. Depois da morte de Konstantin Chernenko, comandaria seis anos de transformação radical da sociedade soviética e de sua política externa.

Chernenko permaneceu apenas 13 meses no poder. Tinha a saúde frágil quando foi indicado e seria o terceiro líder a morrer em apenas dois anos. Leonid Brejnev havia morrido em novembro de 1982, após 18 anos no Kremlin. Seu substituto, Yuri Andropov, morreu 18 meses depois, aos 69 anos.

A velocidade da nomeação de Gorbachev surpreendeu a população. Quebrando as tradições, anunciou, ao tomar posse, que as conversações de desarmamento com os norte-americanos seriam retomadas em Genebra.

Filho de camponeses, Gorbachev nasceu em 1931, perto de Stavropol, na Ucrânia. Em 1952, viajou para Moscou para graduar-se em direito. De volta à terra natal, passou a ser extremamente ativo nas políticas do partido, começando assim uma rápida ascensão na burocracia comunista. Parte de seu sucesso era devida à inteligência, vigor e capacidade de perceber e explorar oportunidades. Com o apoio de Andropov, foi eleito para o Comitê Central em 1971.

Na década seguinte, trabalhou duro para promover a sua própria carreira e apoiar o líder soviético Leonid Brejnev. Quando Brejnev morreu, Andropov assumiu o poder. O papel de Gorbachev no novo governo ampliou-se até a morte de Andropov. Era amplamente aceito que Gorbachev seria o seu sucessor, mas sua juventude combinada com suspeitas de possuía uma mentalidade excessivamente reformista levou à escolha de Chernenko. Gorbachev não teve de esperar muito por uma segunda chance, pois Chernenko morreu com menos de um ano no poder. Superou as resistências, tornando-se o novo líder da União Soviética.

No curso dos seis anos seguintes, conduziu a União Soviética por um vertiginoso processo de reformas domésticas e mudanças na política exterior. Relaxou a pressão política e liderou uma campanha pela reforma do cambaleante sistema econômico. Nas relações internacionais, lutou por diálogos com os EUA a partir da assinatura de tratados de redução de armamentos nucleares.

O ritmo da mudança, no entanto, pode ter sido rápido demais. No final dos anos 1980, o sistema soviético já mostrava evidentes rachaduras. Países da Europa Oriental proclamavam seu rompimento, várias repúblicas soviéticas pressionavam pela independência e a economia entrava em espiral descendente. Em dezembro de 1991, Gorbachev renuncia à presidência e a União Soviética deixa formalmente de existir.

Mudou radicalmente o curso da política externa soviética. Depois de visitar o Reino Unido, a primeira-ministra Margareth Thatcher afirmou: "gosto do Sr. Gorbachev. Podemos negociar juntos".

Deu início a uma política interna de abertura (Glasnost) e foi o arquiteto de profundas reformas econômicas (Perestroika). Contudo, essas políticas deram errado e levaram a uma severa penúria econômica. Era o cúmulo para os setores linha-dura. Em agosto de 1991, sobreviveu a uma tentativa de golpe apoiada por autoridades lideradas por Boris Yeltsin.

Em 25 de dezembro de 1991, Gorbachev renuncia. A bandeira soviética da foice e martelo seria hasteada pela última vez em 31 de dezembro.

Atualmente, é presidente da Cruz Verde, uma organização preocupada com a erradicação das armas químicas e biológicas. Sua mulher, Raisa, a única esposa de líder soviético a se tornar uma figura pública, morreu de leucemia em 1999.

Fonte: Diário Liberdade

Irene Rodrigues

Antropóloga desvenda comunidade chinesa em Portugal

Se há cerca de 30 anos atrás os chineses eram uma minoria exótica, hoje, as suas lojas e iniciativas estão em praticamente toda a parte. No entanto, que sabemos nós sobre esta comunidade estimada em mais de 20 mil pessoas de norte a sul do país? Porque vieram para Portugal? Como vivem entre nós? Como encaram a sociedade portuguesa? Tudo questões que colocámos à antropóloga Irene Rodrigues, 35 anos - docente no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade Técnica de Lisboa - uma das investigadoras que mais se tem dedicado a desvendar os segredos da China.
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Irene Rodrigues começou a estudar a língua chinesa em 1996. Em 1999 foi para a China, e viveu dois anos em Pequim. Mais tarde, a investigadora fez trabalho de campo em Wenzhou, e na comunidade chinesa na grande Lisboa. Começou em 2002 por estudar “histórias de mulheres chinesas” imigrantes para a sua tese de mestrado. Actualmente está a preparar o doutoramento sobre o “quotidiano” dos chineses em Portugal.
Resumidamente que me pode dizer sobre a comunidade chinesa em Portugal?
Irene Rodrigues: Em Portugal, a maior parte da população chinesa é oriunda de dois municípios muito específicos. Sem querer entrar em grandes percentagens, é seguro dizer que 80 a 85 por cento das pessoas dos municípios de Wenzhou e Qingtian, província de Zhejiang Sudeste da China. Nesta zona específica, as pessoas imigram para a Europa desde o século XIX.
O que acontece é que a partir de 1978, no pós-maoismo, este fluxo migratório começou a ter de novo uma grande intensidade. No início, tinha uma grande orientação para a França e para Itália. No nosso país, este fluxo começa em 1985, primeiro para a restauração, e depois para o comércio, com grande intensidade a partir de meados dos anos 1990.
Qual é o objectivo da imigração chinesa?
Os migrantes chineses vêm com o objectivo de fazer dinheiro ou juntar dinheiro (zhuanqian). São ideias muito antigas na cultura chinesa e que têm a ver com um ideal de prosperidade e de riqueza.
Isso é possível neste clima de crise?
As famílias que chegaram no final dos anos 1980 e 90 tiveram muito mais sucesso do que aquelas que vieram recentemente. Ainda há lojas e restaurantes que continuam a ser bem-sucedidos, mas isso tem a ver com os locais onde estão estabelecidos. Quem sofre mais com a crise é o comércio a retalho, as lojas mais pequenas. Claro que agora as pessoas gastam e compram menos e isso causa um impacto negativo. Mas antes deste cenário de crise, houve de facto uma grande saturação do mercado e eles próprios queixam-se da concorrência uns dos outros.
Como é que os chineses vêm os portugueses?
Eles conhecem mal os portugueses. Falam com os clientes e pouco mais. O que sei é que eles têm os seus próprios mitos sobre nós. Por exemplo, acham que não gostamos muito de trabalhar. E que os portugueses não ligam devidamente à família, não ligam aos filhos nem aos idosos. É claro que isto é influenciado por uma série de mitos que circulam na China sobre os ocidentais em geral. E não conhecendo, nem tendo um contacto próximo connosco, esses mitos continuam válidos porque não há nada que prove que estão errados…
Que lhe dizem sobre o nosso país?
De um modo geral, sei que os chineses gostam muito de viver cá, porque a sociedade portuguesa em comparação com as de outros países da Europa, está mais receptiva à sua presença. Sentem que são tratados com maior igualdade. Se calhar aqui não fazem tanto dinheiro, porque de facto, o país é mais pobre, mas o ambiente social é mais saudável. Eles apercebem-se disso, sobretudo os que têm experiencia de vida noutros lugares.
No entanto temos uma grande desconfiança para com eles…
Sim, mas isso é fruto do desconhecimento, tal como os chineses têm grandes dificuldades em confiar em estranhos e estrangeiros – e acho que é isso que faz com que se virem para dentro e não se dêem a conhecer. Toda a vida social chinesa é muito ritualizada, com práticas e formas de agir. As pessoas não precisam de falar, mas os actos têm muitos significados, é tudo muito simbólico. Um exemplo. Um chinês quando convida alguém para ir a sua casa, tenta deslumbrar o convidado. Nós portugueses, recebemos com alguma naturalidade. O chinês se calhar não interpreta essa atitude, não lhe faz sentido. Isto tem a ver com a própria natureza das relações sociais.
E em relação à família?
Há várias situações. Há famílias que optam por manter os filhos na China – ou em colégios internos ou com familiares, ou ambos - porque acham que dessa forma conseguem trabalhar mais e atingir os seus objectivos. Aqui em Lisboa, verifico que eles investem muito nos filhos, na sua educação formal. Colocam os filhos nos melhores colégios que conseguirem pagar e terem vaga, como em todo o tipo de actividades extracurriculares que os possam enriquecer enquanto pessoas com mais cultura – no sentido de conhecimento. São educados como crianças portuguesas, com quem passam a maior parte do tempo - e isto é interessante porque há a ideia generalizada de que o chinês não se acultura. Acontece sobretudo quando eles vêm que as suas crianças são boas na escola. Se não for o caso, tentam orientá-los para os negócios, aprender a gerir e a fazer dinheiro. A diferença está no facto de os pais promoverem a sua ligação afectiva à família e insistirem na aprendizagem da língua chinesa.
E como vêm a educação portuguesa?
Como sendo muito branda. Isto tem a ver com a realidade chinesa. É preciso ver que na China as crianças têm aulas mesmo aos sábados e domingos, quase não têm tempo para brincar ou descansar. Daí as perspectivas que eles têm sobre nós…
Enquanto antropóloga, acha que temos razões para temer os chineses?
Não. Os chineses são pessoas que vêm fazer a sua vida, com objectivos muito concretos, com projectos familiares. Não vejo diferença em qualquer outro migrante. É óbvio que há muita gente que está cá ilegalmente. Mas não vêm para roubar ou com objectivos ilícitos. Agora, o que é assustador é que o modelo económico que se criou na China parece estar a ganhar adeptos para ser implantado noutros locais do mundo. A China tem níveis de crescimento económico inimagináveis para a Europa, contudo sacrificou outras questões, as pessoas, por exemplo. E agora estamos a ver isso a acontecer aqui também.
Na sua opinião, os chineses vêm apenas com o objectivo de fazer um negócio, rentabiliza-lo e mais tarde regressar à China, ou vêm para ficar?
Os casos que eu conheço, não querem regressar. Não é muito fácil viver na China. A não ser que seja rico, dono de uma fábrica ou de um grande negócio, não se consegue ter uma vida assim tão boa. A desigualdade social na China é cada vez maior. Na minha opinião, isso é um motivo para a imigração, já que estas pessoas não vêm oportunidades no seu país.
Isso é uma consequência do próprio progresso da China?
Sim, obviamente. Durante muito tempo não havia ricos nem pobres. A diferenciação social era um pouco diferente, e tinha a ver com quem tinha poder político dentro do partido. Hoje não é assim. E portanto, a desigualdade da China faz também com que as pessoas sintam necessidade de sair porque não conseguem passar de um determinado nível.
Porque não vemos chineses terem uma vida social activa?
Não os vemos porque estão sempre a trabalhar.
Isso dá origem a uma série de mitos urbanos. Por exemplo, que não há funerais de chineses…
Isso é realmente um mito. Tem a ver com os medos. A questão da morte e do desaparecimento, e do que é que acontece aos corpos, é um mito que corre não só em Portugal, mas em toda a Europa. Eu própria já perdi duas pessoas amigas chinesas que estão sepultadas em jazigos em Lisboa.
Então e o roubo de órgãos nas lojas chinesas, que durante tanto tempo circulou na internet?
É uma metáfora para dizer que eles nos vêm dominar e "comer" a economia, pelo menos é assim que vejo estas coisas. Isso na altura causou algum pânico, e a polícia judiciária teve que esclarecer que não havia qualquer queixa. Penso que isso poderá ter tido origem na extrema-direita portuguesa.
Que pensam os chineses sobre o controlo da natalidade?
Há que ter em consideração que a mentalidade da China também já não é exactamente aquela que era quando foi implementada a política do filho único no início dos anos 1980. Hoje têm uma mentalidade de classe média, e portanto, se calhar dois filhos é o que pretendem ter. A longa prole tão típica da mentalidade chinesa já não é um objectivo. No entanto, as pessoas querem ter mais de um filho. Aqui em Portugal é-lhes mais confortável saber que estão à vontade, mas não é por isso que emigram. Também é verdade que querem muito ter um filho homem, mas não tratam mal as filhas, muito pelo contrário. Precisamente por causa da política de redução da natalidade, o aborto é livre na China. Em tempos, o infanticídio já foi uma prática comum.
Tem alguma percepção de marginalidade, criminalidade nesta população? Problemas de jogo?
Os chineses gostam muito de jogar e perdem às vezes muito dinheiro sem sequer irem ao Casino. Mas é preciso ter em atenção que o jogo é muito malvisto entre os chineses porque é considerado um vício. O indivíduo que joga, no sentido da aposta, põe em risco a sua família e portanto isso não é algo que moralmente seja bem visto.
Numa outra entrevista sua, alguém comentou que nunca viu um mendigo chinês…
Bem, se nós pensarmos que existe um mercado de trabalho chinês, os patrões chineses procuram muito e dão preferência a pessoas do seu país. Não é de todo difícil para um chinês arranjar trabalho em Portugal. Não é mesmo nada difícil. Portanto, só mendiga, se calhar quem quer. E isso também é muito malvisto. Os chineses são no geral, pessoas de um grande sentido moral e ritual.
É difícil para um chinês legalizar-se em Portugal?
Diria que não é muito difícil, pelo menos do conhecimento que tenho de alguns casos de pessoas que vieram sem papéis e passaram vários anos a trabalhar e foram tentando legalizar-se assim que puderam. Penso que o Estado Português tem uma política de grande abertura. Se as pessoas demonstrarem boa-fé, haverá oportunidade. Um chinês que chegue a Portugal de forma ilegal vai logo à procura de trabalho porque tem de sobreviver. Se vai procurar trabalho e não está legalizado, não pode fazer descontos para a Segurança Social, nem paga uma série de impostos que faria em situação legal. Portanto, não está a contribuir para o país como poderia. Assim sendo, a regularização é benéfica.
Está demonstrado em vários países, em vários casos que o facto de as pessoas não terem papéis ou não estarem regularizadas não as impede de entrar, nem impede que trabalhem. Torna é a sua integração mais difícil e até prejudica o país. Não é por aí que deveremos ir, porque as coisas auto-equilibram-se. Os chineses são muitíssimo pragmáticos. Se não arranjarem trabalho, vão para outro sítio. Não é por estarem legalizados aqui ou ali que eles deixam de se mover.
Isso é incrível, dadas as barreiras idiomáticas e culturais….
Sim. É uma coisa engraçada. Os chineses têm um conceito de Europa mais europeu do que o nosso. Eles estão perfeitamente cientes que não há fronteiras, e mesmo sem papéis, sabem que estão à vontade dentro do espaço Schengen. Têm um sentido que o espaço está aberto e que a fronteira é muito forte de fora para dentro, mas uma vez cá dentro circula-se com facilidade.
Quando aborda a questão dos direitos humanos que lhe dizem?
Não é uma questão que aborde, pois não tem a ver com a minha temática. Posso talvez abordar esses temas de uma forma indirecta, por exemplo, quando questiono o aborto. Ninguém gosta de fazer um aborto e os chineses também não. Na China, as pessoas com quem falei, desagrada-lhes a política do filho único e às vezes isso não os impede de ter um segundo filho com todas as consequências que isso implica – multas e desemprego.
Há alguma imprensa chinesa em Portugal?
Sim. Há o jornal Sino - Pu Hua Bao (www.puhuabao.com) que é o mais antigo, e também o ibérico Pu Xin Bao que é publicado conjuntamente com Hua Xin Bao - Periódico Chino (Espanha).
O que dizem o seus colegas académicos sobre este seu objecto de estudo?
Bem, o meu objectivo é mostrar como são os chineses que no fundo, são pessoas como nós. É evidente que têm as suas idiossincrasias, mas isso não faz com que deixem de partilhar muito com todas as outras pessoas enquanto seres humanos.
Última pergunta: que aprendeu até hoje com o seu contacto com os chineses?
Imenso. Olhe, aprendi sobre a noção que eles têm de amizade, que tem a ver com ligações longas no tempo e bem cimentadas. É uma ideia se calhar, parecida aquela que temos durante a nossa juventude. Outra coisa é que eles pensam muito no futuro, mais do que no presente. Infelizmente, é algo que nós perdemos em Portugal, pois hoje as amizades são superficiais e há muito que deixámos de pensar no futuro - ou não teríamos o país na situação em que está.
jornalAlgarve123