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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012




Cinco mortos em desabamento de parede no Mercado de Setúbal

07.02.2012 - 17:52 Por Inês Boaventura, Natália Abreu




 Cinco pessoas morreram hoje soterradas devido ao desabamento de uma parede no Mercado do Livramento em Setúbal, que ocorreu pouco depois das 17h.
A parede tinha aproximadamente 80 metros de largura


A parede tinha aproximadamente 80 metros de largura (Nuno Ferreira Santos)
Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro de Setúbal disse ao PÚBLICO que "em princípio, as vítimas são trabalhadores da obra" de ampliação do mercado, que estava em curso.

Um dos funcionários da ABB, empresa responsável pelas obras, confirmou ao PÚBLICO que já foram retirados cinco corpos dos escombros.

A parede, que tem aproximadamente 80 metros de largura, terá ruído "do nada", sem que qualquer barulho o fizesse prever, refere o funcionário.

A parede que desabou tinha uma "grande importância simbólica e histórica" por incluir um "painel de azulejos enorme", que ficou "completamente destruído" no desabamento, disse o director do jornal regional Setúbal na Rede, Pedro Brinca, em declarações à Sic Notícias.

Inicialmente, fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro de Setúbal tinha dito à Lusa que estariam seis pessoas soterradas.


A tolerância da Laranja Bolorenta...

A tolerância da Laranja Bolorenta... Jardim dá tolerância de ponto Rio dá tolerância de ponto no Carnaval Tolerância de ponto para funcionários da Câmara de Cascais Depois de Ovar, Torres Vedras, Mealhada, Funchal e Lisboa, também Porto e Vila Real decidiram dar tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval. Apesar do Governo ter dito não, a verdade é que vários municípios estão a dar indicação contrária aos seus funcionários, já ninguém liga a estes governantes da treta.... E aqueles que ainda ontem se riam, festejavam, dançavam e pulavam irão comer a laranja bolorenta que um belo dia pensaram, talvez influenciados por outros que lhes mudaria a vida enganados que foram.... BLOG D"SUL

calma !...


O ACTUAL ESTADO DA JUSTIÇA EM PORTUGAL

Garcia Pereira Em Foco: Justiça e uma denúncia…



Poema de Luiz Pacheco (1925-2008)



Como recordação dum convívio memorável, aqui fica publicado, na íntegra, o longo poema de Luiz Pacheco, com o título CÔRO DE ESCARNIO E LAMENTAÇÃO DOS CORNUDOS EM VOLTA DE S. PEDRO, publicado pelas edições Afrodite na obra «Textos Malditos».
Fica também um abraço ao amigo que o disse quase todo de memória e aos que comigo partilharam o prazer de ouvir.


MONÓLOGO DO 1.º CORNUDO
I
Acordei um triste dia
Com uns cornos bem bonitos.
E perguntei à Maria
Por que me pôs os palitos.
II
Jurou por alma da mãe
Com mil tretas de mulher
Que era mentira. Também
Inda me custava a crer...
III
Fiquei de olho espevitado
Que o calado é o melhor
E para não re-ser enganado,
Redobrei gozos de amor.
IV
Tais canseiras dei ao físico,
Tal ardor pus nos abraços
Que caí morto de tísico
Com o sexo em pedaços!
V
Esperava por isso a magana?
Já previa o que se deu?...
Do além vi-a na cama
Com um tipo pior do que eu!
VI
Vi-o dar ao rabo a valer
Fornicando a preceito...
Sabia daquele mister
Que puxa muito do peito.
VII
Foi a hora de me eu rir
Que a vingança tem seus quês:
«O mais certo é práqui vir,
Inda antes que passe um mês».
VIII
Arranjei-lhe um bom lugar
Na pensão de Mestre Pedro
(Onde todos vão parar
Embora com muito medo...)
IX
Passava duma semana
O meu dito estava escrito
Vítima daquela magana
Pobre tísico, tadito!
DUETO DOS 2 CORNUDOS
X
Agora já somos dois
A espreitar de cá de cima
Calados como dois bois
Vendo o que faz a ladina
XI
Meteu na cama mais gente
Um, dois, três... logo a seguir!
Não há piça que a contente
É tudo que tiver de vir!
S. PEDRO, INDIGNADO, PRAGUEJA.
XII
- É de mais!... Arre, diabo!
- Berra S. Pedro, sandeu.
–E mortos por dar ao rabo
Lá vêm eles pró Céu!
CORO, PIANÍSSIMO, LIRISMO
NAS VOZES
XIII
Que morre como um anjinho
Quem morre por muito amar!
CORO, AGORA NARRATIVO
OU EXPLICATIVO.
Já formemos um ranchinho
De cá de cima, a espreitar.
XIV
Passam meses, passa tempo
E a bela não se consola...
Já semos um regimento
Como esses que vão prá Ingola!
(ÁPARTE DO AUTOR DAS COPLAS:
«COITADINHOS!»)
XV
Fazemos apostas lindas
Sempre que vem cara nova.
Cálculos, medidas infindas
Como ela terá a cova.
XVI
Há quem diga que por si
Já não lhe topou o fundo...
Outros juram que era assi
Do tamanho... deste Mundo!
XVII
- Parecia uma piscina!
–Diz um do lado, espantado.
- Nunca vi uma menina
Num estado tão desgraçado!
APARTE DO AUTOR, ANTIGO MILITANTE DAS ESQUERDAS (BAIXAS).
XVIII
(Um estado tão desgraçado?!...
Pareceu-me ouvir o Povo
Chorando seu triste fado
nas garras do Estado Novo!)
XIX
O último que chegou cá
Morreu que nem um patego:
Afogado, ieramá,
Nos abismos daquele pego.
O CORO DOS CORNUDOS,
ACOMPANHADO POR S. PEDRO EM SURDINA,
ENTOA A MORALIDADE, APÓS TER
LIMPADO AS ÚLTIMAS LAGRIMETAS
E SUSPIRANDO COMO SÓ OS CORNUDOS SABEM.
XX
Mulher não queiras sabida
Nem com vício desusado,
Que podes perder a vida
Na estafa de dar ao rabo.
XXI
Escolhe donzela discreta
Com os três no seu lugar.
Examina-lhe a greta,
Não te vá ela enganar...
XXII
E depois de veres o bicho
E as maneiras que tem
A funcionar a capricho,
Já sabes se te convém.
XXIII
Mulher calma, é estimá-la
Como a santa no altar.
Cabra douda, é rifá-la...
- Que não venhas cá parar.
XXIV
Este conselho te dão,
E não te levam dinheiro...
Os cornudos que aqui estão
Com S. Pedro hospitaleiro.
XXV
Invejosos quase todos
Dos conos que o mundo guarda
FAZEM MAIS UM BOCADO DE LAMENTAÇÃO.
NOTA DO AUTOR: QUASE,
PORQUE ENTRETANTO
ALGUNS BRINCAVAM UNS COM OS OUTROS.
RABOLICES!
Mas se fornicas a rodos
Tua vinda aqui não tarda!
RECOMEÇA A MORALIDADE, ESTILO
ESTÃO VERDES, NÃO PRESTAM.
ALGUNS BÊBADOS, CORNUDOS
DESPEITADOS OU AMARGURADOS.
VOZES PASTOSAS.
DEVE LER-SE: VIIINHO...VÉLHIIINHO...
XXVI
Melhor que a mulher é o vinho
Que faz esquecer a mulher...
Que faz dum amor já velhinho
Ressurgir novo prazer.
FINALE, MUITO CATÓLICO.
XXVII
Assim termina o lamento
Pois recordar é sofrer.
Ama e fode. É bom sustento!
E por nós reza um pater.
Luiz Pacheco
Num dia em que se achou
Mais pachorrento.




Poema de Fernando Pinto do Amaral

Zeitgeist






Os meus contemporâneos falam muito
e dizem: «Então é assim»,
com o ar desenvolto de quem se alimenta
do som da própria voz, quando começam
a explicar longamente as actuais tendências
das artes ou das letras ou das sociedades
a pouco e pouco iguais umas às outras
neste primeiro mundo em que nascemos,
agora que o segundo deixou de existir
e que o terceiro, mais guerra, menos fome,
continua abstracto, em folclore distante.

Parece que está morta a metafísica
e que a verdade adormeceu, sonâmbula,
nos corredores vazios onde, às escuras,
se vão cruzando alguns milhões de frases
dos meus contemporâneos. Todavia,
falam de tudo com o entusiasmo
de quem lança «propostas» decisivas
e percorre as «vertentes» de novos caminhos
para a humanidade, enquanto saboreiam
a cerveja sem álcool, o café
sem cafeína e sobretudo
o amor sem amor, pra conservarem
o equilíbrio físico e mental.

Os meus contemporâneos dizem quase sempre
que não são moralistas, e é por isso
que forçam toda a gente, mesmo quem não quer,
a ser livre, saudável e feliz:
proíbem o tabaco e o açúcar
e se por vezes sofrem, tomam comprimidos
porque a alegria é uma questão de química
e convém tê-la a horas certas, como
o prazer vigiado por preservativos
e outros sempre obrigatórios cintos
de segurança, pra que um dia possam
sentir que morrem cheios de saúde.

Quando contemplo os meus contemporâneos
entre as conversas trendy e os lugares da moda,
«tropeço de ternura», queria ser
pelo menos tão ingénuo como eles,
partilhar cada frémito dos lábios,
a labareda vã das gargalhadas
pela madrugada fora. No entanto,
assedia-me a acédia de ficar
assim, mais preguiçoso do que um Oblomov
à escala portuguesa - ó doce anestesia
a invadir-me o corpo, a libertar-me
desse feitiço a que se chama o «espírito
do tempo» em que vivemos, sob escombros
de um céu desmoronado em mil pequenos cacos
ainda luminosos, virtuais
estrelas que se apagam e acendem
à flor de todos os écrans
que os meus contemporâneos ligam e desligam
cada dia que passa, nunca se esquecendo
de carregar nas teclas necessárias
para a operação save
e assim alcançarem a eternidade.



Fernando Pinto do Amaral

os primeiros beijos




OS PRIMEIROS BEIJOS





Festa na aldeia O coreto de solho e barrotes toca desconcertado
Há vinho um bombo à distância e frango assado
Zé Ferreira de cabeça rachada Sangue vivo na camisa
A mulher não o queria a dançar
Agarrado àquela rapariga

Tu também lá estavas
E no telheiro escurecido
Trocámos beijos
Enamorados
Que por serem os primeiros
Nunca serão esquecidos
http://www.homeoesp.org/livros_online.html

ah valente !




Quando te leio...

Internet/ Salvador Dalí
Quando te leio
Me apetece escrever
Dizer da minha dor
E do meu entardecer.

Quando te leio
Sei quem sou
Naquele caminho
Que já não posso percorrer.

Quando te leio
Ressuscita minha dor
Como se ela não estivesse presente
E viva, no mais simples momento.

Quando te leio
Não posso decidir de minha vida
Pois sei, não poder voltar ao que fui
Nem poder esquecer-te
E prefiro morrer.

E o viver
Não deixa de ser dor
E o morrer
E o amor
Não deixa de ser dor.

Sou sempre um pouco menos
do que pensava ser!

Maria Luísa

CARNAVAL TODO O ANO


OS PRIMEIROS BEIJOS


OS PRIMEIROS BEIJOS
foto respons.A.Garrochinho retirada da net.




Festa na aldeia O coreto de solho e barrotes toca desconcertado
Há vinho um bombo à distância e frango assado
Zé Ferreira de cabeça rachada Sangue vivo na camisa
A mulher não o queria a dançar
Agarrado àquela rapariga

Tu também lá estavas
E no telheiro escurecido
Trocámos beijos
Enamorados
Que por serem os primeiros
Nunca serão esquecidos
http://www.homeoesp.org/livros_online.html

O PRODUTO FINAL DE ALGUNS ANOS PASSADOS A COLHER ( TAMBÉM )...OPINIÕES


O PRODUTO FINAL DE ALGUNS ANOS PASSADOS A COLHER [também...] OPINIÕES

2 de Fevereiro de 2012 poetaporkedeuskerIr para o artigo completo



Como hei-de interpretar tão estranho gesto
De clara discordância e suspeição
Se, no que me respeita, é sempre honesto
Este acto de vos dar - ou não... - razão?


Tudo o que vos disser terá, de resto,
A mesma garantia de isenção;
- De quanta opinião guardar no cesto,
Construirei, mais tarde, opinião...


Se o tempo escassear, duplicarei
Em vontade o que falte às aptidões,
Em perda o que me for escapando em ganho


Mas, enquanto viver, eu escolherei
E irei sempre guardando opiniões,
Sem antes lhes medir força ou tamanho...






Maria João Brito de Sousa
Blog poetaporkedeusker 


Cavaco de cera – Nem tudo são más notícias...



Fui informado de que o nosso Presidente da República vai fazer companhia a figuras como Obama, Sarkozy, ou David Cameron... no Museu de Cera de Madrid.
Dizem-me ainda que o único português que se antecipou a Cavaco, foi o grande poeta Luís de Camões. Parece que por razões de incompatibilidades insanáveis, ficarão em salas diferentes.
Imagino que alguns de entre vós estariam à espera que eu agora alinhavasse uns comentários irónicos, ou mesmo sarcásticos, sobre o nosso Presidente... mas nada disso!
Como sou uma pessoa sempre à procura do lado positivo das coisas, consigo detectar pelo menos duas coisas boas nesta notícia:
1. Cavaco poderá, finalmente, ouvir da boca do próprio autor, quantos  cantos tem afinal o raio do poema épico (relativamente desconhecido) "Os Lusíadas".
2. Se, por sorte, for possível vir a trocar com o Museu, ficando eles com Cavaco e nós com o boneco de cera instalado no Palácio de Belém... isso será uma enorme melhoria na qualidade da nossa Presidência da República.

dinheiro...

dinheiro
vespeiro
podridão
deus dos ricos
ilusão
cagadeira
bebedeira
dos que tem na cabeça
penicos
a vida inteira
e merda no coração

António Garrochinho



VAMOS...


má quem és tu amaldeçoade !


DO QUE É QUE TE QUEIXAS PÁ !?



Do que é que te queixas, pá?

Baixaram-te o salário? Tiraram-te metade dos subsídios? Perdeste metade da reforma? Pagas mais taxas nos hospitais? Foste despedido? Acabou o teu subsídio de desemprego? Diminuiram o teu Rendimento Social de Inserção? Deixaste de poder pagar a prestação da casa? Dependes do Banco Alimentar para comer? Já dormes na rua? A tua empresa foi à faléncia? Não arranjas emprego? Vais emigrar? Vão-te tirar os feriados?...
Não vês que é tudo para teu bem? Não sejas piegas, pá!



GORJÕES E SUA GENTE

JOSÉ DE SOUSA MALAQUIAS
José de Sousa Malaquias, o Tí Malaquias, foi homem das vinte e tal partidas e outros tantos filhos espalhados por meio Portugal .
Contava ele que começou de garoto analfabeto a trabalhar com os empreiteiros de estradas cá da terra. O trabalho nas estradas levou-o para muitos lugares do Algarve e Alentejos com paragens longas em diferentes e estranhas aldeias de muita gente, seu semelhante de humilde condição humana.
Tí Malaquias era vivo como pardal, esperto como raposa e saudável como o sol, tal como se atirava ao trabalho duro de de sol a sol, aproveitava todos momentos de conversa ou convivência com a gente local para pesquisar companhia afim de se libertar da solidão e prestar louvores e honras ao amor. E, metido na sua própria personagem humilde, sem disfarces como Zeus fazia, com artes ancestrais de masculinidade atiradiça, sempre conseguia amparo para a cozinha, cama e roupa lavada.
Com muita genética intrínseca para tentar mulher, com os anos apurou a arte e por onde passou deixou a marca maior de prova de homem: descendência de seu sangue.

Já entrado e aleijado de uma perna por acidente devido à bruteza do trabalho, regressou a casa do pai que vivia com uma mulher ainda jovem. Quando o pai faleceu tomou conta da madrasta do mesmo jeito, vivacidade e alegria com que cuidara das várias companheiras que tivera. E, igualmente, deixou marca de carne viva com alma de Malaquias dentro: filhos gente, que eram irmãos de seus irmãos.

Já velhote, arruinado das pernas e do alcool, só e sem saber dos inúmeros filhos de pai incógnito que pusera no mundo vivos, incluindo os feitos e criados aqui, veio viver para o Alto usando como sua casa uma velha furgoneta abandonada. Já sem capacidade de virilidade para conquistar o amor humano, dedicou-se a uma cabra que o seguia para todo o lado, incluindo a taberna, e era, juntamente com a garrafinha de decilitro de aguardente de medronho, sua companhia de dia e noite.

Sem um queixume ou lamentação, sem uma imprecação aos homens ou ao céu, sem conhecer médico e remédios, tendo a cabra ao lado como agasalho e único bem, uma noite luminosa de bondade o cobriu de sombra e carinhosamente o levou suave e docemente, porque alma tão leve e livre não aceitava desligar-se de tal corpo tão cheio de natureza.

O ACORDO ORTOGRÁFICO ! PERCEBEU !?


ESPETEM O ACORDO NO...


Camponesa - poema António Garrochinho


chamamento - poema de António Garrochinho

chamamento

preciso de ti amor
como a abelha da flor
como o mar do rio
do seu caudal
como o mendigo
do sol benigno
preciso de ti amor
cordão umbilical

António Garrochinho

POEMA DO GATO DE ANTÓNIO GEDEÃO - (CLIP)


Quem há-de abrir a porta ao gato
quando eu morrer?

Sempre que pode
foge prá rua
cheira o passeio
e volta para trás,
mas ao defrontar-se com a porta fechada
(pobre do gato!)
mia com raiva
desesperada.

Deixo-o sofrer
que o sofrimento tem sua paga,
e ele bem sabe.

Quado abro a porta corre para mim
como acorre a mulher aos braços do amante.
Pego-lhe ao colo e acaricio-o
num gesto lento,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos,
olhos semi-cerrados, em êxtase,
ronronando.

Repito a festa,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele aperta as maxilas,
cerra os olhos,
abre as narinas,
e rosna,
rosna, deliquescente,
abraça-me
e adormece.

Eu não tenho gato, mas se o tivesse
quem lhe abriria a porta quando eu morresse?