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sábado, 21 de janeiro de 2012


Drumundana, Alice Ruiz

Krzysztof Izdebski
e agora maria?

o amor acabou
a filha casou
o filho mudou
teu homem foi pra vida
que tudo cria
a fantasia
que você sonhou
apagou
à luz do dia

e agora maria?
vai com as outras
vai viver
com a hipocondria

[Navalhanaliga

Lisboa : Manif de indignação gera violência.

Violência entre indignados e nacionalistas numa manifestação em Lisboa
foto PAULO SPRANGER/GLOBAL IMAGENS
Violência entre indignados e nacionalistas numa manifestação em Lisboa
Dois grupos de manifestantes envolveram-se hoje em confrontos durante um protesto contra a política de austeridade organizado em Lisboa pela Plataforma 15 de Outubro. 
Duas dezenas de pessoas com bandeiras do Movimento de Oposição Nacional, que na rede social FaceBook se identifica como nacionalista, seguiam na cauda do protesto quando foram cercados por outros manifestantes que gritavam "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais".
Elementos dos dois grupos envolveram-se depois em confrontos físicos, que se prolongaram por alguns minutos, até à intervenção da polícia.
blog D´Sul

BAPTISTA-BASTOS

E os deveres do Estado?

por B
A recomposição da Direita está associada ao enfraquecimento da Esquerda. Porém, uma não existe sem a outra. E escapa a ambas o que constituiu a alteração dos circuitos de financiamento. A própria ideia de "economia social" que tentou, timidamente, modificar as regras do "mercado" e alterar o modelo neoliberal que se adivinhava foi escorraçada.
Até agora, não se questiona a verdadeira dimensão da desconstrução social. E a troika, cuja ideologia é de Direita, e, ocasionalmente, de Extrema-Direita, aplica, nos países para aonde é chamada, o mesmo breviário de intenções. Independentemente das características específicas de cada nação e de cada povo, o peso do financiamento externo funciona como uma imposição irretorquível. Quando diz que é preciso, em Portugal, tirar a força ou reduzir a influência dos sindicatos, comete uma injunção insuportável. Infelizmente, o Governo de Passos Coelho não se opõe porque não pode e porque, afinal, a exigência não colide com o seu projecto político.
Ao provocar o afastamento de um dos componentes da concertação, tanto o patronato como o Executivo não se fortalecem. As conflitualidades sociais emergirão com uma fúria que o desespero e a angústia amplamente justificam. E ninguém ganha com a obstinação. Os ventos sopram, no momento, a favor de quem possui uma visão exclusivamente neoliberal do mundo. Mas mesmo essa situação, por temporária que seja, permite-nos reflectir sobre a imoralidade do sistema.
Não sei, nem estou rigorosamente muito interessado em saber quais são os conselheiros de Pedro Passos Coelho. Todavia, pelos efeitos, não são de seguir. A pressão exercida sobre a população portuguesa mais desfavorecida representa uma depreciação do próprio bem comum. O Governo, assim, escudado na "dívida" e nos compromissos assumidos, está a distanciar-se, irremediavelmente, do crédito que lhe foi concedido pelos eleitores. O primeiro-ministro diz que está aberto ao diálogo. É um álibi e o falso argumento de um drama por ele cerzidos.
Claro que estamos numa encruzilhada. Mas as ilusões acerca da solução próxima não passam de isso mesmo: ilusões. Este caminho não conduz a parte alguma. É um jogo de mentiras para nos embalar na roda de sacrifícios constantes. Só não vê quem não quer ver.


A arte do "pastoreio"


Diz-me um estudo agora divulgado que a satisfação com a democracia atinge mínimos históricos.
Isto vem mostrar que o grande capital, para além de enriquecer pornograficamente com a exploração das ovelhas, sugando-lhes o leite, tosquiando-lhes a lã, retalhando-lhes a carne, triturando-lhes os ossos... também garantiu uma forma de ter o rebanho exatamente onde quer.
Para isso, conta com o implacável pastoreio de governantes feitos à medida, analistas, comentadores, politólogos, jornais, televisões. Todos empenhados em fazer crer que aquilo por que estamos a passar não é capitalismo selvagem, não é exploração, não é roubo, não é crime... mas sim democracia.
Há que juntar ainda o precioso contributo de alguns dos chamados movimentos cívicos que, em muitos casos, muito mais do que atacar os exploradores, têm como maior bandeira o ódio aos partidos políticos, como se todos fossem iguais.
Está assim criado o caldo em que o rebanho, em vez de culpar pela sua situação quem o explora, em vez de reagir às feridas infligidas pelos cães... culpa a democracia.
O despertar poderá tardar... mas será violento!



Graça Moura no CCB - olha a calaceira!

Já se adivinham "em primeira mão" extractos do discurso de Graça Moura na cerimónia de posse como presidente do conselho de administração da Fundação CCB. «Sabe-se que Moura pretende dar um ar da sua graça logo a abrir o discurso: “ (…) podemos enumerar: a natureza calaceira dos portugueses; o seu feitio de incumpridores relapsos; a sua irresponsabilidade nas exigências desenfreadas; o corporativismo imperante nos sectores sócio-profissionais [sic]; os péssimos níveis de qualificação escolar e profissional; a iliteracia generalizada e irremediável; uma certa propensão para a estupidez e a crendice fácil que explica algumas vitórias eleitorais socialistas; a desagregação e desprestígio de todos os sistemas de autoridade democrática; o arrastamento intolerável da administração da justiça que nos torna uma vil caricatura do Estado de Direito; a neutralização do papel das famílias que são cada vez menos as células-base da sociedade; a falta de coragem e discernimento de alguns sectores da classe política, que não sabem pensar a mais de três meses de prazo e sempre de olho posto na comunicação social... Enfim, a juntar a isto, a crise de todos os valores éticos, identitários e culturais, o espírito de eleitoralismo permanente em que os detentores do poder político vivem, dos governantes aos autarcas, a pilhagem do aparelho de Estado pelos boys, a promiscuidade entre os grandes interesses económicos e a actividade política - e estou longe de ter esgotado um quadro que nos transformou num país sem alternativas e sem saída.
O regime democrático deveria aprender a pensar-se a partir da única metáfora que seria válida para o mudar nas eleições: a vassourada. Mas talvez ninguém ouse fazê-lo, porque os arranjinhos, os compadrios, o nacional-porreirismo, a falta de nervo, intervêm infalivelmente num país que não chegou a consolidar-se como comunitário e agora enfrenta uma Europa de construção cada vez mais problemática.
Portugal está uma porcaria.’»
Porque é que se adivinha o discurso? Porque ainda o ano passado, o Vasco dizia isto «A solução para a São Caetano pode ser mudar de povo. Só o desespero alimentado pelos resultados das últimas sondagens pode justificar esta onda de insultos à inteligência dos eleitores a que o PSD, de forma tão relevadora quão mesquinha, se tem entregue nos últimos dias.
É verdade que o Carlos Abreu Amorim já havia comparado os eleitores mais vulneráveis à propaganda aos famigerados cães de Pavlov. E é verdade que Miguel Relvas, depois de ter comparado os portugueses com os marroquinos, confessou as suas angústias perante aquela “parte do eleitorado que quer ser iludida, quer ser enganada e quer ser iludida” [sic].
Mas era necessário transformar este desprezo pelos eleitores num naco de prosa mais distinto e reluzente. Para isso, ninguém melhor que o poeta de serviço, Vasco Graça Moura, que, nas páginas do órgão oficial do PSD, o “Povo Livre” (página 10), discorre livremente sobre os defeitos dos portugueses – os mesmo que ajudam a explicar por que raio é que o PS está há tanto tempo no poder e é tão difícil tirá-lo de lá (...) A conclusão geral, mais à frente no artigo, é lapidar: “Portugal está uma porcaria”.»
E, já na altura, a indignação surgiu com gente a perguntar «É esta a imagem do país dada por um ex-deputado europeu, eleito por portugueses “calaceiros” por natureza, “incumpridores relapsos”, “irresponsáveis”, “desqualificados”, “iletrados”, propensos para a “estupidez e a crendice fácil”. Ainda perguntam de que(m) é que é preciso defender Portugal?» (Câmara Corporativa)


Quem pode sobreviver com uma pensão de 10 mil euros?


O Presidente afirmou ganhar 1.300 euros da CGA, para a qual descontou durante 40 anos sobre o seu vencimento de professor universitário e investigador da Fundação Calouste Gulbenkian. Do Banco de Portugal, para onde descontou 30 anos, Cavaco Silva disse não saber quanto receberá (8.235 euros). Mas adiantou que a soma dos dois valores não chegará para as suas despesas (em 2011 foram 141 mil euros em pensões).

Se fosse gozar com a Senhora que o pariu fazia muito melhor. Esta gente já não tem vergonha na cara e sobretudo este exemplar de múmia que vive num palácio com um orçamento que quase duplica o da Casa Real Espanhola (16 milhões) e que tem uma casa na Praia da Coelha comprada com dinheiros que os seus amigos do BPN lhe deram a ganhar. O que ele merecia era viver com o rendimento mínimo para ver o que sofrem aqueles que ele ajuda a empobrecer todos os dias. Correr com esta escumalha não só é necessário como é essencial. 


PRIMEIRO PLANO

A economia política e moral do cavaquismo

por João Rodrigues, Publicado em 08 de Junho de 2009   
O caso BPN lembra a origem do nosso neoliberalismo. Se o mito político já acabou, as estruturas económicas do cavaquismo continuam
Muito do que Portugal é hoje resulta da herança da era cavaquista


O cavaquismo legou um guião de políticas de privatização sem fim e de abertura mal gerida às forças do mercado global a que os governos subsequentes só acrescentaram algumas dissonantes notas de rodapé. As mudanças dependem sempre de uma mistura de economia e política. Não é defeito, é feitio. A mistura iniciada pelo cavaquismo foi perniciosa porque deu origem a um poder político com um fôlego cada vez menor e a um poder económico cada vez mais rentista.


A obsessão cavaquista pela chamada convergência nominal, no quadro da aceleração liberal da integração europeia, contribuiu para uma duradoura sobreapreciação da nossa moeda. Esta opção enfraqueceu a competitividade do sector de bens transaccionáveis para exportação num período de transição crucial e canalizou muito do esforço empresarial para o sector de bens não- -transaccionáveis, como foi o caso da construção. Foi à sombra desta e da especulação que prosperou a banca privada impulsionada pelo cavaquismo e por muitos cavaquistas. Nos sectores controlados pelos grupos económicos que ascenderam em Portugal, o mercado é irremediavelmente uma entidade vaporosa que esconde mal a força das redes sociais.


Estes processos foram oleados por um discurso que desprezava o sector público e incensava os negócios privados, mesmo que os últimos crescessem à custa do esvaziamento do primeiro. O cavaquismo representou a vitória de uma perniciosa cultura que transformou a acumulação de dinheiro na base do reconhecimento social. A redistribuição só servia para tolher o homem novo movido a incentivos pecuniários. Os direitos laborais e a acção colectiva eram um vestígio a remover à força de pacotes laborais e de algumas bastonadas. Não é de admirar que o cavaquismo tenha coincidido com a manutenção de elevadas taxas de pobreza e com um assinalável aumento, que nunca mais foi revertido, das desigualdades de rendimentos. Mário Crespo escreveu recentemente que o mito do cavaquismo acabou. É pena que seja mais fácil acabar com os mitos do com as estruturas económicas e com os valores iníquos que eles nos legaram.


Economista e co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas