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segunda-feira, 5 de março de 2012

A CANÇÃO DA FOME

Prezado senhor e rei,
Sabes a notícia grada?
Segunda comemos pouco,
Terça não comemos nada.

Quarta sofremos miséria,
E quinta passámos fome;
Na sexta quase nos fomos -
Não se aguenta quem não come!

Por isso vê se no sábado
Mandas cozer o pãozinho,
Senão no domingo, ó rei,
Vamos comer-te inteirinho!

Poema de Georg Weerth (1822-1856), traduzido por João Barrento.




Crítica da crítica ao "socialismo real"


Socialismo Científico - [Diego Grossi] O termo socialismo real tem sido utilizado vulgarmente, tanto por pesquisadores quanto em sala de aula, para se referir aos processos revolucionários dos países que implementaram o socialismo ao longo do século XX.

Geralmente com grande carga de propaganda negativa, o termo ignora o referencial teórico/ ideológico dessas próprias experiências, guiadas pelas contribuições de Marx, Engels e Lenin.

Desde o surgimento das sociedades de classes, surgiram em diferentes povos, pensadores com idéias baseadas na divisão das riquezas e no equilíbrio econômico-social de todas as pessoas, essas idéias ganham corpo e força com o advento da Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX, já que com o surgimento de um novo sujeito histórico, a classe trabalhadora, surgia também uma nova força social capaz de colocar essas idéias em prática. Surgem então novos pensadores (Owen, Proudhon, etc.) que retomam esse ideal de justiça social plena, guiando teoricamente a luta popular contra a exploração característica do modo de produção capitalista. Porém, apesar da dedicação e das boas intenções, essas idéias socialistas careciam de fundamentos científicos, estes pensadores idealizavam uma sociedade perfeita, mas viável apenas em suas cabeças. No entanto, na segunda metade do século XIX, a luta dos trabalhadores se eleva a um novo patamar. O aprofundamento do desenvolvimento do capitalismo e o acirramento da luta de classes lança novos elementos que serão estudados por 2 pensadores alemães, Friederich Engels e Karl Marx, cujos resultados serão difundidos entre o movimento operário principalmente através da Associação Internacional dos Trabalhadores, a I Internacional e também (durante certo tempo, até sua falência ideológica no início do século XX) pela II Internacional.

Em 1880 Friederich Engels escreve a obra "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico", no qual descreve todo o desenvolvimento histórico por trás do surgimento das teorias socialistas e apresenta as diferenças fundamentais entre a sua linha de pensamento (desenvolvida junto a Karl Marx) e de todos os outros autores precedentes, demonstrando a superação das idéias pré-marxistas pela ciência do materialismo dialético.

As bases do Socialismo Científico não são compostas apenas de boa intenção, ou idéias mirabolantes sobre um "paraíso na Terra", mas sim por conclusões conquistadas através de uma análise científica da humanidade, seu desenvolvimento histórico, o pensamento filosófico, suas características biológicas, as leis que regem a economia capitalista, etc. E como ciência, essa corrente está sim aberta à novas contribuições, à correções. Em momento nenhum Marx e Engels criaram um modelo de sociedade para ser aplicado mecanicamente, mas sim elaboraram linhas gerais (expostas principalmente no Manifesto Comunista de 1848 e em O Capital) que deveriam guiar os trabalhadores na luta contra o capitalismo e pela socialização plena dos meios de produção e do poder político. O Socialismo Científico não é e jamais foi uma espécie de dogma.

O termo "Socialismo Real" ignora isso, pois apresenta como uma grande inovação a diferenciação entre o pensamento marxiano (composto estritamente pelas obras de Marx) e os regimes marxistas (guiados pelas idéias de Marx, mas não restritos ao mesmo). Mostra-se o óbvio como se fosse algo novo e ainda por cima de forma distorcida, reinventam a roda, mas composta por 4 lados iguais ao invés de um círculo.

O caráter equivocado desse termo fica ainda mais perceptível quando chegamos aos seus fins. No geral, quando falam de "Socialismo Real", citam como suas características o unipartidarismo, a repressão, a "boa vida dos dirigentes em contraste com os direitos do povo" e até mesmo os absurdos mais clássicos, como "médico e lixeiro ganham igual e por isso o povo é estimulado a ser vagabundo", "não existe variedade de roupas", etc. Fazendo um misto entre 75% de mentiras e 25% de descontextualizações (que já foram suficientemente refutadas e podem ser encontradas por qualquer um com boa vontade, até mesmo com a leitura das Constituições das nações socialistas).

O incrível é que no próprio conteúdo escolar a posição exposta por Engels na obra citada é amplamente aceita, sendo parte do programa tradicional a diferenciação entre o Socialismo Utópico e o Socialismo Científico, mas ainda sim, (geralmente quando se fala em Guerra Fria), pouco tempo depois fazem essa distinção entre o Socialismo Ideal, teoria de Marx e Engels, das experiências edificadas nos países socialistas, concluindo de maneira embusteira a suposta falência dos ideais de Marx e Engels e a suposta traição dos processos vitoriosos.

Qualquer ciência está exposta à adaptações, inclusive, superações só são possíveis pelo fato de haver uma série de contribuições anteriores. É ridículo apresentar um suposto rompimento entre os países socialistas e a obra de Marx e Engels, até pelo fato dos mesmos terem sido enfáticos sobre o caráter científico, não dogmático e histórico de suas produções intelectuais. Seria como se em Biologia qualquer nova descoberta sobre a evolução da humanidade ou de qualquer outra forma de desenvolvimento biológico, fosse apresentada como uma comprovação dos "erros" de Darwin.

Esse suposto equivoco não passa de reprodução da propaganda estadunidense durante a Guerra Fria, pois além das falhas já citadas, trás uma forma covarde de combate intelectual, não negando a "boa vontade" e a "genialidade" de Marx e Engels, mas contrapondo-as à materialização dessas idéias, fugindo da discussão sobre os fundamentos científicos desses autores (já que os ideólogos burgueses foram e são incapazes de refutá-los) e tendo como alvo os processos revolucionários que por serem vivos, estão sujeitos à falhas como qualquer outro evento histórico, planejado ou não. Tentam reproduzir a polêmica entre um socialismo ideal e o que pode ser colocado em prática ignorando que isso já fora feito com a fundamentação do Socialismo Científico pelos 2 autores alemães.

Infelizmente, muitos ainda reproduzem essa idéia de maneira inocente, sem a intenção de fazer propaganda pró-capitalismo, mas a conclusão que podemos tirar da luta da ciência contra a utopia travado dentro do movimento socialista é um velho ditado: De boas intenções o inferno está cheio.

Fonte: Diário Liberdade

CAMINHADA - A NOITE - NO FUMO - POEMAS DE ANTÓNIO GARROCHINHO






As máfias os padrinhos e o poder económico em Portugal

Zangam se as comadres conhece-se a verdade.

Ongoing e o grupo Balsemão têm estado  há muito em rota de colisão.
Publicamos uma interessante peça demonstrativa de como o poder económico actua no país.
Mas esta é apenas uma peça
Publicamos artigo de Nicolau Santos no ùltimo Expresso
«A excelente investigação da jornalista Cristina Ferreira do "Público" sobre a Ongoing permite chegar a algumas conclusões. 
1) A Heidrich & Struggles foi o cavalo de Troia, através do qual a dupla Nuninho-Rafa (como se tratam) passou a gerir as carreiras de milhares de quadros médios e superiores; 
2) o Compromisso Portugal, que teve Rafael Mora por trás, visou a ligação à geração de empresários, gestores, políticos e jornalistas na casa dos 40 anos; 
3) em 2003, o ex-ministro Pina Moura passa a consultor da H&S e transita depois para a Ongoing. Será presidente não-executivo da Media Capital e ascende a presidente da Iberdrola Portugal;
4) António Mexia, enquanto ministro, foi decisivo para abrir à H&S o acesso às grandes empresas públicas - e Mário Lino fundamental a alargar esse acesso: TAP, ANA, PT, EDP, Águas de Portugal, CTT, Carris, Estradas de Portugal;
5) foram essas avenças de empresas públicas (algumas escandalosas e outras sem justificação), que permitiram à dupla ganhar estofo financeiro para se abalançar a outros voos;
6) o salto em frente é dado com a OPA da Sonaecom sobre a PT, em que Ricardo Salgado utiliza Nuno Vasconcellos (a quem financia) como testa de ferro para ajudar a travar a operação;
7) Mora elabora o novo modelo de governação do BCP, que vai conduzir à rutura entre Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto;
8) quando PTP abandona o banco e a solução Pinhal falha, é Mexia quem mexe os cordelinhos para colocar a administração da CGD à frente do BCP; 9) o BCP vai tornar-se em seguida o princi¬pal financiador da Ongoing;
10) o sistema de remunerações da administração da EDP, que tem proporcionado enormes bónus a Mexia, foi elaborado por Mora;
11) a estratégia exige uma imprensa submissa: o primeiro passo é a compra do "Económico", por €27 milhões. O controlo da TVI falha, o domínio sobre a Impresa também;
12) a estratégia exige uma enorme alavancagem financeira. A Ongoing lança fundos de investimento de alto risco, no qual investem PT (75 milhões), BES (180 milhões) e Montepio Geral (30 milhões);
13) a escalada exige também acesso a informações privilegiadas (a Ongoing contrata quatro espiões);
14) ... e ligações ao PSD e PS (vários ex-políticos trabalham para o grupo).
Avenças de empresas públicas, financiamento de bancos amigos, influência empresarial e política, ligações à maçonaria e às secretas: assim se construiu o império daquele que ia ser o maior empresário português do século XXI.»

[Anatomia da Ongoing, Nicolau Santos, no Expresso]


Algarve

Parte da praia de Armação de Pêra é privada e o Estado quer comprá-la

Idálio Revez

Os proprietários dos 31.696m2 da praia de Armação de Pêra são os dez herdeiros de João da Costa Sant'Ana LeiteOs proprietários dos 31.696m2 da praia de Armação de Pêra são os dez herdeiros de João da Costa Sant'Ana Leite (Paulo Pimenta)
 A zona nascente do areal da estância balnear algarvia é usada há anos por milhares de veraneantes sem qualquer restrição, apesar de ser propriedade privada desde 1913. Um caso singular no litoral português.

O Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) ditou o derrube de casas de praia e de barracas no litoral algarve, mas não tocou no direito de propriedade que uma família detém há 99 anos sobre três hectares da praia de Armação de Pêra. A zona nascente do areal pertence desde 1913 à família Santana Leite e o Estado quer agora comprá-la, por 200 mil euros, apesar de estar integrada no domínio público marítimo e de ser usada por toda a gente.

Não se pode lá construir, nem cobrar a entrada aos banhistas, mas a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve está impedida de receber renda dos apoios balneares, porque o areal tem um dono, embora a propriedade esteja integrada no domínio público marítimo.

A família Santana Leite é proprietária, desde 1913, da maior parte da praia de Armação de Pêra - uma faixa que se estende por 31.696 metros quadrados, abrangendo a área reservada à pesca artesanal.

O Estado não pode exercer o pleno direito público de acesso e utilização da zona balnear, onde se situam os apoios de pesca, lota e três restaurante sem primeiro comprar a praia. O preço de 200 mil euros já foi acordado entre as partes, mas a escritura de aquisição não foi efectuada, porque o Ministério das Finanças ainda não autorizou. A ARH do Algarve devolveu à administração central, há cerca de três semanas, a verba orçamentada para a aquisição, autorizada pelo secretário de Estado do Ambiente no final de Dezembro.

Ao longo dos anos, o Estado tentou separar as águas entre o direito privado e público na área abrangida pelo domínio público marítimo, mas o conflito de interesses permanece.

O caso não será inédito, mas assume especial relevância no Algarve. Algo que o antigo ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território Nunes Correia reconheceu em 2009, ao referir-se a "uma situação muito singular de um terreno comprovadamente privado em plena praia de Armação de Pêra", quando subscreveu a proposta de compra da parcela da praia.

A situação mais comum na região são as tentativas de alguns empreendimentos para condicionar o acesso à praia, quando obtém licenças para construir sobre falésias ou nas proximidades, como se verificou no concelho de Albufeira, na praia dos Tomates e nos Olhos d" Água (Villas d"Água).

Quem recebe a taxa?

Com o aproximar da época balnear, os concessionários dos apoios de praia, na zona nascente de Armação de Pêra, perguntam: a quem se paga a taxa de ocupação? Enquanto o assunto não se deslinda, Manuel Lourenço, dono do restaurante Estrela do Mar, opta por ficar à espera: "Falaram em fazer um contrato com um privado, mas achei esquisito." No passado, até à aprovação do POOC Vilamoura-Burgau, publicado em 1999, "pagava a renda à capitania, depois deixaram de cobrar".

A presidente da ARH do Algarve, Valentina Calixto, adiantou que, com a entrada do novo ano económico, "será retomado em breve" o processo de aquisição da parcela privada do areal.

Os actuais donos da praia são os dez herdeiros de João da Costa Sant"Ana Leite - uma família tradicional de Armação de Pêra que fez o negócio quando esta era ainda uma zona piscatória e não se transformara na estância balnear que é hoje uma estância essencialmente turística.

O direito à propriedade foi confirmado por um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, de 10 de Dezembro de 1913. O ex- ministro Nunes Correia defendeu que só a compra do terreno "permite uma plena execução do que está previsto no POOC". A Câmara Municipal de Silves, nos últimos anos, investiu mais de seis milhões de euros na requalificação da frente de mar, mas só na parte poente. A parte nascente ficou por ordenar.
publico .pt




Medo, medos... (3)

Ia com as moedas na mão, pousei um euro no balcão e, enquanto pegava no jornal, ia comentando: "este gajo, um zero?" A empregada da tabacaria sorriu como sempre faz às piadas que lhe deixo tão trocadas quanto as moedas que diariamente lhe entrego. Ela ignora a minha aparente ignorância e esclarece. "hoje o Público é à borla..."Fiquei ali mais uns segundos e leio: "...o filosofo  José Gil, quer dar visibilidade ao que não se sabe sobre Portugal, ao "vazio". Um dos grandes 25 pensadores da actualidade para a revista francesa Nouvel Observateur mostra "o estado da nação e o seu avesso..." - "Um dos 25 pensadores?"... penso e estremeço com a responsabilidade deste o homem e com o facto de o NO me ignorar e haver tão pouca gente a pensar.. Leio atentamente. E acho que filosofando coisas interessantes e ausentes das letras do jornais, acaba por ficar-se e perder-se em reflexão que, embora importante, é superficial e foge ao essencial. Apetecia-me pegar num monte de coisas que são ditas por esta sumidade mas, ainda tendo presentes os comentários que me fizeram ontem, opto pelo tema medo (até porque já tinha reflectido nisso uma outra vez). Transcrevo:
«Quantos portugueses não têm medo da autoridade? Impossível (sabe-lo). Quantos não têm coragem para emigrar? É a mesma coisa. A razão da impossibilidade de ter respostas credíveis, o vazio que aqui se mostra,vem do próprio medo. Isto é a prova do medo. Zero. Zero de coragem. Ou 0,1. Mas será que não nos aproximamos do zero? A verdade é que nós temos muito pouca coragem. Muito pouca coragem para assumir as nossa palavras, para assumirmos as nossas responsabilidades. Mas o Estados e os responsáveis políticos, os media também não contribuem para a cultura do medo? Para quê ousar afirmar os seus direitos, se todo o sistema entrava a acção?”»
É verdade. Mas esta é a verdade acessível a qualquer não-filosofo-importante. Porque não me falou José Gil de outros medos? Porque não me falou dum medo que cada vez mais se instalou na sociedade portuguesa. Veja o video, para que não esqueça. Mas anote o final. É que tem uma comovente mensagem de esperança (coisa de que o filósofo também não falou e anda tão escondida):

blog conversa avinagrada


Reportagem

O inferno dos padres Lima

 Natália Faria

Exterior da igreja de Vila Nova de AnhaExterior da igreja de Vila Nova de Anha (Lara Jacinto/NFactos)
 Um foi vítima de extorsão e conseguiu a proeza de ser aplaudido pela população. O outro está a ser acusado de extorquir os paroquianos. A história de dois irmãos, ambos padres em Viana do Castelo, agora nos jornais.

A história do padre Alípio Lima, que andou várias semanas nos jornais depois de se ter queixado à GNR contra duas prostitutas que o terão extorquido e chantageado, podia ter morrido com o seu regresso à paróquia, em Vila Nova de Anha, Viana do Castelo. Podia, mas não morreu. Porque, um dia depois, o seu irmão, o padre Adão Lima, foi acusado de extorquir dinheiro aos paroquianos de Deão e Subportela, outras duas paróquias do concelho. Mas enquanto Alípio mostrou arrependimento e até acabou aplaudido pelos paroquianos, Adão tem meia paróquia a querer vê-lo dali para fora.

"Tem um defeito muito grande", resume a paroquiana Rosa Gomes, "é doente por dinheiro." As acusações contra o pároco, que tem um processo em tribunal por falta de pagamento de uma dívida, vão desde a recusa da confissão a doentes à ameaça de excomunhão dos que recusam financiar obras da Igreja. "Chegou a dizer, durante a homilia, que quem não quisesse dar o dinheiro podia pegar nele, comprar veneno e envenenar-se", acrescenta o presidente da Junta de Subportela, Ilídio Rego, incompatibilizado com o padre: "Já chega de ameaçar, enxovalhar e humilhar os paroquianos."

O nome de Adão da Silva Lima galgou as fronteiras do concelho depois de ter conseguido que Daniel Gonçalves Dias, 89 anos, assinasse um contrato em que o idoso emprestava 50 mil euros para a construção de uma creche e de um lar na freguesia de Deão. O documento fez desconfiar os herdeiros. Intitulado "Contrato de Financiamento Particular de Mútuo sem Garantias Hipotecárias e Sem Juros", estabelece que o empréstimo é por cinco anos e que não incidem sobre ele juros legais nem moratórias. E estabelece que, se o idoso falecer, o empréstimo passa a doação: "É sua vontade que nenhum dos possíveis herdeiros não poderão [sic] por qualquer forma exigir para si esta quantia que hoje empresta e que futuramente será transposta como doação ao Centro Social Paroquial de Deão." Em troca, o idoso recebeu um "diploma de benemérito", onde, num português já menos trôpego, o padre surge na qualidade de presidente do Centro Social Paroquial de Deão e do conselho da fábrica para os assuntos económicos a agradecer, "muito penhorado", o contributo. "Que Deus multiplique por muito o que fizestes e continuareis a fazer em prol dos mais carenciados das nossas sociedades hodiernas."

Para o jurista que está a analisar o caso, o contrato "pode ser considerado nulo em tribunal". "A lei proíbe que uma pessoa ponha o seu advogado no testamento ou faça uma doação ao seu médico. Parece-me claro que o padre se faz valer do seu ascendente psicológico sobre os paroquianos para ficar com os seus bens. É como se lhes estivesse a vender conforto espiritual." Um dos 62 sobrinhos do "benemérito" concorda. "O padre aproveitou-se da fragilidade do meu tio e convenceu-o de que, se desse o dinheiro, teria lugar no lar de idosos e muito provavelmente no Céu." Nenhum aceita ter o nome no jornal.

Na freguesia de Subportela - margem esquerda do rio Lima, pouco mais de mil habitantes - correm histórias sobre empréstimos semelhantes. Mas o que traz os habitantes de mal com o padre parecem ser os constantes pedidos de dinheiro. "Há aqui pessoas com muita idade que levaram vidas sofridas. Trabalharam a vida toda debaixo de chuva, se vão à missa é para ouvir uma palavra de conforto. Não é para serem insultadas pelo padre, quando não lhe dão o dinheiro que ele quer", indigna-se Tiago Afonso, um dos poucos que aceitam dar o nome. Com 45 anos, sustento assegurado pelo seu trabalho de instalação de iluminações e amplificações sonoras das festas e romarias de arredores, este habitante da freguesia de Subportela diz-se farto das homilias do padre Adão. "Ele chegou a dizer na missa que ainda bem que o sigilo bancário ia acabar, porque assim ia poder saber quem é que tinha dinheiro na conta e não dava para a Igreja."

Na Páscoa, no Natal e sempre que alguma obra o requer, o método não varia. "No início distribuía os envelopes pelas caixas de correio. Depois passou a fazer uma pagela dobrada chamada "A Semente" e a colocar lá dentro um envelope. As pessoas vão à missa, levam a pagela para casa, escrevem o nome no envelope e depois devolvem-no durante o ofertório com o dinheiro lá dentro", conta Rosa Gomes. Está à porta de casa, com vários exemplares de "A Semente" entre as mãos calejadas. Foi por um destes boletins que viu dispensado o grupo coral da freguesia de que fazia parte. Deixou de pôr os pés na igreja. "Na missa do 15 de Agosto, em que as pessoas deviam entregar os envelopes para o centro de dia, alguns não foram. E não é que ele se pôs a dizer que estavam excomungadas?!"Ao longo dos nove anos de permanência do padre Adão Lima na freguesia, Rosa e o marido foram contribuindo como os outros. "As últimas verbas que lhe demos foram 500 euros. Foi para a residência paroquial. A gente até defendia que se fizesse a residência - que seria para ele enquanto cá estivesse, mas que depois ficava para a freguesia -, mas aquilo foi obra para 500 mil euros. Ele chegava à missa e punha-se a dizer: "Só os cortinados custaram 2800 contos. A mim ensinaram-me a comprar bom para comprar só uma vez." Ora, eu pus-me a pensar que na minha casa tenho cortinados fracos, mas tenho que me remediar. Ele até decorador levou!"

A esta residência o padre Adão soma outra residência paroquial em Deão e uma terceira, particular, noutra freguesia. Resultado: os três pisos de arquitectura moderna - cave, rés-do-chão e primeiro piso de paredes brancas, linhas rectas e enormes janelas a abrir para os montes - permanecem vazios. "Foi uma obra de 200 mil euros", conta ao telefone o empreiteiro que a construiu, José Nobre. Era amigo do padre, deixou de o ser. "Chamou-me para as obras de um restaurante, que abriu em Darque em sociedade com um cunhado - aquilo foi para cima de 124 mil euros - e, ao fim de dois anos, continuava sem pagar a última factura de 20 mil euros." O caso seguiu para tribunal, o empreiteiro ganhou, o restaurante Terra e Mar fechou, o padre recorreu para uma instância superior.

À porta de sua casa, bastante mais modesta do que a residência do padre que ajudou a pagar, Rosa Gomes continua a remoer o desgosto. "Chamam-no para ir confessar os doentes e ele recusa e diz que quem está na cama não faz pecados", lamenta, convencida de que se o bispo de Viana, Anacleto Oliveira, nada fizer, "daqui a meia dúzia de anos não há ninguém na igreja".

Ao PÚBLICO o porta-voz da secretaria episcopal, o padre Vasco, recusou comentários. "O bispo não toma posições nos jornais." O mesmo quanto ao padre Adão. "Pedimos desculpa, mas o padre não está", repete uma voz de mulher, quando se liga para o centro paroquial de Deão. "O padre Adão Lima não quer falar aos jornalistas, é isso? "É. Para já, não quer falar", concede, ao fim de vários telefonemas.

O padre Adão Lima é o sexto de uma família de nove irmãos. Em Vila de Punhe, a freguesia de Viana do Castelo de onde são naturais, não há quem não os conheça. O pai vendia tecidos pelas feiras, a mãe era doméstica e, nas horas que lhe sobravam, agricultora. Dos nove irmãos, quatro fizeram-se padres. Um deles, José da Silva Lima, foi durante sete anos presidente do Centro Regional de Braga da Universidade Católica. Sobre José - e sobre António, o primeiro dos quatro a fazer-se padre - correm também histórias pouco condizentes com o uso de batina. Deixemo-las correr. Vá-se lá saber onde acaba a fé e onde começa a inveja de quem confunde sacerdócio com voto de pobreza e castidade.

Se o caso de Alípio Lima, o pároco de Vila Nova de Anha, passou de boato a escândalo foi por iniciativa do próprio. Foi ele quem, depois de vários meses em que terá sido chantageado por duas prostitutas, se apresentou na GNR a formalizar queixa. Segundo os jornais, o relacionamento terá começado a partir de anúncios eróticos. E ter-se-á prolongado até que as prostitutas passaram a extorquir-lhe dinheiro sob ameaça de divulgarem imagens alusivas aos actos sexuais que terão mantido com o pároco. A extorsão arrastou-se por vários meses. Mas quanto dinheiro entregou o padre Alípio Lima às prostitutas é algo que fica por saber. Quando o PÚBLICO tentou consultar o processo no Ministério Público da Póvoa de Varzim, a procuradora decidiu protegê-lo da curiosidade alheia, colocando-o em segredo de justiça. Por seu turno, o pároco pediu desculpas ao bispo e à população e depois fechou-se em copas. Quanto ao bispo, é lícito presumir que o perdoou. "Houve uma queda, mas a comunidade paroquial manifestou-se no sentido de compreender as fraquezas do pároco e este sentiu-se com forças para regressar", resume o padre Vasco. Quanto ao resto, "é para ser resolvido dentro da Igreja". O que se sabe é que o padre Alípio esteve sem celebrar missa durante um mês e depois regressou à paróquia. E que os paroquianos, pelo menos alguns, aplaudiram a missa em que Alípio Lima verbalizou arrependimento. "Eu fui dos que bateram palmas", confessa Rosa da Conceição, enquanto espera na paragem pelo autocarro que a há-de levar ao hospital. "Caiu nesta ratoeira, coitado, mas não fez mal a ninguém. Um padre é um homem como os outros", desculpa. "Por mim, este padre não vai embora. Puxoumuito pela freguesia, ainda agora se tenho os netos no infantário, foi porque ele conseguiu."

Cirandando pela vila - dois mil habitantes, a passar - vêem-se os costumeiros cafés, o largo central, a igreja e, ao lado, a residência paroquial. Toca-se à campainha e nada. O telefone também teima em manter-se mudo. "O padre foi muito ao fundo. Naturalmente que não há-de querer falar", adianta Ana Maria, 59 anos vestidos de preto, coração de filigrana ao peito. Está parada no largo a desfiar a vida com uma vizinha. "A gente tropeça e cai. É preciso é não tornar a cair na mesma pedra", paraboliza, dizendo-se convencida de que o episódio das prostitutas foi "uma ratoeira".

No café quase em frente, três homens numa das mesas exteriores. "Ainda é por causa do padre?", fala o que tem o copo de vinho a meio. "Para mim, os padres deviam ser casados. São homens como os outros: bebem, comem, dormem, não hão-de poder fazer o resto porquê? Fazia o seu horariozinho dentro da igreja, cumpria, e depois ia para casa p"rà beira da mulher." Chama-se Manuel Cunha, 62 anos, aceita ter o nome no jornal depois de muita insistência. "Andar agora a crucificar o homem, olhe que como este não arranjamos outro. Agora vão-se lá embora e mudem de assunto, sim?"
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Pesca proibida no Sotavento do Algarve!É esta a aposta no Mar de Cavaco Silva e de Passos Coelho?

Concessões de petróleo no Algarve deixam pescadores em terra

Trabalhos de aquisição sísmica, prévios à instalação de concessões de exploração de hidrocarbonetos ao largo do Algarve, vão limitar a pesca em quase todo o Sotavento algarvio, em três setores em alternância, nos próximos três meses. O edital foi publicado pela Capitania do Porto de Faro no final da passada semana e o prazo limite para tirar as artes de pesca do primeiro setor termina já esta quinta-feira.
No edital, a Capitania alerta para o avanço dos trabalhos «para aquisição sísmica de dados tridimensionais na bacia do Algarve», numa área que vai sensivelmente desde Península do Ancão até quase ao limite da Zona Económica Exclusiva de Portugal, na fronteira com Espanha.
Aos profissionais da pesca é exigido, desde logo, que retirem do mar «as artes de pesca fixas, redes, armadilhas, palangre e respetivas bóias de sinalização» e que o façam «cinco dias antes do início das operações» neste primeiro setor. Ou seja, todas as artes e demais material terão de ser aladas «no dia 1 de março, no setor 1».
O setor 1 vai desde o limite poente do terreno onde incide a operação, frente à Península do Ancão, até frente ao enfiamento da Barra de Faro, entre a Ilha da Barreta, vulgo Deserta, e a Ilha da Culatra, em Faro (ver mapas no final).
Além de terem de retirar as artes e outro material fixo, os barcos de pesca não poderão exercer «pesca de arrasto em todo o setor» onde decorram operações e «toda a navegação tem de dar um resguardo ao trem de reboque, não implicando com as operações em curso».
A existência deste edital, com data de 24 de fevereiro, ainda era desconhecida por duas entidades representativas dos pescadores e armadores algarvios até terça-feira, dia 27 de março, quando o Sul Informação as contactou. Mas a operação em si já era esperada, uma vez que é uma repetição do que aconteceu há alguns meses na Nazaré, onde também já foi concessionada a prospeção de petróleo off-shore.
Nota do Olhão Livre: A grande aposta no Mar de Cavaco e de Passos Coelho está à vista!A exploração do petróleo, acima da pesca.
Com governantes destes como é que Portugal pode sair da crise?
A resposta dos pescadores só pode ser uma revoltarem-se, e continuarem a ir ao mar, pois os seus filhos precisam de comer, e o estado que diz apostar no Mar, mais uma vez,vendeu-se ao interesses estrangeiros, e não precaveu os direitos dos pescadores.



SEREMOS TANTOS!

Seremos tantos, tantos, muito unidos,
Fazendo ressoar um grito imenso,
Trazendo a força dos punhos erguidos
Sob as bandeiras de um vermelho intenso

Nós, no revolto mar dos oprimidos,
Partilhando um mesmíssimo consenso;
Nunca mais expropriados e vencidos,
Nem despojados de vontade e senso!

Seremos tantos, tantos, tão seguros
Duma razão que já ninguém domina
Porque a certeza de ideais tão puros,

Tal como a estrela que nos ilumina,
Escala montanhas e derruba os muros
De um capital que humilha e que assassina!




Maria João Brito de Sousa – 05.03.2012 – 11.35h


sinto-me : 

publicado por poetaporkedeusker 


“EXIGIMOS O FIM DA PRECARIEDADE E DO DESEMPREGO! EXIGIMOS TRABALHO COM DIREITOS!”

“EXIGIMOS O FIM DA PRECARIEDADE E DO DESEMPREGO! EXIGIMOS TRABALHO COM DIREITOS!”

  

Hoje, encontram-se em situação de desemprego, inactividade e desemprego cerca de 1.200.000 trabalhadores, sendo que, de acordo com os dados oficiais, estavam registados, no final do mês de Janeiro, 815 mil mil trabalhadores, 35,1% de jovens até aos 25 anos, sendo que mais de 40% destes trabalhadores caem em situação de desemprego por via da “não renovação” dos seus contratos de trabalho.


Comunicado de Imprensa n.º 022/2012 - CGTP-IN


“EXIGIMOS O FIM DA PRECARIEDADE E DO DESEMPREGO! EXIGIMOS TRABALHO COM DIREITOS!”


Hoje, encontram-se em situação de desemprego, inactividade e desemprego cerca de 1.200.000 trabalhadores, sendo que, de acordo com os dados oficiais, estavam registados, no final do mês de Janeiro, 815 mil mil trabalhadores, 35,1% de jovens até aos 25 anos, sendo que mais de 40% destes trabalhadores caem em situação de desemprego por via da “não renovação” dos seus contratos de trabalho.

Os últimos dados acerca do desemprego, demonstram como são actuais as reivindicações dos trabalhadores em geral e dos jovens em particular que continuam a luta pelo trabalho estável e com direitos, demonstrando a sua forte rejeição a políticas que apenas têm servido os interesses dos patrões e que fazem com que a taxa de desemprego oficial, em Janeiro de 2012, atinja já os 14,8% no nosso país.

Mais de 470 mil jovens até aos 35 anos têm vínculos de trabalho precários, representando 59% dos trabalhadores nesta situação. A contratação de trabalhadores com vínculo precário para a ocupação de postos de trabalho permanentes, continua a ser a maior causa da instabilidade e a causa maior dos problemas que se relacionam com o desemprego, sobretudo entre os jovens.

A destruição do aparelho produtivo nacional e os cortes nos investimentos públicos necessários levam a uma situação em que a recessão económica se faz sentir, cada vez mais, no emprego com a perda, no último trimestre, de mais de 118 mil postos de trabalho, 2/3 deles ocupados por jovens até aos 35 anos.

Após a aplicação de várias medidas que facilitam os despedimentos e a contratação precária, a situação dos trabalhadores, sobretudo dos mais jovens, agrava-se e o acesso ao subsídio de desemprego é cada vez mais dificultado, sendo que, menos de 1/3 do total de desempregados, recebe subsídio de desemprego, ficando de fora a larga maioria sem qualquer tipo de protecção social.

As medidas de combate ao desemprego entre os jovens, sem terem em conta toda a situação de destruição dos direitos dos trabalhadores, associadas à recessão económica a que estas escolhas políticas têm conduzido, não são adequadas nem conduzirão a um combate eficaz da grave situação que enfrentamos hoje em dia. Não podemos estar de acordo que se generalize e promova a contratação a prazo através do uso de dinheiros públicos, com o pagamento de parte do salário pelo estado, considerando-se esta forma de propaganda um verdadeiro combate ao desemprego.

Perante os alarmantes números do desemprego, que levam a que milhares de jovens não tenham condições económico-financeiras que lhes permitam a autonomia para desenvolverem a sua vida, a participação na Greve Geral, convocada para o dia 22 de Março e na Manifestação de Jovens trabalhadores, a realizar no dia 31 de Março, defendendo o trabalho com direitos, assume particular importância para os jovens trabalhadores. 


A Luta dos jovens trabalhadores, pelo trabalho com direitos, pelo aumento real dos salários, contra o aumento e a desregulamentação dos horários de trabalho, é a solução fundamental para o combate ao desemprego, ao reclamar a revogação das medidas contidas no programa de agressão que aumentam a exploração e tornam piores as condições de vida e de trabalho dos mais jovens e, simultaneamente, exigindo que o Governo retire as Propostas de Lei que visam alterar o Código do Trabalho e a Legislação laboral na Administração Pública.

O envolvimento na Greve Geral, a mobilização de mais amigos e companheiros de trabalho, independentemente dos seus vínculos contratuais, e de todos os que se encontram em situação de desemprego, para a participação nas acções de rua e na Manifestação de jovens trabalhadores no dia 31 de Março é essencial e imprescindível.

A Interjovem/CGTP-IN

O Movimento de Trabalhadores Desempregados


Fonte: CGTP-IN


O Mafarrico Vermelho


O CAMINHO FAZ-SE, CAMINHANDO
Leonel Marcelino


Os papéis do homem e da mulher na sociedade continuam fortemente influenciados por estereótipos construídos ao longo de gerações promotoras do machismo. Tanto a família como a escola sofrem de um conservadorismo, com características reprodutoras do passado, sem a preocupação de promoverem a formação de cidadãos com autonomia para ajuizarem, compreenderem o mundo em que vivem e tomarem decisões que não sejam a mera repetição daquilo a que se habituaram. A sociedade civil precisa de ser enriquecida com cidadãos capazes de discutir políticas educativas que dêem à escola a capacidade de educarem gerações de pessoas que pensem por si, diferentemente das rotinas em que cresceram. Continua a ser comum aceitar-se a diferença natural entre homens e mulheres para continuar a aceitar-se que a mulher é um ser frágil, incapaz de assumir responsabilidades sociais, religiosas, políticas, familiares, etc., que se convencionou caberem ao homem. Nos primórdios da civilização, nasceram muitos mitos em volta da fragilidade da mulher. Não apareceu, por acaso, a narrativa de Adão e Eva, em que esta vem ao mundo a partir de uma costela do macho e rapidamente ganha reputação de ser maligno. Mas, nem a religião consegue explicar tudo o que acontece na vida, nem se exige hoje, no dia-a-dia, a força física necessária para confrontar os brutos. E, contudo, continua a ser difícil aceitar, na maior parte das sociedades existentes no nosso planeta (dos outros não temos notícia), que a mulher seja tão forte e tão capaz de assumir seja que tarefa for, ou responsabilidade, como o homem. Vai-se confirmando mesmo a ideia de que, quando lhe é dada a oportunidade, mostram-se mais competentes e responsáveis que os políticos machos.

O ponto de vista que queríamos desenvolver, com todo este arrazoado é que a democracia terá tudo a ganhar quando se tornar mais igualitária, o que está longe de acontecer. Não são as características naturais que diferenciam a mulher, mas sim as oportunidades de acesso à educação e à cultura que lhe são dadas. Os cidadãos terão de perceber que nenhumas sujeições são legítimas, quer sejam forçadas, quer sejam voluntárias. O estatuto de indivíduo, nascido durante a Revolução Francesa, alertava para o facto de se estender a todos os seres, independentemente “da raça, do sexo, ou da religião”. Também se defendia, por essa altura, que a educação deveria ser comum aos homens e às mulheres, pública, laica e gratuita, para se precaver contra as influências de grupos, laicos ou religiosos, que tiveram e continuam a ter, digo eu, o privilégio de se arrogarem o direito de manipular a educação dos jovens para não perderem os seus traços culturais ou, mesmo, maneiras de estar na vida. Um ministro da Instrução francês, do século XIX, teve a clarividência de proclamar que “quem cativa a mulher, domina tudo, eis por que a Igreja quer cativar a mulher. Esse deveria ser também o argumento para a democracia lha roubar”. Talvez porque se tem evitado esta discussão, ou por preguiça mental, ou por força das práticas rotineiras, ou porque a escola e a família, no seu tradicional conservadorismo, fogem da mudança como o diabo da cruz, continua a ser difícil arrancar da cabeça das pessoas a crença na inferioridade da mulher, vista, na maior parte das regiões do nosso planeta, como um ser nascido para trabalhar e procriar. Para o demonstrar, basta-nos, por hoje, invocar o que se passa com os casamentos precoces, um pouco por todo mundo, e não apenas, em África, ou na Ásia, ou na América do Sul. Em certas comunidades da Europa e dos Estados Unidos, para falar de zonas industrializadas e consideradas desenvolvidas, aceita-se o casamento de crianças de 12 anos, quase sempre com idosos com algum desafogo económico, que as usam como pau para toda a obra. No fundo, neste contexto, o casamento não passa de uma máscara da exploração comercial e sexual. No Yémen, a maioria das raparigas casa entre os 12 e os 15 anos; na Nigéria, 79% das raparigas são casadas entre os 9 e os 15 anos; no Norte da Etiópia, meninas de 7 anos casam com adolescentes e passam a fazer vida em comum; em certas regiões do Egipto, uma grande percentagem de raparigas casa antes dos 16 anos, como, aliás, acontece entre muitos povos asiáticos e sul-americanos. No Gana, no Benim, no Togo e na Nigéria, os feiticeiros escravizam as meninas a partir dos oito anos, a pretexto de expiarem os pecados que os pais algum dia terão cometido, assim acalmando os deuses e os espíritos tradicionais. Por vezes, como a menina é considerada menos valiosa que uma cabra, os feiticeiros aceitam estes animais como moeda de troca. Na Índia, há tribos que procedem à iniciação da prostituição na puberdade. Transforma-se a degradação da mulher numa tradição e num traço cultural. Quando surge alguém a denunciar estas situações, é habitual apelidá-las de imperialistas, ou, quando muito, culpá-los de imoralidade e de defenderem uma sociedade sem regras, nem respeito. Enfim, um pouco por todo o mundo, com a cumplicidade da ignorância das famílias e da troca de bens e de favores, continua a saga das mulheres, essas heroínas ostracizadas, com capacidades e potencialidades capazes de contribuírem para um mundo melhor. E não é verdade que, nas sociedades industrializadas, consideradas, bem ou mal, como as mais civilizadas, ainda os familiares levam os rapazes às prostituas para iniciação sexual? Embora, desgraçadamente, a tendência actual seja para a promiscuidade, o que me parece uma contradição, pois, assim, a mulher se banaliza e acrescenta argumentos a favor dos que a vêem como objectos sexuais, contribuindo para radicalizar a ideia do homem-senhor e da mulher prestadora de serviços, é desejável que uma educação para todos, independentemente do sexo, da raça ou da religião, genuinamente igualitária, portanto, situe na primeira linha das preocupações do poder a preparação de cidadãos atentos para o desenvolvimento de acções que aperfeiçoem a ciência, recuperem a espiritualidade e a fraternidade, pilares insubstituíveis para se encontrarem soluções para as crises que ciclicamente preocupam a humanidade, sejam elas sociais, económicas ou espirituais. O caminho faz-se caminhando.
Leonel Marcelino

segunda-feira, março 05, 2012

O Álvaro é vitima de bullying e de assédio moral no trabalho

De acordo com a Wikipedia o “Bullying é um termo utilizado para descrever actos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bully, tiranete ou valentão) ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder”.

Se considerarmos a forma como o nosso Álvaro tem sido tratado pelos seus colegas de Governo chegaremos à conclusão de que o nosso superministro da Economia e de mais meia dúzia de pastas está a ser vítima de bullying. Não faltam os tiranetes ou valentões (bully) que se dedicam a achincalhá-lo ou a tirarem-lhe os pertences, o Álvaro é maltratado em pleno conselho de ministros e depois é alvo de chacota pelos colegas que contam os pormenores aos jornalistas. Não há colega do governo que não lhe tire competências, um dia é o Portas, no outro é o Gaspar, qualquer dia aparece o Moedas a chamar a si a pasta da economia.

Quando se pretende gozar escolhe-se o Álvaro, quando se quer bufar para os jornalistas o que se passou nas reuniões mais reservadas conta-se uma do Álvaro, quando se pretende aumentar o poder roubam-se as competências ao Álvaro. O Álvaro é vítima de uma nova forma de Bullying, o bullying político praticado pelos seus pares no governo, assim como as crianças são vítimas de bullying nas escolas, o Álvaro é vítima dos maus tratos físicos e psicológicos infligidos pelos seus colegas de governo.

O Álvaro ainda sofre mais do que os estudantes vítimas do bullying, enquanto a violência entre crianças é praticada longe da vista dos professores, no caso do Álvaro tudo se faz à frente do primeiro-ministro e, piro do que isso, com o apoio deste. O Gaspar decide tirar o QREN ao Álvaro de uma forma tão descarada que até deixou alguns colegas incomodados e o que fez o Passos Coelho? Chegou a Lisboa, disse que o Álvaro não era de confiança e deu o controlo dos dinheiros comunitários ao Gaspar!

Tiraram-lhe a AICEP e o Portas até goza com ele indo às inaugurações dos centros tecnológicos ou anunciando investimentos, tiraram-lhe o emprego jovem, arranjaram-lhe um assessore de imagem para lhe dizer quando deve fazer a barba, roubaram-lhe o investimentos europeu no emprego de jovens e agora tiram-lhe o QREN. É como se a um jovem estudante os colegas roubassem o boné, o almoço, a mesada e ainda lhe dessem um pontapé no cu.

A situação começa a ser tão grave que já deixou de ser ridícula para passar a merecer a atenção dos portugueses, o ministro que provocava o riso desperta agora sentimentos de solidariedade, aquilo que parecia um caso de incompetência tornou-se num case study da psicologia política. Não fica bem a um governo tratar assim um ministro, o normal quando um primeiro-ministro se arrepende das suas escolhas é remodelar o governo.

O Álvaro está a ser vítima de bullying por parte dos seus colegas de governo e o primeiro-ministro não só parece aprovar este comportamento por parte dos seus ministros como em vez de proteger o Álvaro ou por o substituir opta por o manter no governo forçando-o a ser ministro sem competências. Os ministros praticam bullying, o primeiro-ministro poder ser acusado de assédio moral no trabalho. Se um governo trata assim um dos seus imagine-se o que pode vir a fazer aos portugueses.