AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


domingo, 27 de novembro de 2011

Osho


Quando você está sozinho, você não está só, está simplesmente solitário - e há uma grande diferença entre a solidão e a solitude. Quando você sente a solidão, fica pensando no outro, sente a falta do outro.
A solidão é um estado de espírito negativo. Você fica sentindo que seria melhor se o outro estivesse ali -- seu amigo, sua esposa, sua mãe, a pessoa amada, seu marido. Seria bom se o outro estivesse ali, mas ele não está.
Solidão é ausência do outro. A solitude com você é a presença de si mesmo. A solitude é muito positiva. É uma presença, uma presença transbordante. Você se sente tão pleno de presença que pode preencher o universo inteiro com a sua presença, e não há nenhuma necessidade de ninguém.
Quando não existe "alguém significativo" em nossa vida, podemos tanto nos sentir solitários, quanto desfrutar da liberdade que a solidão traz. Quando não encontramos apoio entre os outros para as nossas verdades sentidas profundamente, podemos nos sentir isolados e amargurados, ou então celebrar o fato de que o nosso modo de ver as coisas é seguro o bastante, até para sobreviver à poderosa necessidade humana de aprovação da família, dos amigos, dos colegas.

POEMAS ILUSTRADOS DE ANTÓNIO GARROCHINHO - NOVEMBRO 2011







Para impressionar os vizinhos e não só...









A empresa alemã "Your Style Garage" cria cartazes para portas de garagem que as faz parecer como se ela realmente estivesse a mostrar o seu interior...

Semanada


  
Nesta semana assistiu-se à primeira evolução de Vítor Gaspar, a nossa versão parlamentarista do Estado Novo, perante a reacção do sector privado à sugestão de cortes nos vencimentos o ministro das Finanças socorreu-se do Fernando Ultich e agora justifica os cortes no rendimento dos funcionários públicos com uma nova teoria, a de que no sector privado esses ajustamentos já foram feitos. Se assim é porque razão este governo fala tanto em recuperar a competitividade e anda com a parvoíce dos feriados? Parece que há duas coisas que não faltam neste governo, mentiras e sacanice, nem isso nem mentirosos e sacanas.

Parece que a greve geral não teve adesão nenhuma, até há quem diga que o silêncio nas ruas de Lisboa devido à ausência de trânsito nas principais artérias da capital resultou do facto de os lisboetas terem pensado que era o dia internacional sem trânsito, alguns até levaram essa confusão tão a sério que em ruas onde é perigoso andar de carro foi possível voltar a ver bicicletas. Mas mais grave do que as aldrabices habituais nestas ocasiões foi o regresso do país aos argumentos fascistas por parte de governantes, ouviu-se um ministro dizer que o país precisa é de trabalho e outro preocupado com a unidade dos portugueses, Salazar não teria argumentado melhor.

À medida que o tempo passa o Passos Coelho é cada vez menos governo e o Vítor Gaspar é cada vez mais primeiro-ministro, o líder do PSD começa a assemelhar-se a uma marioneta que serve para levar as decisões do Gaspar a despacho ao Palácio de Belém ou para ir a Bruxelas comunicar as medidas que o próprio Gaspar já comunicou por via oficiosa. É por isso que a linguagem do ministro das Finanças é cada vez mais a de um primeiro-ministro e todos já perceberam que nada se faz no governo sem a concordância do Gaspar, isso explica que as negociações com o PS em torno da pinochetada orçamental sejam feita perante a presença do ministro das Finanças. Gaspar começa a lembrar o Salazar do Estado Novo e para que o Passos Coelho se assemelhe ao Óscar Carmona já só lhe falta a farda de marechal.

O Portas, o tal que pedia para votarem nele para poder amenizar o extremismo de Passos Coelho, faz lembrar o bêbado que depois de cair num barril de cerveja vinha de vez em quando à superfície para pedir tremoços. Desde que chegou a ministro o líder do CDS desapareceu, mas vai aparecendo de vez em quando para dizer que não fugiu para evitar dar a cara pela pinochetada orçamental do Gaspar.

Afinal a culpa não é do Álvaro, o Batanete da Rua da Horta Seca não é tão idiota quanto poderemos pensar depois de lhe vermos as caretas ou de lhe ouvirmos as baboseiras, a culpa desta má imagem que temos do homem que veio do Canadá de propósito com a missão de nos ensinar a deixar de ser labregos teve azar com a escolha da assessora de imprensa, uma rapariga com um bom par de meias-solas que veio directamente do soviete do PSD no DN para cuidar do homem. Afinal, a senhora revelou-se uma incompetente e foi despromovida, deu um imenso trambolhão e agora já é administradora do Instituto de Turismo de Portugal. Bem, se a senhora sofrer mais uma despromoção ainda vai parar a ministra da Economia e o Batanete regressa a Vancouver, de onde nunca devia ter saído.

Graças à imagem de competência do Moedas, à confiança dos mercados no Gasparoika, à boa imagem do Batanete da Rua da Horta Seca, ao sorriso pimba do Miguel Relvas e ao brilhantismo intelectual do Passos Coelho alteraram o rating da dívida soberana, deixou de ser quase lixo para passar a ser lixo, agora só resta que o Moedas e companhia consigam convencer as agências a considerá-la lixo sem aptidões para reciclagem.

Empresa de segurança proíbe trabalhadores de comer
27-11-2011

A Previcol II – Vigilância Interactiva proibiu os seus trabalhadores, muitas vezes com turnos de 12 horas, de comer durante o período de trabalho. Carlos Sarinho, 36 anos, funcionário da empresa há cerca de dois, contestou aquela imposição e acabou por ter de rescindir o contrato, encontrando-se agora desempregado e sem direito a qualquer apoio do Estado.  
 
Em Junho, numa carta enviada ao trabalhador, à qual o semanário O ALGARVE teve acesso, a empresa evocava o Contrato Colectivo de Trabalho para o sector para justificar a decisão. No entanto, segundo fonte do Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Actividades Diversas, a interpretação dada ao documento pela Previcol II é “equívoca”. “A cláusula existe desde sempre e determina a dispensa dos intervalos para descanso, não determina a proibição de comer durante o período de trabalho diário”, sustenta a mesma fonte. De acordo com o sindicato, nesta actividade “não há uma hora especificada para almoço ou jantar, mas, normalmente, o trabalhador dispõe de 15 ou 20 minutos para se alimentar”.
Mas a Previcol II, empresa sedeada em Beja, tem uma interpretação diferente. De acordo com o número 4 da cláusula 16ª do Contrato Colectivo de Trabalho daquela actividade, «o período de trabalho diário decorrerá com dispensa dos intervalos para descanso». “Em face disto”, conclui a empresa na carta enviada ao trabalhador, onde também ameaça instaurar-lhe um processo disciplinar “caso volte a reincidir em tais actos”, “não lhe era permitido tomar refeições enquanto em funções”.
Contactada pelo semanário O ALGARVE, empresa acrescenta outra justificação, acusando o trabalhador de falta de “bom senso”. “O vigilante tem todo o direito a comer, mas tem de o fazer quando for a melhor altura, atendendo ao acordado e às exigências do cliente: este senhor confeccionava comida no posto de trabalho e comia independentemente de quem tinha ou não tinha para atender”. E isso não terá agradado ao cliente, daí a intervenção da empresa junto do trabalhador, justifica o responsável da Previcol.
Não obstante, segundo Carlos Sarinho, esta proibição foi “uma represália” pelo facto de ter pedido a dispensa de fazer horas extraordinárias.
Em Abril, numa carta enviada à empresa, à qual O ALGARVE também teve acesso, informou do facto de viver com uma avó acamada, juntando como comprovativo um atestado de amparo, assinado pelo presidente Junta de Freguesia de Pechão, onde reside, e manifestou-se indisponível para “continuar a ser confrontado com um trabalho extraordinário quase perene”.
Pessoal a menos
Carlos Sarinho acusa a Previcol II de funcionar “permanentemente” com pessoal insuficiente. “Aquele patrão nunca tem as equipas completas, por causa da Taxa Social Única: ele prefere ter apenas quatro trabalhadores para só descontar por esses”, sustenta.
A Previcol refuta a acusação, alegando o acordo e o próprio escrutínio do cliente. “Quando assinamos um contrato de prestação de serviços, fica logo definido o número de postos de trabalho a agregar. E depois somos com frequência auditados nesta matéria pelo próprio cliente”.
Embora fosse “por comum acordo” e também não constituísse “regra absoluta”, “acontecia com frequência trabalhar 12 horas por dia, sete dias por semana”, diz Carlos Sarinho. Mais uma vez, a empresa nega: “isso nunca fez, temos provas disso”, garante o responsável da Previcol.
Transferido
Em Agosto é informado pela empresa da transferência do seu posto de trabalho, em Faro, para Albufeira. A sua substituição, justifica a Previcol II, é feita a pedido do cliente, “ em consequência de vários conflitos”, alegadamente criados por Carlos Sarinho “com os vigilantes internos” da entidade a quem a empresa prestava serviço. E também não houve intenção de lhe dificultar a vida ou forçar a sua saída da empresa, acrescenta. Se fosse essa a intenção, sustenta o responsável, “podíamo-lo ter por posto em Portimão ou VRSA”.
A 23 do mesmo mês, Sarinho pede a rescisão do contrato “em virtude da alteração abusiva do seu posto de trabalho”, alega. “Para continuar tinha de ir para Albufeira: não podia de forma nenhuma começar a trabalhar mais longe com a minha avó acamada e ao meu cuidado”, justifica.
ACT detecta infracções
Na sequência de uma queixa apresentada à ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho e depois de uma “visita inspectiva ao local”, “foram detectadas infracções, designadamente no âmbito do registo do registo de trabalho suplementar”, lê-se no relatório daquele organismo.
“Dessa denúncia não resultou qualquer coima ou penalização da Inspecção do Trabalho”, responde a Previcol.
Ainda segundo o relatório da ACT, “o registo dos tempos de trabalho não é coincidente com as escalas que compõem o mapa de horário de trabalho, tendo sido constatado que os trabalhadores trabalharam em dias que segundo a respectiva escala deveriam ser dias de descanso semanal, não existindo quaisquer registos de troca de turnos”.

Observatório do Algarve

Elis Regina - Tatuagem


Acho que não conheço ninguém que tão bem escreva canções no feminino. Fica-se (eu fico!) com a impressão de que o Chico Buarque tem dentro de si várias mulheres, com vidas e estórias carregadas de paixões, alegrias, dramas, tragédias... mulheres que, de vez em quando ganham vida e “cantam”, servindo-se da sua voz e das suas palavras.
Uma dessas mulheres tem lugar cativo no universo de canções do Chico: Elis Regina.
As “versões” de Elis são definitivas. Tornam-se o molde. A matriz a partir da qual tudo se compara. Esta sua arrasadora interpretação de “Tatuagem” é um grande exemplo disso mesmo.
Em princípios dos anos setenta do Século XX, quando ainda não havia “telediscos”, Elis resolveu inventar um. Uma canção que já era um espanto, torna-se verdadeiramente incendiária. Por momentos, aquela relação da intérprete cantora com o intérprete músico... é, para dizer o mínimo, perturbante.
Eu sei que, neste caso, o músico (grande músico!) era César Camargo Mariano, o grande amor da sua vida. O amor que para além dos fantásticos frutos musicais que fez nascer, “produziu” seres humanos e talentos como o de Pedro Mariano e de Maria Rita. Mesmo assim... em que estado ficará um “pobre” pianista, quando a cantora, ainda por cima, sendo a Elis Regina, resolve encará-lo e cantar uma canção destas, desta maneira?
Bom domingo!
“Tatuagem” – Elis Regina
(Chico Buarque /Ruy Guerra)



Reparem nos cigarros do cinzeiro à direita... à direita!...

Triste refrão


Dentro deste silêncio
Existe a fúria de um sentimento
Amor quando dói grita no peito
E a solidão consome o sujeito

Sou só eu sem você
E não adianta eu querer
Por mais que lute contra esta dor
Ela é a ferida de um grande amor

Eu tento  fazer da saudade poesia
Mas a solidão não se cura com a fantasia
E é por isso que sempre escrevo o mesmo refrão
Onde a felicidade não rima com o meu coração...
 
Saulo Prado
blog Meu mundo quadrado