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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Afinal o que é ser ignorante? Inculto? Burro?


Qual é o animal mais feroz que existe? Sem hesitação respondeu, É o galo!

A minha saudosa avó Emília nasceu e cresceu na serra algarvia. Os seus pais, gente do campo, bisavós que nunca conheci, eram agricultores. Levavam quintas de renda e outras courelas de sua propriedade. A vida ia-lhes correndo bem. Dos vários filhos, os rapazes iam estudar. As raparigas ficavam em casa. Era preciso cuidar da mãe e fazer o jantar para os homens. E a ceia. Aos domingos passeavam de charrete. Vestidos compridos, a tapar o tornozelo porque as meninas não eram umas quaisquer. Chapéu na cabeça e bonitos sorrisos. Em casa, além dos bordados em telas de linho, havia a cozinha e o quintal. Havia patos, coelhos, galinhas e galos. Não havia luz elétrica, a água era do poço. A televisão não tinha ainda sido inventada e os jornais não chegavam à serra. No rádio a pilhas, ouvia-se a Emissora Nacional. Os patos, os coelhos e as galinhas eram mansos.

Um dia destes, já lá vão uns bons sete anos, entrei no café da minha rua. Estava com pressa, pedi uma bica e dei uma olhada ao jornal do dia. Esqueci a pressa face à estupefação perante aquilo que lia. Daí a dias ir-se-ia comemorar o trigésimo aniversário da revolução do vinte cinco de abril. Os rapazes e raparigas entrevistados não tinham ainda trinta anos. Nasceram todos depois de 1974. A televisão é (era também há sete anos atrás) a cores, tem quase cem canais. Não moravam na serra, tinham frequentado as escolas secundárias, sabiam que havia animais mais ferozes do que o galo. Só não sabiam o que tinha sido a revolução do vinte cinco de abril.

Provavelmente já terão ouvido esta história apesar da juventude de alguns de vós. Mesmo que a conheçam repito-a porque haverá alguns dos leitores destas histórias que não estarão a par. Eu também a ouvi contar, uma vez que, o senhor faleceu no ano em que eu nasci. Sir Alexander Flemming tinha "acabado" de descobrir a penicilina. Um dos seus périplos, para conferências e divulgação, passava por Portugal e Sir A. Flemming chegava, aparentemente, triunfal a Santa Apolónia. Uma enorme multidão enchia o cais e uma banda de música, tchim pum, tchim pum, tocava a plenos pulmões e à força de toque de caixa. O próprio cientista estava abismado com o exagero da receção. Quando o comboio parou, todos se precipitaram numa corrida infernal mas passaram por Sir Alexander como cão passa em vinha vindimada. Nem sabiam quem era. Ao mesmo tempo a Seleção Nacional de Hóquei em Patins (ockey no tempo em que se deu a ocorrência) chegava, após mais uma retumbante vitória sobre a vizinha e rival Espanha, ganhando mais um título mundial. Os nossos jornalistas, da Emissora Nacional, já se vê e dos jornais da época, uns de microfone em punho outros de bloco e caneta, entrevistavam o selecionador, os jogadores e principalmente os dirigentes, gente fina afeta ao regime. Também muitos deles não sabiam sequer o que era a penicilina.

Se houvesse televisão a cores e outras divulgações, talvez a minha saudosa avó Emília tivesse ganho aquele concurso da telefonia. É que já tinha respondido certo a duas perguntas anteriores. E não. O galo não é o animal mais feroz que existe.

POETAS POPULARES - MENINO POBRE DE JOSÉ MANANGÃO

Menino pobre
*
Espanta tuas mágoas menino canta
Não deixes que elas te entristeçam
Atira-as ao vento que se levanta
Para que ele as leve e te esqueçam
*
Seca tuas lágrimas menino seca
Não deixes que elas rolem no chão
Ele não merece tão doce rega 
É terra que nunca te deu o pão
*
Ergue teus olhos do chão levanta
Para que o mundo veja a tua dor
Tens a boca seca e rouca a garganta
Tens fome tens sede e falta de amor
*
Não estendas a mão, não vale a pena
Da tua razão ninguém quer saber
O mundo está cheio de gente pequena
De olhos abertos mas, não quer ver
*
Seca tuas lágrimas menino seca
Ergue teus olhos menino levanta
Não estendas a mão, não vale a pena
Espanta tuas mágoas menino canta.
*
Josémanangão



Contra os ladrões, marchar... marchar...




Miguel Macedo, ministro da Administração Interna, cumpriu o inexorável “princípio de Peter”. Subiu para o primeiro degrau da incompetência. Ainda há poucos meses o víamos e ouvíamos, falando “grosso” na bancada do PSD, massacrando as trapalhadas e mentiras de Sócrates... e aí está ele agora, membro de um governo de mentirosos e trapalhões. Atabalhoado, dando respostas redondas e evasivas, seja qual for o problema com que o confrontem.
Resolveu prometer mais 1100 polícias em 2012. Mesmo que consiga a proeza de levar o amigo Gaspar a descoser-se com o dinheiro para os ordenados... espero que os novos polícias sejam grandes amantes das caminhadas a pé, ou praticantes apaixonados de ciclismo... e, claro, que tenham um grande sentido de humor.
É que a manter-se a realidade anedótica desta notícia, ou desta outra, isto para dar apenas dois exemplos entre muitos... os homens e as mulheres vão ter muito que dar à perna.

Os gajos que são contra todos os partidos, fazem-me lembrar os cornudos que dizem que todas as mulheres são putas.


Se se der ao trabalho de tirar a coisa a limpo, vai ver que muita da malta que anda por aí no paleio anti partidos, ou que diz que todos os políticos são ladrões, é gente que passou a vida a votar nos partidos da troika, e só agora é que está a dar conta da dimensão dos cornos com que lhes enfeitaram as testas.

Isto de andar a votar em partidos que muito prometem, e vai-se a ver fazem tudo ao contrário, é duro. É caso para um gajo ficar mesmo afectado. Mas não vale a pena exagerar. Não é por a sua cara metade lhe pôr um grandessíssimo par de cornos que todas as mulheres passam a ser putas.

Em vez de, como seria normal, seguirem em frente com a vida, e procurarem quem não se dedique a enganá-los, parece que a única coisa que lhes dá algum consolo, é apregoar que o seu infortúnio, afinal tocaria a todos.

E tal como os cornudos que acabam quase sempre por voltar para os braços das suas alegadas bem amadas, também muita da malta que por aí anda a mandar bitaites contra todos os partidos e políticos, quando chegar de novo a altura, lá irão, de papelinho na mão, aceitar mansamente, sem tugir nem mugir, que lhes acrescentem mais um palmo às suas já imponente cornaduras.

namorar - poema ilustrado de António Garrochinho

pintura de Millani

Namorar

na melodia sereia dos teus lábios
... na rota dos teus olhos astrolábios
navegar no teu corpo
me apraz
nas ondas do teu cabelo
o meu barco ao teu mar se faz
preparado para a tormenta
e para a bonança
que o amor traz

A IGNORÂNCIA DOS NOSSOS UNIVERSITÁRIOS.

Vox Pop: A ignorância dos nossos universitários (vídeo)

http://www.sabado.pt/Multimedia/Videos/Vox-Pop/VoxPop--A-ignorancia-dos-nossos-universitarios.aspx
Sociedade
16-11-2011
Por André Barbosa e Tânia Pereirinha e imagem de Joana Mouta e Bruno Vaz
Enquanto Portugal se ri da auxiliar de acção médica concorrente da Casa dos Segredos, que julga que África é um país da América do Sul, a SÁBADO fez um teste básico a 100 alunos de universidades de Lisboa.

Ana Amaro, de 18 anos, que frequenta a licenciatura com o mestrado integrado em Psicologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), está a fumar à porta da faculdade, em Alfama. Aceita participar no teste de cultura geral da SÁBADO (20 perguntas, divididas por dois questionários de 10, ambos com um grau de dificuldade mínimo), mas está mais preocupada em acabar o cigarro. À quinta questão (qual é a capital dos Estados Unidos?), começa a atrapalhar-se. “Estados Unidos...? A esta hora é muita mau”, queixa-se. Não são 7h, são 13h30, e os colegas começam a sair para o almoço. Mas Ana parece ter acordado há 10 minutos, suspeita que a própria confirma.
A partir daí, é sempre a cair.

Não sabe quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo, quem fundou a Microsoft, quem é Maria João Pires nem que instrumento toca. E não parece preocupada. Afinal, acabou de acordar.
“Não dei isso no 12.º ano”, “Cinema não é comigo”, “Não me dou bem com a literatura” – na arte de justificar a ignorância, os estudantes universitários inquiridos pela SÁBADO têm nota máxima. “Se perguntasse alguma coisa de psicologia, agora cultura geral...”, diz Janine Pinto, optando pela desculpa número um.

– Quem pintou o tecto da Capela Sistina?
– Ai, agora... Tudo o que tem a ver com capelas e igrejas não sei (desculpa número dois dos universitários).
– E quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo?
– Eh pá! Coisas com Jesus Cristo?! Sou fraca em religião ... (desculpa número três).
E se é que isto serve de desculpa, aqui vai a número quatro: Janine, tal como muitos outros inquiridos, não está num curso de Teologia, nem de Artes.

Mas Bruno Marques, 18 anos, no 1.º ano de Ciências da Cultura na Faculdade de Letras, escorrega num tema que deveria dominar.
– Quem é Manoel de Oliveira?
– Já ouvi falar, mas não sei quem é.
– Estás em Ciências da Cultura. Dás Cinema?
– Sim, algumas coisinhas, mas não sei...

Pedro Besugo, 18 anos, estreante no curso de Turismo da Lusófona, admite não saber qual é a capital de Itália. Perante a insistência da SÁBADO (“Então estás a tirar Turismo e não sabes?”), responde: “Será Florença?” Não é. Como também não é Veneza, nem Milão ou Nápoles, como outros responderam.

Não saber quem pintou a Capela Sistina ou Mona Lisa (um aluno responde Miguel Arcanjo; outro Leonardo di Caprio) é igualmente grave. Talvez não tanto como pensar que África é um país da América do Sul ou não fazer ideia do que é um alpendre. Mas Cátia Palhinhas, do reality show Casa dos Segredos2, autora destas e de outras respostas, que põem o público a rir, não frequenta o ensino superior – é auxiliar de acção médica e está a tirar o 12.º ano à noite no programa Novas Oportunidades.

Aos 22 anos, sonha tornar-se “conhecida e vencer na televisão”. Por isso, não está nada preocupada em saber qual o maior mamífero do mundo – “É o dinossauro!”, disse há umas semanas.
Há universitários que respondem “mamute” à mesma questão. Catarina, 20 anos, aluna de Psicologia do ISPA, fica na dúvida: “É o elefante. É o mamute. É o elefante. Acho que é o elefante. O elefante é de África e o mamute da Antárctida”.

FESTIVAL DA BATATA-DOCE DE ALJEZUR - Edição 2011 de 1 a 4 de Dezembro - clip incluído



 Festival da Batata-doce de Aljezur, de 1 a 4 de Dezembro 2011, aliando a vertente gastronómica à promoção dos produtos locais de enorme qualidade.

Aljezur desde sempre esteve ligada a actividades agrícolas, com recurso a técnicas e métodos tradicionais que subsistiram no tempo, permanecendo imutáveis até aos nossos dias. A Batata-Doce de Aljezur, é a expressão visível desta imutabilidade, sendo hoje cada vez mais reconhecida como ex-líbris da nossa identidade cultural.
As condições ambientais únicas permitem o harmonioso crescimento das famosas “raízes de pele castanho avermelhado e polpa amarela”.
O sol, as terras, as águas, o ar limpo e o clima de Aljezur fazem das batatas-doces um produto com qualidade e com um sabor diferenciado. Considerado desde há muito, um alimento completo, único, com qualidade e acima de tudo um produto biológico natural sem usos de químicos.
Deste modo é-lhe permitido o seu reconhecimento como um produto com a certificação IGP - Indicação Geográfica Protegida.
CANSEI-ME...

Cansei-me de pedir-te ao tempo irado…
Cansei-me de chamar-te e, se chamei,
Foi soprando as palavras que nem sei
Se o tempo alguma vez terá usado…

Chegaste, enfim, mas longe do cuidado
De cuidares deste quanto me cansei,
Quiseste impor-me o esforço de outra lei
No corpo de um poema emancipado

Não terei, hoje, a força de mudar-te
E escrever-te é melhor que desprezar-te
Depois de tanto inútil chamamento

Mas há-de vir o dia em que chamar-te
Não mais será preciso e completar-te
Terá a rapidez do próprio vento…




Maria João Brito de Sousa

DUARTE LIMA E O FILHO FORAM DETIDOS

Domingos Duarte Lima e o filho Pedro foram hoje detidos na sua casa, em Lisboa, que está a ser alvo de buscas. A Polícia Judiciária está igualmente a fazer buscas na vivenda do advogado na Quinta do Lago, no Algarve. É possível que o advogado fique em prisão preventiva. Segundo o SOL apurou, o advogado e ex-deputado do PSD e o filho foram constituídos arguidos por crimes de burla, branqueamento de capitais e fraude fiscal, no âmbito da investigação ao caso BPN, que decorre no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), sob a coordenação do procurador Rosário Teixeira.
Em causa está um negócio de terrenos em Oeiras, em 2007, que foi financiado pelo BPN e em que o banco saiu lesado em mais de 40 milhões de euros. O financiamento destinava-se à construção de um complexo habitacional numa zona que chegou a ser equacionada para o novo edifício do Instituto Português de Oncologia de Lisboa.
A detenção de Duarte Lima foi solicitada pelo DCIAP e validada pelo juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, Carlos Alexandre. Duarte Lima deverá em breve ser sujeito a interrogatório.
A PJ está também a fazer buscas no Porto, na residência de Vítor Raposo, deputado pelo círculo de Bragança, entre 1991 e 1995, quando Duarte Lima foi líder parlamentar. Raposo foi também constituído arguido neste caso, surgindo envolvido com Duarte Lima no mesmo negócio que foi financiado pelo BPN.
Duarte Lima pode ficar preso, por perigo de fuga, devido ao processo no Brasil, em que foi acusado do homicídio de Rosalina Ribeiro, antiga companheira do milionário Lúcio Tomé Feteira.
Felicia.cabrita@sol.pt

Algarve: 13,3% de desemprego na época alta faz temer inverno
17-11-2011

O desemprego no Algarve atingiu os 13,3% no 3º trimestre de 2011 (junho, julho e agosto), superior à média nacional de 12,1%. Governo prometeu mas não respondeu a propostas apresentadas. A 24 de novembro há greve e concentração em Faro.  
 
Neste contexto, para a União dos Sindicatos do Algarve, a greve geral do dia 24 será acompanhada de uma concentração a partir das 15h00 no Jardim Manuel Bívar, em Faro, contra o desemprego e contra as políticas e atitudes do Governo.
“De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, não existem registos passados de uma tão elevada taxa de desemprego no Algarve neste período, o que configura, por si só, um elemento de extrema preocupação quanto à situação do emprego no inverno que se avizinha, sobretudo tendo em consideração que com uma menor taxa de desemprego no período homólogo do ano passado se atingiu uma taxa de 17% no Inverno seguinte”, denuncia a União dos Sindicatos do Algarve (USAL/CGTP).
'algarve' 'desemprego' 'greve-geral' 'sindicato' 'manifestacao' 'faro'
A estrutura sindical regional afeta à CGTP salienta ainda que o 3º trimestre se reporta à designada “época alta” do Turismo Algarvio, que corresponde ao período do ano onde supostamente há mais emprego na região e, como tal, menos desemprego.
Governo não cumpriu promessa
A União dos Sindicatos do Algarve frisa, em comunicado, que apresentou ao Governo “um conjunto de propostas e de ideias para travar o crescimento do desemprego na Região e que este, tendo-se comprometido a apresentar resposta até ao fim da 1ª quinzena de Agosto, nunca o fez”.
“Alheando-se manifestamente dos problemas do Algarve e do drama de milhares de famílias algarvias, contribuindo
também desta forma para o agravamento da situação. Ao tomar esta atitude, o Governo assumiu-se como principal responsável pela dimensão inaudita que o desemprego vai atingindo no Algarve”, acusam os sindicalistas.
Entretanto, existem outros elementos que tenderão a agravar a situação do desemprego, nomeadamente, e entre outros, os decorrentes do encerramento contínuo de empresas, as políticas económicas e sociais levadas a cabo pelo Governo e a recessão induzida na economia, alerta ainda a comissão executiva da USAL.
Observatório do Algarve

a palavra "amor"

Sanne Sannes - Lovers, 1963
 O homem — ou a mulher — que compreendeu isto é objecto de uma profunda conversão. A conversão à linguagem autêntica do coração e dos sentidos. Ele — ou ela — deixa de abusar da palavra «amor».
A realidade, a honestidade, a liberdade, instalam-se na nossa vida sentimental quando temos a coragem de substituir a palavra «amor» pelas expressões exactas das nossas inclinações e dos nossos apegos. Que revolução do discurso e, logo, dos costumes, e quantas dores evitadas, se substituíssemos esta palavra oca pelos seus sinónimos plenos! Mágoas e cadeias por se ter chamado amor ao desejo. Duas vidas despedaçadas por terem pronunciado esta grande palavra devoradora quando só se tratava dos sentidos e de simpatia. O medo da solidão e a necessidade de ternura, postos na conta do amor. Dar o nome de amor louco a uma loucura de posse. Confundir o amor com o prazer dos hábitos a dois. E, a partir daqui, as tragédias do ciúme.
É verdade que o amor existe. Mas é raro. Tão raro como a santidade ou o génio. Não aviltemos o seu nome.
Quem pode dizer: faço-te dádiva de mim? Quem está suficientemente presente a si, para fazer dádiva de si?
E, enfim, há apenas um amor puro: querer a felicidade de um ser, quando já não se está preso seja ao que for. Não ter medo de viver nem medo de morrer, não sofrer de qualquer privação, bastar-se a si próprio. E juntar-se a alguém na vida desejando o seu bem. Há apenas um amor sereno: quando já nada nem ninguém pode perturbar a minha serenidade.

As falácias do amor e do sexo – Louis Pauwels

Blog  sem pudor

A censura do Vaticano continua


Numa campanha de publicidade realizada pela United Colors of Benetton, aparece uma montagem fotográfica do papa Bento XVI a beijar o Imã do Cairo Zafwad Hagazi. Esta campanha visava sensibilizar contra o ódio, promovendo a tolerância, inclui várias outras figuras, mas não é delas que é importante falar. É importante falar da posição do Vaticano que sempre defendeu, supostamente, a paz e a tolerância entre os povos, as raças, as culturas.


O Vaticano vem deste modo pedir, sensivelmente 24h depois do inicio da campanha publicitária que seja retirada a imagem onde o papa aparece a beijar o imã do Cairo dizendo que "É uma falta de respeito pelo papa, uma ofensa contra os sentimentos dos fiéis e um exemplo claro de como a publicidade pode violar as mais elementares regras de respeito pessoas para atrair a atenção das pessoas através da provocação."

Esta forma de reacção por parte do Vaticano é sim castradora de uma campanha, ainda que publicitária, que visa alertar as pessoas, através de imagens que podem ser consideradas um pouco mais chocantes na cabeça de um qualquer conservador, para lançar um alerta e a promoção da tolerância. Até ao momento ainda mais nenhuma entidade envolvida na campanha se pronunciou sobre a mesma, só mesmo o Vaticano partiu para um ataque cerrado contra as imagens que podem ofender os sentimentos dos fiéis.
Onde fica aqui a promoção da tolerância por parte do Vaticano? Onde fica o respeito também pelo trabalho dos outros?

Terá o papa medo de sair do armário?
blog Adeus Lenine

Não questionável a bem da nação


“A bem da Nação”, a informação emitida pela RTP Internacional deve ser “filtrada” e “trabalhada” pelo Governo, defendeu João Duque. Um tratamento que, acrescentou, “não deve ser questionado”. ‘Se [o Governo] quiser manipular mais ou manipular menos, opinar, modificar, é da sua inteira responsabilidade, porque estamos convencidos [de] que o faz a bem da Nação, porque foi sufragado e foi eleito para isso.’

Controlo e filtragem sobre a informação não é nada de novo e há muito que é feito. Agora, esse controlo não deve ser questionado, ao som do velho chavão salazarento do "a bem da nação". A justificação é, a promoção de Portugal através da imagem ou do som deve ser enquadrada numa visão de política externa e portanto quase que sob a orientação ou em contrato de programa com o Ministério dos Negócios Estrangeiros”. Como imagino que também devia gostar de colocar os blogs e o Facebook sob orientação do Ministro, o melhor é não questionar, a bem da nação.

FALECEU AIDA MAGRO HISTÓRICA MILITANTE DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGÊS - A SUA HISTÓRIA

Luta pela democracia «era muito difícil»

Faleceu na sexta-feira a histórica militante do PCP Aida Magro. Nascida em Angola em 1918 e formada em Engenharia Química, aderiu ao PCP em 1942, começando a sua militância na luta pelos direitos das mulheres e pela solidariedade antifascista. Em 1945, passou à clandestinidade como funcionária do Partido assumindo, entre outras tarefas, o controlo do Comité da Zona Oriental de Lisboa, na altura a zona operária mais importante da cidade






As desigualdades e as injustiças sociais que se viviam nas décadas de 30 e 40 em Portugal conduziram Aida Magro ao Partido Comunista Português. A sua actividade neste partido levou-a a viver 12 anos na clandestinidade e seis anos na prisão de Caxias. A luta pela democracia «era muito difícil. Não brincávamos aos polícias e ladrões. Era a sério».
Aida Magro nasceu e viveu a sua adolescência em Angola, onde as condições de vida da população negra «sempre me preocuparam», afirmou Aida Magro ao Notícias da Amadora. Em Portugal envolveu-se em várias lutas estudantis até que acabou por se tornar militante do Partido Comunista Português em 1942, com 24 anos.
Na altura, a luta das mulheres contra as condições de vida começava a ganhar visibilidade. Um ano antes o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas reivindica em carta aberta ao ministro do Interior a criação de uma nova lei sobre a condição feminina e as greves e as concentrações de mulheres multiplicam-se. É o caso das 450 operárias da Fábrica de Cortiça Rankin, na Cova da Piedade, que reivindicam junto do patrão aumento de salário, ou as mulheres de São Félix da Marinha que desviam uns sacos de farinha destinados aos nazis e distribuem-na pela população.
Em 1945, o marido de Aida Magro, José Magro, que também pertencia ao PCP, foi denunciado e foi obrigado a ingressar na clandestinidade. «Era uma realidade para a qual estávamos preparados. Mas foi muito complicado ficar sozinha com uma criança de três meses». Algum tempo depois seguiu-lhe o exemplo. Realça que foram tempos «muito difíceis». A Segunda Guerra Mundial tinha terminado, e Portugal «estava a pagar a factura de uma falsa neutralidade». Os bens eram escassos e a população era obrigada a viver com racionamento.
As pessoas que viviam na clandestinidade não podiam recorrer a esse racionamento e «eram obrigadas a recorrer ao mercado negro onde compravam açúcar ou arroz por 16 escudos». Aida Magro realça que a mensalidade cedida pelo PCP para os três era de 500 escudos. «Tinha que fazer contas e mais contas para o dinheiro dar para tudo. Passei muita fome para alimentar a minha filha». 
«Passagem ao anonimato»
Aida Magro diz que tinha uma ideia «muito romântica» da clandestinidade. Mas afinal, «não era mais do que a passagem ao anonimato, com o objectivo de nos furtamos às perseguições da PIDE».
Os militantes do PCP que viviam na clandestinidade não tinham identificação nenhuma, o que era «um dos motivos de angústia e preocupação» porque «se fossemos abordados pela PIDE não tínhamos nenhum documento e podíamos ser presos ou mortos em qualquer esquina como aconteceu com outros camaradas».
O trabalho na clandestinidade «era muito». Para além de «estar em alerta permanente» e de «controlar um determinado sector operário, trabalhávamos todo o dia na elaboração de jornais e artigos». Aida Magro passou por vários locais nos anos em quem viveu na clandestinidade, mas a inserção nunca «foi difícil». A maioria das pessoas «não sabia o que se passava no país e desconhecia as perseguições da PIDE». Num dos locais, «até chegaram a pensar que o meu marido era casado com outra mulher e que eu era a amante. Foi uma farsa que nos foi muito útil enquanto vivemos no local».
Depois do marido ter sido preso, em 1951, continuou a viver na clandestinidade por mais seis anos até ser presa em Maio de 1957. Cerca de um mês depois do marido ter sido libertado. Os agentes da PIDE «assaltaram-me a casa, no Bairro Lopes, e encontraram muitos arquivos e material de propaganda e estudos que denunciavam a minha actividade».
Nas instalações da PIDE assumiu que pertencia ao PCP e recusou-se a prestar declarações. «Não ia mentir porque eles tinham a certeza absoluta que eu pertencia ao partido. Os documentos apanhados em minha casa eram uma prova mais do que suficiente». Recorda que ainda «tentaram obter informações através de elogios à minha pessoa. Achei que era traição e recusei-me a abrir a boca».
Sem tortura
As condições na prisão de Caxias «eram muito más». Nos primeiros seis meses de prisão ficou isolada e foi submetida a vários interrogatórios. Mas salienta que nunca foi torturada. A única tortura «era ter o meu marido na mesma prisão e tomarem todas as precauções para não nos vermos». Libertado em 1957, José Magro voltou a ser preso em 1959 e evadiu-se em 1961. Mas volta à prisão em 1962, saindo de Caxias apenas em Abril de 1974.
Para a ajudar a passar o tempo no isolamento, duas presas, Georgette Ferreira e Maria Ângela, cantavam canções revolucionárias «para me animar e não me sentir tão só». Como era proibido cantar foram castigadas com um mês de cela disciplinar, «sem direito a visitas, lanches, ou jornais. Estávamos em pleno período eleitoral e era preciso que elas acompanhassem as notícias». Optou por fazer recortes de jornais, «como se fosse uma espécie de arquivo», metê-los na algibeira da saia e deixa-los cair nos balneários «por esquecimento». Os recortes nunca foram lidos pelas camaradas de prisão e, por isso, «escrevi uma carta ao director a reclamar dos carcereiros». Uma reclamação que lhe valeu 15 dias em cela disciplinar. Os castigos «eram muitos. Eram uns atrás dos outros. Como reclamava de tudo, era castigada com muita frequência». Depois da fuga de Peniche, a 3 de Janeiro de 1960, donde se evadiu um grupo de destacados dirigentes do PCP, entre eles Álvaro Cunhal, as condições de vida na prisão «pioraram muito. Os pretextos para os castigos eram constantes e as provocações surgiam a todo o momento». Nesse ano, a PIDE não permitiu aos presos a visita em comum pelo Natal.
Esta decisão «gerou uma grande movimentação dos presos e dos familiares». Na altura, Aida Magro era chefe de sala e «assumi uma postura de conquista desta regalia recusada». O castigo acabou por ser geral e, como chefe de sala, «fui submetida a mais 30 dias de castigo e a destituição da função».
Tempo «passa devagar»
O tempo na prisão «passa muito devagar». Para preencher os dias Aida Magro costurava roupa para a filha e para a sobrinha, ensinava a ler e a escrever as camaradas menos instruídas e «discutíamos muita política e as soluções para o país avançar para a democracia».
Durante os seis anos em que esteve presa, «passaram muitas mulheres pela prisão de Caxias e muitas delas foram submetidas à tortura do sono».
Foi libertada a 2 de Fevereiro de 1963, mas foi submetida a três anos de liberdade condicional, com residência fixa e apresentação mensal na PIDE. «Não podia sair de Lisboa para lado nenhum. Para ir visitar o meu marido a Peniche tinha que solicitar uma autorização com 48 horas de antecedência». 
Quando saiu da cadeia tinha 45 anos e, apesar de ter um curso de técnica de engenharia, «tive muita dificuldade em arranjar emprego. As portas estavam todas fechadas porque tinha um rótulo de comunista». Acabou por fazer um pouco de tudo, «desde vender máquinas de café até fazer escritas. Era preciso sobreviver».
Trinta anos depois do 25 de Abril de 1974 considera que a luta «foi muito positiva. Valeu a pena as pessoas sacrificarem-se». Espera que o seu testemunho «sirva para mostrar» aos mais jovens «que vale a pena lutar para viver em liberdade».
O Notícias da Amadora contactou várias mulheres que passaram pelas prisões fascistas, que não quiseram falar sobre essa vivência. Um facto que para Aida Magro é compreensível. «Nem todas gostam de recordar as más experiências a que foram submetidas»
http://www.noticiasdaamadora.com.pt/nad/artigo.php?aid=5184&coddoss=23