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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O miserável negócio da doença



Não sei se sinta vergonha, enquanto cidadão português, ou se apenas asco.
Sempre que ouço na televisão ou leio nos jornais alguma “medida”, ou ideia do “Cobrador da Saúde” que está a fazer de ministro, nunca se trata de alguma coisa realmente ligada a questões de saúde pública, de avanços civilizacionais na relação do “sistema” com os doentes... nada! É sempre de dinheiro que se fala. O homem não vai um passo para além das contas de mercearia.
Entretanto, os grandes problemas da medicina vão sendo confinados às questões de papelinhos… como se pode ver nesta estória:
Enquanto os médicos portugueses em excesso - que não há – não tiverem a certeza de existir um “documento de reciprocidade” dizendo que podem ir trabalhar para a Costa Rica – para onde não querem ir – os médicos da Costa Rica que foram contratados para suprir a nossa falta de médicos, não serão inscritos na Ordem, logo, não poderão trabalhar em Portugal, junto dos milhares de cidadãos que não têm acesso, entre muitas outras coisas, a um médico de família.
O que me leva de novo ao início deste desabafo. Sempre que ouço na televisão ou leio nos jornais alguma “medida”, ou ideia do “Cobrador da Saúde” que está a fazer de ministro, não sei se sinta vergonha, enquanto cidadão português, ou se apenas asco.

Madeira divulga estudo que diz que dívida de Portugal é de 332,8 mil milhões

 
A dívida pública de Portugal ascende a 332,8 mil milhões de euros, o que corresponde a 203,1 por cento do seu PIB, segundo um estudo do Governo Regional da Madeira que será divulgado na quinta-feira. O deputado do PSD em S. Bento, Guilherme Silva, revelou à agência Lusa que esse documento, será tornado público no debate que está agendado para quinta-feira na Assembleia da República a propósito da dívida da Madeira.
Acrescentou que se trata de um estudo desenvolvido pelo Governo Regional para avaliar o peso da dívida pública do arquipélago nas responsabilidades financeiras de Portugal que concluiu que estas representam 1,8 por cento da dívida pública de Portugal.
«O estudo foi feito para comparar os números que tinham sido apresentados pelo ministro das Finanças e verifica-se que as proporções que se referenciam, relativamente a esta região, são muitíssimo mais surpreendentes e abismais, quando se faz o mesmo tipo de rácio relativamente ao Estado», declarou.
Com 267.938 habitantes, a Madeira representa 2,5% da população residente de Portugal, embora o seu Produto Interno Bruto (PIB) (5.100 milhões de euros) represente 3 por cento de toda a riqueza gerada no país.
De acordo com este documento, a que a Lusa teve acesso, a dívida directa de Portugal é de 159,5 mil milhões de euros (97,5 por cento do PIB), o sector empresarial do Estado tem responsabilidades financeiras que ascendem a 165,8 mil milhões de euros e as autarquias locais têm uma dívida de 7,4 mil milhões, um valor que é relativo ao final de 2010 e que não inclui os passivos das empresas municipais.
Com base neste estudo, a dívida per capita do Estado/autarquias do Continente representa 33.159 euros, correspondendo a 897 por cento das suas receitas efectivas e 1.031 por cento da receita fiscal.
O total das responsabilidades financeiras da Madeira apontadas pelo levantamento feito pelo Ministério das Finanças é de 6,3 mil milhões de euros, o que representa 123,5 por cento do seu PIB.
Quanto à dívida directa (3 mil milhões de euros) representa 60,2 por cento do PIB, enquanto a dívida per capita dos madeirenses é de 23.512 euros, representando 596 por cento das suas receitas efectivas e 922 por cento das receitas fiscais.
Este estudo considera duas variáveis, com e sem a inclusão dos 106,7 mil milhões de euros da dívida financeira da Caixa Geral de Depósitos.
De acordo com os dados, «se não for considerada esta dívida, que integra, contudo, o sector empresarial do Estado, as responsabilidades financeiras de Portugal ascendem a 226,1 mil milhões de euros, o que representa 138 por cento do PIB, 609 por cento das receitas efectivas e 700 por cento das receitas fiscais».
«Neste último caso a dívida da Madeira seria de 2,7 por cento de todas as responsabilidades financeiras de Portugal», conclui o documento.
Para Guilherme Silva, estes dados significam que «o Estado não tem grande moral para fazer uma crítica ou isolar a situação da Madeira, como uma situação singular».
Questionado sobre se este levantamento tinha já sido feito pelo Estado português, Guilherme Silva respondeu que se «está a assistir a uma situação inédita».
«Só há contas transparentes e com rigor e apuradas, relativamente à Região Autónoma da Madeira, relativamente ao que seja as dívidas das autarquias do Continente, no seu global e das empresas municipais, das dívidas do sector empresarial do Estado, tudo isso está numa nebulosa que ainda não sabemos», disse.
Garantiu ainda que «este documento toma por base documentos minimamente fidedignos das instâncias oficiais, designadamente dos dados estatísticos e de outras instâncias como o Tribunal de Contas e o Banco de Portugal e permite, pelo menos, numa aproximação minimamente rigorosa, ter essa conclusão».
Lusa/SOL

5 de Outubro - Ainda as cerimónias... um pequeno resumo




Mário Soares achou o discurso de Cavaco o mais republicano. Por uma vez, estou de acordo com Soares; também me pareceu que nada daquilo era “real”.
Quanto ao resto e muito resumidamente, como prometi, Cavaco abriu a boca (miraculosamente livre de bolos), acertou "acidentalmente" no apelo à produção (que ele próprio ajudou a destruir), para logo de seguida faltar ao respeito aos trabalhadores portugueses, culpando-os pela crise, com a cassete das “ilusões” e do andarmos a “viver acima das nossas possibilidades”... deixando-se a si próprio do lado de fora da culpa e esquecendo os milhares de milhões de euros roubados pelos seus mais diretos colaboradores e amigos ao longo dos últimos trinta anos... e que ainda hoje vivem à tripa forra.
Depois, Sua Excelência bebeu mais um gole do seu “sumol” de feno, zurrou com extrema elegância... e foi para dentro.

Acabaram os tempos de ilusões

Os ilusionistas têm sempre muita audiência e são tidos como ídolos por muitos dos apreciadores das suas habilidades, por muitos dos seus fãs. Coisa parecida se passa com o espectáculo das campanhas eleitorais em que as promessas são sementes de tal produto aliciante. É que a ilusão ajuda a viver suportando as dificuldades que, com ela, ficam secundarizadas perante as perspectivas do «milagre».

Por isso, anunciar que «acabaram os tempos das ilusões» constitui uma grande machadada psíquica, um terrorismo psicológico que nos torna a vida mais amarga.

Estou a procurar imaginar como me irei sentir quando forem destruídas as minhas ilusões, alimentadas pelos actuais políticos, de que:

- A corrupção e o enriquecimento ilícito vão ser combatidos com rigor e eficácia, sem olhar a quem tem sido tradicional beneficiado;
- A justiça social vai melhorar a vida dos mais pobres e reduzir o fosso astronómico entre os 100 mais pobres e os 100 maia ricos;
- Os gestores do dinheiro público, dos nossos impostos vão usar de mais competência e capacidade e passar a gastar e investir menos do que as receitas do erário público, por forma a deixar de haver défice e dívidas;
- Os governantes e autarcas, por respeito aos cidadãos, democraticamente soberanos, passarão a ser transparentes nas suas decisões com efeitos nacionais, na vida das pessoas e no património de Portugal;
- A saúde vai procurar evitar despesas dispensáveis e abusivas, mas vai centrar a atenção no estado sanitário das pessoas, principalmente crianças , idosos e carentes de meios financeiros, para criar maior bem-estar, felicidade e capacidade para engrandecer Portugal;
- O ensino vai passar a orientar-se por objectivos permanentes visando a preparação dos futuros cidadãos para uma vida eticamente perfeita e competente e não para dar notas altas com a finalidade de obter belas estatísticas;
- A Justiça vai ser mais rápida e eficaz com menos burocracias e entraves, e igual para todos os cidadãos sem branduras para os melhor colocados na máquina do poder (político, financeira, etc.;
- As Foças de Segurança vão passara interessar-se mais pela segurança dos cidadãos e dos seus bens do que pelos recordes de colheita de coimas e multas
- Etc.

Enfim, estou a ficar muito preocupado após o anúncio de que «acabaram os tempos de ilusões», de que estas minhas ilusões vão ser destruídas, porque elas, além de me darem ânimo, contribuiriam para uma saudável saída da crise que resultou de erros e vícios estruturais das sociedades modernas. Tais ilusões, à medida que fossem concretizadas, levantariam nos portugueses o já muito falado e hoje muito ignorado orgulho de ser português.

Sem ilusões, sem esperança, a vida perde estímulo… e não pode ir longe.

Imagem de arquivo

Mário Alberto (1925-2011)




Concedeu-me o privilégio de, ainda um jovem principiante na profissão das cantigas, ter participado com ele e com a Maria do Céu Guerra na fundação do (agora já) histórico grupo de teatro “A Barraca”, nos idos de 1976, muito pouco tempo depois de me ter conhecido no “Teatro Adoque”.
Era um manancial de tudo: de inconformismo, de resistência tenaz contra a mediocridade e a estupidez, de criatividade imparável, de humor cortante, de ternura, de fantásticas estórias de vida.
Era simultaneamente criador, divulgador e convicto praticante de uma espécie de “anarco-comunismo”, por vezes explosivo, por vezes mesmo em cima do risco do verosímil... mas sempre, sempre desafiador e estimulante.
Vi-o pela última vez no seu habitat natural, algures entre os Restauradores e o Parque Mayer. Eu, já quase com a idade que ele tinha quando o conheci, ele já não muito bem de saúde. Como estava certo de eu continuar a ser terreno fértil para as suas estórias, humor e disparos em todas as direções, recuperou ali mesmo o nosso tanto tempo perdido, pôs aquele sorriso tremendo que usava para “produzir” as suas “maldades”... e durante uma bela meia hora aquela esplanada da Avenida foi uma festa para mim.
Obrigado, Mário Alberto!