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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

FADO NO DESENVOLTURAS E DESACATOS








GALERIA DE FOTOGRAFIA - BICICLETAS Á ANTIGA NA LISBOA MODERNA






















blog Diário de Lisboa

A QUEREREM FAZER FIGURA DE GENTE (ANIMAIS) divirta-se !!!
















E os prémios da má ciência de 2011 vão para...

 (DR)
Uns são fraudes, outros são estudos que não deviam ter acontecido, pelo menos daquela forma. Quando a ciência não dá boa imagem de si.
A fraude do "senhor dos dados" holandês

Os temas de Diederik Stapel pareciam escolhidos a dedo para chamarem a atenção: a influência do poder no pensamento moral, como os ambientes desordenados promovem a discriminação... Mas os dez anos de investigação em Psicologia Social do holandês, traduzidos em mais de 150 artigos em revistas científicas, desmoronaram-se em Setembro, quando foram divulgados os primeiros resultados de uma investigação promovida pela Universidade de Tilburg, onde trabalhava. Stapel, afinal, não fazia inquéritos, nem experiências para observar situações sociais. Inventava pura e simplesmente os dados e dava-os aos seus estudantes ou colaboradores, que não sabiam que trabalhavam com falsidades.

"As pessoas estão chocadas", disse ao site Science Insider Gerben van Kleef, psicólogo social da Universidade de Amesterdão. O relatório ainda provisório das universidades holandesas onde Stapel trabalhou chamou-lhe "Senhor dos Dados" (Lord of the Data), porque não mostrava o material original a ninguém. Isso ter-lhe-á permitido ter uma carreira fraudulenta, publicando em revistas prestigiadas, como a Science.

Esta fraude de proporções épicas pôde acontecer porque é prática corrente na investigação em Psicologia não divulgar os dados originais, com a desculpa de defender a privacidade dos participantes. Mas "a cultura de segredo da Psicologia produz ciência de baixa qualidade", escreveu na Nature o psicólogo Jelte Wicherts, da Universidade de Amesterdão. "Quando se voltam a analisar artigos publicados, encontram-se frequentemente erros, e quanto mais relutantes se mostram os autores em divulgar os seus dados, mais provável é que o seu trabalho tenha erros."

Arsénio, bactérias e a ciência em águas de bacalhau

A descoberta divulgada no final de 2010 foi uma declaração e tanto. Havia na Terra bactérias tão diferentes que passava a ser possível procurar vida em locais no Universo que até então julgaríamos mortos. Felisa Wolfe-Simon, do Instituto de Astrobiologia da NASA, tinha encontrado uma espécie que se alimentava de arsénio. O estudo foi publicado na Science.

Até então o statu quo era que as proteínas, gorduras, o ADN, que compõem as células eram constituídas por carbono, oxigénio, hidrogénio, azoto, enxofre e fósforo. O que as bactérias GFAJ-1 do lago Mono, na Califórnia, rico em arsénio, faziam era substituírem o fósforo pelo arsénio quando o segundo existia em grandes quantidades. Este elemento venenoso, está abaixo do fósforo na Tabela Periódica e tem propriedades semelhantes.

A investigadora fez a descoberta submetendo as bactérias a concentrações altas de arsénio. Verificou a sua multiplicação e incorporação no ADN. Mas o trabalho foi logo criticado: o meio tinha fósforo suficiente para as GFAJ-1 sobreviverem, o ADN não foi limpo correctamente, devia ser analisado através de espectrometria de massa, etc.

A investigadora voltou para o laboratório e pediu aos seus pares que replicassem as experiências. Em Maio a Science publicou oito críticas ao artigo e um novo estudo de Wolfe-Simon e colegas que defendia as assunções originais. O artigo não foi retirado, embora exista uma desconfiança total.

A 25 de Junho, Carl Zimmer queixava-se no New York Times de que faltava vontade aos cientistas de replicarem experiências das quais esperavam resultados negativos. Dava explicações: isso tirava-lhes tempo para trabalhar nas suas experiências e tinham dificuldade em publicar os resultados em revistas de topo. Passado um ano, as bactérias que comem arsénio continuam em águas de bacalhau.

O vírus que afinal não estava por trás da fadiga crónica

Um retrovírus que causa leucemia em ratinhos está por trás da desconcertante síndrome da fadiga crónica, um problema com sintomas variados que afectará 17 milhões de pessoas? A hipótese foi publicada na Science, há dois anos, mas foi ceifada pela própria revista poucos dias antes do Natal, pondo fim a uma verdadeira novela.A equipa liderada pela investigadora Judy Mikovits relatou em 2009 ter identificado o vírus XMRV no sangue de 67% de 101 pacientes que analisou e também 3,7% de pessoas saudáveis. Mas ninguém conseguia reproduzir os seus resultados. As dúvidas acumularam-se, cada vez mais sérias. Teria havido contaminação das amostras ou de algum passo do trabalho de laboratório, até porque se descobriu que o vírus XMRV teve origem num laboratório.

Mas Mikovits recusou-se a ouvir tal coisa e, qual D. Quixote, passou estes dois anos a dizer que todos estavam a fazer as experiências de forma errada.

Defendia até que todos os doentes fizessem caras análises de despistagem do vírus (549 dólares, dizia a revista Nature) e tomassem anti-retrovirais, como se tivessem sida.

A Science já em Maio tinha pedido à equipa que retirasse o trabalho. Mikovits respondeu que era "prematuro". Entretanto, foi despedida do Instituto Whittemore (Nevada). Mas levou computadores, pens, apontamentos de outros investigadores. Foi denunciada à polícia e passou quatro dias na cadeia.

Bruce Alberts, o director da Science, explica que a revista retirou o artigo porque o grupo nomeado pelo Departamento de Saúde dos EUA para esclarecer se as reservas de sangue podiam ser contaminadas pelo vírus XMRV divulgou os resultados este mês: não havia indícios do vírus em amostras de sangue onde Mikovits et al o tinham detectado.

Os genes dos centenários atraiçoados por erro técnico

Estará o segredo do que faz alguém ultrapassar os 100 anos nos genes? Não se sabe bem. Por momentos parecia haver uma resposta mais concreta dada por Paola Sebastiani e Thomas Perls, dos EUA. Em Julho de 2010 diziam na Science ter identificado 150 locais no ADN humano que explicavam por que é que 77% dos centenários chegavam àquela idade. Para isso utilizaram 801 pessoas com mais de 100 anos e 962 controlos, e compararam 300 mil pontos no ADN entre as duas populações.

Os genes são uma espécie de caixa-forte de informação, que codifica cada proteína. São formados por uma cadeia de ADN, integrados nos cromossomas que estão nas células. A molécula de ADN é fabricada com quatro tijolos diferentes e cada gene tem uma sequência destes tijolos. Mas entre duas pessoas pode haver diferença num ou noutro tijolo. Os investigadores demonstraram que havia 150 lugares - chamados SNP (single nucleotide polymorphism) - no genoma humano que, se tivessem um certo tijolo em vez de outro, aumentavam a longevidade.

O estudo foi uma bomba. Mas rapidamente surgiram críticas. A mais grave foi a relativa a um aparelho usado para comparar os lugares no ADN das duas populações nas amostras de 108 centenários. O aparelho interpreta mal dois dos 150 SNP, o que punha a experiência em causa.

Os cientistas ficaram surpreendidos com a crítica e voltaram ao laboratório. A 21 de Julho, admitiram haver "erros técnicos" e pediram para retirar o artigo. "Sentimos que as principais descobertas que fizemos continuam a ser fundamentadas", escreveram. "Mas detalhes específicos da nossa análise alteraram-se substancialmente."

A bomba atómica da gripe feita em laboratório

Se o vírus H5N1, conhecido como a gripe das aves, se transmitisse facilmente entre os seres humanos - coisa que até agora não faz - seria uma bomba atómica biológica. A mortalidade é de 59%, bem acima de qualquer outra gripe, até mesmo da de 1918, que terá morto 100 milhões de pessoas. Então por que é que duas equipas, financiadas pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, criaram essas versões de pesadelo do H5N1?

A equipa de Ron Fouchier, do Centro Médico Erasmo de Roterdão, liderada por Ron Fouchier, e a de Yoshihiro Kawaoka, que junta investigadores japoneses e da Universidade de Wisconsin (EUA), têm artigos à espera de publicação em duas das mais prestigiadas revistas científicas (a Science e a Nature) descrevendo como criaram vírus H5N1 com mutações genéticas que se transmitem facilmente entre mamíferos. Até agora, o vírus só ocasionalmente passa para os seres humanos, embora com resultados devastadores: das 565 pessoas que infectou desde 1997, matou 331.A publicação iminente destes artigos fez entrar em acção um organismo criado nos EUA após os ataques terroristas de 2001 - e o envio de cartas com Bacillus anthracis, a bactéria do carbúnculo -, o Conselho Consultivo Científico de Biossegurança dos EUA, que pediu que os artigos não fossem publicados na íntegra. Pelo menos enquanto se analisam os riscos e os benefícios de divulgar uma investigação que pode ajudar terroristas a criar vírus que se transformem em armas letais.

Os cientistas não gostaram muito: defendem que é importante divulgar o que fizeram para que todos os cientistas possam preparar formas de contrariar a eventual utilização do vírus por terroristas, ou até se as mutações surgirem naturalmente.

Para Laurie Garrett, especialista em saúde do think tank Council on Foreign Relations, tentar travar esta publicação não é a melhor política. "Em vez de tentarmos censurar a investigação porque a sua divulgação inevitável pode ser perigosa, devíamos ter uma discussão franca sobre as suas implicações", escreve na revista Foreign Policy. Por exemplo, acerca da proliferação de laboratórios biológicos de alta segurança no pós-ataques de 2011, "onde os cientistas estudam agentes altamente patogénicos como o Ébola, o botulismo ou outros germes que alguém pode transformar em armas". Na União Europeia, nota, o número de laboratórios de segurança máxima (nível 4) cresceu de seis para 15 e nos EUA de sete para 13.

"Desde que a proliferação de laboratórios começou, ocorreram acidentes com uma regularidade alarmante", diz a analista. Nestas instalações, sublinha, podem fazer-se experiências para conceber supermicróbios, "quer as intenções sejam nobres, como parece ser o caso de Fouchier e Kawakoka, ou maldosas".

História macaca provoca demissão em Harvard

Oito actos de má conduta puseram fim à carreira de Marc Hauser, pelo menos em Harvard, onde era uma referência na Biologia do Comportamento. Em Julho, quando se demitiu, foi o fim de uma história de quatro anos.

O psicólogo comportamental era uma referência. Estudava a evolução de características humanas como moralidade, matemática ou linguagem, olhando para os primatas e procurando a origem destas características. Descobriu que os saguins-cabeça-de-algodão se reconheciam ao espelho e conseguiam identificar padrões diferentes de vogais e consoantes. Verificou que os macacos-rhesus podiam ler correctamente gestos humanos.

Publicou em revistas científicas com impacto: Science, Proceedings of the Royal Society, Cognition. Mas o cientista era criticado pelas suas experiências, por retirar conclusões ousadas a partir de observações subjectivas dos comportamentos dos animais que testava. A descoberta dos macacos que se reconheciam ao espelho, de 1995, foi uma delas. Hauser chegou a repetir testes sem conseguir replicar o observado. No entanto, continuou a publicar um artigo por mês e foi construindo um corpo de estudo que era seguido pelos colegas da área.

Mas, em 2007, três alunos graduados do seu laboratório desconfiaram da forma como Hauser utilizou dados e denunciaram o caso a Harvard. De seguida, os computadores do investigador foram levados e o burburinho à volta do cientista explodiu.

Três anos depois, a universidade concluiu que havia oito actos de má conduta que envolviam "aquisição, análise e retenção de dados, e a descrição de metodologias de investigação e trabalho". Colegas da área criticaram a universidade por não dar detalhes sobre os erros e lançar uma sombra sobre este campo de investigação. Hauser foi obrigado a rever os dados de três artigos, um deles foi retirado. Passado um ano, demitiu-se.
Publico.pt


Entrevista de D. Januário Ferreira


D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, dá um entrevista à Revista Alumni UPorto.
Vale a pena perder algum tempo para ler.


"Em entrevista, D. Januário disse que “ser patriótico não é estar de joelhos e aceitar tudo o que nos dizem”. 
À luz destas declarações, que avaliação faz da recente greve geral? 
Foi um exercício democrático. Mas ao mesmo tempo notava-se, quer por parte do Governo, quer por parte de outros setores da sociedade portuguesa, [a tentativa de passar a ideia de] que era uma atitude irresponsável. No sentido em que, se se perde mais um conjunto de horas, a economia do país fica mais debilitada. 
Não concorda com esta visão?
Não concordo, não. Nota-se que essas pessoas não têm o realismo de escutar os outros e as no- tas que algumas instituições, que foram as organizadoras da greve, publicaram. A saber, foi dito que a greve, entendida como último recurso da comunidade trabalhadora, deverá significar que a situação do país é perfeitamente intranquiliza- dora. Além de intranquila, é intranquilizadora. 
Acha que o povo português deve vir para a rua manifestar a sua discordância em relação às políticas de austeridade?Com certeza. Fico sempre admirado com o espírito de disciplina e de civismo [do povo português]. Com certeza que há veemência, com certeza que há vozes demasiadamente inflamadas, com certeza que há ditos que ferem qualquer dicionário... Mas o que nós não assistimos foi à arruaça, à violência e à injustiça. Apesar dos comentários infelizes do perigo de tumultos e de anarquias... 
Não teme um agravamento da conflitualidade social, porventura com os níveis de violência e de desobediência civil que se verificam na Grécia?Poderá haver, de facto, esse problema. Se este clima continuar, não excluo uma situação semelhante à da Grécia. Há aqui dois problemas: distribuir – usando o adjetivo que Cavaco Silva usou – com equidade e justiça social os frutos do trabalho; e tratar as pessoas e as instituições como sujeitos, e não como objetos. Começo a ficar um bocado inquieto quando se diz: “fulano foi patriota”. Porquê? Porque defendeu os cortes no Orçamento. Esse é que é o patriota? Aquele que fabrica pobres, miseráveis e oprimidos é que tem amor à pátria? Eu acho que o patriota é o solidário. E a solidariedade começa pelos mais aflitos e pelos mais doentes.
Considera, portanto, que não está a haver equidade na distribuição dos sacrifícios?
Eu acho que não! As zonas mais vulneráveis, mais abandonadas e mais debilitadas económica e socialmente não têm sido zeladas com uma proporcionalidade monetária justa e compensa- dora. Uma malga de sopa mata a fome. Mas uma malga de sopa significa, tantas vezes, o mais profundo desrespeito pelo ser humano: “Toma lá!”. É o olhar de cima. E, como diz o García Márquez, “só se pode olhar de cima como se olha para uma criança: para a ajudar a crescer”. Aí é que o olhar de cima não é uma afronta! Nós ficamos muito satisfeitos, e isso são restos do salazarismo, com a solidariedade que engana a fome. O que eu queria era justiça que matasse a fome! As pessoas têm direito, como homens, a ter um trabalho com um salário justo. Não um salário precário, um salário por favor ou um salário que equivalha à malga de sopa.
Isto significa que a coesão social e o crescimento económico estão a ser esquecidos pelo Governo?
A parte produtiva e social está a ser esqueci- da. Tudo isto vem, a meu ver, da inclemência, do medo e do pânico. Já com o último Governo chegou-se à conclusão de que não havia dinheiro. E, então, sob a pressão do medo, do perigo e da desonra nacional foi possível assinar um acordo [com a troika]. Mas a inclemência e o medo não lhes deu tempo, nem lucidez, para pensar que o que foi prometido ser pago em três anos devia ser pago em seis ou sete anos. Que a dívida deve ser paga, com certeza! Devemos dar o testemunho cívico de que somos honestos, retos e patriotas. Agora, fazer pedidos de dinheiro para ficarmos de joelhos diante da Europa... Neste momento, por muito que isto pareça radical, não sei se será possível mantermo-nos na Europa. Aí é que eu tenho medo que haja tumultos e levantamentos. Porque isto da Alemanha e da França estarem a comandar os destinos do dinheiro, com buscas lucrativas que para mim têm sabor autêntico a agiotas, pode criar uma crise terrível.


 “Doença ética” na Europa
A atual crise económica e financeira da Europa de- corre de uma falta de solidariedade entre Estados- membros?Eu acho. Não vejo nenhuma solidariedade. Os grandes criadores da Europa não quiseram criar a solidariedade do aço, do petróleo ou do carvão. O que queriam era a liberdade, a igualdade, a solidariedade e a entreajuda. Hoje, um tipo ajuda para dominar o outro. “Eu empresto-te dinheiro mas tu ficas a meus pés”. Tenho um certo re- ceio de que a democracia, não que acabe, mas que seja fraturada. Tenho escutado um certo vocabulário de antagonismo repulsivo [na Europa]. Estamos a criar rivalidades e desconfianças entre países e a alienar as suas soberanias. A solidariedade é um mito. Amanhã, ainda vão chamar Pinóquio à Merkel e ao Sarkozy. Eles mentiram. Eles só estendem a mão se ela vier mais cheia. 
Mas é um problema de lideranças ou tem que ver com o próprio sentimento dos países?
Não direi que são defeitos rácicos ou idolátricos de cada país. Nem de lideranças. Nós estamos a assistir a uma doença ética na alma europeia. Andou-se para aí a pregar a cidadania, mas a lição foi muito mal aprendida. Há uma rivalidade sur- da, um orgulho, um imperialismo. Os psicólogos, os sociólogos, os cientistas políticos têm que estu- dar tudo isto melhor. Mas que estamos diante de moléstias de valores éticos, eu não tenho qualquer receio de o dizer. E a Europa não nasceu para ser isto: nasceu para ser uma família.
Há uma crise de valores na Europa? 
Eu acho que há uma crise de valores. O mundo ocidental é profundamente egoísta. Vive para si; o outro não conta na balança. Só conta quando pode ser fonte de riqueza e de exploração. Nós estamos, de facto, na exploração do homem pelo homem. 
Está pessimista em relação ao futuro da Europa?
Estou um bocado pessimista, querendo ser otimista. Sempre sonhei com esta troca de valores. Nós [europeus] temos muito a dar uns aos ou- tros. O meu grande sonho, como cidadão português, era que se construísse uma Europa para todos. Não uma Europa para alguns. E quando esses alguns querem ser os donos e os senhores, então temos o imperialismo. Não estaremos à porta de uma sublevação?
Voltando a Portugal, havia capacidade para nego- ciar o acordo com a troikade outra forma?Eu acho que havia, ainda que o Governo anterior estivesse na opinião pública extremamente debilitado. E estes que estão neste momento no Governo tiveram muito tempo para estudar a lição, mas pelos vistos foram maus alunos. Porque o que temos vindo a assistir são medidas avulsas. Não há um estudo abrangente da situação. Compreendo que tem havido pouco tempo para esse exercício, mas escandaliza-me alunos que tiveram dois anos para se debruçarem sobre as soluções. Eu tenho a impressão de que a conclu- são a que chegaram é: “Vamos agora encontrar soluções para o fartar vilanagem”. Mas não encontram soluções nenhumas para o crescimento económico. 
Há neste momento margem para introduzir políticas de crescimento económico?
Acho que haveria margem relativamente ao pagamento da dívida. Porque o pagamento da dívida está assente nos nossos bolsos. Por isso mes- mo eles dizem: “Não há dinheiro”. Portanto, eles fizeram as contas e começaram a cortar. E agora o senhor primeiro-ministro já diz ser possível re- negociar algumas coisas. O bem nacional devia ser o bem daqueles que não têm acesso ao que é fundamental na vida de um cidadão. Repare, só se tem falado nos mais vulneráveis para dizer: “Nós não estamos contra os pobres”. Nunca é dito: “Os pobres estão em primeiro lugar”.
Não é dada prioridade aos mais desfavorecidos, é isso?Não, não há equidade naquilo que se pede aos vá- rios níveis sociais que estruturam o país. Quando dizem que estamos a viver acima das nossas possibilidades, eu fico escandalizado. Mas quem é que tem vivido [acima das possibilidades]? Há muita gente em Portugal que nunca teve possibilidades, como é que agora vivem acima daquilo que nunca tiveram? Isso é que é preciso dizer a muitos senhores. 
As pessoas vão aguentar mais ou já chegámos ao li- mite dos sacrifícios?
Miguel Torga disse nos seus diários que nós so- mos “um povo meigamente revoltado”. Dizemos que vamos para a rua, que vamos protestar, que vamos mudar o regime... mas ao fim ficamos comodamente em casa a ver o Benfica-Sporting, a fumar um cigarro e a beber um copo de vinho. O português, infelizmente, é “meigamente revolta- do”. E pode ser embalado por certas formas de esperança. Há uma réstia de autocomplacência e de otimismo.


Igreja “não deve impor: deve propor” 
Que papel é que tem a Igreja Católica num contexto de emergência social?A Igreja deve colocar os pobres em primeiro lugar. 
E tem-lo feito? 
Nas suas várias instâncias, a Igreja está a fazer o máximo. Só que esse trabalho não é apenas dar euros. O importante, neste momento, é que a Igreja clame por justiça social. Nós estamos numa altura em que é preciso fazer reformas. Em que é preciso muita gente despir-se proporcionalmente, contribuir com generosidade, que é uma forma de pagar direitos à sociedade que nos construiu. E nisso a Igreja devia ir o mais longe possível. Até na sua própria pobreza. Se um dia houver um cataclismo, em que as pessoas não tenham onde dormir, uma igreja deve ser um porto de abrigo.
A Igreja está a ser esse porto de abrigo?
Nunca devemos ficar satisfeitos com o que faze-mos. E a Igreja devia ser modelo na forma hu- mana de estar próxima das pessoas. No explicar, no traduzir da mensagem, no bom-humor – à Igreja falta-lhe, por vezes, o bom-humor, no à-vontade.... Não é natural construírem-se palácios, quando Nosso Senhor nasceu num presépio.

Há sinais de sumptuosidade na Igreja que contrastam com as dificuldades atuais?Eu nunca concordaria com a grandeza e monumentalidade de uma casa de um bispo. Tenho grande respeito pelo atual bispo [do Porto] e por bispos anteriores, mas eu não me via a habitar uma casa daquelas [Paço Episcopal]. A minha consciência diz-me que é muito melhor viver num simples andar. É muito mais natural. São esses aspetos exteriores que herdámos da História que não nos dão a naturalidade, como as vesti- mentas, esses uniformes palacianos... Parecemos mais homens da super grandeza do que cidadãos normais; e é isso que se espera da Igreja! Mas há também uma mentalidade portuguesa, de um conservadorismo atroz, que acha que é preciso manter um determinado tipo de elevação. 
Essa mentalidade não decorre da própria postura do Vaticano?Sim. O Vaticano é a expressão de uma história. Mas de uma história que devia ser relida e con- temporizada. No período renascentista fez-se isto, mas isto pode dar a impressão de que nós [Igreja] somos fidalgos. Só que nós somos filhos de um carpinteiro... “Se queres ver o vilão, mete- lhe a vara na mão”, diz o povo português. Isto é, às vezes os maiores ditadores e os maiores capita- listas, no pior sentido do termo, são aqueles que um dia nada tiveram mas que passaram a ter um espaço de poder. 
Mas a Igreja também funciona como um espaço de exercício do poder...Aquilo a que chama poder devia, na Igreja, ser serviço. A minha responsabilidade é servir. E aquele que serve considera os outros, antes de mais, como irmãos no diálogo. Não deve impor nada: deve propor. A quem é crente e a quem é descrente eu faço uma proposta! E devo ser isento nessa proposta. É esta mudança que a Igreja ainda não fez. Vão ao Evangelho, está lá: a pobre- za, a simplicidade, a coragem, a liberdade...


“Explicar melhor os aspetos positivos da sexualidade” 
Há liberdade no seio da Igreja? Lembro que o Senhor Bispo disse, em entrevista, que os “homens da Igreja são educados no medo e nunca no à-vontade”. 
Isso acontece na Igreja como acontece na socie- dade. No nosso país há muito pouca descontração, muito pouco à-vontade. Há uma postura excessivamente respeitadora perante quem tem o poder, como um aluno diante do catedrático. Mas, quando vira as costas, [o aluno] chama ao catedrático os nomes mais incorretos e inimagináveis. Não seria muito melhor nós termos um colóquio aberto com a gente do poder, cuja importância não nos esmaga, do que vivermos ao gato e ao rato? 
Essa postura excessivamente respeitadora inibe a crítica dentro da Igreja?
Como noutras sociedades, é preciso [na Igreja] conquistar a liberdade. Eu sei que a Igreja tem avançado muito, mas há uma poeira de séculos que nos trava o passo. Não sei se é a batina, que eu raramente uso [risos]. Acho que a Igreja, no seu todo, não tem o à-vontade de reformar ou de alterar situações muito sérias. Há um receio muito grande, uma obediência, uma fidelidade a convicções... Mas algumas dessas convicções deviam ser precisadas ao longo das épocas e dos ambientes.
Ou seja, a Igreja devia acompanhar a evolução da sociedade?
A sociedade é muito sensível a determinados temas. Perante tudo o que cheira a sexo, a socie- dade tem uma atitude de flexibilidade exagerada, de extremismo até. Nestes temas, a Igreja tem de facto de saber explicar-se diante do mundo. Tem de ter um outro à-vontade e saber explicar muito melhor os aspetos positivos da sexualidade; e nunca aparecer como uma barreira ou como uma emissora de interditos: “Não faças isto e aquilo e aqueloutro”. Estou a pensar no planeamento conjugal, na utilização de métodos artificiais de conceção, na forma como a Igreja olha para certas ruturas da vida matrimonial, como a separação e o divórcio... Depois de ouvir tanta gente no plano nacional e internacional, eu tive alguma dúvida de que, em certas situações, era moralmente obrigatório usar o preservativo? Não tive dúvida nenhuma! E quantos vitupérios eu ouvi... Até que o Papa, depois de vários diálogos jornalísticos na ida à África, disse: “Num ou noutro caso” [é legítimo o uso do preservativo]. É uma questão de respeito pela inteligência e pelo bem.
A Igreja continua, contudo, bastante inflexível em várias matérias, como a ordenação de mulheres ou o celibato sarcedotal. Esta postura é necessária para manter um determinado padrão moral na Igreja? 
É também o respeito pela tradição. Mas estou convencido de que, nalguns desses temas, vai haver mudanças. No sacerdócio das mulheres, o Papa falou e a noção de magistério ordinário é de forma definitiva. Mas, por exemplo, no caso do celibato, não tenho quaisquer dúvidas de que um dia a Igreja, com o mesmo respeito pelas razões da fé e sem ceder a pressões, vai mudar. Não tenho dúvidas nenhumas. Agora, ao dizer que isto vai ser possível, eu não alieno a cabeça. Às vezes dizem-me: “Você devia ser mais ponderado, mais prudente”. E eu sou! O que eu quero dizer a católicos e a não católicos é que determinadas posições [da Igreja] não são o que parecem. 
Sente-se uma voz incómoda dentro da Igreja?
Não me sinto uma voz incómoda, [mas] sinto que algumas pessoas se incomodam. E uma das formas de se sentirem incomodadas é pensarem: “Eu já tentei humilhá-lo e não consegui. Eu já tentei retorquir e não consegui. O melhor é eu não publicitá-lo”. E então essas pessoas, quando nos encontramos, falam-me pouco. Não é não me falarem, é falarem-me pouco. A pessoa man- tém a sua convicção e a única forma de mostrar ressentimento é o silêncio. Isto acontece num ou noutro caso; não é generalizado."


in  Revista dos Antigos Estudantes da U.P., nº 15, Dezembro 2011

RSI: Mitos e realidades


Clicar, para ampliar, nesta excelente infografia de Nuno Oliveira (via facebook), que reúne e analisa dados relativos ao Rendimento Social de Inserção (RSI) e que arrasa a propaganda populista e demagógica que desde há muito envenena a opinião pública. De acordo com os dados, relativos a 2009 e 2010 (hoje a situação será bem pior, em virtude dos cortes a que foi sendo sucessivamente sujeito), o RSI abrange apenas 18% da população a viver abaixo do limiar de pobreza (4% no total da população), representando um encargo para o orçamento da Segurança Social que não vai além dos 2,5% (bem inferior aos 30% relativos às dívidas das empresas). E a famosa fraude, que o discurso populista tenta colar a esta prestação, estima-se em apenas 3% (casos de cessação devida a «falsas declarações»), valor que tem vindo a diminuir, uma vez que o RSI é o programa mais ferozmente fiscalizado pela Segurança Social.

A HISTÓRIA DO XAILE E SUAS ORIGENS -Portugal foi o pais da Europa que mais tempo conservou o Xaile em moda, na classe popular podemos dizer, o Xaile não é inteiramente novidade, sempre a mulher camponesa usou pelas costas uma espécie de agasalho, primeiramente, usava uma saia dubrada, em seguida capa ou mantéu mais artistico e finalmente apareçeu o Xaile de varios tipos e qualidade. Uma das causas que mais contribuiu para a difusão do Xaile foi a sua entrada ser feita numa época em que a industria de teçelagem se estava a desenvolver, o Xaile apareçe assim açessivel às bolsas populares e contribui tambem imensso para o desenvolvimento da nossa industria.


Apontamento sobre a història do Xaile


O uso do Xaile é jà muito antigo, pelo menos no Oriente, as mulheres ocidentais esqueçeram o seu uso, pois a palavra xale ou xaile não apareçe na nossa lingua, se não em principios do século XIX, é na 2 édição de Antonio Morais da Silva de 1813 que tal se observa, quem tem uma origem oriental é opinião incontroverssa, pareçe ter sido a Caxemira o seu principal centro productor, disso hà numerosos testemunhos .


O uso do Xaile pareçe ter sido intreduzido na Europa por volta de 1798 por soldados Françeses que fizeram a campanha no Egipto, éram Xailes carissimos, pareçe que os mais finos se faziam de pelo de Cabra que existia no norte da India, este tipo de xaile ocupava, por vezes um tear durante perto de um ano.

Em 1818, os Françeses, no tear Jacquard começaram a imitar o Xaile de Caxemira, a urdidura éra de seda, e a trama em pêlo de Cabra do Tibete e lã merina ou Australiana.

Começaram a ser moda em França e Inglaterra ; em Portugal pareçe terem entrado lentamente ; os primeiros xailes teriam sido trazidos pelos capitães de navios que os ofereciam a suas esposas ; primeiramente serviram para ornamentação da sua sala de visitas, em seguida as senhoras começaram a apareçer em bailes envoltas nesses belissimos Xailes.

As imitações começaram a fazer-se em França e Portugal, primeiramente ainda se mantinham a riqueza das cores e a beleza dos dezenhos tipicamente orientais, em seguida o seu uso foi-se divulgando, e qual quer matéria ou desenho servia para a sua confecção.



O Xaile

O uso do xale ou xaile (do persa Shāl) é muito antigo, pelo menos no Oriente, defendo-se que será originário de Caxemira, o seu principal centro produtor. No ocidente o seu uso surge apenas no princípio do século XIX.
O uso do Xaile parece ter sido introduzido na Europa por volta de 1798 por soldados Franceses que fizeram a campanha no Egipto. Eram caríssimos, sendo mais finos os que se faziam do pêlo de uma cabra que existia no norte da Índia e a sua confecção levava cerca de um ano. Em 1818, os Franceses, começaram a imitar o Xaile de Caxemira, mas a urdidura era de seda e a trama em pêlo de cabra do Tibete e lã merina ou Australiana, mantendo a riqueza das cores e a beleza dos desenhos tipicamente orientais, mas à medida que o seu uso se foi divulgando, qualquer matéria ou desenho servia para a sua confecção.
Em Portugal entraram lentamente. Os primeiros xailes teriam sido trazidos pelos capitães de navios que os ofereciam a suas esposas. Inicialmente foram utilizados como ornamento da casa, só posteriormente começaram a aparecer em bailes envolvendo os ombros das senhoras.
Na classe popular, podemos dizer que o Xaile não é inteiramente novidade, sempre a mulher camponesa usou pelas costas uma espécie de agasalho, uma saia dobrada ou uma capa ou mantéu.
A grande difusão em Portugal, resulta do facto de a sua entrada ter coincidido com o desenvolvimento da indústria de tecelagem. A produção em série torna o Xaile mais acessível às bolsas populares.
Existem vários tipos de Xailes
Xaile de Sarga – Liso em ponto de sarja, franja torcida, inicialmente, só em preto, depois noutras cores e em xadrez.
Xaile Barra Azul – Liso ou em ponto de sarja, franja em nós, fundo escuro normalmente urdido em castanho e trama em preto, as barras eram em azul muito vivo, xaile popular, característico da zona Centro do pais.
Xaile Barra de Cetim ou Barrinhas – Em ponto de cetim com barras noutro ponto de cetim, franja torcida e também com franja em cadeia de cor preto, xaile popular de todo o país.
Xaile Xadréz-Feito em estambre (fio de lã penteada) em seda natural, em xadrez franja torcida, em preto e de várias outras cores. Era o preferido da classe média.
Xaile de Barra de Seda – Corpo em estambre e barra de seda, a barra era formada por vários desenhos representando motivos populares, em preto e de outras cores. Xaile de cerimónia da classe média, este Xaile também podia ser fabricado em fio de algodão ou fibra vegetal.
Xaile Double – De sarja em lã cardada, face principal em preto e outra de cor diversa, era um xaile popular de agasalho.
Xaile Mescla – Liso em sarja de lã fios de várias cores.
Xaile de Flanela – Em lã cardada, vai à percea levantar o pêlo, em preto, azul e castanho, era um excelente agasalho.
Xaile Pirinéus ou Feltrado – De lã cardada, pêlo aveludado liso, em várias cores, xaile de agasalho, as senhoras usavam-no muito nos serviços caseiros.
Xaile Africano – Fio cardado fazendo relevos, em cores, com predomínio do preto e cinzento, xaile de agasalho.
Xaile de Cercadura – De lã cardada em ponto de sarja, a barra de fios de borbotos ou argolas, em preto e de cores, xaile popular para senhora de meia-idade.
Xaile de Argola Liso – Lã cardada a urdir, a tramar fio cardado e argola, em preto, argola pode ser preta ou de várias as cores, xaile popular, muito grosso e pesado, usado nas regiões nortenhas ou na beira-mar.
Xaile de Ramagem ou Relevo – Lã cardada e ramagem feita de fio de argola, duas faces, ambas em preto, ou uma preta e a outra em verde, azul e castanho. Xailes populares mais para senhoras de classe média, muito caros e usados nas zonas mais frias.
Xaile de Argolinha – Em argolinha a urdir, em varias cores, xaile popular domingueiro, era um xaile caro e único vendido a peso, tinha entre um a dois quilos por volta de 1925 cada quilo custava 220 escudos era usado por todo o pais e muito na moda na Beira Alta.Xaile de Linha – Era urdido com fio na trama em lã cardada ou penteada, em preto, xaile pesado e duro para as raparigas e mulheres de posição média.
Xaile Primavera – Estambre a tramar e seda a urdir, ou de algodão e seda, de franja cadiada muito entrelaçado, em várias cores e desenhos, com predomínio do xadrez em preto e branco. Xaile domingueiro das raparigas da zona de Coimbra e Aveiro.
Xaile Tricana – Lã merina estrangeira, franjas de seda muito compridas e entrelaçadas, vários desenhos e varias cores, sobretudo cores garridas. Xaile de romaria muito usado nas zonas centro do nosso país.
Xaile Manta – Lã merina em ponto de tafetá, não tem franjas é de vários tipos de xadrez em preto e branco, xaile domingueiro e de romaria usado mais nas mulheres casadas.
Xaile de Merino – Em estambre de lã estrangeira, preto de cerimonia, muito usado nos casamentos, missa e dias de festa e no luto, xaile caro, usado pelas senhoras de meia-idade.Xaile Tapete ou Fantasia - Em seda natural ou em fio de estambre, muito lavrado, cheio de desenhos e cores representando animais, folhas, flores, frutos, e combinações geométricas, usado pelas senhoras da cidade de classe aburguesada ou para ornamentação de salas.

Portugal foi o pais da Europa que mais tempo conservou o Xaile em moda, na classe popular podemos dizer, o Xaile não é inteiramente novidade, sempre a mulher camponesa usou pelas costas uma espécie de agasalho, primeiramente, usava uma saia dubrada, em seguida capa ou mantéu mais artistico e finalmente apareçeu o Xaile de varios tipos e qualidade.

Uma das causas que mais contribuiu para a difusão do Xaile foi a sua entrada ser feita numa época em que a industria de teçelagem se estava a desenvolver, o Xaile apareçe assim açessivel às bolsas populares e contribui tambem imensso para o desenvolvimento da nossa industria.

Vàrios tipos de Xailes


Xaile de Sarga-Liso em ponto de sarja, franja torcida, primeiramente, so em preto , depois outras cores e em xadrés , xaile muito popular e vendido por todo o nosso pais


Xaile Barra Azul-Liso ou em ponto de sarja, franja em nòs, fundo escuro normalmente urdido em castanho e trama em preto, as barras eram em azul muito vivo, xaile popular, caracteristico da zona Centro do pais.


Xaile Barra de Cetim ou Barinhas-Em ponto de cetim com barras noutro ponto de cetim, franja torcida e também com franja em cadeia de cor preto, xaile popular de todo o pais.


Xaile Xadréz-Feito em estambre( fio de lã pentiada) em seda natural, em xadréz franja torcida, em preto e de varias outras cores, xaile da classe média.





Xaile de Barra de Seda-Corpo em estambre e barra de seda , a barra era formada por vàrios dezenhos representando motivos populares, em preto e de outras cores, Xaile de cerimonia da classe média, este Xaile tambem podia ser fabricado em fio de algodão ou fibra vegetal(seneafil).


Xaile Double-De sarja em lã cardada, façe principal em preto e outra de cor diverssa, xaile popular de agasalho no nosso pais.


Xaile Mescla-Liso em sarja de lã fios de vàrias cores, xaile popular.


Xaile de Flanela-Em lã cardada, vai à percea levantar o pêlo, em preto, azul e castanho, xaile popular de agasalho.


Xaile Pirinéus ou Feltrado-De lã cardada ; pêlo aveludado liso, em vàrias cores, xaile de agasalho, as senhoras usavam-no muito nos serviços caseiros.


Xaile Africano-Fio cardado fazendo relevos, em cores, com predominio do preto e cinzento, xaile de agasalho.


Xaile de Cercadura-De lã cardada em ponto de sarga, a barra de fois de borbotos ou argolas,ou argolas ou borbotos, em preto e de cores, xaile popular para senhora de meia idade.


Xaile de Argola Liso-Lã cardada a urdir, a tramar fio cardado e argola, em preto, argola pode ser preta ou de vàrias as cores, xaile popular, muito grosso e pesado, usado nas regiões nortenhas ou na beira mar.


Xaile de Ramagem ou Relevo-Lã cardada e ramagem feita de fio de argola, duas façes , ambas em preto, ou uma preta e a outra em verde , azul e castanho, xailes populares mais para senhoras de classe média, xaile muito caro, xaile muito usado no norte do pais e zonas mais frias.


Xaile de Argolinha-Em argolinha a urdir, em varias cores, xaile popular domingueiro, éra um xaile caro e unico vendido a peso, tinha entre um a dois quilos por volta de 1925 cada quilo custava 220 escudos éra usado por todo o pais e muito na moda na Beira Alta.


Xaile de Linha-Era urdido com fio na trama em lã cardada ou penteada , em preto, xaile pesado e duro para as raparigas e mulheres de posição média.


Xaile Primavera-Estambre a tramar e seda a urdir, ou de algodão e seda, de franjacadiada muito entrelançado, em vàrias cores e dezenhos, com prodominio do xadrez em preto e branco, xaile domingueiro das raparigas da zona de Coimbra e Aveiro.


Xaile Tricana-Lã merinaestrangeira, franjas de seda muito compridas e entrelaçadas, vàrios dezenhos e vorias cores, sobretudo cores garridas, xaile de romaria muito usado nas zonas centro do nosso pais.


Xaile Manta-Lã merina em ponto de tafetà, nao tem franjas é de vàrios tipos de xadrez em preto e branco, xaile domingueiro e de romaria usado mais nas mulheres casadas .


Xaile de Merino-Em estambre de lã estrangueira, preto de cerimonia, muito usado nos casamentos, missa e dias de festa e no luto, xaile caro , usado pelas senhoras de meia idade.


Xaile Tapete ou Fantasia-Em seda natural ou em fio de estambre, muito lavrado, cheio de dezenhos e cores representando animais, folhas, flores, frutos, e combinações geométricas, usado pelas senhoras da cidade de classe aborgesada, ou para ornamentação de salas


Blog as cantarinhas de Queue en brie

PINTURA MARAVILHOSA - Adam STYKA (1890-1959)


Adam STYKA (1890-1959)



































Adam STYKA (
do blog Catherine la RosePolish,1890-1959) fils du peintre d'histoire Jan Styka, et le frère du portraitiste Tadé. Adam étudie à Paris avant d'entreprendre des voyages en Algérie et en Tunisie. Après la Première Guerre mondiale, pendant laquelle il s'est engagé dans laLégion étrangère, il visite le Maroc, puis l'Egypte et le Soudan anglo-égyptien. Styka retourne souvent en Afrique du Nord. Après lda Seconde Guerre mondiale, il émigre aux Etats-Unis, où il est captivé par les cow-boys d'Arizona; puis il s'installe à New York et se tourne vers la peinture religieuse. Il expose dans presque toutes les capitales européennes.