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sábado, 10 de março de 2012



Absurdo!...

Internet/ Salvador Dalí
Que coisa absurda e magoada
Se instalou em mim...

E eu deixei?
Não, não deixei...

Se instalou e não disse nada
E não disse, por favor...

Não disse não
Isso sei...

Desenhou sentimentos
Misturados de cor e de lamentos...

Isso misturou
Eu sei...

Comandou a vida
A minha vida...

Me amordaçou
E me transformou...

Em momentos pobres e doloridos
Me desfez em pedaços partidos...

A minha alma voou
E a dor continuou
E não me abandonou nunca...

Me manipulou
E me levou a outras vidas...

Onde está a minha vida?


Maria Luísa

ESTA É UMA POSTAGEM DO BLOG TIA ANICA DE LOULÉ, BLOG DO QUAL SOU SEGUIDOR E ACONSELHO, QUANTO AO DOUTOR BOTA NÃO LHE DOU CRÉDITO ALGUM POIS TAL COMO NAS PORTAGENS OS LARANJAS TÊM TODOS DUAS CARAS, HOJE CRITICAM E DEPOIS SEGUEM O PARTIDO (O QUE NÃO ME ADMIRA NADA POIS É A ESSÊNCIA). DESDE A PRIMEIRA NOTÍCIA QUE TENHO VINDO A ALERTAR PARA O DESASTRE DESTE CRIME QUE QUEREM CONSUMAR NO NOSSO ALGARVE.



Exploração de Petróleo e Gás Natural na costa Algarvia.

Com a devida vénia transcrevo um comentário do João Martins do bloguehttp://macloule.blogspot.com/ e que li aqui: http://www.daserraaomar.com//

O doutor Bota tem carradas de razão: “A indústria do petróleo venceu! Há que reconhecê-lo. A indústria do petróleo instalou-se no Algarve para comer marisco – lavagante, santola, gamba, lagosta e lagostim” ao mesmo tempo que as praias do Algarve se candidatam à distinção das mais maravilhosas praias que habitam por aí. A sociedade Algarvia está a demorar a reagir. As portagens na A22 ao pé da exploração de petróleo na costa Algarvia são uma brincadeira de crianças. As Associações Ambientais no Algarve andam entretidas com coisas menores e não se fazem ouvir. Dos empresários do turismo fica-se com a sensação que estão à espera de aproveitar mais uma "oportunidade de negócio" em torno do Turismo Petrolifero. Dos partidos políticos e dos deputados da região sobra o doutor Bota e mais um ou outro político ainda distraído. As elites dominantes do Algarve andam entretidas com os seus umbigos. As associações de empresários, como é do costume devem andar à procura das tais excepções aberrantes que lhes podem trazer alguma vantagem específica. A blogosfera "acha" que é necessário "ainda" fazer estudos sobre "riscos ambientais". Os jornais locais fazem deste drama uma notícia menor como quaisquer outra e a sociedade civil Algarvia como é hábito vai acordar tarde e a más horas. Perante a desgraça que se anuncia decidi fazer uma petição pela suspensão imediata da exploração de petróleo e gás natural na costa Algarvia, colocá-la on-line e divulgá-la pela blogosfera do centro do Algarve e pelo facebook. Ao fim do primeiro dia de divulgação assinaram doze pessoas. Sim, a divulgação ainda é frágil mas já deu para perceber que o Algarve está entregue aos bichos e os algarvios recusam-se a tomar o seu destino nas próprias suas mãos. Atira-te ao mar Toino e mergulha no petróleo.


Pode assinar a petição pela suspensão imediata da exploração do Petróleo e do Gás Natural no Algarve aqui: http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N21659
Blog Tia Anica de Loulé




Governo alemão acaba com rendimento mínimo para cidadãos de outros países da UE


Esquerda - O porta-voz do Ministério do Trabalho e dos Assuntos Sociais, Jens Flosdorff, anunciou esta sexta-feira que o governo não irá autorizar a atribuição do rendimento social de inserção alemão a cidadãos de outros países da União Europeia (UE).

Mediante decisão favorável por parte do Tribunal Federal Social Alemão a um requerimento apresentado por uma cidadão francês, o Hartz IV, prestação social alemã equivalente ao rendimento social de inserção, tem vindo a ser atribuído desde 2010 aos cidadãos mais desfavorecidos, que se encontram a residir na Alemanha, oriundos de alguns países da UE , mas também de outros Estados, como a Turquia, ao abrigo do Acordo Europeu de Proteção, assinado em 1953.

A atribuição desta prestação social a cidadãos oriundos de outros países da União Europeia, tais como Grécia, Portugal e Espanha, será, contudo, vetada a partir de agora pelo governo alemão.

O porta-voz do Ministério do Trabalho e dos Assuntos Sociais, Jens Flosdorff explica que a Alemanha precisa “de imigrantes qualificados, que aqui trabalhem e descontem para a previdência social”, mas realça que “a cultura de boas-vindas não significa um convite à imigração” para os sistemas sociais alemães.

Os beneficiários do Hartz IV, além de uma prestação pecuniária mensal de 374 euros, usufruem de outros subsídios destinados, por exemplo, ao pagamento da renda de casa e aquisição de roupa e mobiliário e vestuário.

Foto de Paulete Matos

Fonte: Diário Liberdade


Cabul no fio da navalha


Diário Liberdade - [M K Bhadrakumar, Asia Times Online] 28/02/2012. A morte em Cabul, no sábado (25/02/12), de dois oficiais norte-americanos de alta patente – um coronel e um major – servindo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) marcará mudança paradigmática na segurança regional.

O Afeganistão continua a ser o "hot spot" número 1 dos EUA, acima de Síria e Irã.

Se o presidente Barack Obama pensou que fosse hora de os militares norte-americanos "derivarem" [orig. pivot] na direção da Ásia-Pacífico, foi pensamento delirante. Os Talibã ainda têm muito o que dizer na campanha para a reeleição de Obama; a estratégia de conversações de paz com os Talibã exigirá exame detalhado e atento.

A possibilidade de os EUA conseguirem estabelecer bases militares no país parece muito duvidosa, ante o tsunami de antiamericanismo que varre o Afeganistão. E, em termos imediatos, o que está acontecendo no processo de retirada das tropas dos EUA?

O embaixador dos EUA em Cabul, Ryan Crocker, respondeu sem hesitar em entrevista à CNN no domingo:

"As tensões estão muito altas por lá. Acho que precisamos esperar que as coisas se acalmem, que voltem a uma atmosfera mais normal e, depois, voltamos ao assunto".

Diplomatas são pagos para soarem otimistas. Mas, afinal, o que garante que as coisas de fato se acalmem – e, mais importante, por quanto tempo perdurará a calma dos cemitérios, até que chegue o próximo cortejo fúnebre?

Crocker acrescentou:

"Não é hora para decidir que a missão acabou por aqui. De fato, temos de redobrar nossos esforços. Temos de criara uma situação em que a al-Qaeda não volte. Se agora resolvemos que cansamos, a al-Qaeda e os Talibã ainda não cansaram".

Hmm. Agora se vê que Crocker falava diretamente ao público eleitor.

Obama errou ao deixar o Afeganistão aos cuidados do Departamento de Estado e dos seguidores do falecido Richard Holbrooke. Muito claramente, as "desculpas" pelos livros do Corão incinerados por soldados norte-americanos nem de longe impressionaram os afegãos. Houve mais de 30 mortos na violência, entre os quais meia dúzia de soldados dos EUA. E pelo menos outros seis instrutores militares norte-americanos foram feridos.

O consulado dos EUA na cidade ocidental de Herat, cominada pelos tadjiques, foi atacado. Bases norte-americanas, francesas e norueguesas foram atacadas, inclusive numa região relativamente calma como a província de Samangan no norte. Manifestantes invadiram os escritórios da ONU na cidade de Kunduz, onde vive população mista de pashtuns, uzbeques e tadjiques. Nenhuma região do Afeganistão pode ser considerada segura, nem a cidade de Taloqan, dominada pelos tadjiques, no sopé das montanhas Badakhshan no leste.

Surgem inúmeras questões políticas. O principal comandante dos EUA, general John Allen ameaçou: aquelas matanças do sábado teriam sido ação de "um covarde que não escapará sem punição". Mas nada significa, nem aqui nem lá; falou exclusivamente para consumo dos soldados da OTAN. Washington tem de andar sobre um fio tênue entre o dever de agir e o dever de jamais se exceder.

Morrer pela religião

Por outro lado, o aspirante a candidato à presidência Newt Gingrich zombou de Obama, que se teria apressado a pedir "desculpas" pela queima dos livros e teria ignorado a morte de americanos, por bandidos do exército afegão.

É importante que os soldados norte-americanos não se envolvam em "matanças de vingança". Allen teve de acorrer pessoalmente a uma base avançada dos EUA na província de Nangarhar, para acalmar os soldados. Não estamos no cenário no qual Francis Ford Coppola filmou o épico Apocalypse Now da guerra do Vietnã. Mas já quase se ouve a "Cavalgada das Valquírias", tocada nos alto-falantes dos helicópteros norte-americanos.

Não por acaso, só no domingo o presidente Hamid Karzai do Afeganistão quebrou o silêncio e pediu calma. Sabiamente, esperou que os protestos seguissem o próprio curso. Finalmente, Karzai disse, numa conferência de imprensa, que os protestos haviam mostrado que o povo afegão está disposto a morrer por sua religião. Exigiu que os soldados que queimaram o Corão fossem punidos e prometeu tratar da questão com Obama.

Obama telefonou a Allen depois das matanças do sábado, mas não telefonou a Karzai. Karzai também deixou que o ministro da Defesa Abdul Wardak falasse com seu contraparte nos EUA, Leon Panetta, e tratasse o caso como questão entre militares.

Washington parece sentir que Karzai deveria ter agido mais cedo, para reduzir os protestos. A secretária de Estado Hillary Clinton disse, no sábado, que os protestos "têm de acabar". Verdade é que os mortos da tarde de sábado tornam ainda mais complicada o já volátil relacionamento entre Washington e Cabul.

Haverá dúvida muito disseminada na cabeça dos norte-americanos sobre o soldado afegão. Um afegão armado numa base militar sempre é suicida-bomba potencial. Um veterano general afegão disse à BBC que "o vírus da infiltração espalhou-se como câncer e exige cirurgia. Nenhum outro tratamento deu qualquer resultado". Está prestes a ser completamente desmoralizado todo o projeto de "construir capacidade" na segurança afegã.

No clima atual, nem uma relação normal de trabalho entre forças dos EUA e do Afeganistão será fácil. O que significa que a "avançada" [orig. surge] e a estratégia de retirada do Pentágono; a consequente entrega da responsabilidade pela segurança às forças afegãs; e o fim da missão da OTAN em 2014 – tudo isso está em cacos.

Washington e Londres decidiram, quase instantaneamente, retirar seus instrutores e conselheiros que trabalhavam em ministérios e órgãos do governo afegão. Mas a decisão implica paralisar o trabalho efetivamente coordenado de operações de segurança em andamento, apoio técnico e partilhamento de inteligência, o que, por sua vez, faz aprofundarem-se as incertezas.

Aliados da OTAN assistem a tudo isso. Os alemães já fecharam sua base em Taloqan no nordeste do Afeganistão. Cada membro da OTAN dedica-se hoje a buscar meios para minimizar o risco de ver morrer seus jovens, homens e mulheres, numa guerra sem sentido. O presidente Nicolas Sarkozy já ameaçara com sumária saída dos franceses, e teve de ser convencido a mudar de ideia. Obama tem pouco tempo, agora que a OTAN prepara-se para as comemorações dos 60 anos, na reunião de cúpula em Chicago, em maio.

Hora de partir

Obama terá de tomar decisão dramática, sobre conversas de paz com os Talibã, que reivindicaram claramente a autoria das mortes em Cabul. Obama liberou seus "especialistas em Afeganistão" da equipe do falecido Holbrooke, para que batam em todas as portas e vasculhem cada palmo de bosque, na caçada a emissários dos Talibãs ainda interessados em conversações de paz. A frase que Clinton cunhou – "Combater, conversar, construir" – já diz tudo.

Os Talibã abraçaram apaixonadamente o plano Clinton – pelo que se vê, mais e melhor do que os americanos jamais imaginaram. O porta-voz Mulá Qari Mohammed Yousef Ahmadi revelou essa semana, em entrevista ao jornal saudita Asharq al-Awsat, a interessante novidade de que os Talibã já planejam abrir novos "escritórios políticos", depois do já inaugurado no Qatar, em resposta a convites que receberam da Arábia Saudita, Líbia, Turquia, Egito "e de todos os lados". Quanto mais escritórios, melhor.

Aonde tudo isso está levando? Em retrospecto, o envolvimento unilateral dos EUA no processo de reconciliação afegão foi completo erro. O papel dos EUA dever-se-ia ter limitado a dar assistência a negociações exclusivamente entre os afegãos.

Mas, calma. Os Talibã realmente fizeram aquilo? O coronel e o major foram mortos, um tiro em cada nuca, no local de trabalho, um dos complexos mais fechados, vigiados e protegidos de todo o Afeganistão. Na sala, havia câmeras de vigilância sempre acionadas e portas e fechaduras especiais.

O assassino só chegou até eles porque teve passagem livre, acesso liberado até os mais altos níveis da hierarquia da segurança; ou não entraria naquela sala. O general Carsten Jacobsen, porta-voz da Força de Assistência Internacional de Segurança disse que:

"...as perguntas agora são como [o assassino] chegou àquele setor do ministério do Interior, local de tão alta segurança; o que o (ou a) teria motivado a matar a sangue frio".

O ministério do Interior é chefiado por Bismillah Khan, do Panjshir. Sempre foi homem da Aliança do Norte, com impecáveis credenciais anti-Talibã. E o prédio vivia cheio de panjshiris (tadjiques), que sempre se opuseram implacavelmente aos Talibã.

Muito significativamente, Karzai recusa-se a acusar os Talibã e o Paquistão. "Não sabemos quem fez isso, se é afegão ou estrangeiro" – disse como se falasse em código, no domingo, indiferente às descobertas instantâneas do Ministério do Interior, segundo as quais o crime teria sido obra de um motorista de 25 anos de nome Abdul Saboor, oriundo do Vale Salaang, que desapareceu.

Abdul Saboor é nome tadjique muito comum. Salaang é próxima do vale Panjshir. E muitos grupos da Aliança do Norte também têm dados sinais de profundo desagrado com o estilo norte-americano de construir a paz.

De fato, os métodos que os norte-americanos adotaram, ao longo do último ano, de contato direto (e clandestino) com os Talibã, exacerbaram muito a fragmentação já existente dentro do Afeganistão.

No sábado, até o vice-presidente Karim Khalili, que sempre trabalhou bem com os norte-americanos, já dava sinais de impaciência:

"O processo [de paz] pode ter sucesso, se for conduzido com transparência, de modo que os afegãos confiem no processo".

Não há dúvidas, o chão do Hindu Kush altera-se perigosamente sob os pés dos norte-americanos. Os britânicos tampouco estavam preparados para a insurreição em Cabul, em novembro de 1841. Não perceberam o que significava a multidão que cercou a Villa onde Sir Alexander Burnes morava em Cabul. O diplomata britânico tentou oferecer dinheiro à multidão. Nada conseguiu. A multidão invadiu a casa e ele e seu irmão ambos assassinados.

Os britânicos finalmente entenderam que era mais que hora de deixar o Afeganistão, quando seu acantonamento em Cabul foi cercado, um mês depois. Então, até a retirada organizada já se tornara problemática.

M K Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu, Asia Online e Indian Punchline.

Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu.

Fonte em português para esta versão: Redecastorphoto.

Imagem: Hamid Karzai, presidente do Afeganistão.

Fonte: Diário Liberdade

FOTOGALERIA - ANIMAIS E PESSOAS, ENTRE O REAL O SURREAL E O BIZARRO - (parte 1) DIVIRTA-SE !






































Pablo Neruda: Os Comunistas



                                                     O poeta comunista Pablo Neruda



Passaram-se alguns anos desde que ingressei no partido... Estou contente... Os comunistas formam uma boa família... Têm a pele curtida e o coração moderado... Por toda parte recebem golpes... Golpes exclusivos para eles... Vivam os espíritas, os monarquistas, os anormais, os criminosos de todas as espécies... Viva a filosofia com muita fumaça e pouco fogo... Viva o cão que ladra e que morde, vivam os astrólogos libidinosos, viva a pornografia, viva o cinismo, viva o camarão, viva todo o mundo, menos os comunistas... Vivam os cintos de castidade, vivam os conservadores que não lavam os pés ideológicos há quinhentos anos... Vivam os piolhos das populações miseráveis, viva a fossa comum gratuita, viva o anarco-capitalismo, viva Rilke, viva André Gide com seu coridonzinho, viva qualquer misticismo... Está tudo bem... Todos são heróicos... Todos os jornais devem sair... Todos podem ser publicados, menos os comunistas... Todos os políticos devem entrar em São Domingos sem algemas... Todos devem celebrar a morte do sanguinário, de Trujillo, menos os que mais duramente o combateram... Viva o carnaval, os últimos dias de carnaval... Há disfarces para todos... Disfarces de idealista cristão, disfarces de extrema esquerda, disfarces de damas beneficentes e de matronas caritativas... Mas cuidado: não deixem entrar os comunistas... Fechem bem a porta... Não se enganem... Eles não têm direito a nada... Preocupemo-nos com o subjetivo, com a essência do homem, com a essência da essência... Assim estaremos todos contentes... Temos liberdade... Que grande coisa é a liberdade!... Eles não a respeitam, não a conhecem... A liberdade para se preocupar com a essência... Com o essencial da essência...



Assim têm passado os últimos anos... Passou o jazz, chegou o soul, naufragamos nos postulados da pintura abstrata, a guerra nos abalou e nos matou... Tudo permanecia o mesmo... Ou não permanecia?... Depois de tantos discursos sobre o espírito e de tantas pauladas na cabeça, alguma coisa ia mal... Muito mal... Os cálculos tinham falhado... Os povos se organizavam... Continuavam as guerrilhas e as greves... Cuba e o Chile se tornavam independentes... Muitos homens e mulheres cantavam a Internacional... Que estranho... Que desanimador... Agora cantam-na em chinês, em búlgaro, em espanhol da América... É preciso tomar medidas urgentes... É preciso bani-lo... É preciso falar mais do espírito... Exaltar mais o mundo livre... É preciso dar mais pauladas... É preciso dar mais dólares... Isto não pode continuar... Entre a liberdade das pauladas e o medo de Germán Arciniegas... E agora Cuba... Em nosso próprio hemisfério, na metade de nossa maçã, estes barbudos com a mesma canção... E para que nos serve Cristo?... Para que servem os padres?... Já não se pode confiar em ninguém... Nem mesmo nos padres. Não vêem nossos pontos de vista... Não vêem como baixam nossas ações na Bolsa...


 
Enquanto isso sobem os homens pelo sistema solar... Deixam pegadas de sapatos na Lua... Tudo luta por mudanças, menos os velhos sistemas... A vida dos velhos sistemas nasceu de imensas teias de aranha medievais... Teias de aranha mais duras do que os ferros das máquinas... No entanto, há gente que acredita numa mudança, que tem posto em prática a mudança, que tem feito triunfar a mudança, que tem feito florescer a mudança... Caramba!... A primavera é inexorável!

Pablo Neruda - Confesso que vivi
Editora Círculo do Livro S.A.

www.blogdocarlosmaia.blogspot.com 


Aviso: Cavaco ficará na história

Cavaco ficará na história pela sórdida economia política e moral que instituiu no país: de Maastricht ao BPN, ou seja, à reconstrução política do capital financeiro. Os governos que lhe sucederam acrescentaram breves notas de rodapé dissonantes no campo social e nada mais. Cavaco ficará na história por, já PR, ter tentado naturalizar os mercados financeiros, liberalizados durante o seu governo, numa fase em que as suas tendências destrutivas eram já claras para todos. Ficará na história por ter aceite a austeridade recessiva, por ter feito, até às eleições de 2011, um discurso pacóvio e estreito sobre uma crise que era supostamente nacional, na sua visão e na dos economistas incompetentes e interesseiros que patrocinou. A crise de um euro disfuncional só foi descoberta tarde demais. Cavaco ficará na história por não ter, em 2010, feito nada para ajudar a forjar uma aliança das periferias por forma a evitar intervenções externas guiadas pelos interesses dos credores. Ficará na história pelo seu autismo social, pelo dinheiro que nunca chega, por uma arrogância que só tem paralelo no mais estreito calculismo político, numa flagrante falta de memória, numa lata sem fim. Em suma, uma história desgraçada na qual ficará em lugar de destaque.

SELECÇÃO DE POEMAS ILUSTRADOS DE ANTÓNIO GARROCHINHO







a casa
onde se pode respirar
onde se pode amar ao ar livre
onde o nosso olhar
vai na asa da águia
onde as aves nos cantam melodias
onde o nosso coração vive
onde a paisagem
nos surprendende todos os dias
está
na Natureza
sábia !

António Garrochinho







Manso demite o marido em 48h

Ana Manso, presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, nomeou para auditor interno daquela unidade hospitalar o marido, Francisco Pires Manso. A decisão causou grande polémica no hospital e na Assembleia da República. Ao final da tarde de ontem, a responsável recuou, e demitiu o marido, "para assegurar todos os critérios de transparência que se exige às instituições e aos dirigentes de cargos públicos", disse.

Por:Luís Oliveira


"É um verdadeiro escândalo. O PS ficou estupefacto quando teve conhecimento da nomeação, por demonstrar um claro favoritismo familiar", disse o deputado António Serrano, coordenador do grupo parlamentar do PS para as questões da Saúde.
Ana Manso emitiu quinta-feira uma circular interna em que deu conhecimento da nomeação do administrador hospitalar Francisco Pires Manso para auditor interno da Unidade Local de Saúde da Guarda.
Ontem, num primeiro momento, a responsável optou por não fazer declarações, mas depois recuou e demitiu o marido.
Antes disso, em comunicado, o conselho de administração desvalorizou as críticas e elogiou a experiência profissional de Francisco Manso. "Só o desconhecimento da lei, a má-fé ou a vontade de criar um caso político pode levar a proferir declarações que distorcem os factos", lê-se no comunicado, em que se adianta que o administrador hospitalar Francisco Manso é quadro da Unidade Local de Saúde da Guarda, pelo que "o conselho tinha que lhe atribuir funções, estas ou outras".
Esta nomeação é o segundo caso polémico na ULS da Guarda nas últimas semanas. O outro refere-se a Miguel Martins, vogal do conselho, que está a ser investigado pela Inspecção-Geral das Actividades de Saúde por suspeita de peculato. Terá usado o cartão frota do carro que lhe está atribuído para atestar a viatura particular.
PERFIL
Ana Maria Sequeira Mendes Pires Manso, 56 anos, é licenciada em Economia com pós-graduação em Administração Hospitalar. Foi deputada do PSD em três legislaturas e candidata à presidência à Câmara da Guarda. Lidera a ULS da Guarda desde Janeiro.
CM




DÉCIMAS «O OUTRO EU» POR MATIAS JOSÉ

«O Outro Eu»
Retrato de JPGalhardas

MOTE
(Inspirado no mote de Francisco José Bexiga)

Dentro de mim são dois quem mora
Às vezes só um dentro quer estar
Quando um pensa sair p’ra fora
Logo o outro pensa não abalar.

Glosas

1ª 
Penso ter dois dentro de mim
Sempre em grande contradição
Se um deles diz ser assim
 Logo o outro pensa que não.
 Sinto em ambos agitação
Um desejando ir-se embora
O outro não perdendo p’la demora
Diz então querer ficar,
Deus deu-me este rico par
Dentro de mim são dois quem mora.

2ª 
É duplamente desigual
Não sei p’rá onde pender
Parece-me uma cena irreal
Nenhum se querer entender.
Se um fala que quer morrer
Está o outro p’ra contrariar
Vivo assim uma vida a dobrar
Como descrevo, foi dado o mote,
Tirar entre dois um à sorte
Às vezes só um dentro quer estar.

3ª 
Nem p’la noite, se adormeço,
Me livro desta dupla sequela
Um deles em profundo descanso
O outro desperto abrindo a janela.
Fica então de sentinela
Tic-taque, hora após hora,
Só um dos dois dentro mora
O outro anda a vaguear,
Que triste este meu penar
Quando um pensa em sair p’ra fora.

 
Eu bem tento meter na ordem
Estes dois que tenho cá dentro
Mais certo  haverá desordem
Por querer uni-los ao centro.
Sem encontrar um epicentro
Que os ponha a concordar
Resolvo finalmente abandonar
 À sorte, estes dois em mim,
Um dia isto há-de ter um fim
Logo o outro pensa não abalar.

Matias José
blog Poet´anarquista