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terça-feira, 10 de janeiro de 2012



A Evolução Humana (segundo o PSD)



Caros leitores,

A evolução da espécie humana, detalhadamente descrita por Darwin em 1871 na sua obra"The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex" trouxe à luz a explicação para alguns mistérios da vida que se encontravam escondidos por todos os que não pretendiam que o mundo funcionasse cognitivamente livre. Falharam na altura mas Darwin não escapou à galhofa dos que o criticavam, demonstrando na prática aquilo que viria ser dito posteriormente por Einstein, ou seja, que"existem apenas duas coisas infinitas - o Universo e a estupidez humana.".

E não haja dúvida acerca disto porque todos os dias, especialmente em alturas de campanha, determinados ignaros armados em doutos políticos profissionais, saem-se com algumas afirmações que dão a impressão que esta gente pretende retroceder no processo evolutivo. Um desses últimos exemplos integra-se perfeitamente nas declarações de Passos Coelho (presidente do PSD) à rádio Renascença, dizendo que quer "reavaliar lei do aborto e admite novo referendo".

Sinceramente fiquei incrédulo com tamanha parvoeira que saiu da boca deste senhor. Utilizar a carta do aborto na campanha eleitoral certamente que agradará aos mentecaptos tacanhos da extrema-direita popularucha que polula no CDS, mas certamente que demonstra o cariz indouto da política seguida pelo PSD. É que reavaliar uma lei destas é exactamente a mesma coisa que dar ouvidos os fascistas do PNR que defendem lá no seu âmago, o regresso da escravatura e da pena de morte.

Este tipo de proposta, tão típica do radicalismo sectário e profundamente retrógrado do PSD, significa tudo menos progresso. Consagra um retrocesso no processo evolutivo da auto-determinação do Ser-Humano com o claro intuito de penalizar as mulheres, retirando-lhes a possibilidade de tomada de decisão acerca do seu corpo e da sua saúde. Certamente que os 59% de pessoas que em 2007 disseram categoricamente SIM à evolução da espécie humana terão em conta este tiro nos pés do Sr. Passos Coelho. Só esperemos que esse deslize possa servir para abrir um pouco mais os olhos a todos quantos ainda pensam que só existem duas possibilidades de voto.

No entanto, é óbvio que a estupidez não anda sozinha mas sim aos pares (neste caso, a três). Assim sendo,logo Paulo Portas (outro fascista popularucho) se aprontou para repetir a alarvidade, acrescentando uma mentira estrategicamente engendrada que só não teve mais consequências porque foi prontamente desmentida. Segundo Paulo Portas e posteriormente Paulo Rangel, o presidente do Conselho Nacional de Ética teria dito que estaria também a favor de uma reavaliação da lei do aborto que há 4 anos atrás defendeu. No entanto, como já referi anteriormente, o mesmo não passava de um ardil montado pela comunicação social e aproveitado pela direita reaccionária e sectária. Aliás, já o Sr. Miguel Oliveira e Silva tinha desmentido esta falácia à Lusa, e o Público continuava a dar a notícia como verdadeira. Pior ainda, o desmentido foi feito por volta das 16h00 e no jornal da noite da SIC continuavam a justificar as palavras de Passos Coelho e de Portas com o tal ardil.

Simplesmente vergonhoso!!



Tenho dito.



Nota: A imagem inicial do artigo resulta de uma montagem de outras que estão publicadas legalmente na Internet por terceiros ou pelos visados. Não pretende o autor deste blogue fazer qualquer tipo de representação da realidade, constituindo apenas uma sátira.
blog O flamingo

REBELAI-VOS!

Camarada Van Zeller, enquanto Medina Carreira elogia o governo e a política de austeridade, sintetizada nas negociatas da TDT (televisão digital terrestre), nos custos com as PPP (parcerias público-privadas), na distribuição de jobs, na solidariedade maçónica ou na promoção de Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto e mais vinte operários a grão-mestres da electricidade, o povo passeia as angústias da crise na marginal da Nazaré e Eduardo Catroga, ex-braço-direito de Pedro Passos Coelho nas negociações com a troika, prepara-se para meter ao bolso uma remuneração de 639 mil euros: um ordenado mensal superior a 45 mil euros, que acumulará com uma pensão de mais de 9600 euros. Ora, a gente sabe que há para aí muita calçada à espera de mão que a arremesse. A açorda e o arroz de marisco, as lulas grelhadas e a carne de porco à alentejana, as amêijoas e os percebes em domingo soalheiro podem ser uma boa forma de mandar a troika às favas. Mas isto já não vai lá dispensando factura, é preciso pagar o imposto da indignação, ou seja, é preciso agir. Quem atira a primeira?



Já me precavi...

Quando na última campanha eleitoral o Bloco de Esquerda e o PCP se referiram á hipótese de Portugal ter de sair do euro, toda a comunicação social por via dos comentadores da cartilha prevalecente, mais o trêtas de Belém, se atiraram ao ar - tais afirmações só inquietam o Deus Mercado - hoje, quando ainda nem um ano passou, são inúmeros os que de diferentes quadrantes expressam tal hipótese, verificando-se até de quem não esperava, autênticos cenários a visionarem o que sucederá em tal circunstância.

Tenho para mim, que tal saída só acontecerá se a Srª Merkel (ou substituto) o concluir pelas suas contas, o que em si mesmo mostra por onde anda a  soberania do país, e deste modo uma incógnita que nos desarma no âmbito de quaisquer decisões preventivas. Não será indiferente sair quando e como os outros quiserem, é que se uma hipotética saída do euro será um 31, então sem qualquer preparação, será uma calamidade sem que o povo mais uma vez tenha direito à palavra, significaria sair com as calças na mão.

Por tudo isto já estou preparado, acabei de depositar quase toda a minha fortuna na Suiça, por cá fiquei apenas com uns trocos.



A consequência de não dizeres que me amas



Diz que me amas. Não digas baixinho, entre os dentes, a mastigar as palavras. Parece que não me amas. Diz que me amas. Não me digas ao ouvido que eu conheço os teus estratagemas: se me distraio a meio da frase já me estás a morder o lóbulo da orelha, uma mão no peito e eu todo arrepiado, sem me conseguir concentrar. Se não abro os olhos já me estás a enganar com as tuas manhas de mulher. Acabas por não me dizer coisa alguma e eu fico sem saber de nada. Fico aqui sem dormir, sem comer. A minha mãe no outro dia

-Estás mais magro

De sobrolho em riste à procura de uma pista. As mães são todas iguais, sabem sempre de tudo. E quando não sabem metem-se a olhar para nós de sobrolho em riste como que a explorar as nossas entranhas à procura das pequenas omissões que vamos escondendo delas. Ou a farejar a roupa, numa luta incansável com o tecido, em busca das sobras de um perfume alheio qualquer. Sedentas de um conhecimento que lhes vamos negando; imaginando-nos numa terra do nunca onde os meninos são meninos para sempre.  De mãos na cabeça

-Não te tens alimentado como deve ser. Estás mais magro.

Enquanto nos impingem o cachecol porque está frio. Ou nos seguem pela casa porque temos o colarinho da camisa desalinhado. A mendigar por novidades enquanto nos compõem a roupa, nos empurram a comida pela goela abaixo, ou nos mimam com beijos intermináveis. As mães são todas iguais.
Há uns dias sonhei que te apresentava à minha mãe. Não me olhes assim, não sejas parva. Eu não sou maluco: não lhe disse nada. Quando me lembro do sobrolho em riste, a olhar para ti com vontades homicidas. A dizer entre os dentes

-Vai roubar-me o meu menino

(Um sorriso de plástico a disfarçar)

A mastigar as palavras como tu, que ainda não disseste que me amas. Vais-me enganando com suspiros, com abraços, com beijos e sucede-se que eu hoje não quero suspiros, nem abraços, nem beijos. Quero que digas que me amas. Sem mastigares as palavras, sem te engasgares a meio. Estou aqui pele e osso, ouve o que te digo: pele e osso. Eu já nem como, já nem durmo. Qualquer dia a minha mãe liga-me e eu conto-lhe tudo. Ela a passar-me a mão pelo cabelo, do outro lado do telefone, a empurrar-me um prato de sopa, enquanto que, deste lado, tu me olhas de sobrolho em riste. Já te disse que me fazes lembrar a minha mãe? Não me olhes dessa forma, não é vergonha nenhuma. A minha mãe também me ama. A minha mãe também é bonita como tu. Não comeces com essas coisas. Não me olhes com esses olhos de predadora. Guardaste a noite nos teus olhos, guardaste o negro da noite nos teus olhos. Quando me mostras a noite nos teus olhos eu derreto. Juro que derreto. Não me olhes assim que derreto. Pára de me beijar o pescoço. Já chega de beijos e de carícias. Já te disse que estou farto. Continuas com o olhar de predadora. Se me distraio já os teus dotes de mulher me estão a enganar novamente. Se a minha mãe soubesse que me enganas

-Ai o meu menino

Vinha até aqui e metia-te na linha. Acredita que metia. Continua a armar-te ao pingarelho. Continua a enganar-me com esses suspiros. Se ela sonha

-Estás mais magro

(De sobrolho em riste a procurar-te nas minhas entranhas)

Vem até aqui e mete-te na linha. De forma que o melhor é dizeres que me amas, antes que o telefone toque e a minha mãe comece o interrogatório habitual. Deixa-te de rendilhados que, se não dizes que me amas entretanto, mando-te à fava em menos de um fósforo. Troco-te por um prato de sopa, que estou cada vez mais magro e a minha mãe, do outro lado, já começa a desconfiar.

PedRodrigues

Alentejo, a Água, o Alqueva e a sua agonia…


Do nosso correspondente em Beja, recebemos esta importante denúncia sobre o papel que a barragem do Alqueva deveria desempenhar a favor da nossa agricultura…que não cumpre dramaticamente…

“Em entrevista à Antena1 Melo Castro e Brito da Federação dos Agricultores do Alentejo, chamou a atenção para o problema da falta de água no Alentejo não só porque não tem chovido, como pela paragem das obras do plano de rega da barragem do Alqueva que estava previsto terminar em 2013 e que neste momento apenas estão a ser irrigados 60.000 hectares dos 120.000 previstos no plano.

Este agricultor Alentejano lamentou que o Ministério da Agricultura, diga que neste momento não há disponibilidade financeira para acabar o plano de irrigação e que mais grave ainda, não adiante datas para a concretização das obras, de modo que agricultores possam saber com o que podem contar.

Adiantou ainda este Dirigente, que não se admite que o governo e presidente da república incluído, façam declarações quase todos os dias a defender que é preciso voltarmos a apostar na agricultura e produzirmos mais, mas depois vem a Ministra do Sector dizer que não há 200 milhões de euros para terminar o plano de rega, ora só podem estar a brincar connosco, porque como se sabe, há bem pouco tempo foram gastos cerca de 200 milhões euros numa marina na Madeira que não serve para nada.

E terminou dizendo que, a Ministra da Agricultura que chefia mais quatro Ministérios não tem a mínima ideia do que se passa nos campos do Alentejo e no resto do País.”

Um dia tinha que acontecer! - Mia Couto. Infelizmente, é verdade

Reencaminho...
Abraço
Mário
 
 
Não podia ser outro…
Mais umas reflexões do "grande" escritor Moçambicano Mia Couto.
A verdade nua e crua, contada no presente, …



UM DIA, ISTO TINHA DE ACONTECER
Mia Couto

Existe uma geração à rasca?

Existe mais do que uma! Certamente!

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.

Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.

Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.

Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

PARA QUE PROVEITOS CORRE A ÁGUA

Luís Alexandre
Membro do Forum Albufeira e da ACOSAL -Associação de Comerciantes de Albufeira  Para que proveitos corre a água?  10-01-2012 8:08:00 


A água, um bem estruturante da sociedade e da sua base - as famílias -, pelo seu papel na higiene, salubridade, prevenção e alimentação, entrou na espiral mercantilista do pensamento liberal.
A água, que é um elemento do ciclo natural da vida, recebeu também a cobiça dos argumentos que se escondem por trás dessa volúptia de dogma de uma parte das forças da sociedade, que o brande pelo nome de utilizador-pagador.
Nas primeiras décadas de poder autárquico, cujos esforços assentaram em servir democraticamente este bem inalienável, o gesto de abrir a torneira representava um ganho civilizacional através do investimento com os nossos impostos.
Com o derrube da ditadura, o país pôde lançar as bases de uma rede de distribuição e saneamento, visto como um esforço colectivo de impactos positivos imediatos no desenvolvimento social, higienização dos costumes e redução de despesas com a Saúde para as famílias e o Estado.
Com a evolução dos tempos políticos e a pressão dos privados para as mudanças nos modelos de gestão autárquica, a água foi associada aos resíduos e ambos passaram a constituir mais uma forma de financiamento de rentabilidade apreciável, sujeito a novos factores de arbitrariedade sobre os preços para sustentar interesses escuros e estruturas de emprego partidário e parasitário.
A prestação destes serviços seguiu vários caminhos nos diferentes municípios, sobretudo nos de maior importância e densidade populacional, dando forma a experiências inéditas com a criação de empresas municipais, intermunicipais (Águas do Algarve) e contratos concursais de exploração por empresas das clientelas.
Com estas novas encenações e os seus custos, os preços de um serviço público que deveria respeitar as necessidades das populações e a sua capacidade financeira, passou a depender das negociatas e, no actual contexto de falência quase generalizadas das autarquias, das circunstâncias de tapar o endividamento de médio e longo prazo e os buracos da gestão corrente.
No Algarve, onde as Câmaras são co-proprietárias da empresa Águas do Algarve e esta subsidiária da Águas de Portugal, o preço da água e por tabela dos resíduos, não param de subir. Quase todos os anos houve atualizações e agora anunciam outra que, nalguns casos, despudoradamente atinge a casa dos 20%.
O dramatismo das finanças das autarquias, da exclusiva irresponsabilidade dos gestores partidários, que já levaram o presidente da AMAL a denunciar a situação de acumulação de dívidas para com a Águas do Algarve para pagamento de salários, não pode justificar a leviandade como novamente sobrecarregam a população e as empresas…
Com a privatização da água no horizonte deste Governo, estes golpes sucessivos nos preços destes serviços e sob a mentira dos custos de produção, visam claramente aumentar o apetite dos privados e, no entretanto, permitem alguma solvência às Câmaras, que praticam preços acima daquilo que pagam à Águas do Algarve. Há Câmaras que põem mais de 30% de percentagem para os seus cofres. 
Mas nenhum assume a responsabilidade perante os seus munícipes, pelo facto de em pleno século XXI, ainda haver partes dos concelhos sem a satisfação destas necessidades…
Ao povo do Algarve resta-lhe lutar contra estes aumentos brutais, manifestando-se por todos os meios e exigindo que estes serviços básicos estejam ao seu serviço, a coberto dos muitos impostos que pagamos.
Observatório do Algarve

ALGARVE: ESTADO "DEMOCRATA" = ESTADO FASCISTA

O domínio publico marítimo compreende as margens das aguas costeiras e das aguas interiores sujeitas à influencia das marés e pertence ao Estado, tal como consta da Lei nº 54/2005. As margens têm a largura de 50 metros contados a partir da linha de agua do maior preia-mar de maré viva do ano, excepto se, e caso tenha a configuração de praia e esta for mais larga que essa extensão indo até onde tiver tal configuração ou se a linha de agua atingir arribas conta-se a partir da crista da arriba.
Como se sabe a zona costeira é alvo preferido da cobiça de construtores e hoteleiros sem escrúpulos e muito particularmente os terrenos sob jurisdição do domínio publico marítimo. O País tem cerca de 900 km de costa, ou seja 900.000 metros que multiplicados pelos 50 metros do domínio publico marítimo nos dá uma área de 45.000.000 de metros quadrados, valendo no mínimo 1000 euros/m2, o que daria para pagar mais de um quarto da divida soberana portuguesa.
O Estado é, em principio o proprietário, mas quem quiser obter o reconhecimento como privado de uma parcela terá de obter através de acção judicial intentada até 1 de Janeiro de 2014, fazendo prova da propriedade anterior a 1864. São particulares os terrenos que forem objecto de desafectação por diploma legal e posterior alienação, mas ainda assim sujeitas a servidão administrativa.
Sendo escassos os processos de desafectação, quer no regime derrubado em 25 de Abril quer no actual, pode dizer-se que a ocupação dos terrenos do domínio publico marítimo tem sido permitida aos fascistas e “democratas” com ligações ao Poder, não o permitindo no entanto ao menos influente. Compare-se o processo das casas das ilhas barreira da Ria Formosa com as construções do Hotel Dunas – Mar da família Almeida Santos ou a construção do edificado nas Cabanas de Tavira avalizadas por Macário Correia e Valentina Calixto, ou na Quinta do Lago.
A Procuradoria-Geral da Republica no seu parecer http://www.dgsi.pt/pgrp.nsf/0/90edf6fa5047cc51802570ff00603e19?OpenDocument&ExpandSection=-1 pronuncia-se de forma clara e inequívoca sobre esta matéria. No entanto sobre um conjunto de situações vindas a lume não age nem reage, quando é sobre ela que recai a responsabilidade na salvaguarda dos interesses do Estado. Quem cala consente e a postura da Procuradoria-Geral é, pela omissão, de cumplicidade. Vejam estes links, com a denuncia publica do jornalista do Publico, José Antonio Cerejo:
[1] http://jornal.publico.pt/publico/2004/11/06/Nacional/#topo
[2] http://jornal.publico.pt/publico/2004/11/09/Nacional/#topo
[3] http://jornal.publico.pt/publico/2004/11/09/Nacional/#topo
[4] http://jornal.publico.pt/publico/2004/11/09/Nacional/#topo
A riqueza colectiva de um Povo a mudar de mãos, sem se saber como nem quando para estes políticos da treta se abotoarem com aquilo eu é de todos nós.
É caso para dizer que em termos de procedimentos estes “democratas” não são melhores que os fascistas, mas sim iguaizinhos. Até quando o Povo vai suportar esta roubalheira?
REVOLTEM-SE PORRA!
estações espaciais

Reproduzo parcialmente a seguir um artigo que publiquei no Jornal de Notícias em Julho de 1993 sob o título "Michael Porter". Era primeiro-ministro o Prof. Cavaco Silva e ministro da Indústria o Eng. Mira Amaral.

"(...)
O Governo português anda desde há algum tempo preocupado em definir uma estratégia económica para Portugal. A história do país ocasionou que ele se especializasse em certas indústrias, como os têxteis e o vestuário, o calçado, os produtos da madeira, o vinho, o turismo, e mais recentemente, as peças para automóveis. Nenhum governante, porém, se sente feliz a dizer que o seu país produz principalmente têxteis e vestuário, calçado, produtos da madeira, vinho ou serviços turísticos. Estas são as indústrias típicas de países em vias de desenvolvimento. Até a indústria automóvel já se tornou incompetitiva nos países ricos e constitui hoje em dia uma indústria em fase de transferência para os países de mão-de-obra barata.

As indústrias que fariam um governante feliz são as indústrias de ponta, cérebro-intensivas, indústrias de alta tecnologia: fibras ópticas, telecomunicações, biotecnologias, talvez mesmo a indústria espacial. É certo que em Portugal se produziram tradicionalmente têxteis e vestuário, calçado, produtos da madeira, vinho, turismo, e mais recentemente, peças para automóveis. Mas não estariam os portugueses, liderados pelos seus governantes, vocacionados para a produção de fibras ópticas, para as telecomunicações, para as biotecnologias, talvez mesmo para a produção de estações espaciais?

O melhor seria perguntar ao Porter. E assim se fez. Através do Ministério da Indústria, o Governo encomendou um estudo à empresa "Monitor" - um estudo que terá custado trezentos mil contos. O objecto do estudo consistia em determinar quais as indústrias em que Portugal possuía vantagens competitivas e, portanto, as indústrias onde o Governo deveria assentar a sua estratégia de desenvolvimento do país. Por vantagens competitivas, no jargão dos economistas, entende-se o conjunto de factores que permitem a um país produzir um certo bem ou serviço em condições mais vantajosas que a concorrência internacional, como, por exemplo, a disponibilidade de conhecimentos técnicos de produção, mão-de-obra treinada, conhecimento dos mercados, disponibilidade de matérias-primas, etc.

Portugal sempre produzira predominantemente têxteis e vestuário, calçado, produtos da madeira, vinho, turismo, e, mais recentemente, peças para automóveis. Por isso, em Portugal, existem conhecimentos técnicos de produção, mão-de-obra treinada, conhecimento dos mercado e matérias-primas predominantemente vocacionados para produzir têxteis e vestuário, calçado, produtos da madeira, vinho, turismo e, mais recentemente, peças para automóveis. Porém, não era certo que não existissem algures escondidos no país conhecimentos técnicos de produção, mão-de-obra treinada, conhecimento dos mercados e matérias-primas vocacionados para a indústria das fibras ópticas, das telecomunicações, das biotecnologias, da produção de estações espaciais - enfim, para alguma daquelas indústrias que todo o governante de um país em vias de desenvolvimento gostaria de ter no seu país. Nos aerópagos internacionais, ele seria agora o objecto da admiração dos seus colegas ministros: "Nós lá em Portugal especializamos na produção de estações espaciais...".

Por tudo isto, era preciso perguntar ao Porter.

A "Monitor" demorou alguns meses a elaborar o estudo. O estudo era aguardado com enorme expectativa pelos governantes, pelos empresários, pelos jornalistas, pelos académicos, pelos gestores, pelos sindicatos. O que é que o futuro imediato nos reservaria, fibras ópticas, telecomunicações, biotecnologias, estações espaciais?

O estudo foi revelado ao público recentemente na Exponor. Segundo o veredicto de Michael Porter e dos seus colegas da "Monitor", Portugal é um país que possui vantagens competitivas nas indústrias seguintes: têxteis e vestuário, calçado, produtos da madeira, vinho, turismo e peças para automóveis"

(in P. Arroja, Abcissas - Crónicas do Jornal de Notícias, Porto: Areal, 1993, pp. 307-8)

HUMOR EM TEMPO DE CRISE - O CORNETEIRO DE D. AFONSO HENRIQUES, O PRIMEIRO REI DE PORTUGAL.


"O corneteiro do D. Afonso Henriques..."

Para quem não conhece a história do Corneteiro:
Nos primeiros tempos da fundação da nacionalidade - tempo do nosso rei D. Afonso Henriques - no fim de uma batalha o exército vencedor tinha direito ao saque sobre os vencidos.
(Saque - s. m. : Acto de saquear. Roubo público legitimado...).
Pois bem, após uma dessas batalhas, ganha pelo 1º Rei de Portugal, o seu corneteiro lá tocou para dar "início ao saque" a que as suas tropas tinham direito e que só terminaria quando o mesmo corneteiro
desse o toque para "fim ao saque".
Mas,... fruto de alguma maleita ou ferimento, o dito corneteiro finou-se, antes de conseguir tocar o "fim ao saque".
E.... até hoje, ninguém voltou a tocar "fim ao saque"...
Afinal a culpa é mesmo do Corneteiro....!!!
NÃO HAVERÁ POR AÍ NINGUÉM QUE CONHEÇA O TOQUE ???

Sopro


O meu estar, vazio e incerto,
Não tem um porto, não tem azinhaga,
É devaneio volátil e distante,
É terra calejada, rastejante,
É sopro de momento que se apaga.
O meu ser é travessia do deserto,
É pegada fugaz, esvanecida,
É restolho de um prazo encoberto,
É brisa pendente e dividida.
O meu corpo é terra recheada
De larvas famintas de um querer
Apagar o meu estar e o meu ser,
Elevar-me à condição do nada.
 
Maria da Fonte
mariliacortes.blogspot.com


Na Loja dos Aventais


Segundo parece, 90% dos deputados dos três maiores partidos de alterne da nossa democracia, incluindo os três lideres parlamentares pertencem à Maçonaria. Pela amostra, se lhe somarmos os que andam pela justiça, pelas autarquias, pelas empresas, pelos bancos, pela comunicação social, pelas policias pelas secretas e sei lá mais onde não nos custa acreditar que sejam homens de aventalinho quem realmente governem este país. Se o utilizassem só para trocar receitas, assar umas febras e falar de futebol não ficava muito preocupado mas quando vejo tantos "compadres" juntos vêm-me logo à cabeça a palavra compadrio que a realidade não cessa de demonstrar. Assim, nunca se sabe o que vão comprar quando entram na Loja, tanto pode ser um taxo como um perdão ou até uma caixa de robalos. A estas Lojas não vai a ASAE.


Estamos a ver perfeitamente...


Talvez para compensar a indefensável “transparência” com que foram colocados os amigos do governo na nova EDP... obviamente, a pedido expresso dos acionistas, e mais uma vez, presumo, com grande insistência pela parte dos chineses... que se não podiam passar sem Catroga, muito menos dispensavam Celeste Cardona & Cia... para compensar tudo isto, como dizia, chega-nos a notícia de que o governo decidiu abrir um portal na internet, onde podemos ver o que eles estão a fazer ao dinheiro dos nossos impostos. Um portal de «proximidade, pedagogia, envolvimento e transparência», garantiu a dona Marta Sousa, coordenadora da Informação Digital do Governo.
Os meus leitores e leitoras mais “sensíveis” ao velho vernáculo, que me perdoem… mas esta súbita vontade dos nossos governantes, de nos mostrarem o que estão a fazer ao nosso dinheiro, lembrou-me, irremediavelmente, uma estória passada há muito, lá para as bandas de Montemor, onde um velho alentejano - vamos chamar-lhe “Ti Francisco” – ganhava a vida transportando toda a sorte de mercadorias na sua carripana a cair de velha e podre.
O Ti Francisco era constantemente perseguido pela GNR, que não se conformava com o estado decrépito da viatura. Um dia, em mais uma das inúmeras “inspecções” de estrada, lá foi mandado parar, desta vez por causa de um espelho retrovisor preso por um arame e meio caído.
- Ó Ti Francisco... o senhor não pode andar com o espelho dessa maneira. Assim, acabo por ter que o multar – quase que se lamentava o guarda.
Atão e porquêi?
- Então e porquê?! Porque assim não vê nada para trás... e é um perigo...
Vêjo tudo muito bêm...
- Ai vê? Então vamos lá apreciar isso.
Encaminhou-se para a traseira da carripana, onde começou a esbracejar... e perguntou:
- Então, Ti Francisco... o que é que eu estou a fazer?
E o Ti Francisco, sem tentar sequer olhar para trás:
- Ora!... Tá a ver se me fodi...