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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A OITIVA DE DUARTE LIMA - (OITIVA - FIXE BEM ESTA PALAVRA )



A OITIVA DE DUARTE LIMA


Fixe bem esta palavra - oitiva

"Domingo - Correio da Manhã 18 DFEZ 2011"
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/outros/domingo/duarte-lima-fixe-bem-esta-palavra---oitiva 

Duarte Lima: Fixe bem esta palavra - oitiva

No ano de todas as crises, em que a política e a economia sufocaram (literalmente) a sociedade, a justiça seguiu as pegadas do País e manteve a sua atracção pelo abismo. Os casos em torno de Duarte Lima, o alegado assassino que acabou apanhado por lavagem de dinheiro, deram um empurrãozinho – e são um exemplo cristalino dos males que nos afligem.

Se me pedissem para resumir o Portugal de 2011 numa única palavra, eu escolheria esta: ‘oitiva'. ‘Oi... quê?', pergunta o caro leitor, já preocupado com o estado da sua cultura geral. Não se aflija. É perfeitamente natural que não saiba o significado de 'oitiva'. O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, também não sabia o que ela queria dizer quando recebeu do Brasil um pedido de ‘oitiva a Duarte Lima' a propósito da investigação à morte de Rosalina Ribeiro. Vale a pena conhecer esta história exemplar.

Desde 2010, as autoridades brasileiras solicitaram às portuguesas uma série de diligências, entre as quais a ‘oitiva'. Todas essas diligências deram em nada. Confrontado com a falta de empenho do Ministério Público na resolução do caso, Pinto Monteiro deu esta desculpa ao semanário ‘Sol': por causa de tão complexo pedido, havia sido obrigado a efectuar "uma diligência informal prévia com vista a esclarecer o sentido da palavra ‘oitiva', a qual não foi conclusiva por se tratar de terminologia antiga e que mesmo as autoridades brasileiras são dissuadidas de utilizar". O pedido ficou por cumprir.
GOOGLE, SR. PROCURADOR!!!!!!! Não sabe o que é????
À falta de dicionários da língua portuguesa, o procurador-geral da República poderia ter ido ao Google. Escrevia ‘oitiva' e logo na primeira entrada (a Wikipédia) teria lido isto: "Comummente utilizada no meio jurídico. Oitiva significa audição, no sentido de ouvir. Exemplo: A oitiva da testemunha é obrigatória." A polícia brasileira queria - imagine-se - que Duarte Lima fosse ouvido. O Ministério Público perdeu-se na tradução.

Das duas, uma: ou o procurador-geral da República não sabe ‘googlar', ou sabe, mas fez-se de engraçadinho. Eu voto no engraçadinho. Pinto Monteiro estava a ironizar com a história da "diligência informal prévia". Estava a contar uma anedota de brasileiros. Estava a praticar sarcasmo judicial. Em 2011, a Procuradoria foi confrontada com o alegado assassinato de uma cidadã portuguesa por um cidadão português e decidiu que a atitude certa não era colaborar com as autoridades do Brasil, mas sim fazer piadinhas.

Eis a razão por que deve, caro leitor, fixar para todo o sempre a palavra ‘oitiva' - ela mostra de forma exemplar como a Justiça portuguesa está virada do avesso, preferindo entreter-se com rodriguinhos de treta em vez de se preocupar com aquilo que está em causa. Afirmou um polícia brasileiro que trabalhou no caso Rosalina: "A Procuradoria levou quatro meses para responder a um e-mail. É mais tempo do que o Cabral levou a vir para o Brasil." Isto, sim, é uma boa piada - embora dê mais para chorar do que para rir. Outro polícia acrescentou: "Aqui estamos preocupados em esclarecer o crime hediondo praticado contra uma senhora indefesa de 74 anos. Em Portugal, o formalismo sobrepõe-se à vida." Não nos poderia ter descrito melhor.

OFFSHORE DA JUSTIÇA

Independentemente da culpa (ou não) de Duarte Lima, o desleixo e desinteresse com que as autoridades portuguesas acompanharam o homicídio de uma cidadã nacional em quase dois anos é sintomático da forma como quem tem poder é tratado neste País. Vivemos num offshore da Justiça: a trafulhice circula sem pagar imposto e quem conhece as regras do jogo tem probabilidades de passar pelos pingos de chuva sem se molhar.

Duarte Lima seria mais um a ficar enxuto se a sua história pessoal - o homem pobre que vira rico, o barão do PSD caído em desgraça, o benfeitor da leucemia suspeito de um bárbaro homicídio - e os pormenores do crime - as provas reunidas (e divulgadas) pela polícia brasileira são avassaladoras - não fossem tão fascinantes para jornais e televisões. A Procuradoria preferia certamente estar a apanhar banhos de sol numa praia do nordeste brasileiro, mas o País abria a boca de espanto diante da possibilidade de Lima ficar toda a vida sem ter de responder por indícios tão fortes.

Era chato. E como era chato, a justiça justiceira acordou. Numa daquelas coincidências tão grandes que mereciam um lugar no Guinness Book, eis que Duarte Lima é apanhado nas malhas do processo BPN, acabando detido no âmbito de uma investigação de branqueamento de capitais que envolve a compra de terrenos na zona de Oeiras destinados à construção (depois suspensa) das novas instalações do IPO (local, recorde-se, onde Lima ajudou a salvar gente suficiente para alcançar o Céu).

O homem que corria o risco de continuar a sua vida a passear alegremente por Portugal, mesmo que fosse condenado à revelia no Brasil, por causa da falta de acordos de extradição entre os dois países e de bizantinas dificuldades na transposição de sentenças, é subitamente apanhado em casa devido um processo paralelo.

A justiça, como bem sabemos, é suposto ser cega. Mas a portuguesa gosta de espreitar por debaixo da venda. E assim, Duarte Lima acaba transformado na nossa versão manhosa de Al Capone, o mafioso de Chicago que acabou preso por fuga ao fisco. Pode tudo isto ter sido um mero acaso e a esta minha conversa não passar de má-língua travestida de teoria da conspiração? Poder, pode. Mas o facto do caso BPN andar a arrastar--se há anos sem efeitos visíveis e a comunicação social ter sido convocada para assistir ao circo da detenção só adensa as suspeitas.
Os caminhos da justiça portuguesa são como os do Senhor. Misteriosos .!! 

[ Correio da Manhã ]

Quem Não Quer Sou Eu - Seu Jorge -Trilha Sonora Fina Estampa - Tema Ante...

MUITO BOM !


Cantar o Ano Novo no Pátio




















Este sábado, 7 de Janeiro, às 16h00, dá-se ao boas vindas ao Ano Novo na Livraria Leya no Pátio, com as charolas d’A Democrata da Bordeira e, pela 1ª vez, as Charolas da Casa do Povo de Estoi.

As Charolas são uma forma antiga de comemorar o Ano Novo e o Dia de Reis, em que se cantam versos de louvor ao Deus Menino (evocando a visita dos Reis Magos), mas também críticas brejeiras e mordazes sobre o ano que passou.

No Pátio vamos ter dois grupos, sendo o canto profano uma marca d’A Democrata da Bordeira, e o canto ao Menino tradição das Charolas da Casa do Povo de Estoi.


Só para lembrar...


Não pretendo dar lições de História (nem quaisquer outras “lições”) a quem quer que seja. Quero apenas contribuir, singelamente, para engrossar o número daqueles que não esquecem... já que a “amnésia” parece atingir até alguns que dizem dedicar-se à tarefa de “não deixar apagar a memória”.
São cinquenta e dois anos passados sobre um dia muito especial na vida de Álvaro Cunhal, Francisco Miguel, Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra... um dia especial na História da resistência ao fascismo. São cinquenta e dois anos passados sobre uma história de coragem física, verticalidade, coerência, sacrifício.


Operação "Guerra Relâmpago" contra os nazis alemães

 O grupo "Anonymus" acaba de criar um site para divulgar o nome e endereço dos apoiantes e simpatizantes dos nazis alemães, cujos dados podem ser consultados em baixo:
#OpBlitzkrieg (clicar para ler)

Investigadores surpreendidos ao descobrir pérolas em ostras no Algarve
03.01.2012
Helena Geraldes
Uma equipa de investigadores foi surpreendida ao descobrir pérolas em ostras do género Crassostrea em vários locais do Algarve, desde as rias de Alvor e Formosa até ao Rio Guadiana. O fenómeno, dizem, é muito raro nesta família de bivalves.
"Foi uma surpresa para nós", disse ao PÚBLICO Deborah Power, do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), responsável pela investigação, ao lado de Frederico Batista e Ana Grade, da Estação Experimental de Moluscicultura de Tavira do IPIMAR.


"A descoberta das pérolas aconteceu quando estávamos a trabalhar num projecto para fazer um levantamento das espécies de ostras no Algarve. Visualmente são todas muito parecidas mas, na realidade, podem ser diferentes", acrescentou a investigadora.


Ao longo de todo o ano de 2011, os investigadores recolheram 756 ostras e, de forma inesperada, encontraram pérolas em dois exemplares de Crassostrea, originária do Japão e importada da França para a criação comercial no Algarve. Num só indivíduo foram encontradas quatro pérolas (com um diâmetro inferior a 2 mm) e noutro foi observada uma pérola com cerca de 5 mm de diâmetro e 190 mg de peso. Esta ostra teria entre dois e três anos de idade, estima Deborah Power.


"Ficámos contentes. Este é um fenómeno muito interessante. Noutros países, como o Japão, já se estimula a produção de pérolas pelas ostras. Mas estas não foram provocadas por nós, cresceram no próprio organismo", acrescentou Deborah Power.


“Este fenómeno é frequente noutras espécies, podendo as pérolas atingir um elevado valor comercial. Mas nos últimos dez anos não tinha sido observado em ostras do género Crassostrea, que existem em Portugal”, disse a Universidade do Algarve, em comunicado.


“As pérolas são produzidas por moluscos bivalves, tratando-se de uma reacção defensiva do hospedeiro a corpos estranhos, tais como parasitas ou partículas inertes. O corpo estranho é coberto por várias camadas, sendo estas constituídas essencialmente por carbonato de cálcio sob a forma de cristais de aragonite”, escrevem os investigadores.


Deborah Power adiantou que já foram enviadas algumas pérolas para um laboratório da Universidade de Cambridge. "Através da realização de vários testes e do estudo da estrutura das ostras vamos tentar saber o que provocou a formação das pérolas."


Depois de um ano de monitorização das ostras do Sul do país, os investigadores confirmaram a "grande diversidade" da região. "A Ria Formosa e a zona do Guadiana são focos de grande biodiversidade".


Agora, os investigadores gostariam de desenvolver estudos para valorizar a espécie portuguesa, Crassostrea angulata, um recurso endógeno e mais adaptado às condições do país.


Questionada sobre os impactos da espécie japonesa sobre a portuguesa, Deborah Power respondeu que os estudos ainda não estão concluídos. "Mas, com base naquilo que observámos, posso dizer que, por enquanto, não há uma grande competição; a japonesa não é considerada invasora, apesar de ocuparem o mesmo espaço. Mas pode haver cruzamento. Esta é uma área com muito interesse".
Publico.pt

PSD apagou informações de relatório das 'secretas'

3 de Janeiro, 2012
O PSD apagou do relatório preliminar sobre as audições relativas aos serviços secretos, realizadas na primeira comissão parlamentar, as referências que indiciavam ligações de titulares de cargos de chefia e de direção das secretas à Maçonaria, avança o Público.O vice-presidente da bancada socialista Ricardo Rodrigues, membro da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, defendeu hoje que o PSD deve explicar aos portugueses as alterações efetuadas ao relatório.
«Não cabe ao PS esclarecer aquilo que o PSD fez e portanto cabe em primeira mão ao PSD explicar aos portugueses e na comissão porque é que teve uma versão e porque é que alterou a sua versão original», afirmou Ricardo Rodrigues, em declarações à Lusa.
O deputado socialista diz que o seu partido está disponível para «ouvir os esclarecimentos» e «apreciar» o relatório da deputada Teresa Leal Coelho, autora da primeira versão do documento.
Por seu lado, também em declarações à Lusa, a deputada do Bloco de Esquerda Cecília Honório considerou «absolutamente extemporâneo» que esta informação tenha passado para a comunicação social, porque «a discussão ainda não está arrumada».
«Não era altura deste texto aparecer na comunicação social porque alguém resolveu que é mais útil fazer esse debate na comunicação social do que chegar às conclusões que é necessário chegar no âmbito dos trabalhos da primeira comissão», sublinhou Cecília Honório.
A Lusa tentou contactar, sem sucesso, o deputado do PSD Fernando Negrão, presidente da Comissão, bem como a deputada do PSD Teresa Leal Coelho e o deputado do CDS-PP Telmo Correia.
António Filipe, do PCP, remeteu explicações para mais tarde.
Lusa/SOL

PECADOS E BONS BOCADOS



Pecados e Bons Bocados


É certo que não me aconteceu qualquer epifania, mas a usura já não faz parte do rol dos pecados capitais? Tá bem, móce, já percebi... agora são só capitais!

O dinheiro é tão bonito,


tão bonito o maganão.


Tem tanta graça, o maldito!


Tem tanto chiste, o ladrão!

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) condenou o BPN a devolver 3,584 milhões de euros com juros desde Abril de 2006, ao Instituto Missionário da Consolata, com sede em Fátima que, durante um ano, entregou essa quantia a um gestor daquele banco que prometia juros mais elevados do que os do depósito a prazo. O bancário utilizou antes o dinheiro para investir na Bolsa e perdeu-o.



Pingo doce nunca mais


A família Soares dos Santos que detém a Jerónimo Martins, dona da marca Pingo Doce, passaram a ser controlados indirectamente, através de uma sociedade com sede na Holanda. A operação deverá estar relacionada com o agravamento da tributação fiscal. Em comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o grupo informa que «no passado dia 30 de Dezembro de 2011 a sociedade Francisco Manuel dos Santos SGPS vendeu à sociedade Francisco Manuel dos Santos B.V. (subsidiária), que comprou àquela, 353.260.814 ações da sociedade aberta Jerónimo Martins SGPS»

Francisco Manuel dos Santos vendeu a Francisco Manuel dos Santos para o Francisco Manuel dos Santos deixar de pagar impostos em Portugal para os pagar na Holanda. Tinha aqui uma boa oportunidade para descarregar o meu desprezo por este tipo de gente e das politicas e políticos que os servem, num tempo em que pedem tantos sacrifícios e só nos prometem uma pobreza imensa. Mas, as causas de indignação são tantas, em tantas situações e por tantas razões que esta é só mais uma. Prefiro afirmar que não mais consumirei nada no Pingo Doce. Já o evitava, mas a partir de hoje, Nada. Esta gente só sofre quando lhes mexem na carteira porque coração não têm.



O FASCISMO DE MERCADO

Quando o capital financeiro estabelece sua supremacia, a cidadania é suprimida. Os sistemas de crédito e os dispositivos do mercado passam a se encarregar dos desígnios despóticos do capital sobre a massa de trabalhadores e os países mais fracos. É isso ao que estamos assistindo no sul da Europa.


A crise econômica capitalista, em especial nos Estados Unidos e na zona do euro, começa a dar lugar a golpes e contra-golpes entre os seus principais atores. Entre eles o receituário apresentado liturgicamente desde os anos 1990. As reuniões de cúpula que os chefes de governo ocidentais realizam não se caracterizam pelos seus aspectos resolutivos, mas pelo vazio de suas proposições.

Ao propor que os orçamentos dos países sejam aprovados primeiro pela UE, antes de ir para seus Parlamentos - com punição a quem não cumprir metas de redução de dívida e déficit - a chanceler alemã Ângela Merkel deixa claro que soberania nacional é um conceito em desuso, uma velharia a ser removida. Frente à crise imposta pelos princípios liberais globalizantes, notadamente o "salve-se quem puder" e o "que sobreviva o mais capaz”, que apareciam como mantras nos melhores manuais de desregulamentação, a única saída é a "fuga para frente" proposta pelos neoliberais radicais. Deixando governos de pés e mãos amarrados, a falsa solução passará pela perda de prerrogativas governamentais de conceber e executar políticas econômicas que atendam aos legítimos interesses dos países e dos povos.

Na verdade, chegou-se a fórmulas gerais que podem ser interpretadas de várias maneiras e que, de qualquer forma, não envolvem compromisso algum com qualquer esfera que não seja a do mercado. Insistir nas privatizações do que resta de estatal (quase nada), em ajustes fiscais, e no maior enfraquecimento do Estado, é consolidar o poder do FMI, do Banco Mundial, das instituições financeiras internacionais e a chantagem das agências de classificação de risco.

Todo cuidado é pouco para não tropeçar nas palavras e escorregar nos conceitos. Mas essas transformações e essas metamorfoses significam um "retorno" ao império das leis do funcionamento da economia mercantil- capitalista, temporariamente represadas por obra e graça da rebelião democrática do imediato pós-guerra, que ensejou a Grande Transformação.

Como recordou o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, "em sua essência, as práticas do Estado intervencionista e do Bem-Estar buscaram, por meio da aplicação política de critérios diretamente sociais, encontrar soluções para os problemas de satisfação das necessidades humanas e da vida decente para a maioria, negando, assim, as condições de existência impostas ao cidadão pela "ratio" do capital, cujo único propósito é acrescentar o seu valor."

A vitória do reformismo liberal fez recuar as tentativas de domesticar a mercantilização universal e a concorrência sem quartel. Na Europa, a social-democracia passa a ocupar uma posição de centro-direita rasgando a máscara da "terceira via", que fez grande sucesso e gerou expectativas em toda a esquerda do continente. Antes mesmo da crise do euro, os serviços públicos , como saúde, educação e transporte, conheceram uma considerável piora. Ainda no final do século passado, críticos de esquerda acusavam o então primeiro-ministro britânico Tony Blair de impor ao Reino Unido um “thatcherismo” com rosto humano.

Quando o capital financeiro estabelece sua supremacia, a cidadania é suprimida. Os sistemas de crédito e os dispositivos do mercado passam a se encarregar dos desígnios despóticos do capital sobre a massa de trabalhadores e os países mais fracos. É isso ao que estamos assistindo no sul da Europa. Algo que, guardadas as devidas proporções, vivemos na América Latina durante duas décadas. Por meio de disciplinas e sanções, sempre legitimadas na grande mídia, o fascismo de mercado se instala.

Fora da política não há salvação. Como bem sabemos por aqui.

O baile mandado das portagens


Luís Alexandre 
Membro do Forum Albufeira e da ACOSAL -Associação de Comerciantes de Albufeira  

O baile mandado das portagens 
Com as portagens no ativo (não foi difícil chegar ao objetivo), o baile mandado dos partidos parlamentares, na roleta das propostas e fugas, parece ter sido esgotado. Os partidos “lavaram a honra” e os cidadãos vão pagar a fatura. Tudo como combinado!
Na ressaca da cobrança efetiva, recheada a sul de outras ações de protesto, o que também continua a ser notícia é o teatro dos ressentimentos partidários, sobre quem estava ou não com as portagens.
Uns acobertam-se na legitimação eleitoral de Junho, insinuando que os votos dos algarvios implicavam a concordância com as portagens e, os outros, na repetida e condenada papelada parlamentar. Tudo na legalidade e no interesse do Estado burguês, que ninguém ousou pôr em causa, como se o Estado estivesse dogmaticamente acima dos interesses dos cidadãos e não pudesse ser posto em causa. O que não falta na História, são os exemplos da força dos cidadãos para a mudança.
E falando de cidadãos, em particular dos algarvios, estes viveram um longo processo de preparação das portagens debaixo do slogan que curiosamente não morreu, de que são injustas, e quando se consumou a sua aplicação, o facto de o descontentamento assumir formas físicas noutro patamar de protesto – o da ação revoltosa -, voltou a unir as várias frentes dos proclamados opositores, com o seu natural repúdio.
O Estado que semeia a injustiça em nome da democracia… volta a ser protegido, alegando todas as partes a legitimidade deste… contra a intolerância. Aqui está uma prova de hipocrisia e negação da resistência dos cidadãos.
O Estado e os seus agentes políticos podem liquidar a economia e lesar os interesses gerais dos cidadãos, levando-os ao desespero, a coberto das leis que produziram e são agitadas para os ilibar e, aos cidadãos, julgam na arrogância do poder, que lhes resta o papel de comer e calar. Que ilusão…
A comissão de utentes que trouxe a luta dentro de uma visão pequeno-burguesa saloia de protestos desligados com os resultados conhecidos, porque nunca soube ou quis ligar sectores regionais e as frentes de luta no espaço nacional, anestesiou a luta com a iniquidade das iniciativas parlamentares, ensaiou um enterro, perdeu uma providência, nunca assumiu e organizou de forma clara a justificada desobediência civil, para acabar ao lado do Governo na nova situação de condenação aos sucessivos atos de protesto popular. Como se de bandidos se tratassem…
Como sempre afirmei, para vencer a influência cruzada sobre os cidadãos, onde os declarados partidos apoiantes das portagens levavam vantagem, as soluções para a vitória da recusa passava pelo envolvimento público dos sindicatos, das comissões de trabalhadores e outras organizações populares, unificando a luta com as outras representações regionais.
A comissão do Algarve quer levar a efeito novas ações nos mesmos parâmetros curtos e pouco mobilizadores, desprezando os esforços de que jornadas de luta conjugadas a nível nacional têm outra profundidade e tiram o sono ao Governo e seus apoiantes.
Claro que devemos continuar a lutar, mas não pelos processos esgotados
Observatório do Algarve


Sua Majestade, a irrelevância


Falou a irrelevância de um Presidente da Republica um dia mostrou querer ser o "amado líder de todos os Portugueses" e continua a ocupar o cargo embora já se tenha demitido de cumprir com as funções que jurou defender. Depois de promulgar um Orçamento carregado de inconstitucionalidades perdeu toda a legitimidade e credibilidade pelo que qualquer discurso público que faça não tenho o mínimo de importância. Mais grave que as iniquidades inconsequentes daquilo que diz, são as consequências para a vida dos cidadãos da sua traição ao juramento feito a Portugal. 

PS: Escolhi o preto e cinzento para fazer o boneco porque este país cada vez mais se parece com as minhas memórias de criança e jovem, onde este país é cinzento. (Talvez pela explosão de cor que o 25 de Abril foi).


O voo dos abutres


Começa a entrar em vigor, à vez ou em catadupa, a avalancha de crimes (roubo, extorsão, trabalhos forçados, etc.) a que este governo chama eufemisticamente... “medidas”. Nada escapa. Seria uma enormidade ficar aqui a enumerar os cortes e/ou aumentos com que vamos ser agredidos nos próximos tempos. Primeiro, porque são conhecidos; segundo, porque este post resultaria interminável.
Como quase única exceção, teremos o verdadeiramente fantástico aumento das pensões mínimas de cerca de um milhão de portugueses (sim, há todos estes portugueses a tentar sobreviver com estas pensões mínimas!) que sobem cerca de sete euros mensais, o que, como é bem comentado aqui, proporciona aos nossos pensionistas um excêntrico aumento de poder de compra de... 23 cêntimos diários! Mais coisa, menos coisa... dependendo do número de dias do mês.
Tudo isto para explicar a vontade  que tive (uma espécie de terapia de controlo da ira) de “mexer” na capa e no nome do DVD do Jack Nicholson e do seu clássico “Voando sobre um ninho de cucos”... imaginando qual a extensão dos cacos que resultará da passagem pelo poder desta quadrilha que, mentindo despudoradamente ao seu eleitorado, se plantou no governo, bando de que este ministro das finanças é uma das caras mais notórias.



A «deslocalização fiscal» do Pingo Doce.

Aconselho a leitura do livro. Autor: Alexandre Soares dos Santos. Considerado pela Forbes em Março de 2011 o segundo português mais rico, apenas antecedido por Américo Amorim, um singelo trabalhador da área da cortiça. "Consciente da situação que o país atravessa, Alexandre Soares dos Santos explica neste livro o enquadramento legal subjacente ao processo de transferência para uma sede, na Holanda (onde estão sediados vários offshores), das acções que a família detinha na Jerónimo Martins, e o modo como se solidariza, assim, com «as dificuldades que o povo está a atravessar» (como referia numa entrevista recentemente concedida a Fátima Campos Ferreira).(*)
No prefácio, António Barreto discorre uma vez mais sobre a falência do Estado social, reiterando que «há direitos que não são compatíveis com a crise» e critica a Constituição, na qual «o cidadão português tem todos os direitos e mais alguns». A Pordata comemorará o lançamento deste livro activando um daqueles «simuladores ao segundo» em que, em vez do aumento da despesa pública em saúde ou educação, surgirá o valor das perdas de receita que resultam dos expedientes de «deslocalização fiscal» a que recorrem muitos dos grandes grupos nacionais.
(*) Percebe-se hoje o verdadeiro alcance de uma frase de Alexandre Soares dos Santos nessa mesma entrevista: «vamos dar corda aos sapatos»." (blog Ladrões de Bicicletas)


A Saúde a Contas com Banqueiros e Jardins


Paulo Macedo, o respeitável banqueiro e gestor fiscal que nos anda a tratar da saúde, depois de aplicados uns "saudáveis" cortes orçamentais para 2012, veio agora admitir a falência técnica em mais de metade dos hospitais portugueses, dando a entender, nas entrelinhas do discurso, que o Serviço Nacional de Saúde, tal como conhecemos, estará por um fio, como convém. Fazendo coro com o ministro, um tal Jardim Ramos, secretário regional dos Assuntos Sociais do governo do outro Jardim, garantiu que há muito esbanjamento e desperdício na área dos cuidados de saúde na Madeira, apelando à racionalização dos recursos, embora não dizendo onde nem como.

Ainda não perceberam o que é que eles querem? É simples! Com a “emigração sustentada”, coordenada pela agência de emigração da autoria do eurodeputado Paulo Rangel, o objectivo é esvaziar o país, e para os que cá ficam, caso não se curem com as sopas das misericórdias e os cabazes das caridadezinhas, sempre há disponíveis alguns cuidados de saúde, mas atenção, devem pagar as respectivas taxas moderadoras, com a obrigação suplementar de virem com o banho tomado, trazerem de casa a arrastadeira, os toalhetes, o papel higiénico, as seringas, a gaze, o adesivo, a betadine, as embalagens de soro e a pomada para as escaras. As seringas serão reutilizadas, depois de fervidas.

Havia muito mais a acrescentar, como por exemplo a história dos transplantes hepáticos em crianças, que só voltarão a ser praticados lá para Março, mas agora ficamos por aqui…

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