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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Faro e as Baias - o edifício do CCDR ( o comentário)




Serve para gerir os "fundos" comunitários e para "coordenar" o "desenvolvimento" do "território".
A queda da fachada... dificilmente se poderia arranjar uma metáfora mais irónica.

anónimo

POEMAS ILUSTRADOS (DIVERSOS) DE ANTÓNIO GARROCHINHO




o que não trabalha e... - sextilhas de António Garrochinho


 
 
o que não trabalha e... - sextilhas de António Garrochinho

era nas feiras, era no mercados
que com poucos "trocados "
o pobre se abastecia
... ... bela fruta saborosa
comidinha da mais gostosa
que dava p'ra muito dia

hoje isso é coisa rara
custa os "olhos da cara "
aquilo que o povo consome
é o défice, a inflação
o intermediário o aldrabão
o que não trabalha e que come

António Garrochinho
imagem blog Cintraseupovo

Metamorfose - II (Depois de ser árvore, regressei!)

Pediram-me que fosse árvore,
com olhos de implorar...
Não uma árvore qualquer,
mas com ramos de abraçar,
tronco forte
bem enraizado,
suavemente inclinado.

Aceitei e gostei.
Gostei que o vento me sussurrasse.
Uma ave em mim pousasse
escolhendo-me para seu ninho.
Gostei de me sentir enorme, gigante
dando conforto e sombra à caminhante


Gostei de me desnudar, perder folhagem
atapetando a paisagem
Gostei de sentir a seiva quente
percorrer-me como quando era gente...

Aí, senti saudade de voltar
e voltei, em festa...
Quem antes via apenas a árvore,
pode agora ver, através de mim, a floresta
 
Blog Conversa avinagrada

Garoto das Meias Vermelhas

Ele era um garoto triste. Procurava estudar muito.
Na hora do recreio ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa.
Todos os outros meninos zombavam dele, por causa das suas meias vermelhas.
Um dia, cercaram-no e  perguntaram-lhe porqe usava meias vermelhas.
Ele falou, com simplicidade:
"no ano passado, quando foi o meu aniversário, a minha mãe me levou ao circo".
Colocou em mim estas meias vermelhas.
Eu reclamei. Comecei a chorar.
Disse que todo mundo iria rir de mim, por causa das meias vermelhas.
Mas ela disse que tinha um motivo muito forte para me colocar as meias vermelhas.
Disse que se eu me perdesse, bastaria ela olhar para o chão e quando visse um menino
de meias vermelhas, saberia que o filho era dela."

"Ora", disseram os garotos. "mas você não está num circo.
Por que não tira essas meias vermelhas e as joga fora?"
O menino das meias vermelhas olhou para os próprios pés,
talvez para disfarçar o olhar lacrimoso e explicou:
"é que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora".
Por isso eu continuo usando essas meias vermelhas.
"Quando ela passar por mim, em qualquer lugar em que eu esteja,
ela me vai encontrar e me levará com ela."

Muitas almas existem, na Terra, solitárias e tristes, chorando um amor que se foi.
Colocam meias vermelhas, na expectativa de que alguém as identifique,
no meio da multidão, e as leve para a intimidade do próprio coração.
São crianças, cujos pais as deixaram, um dia, em braços alheios,
enquanto eles mesmos se lançaram à procura de tesouros, nem sempre reais.
Lesadas em sua afetividade, vivem cada dia à espera do retorno dos amores,
ou de alguém que lhes chegue e as aconchegue.
Têm sede de carinho e fome de afeto.
Trazem o olhar triste de quem se encontra sozinho e anseia por ternura.
São idosos recolhidos a lares e asilos, às dezenas.
Ficam sentados nas suas cadeiras,apanhando o  sol, as pernas estendidas,
aguardando que alguém identifique as meias vermelhas.
Aguardam gestos de carinho, atenções pequenas.
Marcam no calendário, para não se perderem, a data da próxima visita,
do aniversário, da festividade especial.
Aguardam...

São homens e mulheres que se levantam todos os dias, saem de casa,
andam pelas ruas, sempre à espera de alguém que partiu, retorne.
Que o filho que tomou o rumo do mundo e não mais escreveu,
nem deu notícia alguma, volte ao lar.
São namorados, noivos, esposos que viram o outro sair de casa,
um dia, e esperam o retorno.
Almas solitárias. Lesadas na afetividade. Carentes.

Pense nisso!
O amor, sem dúvida, é a lei da vida.
Ninguém no mundo pode medir a resistência de um coração
quando abandonado por outro.
E nem pode aquilatar da qualidade das reações que virão daqueles
que murcharam aos poucos, na dor da afeição incompreendida.
Todos devemos respeito uns aos outros.
Somos responsáveis pelos que cativamos ou nos confiam seus corações.
Se alguém estiver usando meias vermelhas, por nossa causa, pensemos se esse
não é o momento de recompor o que se encontra destroçado,
trabalhando a terra do nosso coração.
A maior de todas as artes é a arte de viver juntos.
Carlos Heitor Cony

Uma pergunta para 6ª.feira

SINIS.jpg (225×225)

E se, de repente, a  Europa deixar de ser neoliberal com victórias sucessivas de partidos de esquerda, até nos paises mais ricos, em que a solidariedade e os valores constituitivos da actual União sejam verdadeiras pedras de toque, far-se-á um novo tratado a 27 ou 17 que anule o que o actual directório franco-alemão quer impor aos demais paises?
A Dinamarca deu o mote e seguiu-se a Eslovénia; no Chipre há um governo dominado pelo comunistas; em França e na Alemanha as quedas dos actuais líderes são previsíveis com victórias à esquerda e nos Balcans para lá se caminha.
Será assim tão descabida esta pergunta na 6ª. feira ?
 
blog Vermelho cor de alface

 

Não ao gasparismo e a outros ismos

Há alguns dias o Otelo disse que hoje seria mais fácil fazer um 25 de Abril e foi o alvoroço nacional que se viu, à direita ouviram-se os habituais guinchinhos de gente que só defende a democracia quando é do seu interesse, a Procuradoria-Geral apressou-se a ler e reler as declarações em busca de um crime e até o Mário Soares descansou o povo dizendo que por vezes o Otelo é um totó.

Ontem António Ribeiro Ferreira, director de um “i” que cada vez mais se tenta assumir como o jornal do regime, apelou à ditadura num editorial inflamado onde se colocava o Gaspar num pedestal acima do de Oliveira Salazar e parece que ninguém se incomodou. O jornalista chega ao ponto de afirmar que “Portugal não tem tempo a perder com formalismos próprios de gente rica” Sendo esses formalismos próprios de gente rica a própria democracia.

É um editorial que vale a pena ler pela ajuda que pode dar para entendermos os tempos que vivemos e os riscos que corremos se persistirmos em aceitar todos os sacrifícios em nome da austeridade e com medo da troika. Há quem nos queira servir a ditadura numa colher que devemos engolir sem saborear nem pestanejar senão vão buscar a troika. Como o jornalista chega a elogiar no seu artigo inflamado a coisa chegou ao ponto de o Gaspar já estar autorizado a humilhar um ministro em plena reunião do Conselho de Ministros. Aquilo que deveria ser reprovável é exibido no jornal “i” como um motivo para prescindirmos da ditadora em favor das decisões do Gaspar.

Vivemos tempos de mentira, o ministro das Finanças goza com o parlamento e um dia destes faz-se representar pela auxiliar que um seu antecessor costumava encarregar de lhe comprar preservativos. O governador do Banco de Portugal já se dirige aos deputados como se estivesse numa taberna a falar de futebol. E não há um único ministro em todo aquele hemiciclo que venha em defesa da honra da Assembleia da República e dos valores da democracia.

Enquanto a ministra italiana é incapaz de conter as lágrimas quando divulga medidas de austeridade, a imagem do nosso ministro das Finanças e do primeiro-ministro é a de gozo, o seu semblante mais frequente é o do sorriso e da gargalhada. O debate político não passa de um jogo de mentiras, inventam-se desvios colossais, escondem-se os excedentes, inventam-se ordens ada troika, no país com maiores injustiças sociais do mundo desenvolvido o governo recorre à mentira para impor uma reengenharia social que visa a destruição da classe média com o objectivo de expropriar a sua riqueza para entrega-la aos mais ricos.

Portugal não precisa de salvadores, o modelo de desenvolvimento imposto pelo miserabilismo de Vítor Gaspar é precisamente o mesmo que o país já experimentou com Oliveira Salazar, as soluções para a actual crise são decalcadas do programa de Salazar enquanto ministro das Finanças. Não admira que se comecem a ouvir vozes de elogio a este novo velho Estado Novo do Vítor Gaspar.

É preciso dizer não ao fascismo venha ele disfarçado de um cruzado do cristianismo ou de um tecnocrata a mando do BCE, a democracia não é incompatível com a boa gestão das contas públicas, os portugueses sabem debater os seus problemas e não precisam de mentiras para que sejam impostas soluções. A uma política assente em jogos de mentiras e que adopta medidas inconstitucionais é uma política ilegítima e o governo que a pratica torna-se um governo ilegítimo.
Blog O jumento

A BURLA DE ÂNGELO CORREIA

A «Burla dos direitos adquiridos», segundo Ângelo Correia

Novembro de 2010 - no Plano Inclinado da SIC Notícias,Ângelo Correia afirmou que adquiridos são apenas os direitos como o direito à vida, o direito à liberdade, etc. Defendeu que todos os outros direitos, ou seja, aqueles que custam dinheiro ao Estado, são direitos que «não existem», que estão dependentes da solidez da economia. Concluiu mesmo que a ideia de direitos adquiridosé uma «burla», organizada pela Esquerda.

23 de Outubro de 2011 - quando questionado por uma jornalista da Antena 1 sobre a possibilidade de, em função do momento difícil que o país atravessa, abdicar da sua subvenção vitalícia de ex-titular de cargo público, Ângelo Correia,o mesmo, empresário do sector privado, afirmou não estar disponível para o fazer, por se tratar de um «direito adquirido» legalmente.Veja e ouça - calque no link abaixo
http://www.youtube.com/v/HLfOhT6GfIg&autoplay=1&rel=0

CP encerra linha regional do Sul e diminui paragens do Intercidades

A CP anunciou que "vai implementar um novo horário e modelo de exploração na linha do Sul para o serviço ferroviário de passageiros" encerrando a linha regional do Sul, a 13 de dezembro, decisões “escandalosas e inaceitáveis", diz o Partido Ecologista Os Verdes(PEV).    
Em causa fica o movimento ferroviário nas estações de Setúbal, Praias do Sado, Mouriscas do Sado, Montenovo Palma, Canal Caveira, Azinheira dos Barros, Lousal, Ermidas do Sado, Alvalade, Amoreiras-Odemira, Luzianas, Santa Clara-Sabóia, Pereiras e S. Marcos.
Esta medida irá também “levar a uma redução do número de comboios nas estações de Alcácer do Sal, Grândola, Funcheira, Messines Alte e Tunes que se verão privados das paragens de comboios regionais”, alega ainda o partido ecologista.
Pelo seu lado, a CP considera no seu comunicado, que o menor número de paragens do Intercidades Lisboa – Faro “reduz a viagem em 30 minutos”, num modelo de “exploração da linha do Sul do serviço ferroviário de passageiros que tem como objetivo gerar condições de atratividade e sustentabilidade do transporte ferroviário nessa região”.
Assim, o Intercidades na ligação Lisboa – Faro passará apenas a parar em Entrecampos, Sete Rios, Pragal, Pinhal Novo, Grândola, Ermidas-Sado, Funcheira, Santa Clara – Sabóia, Messines, Tunes, Albufeira e Loulé, passando a utilizar a variante de Alcácer, para obter a anunciada redução da viagem.
A CP anuncia ainda a supressão do serviço regional na ligação entre Setúbal e Tunes. Sem alterações fima apenas os comboios Alfa Pendular, com 2 comboios diários por sentido ligando as cidades Porto e Faro.
Perante uma situação que considera “inacreditável e absurda”, o PEV anuncia que irá, por via do seu Grupo Parlamentar, exigir confirmação desta intenção da CP ao Ministro das Obras Públicas e caso ela se venha a confirmar, este será, segundo o PEV , “mais um ataque inaceitável, incompreensível e insensato deste Governo PSD/CDS-PP à rede ferroviária nacional, ao direito à mobilidade dos portugueses e ao desenvolvimento regional”.
Considerando estas medidas “altamente prejudiciais para estas regiões já com graves problemas de despovoamento” o PEV reitera ser ainda mais premente a aprovação da iniciativa legislativa, discutida hoje na Assembleia da República, que recomenda a suspensão imediata do Plano Estratégico de Transportes proposto pelo Governo.
A intenção é avaliar “os seus impactos ao nível da mobilidade, do ordenamento e da coesão territorial, ao nível social, ambiental, nomeadamente as suas implicações energéticas, e ao nível económico e que o PET seja submetido a consulta pública.
A Deputada Heloísa Apolónia acusou o Governo de ter trocado o nome ao Plano e rebaptizou-o de Plano de Encerramento dos Transportes, relembrando que este Pet "não contém um único parágrafo específico sobre transporte ferroviário, pretende encerrar mais de 600Km de linha férrea e consegue a verdadeira magia de afirmar que haverá redução de emissão de CO2 com a passagem de passageiros da via-férrea para a rodoviária".
Observatório do Algarve
CICLO - Sonetilho

Espero dar-te uns rebuçados
Duns tantos que cozinhei
Na panela dos pecados
De que nem sequer provei

Mas talvez os resultados,
Sendo mais do que eu pensei,
Possam ser concretizados
Apesar do que não dei...

Amanhã nasce o poema
Que me desperta, por fim...
Temo bem que ninguém tema,

Da mesma forma, por mim...
[murcharei mas tenho pena
de não ficar sempre assim...]



Maria João Brito de Sousa
Blog poetaporkedeusker

Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011

As almofadas


Confesso que o facto de ter acesso à internet apenas de vez em quando e por breves minutos, somado à confusão de uma mudança de casa e da quase total privação de televisão... tudo junto não é de todo o melhor cocktail de circunstâncias para ter uma ideia precisa daquilo que se passa.
Uma coisa, no entanto, é constante a cada passagem pela frente de um televisor, nalgum café, ou das “gordas” dos jornais: tanto o “opositor” Seguro, como o senhor dos Passos (de Coelho) não se calam com a existência, ou a ausência, ou mesmo a disposição daquilo a que chamam, obcessivamente... “almofadas”.
Isto é uma nova forma de governo e de oposição... ou andam mesmo a fazer-nos a cama?

A PÉROLA PRECIOSA

Se encontrares um tesouro no teu coração
ninguém te roubará nada,
e o teu olho será a porta
onde irei penetrar e adormecer descansado;
E a tua boca produzirá
palavras que não serão apenas palavras,
serão mãos estendidas aos pobres,
serão fome e sede curadas.

Irei penetrar nos teus olhos
a caminho do teu coração.
Quando eu chegar lá,
serei curado pela batida pura,
pela bondade e compreensão.

Se encontrares uma fonte,
dá de beber ao pobre.
Se encontrares uma árvore, 
dá de comer ao pobre.
Se encontrares o tesouro no teu coração,
dá amor ao pobre.


Paulo Morgado