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sexta-feira, 2 de março de 2012


Buraco nas contas! e agora, como é que se paga?


“São dois mil milhões”


Macário Correia, Autarca da câmara de Faro, sobre endividamento autárquico a fornecedores e plano de ajustamento 


Correio da Manhã – Quantas câmaras estão à beira de incumprimento depois da entrada em vigor da Lei de Compromissos?


Macário Correia – As câmaras do Algarve têm uma quebra de receita mais acentuada face à média nacional. Estamos a falar de quebras na ordem dos 50 por cento, quando a média nacional – em IMT– ronda os 20%. São muitas dezenas de milhões de euros. E esta lei, como está redigida, pode levar a que sejam devolvidos fundos europeus.

– Na sua opinião devia ser feito um plano de ajustamento financeiro para as câmaras como se fez para a Madeira?

– O Estado português resolveu o seu problema perante a troika. A Madeira foi objecto de um programa de ajustamento e tem o seu problema enquadrado. Quanto às empresas públicas, o Estado meteu a mão por baixo, segurou e assumiu compromissos através do Tesouro. Em relação aos municípios não foi tomada qualquer decisão sobre a dívida vencida.

– Dívida a fornecedores?

– Sim. A dívida superior a 90 dias será na ordem dos dois mil milhões de euros ou mais, e é um terço da dívida da Madeira (6 mil milhões de euros). Convinha encontrar uma solução. Caso contrário, há municípios que paralisam. São mais de metade das 308 câmaras.



QUEM TEM MEDO DO POVO

Foi assinado ontem em Bruxelas pela camarilha que governa Portugal o chamado "Pacto Orçamental", no qual os membros da UE se comprometem à chamada "regra de ouro", que os países devem inscrever "preferencialmente" na Constituição, embora o texto final agora aprovado admita a possibilidade de ficar consagrada de uma outra forma desde que com valor vinculativo e permanente, obriga cada Estado-membro subscritor do pacto a não ultrapassar um défice estrutural de 0,5 por cento e a ter uma dívida pública sempre abaixo dos 60 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).  A Inglaterra e a República Checa não subscreverem o mesmo e a Irlanda vai efectuar um referendo para ser o Povo a decidir.   

Parafraseando uma dupla de humoristas cá do burgo - E O POVO PÁ? 

Sim, e o Povo que tal como o irlandês não deveria ser ele a decidir se quer ou não quer o dito "pacto"?

Quem tem afinal medo do Povo?
Que democracia é esta?
Que raio de governo este que vai hipotecar (ainda mais) o nosso presente e o futuro dos nossos filhos e netos, só porque a tal Merkel assim o determina?

Já não é chegada a hora de finalmente nos deixarmos de retórica a passarmos à acção efectiva?

Vamos a isso camaradas. 
blog Ferroadas 

Os novos pobres


Cavaco Silva entende que há «um conjunto de pessoas, a que chamamos agora os novos pobres», a quem «é impossível impor mais austeridade». O Presidente da República considera ainda que essas pessoas «são aquelas que são mais atingidas por medidas, não tendo, às vezes, em conta a especificidade de cada grupo». Cavaco conclui: «é preciso olhar às pessoas».

Custa a entender quem um dia diz que as pessoas não podem suportar mais austeridade e no dia seguinte aprova orçamentos anti-constitucionais para garantir que essa austeridade é aplicada e Portugal cumpre e supera as medidas impostas pela Troika e pelos mercados financeiros especuladores. Quem aceita que um Primeiro-ministro diga que trabalha para empobrecer um povo, sabe que o desemprego vai disparar e a economia definhar provocando mais miséria não pode vir depois mostrar-se preocupado com os novos pobres. Ou, talvez esteja a falar de si próprio, afinal o pobre homem já nos disse as suas pensões não dão para as suas despesas no fim do mês. Será que é a ele próprio e à sua Maria que chama de "novos pobres"?

Não nos deixem!

Por favo Passos Coelho, não partas, não remodeles o governo, não demitas o Gasparoika, não dispenses a Cristas, não mudes o Portas de pasta, mantém o Relvas onde está, se quiseres mudar então muda de casa, muda de mulher, muda de padrinho ma, por favor, não mudes o governo.

Todos sabemos que o Álvaro há muito que deixou de ser um super-ministro, tem a designação pomposa de ministro de uma data de coisas mas está transformado num ministro sem pasta, por este andar ainda vai ser conhecido pelo ministro do saco de super-mercado. Mas dispensar o Álvaro e devolvê-lo aos serviços de emigração do Canadá? Nem pensar, primeiro porque corremos um sério risco de não aceitarem a devolução, depois porque este país anda tão macambúzio que seria um erro perder um dos poucos motivos de humor. O Solnado já lá está, o Herman já deu o que tinha a dar, seria uma desgraça ficarmos sem o Álvaro.

E o que dizer de perder esse valor acrescentado chamado Gaspar? Os país não pode viver sem o seu gesticular de pessoa fina e inteligente, o seu humor requintado, o seu brilhantismo intelectual tão luminoso que quase dispensa os candelabros dos salões do ministério. Sabemos que as coisas estão difíceis, que um dia destes ainda vão dizer que no Terreiro do Paço o Passos tem o Gaspar e o D. José um cavalo porque este escolheu primeiro. Mas se perdermos o Gaspar far-se-á escuro neste país, isto fica tão cinzento que parece que temos o sol da meia noite.

Caro Passos, nem pense em mudar o Portas de pasta, apesar de o país já não ter dinheiro para tanta viagem ministerial vale a pena o sacrifício, depois de tanta austeridade, desemprego e miséria o pior que nos poderia acontecer era aturar aquele discurso balofo, aquela voz esganiçada. Governar desta forma é não gostar dos portugueses, em cima de tudo o que estamos a sofrer obrigarem-nos a ouvir o Portas todos os dias é odiar os portugueses.

E quem poderia passar sem a nossa Cristas? O primeiro-ministro não sabe nada, o Álvaro é uma anedota, do Portas só se aproveita aquela madeixa louraça, o Gaspar é uma desilusão, no meio de toda esta desgraça colectiva só nos resta rezar e ter uma ministra que reza é uma mais-valia, imagine-se o que seria este governo estar num barco e quando o naufrágio estava eminente concluía-se que nenhum dos tripulantes sabia rezar um pai nosso. Isto pode estar uma desgraça, a seca pode ser tão severa como o desemprego e o discurso do primeiro-ministro ser o fado do desgraçadinho, mas tudo se pode compor graças às rezas da Cristas. Se a senhora num dia disse ser crente e acreditar que iria chover e dois dias depois levei o maior banho da minha vida imagine-se o que de bom pode suceder ao país se a Cristas conseguir pôr o governo a rezar o terço.

Imagine-se que até o Relvas faz falta, ainda houve a esperança de o Gaspar ser o herdeiro do homem de Santa Comba, mas falhou. À falta de bordoada fina, com o requinte de quem sabe melhor do que ninguém explicar os desvios colossais de Passos Coelhos teremos de nos conformar com um paquiderme, teremos bordoada mais grossa. Com um ministro da Administração Interna desaparecido, com a secreta trespassada por adjudicação directa para a Ongoing, com o ministro da Defesa convencido de que a guerra se faz com espingardas de pressão de ar, resta o Relvas para manter a ordem na casa, sim, porque quem se mete com o governo leva, o Rosa Mendes que o diga.