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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012



 

À Espera da Noite

O sol nasceu radiante e lentamente desvaneceu, cedo demais, no decorrer deste dia que é igual a todos os outros, iniciando nos presentes aquilo que parece ser um desconforto indiferente, contínuo e habitual.


Encostadas naquelas paredes de pedra granítica, frias e agrestes, marcadas pelas linhas brancas, ramificações de uma vida, cada uma das habitantes de mais um local, perdido no espaço e no tempo, do nosso Portugal rural, vive o seu dia. Se a primeira olha o horizonte sem nenhuma expectativa que não seja a de esperar pelo dia de amanhã, voltar a sentar-se naquele banco de madeira gasto, esperar que o sol volte a fugir e, de mãos agarradas ao pau que lhe faz companhia, esperar por outro amanhã; a segunda, de lenço na cabeça e olhos postos no chão, parece recuperar fôlego para mais um dia, que começará bem cedo a tratar dos animais e da horta, para mais tarde, quando o sol se for, voltar a este largo, colocar novamente o seu olhar no chão e recuperar forças.

As duas senhoras que povoam, sozinhas, o largo daquela aldeia, no mesmo tempo e local, induzem diferentes estados de alma. Uma olha em frente, de cabeça erguida, porque ainda aqui está, ainda é tudo o que foi, só o deixará de ser quando o sol se puser e aquele banco de madeira que a acompanha estiver vazio. Hoje, ainda ali está, a olhar em frente, a viver pelas memórias de uma vida que tal como o sol nasce fulgurante e se põe fraco, hoje, pode estar a relembrar o dia em que a deixaram conduzir as cabras pela primeira vez, a sua saudosa primeira pastagem, marcada por aquele momento onde se deixou levar pela luxúria, deitando-se debaixo daquela árvore grande que produzia uma sombra que lhe cobria todo o seu corpo jovem e firme e, sonhou tudo o que uma rapariga poderia sonhar...até que as cabras sinalizassem, com os guinchos apeados nos pescoços, que era tempo de voltar para a realidade. A outra, que também ainda ali está, centra o seu olhar no chão, vê a calçada do largo, lembra nostalgicamente o momento em que os homens a colocaram, pedra por pedra, a festa que se seguiu e o orgulho da novidade que se prolongou por tempo indefinido, sem que essa lembrança lhe provoque qualquer reação que não seja...continuar viva, cansada e cabisbaixa.


Naquele largo de uma aldeia perdida nas Terras do Barroso, estão, hoje, duas senhoras, que tanto há o que as distingue como aquilo que as une. Cada uma delas vive o seu dia, mas de certo que aquelas mãos juntas, a esfregarem-se lentamente, o negro das roupas e o cansaço dos corpos lembram em uníssono os dias de sol radiante em que aquelas terras, agora perdidas, estavam cheias de pessoas, havia mais vida para além daquele esperar por mais um dia igual a todos os seguintes em que o sol se põe e parte sincronizado com a chegada da noite escura, fria e sozinha.



Fotografia de António Tedim - http://www.antoniotedim.blogspot.com/Texto de Rui Santos - http://www.cognitare.blogspot.com/



Os Malditos



malditas as mães dos banqueiros em seu quarto, 
que não são virgens antes nem depois do parto!
nas suas cabeças, por baixo do pêlo,
há um nódulo escuro que vem dos lagartos: 
o cerebelo...
aí reside a ganância e a fonte do ódio
mamado pelas crias, tão angelicais, 
cevando os encéfalos com temas brutais 
nos inefáveis colégios do pódio.

amargos os tempos
amargos os frutos
amargas as gentes
culpados? os brutos!

mas como te lembras, amigo espantado,
foi tudo falado no século passado, 
cadinho de trevas e de luzes primevas:
a riqueza e os seus mecanismos,
a paz e a guerra, sotoposta aos ismos...
a justiça e a pobreza e o apelo à natureza...
e a destruição planetária pelo atómico calor, 
e os rios da nossa geografia interior! 

marx, o avô sempiterno, ou mahler, o que ouvia a terra cantar, 
e einstein, que pescava corpúsculos nas ondas luminosas, 
e lanza del vasto, o da não violência, esquecida nas prosas,
e mil poetas de ternas rimas e das velhas canções de ninar...

porém, de pouco valeram as lágrimas choradas
e os milhões de mortes escancaradas...
nada aprendemos! não aprenderemos jamais,
como se isso fosse uma regra pré-estabelecida
e a concupiscência dos brutos, uma forma de vida...
e deixámo-nos enganar, na rádio na tv e nos jornais 
pelas víboras sedentas que nos lançaram às feras,
num oceano de virtuais economosferas.

agora, que os beatos banqueiros rezam o terço,
roga-lhes as pragas, tu, que nem tiveste berço! 
aqui, a minha maldição para que todos vejam:
malditas as mães, malditos os filhos. malditos sejam!

ábio de lápara
outubro 2010

FRASES DE MARINHO PINTO, BASTONÁRIO DA ORDEM DOS ADVOGADOS



"Há pessoas que ocupam cargos de relevo no Estado português que cometem crimes impunemente"
DN, 27 Janeiro 2008


"Um dos locais onde se violam mais os direitos dos cidadãos em Portugal, é nos tribunais"

SIC Notícias, 27 Junho 2008 

"98% dos polícias à noite estão nas suas casa. É preciso haver polícias na rua à noite fardados"
Público, 27 Junho 2008 

"Há centenas ou milhares de pessoas presas [em Portugal] por terem sido mal defendidas"
Público, 27 Junho 2008 

"Vale tudo, seja quem for que lá esteja, desde magistrados a outros juristas, não se pode falar em justiça desportiva, mas em prevalência manifesta de interesses e de poderes"
RTP, 08 Julho 2008 

"Alguns magistrados pautam-se nos tribunais portugueses como os agentes da PIDE se comportavam nos últimos tempos do Estado Novo"
RTP, 10 Julho 2008 

"Estão-se a descobrir podres que eram inimagináveis há meia dúzia de meses. E não é por efeito da crise. É por efeito da lógica do próprio sistema. Parece que o sistema financeiro só funciona com um pé do lado de lá da legalidade"
JN, 28 Dezembro 2008 

"Uma senhora que furtou um pó de arroz num supermercado foi detida e julgada. Furtar ou desviar centenas de milhões de euros de um banco ainda se vai ver se é crime"
JN, 28 Dezembro 2008 

"Pelos vistos, nenhum banco pode ir à falência"
Público, 30 Dez 2008

Será que ele não tem razão? 
Que nunca a voz lhe doa nem a coragem lhe esmoreça.

enquanto nos amamos loucamente


tura Gaudin



enquanto nos amamos loucamente,

o sol bem coruscante, apaixonado,

brincava com o dia alegremente

na tela, da paisagem, do passado.


a mesa estava posta para dois,

as paredes sequer tinham ouvidos

nem olhos, a espiar para depois

dizerem que nós somos uns perdidos!


quem não amou, não sabe avaliar

o pulsar crepitante de um amor

daí, saber, somente criticar!


mas deste nosso amor, sem ter limites

nós demos seiva pura com esplendor

para nascer o fruto onde tu existes.

Teresa Gonçalves
BLOG CORAÇÃO ENTRE PALAVRAS

A Casa Pia de Lisboa: ensinar para prevenir o crime

A Real Casa Pia de Lisboa, fundada a 3 de Junho de 1780 debaixo da tutela  da Intendência Geral da Polícia da Corte e do Reino, tinha a função de ministrar formação profissional aos jovens órfãos em risco social, entregues à delinquência e ao "desenrasca" da vida indigente.  O desembargador Diogo Inácio de Pina Manique  criou-a no âmbito de uma política de combate e prevenção da criminalidade urbana, que no século XVIII atingia níveis elevados em Lisboa, de acordo com os relatos da época. Ensinar um ofício era visto por Diogo Inácio de Pina Manique como um meio de retirar os jovens da pobreza, combatendo  e prevenindo a criminalidade.



Desembargador Diogo Inácio de Pina Manique (1733 - 1805), Intendente Geral da Polícia da Corte e do Reino, fundador da Real Casa Pia de Lisboa, medida inserida na política de combate e prevenção da criminalidade através da formação profissional, projecto que pelas suas características e metodologias era equivalente ao que de melhor se fazia na Europa nesta área. 

A oferta educativa:
A Casa Pia, situada no castelo de S. Jorge, tinha casas de correcção para ambos os sexos. A das raparigas, denominada "Casa de Santa Isabel", albergava crianças órfãs e "as filhas ainda inocentes de mulheres desgraçadas". A dos rapazes, a "Casa de Santo António",  recebia órfãos "para aprenderem as primeiras letras".  Existia ainda o colégio de S. José, formado por crianças demasiado novas para estarem na casa de correcção, educadas por mulheres. As prostitutas também foram alvo da acção da instituição. Para elas erigiu-se o Colégio de Santa Margarida de Cortona, que chegou a ter 280 mulheres.  Na Casa Pia  os mestres que ensinavam vários ofícios: fazer lonas, tecidos de algodão, sedas, meias, panos de linhos e fiações para todas as manufacturas.

Além destes órgãos, mais vocacionados para a educação de base, existiam outros, orientados para o ensino técnico. Havia um colégio onde se ensinava língua alemã e escrituração comercial, um outro, chamado "Colégio de S. Lucas", de ensino científico, com aulas de farmácia, desenho, gramática latina, anatomia teórica e prática (as aulas de anatomia práticas eram leccionadas no Hospital de S. José), língua inglesa e francesa e princípios de navegação. Este colégio possibilitava a continuação dos estudos na Academia da Marinha, na Aula do Comércio ou no Hospital de S. José, conforme os cursos que os alunos pretendiam seguir. O Colégio de S. Lucas, em 1804, tinha 150 alunos.  Os alunos também podiam também aprender filosofia e grego com os professores régios.

Funcionava igualmente um curso de obstetrícia, dado por cirurgiões e parteiras e equipado com instrumentos vindos de Inglaterra e Dinamarca. Este curso tinha uma extensão na Dinamarca, na altura considerado um dos países onde esta disciplina médica se encontrava mais avançada. Ainda na área da medicina (cirurgia e também obstetrícia), a Casa Pia sustentava um colégio em Edimburgo e outro em Londres.

Para as Belas Artes, havia um colégio, primeiramente em Roma e depois em Florença,  para o ensino da arte de abrir cunhos de cobre  (usadas nas estampas  para impressão) e  escultura. Em Coimbra possuía um colégio para o ensino das Ciências Naturais, vulgarmente conhecido como "o colégio da broa", com oitenta alunos em 1804. Na mesma cidade, o colégio da ordem religiosa S. João de Deus (especializada na  assistência médico) recebia casapianos para frequência do curso de medicina.

Acção Social:
Além da acção educativa/formativa a Casa Pia dava apoio social. Os estudantes de medicina prestavam serviço em várias localidades na província assolada pelas epidemias, os alunos visitavam os hospitais, as prisões (civis e militares), dando aos "lazarentos" (leprosos), soldados presos e frades mendicantes esmolas. Servia refeições aos artífices e soldados que por incapacidade física não podiam continuar com a sua actividade profissional. No laboratório químico os alunos de farmácia preparavam gratuitamente os medicamentos destinados aos doentes pobres.


A Crise:

Toda esta actividade educativa e social assentava num modelo de financiamento frágil. As receitas da Casa Pia advinham da prestação de serviços e venda de produtos manufacturados, juntamente com as verbas das taxas que incidiam sobre os teatros e praça de touros,  sobre os licenciamentos das tabernas e botequins que requeriam à Intendência Geral da Polícia  o funcionamento fora de horas  e licenciamento a casa de jogos, assim como doações e esmolas particulares. 

Quando os bens alimentares subiram de preço e o numero de esmolas diminuiu nos primeiros anos de oitocentos, a situação económica da instituição agravou-se consideravelmente, a ponto de comprometer a acção formativa e educativa desenvolvida desde a sua fundação.  Um outro factor que prejudicou a instituição foi a transferência de mestres professores para a recém criada cordoaria na medida que a venda de produtos manufacturados em lona e algodão dos alunos era uma boa fonte de receita. Consequentemente os colégios de Florença, Edimburgo e Londres encerraram. Depois, em 1805 encerrou o colégio de Coimbra e por fim, com a ocupação das instalações do castelo de S. Jorge pelas das tropas francesas do general Junot, os alunos da Casa Pia dispersaram-se por várias casas religiosas de Lisboa.



Bibliografia: 


SORIANO, Luz - História da Guerra Civil e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal comprehendendo a história diplomática militar e política deste reino desde 1777 até 1834. - Lisboa : Imprensa Nacional, 1866-1890, vol. 1, p. 336, vol. 3, p. 44 - 49. 
Acessível em: http://purl.pt/12103


CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO, A MULHER QUE PÔS OS REPUBLICANOS NA ORDEM


A MULHER QUE PÔS OS REPUBLICANOS NA ORDEM!
O novo hospital de Loures tem o nome de Beatriz Ângelo. Mas quem foi esta mulher?
Foi, (juntamente com Adelaide Cabede) a primeira médica portuguesa. Mas não só.
Sem direito a qualquer referência, passou em 2011 um século sobre a data em que a primeira mulher portuguesa exerceu o direito de voto. A primeira em Portugal e na Europa. No resto do mundo debatiam-se as Sufragistas e só já votavam as mulheres da Nova Zelândia.. Essa mulher foi Carolina Beatriz Ângelo. Depois de ter metido a Comissão de Eleições, da então jovem República Portuguesa, em Tribunal.
Fora-lhe negado o direito ao recenseamento eleitoral por ser mulher. Beatriz Ângelo meteu a questão em Tribunal. Por sinal, o juiz, pai da activista republicana Ana de Castro Osório, deu-lhe razão.
A lei dizia: "Podem votar os cidadãos portugueses, maiores, pais de família, que saibam ler e escrever." Beatriz Ângelo respondia a todos estes requisitos, pois era viúva e tinha a filha a seu cargo. Os machistasrepublicanos tiveram de ceder. Vexados, modificaram o artigo, que passou a ser : "Podem votar os cidadãos portugueses do sexo masculino...."
As mulheres deixaram de votar. Um retrocesso de décadas, até que o Estado Novo permitiu o voto a mulheres que tivessem propriedades e identidade fiscal.
Só com o 25 de Abril as mulheres vieram a ter pleno direito ao sufrágio em Portugal.
MJ
Biografia

Frequentou até ao Liceu em sua terra natal, Guarda [3]. Posteriormente ingressou nas Escolas Politécnica e Médico-Cirúrgica em Lisboa, onde concluiu o curso de Medicina em 1902 .

Sufragista, destacou-se como militante da Liga Republicana das Mulheres, fundadora e presidente da Associação de Propaganda Feminista .

O fato de ser viúva permitiu-lhe invocar em tribunal o direito de ser considerada "chefe de família", tornando-se a assim primeira a votar no país, nas eleições constituintes, a 28 de maio de 1911. Por forma a evitar que tal exemplo pudesse ser repetido, a lei foi alterada no ano seguinte, com a especificação de que apenas os chefes de família do sexo masculino poderiam votar.

Cirurgiã e activista dos direitos femininos, Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher a votar em Portugal. Estava-se em 1911, a República acabara de ser implantada em Outubro de 1910, e Carolina «torceu» a seu favor um dos «buracos» da lei ou, se se quiser, da língua portuguesa .

Carolina Beatriz Ângelo nasceu na Guarda em 1877, onde fez os estudos primários e secundários. Em Lisboa, estudou medicina, concluindo o curso em 1902. Nesse mesmo ano, casou-se com Januário Barreto, seu primo e activista republicano. Tornou-se a primeira médica portuguesa a operar no Hospital de São José, dedicando-se mais tarde à especialidade de ginecologia.

A militância cívica iniciou-a em 1906, em conjunto com outras médicas, vindo a aderir a movimentos femininos a favor da paz e da implantação da República e à Maçonaria e tornando-se defensora dos direitos das mulheres, nomeadamente o de votar. Por toda a Europa, e não só, havia anos que as sufragistas reivindicavam ruidosamente este direito para as mulheres e a Nova Zelândia tinha-se tornado o primeiro país a concedê-lo em 1893.

A primeira lei eleitoral da República Portuguesa reconhecia o direito de votar aos «cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família».

Carolina Ângelo viu nesta redacção da lei a oportunidade de a subverter a seu favor, dado que, gramaticalmente, o plural masculino das palavras inclui o masculino e o feminino. Viúva e com uma filha menor a cargo, com mais de 21 anos e instruída, dirigiu ao presidente da comissão recenseadora do 2º bairro de Lisboa um requerimento no sentido de o seu nome «ser incluído no novo recenseamento eleitoral a que tem de proceder-se».

A pretensão foi indeferida pela comissão recenseadora, o que a levou a apresentar recurso em tribunal, argumentando que a lei não excluía expressamente as mulheres. A 28 de Abril de 1911, o juiz João Baptista de Castro proferia a sentença que ficaria para a História: «Excluir a mulher (…) só por ser mulher (…) é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as próprias ideias da democracia e justiça proclamadas pelo partido republicano. (…) Onde a lei não distingue, não pode o julgador distinguir (…) e mando que a reclamante seja incluída no recenseamento eleitoral».

Assim, a 28 de Maio de 1911, nas eleições para a Assembleia Constituinte, Carolina Beatriz Ângelo tornou-se a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto. Não sem um pequeno incidente, que a mesma relatou ao jornal A Capital: «No final da primeira chamada, o presidente da assembleia [de voto], Sr. Constâncio de Oliveira, consultou a mesa sobre se deveria ou não aceitar o meu voto, consulta na verdade extravagante, porquanto, estando recenseada em virtude duma sentença judicial, a mesma não tinha competência para se intrometer no assunto».

O seu gesto teria como consequência imediata um retrocesso na lei: o Código Eleitoral de 1913 determinava que «são eleitores de cargos legislativos os cidadãos portugueses do sexo masculino maiores de 21 anos ou que completem essa idade até ao termo das operações de recenseamento, que estejam no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos, saibam ler e escrever português, residam no território da República Portuguesa».

As mulheres portuguesas teriam de esperar por Salazar e pelo ano de 1931 para lhes ser concedido o direito de voto e, ainda assim, com restrições: apenas podiam votar as que tivessem cursos secundários ou superiores, enquanto para os homens continuava a bastar saber ler e escrever.

A lei eleitoral de Maio de 1946 alargou o direito de voto aos homens que, sendo analfabetos, pagassem ao Estado pelo menos 100 escudos de impostos e às mulheres chefes de família e às casadas que, sabendo ler e escrever, tivessem bens próprios e pagassem pelo menos 200 escudos de contribuição predial…

Em Dezembro de 1968 foi reconhecido o direito de voto político às mulheres, mas as Juntas de Freguesia continuaram a ser eleitas apenas pelos chefes de família. Só em 1974, já depois do 25 de Abril, seriam abolidas todas as restrições à capacidade eleitoral dos cidadãos tendo por base o género.



A
SSEMBLEIA DA REPÚBLICA, A CENTRAL DE NEGÓCIOS

Fio de Prumo


Poder & Associados


As grandes sociedades de advogados transformaram-se em autênticos ministérios-sombra.


Paulo Morais, Professor Universitário
As grandes sociedades de advogados adquiriram uma dimensão e um poder tal que se transformaram em autênticos ministérios-sombra.


É dos seus escritórios que saem os políticos mais influentes e é no seu seio que se produz a legislação mais importante e de maior relevância económica.


Estas sociedades têm estado sobre-representadas em todos os governos e parlamentos.


São seus símbolos o ex-ministro barrosista Nuno Morais Sarmento, do PSD, sócio do mega escritório de José Miguel Júdice, ou a centrista e actual super-ministra Assunção Cristas, da sociedade Morais Leitão e Galvão Teles.


Aos quais se poderiam juntar ministros de governos socialistas como Vera Jardim ou Rui Pena.


Alguns adversários políticos aparentes são até sócios do mesmo escritório. Quando António Vitorino do PS e Paulo Rangel do PSD se confrontam num debate, fazem-no talvez depois de se terem reunido a tratar de negócios no escritório a que ambos pertencem.


Algumas destas poderosas firmas de advogados têm a incumbência de produzir a mais importante legislação nacional. São contratadas pelos diversos governos a troco de honorários milionários. Produzem diplomas que por norma padecem de três defeitos.


São imensas as regras, para que ninguém as perceba, são muitas as excepções para beneficiar amigos; e, finalmente, a legislação confere um ilimitado poder discricionário a quem a aplica, o que constitui fonte de toda a corrupção.


Como as leis são imperceptíveis, as sociedades de jurisconsultos que as produzem obtêm aqui também um filão interminável de rendimento.


Emitem pareceres para as mais diversas entidades a explicar os erros que eles próprios introduziram nas leis. E voltam a ganhar milhões. E, finalmente, conhecedoras de todo o processo, ainda podem ir aos grupos privados mais poderosos vender os métodos de ultrapassar a Lei, através dos alçapões que elas próprias introduziram na legislação.


As maiores sociedades de advogados do país, verdadeiras irmandades, constituem hoje o símbolo maior da mega central de negócios em que se transformou a política nacional.


(ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL CORREIO DA MANHà)


COMENTÁRIOS:
  • Comentário feito por: Anónimo
  • 10 Janeiro 2012
  • Parece-me que o Otelo é que tem razão,ainda que por razões que não propriamente as que ele referiu...revolução/golpe Estado parecem ser a solução...







  • Comentário feito por:helena r.





  • 10 Janeiro 2012
    Meu caro Professor! Como alguém já disse publicamente; a AR, é o escritório de negócios de muitos advogados.









  • Comentário feito por:antuano





  • 10 Janeiro 2012
    E no meio desta vigarice toda, onde está o PGR, O Presidente da Republica,os tribunais ou o tribunal de contas?. Urge referendar uma nova CONSTITUIÇÃO p acabar com esta corrupção sem limites.


    O GESTO DE UM CAMPEÃO ...

    José Augusto
    Este é um episódio simples, de antanho, que vos venho aqui contar. Há, porém, eventos que já nos fogem da memória. Quando já não se consegue explicar, com precisão, as datas em que aconteceram. Mas creio que foi lá pelo início da década de sessenta, do século passado.


    Naquela tarde de Domingo, a Académica jogava com o Benfica, no Municipal de Coimbra. Estádio cheio, a rebentar pelas costuras, um tapete verde apelativo e um dia cheio de sol. A cor predominante era a vermelha, no topo Norte e no topo Sul do Estádio. Na bancada nascente, predominava o negro das capas de Coimbra. A entrada da equipa do Benfica em campo, era sempre uma festa. Em passo de corrida e em fila indiana, invadiam o relvado, perante o clamor da claque benfiquista e o garrido das suas bandeiras. Nós, os de Coimbra, olhávamos para aquela manifestação de poder, daquele que era, naquela época, o clube sem rival em Portugal, com prestígio e fama por todo o mundo. Depois entrámos nós, de negro vestidos e losango ao peito. No emblema, a águia era substituída por um telhado e a Torre de uma Universidade vetusta, respeitada na Europa e por todo o universo intelectual. Mas no que toca a esgrimir armas com o nosso opositor daquela tarde, pressentia-se que a festa seria encarnada. Mas não foi. A Briosa, tinha igualmente uma equipa em que se perfilavam dos melhores jogadores do País e três tiros certeiros na águia contra apenas um dos de Lisboa, pôs em delírio as hostes academistas. Crispim, marcou o terceiro, na baliza do lado norte, e cá fora foi levado em ombros pela claque. Horas depois do jogo, ainda se bebia cerveja, na escadaria da Sé Velha.
    Eu era ainda um imberbe menino. Recordo a longa fila de trânsito, no fim do jogo. Nessa tarde, fui para Eiras, onde viviam os meus avós. Ao volante do carro, o meu tio Luís Pereira, benfiquista assumido, compunha nervosamente os óculos na cara e não dizia uma palavra.
    Nessa noite, fui com a família despedir-me do meu tio Ernesto, que ia para Lisboa. Delirante e levado pelo meu pai, entrei na Estação Velha de bandeira da Briosa desfraldada. Para surpresa minha e nossa, à espera do “Rápido”, estava a equipa do Benfica. Silenciosos, com pequenas malas na mão, os jogadores aguardavam a chegada do comboio. Alguns futebolistas, olhavam para mim e sorriam. E então deu-se o inesperado. José Augusto, “ponta – direita” do clube da Luz, pousou a mala no chão, dirigiu-se a mim com um largo sorriso e deu-me um beijo.
    Nunca mais esqueci aquele episódio. Da verdadeira estatura cívica de um grande atleta, rendido ao amor de uma criança pela sua Associação Académica.
    Por vezes, vejo o José Augusto na televisão. O cabelo embranqueceu e jamais se lembrará deste episódio. Mas o sorriso é o mesmo. O glorioso sorriso do seu amado e Glorioso Benfica.
    Q.P.


    Basta de exploração!!!

    Vão acabar com 4 feriados e cortar 3 dias de férias. Já vão mais 7 dias de trabalho à borla.

    Mas o mais grave é que as empresas passam a ter à sua disposição uma “bolsa de 150 horas” por ano, com que podem fazer os empregados trabalharaté 10 horas por dia, durante 75 dias úteis (mais de 3 meses por ano). Estas horas não são pagas mas sim descontadas no horário laboral. No final das contas é mais 3 semanas, 1 dia, 3 horas e 15 minutos de trabalho à borla por ano. Porque deixam de receber horas extraordinárias que são melhor pagas.

    Já vai um mês de trabalho à borla.

    As empresas poderão também impor pontes aos trabalhadores a descontar nos seus dias de férias, perdendo os trabalhadores controlo sobre dias das suas férias.

    É por isto que a UGT está contente e grita vitória? Por terem aceite isto em lugar do aumento de meia hora de trabalho diário quando esse aumento dava que íamos trabalhar mais 23 dias por ano à borla? É que o aumento dos dias de trabalho à borla ficou pior e perdemos mais com as implicações da “bolsa de 150 horas” e com a perda de controlo sobre dias das nossas férias. A UGT é uma vergonha!

    O trabalhador, para as troikas portuguesas Governo+Patrões+UGT e PSD+CDS+PS (sim, porque o PS concorda com isto) é mais uma máquina do que um Ser Humano... 10 horas diárias durante mais de 3 meses!!! E a família??? E o lazer???E o cansaço??? E o perigo dos acidentes de trabalho??? Não sabem que a capacidade produtiva começa a baixar significativamente e cada vez mais depressa a partir das 6 horas de trabalho, aumentando erros e desperdícios de matéria-prima???

    Mas também vão facilitar os despedimentos, reduzir as indemnizações de despedimento, reduzir o subsidio de desemprego e usar dinheiro da Segurança Social para subsidiar as empresas que procuram trabalho barato.

    É este acordo que vai contribuir para aumentar o emprego ou para resolver o problema económico de Portugal?

    Vamos é dar continuidade a um modelo económico falhado, com baixa produtividade, que também é fortemente responsável pelo estado actual de Portugal. Mesmo sem este acordo, na Europa, somos dos países onde se trabalham mais horas e com piores salários, em empresas menos competitivas e menos produtivas. Além de que, em Portugal, os custos de energia e outros factores de produção são bastante mais pesados para as empresas de que os custos do trabalho. E ainda temos de contar com a incompetência empresarial e de organização do trabalho. Neste contexto, o acordo das troikas são mais um incentivo para continuar a fazer mais do mesmo e mantendo o atraso da nossa economia.

    Esteve bem a CGTP ao recusar isto. Portugal tem futuro! Mas esse futuro não é o das troikas, não é o aumento do desemprego e da pobreza, não é a transferência de riqueza das classes médias e baixas para as classes mais altas. Em 1975 cerca de 60% da riqueza produzida em Portugal ia para salários, actualmente só cerca de 40% da riqueza produzida vai para salários. Basta de exploração!!!

    Fundador da UGT diz que acordo pode ser “certidão de óbito” desta central sindical

    18.01.2012 -  PÚBLICO

     
    O antigo secretário-geral da UGT Torres Couto considera que o acordo de Concertação Social que esta central sindical vai assinar hoje poderá ser a sua “certidão de óbito”, caso não haja contrapartidas para os trabalhadores para além das conhecidas.
    Por seu lado, a antiga ministra do Trabalho Helena André lamenta que com este acordo se ponha fim à ideia de flexissegurança, que tinha sido uma das bandeiras dos governos PS de José Sócrates, enquanto Carvalho da Silva realça que o documento mostra que o Estado está apenas ao serviço dos empresários.

    “Custa-me a aceitar que uma central sindical avalize um conjunto de medidas, todas elas viradas contra aqueles que representa”, disse Torres Couto ontem à tarde na TVI24. “Sempre tive a concepção de um acordo como um exercício de contrapartidas para todos os lados sentados numa mesa, anotou.

    “Se efectivamente nas 50 páginas do acordo não houver contrapartidas específicas àquilo que foi noticiado como grandes consensos obtidos, penso estar mais perto da posição da CGTP do que da posição da central sindical que ajudei a fundar, disse ainda.

    Para Torres Couto, a UGT ficará numa “situação extremamente delicada” caso haja “manchas alargadas de contestação nos locais de trabalho a este acordo”. “Poderá ser uma certidão de óbito para a central sindical”, avisou.

    Segurança dos trabalhadores “diminuída nalgumas partes”

    “É dos primeiros acordos de concertação social onde a questão da segurança dos trabalhadores não é reforçada. Pelo contrário, é diminuída nalgumas partes”, disse a antiga ministra, que antes foi sindicalista e agora é deputada do PS.

    “De facto, se há alguma coisa a lamentarmo-nos é o facto de aquele debate que temos tido ao longo dos últimos anos sobre a necessidade de equilibrar flexibilidade com segurança ter sido abandonado neste acordo”, sublinhou, em declarações à TSF.

    O secretário-geral da CGTP, central sindical que não subscreveu este acordo, afirmou que este acordo de concertação social mostra que o Estado está apenas ao serviço dos empresários, numa entrevista no programa Terça à Noite, da Rádio Renascença.

    “O poder privado já deitou mão do poder político. Quer dizer, os detentores do poder económico e financeiro já deitaram mão do poder político, e chegam ao ponto de escrever isto (…). É que os interesses do Estado, os meios do Estado, as disponibilidades do Estado são para servir as estratégias das empresas e não para cumprir o Estado social”, disse.

    SAPATOS BIZARROS PARA TODOS OS GOSTOS














    No teu olhar o futuro não sorri


    Concentra esse olhar assustado naquele sonho em voo planado que deixaste fugir algures num tempo em que não agarravas a vida que querias porque achavas que não podias, proibida por ti a passagem, cruzar a linha numa curta viagem para outro lado que sabes hoje seria o teu.
    Sabes que deves parar esse constante deambular da atenção pelas miragens que ofereces ao coração como placebos, essas paragens ao longo de um caminho que percorres sem saberes onde te levará mas igualmente sem duvidares que em cada cama que desfizeres sem acarinhares a emoção deitarás contigo a solidão, a tempestade depois da bonança aparente que te ilude mais uns passos na sensação fugaz dos abraços que não voltas a repetir porque tendes sempre a fugir, algures num momento em que largas a vida que querias porque achas que devias ser outra coisa qualquer e no fundo nem sabes hoje como deveria ser.
    Sabes apenas que querias melhor e não tiveste.
    E eu sei que quando o amor te procurou não o quiseste.

    o ano novo

    O mais fácil é varrer as ruas depois do alvoroço
    limpar o lixo
    as malhas de gordura dos mosaicos
    recolher os vidros partidos das
    garrafas nos passeios
    mudar o calendário da parede
    é o mais fácil
    assim a alma viesse nova com
    o ano novo
    assim pudéssemos depois da meia noite
    poisar as mãos limpas no tabuleiro das mesas
    ou escrever um verso
    como se essas palavras estivessem
    pela primeira vez
    a escrever-se
    nas páginas
    dos livros

    PODE SER GROSSO OU COMPRIDO





    Pode ser grosso ou comprido
    fino e delicado
    mas anda sempre escondido
    quando não é procurado

    É um objeto roliço
    que serve para gozar
    está sempre a serviço
    tendo à mão para segurar

    Após ser introduzido
    em uma fenda rosada
    sai sempre diminuído
    trazendo a ponta molhada

    De três sílabas se compõe
    e com sete letras só
    começa com a letra "c"
    termina com a letra "o"

    Se pensa que é saliência
    ao julgar o que lhe narro
    descanse sua consciência
    isto é apenas um CIGARRO.
    enviado pelo meu amigo C.