Vivemos absorvidos por múltiplas preocupações – e eu que queria falar da quadra do natal, do brilho do orvalho que pela manhã cintila nos campos, da luz que se reflecte nos charcos, dos dias frios e chuvosos, dos grossos pingos de água que fustigam torrencialmente as vidraças das janelas das casas, das prendas, da lareira, do reencontro da família e dos amigos – e nunca estivemos tão preocupados, como hoje, com o que o futuro nos reserva.
Até os dias estão tristes e cinzentos, como a vida, que corre como água, por entre as mãos, sem direcção, sem futuro, sem uma ideia para o país e para o futuro dos portugueses.
Todos temos o direito a vivermos em plenitude a nossa existência.
Por isso, há um grito que já ecoa, por todo a parte, – a semana é de luta – legitimado pela força da razão, que independentemente das crenças ou das ideologias, nos diz, que “nós somos o que fazemos, o que não se faz não existe. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos, apenas duramos”.
Por isso, ouço, ou julgo ouvir, uma nova melodia, ruidosa mas determinada, que me sobressalta e me atrai, tal como acontece ao nosso rio gaiato que, em dias de grande turbulência, corre em mil correrias, quase imperceptíveis, mas corre para o seu destino, para o Mar.
Há semanas assim, e ainda bem!
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