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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Tempos de Mudança

Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011



Como é sabido e sentido, estes são tempos bastante difíceis. Tempos de tensão e conflitualidade impostos por quadros macro-políticos e macro-económicos internacionais severos. E o actual quadro politico nacional tem reflectido isso mesmo, com um Governo com uma vontade inabalável de aplicar uma forte receita de austeridade, com as conhecidas consequências sociais. Neste contexto, torna-se particularmente interessante analisar o como o panorama político nacional está a reagir à presente crise, com todas as relações de força para lá da dinâmica governamental. O mesmo parece apresentar todas as características de um período de forte mudança.

Temos, por um lado, uma oposição com sérias dificuldades em impor-se como alternativa. No que ao maior partido da oposição diz respeito, a memória do eleitorado costuma ser curta, mas ainda não o suficiente para se esquecer que o anterior governo do PS também abraçou a austeridade como única solução possível. Assim sendo, seria o seu caminho assim tão diferente do levado a cabo pelo actual governo? Relativamente à oposição mais à esquerda, até poderia fazer o pino, apresentando todas as alternativas do mundo à actual política. Mas no momento actual, por mais paradoxal que possa parecer, ainda há uma grande distância entre a insatisfação com a actual política e uma eventual inclinação de voto no Bloco ou no PCP.

E esta incapacidade da oposição se mostrar desde já como uma alternativa tem aberto espaço ao papel dos movimentos sociais. Dos mais institucionalizados, como os sindicatos, aos mais inorgânicos, como os indignados, por exemplo. O que sucedeu em Lisboa no dia da greve geral foi paradimático a este respeito. Não existiu apenas uma, mas várias manifestacões. Primeiro vieram os sindicatos, seguiram-se os indignados, depois seguiram-se alguns movimentos anarquistas, misturados com movimentos que têm surgido no sector cultural. E, por fim, ainda vieram os estudantes do Ensino Superior. Poder-se considerar à primeira vista que tal fragmentação não é um sinal de força. Pessoalmente, julgo que é uma demonstração de que a indignação está a chegar a cada vez mais sectores.

A reacção nervosa das autoridade policiais ao presente contexto também é sintomática. Infelizmente as manifestações da passada quinta-feira ficaram marcadas por uma expressiva dureza policial. A PSP fez-se representar nas manifestações com um dispositivo como eu nunca tinha visto. Grupos perfeitamete pacíficos, com crianças e tudo, eram escoltados por uma super-polícia de intervenção, com capacetes, coletes almofadados e shotguns ( presumo que com balas de borracha) orgulhosamente expostas. Com dispositios destes, com agentes à paisana infiltrados no meio da multidão e tudo, não admira que se tenha chegado ao fim do dia com diversos episódios de repressão policial despropositada.

E para este cenário de clara tensão tem também contribuído um jornalismo excessivamente em busca do incidente e do confronto. No caso da manifestação da greve geral, as dezenas de milhares de pessoas que circularam pelas ruas de Lisboa e que se dispuseram a perder um dia de salário com a greve, foram secundarizadas pelos incidentes que envolveram meia dúzia em frente á AR. Dir-me-ão que este jornalismo em busca do sangue é assim em qualquer parte do mundo, não apenas aqui. Certo, mas tal não nos deve ipedir de sermos um pouco mais exigentes com a nossa comunicação social.

Todos os indicadores apontam para estarmos num período de forte mudança. A tensão e conflitualidade que se encontra no ar não deixa dúvidas a este respeito. Resta aos cidadãos posicionarem-se sobre a mesma e definirem qual o caminho para transformar de facto esta crise numa oportunidade. E você, já se posicionou?

Artigo ontem publicado no Açoriano Oriental

(Imagem: Escafandrista)
blog Activismo de sofá

BLOG. ENTRE TEJO E ODIANA - FOTOGRAFIA : AZULEJOS MARVÃO

Estação de Marvão-Beirã

terça-feira, 29 de Novembro de 2011, 8:35:17 | JúliaIr para o artigo completo
Fotografar azulejos é tarefa difícil, atendendo às condições ténicas e de conhecimento de que disponho. Dos treze painés com a reprodução de monumentos importantes (Torre de Belém, Convento de Tomar, entre outros) e de paisagens portuguesas, aqui ficam três exemplos.
Cruzeiro e pórtico do convento de Nossa Senhora da Estrela, em Marvão.
Praia da Nazaré
Castelo de Marvão
 
Blog Entre Tejo e Odiana

Cravos vermelhos envergonhados...




CRAVOS VERMELHOS ENVERGONHADOS…
Rogério Martins Simões

Ainda há pouco eu era prisioneiro de opinião no meu próprio país;
Ainda ontem engrossava a multidão com cravos.
O tempo passou depressa e, na pressa, vai-se esquecendo que, para haver liberdade, muito foram os que lutaram e morreram.
Volto ao antes de ontem, adolescente, escrevendo poemas por metáforas com medo de ser preso.
Hoje, volto a pensar nos meus sonhos de abril;
Nas minhas mãos cheias de cravos: ilusões, e resquícios d´um odor a cravos vermelhos envergonhados...

Rogério Martins Simões
blog poemasdeamoredor

PR visita empresa agrícolas em Odemira

quarta-feira, 30 de Novembro de 2011, 12:44:32 | JLopesGuerreiroIr para o artigo completo
O Presidente da República está hoje no concelho de Odemira, a convite da Associação de Horticultores do Sudoeste Alentejano, visitando as empresas Vitacress, Atlantic Growers e Camposol. Face à ausência de Assunção Cristas, Cavaco Silva vai ser acompanhado pelo assessor da ministra da Agricultura, Francisco Gomes da Silva, o secretário de Estado, José Diogo, e outras entidades ligadas à agricultura, ambiente, IFAP e AICEP.
Curiosamente, a visita de Cavaco Silva, surge dois dias depois de um jornal trazer à estampa que o seu genro, Luís Montez, se preparava para adquirir mais uma propriedade (Herdade do Sardão, propriedade do antigo capitão de Abril, Vasco Lourenço) naquele no concelho de Odemira, no que é tido como uma “paixão pelo Alentejo”.


Lembram-se do apoio que Cavaco Silva, aqui há uns anos, enquanto primeiro-ministro, deu a um famoso projecto agrícola que deu no que deu?...

blog Alvitrando

Vício de boca

Agradeço à tua boca os sorrisos que me oferece quando explode no teu rosto a beleza de uma luz natural como a que apenas o sol é capaz de produzir.
Agradeço-lhe também o som da respiração que escuto quando a noite acalma no nosso leito e adormeces no meu peito com uma expressão de felicidade em que pareces sorrir.

Agradeço à tua boca os lábios com que me toca sem nojos ou fronteiras a pele que não consigo despir, a única que possuo, e te agradece, enquanto te vejo dormir, os mimos generosos e os beijos tão gulosos que me viciam na doçura e me suscitam a ternura que depois convertemos em tentação, trabalho de equipa, e abraçamos a emoção mais intensa, a tua boca na minha e eu dentro de ti com a alma e o coração mais o corpo que te agradece a dádiva de tanto prazer.

Agradeço-lhe também as palavras que não ficam por dizer, essa língua genuína que se mostra tão traquina e se revela de igual modo perfeita em qualquer tipo de utilização.
O amor que se faz, empenhado, o mesmo amor que quando falado não desmente no que diz aquilo que a prática da tua boca teorizou e depois me provou como um apetitoso manjar.

Agradeço à tua boca o degustar do homem que sou, pelo amor próprio que esse teu prazer não disfarçado alimenta. A tua boca que me sustenta capaz de acreditar que vale a pena saber amar o todo e retribui-lo pelas partes de cada pormenor que te distingue da multidão.

Agradeço-lhe a distinção que me concedeu de poder tocar o céu.

Nessa tua boca divina, onde posso voar sem fim quando acolhes qualquer ponto de mim como um anjo numa nuvem envolve com as asas, ao som de uma harpa celestial, o espírito recém-chegado de um corpo abandonado porque entregue sem reservas ao mais supremo prazer.

E a minha boca a agradecer, com beijos e palavras que te dou, este sabor que se instalou em definitivo no palato onde convivo a todo o tempo com o teu gosto que me satisfaz, especiaria.

O picante abrasador dessa boca minha amante no calor de uma fantasia onde o teu sorriso sensual preenche as imagens mais arrojadas e as palavras atrevidas escritas sem cessar na expressão do meu olhar e proferidas pela tua boca que contemplo enquanto te permito dormir.

Até que te toco, irreprimível, e explode outra vez no meu rosto a luz incandescente que produz o teu sorridente despertar.
E eu agradeço nesse instante em que a tua boca dança no meu ventre ao ritmo de um poema beijado que o meu corpo apaixonado já não dispensa recitar.

MIMETISMO - A MUDANÇA EM PORTUGAL

 

Igreja Católica alemã põe à venda a sua editora… pornográfica!

A editora é a Weltbild e é 100% propriedade da Igreja Católica alemã e a sua grande fonte de lucro são publicações “eróticas”… Depois de, no mês passado, a informação ter sido revelada, rebentou um enorme escândalo e, em consequência, a surgiu esta decisão de vender a galinha dos ovos porno, numa tentativa de estancar o escândalo e impedir que ele venha a atingir o ex-cardeal alemão  Ratzinger, o actual Papa.

German Catholic Church Pulls Out Of Porn Publishing

Nick Jardine | Nov. 22, 2011, 1:29 PM | 1,278 | 1
porn
Last month it was reported that German publishing company Weltbild, which is 100 percent owned by the Catholic church, was profiting through the sale of erotic novels. Now, amid the scandal, the German Catholic church has withdrawn its investment in the publishing company. It is looking for a buyer as soon as possible.
The Local reports that Weltbild initially removed some 2,500 erotic titles from its online catalogue, but the church has now decided to distance itself from the publisher completely.
However, the decision could have come sooner for some Catholics. Last month German publication Die Welt reported that some worshipers had been complaining about the church’s association with the pornographic publications for over 10 years only to be ignored by bishops.

MAIS PROVOCADORES INFILTRADOS DESMASCARADOS: “Casal” de polícias à paisana: o de casaco azul e o de casaco castanho. Estão os dois em todas as fotos. Guedes da Silva, director da PSP, junta-se ao Ministro Miguel Macedo no rol de mentiras. A porta da rua é a serventia da casa: RUA!


Ficamos assim a saber o que é uma “manobra táctica impecável” para o Director da PSP Guedes da Silva, que se junta assim ao Ministro Miguel Macedo e aos trambolhos violentos que até agora foram desmascarados, nesta que ja é a maior trapalhada deste governo:

Comunicado da plataforma 15 de Outubro lido hoje, em conferência de imprensa dada pelas 12h30 em frente ao Ministério da Administração Interna e macros das fotografias.

24 de Novembro – Quem são os violentos?

A Plataforma 15 de Outubro, internacionalista, apartidária e pacífica, reivindicando a reposição da justiça e da verdade no que diz respeito aos eventos do dia 24 de Novembro, declara:

  1. Testemunhámos e denunciamos a presença de polícia não fardada e não identificada na manifestação de 24 de Novembro em frente a São Bento. Estes elementos, entre os manifestantes, incitaram à violência com palavras e acções, ao contrário do que afirmou inequivocamente o Ministro da Administração Interna. Esta acção da polícia de um Estado de Direito e dito “democrático” configura uma ilegalidade e um crime. A acção da polícia nos piquetes de greve deste dia pautou-se igualmente pela ilegalidade e repressão, tendo-se apresentado nos locais onde se encontravam os piquetes armada com caçadeiras e metralhadoras, além de ter sido enviada polícia de intervenção para atacar e romper os piquetes.
  2. Repudiamos ser, consciente e propositadamente, apelidados de “delinquentes”, “criminosos” e outros adjectivos que claramente configuram um insulto pessoal e colectivo, com o único objectivo de anular a Plataforma 15 de Outubro como sujeito político. Foi impedida a realização da Assembleia Popular prevista para as 18h00, hora em que começaram os distúrbios. Está a ser construída, consciente e propositadamente, uma narrativa de terror social que visa claramente criminalizar o movimento social e os eventos da Greve Geral e manifestação que, tendo sido um grande sucesso, é minorada pela construção de factos e eventos de “violência” por parte das estruturas de poder.
  3. Manifestamo-nos contra a detenção avulsa de pessoas isoladas, outra tentativa de reforçar esta narrativa criminalizadora.
  4. Somos e continuaremos a reivindicarmo-nos como uma plataforma de acção política pacífica e não aceitaremos ser, como colectivo, associados a qualquer acto de violência que cidadãos em nome individual possam cometer na demonstração da sua legítima revolta.
  5. Rejeitamos a inversão total e propagandística da verdade que está em curso, procurando apelidar de violentas pessoas e movimentos que procuram defender os seus direitos e interesses de forma pacífica. A violência das medidas de austeridade é que é indesmentível e por mais cortinas de fumo que por ela sejam lançadas, está à vista de todo o povo. Acusamos o governo de violência, directa e indirecta, sobre o país.
  6. Em resposta a esta campanha vergonhosa, informamos que convocaremos uma nova manifestação, a realizar no final de Janeiro.
Por tudo isto, a Plataforma 15 de Outubro exige:
  • A divulgação pública das provas audiovisuais, filmes e fotografias que demonstram claramente a presença e acção provocadora de agentes da polícia não identificados e não fardados dentro da manifestação que ocorreu no dia 24 de Novembro.
  • A abertura, por parte das entidades competentes, de inquéritos que visem a investigação da acção policial, nomeadamente o uso de violência sobre manifestantes isolados e a instigação à violência por parte de elementos não identificados e não fardados da polícia.
  • Que os meios de comunicação social, que tão prontamente assumiram esta narrativa distorcida dos acontecimentos, dêm espaço às informações que têm vindo a público, cumprindo o seu dever de informar e repôr a verdade dos factos.
  • Que sejam retiradas consequências do facto de terem sido proferidas publicamente inverdades por parte do Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, que reforçaram uma narrativa que não corresponde comprovadamente à verdade dos factos.
  • Que os detidos no dia 24 de Novembro sejam absolvidos, sendo tido em conta nos seus processos o facto de terem sido detidos de forma ilegal e abusiva através de agentes provocadores que, além do mais, incitaram delitos. Expressamos total solidariedade em relação aos companheiros e companheiras detidos nesse dia.
  • A criminalização da actividade política e da contestação é um sinal claro dos tempos em que vivemos, em que a Democracia é ameaçada e posta em causa justamente pelo Estado que tem como dever protegê-la. A tentativa de suprimir os acontecimentos históricos que foram a Greve Geral de dia 24 de Novembro e a expressão popular ocorrida na manifestação nesse dia serve de sinal de aviso às forças progressistas. Não permitiremos que vingue a tentativa de fazer com que o medo sufoque a legitimidade das reivindicações populares à dignidade e aos direitos e, como tal, estaremos novamente nas ruas, no final de Janeiro.

 
Este artigo foi publicado em cinco dias .net

Preservativo - Fialmente... a aprovação do Vaticano




Nem por isso dou grande atenção à "rede" de distribuição de piadas por mail... mas perante esta, rendo-me.

Preservativo - Fialmente... a aprovação do Vaticano




Nem por isso dou grande atenção à "rede" de distribuição de piadas por mail... mas perante esta, rendo-me.

Quando uma coisa tem graça, tem mesmo! Pronto.

Teria muito mais... não fora a triste realidade de a posição do Vaticano, sobre o uso do preservativo, ter já feito (ainda faz) tantas vítimas.


Teria muito mais... não fora a triste realidade de a posição do Vaticano, sobre o uso do preservativo, ter já feito (ainda faz) tantas vítimas.

VAMOS AO BANHITO ?

Sem categoria


A mais poderosa Rainha espanhola , Isabel a Católica, que uniu os reinos de Castela e Aragão, reformou o Clero e patrocinou a viagem de Colombo à América, foi a mesma mulher que em 53 anos de vida apenas tomou dois banhos de corpo inteiro.
Os cuidados de higiene não eram o forte dos monarcas medievais e modernos. Luís XIV tinha medo da água e só tomava banho por ordem médica. Nos mosteiros do século VI só aos monges mais velhos era permitido banho no Natal e na Páscoa. No século XIII só se lavava a cara e as mãos e no Palácio de Versalhes em 1715, as fezes eram recolhidas dos corredores uma vez por semana. E até o nosso D. João VI de Portugal acreditava que a roupa absorvia a sujidade.
No entanto os Romanos esfregavam-se nos banhos públicos mas o Cristianismo, ao condenar o culto do corpo, provocou um retrocesso na evolução da higiene.
Mas foi no século XIX que se revoluciou a dita, surgindo a retrete, o chuveiro, o sabonete, o desodorizante e o papel higiénico.
Hoje, segundo a escritora Katherine Ashenburg os cuidados de limpeza deram um enorme salto “ Caiu-se no exagero da assepsia”.
E se o clima em muitos países continuar a mudar com secas de anos e anos , será que no futuro vamos fazer como os monges do século VI ? Banhito ? Só pelo Natal e na Santa Páscoa !
- – - – - Fonte: Rev.. Sábado -
http://www.louletania.com/
BAPTISTA-BASTOS

A memória dos amigos

O Governo deixou passar em escuro os centenários do nascimento de Alves Redol e de Manuel da Fonseca. São dois dos maiores escritores da literatura portuguesa. Mas eram neo-realistas e, por isso, desdenhados pela miuçalha que voeja nos canais da cultura. E o Governo actual não é propriamente um arfante frequentador de livros. Basta ouvi-los. Aquela constante troca da expressão "competitividade" por "competividade" causa apreensão. Enfim. A verdade é que qualquer dos dois autores nos legou uma obra incomum e algumas obras-primas. Gaibéus, inaugura o movimento, cujas características se aproximavam do "realismo socialista", ou Barranco de Cegos ou, ainda, entre outros mais, o extraordinário A Barca dos Sete Lemes, de Redol, são textos definitivos, se a expressão não vai incomodar os espíritos de libélula. E O Fogo e as Cinzas, Cerromaior e Seara de Vento, de Manuel da Fonseca, instituem uma nova maneira de se enten der a literatura, para se compreender o mundo. Fonseca intro duz a short storie e escreve com, apenas setecentas palavras, reduzindo a zero as gorduras da retórica.
Não me interessa, agora, escarmentar um actual membro do Executivo que, em tempos, qualificou de medíocre os livros de Redol. As acções e as definições ficam para quem as pratica. Mas a memória regista e conserva a pelintrice. Manuel da Fonseca e Alves Redol eram amigos, companheiros e camaradas. Redol morreu novo, com 58 anos, e o seu funeral, em Vila Franca de Xira, por um dia embatente de frio, mobilizou muitos milhares de pessoas. A cidade estava cercada de pides, e a emoção popular só teve paralelo com o enterro de António Sérgio. Do património da Esquerda fazem parte integrante esses protagonistas anónimos que, quando é preciso, enchem as ruas, as praças e as cidades, e obrigam a Direita, que dispõe da polícia e da violência, a posar de fera sem unhas.
Redol era o mais bondoso e generoso de todos os homens que conheci. Até os desaforos de que era alvo, as injúrias com que o feriam, pareciam não o afectar grandemente. Uma alma de mármore num corpo de porcelana. E um escritor incansável, com larguíssimo volume de leitores, consciente da responsabilidade do ofício, e do efeito que as palavras podem ter. Manuel da Fonseca, um amigo devotado e o mais felino dos sarcastas. Certa ocasião, uma senhora que muda a cor do cabelo consoante os dias pares ou ímpares, escreveu, numa gazeta semanal, que o Manuel da Fonseca era muito simpático, mas o facto de ser neo-realista a espavoria. Rimo-nos da alarvidade presunçosa. E o Manuel da Fonseca, que não era para graças, resumiu numa frase mortal, o seu desprezo monográfico: "Coitada, é tão feia!"
O Governo cumpre o seu papel de os esquecer. O nosso, é o de sacudir estas inércias, e relembrá-los, com emoção e orgulho.

Baptista Bastos 

just in case!...


Transcrição integral do oportuno artigo de opinião da jornalista São-José Almeida, publicado no jornal PÚBLICO de 12 de Novembro de 2011. O título do post é o mesmo do artigo.

 «Começo por fazer a minha declaração de interesses. Não tenho carta de condução, nem carro, nem quem me conduza. Dependo inteiramente de transportes públicos. E moro na periferia de Lisboa. Para chegar à capital e ao meu emprego, bem como a qualquer local onde me desloque nas minhas actividades quotidianas, dependo de transportes públicos. Mais concretamente de comboio e de autocarro, que também me conduzem de volta a casa.

Dito isto e numa semana em que fiquei bloqueada em casa pela greve de transportes, venho publicamente discordar da grande maioria dos que têm criticado os autores de um estudo, divulgado pela comunicação social, que prevê cortes na oferta de transportes, dizendo que estes autores não percebem nada do que estão a fazer. Percebem, sim, muito. E não só de transportes.

Na reestruturação da rede de transportes urbanos, preparada por esta comissão, não está apenas em causa a redução de custos que é usada como argumento justificativo directo. É dos livros que os transportes públicos são serviços estratégicos e que o seu custo moderado e acessível a todos é assegurado pelo Estado, precisamente porque, sem eles, a economia e a sociedade não funcionam. E mesmo a intenção de privatização levaria a um emagrecimento, mas não obrigatoriamente ao tipo de
cortes que estão previstos. Quem fez este estudo, insisto, não age apenas por mero espírito contabilístico e é tudo menos ignorante sobre aquilo que tem como objectivos profundos.

Há razões estratégicas e ideológicas para o tipo de cortes estudado, numa conjuntura como a que se vive em Portugal e na Europa. Este tipo de opções foi tomado em locais onde foi aplicada a chamada "receita de austeridade", de orientação neoliberal, como aconteceu na Argentina e antes no Chile de Pinochet - a primeira experiência histórica do neoliberalismo em acção para inverter o funcionamento de uma sociedade democrática. O objectivo de tal estratégia é cristalino e está inscrito de forma transparente no estudo divulgado. É afastar do centro das cidades, do centro do poder de decisão politica e econ6mica, a contestação. E retirar do centro das cidades fora do normal horário laboral, em que são necessárias ao funcionamento da economia, as populações que aí podem manifestar-se, amotinar-se, revoltar-se contra esse mesmo poder.


Vejamos então, para que não haja dúvidas. É proposto o fecho de 23 carreiras de autocarros em Lisboa, depois da hora laboral, a maioria das quais ligando as periferias. É proposto que outras 24 carreiras sejam encurtadas em percurso ou em período de funcionamento. A proposta prevê ainda a supressão da ligação fluvial de Lisboa à Trafaria/Porto Brandão e ao Montijo fora dos dias uteis e das horas de ponta. E a ligação Lisboa ao Seixal poderá sofrer uma destas duas soluções. Já o metropolitano, se este estudo virasse lei, veria a circulação com a velocidade reduzida de 60 para 45 km/h fora das boras de ponta e a fechar às 23h na Linha Verde e às 21h30 na Linha Azul entre a Pontinha e a Amadora e na Linha Amarela entre o Campo Grande e Odivelas.

Quem domina o poder e impõe à Europa as novas regras de empobrecimento forçado das populações e de perda de direitos, em favor do aumento do lucro das grandes empresas financeiras e dos donos do mundo e suas aristocracias reinantes, sabe que está a correr um risco imenso e que está a brincar com o fogo em termos de estabilidade social. Sabe que está a provocar a instabilidade e o fim da paz
social conseguida pelo pacto social europeu do pós II Guerra Mundial. 

Uma instabilidade que provoca sentimentos antidemocráticos e antieuropeus, uma vez que as populações vêem o seu bem-estar roubado precisamente pelas instituições de representação democrática e pela União Europeia. Uma União Europeia que não consegue assegurar a solidariedade entre Estados, que não consegue ser solidária com as populações de países em situação difícil como a Grécia ou Portugal, pelo contrário, que martiriza as populações com mais e mais austeridade, alimenta o regresso dos nacionalismos e da xenofobia. Ainda esta semana foi divulgado um estudo do think-tank britânico. Vemos que mostra o crescimento da extrema-direita nacionalista, xenófoba, anti-islâmica e anti-imigração na Europa.

Quem está a comandar esta revolução que impõe uma regressão hist6rica à Europa sabe assim bem o tipo de situações explosivas que tem a minarem-lhe o caminho para o sucesso. E sabe que a revolta das populaçôes pode estar no horizonte. Teve até jâ o exemplo nas revoltas nas periferias de Paris há uma década e este ano já nas periferias de Londres, que se alastraram ao centro. É a este risco de explosâo social que Mario Soares se referiu recentemente (Diario de Noticias,08/11/2011), ao alertar para a iminência de um regresso da guerra à Europa, se a Uniâo Europeia e o euro falirem. Nao já uma guerra clássica entre blocos politico-ideológicos e geoestratégicos, nem sequer de cariz nacionalista entre paises, mas uma guerra de novo tipo, uma guerra civil larvar que está em embrião nas revoltas das periferias.

Quando os pobres sâo cada vez mais e cada vez mais pobres, quando as expectativas de carreira, de sucesso, de bem-estar, de felicidade são cada vez menos e a vida se torna cada vez mais periférica e concentracionária, o risco de explosão social descontrolada aumenta. É dos manuais. Tanto que os mesmos manuais ensinam que, associado à receita de austeridade, deve vir sempre o plano de cortes de transportes que ligam as periferias ao centro.

Mais vale ir prevenindo... just in case!..
.»

DEPOIS DA RECUSA DO PADRE CUNHA DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL TER ACONSELHADO A NÃO RECOLHA DE ALIMENTOS PARA O BANCO ALIMENTAR...


  Bispo do Algarve deu “total apoio” à campanha do Banco Alimentar
29-11-2011

O Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas emitiu uma mensagem pessoal dirigida a todas as paróquias em que pedia “todo o auxílio possível” na divulgação da campanha de recolha de alimentos do Banco Alimentar e colaboração na iniciativa.  
 
Reagindo a uma notícia (ver aqui) sobre a posição do Pároco de São Brás de Alportel, José Afonso Cunha que admitira ter aconselhado o agrupamento de Escuteiros local a esperar pela recolha de alimentos da própria paróquia em dezembro, não participando, por isso, na campanha promovida pelo Banco Alimentar contra Fome, por conselho do Bispo do Algarve, a Diocese afirma ter existido “um mal-entendido”.
Em comunicado, o Gabinete de Comunicação da Diocese do Algarve (GIDAlg) esclarece ter sido remetido a todas as paróquias, por D. Manuel Neto Quintas, uma mensagem pessoal, em que solicitava “todo o auxílio possível”, na divulgação da iniciativa e colaboração na recolha de alimentos promovida pelo Banco Alimentar contra a Fome no último fim de semana (26 e 27 de novembro).
Reafirmando a Diocese do Algarve como “um parceiro” do Banco Alimentar o documento salienta ainda que “na situação de crise social que vivemos, não faria qualquer sentido que não apoiasse uma iniciativa como esta, que tem um profundo cariz solidário e de preocupação com o bem comum”.
Assim, a diocese do Algarve considera que posição do padre José Cunha Duarte de São Brás de Alportel, transmitida à responsável local do Banco Alimentar, corresponderá “a algum mal-entendido e será certamente um equívoco”.
“A Diocese do Algarve tem-se empenhado sempre na ajuda às vítimas da presente crise social e criou um Fundo de Socorro Social, que em boa parte, foi constituído com donativos de sacerdotes, que descontaram para ele um salário mensal e quer em campanhas anteriores quer na presente foram centenas os católicos algarvios, nomeadamente escuteiros que colaboraram com o Banco Alimentar e continuarão a colaborar no futuro”, frisa anda a nota da episcopal.
Observatório do Algarve

abstenções PS