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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

DESENHOS DE ANTÓNIO GARROCHINHO (REPETIÇÃO PARTE I)






O barato pode sair caro…

Terminou no fim de janeiro, o prazo dado pelo Governo para que os municípios se pronunciem sobre a reforma da administração local que se pretende realizar no nosso País, na sequência do acordo assinado pelo PS, PSD e CDS-PP com a TROIKA.
Com o argumento de que se pretende instituir um modelo da administração local supostamente mais barato e eficiente, o Governo apresenta um conjunto de medidas que altera profundamente o sistema democrático das autarquias locais que foi consagrado na Constituição da República após o 25 de Abril, desde logo o próprio modelo de eleição das câmaras municipais que deixarão de ser votadas diretamente pelas populações para passarem a ser constituídas pela Assembleia Municipal, por proposta do seu Presidente.
Apesar de esta reforma introduzir alterações profundas ao modo como se organizam atualmente as autarquias locais, tanto ao nível das suas competências como da sua organização funcional, a face mais visível desta mudança, e que maior debate tem suscitado, é a proposta de extinção, ou fusão de muitas juntas de freguesia que, no caso concreto do concelho de Portalegre, representaria o fim das freguesias de Alagoa e de São Julião, assim como a fusão das juntas de freguesia da Sé e de S. Lourenço.
Este foi o assunto debatido na última Assembleia Municipal de Portalegre e que aprovou uma posição contrária a esta intenção do Governo, apesar de ter ficado longe da unanimidade por parte de todos os eleitos e das forças políticas ali representadas.
Aliás, a falta de consenso e de unanimidade sobre o tema ficou patente na recusa de uma moção apresentada pela CDU que pretendia vincular a Assembleia Municipal de Portalegre a uma posição inequívoca de rejeição da extinção de autarquias no âmbito desta reforma, não apenas as referidas, mas também as de Alegrete, Carreiras, Fortios, Reguengo, Ribeira de Nisa e Urra.
E faz sentido que nenhuma delas seja extinta. Porque quanto mais isolada está uma população, quanto mais envelhecidos e isolados estão os cidadãos de uma freguesia, mais se justifica a sua existência, porque é a Junta de Freguesia a entidade que continua a zelar pela qualidade de vida dos seus cidadãos, a dar atenção às suas necessidades e a contribuir para a resolução dos seus problemas.
Tanto ao nível da pequena obra de proximidade, da limpeza e arranjo das ruas, da luz que falta, do transporte que é preciso, o atestado, o pagamento da luz ou da água. Enfim, este é um serviço público às populações que não tem preço porque promove o bem -estar, estimula a participação e consolida a democracia.
Mas esta sensibilidade social diz pouco a um Governo que já fechou escolas e postos de correio, que agora encerra centros de saúde, retira transportes aos doentes e que, depois de extinguir as juntas de freguesia, anuncia que será a vez dos municípios.
Desenha-se um País diferente daquele que conhecemos e duvida-se que a mudança seja para melhor…
Termino citando uma notícia publicada pelo Jornal i, na sua edição de 21 de Janeiro. Escrevia o Jornal que num estudo sobre os apoios sociais concedidos por 121 câmaras municipais do Continente a pessoas com rendimentos equivalentes a 75% ou menos do Salário Mínimo, constatou-se que as autarquias salvam da miséria 125 mil pessoas, apesar das reduções das transferências de verbas que, pela Lei das Finanças Locais, deveriam ser recebidas pelas autarquias.
E o Jornal apresenta a Câmara Municipal do Crato, no distrito de Portalegre, como um exemplo de boas práticas no apoio social à população mais carenciada do Concelho, referindo o “apoio a cerca de 450 pessoas, numa população de 3.665 habitantes”.
É esta administração local, de proximidade e preocupada com as pessoas, que o Governo pretende reformar. Reformem-se antes os dispendiosos gabinetes governamentais, porque estas medidas não fazem falta ao povo português, nem ao progresso e ao desenvolvimento do nosso País.
 Luís Pargana
Blog do LARGO 25 de Abril




Ilha


Deitada és uma ilha    E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente

promontórios a pique     e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente

deitada és uma ilha      Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro

ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias

Ainda há espaço no seu gabinete, Senhor Primeiro-ministro?

Carla Sofia Lucas, de 28 anos, licenciada e mestre em Economia com médias finais de 12 e 13 valores, respectivamente, aprendeu, na Phone House Portugal L.da, a fazer o “controlo de lançamentos contabilísticos” e especializou-se, no Banco Popular, a fazer o “atendimento de clientes” e a “realização de tarefas de caixa”.

Elsa Francisco, licenciada em Gestão com a média final de 13 valores, tem passado os anos entretida com cabimentos no Estado.

As duas referidas senhoras são as mais recentes aquisições do gabinete do primeiro-ministro, no qual irão desempenhar as funções de adjunta, a Carla, e de assessoria técnica, a Elsa. Vão ver como é que, a partir de agora, Passos Coelho vai discorrer com outra desenvoltura sobre os assuntos económicos.

ele era tão....



ANÚNCIO DE AGUIAR-BRANCO

4 mil novos militares no Exército e Forças Armadas

por Lusa
4 mil novos militares no Exército e Forças Armadas
Fotografia © Luís Manuel Neves/Global Imagens

O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, anunciou hoje em Monte Real, Leiria, que 4000 novos militares vão ser incorporados ainda este ano na Força Aérea e no Exército.

"Obtivemos hoje o aval para as incorporações que precisamos fazer para 2012 em matéria de recursos humanos", disse o governante.
José Pedro Aguiar-Branco defende que a entrada destes novos elementos "é fundamental para a renovação" que o Governo e o Ministério pretendem realizar "de forma sustentada nas nossas forças armadas".
No mesmo dia em que a Associação Nacional de Sargentos acusou o ministro da Defesa de pretender "desmantelar parte das Forças Armadas" e de ter feito "um ataque despudorado" às associações socioprofissionais, Aguiar-Branco fez questão em elogiar os militares no final da visita à Base Aérea de Monte Real, sublinhando que metade dos operacionais são sargentos.
"Estamos a fazer reformas para que as Forças Armadas tenham cada vez mais capacidade operacional", enfatizou o ministro, explicando que a solução está em poupar dinheiro "em desperdício e em gorduras".
As declarações do ministro da Defesa foram realizadas no final da visita à Base Aérea de Monte Real, em Leiria, na qual marcou presença o Chefe de Estado-maior da Força Aérea, o general José Pinheiro.



Dívidas

Clubes de futebol pedem ajuda ao Governo para evitar falência

Lígia Simões   

Intensificaram-se os contactos bilateras após reunião de 30 de Janeiro entre FPF, os três principais clubes e o ministro das Finanças, Vítor Gaspar.
Intensificaram-se os contactos bilateras após reunião de 30 de Janeiro entre FPF, os três principais clubes e o ministro das Finanças, Vítor Gaspar.
Quase 80 clubes, entre os quais Benfica, Porto, Braga e Sporting, devem 33 milhões ao Fisco.
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) admite a adesão dos clubes que têm dívidas ao fisco ao programa de revitalização das empresas lançado na semana passada pelo Ministério da Economia e que visa dar uma segunda oportunidade às sociedades em situação de pré-insolvência ou com dificuldades em cumprir as suas obrigações. A proposta abrange cerca de 80 clubes e deverá ser colocada ao Governo nos próximos dias. Objectivo: evitar a falência de dezenas de clubes que já foram alvo de citações do fisco.
O presidente da FPF revelou ao Diário Económico que esta é uma das soluções que "pode e deve ser enquadrada" para pagar as dívidas do Totonegócio, que ascendem a 33 milhões de euros, mas que a FPF recalcula em cerca de 23 milhões. Em causa está um mecanismo já previsto no Orçamento do Estado para 2012 que permitirá alargar o prazo de regularização de dívidas fiscais até 12,5 anos, sem necessidade de apresentação prévia de garantia.
Fernando Gomes sustenta que se trata de um sector de actividade que contribui para a dinamização da economia, pelo que o Estado terá interesse na aplicação dos mecanismos que já tem ao dispor das empresas.
"É urgente encontrar uma solução. Face às citações que os clubes foram alvo, é fundamental que nas próximas semanas esteja encontrado um caminho que não obrigue dezenas de clubes a encerrarem a sua actividade", realça Fernando Gomes. A solução poderá passar pela adesão de cerca de 80 clubes ao programa Revitalizar, que dispõe de medidas para regularizar dívidas fiscais para travar as falências. Em causa estão dívidas de 33 milhões de euros, reclamadas pelo Fisco, referentes a 59 clubes do futebol não profissional e 18 do futebol profissional. Neste último lote estão clubes grandes (Benfica, Sporting, Porto, Braga e Guimarães) e outros clubes de média e pequena dimensão (como Marítimo, Setúbal ou Académica). 
Económico





Do Aleixo, Estas Quadras Que Vos Deixo

Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.

Sou um dos membros malditos
dessa falsa sociedade
que, baseada nos mitos,
pode roubar à vontade.

Esses por quem não te interessas
produzem quanto consomes:
vivem das tuas promessas
ganhando o pão que tu comes.

Não me dêem mais desgostos
porque sei raciocinar...
Só os burros estão dispostos
a sofrer sem protestar!

Esta mascarada enorme
com que o mundo nos aldraba,
dura enquanto o povo dorme,
quando ele acordar, acaba.

António Aleixo (1899-1949) Poeta popular português

VALENTE ! O SÃO VALENTIM !





dia de São Valentim
eu nunca vi nada assim
pra vender postalinhos
entre beijos e abraços
faz-se amor estreitam-se os laços
piropos muitos carinhos
dia de São Valentim
laços de veludo e setim
prendas de amor eterno
é tal o ror de propaganda
que até beijinhos manda
o Diabo lá do Inferno
dia de São Valentim
encosta-te bem arlequim
prá que te vejam bem chegadinho
dá-me telemóveis e vestidos
automóveis coloridos
meu amor meu amorzinho
dia de São Valentim
chegou a data por fim
que todos, todos, esperavam
colónia e sabonetes
manicures, cotonetes
até os porcos se lavam !


António Garrochinho



ai cenoura, cenourinha
ai "cenouro" meu amado
vamos mas é prá panelinha
juntos fazer um " guisado "
 
 
Antonio Garrochinho
 

foto album de Rui Teles





Já sou um homenzinho!

Mais uma excelente crónica de José Vítor Malheiros (Lá vamos, que o sonho é lindo!) publicada na edição impressa do "Público" de hoje dedicada à participação de Passos Coelho na cerimónia do 40º aniversário de uma empresa privada do sector educativo, à qual, pelos vistos, esteve ligado profissionalmente, participação com direito a discurso proferido por ele e transmitido directamente  pela televisão pública, durante 25 minutos. 
Essa participação é justamente criticada pelo cronista: "O que me parece menos aceitável é que o primeiro-ministro tenha decidido transformar este seu sentimento pessoal [de admiração pelo fundador da empresa] numa descabida homenagem de Estado com direito a propaganda televisiva.
Deve ser este o entendimento de serviço público dos actuais governantes, digo eu.

Mais adiante: "O facto de ser PM deveria impedi-lo de misturar relações pessoais e profissionais com a sua posição institucional. E a existência de uma relação profissional prévia da sua pessoa com aquela empresa deveria aconselhar-lhe alguma contenção na promoção que fez da sua actividade e no aval que lhe conferiu com este discurso"
Deveria, sem dúvida, acrescento eu, se PPC não confundisse o Estado com ele próprio, numa reedição anacrónica do L'état c'est moi.

Sobre a substância do discurso, escreve José Vítor Malheiros:

"(...) Para o PM, o país é como uma escola e a escola é um modelo do que o país devia ser. Uma escola exigente, à antiga, uma escola que não existe para educar mas para ensinar, com um mestre-escola à frente, uma cartilha debaixo do braço e os alunos de bibe atrás. Da janela do alto, o director espreita. O mestre-escola exorta os alunos: "Estão a olhar para nós, dêem o vosso melhor". Na alegoria de PPC os cidadãos são os alunos e os bravos dirigentes do PSD são os seus professores. Os alunos (nós) estamos habituados a preguiçar e a ser tratados com benevolência ("os alunos, coitadinhos, sofrem tanto para aprender") mas o Governo, com firmeza e exigência, com justiça mas com a intransigência de um pai disciplinador, vai habituar-nos a trabalhar e vai ajudar-nos a cumprir o nosso destino, sem tergiversações. Há outros personagens neste sonho freudiano: há uns que querem ficar agarrados ao passado, que se andam sempre a lamentar, que não fazem mas fazem de conta que fazem; outros que nos querem atirar ao chão e há, finalmente, uma figura paterna, na sombra, a quem temos de mostrar que somos responsáveis, que somos trabalhadores, empreendedores. "Se queremos que olhem para nós com respeito, temos de olhar para nós próprios com respeito". Há por todo o lado olhares severos que nos julgam, que julgam Pedro Passos Coelho. Há em todo o discurso de Pedro Passos Coelho um adolescente nas suas primeiras calças compridas, apostado em mostrar que já é crescido, que se vai portar bem, que vai tomar conta dos irmãos, que vai suportar os rigores da responsabilidade, que não vai ser piegas, que não vai ceder, que vai seguir à risca o seu modelo, que vai ser um pai severo perseverante.

(...) se Passos Coelho aponta um único caminho, sem estados de alma, sem grande consideração pelas queixas e contestações, piegas todas, não me parece que o faça por querer esmagar as alternativas. Penso que sinceramente não as vê. Todo o seu ser se concentra em mostrar que merece aquelas calças compridas."
****
É isso: estamos entregues a um "adolescente" que quer mostrar que já é um homenzinho. Que é, de facto. O pior é que já não vai a tempo de ser outra coisa.

blog Terra dos espantos



imagem net da responsb de: António Garrochinho


OLHÃO: DEMOLIÇÕES NA RIA FORMOSA VÃO AVANÇAR

Os moradores da Ilha do Côco já receberam as malditas cartas dando-lhes dez dias para fazerem prova de que não têm outra habitação para alem da que possuem na Ilha. Em junho, segundo o calendario previsto, receberão nova carta dando-lhes outros dez dias para retirarem os seus haveres, findos os quais, se procederá às demolições.
A Câmara Municipal de Olhão ainda nã providenciou as habitações para proceder ao realojamento das familias que não têm uma segunda habitação.
Não será demais lembrar aos nossos leitores que todas as casas em cima das ilhas se encontram sob a alçada do dominio publico maritimo, independentemente de se situarem em zonas concessionadas ou não.
A estrategia da Sociedade Polis da Ria Formosa passa por dividir as pessoas, desencadeando as acções a conta gotas, para evitar grandes controversias. No caso como se tratam de pessoas pobres, humildes e sem capacidade de defesa, aliado a um certo egoismo da restante população, ninguem se manifesta, esquecendo que amanhã chegará a sua vez. O despertar para a realidade dos que agora se mantêm distantes poderá ser tardio. É preciso lutar contra estas demolições porque a seguir virão as restantes.
Para aqueles que ainda acreditam nalguns mercenarios da justiça, que iludem as pessoas com promessas de resolução do conflito pela via judicial mas enriquecendo à custa de pacovios, desenganem-se; o mais que poderão conseguir é um prolongar o caso.
Valentina Calixto, odiada pelos moradores das ilhas, recebeu de Socrates um ultimo favor, que foi o de ver a sua propriedade desafectada do dominio publico maritimo com direito a publicação em Diario da Republica. Esta gaja que outra coisa não lhe posso chamar, tem passado incolume por todos os governos independentemente da cor, por ter patrocinado toda a especie de ilegalidades aos crapulas que ao longo dos anos se alternam no poder.
No sitio da Fabrica em Cacela, um ex-ministro francês construiu uma mansão em dominio publico maritimo; no extremo poente das Cabanas de Tavira, Macario Correia, então presidente da Câmara de Tavira, autorizou a construção de blocos de apartamentos a menos de dez metros do preia-mar ou seja em dominio publico maritimo: Francisco Leal permitiu a construção de varios blocos de apartamentos na Fuzeta em dominio publico maritimo; Valentina Calixto tem a sua moradia no Ludo em reserva ecologica e dominio publico maritimo; na Quinta do Lago há construções a menos de dez metros da crista das arribas em terrenos do dominio publico maritimo; Vale de Lobo, Vilamoura e outras zonas mais do mesmo. Em tudo esteve presente Valentina Calixto, fazendo favores a torto e a direito, o que lhe permite manter-se no Poder eternamente.
Mas uma coisa são as figuras publicas, outras são os simples cidadãos. Os primeiros têm toda a especie de direitos; os segundos, quando muito poderão ter direito a umas migalhas, se sobrarem.
Para aqueles que julgavam que a Sociedade Polis não arranjava o dinheiro para estas investidas, desiludam-se, porque o actual governo arranjou uns trocados para esta cruzada contra os moradores das ilhas. Mudou o governo mas o panorama mantem-se.
REVOLTEM-SE PORRA!

Entrevista Ramos Horta


“Timor podia dar todas as facilidades fiscais aos investidores 


portugueses”


Bárbara Silva   

“Depois de meses de hesitação e reflexão, decidi recandidatar-me [a um novo mandato presidencial].
“Depois de meses de hesitação e reflexão, decidi recandidatar-me [a um novo mandato presidencial].


Como caracteriza as relações entre Portugal e Timor-Leste a nível político, comercial, empresarial? 
No plano político-diplomático, não há dois países no mundo que tenham relações mais amistosas do que Timor-Leste e Portugal. Há um genuíno e profundo acolhimento por parte da liderança e do povo timorense em relação a Portugal. Sabemos o quanto Portugal contribuiu para a reconstrução de Timor-Leste a partir de 1999/2000. No plano económico-comercial, infelizmente ainda há muito pouco, devido à distância entre os dois países, e dado também ao facto dos empresários portugueses não terem tradição de investir no Sudeste Asiático. Todos sabemos que a vocação portuguesa tem sido mais para o Brasil, Angola, Estados Unidos, Europa, da qual Portugal faz parte. Mas há um grande potencial para o incremento das relações comerciais, não somente da parte de Timor-Leste na aquisição de produtos portugueses, de consumo e tecnologia, mas também empresas portuguesas apostarem em instalar-se em Timor-Leste e fazerem do país a sua base-trampolim para conquistar os mercados asiáticos na região. Isto é possível. Timor-Leste poderia dar todas as facilidades fiscais, poderia co-participar como investidor, a partir do fundo petróleo, nestes empreendimentos portugueses. Como por exemplo: porque não uma indústria farmacêutica portuguesa em Timor-Leste? Beneficiaria Timor-Leste e Portugal, porque iríamos tentar penetrar neste mercado na região. À semelhança de uma indústria farmacêutica que o Brasil instalou em Moçambique para distribuição nos mercados de África Austral, Portugal podia fazer isto em Timor-Leste. Outro exemplo é o projecto Magalhães, que tanto sucesso teve na América Latina. Porque não Timor-Leste adquirir dezenas de milhares destes computadores nos próximos anos, e também a instalação de parte de produção no país, para vender na região, no monstruoso mercado indonésio de 250 milhões de pessoas e em todo o Sudeste asiático (China, Índia, etc.), com 600 milhões de pessoas. Acredito que o Magalhães pode conquistar o mercado da Ásia. Mas não podemos esquecer que qualquer investimento português usando Timor-Leste como plataforma tem de gerar emprego e contribuir para o crescimento económico nos dois país. Se quero fazer parceria com empresas portuguesas faço pelo interesse de Timor-Leste mas também porque quero ajudar Portugal. Como vamos empregar portugueses lá e aqui? Não vamos fazer um investimento que deixe para trás os portugueses.
Portugal continua a ser um parceiro importante?
Portugal já tem a tecnologia de ponta e com sucesso, a Portugal Telecom, a EDP, e todas as outras áreas de energia renovável, a indústria farmacêutica, médica, para não falar das indústrias do calçado, mobiliário, lacticínios, conservas. Eu garanto que a qualidade dos produtos portugueses conquistará rapidamente os mercados asiáticos. É preciso os governos de Portugal e Timor-Leste chegarem a acordo para que haja incentivo às empresas portuguesas se instalarem em Timor-Leste, que poderá ser um co-investidor.
O que o motivou a recandidatar-se à presidência de Timor-Leste? Porque diz que não fará campanha eleitoral?
Depois de meses de hesitação e reflexão, decidi recandidatar-me por duas ou três razões fundamentais. A primeira porque recebi uma petição subscrita por 120 mil pessoas, e eu sabia que eles estavam a recolher assinaturas sem nenhum partido político ou máquina partidária por trás, sem financiamento de ninguém, e surpreendi-me e comovi-me pela forma como percorreram o país numa única viatura, de autocarro, de moto, a pé, e nunca tiveram dificuldades em recolher assinaturas, não houve uma pessoas a dizer não assino. Em segundo recebi muito encorajamento das mais variadas personalidades timorenses, políticas e religiosas. Em terceiro, de muitos amigos da comunidade internacional, desde chefes de Estado e de governo, a ministros dos Negócios Estrangeiros, amigos que conhecendo Timor-Leste pediram para me recandidatar. Decidi no último minuto, depois de ter entrado na igreja de Motael, estive uns minutos a reflectir e anunciei a minha candidatura. Até ao último minuto podia ter dito não, mas não queria defraudar tanta gente que quer pôr esta carga excessiva nos meus ombros. Decidi não fazer campanha por sincero respeito a alguns dos candidatos já confirmados. Qualquer um deles faria um bom papel. Talvez terão outro estilo, talvez terão mais dificuldades por estarem ligados a partidos políticos. São pessoas de extrema coragem e dedicação ao país. O país é pequeno, um milhão e 200 mil habitantes. Em cinco anos como presidente corri o país de lés a lés. O povo conhece-me e sabe onde me posiciono como líder, a minha filosofia de vida, o meu conceito de Estado. Depois de cinco anos ainda tenho de fazer campanha? Os meus apoiantes vão fazer campanha nas ruas, não posso impedi-los. Eu farei uma única comunicação ao país, em meados de Março, já no fim da campanha. Aceitarei participar em qualquer debate político que queiram organizar, porque se recusar posso ser acusado de arrogância. Serei sempre muito franco e aberto nos meus pontos de vista, mas não tentarei influenciar votos a meu favor.
Partilha dos receios do secretário-geral da ONU sobre a possibilidade de eventuais tensões e violência em Timor-Leste depois da saída da UNMIT? 
Não partilho das preocupações da ONU ou de outros observadores internacionais sobre a possibilidade de violência durante as eleições ou depois. Nos últimos quatro anos conseguimos com o apoio da ONU, reestruturar a nossa polícia, as Forças Armadas, implementar maior sentido de disciplina e obediência ao poder civil eleito, de abandonarem filiações políticas ou em grupos de artes marciais. Os líderes partidários têm mostrado muito maior sentido de responsabilidade e maturidade e o povo lembra-se da crise de 2006 e ninguém quer voltar a esse período. Estou confiante que tudo vai correr na maior tranquilidade possível.
Que desafios enfrenta Timor-Leste num futuro próximo?
Os grandes desafios que vamos enfrentar a partir de 2012 passam por consolidar a paz, a segurança e as nossas instituições democráticas com a saída da força policial da ONU e da força internacional da Austrália e Nova Zelândia, esta última presente apenas simbolicamente. Na área do policiamento, desde há dois anos que todo o policiamento é feito pela polícia timorense, com a ONU apenas a monitorizar, observar e a dar apoio quando necessário. Estou optimista nesta área. Espero também que o preço do petróleo continue a manter-se acima dos 100 dólares por barril para que Timor-Leste possa ter acesso a receitas de modo a podermos financiar o plano de desenvolvimento estratégico elaborado pelo governo e assim criar emprego, eliminar o desemprego, que já é baixo, e eliminar a pobreza extrema no país. Só podemos fazê-lo com as receitas do petróleo e gás e a sua aplicação no desenvolvimento de infra-estruturas, maior investimento na área da agricultura para garantir segurança alimentar, eliminar a subnutrição infantil, ainda elevada. Desenvolvimento social, desenvolvimento económico. E não há lugar para corta-mato, não há atalhos. Vai levar alguns anos mas é possível com as receitas do petróleo.
Económico