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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012


rostos.pt - o seu diário digital
Memórias de uma aula de Zeca Afonso em Setúbal
Começar a endireitar este país no sentido da honestidade
Memórias de uma aula de Zeca Afonso em Setúbal<br>
Começar a endireitar este país no sentido da honestidadeNós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam?
Nótula

Sou Amiga da Hélida [Carvalho Santos] desde a adolescência, marcada, para sempre, pelo nosso percurso no Liceu Nacional de Setúbal e, no comboio, a caminho do mesmo. Já nos conhecíamos há anos mas esse foi o tempo do início de uma relação que perdura e perdurará.

Sei, desde então, dos seus belos escritos, testemunhados pela correspondência comigo, muita dela guardada, com gosto, em pasta informática. Pouco mais li, ao longo destes anos, se exceptuar os textos, oportunos e bonitos, publicados no jornal de um grande clube desportivo.
Imaginava uma grande quantidade por editar porque ela me dizia guardá-los, numa arca, para deixar, como herança, à filha e neta, grandes amores.

Consegui que me enviasse esta preciosidade da qual nada comento.

Manuela Fonseca *
* Colunista do Jornal Rostos

Memórias de uma aula de Zeca Afonso em Setúbal


Barreiro, 4 de Outubro de 1967
(Quarta-feira)

Segundo dia de aulas. Continua o desassossego, com o pessoal a trocar beijos, abraços e confidências, depois desta longa separação que foram 3 meses e meio de férias. Estávamos todos fartos do verão, com saudades uns dos outros. A sala é a mesma do ano passado, no 1º andar e cheirava a nova, tudo encerado e polido, apesar do material já ser mais do que velho. Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém de novo, a pauta é exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º 34, e fico sentada na segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é o lugar dos mais altos.

Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal, dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política. Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e contente porque dizem que ele é um fadista afamado. Tenho realmente uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não sei se foi por causa da cantoria se por causa da política. A Inês contou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser comunista. Diferente dos outros professores, é de certeza. Quando entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no limite da falta. Entrou por ali a dentro, todo despenteado, com uma gabardine na mão e enquanto a atirava para cima da secretária, perguntou-nos:

- Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui parar a outra sala. Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também não vos vou chatear
Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra. Realmente o rosto não me era estranho. É alto, feições correctas, embora os dentes não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho. Depois das primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro de ponto, rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos, em silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala, impecavelmente limpas.

Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo conjecturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu. O ar dele, enquanto esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se, efectivamente, evadido da sala. Quando recomeçou a falar connosco, em pé, em cima do estrado, já tinha ganho o primeiro round de simpatia. Depois, veio o mais surpreendente:

- Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo dizer-vos que não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu.
Gargalhada geral.

- Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em palhaçadas.
Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele ficou impávido e sereno. Continuava a mostrar um semblante discreto, calmo, simpático.

- Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.
Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha passado pela frente um professor com tamanha ousadia.

- Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse, como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que nos governa é uma ditadura desumana e cruel.

Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o sorriso e estavam agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente como uma nuvem de fumo branco, que se sente mas não se apalpa.

- Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho leccionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria. Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque, no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês tem que fazer. Estudar. Para serem homens e mulheres cultos para puderem combater, cada um onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que lutar por um novo país.

Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha, basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida, mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral. Vão ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste, que nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão, educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei. Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país, carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e cultural.

Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem os vossos mais altos objectivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é com vocês, não vou andar, feita toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas. Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais velhos, em qualquer quadrante da sociedade. Nós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam?

Bem, por hoje é tudo, podem sair. Vemo-nos na próxima aula.
Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que fenómeno é este que aterrou em Setúbal?
Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de Organização Política, chama-se Zeca Afonso.

Hélida Carvalho Santos

Rostos.pt




Os aleijadinhos



O noroeste peninsular, seja ele espanhol (Galiza), seja português (Minho), faz uso abundante de deminuitivos para expressar carinho, sublinhar ternura e derramar sentimentos de caridade, em relação aos infelizes (coitadinho), aos deficientes (ceguinho), aos frágeis e desprotegidos da sorte (pobrezinho) e até mesmo em relação às crias pequenas (cãozinhocabritinho), etc.. Como, do Minho, foi a minha meninice e adolescência, também não estou imune a este hábito enraízado.
Mas este costume também se fez norma de afecto noutras terras de língua portuguesa. Por exemplo, o primeiro aleijadinho que se me gravou na memória cultural, foi o luso-brasileiro António Francisco Lisboa (1730-1814), santeiro de pedra, genial, com as suas obras de Congonhas (Brasil), além de outras. Pois o mestre escultor é muito mais conhecido pela alcunha (Aleijadinho), do que pelo seu nome de baptismo.
O segundo aleijadinho, na minha memória histórica, só o foi para o final da vida, e era americano e hemiplégico. Soube combater, corajosamente, a Depressão de 1929 e teve um papel preponderante na vitória dos Aliados contra o nazismo, durante a II Grande Guerra. Refiro-me a Franklin D. Roosevelt (1882-1945).
O terceiro aleijadinho, de recordação mental, é português. Um acidente de helicóptero, amarrou-o à cama, durante largos meses, pouco depois do Verão quente do PREC de 1975. Era Pires Veloso (1926), general, e pela sua influência e poder chamavam-lhe, então, vice-rei do Norte. Todos os políticos portugueses o iam visitar - era de bom tom, e importante - para lhe pedir conselhos ou obter o seu apoio, na altura. Hoje, pouca gente se lembrará dele.
Este trio de aleijadinhos, de que falei, é-me simpático. São aleijadinhos da minha estimação e memória. Mas passemos ao quarto, e último dos deficientes.
Vítima de um atentado, em 1990, que o deixou hemiplégico, o quarto aleijadinho é o todo poderoso ministro (europeu) das Finanças, alemão, Wolfgang Schäuble (1942). Diz com sobranceria e arrogância tudo o que lhe vem à cabeça e insulta, economicamente, sobretudo os países do sul da Europa, impunemente. Foi preciso o Presidente da República grega, Karolos Papoulias (1929), há dias, responder-lhe à letra, ofendido, para ele se calar, na sua cadeira de rodas. Infelizmente, a grande maioria dos políticos europeus quase ajoelham em frente a este aleijadinho de corpo e alma - porque nem todos têm espinha dorsal erecta.
Acho que vou deixar de lhe chamar aleijadinho, esquecendo a compaixão minhota. Vou passar a apelidá-lo de: vice-reizinho da Europa. Porque a Raínha, já nós sabemos quem é...

FENÓNEMO


TESO E CONTENTE


PORQUE FAREI GREVE


Toni Almeida
Assunto: Fwd: Porque farei greve:

Porque farei greve:

Comecemos pelo princípio: perante a maior ofensiva da história da
democracia portuguesa não apenas contra os direitos económicos,
laborais e sociais dos trabalhadores e suas famílias mas também contra o próprio sistema democrático, a CGTP reunida em Conselho Nacional decidiu convocar uma greve geral para o próximo dia 22 de Março.

Creio que a decisão era inevitável.

Desde 24 de Novembro, e não obstante a vitória parcial obtida com a questão da meia-hora gratuita diária, a situação apenas se degradou, em todos os aspectos relacionados com as condições de vida das pessoas comuns.

O governo, que adoptou como lema a máxima "custe o que custar", destrói acelerada e empenhadamente os últimos vestígios de Abril, restando uma Constituição que parece letra morta perante a inacção de um Presidente da República que a jurou defender, cumprir e fazer cumprir, mas que nunca a deve ter lido; e perante um Tribunal Constitucional que é nomeado pela 'troika' nacional, estando no fundamental alinhado com o desprezo que esta vota à lei principal do Estado.

A greve surge pois como a consequência natural, inevitável, do quadro político e social emergente.

Eu não apenas concordo com a greve como a ela vou aderir. E não pensem que se trata de uma adesão divertida, de ânimo leve. Lá em casa o mês de Abril, que aliás é o mês previsto para o nascimento do nosso segundo filho, ficará mais cumprido, perante um rendimento de Março mais curto, reduzido de dois dias de vencimento e dois dias de subsídios de alimentação: o meu e o da minha companheira. Fazer greve significa perder dias de vencimento, num contexto de brutal diminuição dos salários (já deram pelo aumento da retenção relativa ao IRS?) e de aumento generalizado do custo de vida.

Acontece porém que no quadro presente é um esforço que temos de fazer, sob pena de contribuirmos para que esta gente, este governo dos monopólios, ao serviço da plutocracia nacional, continue a destruir o país, o seu presente e sobretudo o futuro da gerações dos meus (dos nossos) filhos.

A greve foi convocada pela CGTP. Mas não é uma greve da CGTP, é geral.
Destina-se a todos, sindicalizados e não sindicalizados; apela à união na base, ou seja, nos locais de trabalho; convida à solidariedade entre trabalhadores.

Fazer greve, num contexto destes, é um acto de profunda dignidade e coragem. E para ser absolutamente franco creio ser uma das únicas armas imediatas - por ventura a mais violenta, no quadro da lei - de efectiva pressão sobre os decisores políticos no sentido de os fazer recuar na aprovação de leis socialmente criminosas, que caridadezinha alguma poderá alguma vez compensar. É por isso que a greve se realiza antes e não depois de tomadas as decisões na Assembleia da República.

Não ignoro (bem pelo contrário, porque também os sinto...) os efeitos da greve no orçamento familiar dos trabalhadores. A greve é luta, não é festa. E a luta custa, muito. Todavia, não lutar custará mais, se não imediatamente (e neste caso até é imediatamente), pelo menos a prazo.

Os argumentos anti-greve, quase sempre acompanhados de hipócritas declarações de princípio a favor do direito teórico e formal à greve (sendo certo que estes que as proferem depois NUNCA estão em caso algum a favor de uma única greve no concreto), já começam a aparecer, sendo que o mais frequente é a ideia de que "nas condições actuais o país precisa de trabalho e não de greves".

Eu, que trabalho todo o santo dia útil e não raras vezes durante o
fim-de-semana, que já acumulei empregos para fazer frente às despesas crescentes, respondo que o país precisa de trabalho, sim, mas que se assim é - e é - cabe ao governo promover uma política diferente, que promova o emprego em vez do desemprego massivo, recorde.

Respondo igualmente que, para além de trabalho, o que o país precisa é de uma política diferente, patriótica e de esquerda. Patriótica, promotora das capacidades nacionais e da soberania do país, instrumento fundamental para o desenvolvimento de Portugal. De esquerda, que centre as prioridades do desenvolvimento na produção nacional, no emprego com direitos, condignamente remunerado, que promova uma justa e equilibrada repartição da riqueza.

É por tudo isto que a greve é justa e vem no momento certo.

Eu farei greve
.





Governo prepara-se para reduzir o período da Páscoa…



Depois de ter acabado com o Corpo de Deus, 15 de Agosto, 5 de Outubro, 1 de Dezembro e de não ter dado tolerância de ponto aos funcionários públicos no Carnaval, Passos Coelho prepara uma pequena alteração ao ano litúrgico, nomeadamente, a Semana Santa, de forma a obter uma versão da Páscoa mais adaptada a um país que quer ser mais competitivo e a condizer com um povo condenado ao Calvário.
Jesus Cristo morre crucificado e ressuscita no mesmo dia.
"A Última Ceia a uma quinta-feira é um luxo de barriga de abade. Acabou-se a Sexta-Feira Santa e a Última Ceia passa a lanche ajantarado no sábado até às 23 horas, no máximo.
Domingo de Páscoa passa a ser o dia do julgamento, paixão, crucificação, morte, sepultura e ressurreição. Jesus Cristo tem de deixar de ser piegas! " - comentou Passos Coelho, após uma visita-relâmpago ao Cristo-Rei, em Almada, onde foi apreciar da margem Sul a manifestação que encheu o Terreiro do Paço.

O AMOR AUSENTE

ERRO - deve ler-se das manhãs de inverno


O ENGANO - ESTOU BEM -POEMAS ILUSTRADOS DE ANTÓNIO GARROCHINHO



SALAZAR



Fotos de Marcelino Almeida

Diz-me agora aqui burguês
Quem é que tanto te deu
Quando tu vieste ao mundo
Vieste nu como eu

Caíste entre almofadinhas
Nasceste como um tesouro
Teus pais deram-te um berço de oiro
E boas roupas quentinhas
Eu tive humildes palhinhas
A minha sorte talvez
Eu não vi uma só vez
Como tu tanta riqueza
De onde veio a tua nobreza
Diz-me agora aqui burguês

Tantas herdades florindo
Logo ao nascer tu tiveste
Mas do sítio de onde vieste
Elas não podiam ter vindo
Embora dinheiro possuindo
Tua mãe ao ter-te sofreu
Mas a minha mais padeceu
Que a miséria traz sofrimento
Mas se és rico avarento
Quem é que tanto te deu

Esse tesouro afamado
Quando ao mundo chegaste
Já juntinho encontraste
Pelo teu pai arranjado
Mas lembra-te que foi roubado
A quem com esforço profundo
Cavava a terra sem fundo
E lamentava o seu mal
O teu pai veio tal e qual
Como tu vieste ao mundo

És rico e vives contente
A ti não te falta nada
Tens uma casa recheada
Devias ser indulgente
Repartires com toda a gente
Que o que tens lá não é teu
É de quem o celeiro encheu
Regando a terra com suor
Enquanto tu explorador
Vieste nu como eu
Publicada por Jota em 14:12

há aqueles que não gostam de nós, e como há