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quarta-feira, 28 de setembro de 2011


A ARROGÂNCIA DOS DITADORES FALIDOS

Só há acordo para regularizar finanças se Madeira aceitar, diz Jardim

27.09.2011 - Por Lusa

O cabeça de lista do PSD às eleições legislativas regionais avisou hoje que o acordo para regular as finanças da Madeira não avança sem a anuência da região, exigindo iguais condições para o tratamento da dívida.

“Vamos endireitar, regular, agora as finanças da Madeira, mas não pensem que Lisboa pode impor à Madeira uma solução sem haver acordo nosso”, afirmou Alberto João Jardim, lembrando que “a regularização das finanças implica a aceitação da Assembleia Legislativa da Madeira”.

Num comício na freguesia do Caniço, concelho de Santa Cruz, o candidato social-democrata alertou: “É isso que está na Constituição e se vierem com manobras para explorar o povo madeirense, a maioria PSD não assina nada com Lisboa”.

O responsável, líder do Executivo madeirense desde 1978, tornou a explicar a situação financeira da região: “O buraco é muito simples, roubaram-nos o dinheiro, eu não parei, foi preciso acertar tudo com empreiteiros e credores, e só se podia dar os números quando estava tudo acertado”.

Depois de reiterar que “não há nada a esconder”, Jardim afirmou que teve “a honestidade de pedir a intervenção da República antes das eleições”, acrescentando: “Não é como os Açores, que deixou [sic] para Novembro”.

O responsável adiantou que o “acerto de contas” será feito “com o Governo da República” e não com a troika.

“Eu nunca assinei nada com a troika. Não assino nada com a troika. Não vou estar aqui para aturar políticas que só pensam no défice”, declarou Alberto João Jardim, notando que os madeirenses, “como os outros portugueses”, vão “fazer sacrifícios por igual”, logo “o tratamento da dívida vai ser também igual para todos”.

“Também somos portugueses e, portanto, se o Estado português vai pagar a dívida a 30 anos, eu exijo que também a dívida da Madeira seja paga a 30 anos; se o Estado português vai pagar a dívida com os juros baixos que foram criados pelo Banco Central Europeu, então são esses mesmos juros baixos que se aplicam à Região Autónoma da Madeira”, considerou.

A este propósito, o candidato acrescentou: “Apareceu há dias aí uma fascista do CDS, que é vice-presidente da Assembleia da República, que disse que íamos pagar a nossa e a dívida deles. Para essa senhora eu faço aquele gesto do Bordalo Pinheiro”.

Às centenas de pessoas presentes no comício, o cabeça de lista do PSD apelou para uma nova maioria absoluta: “Precisamos da maioria absoluta porque temos negociações difíceis a fazer com Lisboa”, sublinhou, referindo estar em jogo “o emprego de muita gente” ou o “dinheiro para continuar a manter a Madeira a funcionar”.

Por fim, lembrou: “Demonstrei-vos sempre que sabia negociar com Lisboa. Melhor ainda que agora é o meu partido, o nosso partido, que está no Governo em Lisboa. Dêem-me força, que eu vou negociar e não quero saber da troika para nada”.

como se - poema ilustrado de António Garrochinho


vencer - poema ilustrado de António Garrochinho

sons do luar - poesia ilustrada de António Garrochinho

CHEGAR TARDE DEMAIS À ÍTACA DO COSTUME



Por Ítaca me fui desencontrando
Da sagrada missão da Poesia...
Se acaso a encontrei, nem nela havia
Tradução pr`á linguagem do meu pranto

Mal Ítaca pisei, fui encalhando
Naquele praia urgente e já vazia
Que quanto mais negada, mais crescia
Enredando-me toda no seu manto

Se algum farol em Ítaca se erguia,
Se, à porta, me pediram senha ou santo
Pr`á singular passagem que antevia

Não o posso afirmar. E, no entanto,
Em Ítaca, chorando, eu redimia
Cada poema à luz do desencanto




Maria João Brito de Sousa
blog poetaporkedeusker

Álvaro Santos Pereira - É apenas mais um...




Já que estava a falar do ministro da economia e não sei mais de quê, verifico que é inesgotável a vocação dos governantes para nos impingirem esta patranha... talvez porque é também inesgotável a disposição do povo para a engolir. Explico:
Contrata-se um qualquer grupo de aldrabões que se deixem corromper para dizerem que fizeram um “estudo”... e que segundo os resultados desse “científico estudo”, alguma coisa (pão, transportes, electricidade, etc.) vai ter o seu preço aumentado em, digamos, trinta por cento

Espera-se uns dias para deixar a coisa indignar os mais combativos e amedrontar a maioria... e zás!, lá vem um qualquer palhaço de serviço, neste caso, o próprio ministro, fazer o já estafado número do “Nem pensar!”... “Podem ficar sossegados!”... «O aumento vai ser muito menor que trinta por cento!»
E, para desespero da inteligência insultada de alguns, ainda vai havendo quem aplauda este miserável espectáculo.

ILHA DO PESSEGUEIRO



fotos Sines.pt

Ilha do Pessegueiro

Vista da ilha, a terra parece mais próxima do que parece a ilha vista de terra. Isto faz pensar que uma ilha nunca quer ser ilha. A terra afasta-a. Ignora-a, como um amante negligente. Ou que teme a amada, ou ainda que a envolve de brumas e mitos, cobardemente, para amar nela os seus próprios sonhos. Vaidosas, as ilhas caem na armadilha. Dão-se ares. Prometem sempre mais do que têm para dar.
Na Ilha do Pessegueiro nunca houve pessegueiro nenhum. Nem o solo de areia endurecida o permitiria. O que diz a canção de Rui Veloso e Carlos Tê - “Havia um pessegueiro na ilha plantado por um vizir de Odemira, que dizem que por amor se matou novo… - não passa de uma lenda, mas ressuscitou a Ilha. Durante décadas, ou séculos, ninguém se lembrou dela. De repente, há 25 anos, com a canção Porto Côvo, foi como se tivesse emergido do mar. Porto Côvo tornou-se um estilo de vida, e a ilha 300 metros em frente uma espécie de símbolo de aventura e libertação.
Com mochilas e tendas, milhares de pessoas, na sua maioria vindas do Norte do país, começaram a descer a estas praias esquecidas. Músicos de rua e vendedores de artesanato vieram também, para garantir a especificidade do cenário. E a seguir a Porto Côvo foram as praias da Costa Vicentina. Vila Nova de Mil Fontes, Zambujeira do Mar, tudo levado na onda. Os festivais de Verão, do Sudoeste, depois o de Músicas do Mundo, em Sines. A onda de uma canção.
A Ilha do Pessegueiro tem ciclos de sono e vigília muito longos. Há vestígios de ocupação humana anteriores ao segundo século antes de Cristo, provavelmente por parte de navegadores de Cartago. Mas tornou-se importante, há provas concludentes disso, no período da ocupação romana, por alturas do Alto Império. Os comerciantes de Roma construíram aqui uma fábrica de salgar peixe, cujas ruínas estão bem visíveis.
“O peixe que pescavam, do Cabo de São Vicente para Norte, atum e sardinhas, precisava de ser salgado, usando o sal de Alcáçer do Sal. E construiram a fábrica aqui”, explica Joaquim Matias, o “dono” da Ilha do Pessegueiro. “Estas ruínas ficaram a descoberto após uma tempestade que houve aqui, em 1979. O peixe era colocado nestas placas de argamassa impermeável… esta zona é construída com pedra da ilha, que é areia consolidada, e esta de pedra impermeável, que traziam de terra… a cobertura era feita em telha de meia-cana, assim redonda porque era moldada por mulheres, que colocavam o barro sobre a coxa… Chiu! Caladas!” Por uns segundos, as gaivotas parecem obedecer ao amo, interrompendo o seu grito anelante e esganiçado. “Estes são os bancos onde se sentavam… havia canais à volta da sala, tudo barrado com argila virgem… uma lareira, um forno de cozer pão… sauna, depois o frigidarium… Por este buraco a água infiltrava-se na areia, porque a fábrica tinha de ser limpa todos os dias…”
Quando as gaivotas voltam a fazer muito barulho, como se estivessem a protestar, Joaquim repreende-as, com um ar zangado. “Chiu! Já disse! Estou a trabalhar!” E passa à atracção turística seguinte, o forte, seguido pelo pequeno grupo de portugueses e estrangeiros que trouxe no barco. “Durante onze séculos não houve quaisquer trabalhos nesta ilha. Até que no século XVI, durante o domínio filipino…”
Joaquim Matias, 62 anos, foi pescador em Porto Côvo desde os 12 anos de idade. Andou no barco do padrasto, o Esperança, desde 1960. Depois foi para a pesca do bacalhau, durante 12 anos. Embarcar para a Noruega num dos navios portugueses do bacalhau era uma alternativa ao serviço militar em África, que muitos pescadores aproveitavam. Regressou em 1974. A pesca foi entrando em decadência. Das dezenas de barcos que operavam, sobraram dois ou três. Foram tempos difíceis para Joaquim. Trabalhou nas obras do porto de Sines, juntou dinheiro para comprar um barco com que levava pescadores desportivos até à zona da ilha, que nos anos 90, graças à canção de Rui Veloso, se tornara num destino muito popular para pescadores, campistas selvagens e “hippies” nostálgicos da vida natural.
Sem qualquer actividade há mais de duzentos anos, a ilha não tinha quem tomasse conta dela. Ficou à mercê dos amantes da liberdade, transformou-se numa lixeira. E foi então que Joaquim teve a sua ideia. Escreveu um parecer, fez uma proposta às autoridades: ficaria com a concessão da ilha, em exclusivo. Comprometia-se a limpar o território, remover as aves mortas, manter os acessos, guardar e preservar as ruínas dos monumentos e impedir que pescadores, campistas ou qualquer pessoa não autorizada se aproximasse.
A direcção do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e a Capitania concordaram, e, em 1999, Joaquim ficou com a concessão. Mas só no ano passado com a exclusividade. Agora, é ele o único a ter acesso à ilha. Mal se chega, lê-se no pequeno embarcadouro flutuante: “Cais privado. Acesso exclusivo ao barco Novo Horizonte”.
Uma vida nova começou para o pescador. Comprou um barco, o Belo Horizonte, com capacidade para 12 passageiros, e pôs-se a estudar a geografia, geologia, biologia e História da Ilha do Pessegueiro. Ele, que só tem a 4ª classe, criou um programa de visitas guiadas, que realiza de 15 de Junho a 15 de Setembro. De Outubro a Maio, transporta grupos de pescadores desportivos.
Paga mil euros por ano pelo privilégio de ser o “dono” da ilha. Diariamente, percorre os 350 metros por 240 do pequeno território deserto, apanhando lixo e aves mortas. Certifica-se de que as plantas não foram danificadas, nenhum dos monumentos vandalizado. Em troca, cobra 10 euros a cada visitante que leva à ilha. Faz quatro viagens por dia.
Quando consegue lá chegar. Porque se o mar está alteroso, a viagem é demasiado perigosa, ou demasiado assustadora, pelo menos. Foi o que aconteceu durante a primeira metade deste Verão. Agora é preciso compensar.
Há uma certa emoção nos rostos dos turistas quando põem os pés na ilha deserta. Joaquim faz render o momento. Mostra-lhes um objecto esbranquiçado, com vários metros de comprimento, que parece um tronco. “Isto é o que resta do pessegueiro”, brinca ele. Na verdade, trata-se de meia maxila de um cachalote que uma tempestade em 2002 estraçalhou por toda a costa. Joaquim encontrou o osso na praia de Porto Côvo e achou logo que seria um bom adereço para a sua performance. Trouxe-o e é agora com ele que inicia a narrativa, para explicar que o nome Pessegueiro derivou de Piscis Secarum, ou Piscatorium. Avança pela ilha falando do forte, dos piratas e do porto artificial de Alexandre Massai, acrescentando aos factos elementos de erudição e contexto histórico. “Chiu! Calem-se, gaivotas!”, impõe-se ele. “Está ou não está impecável a minha ilha?”, orgulha-se. Vai pegando em pedras, telhas, objectos que dispôs em locais estratégicos para exemplificar as actividades dos antigos. “A 16 de Fevereiro o mar chegou aqui e desarrumou-me a mobília toda”.
Agora está tudo limpo e arrumado na Ilha do Pessegueiro. As coisas estão nos seus lugares, o que parece dar espaço à Natureza para se manifestar sem constrangimentos.
A rocha áspera e branca, refulgindo como marfim, esventrada pelo mar que lhe explode nas concavidades, e a desfaz em areia, instável e cristalina. As plataformas duras e claras, cheias de crateras, como a Lua. As crias de garça, tufos de algodão ralo e trémulo depositados negligentemente nas reentrâncias da pedra, entre os arbustos. Chilreiam com os seus bicos vermelhos e aduncos como narizes de bêbado, a céu aberto, totalmente desprotegidas, cheias de confiança na sua ilha,  o seu mundo. “São fofas, mas feias”, diz uma das turistas. “Estão mortas”, diz outra. “Estão todas cagadas”, observa uma terceira. “Que nojo”, murmura a última rapariga a passar pelos ninhos.
E as plantas misteriosas, de folhas verdes cobertas de sal, que nascem e morrem no Verão, apenas do lado leste da ilha, mais horas exposto ao sol e ao calor. Os seus caules brotam da rocha e as folhas brilham com os cristais de sal de que talvez se nutram. Ninguém sabe. Os biólogos só agora começaram a estudar o estranho vegetal, e ainda não chegaram a conclusões. Ao que parece, a espécie não existe em mais nenhum lugar do mundo. Às primeiras chuvas, desaparece por completo, talvez porque, sob o efeito da água doce, o sal se lhe dissolva das pétalas, e assim não consiga viver. Ou porque encontre, nos reversos desconhecidos da ilha, outras formas de vida. É uma teoria. Os caules podem não nascer ali, mas serem um apêndice aventureiro de alguma alga que habite as profundezas do oceano e, atraída pelo sol, perfure a rocha porosa para ensaiar uma dupla personalidade na atmosfera da ilha deserta.
Conduzindo o grupo pelos trilhos do Pessegueiro, Joaquim vai divagando pelos anais da intriga política dos tempos de D. Sebastião, de Alcácer Quibir e do advento dos Felipes, para explicar a construção do forte e os colossais blocos de pedra à beira da água.
Vê-se que adora a nova profissão. Hoje em dia, Joaquim dedica-se em exclusivo às suas três paixões. Uma antiga - o mar - outras recente - a dança e a História. Com a amiga Maria do Céu, 48 anos, Joaquim inscreveu-se num curso de danças de salão. As suas especialidade são a valsa e o bolero. “É um excelente bailarino”, jura Maria do Céu. E vê-se que é isto que os faz felizes. Para Joaquim, a ilha é um amor infeliz, que o afastou de muitos dos antigos colegas pescadores. Aproximou-o mais dos arqueólogos e professores, com quem está sempre a aprender, e menos dos companheiros, que não lhe perdoam ter arranjado maneira de ser o único a ganhar dinheiro com a ilha. “O Pessegueiro desperta muita cobiça”.
Joaquim prossegue o seu relato aos turistas, que com o respeito que inspiram os homens que reemergiram na vida, nem se lembram de lhe regatear o rigor científico.
A chegada da dinastia castelhana ao trono português atraiu a inimizade dos ingleses, envolvidos na Guerra dos 80 anos contra a Espanha. Para que corsários britânicos não usassem a ilha para atacar os navios, Felipe II mandou construir o forte de Santo Alberto. A obra seria entregue ao arquitecto napolitano Alexandre Massai, que viria também a tomar em mãos a construção de um porto de características inéditas e porventura demasiado ambiciosas.
Massai imaginou ligar a ilha ao conjunto de rochedos chamados Penedos do Cavalo, e estes ao próprio continente. Usando escravos oriundos do norte de África, mandou cortar enormes pedaços da ilha, que seriam lançados ao mar e arrastados com alavancas, criando um molhe artificial até aos Penedos do Cavalo.
Mas Massai não calculou que, em contacto com a água, os cubos de 1200 toneladas de rijo arenito se começariam a desfazer. As dificuldades tornaram-se incomportáveis, e o projecto seria abandonado, em 1598. O tsunami de 1755 deixaria as estruturas irremediavelmente destruídas. Mais tarde, o forte foi abandonado, e a ilha voltou a mergulhar no seu profundo torpor. Até que, dois séculos depois, alguém cantasse o seu nome.
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Funchal

PND ocupa instalações do Jornal da Madeira

por Lilia Bernardes com Lusa
O Partido Nova Democracia (PND) ocupou hoje as instalações do Jornal da Madeira, no Funchal. Os candidatos estão barricados no edifício desde as 10:30 desta manhã.
Candidatos do Partido da Nova Democracia estão barricados desde hoje de manhã no edifício-sede do Jornal da Madeira, na Rua Dr. Fernão Ornelas na Baixa do Funchal, onde já se encontra a PSP.
Entre os candidatos barricados estão António Fontes, Gil Canha e Eduardo Welsh.
Os candidatos, acompanhados pelos jornalistas, tentaram aceder à redacção do diário, tendo os jornalistas que faziam a cobertura desta acção sido expulsos do edifício, mantendo-se os candidatos no interior.
"Vamos passar da legítima defesa à acção directa. Vamos entrar no jornal da Madeira, vamo-nos barricar aqui dentro enquanto não formos ouvidos pelo vice-presidente do Governo regional ou pelo senhor bispo do Funchal. Daqui não sairemos", afirmou António Fontes.
Pela porta exterior do edifício foram visíveis empurrões, estando agora no interior das instalações do jornal pelo menos quarto agentes da PSP.
António Fontes adiantou que o Jornal da Madeira é a sede da "batota eleitoral", referindo o que o matutino "enxovalha, humilha e goza todos os dias" com a oposição, "em particular o PND".
Segundo António Fontes, o Jornal da Madeira "não admite direitos de resposta nem qualquer esclarecimento", sublinhando que "faz campanha total quase ao PSD e ao Governo Regional da Madeira em pré-campanha e na própria campanha eleitoral", acrescentando que "não dá acesso" a correntes de opinião contrárias.
O candidato da lista liderada por Hélder Spínola referiu ainda os apelos sistemáticos do PND a várias instâncias sobre a situação da publicação e a necessidade de esta adoptar uma postura pluralista, recordando as recomendações da Comissão Nacional de Eleições a este propósito, "para tratar todas as candidaturas de igual forma", mas que "o jornal não cumpre".
O administrador do Jornal da Madeira, Rui Nóbrega, que exigiu a saída dos jornalistas e dos candidatos do PND -- gritando, enquanto empurrava alguns dos candidatos "sai imediatamente, não tem autorização para entrar nas instalações", ao que o candidato Eduardo Welsh respondia: "Não ponha os jornalistas na rua, isto é uma acção de campanha, nós queremos falar com um responsável, nós queremos pluralismo aqui dentro, não é esta pouca-vergonha da imprensa 'jardinista', o senhor faz fraude".
"Nunca foi pedida autorização", declarou, insistindo que a acção do PND foi "abusiva".
Rui Nóbrega dirigiu-se mais tarde aos profissionais da comunicação, aos quais pediu desculpa e justificou a acção.
Jornalistas e muito populares enchem a Rua Dr. Fernão Ornela curiosos com a situação de barricada no Jornal da Madeira, um jornal subsidiado pelo Governo Regional da Madeira.
Esta acção insere-se na campanha eleitoral do PND.
DN



Ilha da Berlenga

A Berlenga é uma verdadeira ilha, orgulhosa e independente. Não é um pedaço de terra anexo ao continente, como as outras. É um território com vida própria, com as suas montanhas, os seus caminhos, as suas grutas e as suas praias. Ao contrário do que sucede no Pessegueiro, aqui é a terra que parece mais distante. Facilmente é levada pela neblina, apagada do horizonte para a ilha poder ficar sozinha.
Por vezes, o que se vê são apenas algumas das pequenas ilhas do arquipélago, as Estelas e os Farilhões, o que permite a ilusão de se estar na metrópole de um misterioso e altivo país perdido no mar.
Não é fácil chegar cá. A viagem demora uma hora que parece duas ou três. O mar é sempre tão agitado que, no barco do Cabo Avelar Pessoa (do nome de um herói lendário da Berlenga), um tripulante vem distribuir sacos para vomitar aos mais de 150 passageiros. Também isto faz aumentar a distância. Depois de dobrar o Cabo das Tormentas, a sensação é a de chegar a um outro mundo.
A Berlenga é isso, um mundo virado para si próprio. Uma vez cá, esquecemo-nos de onde vimos, declaramos a soberania. O tempo e o espaço deformam-se para nosso aconchego. A paisagem não tem semelhanças com nenhum lugar do continente. O mar é verde e a terra escura, recortada e íngreme. Por algum fenómeno relacionado com o talhe e a densidade da rocha, as vozes ficam sempre abafadas, embora produzam eco. Ouve-se melhor o que é dito ao longe do que a fala dos que estão ao nosso lado. Há uma sensação de irrealidade e suspensão, como se ninguém tivesse os pés assentes na terra. Excepto Marieta e o marido, Veríssimo, no Bairro dos Pescadores.
A ilha pode estar cheia de gente, como acontece nestes meses de Verão, mas nenhum som humano sobreleva o grito das gaivotas. Elas dominam a ilha, voando nas enseadas, ou pousadas aos milhares ao longo das encostas, como um exército a perder de vista. Aqui é impossível mandá-las calar. O seu triunfo é total. Nunca fogem. Parece até que grasnam mais alto quando um ser humano passa perto.
É um gralhar contínuo e variado, que ora faz lembrar gritos, ora latidos, mas a partir do momento em que nos ocorre a comparação com gargalhadas, não mais nos livramos dela. A partir daí, por onde quer que andemos, em toda a ilha da Berlenga, acompanha-nos o riso sarcástico das gaivotas.
Para percorrer a ilha há duas opções: vai-se de barco ou a pé, o que implica subir. Os barcos visitam as baías, as praias e as grutas, chegam até ao forte S. João Baptista, situado numa ilhota ligada à ilha-mãe por uma ponte. A pé passa-se pelo restaurante e o bar, sob as cerca de 30 casas do antigo Bairro do Pescadores, pelo parque de campismo, pelo farol, até ao forte.
O forte de S. João Baptista, uma construção do século XVII que foi inicialmente um convento, é agora uma espécie de lugar comunitário para amantes da Berlenga. Conta-se que foi aqui que um tal cabo Avelar Pessoa, em 1666, com os 26 soldados que constituíam a guarnição do forte, resistiu heroicamente ao ataque de uma armada espanhola de vinte barcos.
Hoje, quem aparentemente manda aqui é Rogério Leitão, um pescador de Peniche com 45 anos. É ele que coordena as actividades, embora toda a azáfama se desenrole sem complicações. As pessoas entram no forte, dirigem-se à cozinha e  desatam a assar sardinhas, ocupam as mesas dos pátios, reúnem-se em grupos à beira das ameias.
A Associação dos Amigos da Berlenga é quem gere, desde 1976, toda esta utilização do edifício, aberto a quem quiser aparecer. A manutenção é feita com os fundos provenientes do aluguer dos 22 quartos, disponíveis de Junho a Setembro e sempre esgotados.
“Antes do 25 de Abril isto era uma pousada de luxo”, conta Rogério. “Salazar vinha para cá com uns amigos, que gostavam de fazer caça submarina”. Em 1971, o exclusivo resort foi encerrado, e depois do 25 de Abril de 1974 ocupado pelo povo. O pescador Rui Gonçalves, pai de Rogério, foi o primeiro a vir organizar o novo uso comunitário das instalações. “Há pessoas que vêm para aqui todos os anos, há mais de 30”, diz o sucessor de Rui. Chegou a haver um bar montado, mas no ano passado a ASAE veio cá e fechou-o.
A UNESCO classificou este ano o arquipélago das Berlengas como Reserva Mundial da Biosfera, estatuto que pode atrair mais turistas, mas também mais recursos para preservar as plantas, peixes e aves selvagens deste habitat único. Hoje, para além do faroleiro, sempre na ilha, mas num regime de turnos, só um casal permanece todo o ano na Berlenga, para tomar conta de tudo - Marieta e Veríssimo Soares. São eles que fazem as limpezas, gerem o parque de campismo, controlam a electricidade, tratam dos sanitários e da distribuição da água potável.
Vivem na ilha há 26 anos. Antes, Veríssimo trabalhava num escritório e Marieta numa fábrica de filetes de peixe, que fechou. Vieram para cá por necessidade. Deixaram os cinco filhos sozinhos, os mais velhos tonando conta dos mais novos. Marieta, de 59 anos, ganha 500 euros. O marido, como Fiscal de Limpeza, um pouco mais. Ela limpa as casas de banho, as únicas da ilha, que no período do verão tem milhares de visitantes. Ele preocupa-se com ligar e desligar a luz, abrir e fechar as torneiras da água da cisterna e do mar. Nas torneiras do restaurante, bem como nas das casas do Bairro dos Pescadores (algumas das quais são privadas) corre água salgada. A casa do casal Soares é muito pequena. Tem um quarto e uma cozinha, com uma mesa de jantar e, na parede, um grande póster do cantor Beto.
“No Inverno tudo fecha”, diz Marieta, que tem ao peito um crachá com a imagem de um homem de olhos azuis e cabelo comprido, e as palavras “Beto para sempre”. “O barco acaba em Setembro. Não vem mais ninguém. Ficamos sozinhos. Só com as ondas, o vento. É lindo. Gosto muito de cá estar. Gosto do sossego”.
Ao princípio custou. Depois  habituou-se. Agora precisa da ilha, da interminável solidão do Inverno, para se sentir inteira. Nessa altura, não há muito que fazer. Gosta de ir à pesca, de apanhar lulas com uma tonera, de ficar em casa a ler as revistas e jornais que os turistas deixam durante o Verão. Com vagar,  esmiúça, linha a linha, todas as notícias da Caras e do Correio da Manhã, não importa que tenham meses de atraso. O tempo na ilha avança de forma descontínua, como o vai-vem das ondas. Aqui, o mundo é uma miniatura e por isso e tudo é imenso. “Ih ih ih ih”, gritam as gaivotas. “Iac iac iac iac”, riem elas, alucinadas.
Em Maio do ano passado, um barco da Polícia Marítima chegou à ilha para trazer uma notícia. Vinha a bordo um funcionário da Câmara de Peniche, um médico e mais uns homens que  não conhecia. Não se explicaram logo. Ficaram assim num silêncio embaraçoso, permitindo que o cenário se enchesse de escarpas negras, de gargalhadas sinistras e um cheiro enjoativo a gaivotas mortas.
Marieta levanta-se todos os dias às 6 da manhã para fazer a limpeza. Mas a ilha é muito grande para uma pessoa só. Por exemplo, ninguém recolhe as aves mortas que vão apodrecendo nos planaltos de vegetação rasteira. Os cadáveres estão por todo o lado, alguns já secos, outros inteiros, de asas abertas, de costas, como se tivessem morrido no ar e depois tombado, ou esmagados de frente, de bruços, na posição de quem tivesse perdido a noção das distâncias ou o controlo do voo, e simplesmente se despenhasse contra uma pedra.
Os homens do barco quiseram que o casal fosse com eles para terra. No meio do mar disseram que tinha havido um acidente com o Beto. Depois falaram de um AVC, e  pensou que daria ao filho uns chás e aquilo passava-lhe.
“O Beto chegou a gravar com a Rita Guerra”, diz a mãe. “Era muito famoso”. Um dos “maiores cantores românticos portugueses da sua geração”, segundo a respectiva entrada na Wikipedia. A prova de que o talento pode nascer entre cinco crianças criadas sozinhas enquanto os pais ganhavam o seu sustento isolados numa ilha a vida inteira.
Foi uma das filhas que acabou por dar a  a informação: “Mãe, o nosso Beto morreu, nas Caldas da Rainha”.
Desde que soube isto, a funcionária da limpeza da Berlenga ainda não passou nenhum Inverno na ilha. Tem muita confiança no próximo. “A ilha ajuda. Este Inverno vou conseguir ultrapassar o desgosto. Pelo menos assim o espero, embora com um bocadinho de medo”.

Insua

Há dois barcos que vão à Insua: o do restaurante e o de Mário. A ilha situa-se a 200 metros da costa, em frente à praia de Moledo e à Mata de Camarido, mas quem quiser lá ir tem de chegar até ao restaurante Insua, em Caminha. Ali, à beira rio, há um cais partilhado pelas duas concessões, a de Mário Gonçalves de Vasconcelos, 64 anos, antigo pescador, dono de um pequeno barco de madeira, e a de Pedro Machado, 33 anos, e Sebastião Nunes, 27, que exploram respectivamente a empresa Minha Aventura e o restaurante, e possuem uma lancha moderna.
As viagens para a ilha são monopolizadas por estes dois barcos, mas, ao contrário das outras ilhas continentais que visitámos, a Insua está de facto abandonada. Ninguém sabe quem toma conta dela, ou seja, ninguém toma. Percebe-se que os barqueiros têm um estatuto especial. Pelo simples facto de lhe terem acesso são vistos de facto como os donos da ilha. É assim desde sempre.
Nos finais do século XIV, alguns monges da Galiza e das Astúrias, zangados por Castela apoiar o papa de Avignon durante o Grande Cisma do Ocidente, fugiram para o Minho. Chefiados por Frei Diogo Arias, construíram o convento de Santa Maria da Ínsua.
No ano de 1462, aos dois pescadores que costumavam transportar os monges para a ilha foi concedido um estatuto de privilégio. E desde então o ter-se acesso de barco à Insua tornou-se quase um título nobiliárquico. Uma espécie de condes da Insua.
O uso militar da ilha começaria em 1580, o ano da perda da independência. Uma armada galega ocupou o convento, em demonstração de apoio à causa dos Filipes. No início do século XVII, a ilha foi objecto de vários ataques de piratas, muitos deles britânicos, cuja coroa estava em guerra com a espanhola. A insegurança era tal, que, em 1623 já só havia dois monges no convento.
Com a recuperação da independência nacional, e para que dali não adviessem mais perigos, a Ínsua foi definitivamente transformada em quartel. D. Diogo de Lima, Governador das Armas da província do Minho, presidiu à construção da fortaleza.
Monges e soldados passaram a habitar a ilha, num conturbado convívio. Em 1807, durante as Invasões Francesas, a Insua foi ocupada por uma força espanhola, que capitularia no ano seguinte perante os exércitos napoleónicos. Em 1834, os liberais extinguiram as ordens religiosas, e, desde então, tanto o forte como o convento ficaram abandonados.
O edifício, de grande complexidade arquitectónica, começou a degradar-se. A sua guarda, do Ministério da Defesa passou para o da Finanças, deste para o IPPAR e, por fim, para o Instituto Politéctico de Viana do Castelo. Todas as instituições devem estar orgulhosas do trabalho realizado: o forte está em ruínas.
Mário é pescador desde criança. Andou 14 anos no bacalhau, trabalhou por conta de outrem, em barcos grandes, depois sozinho. No navio Senhora das Candeias especializou-se em escalar o peixe. Chamavam-lhe o Faca Negra. Quando o Senhora das Candeias foi abatido, por imposição da CEE, Mário ficou a trabalhar no Clube da Insua, um clube chique de Moledo que possuía aqui um posto náutico.
Foi o edifício desse clube que seria adquirido por Sebastião Nunes e um irmão, para abrirem o restaurante Insua, especializado em polvo à lagareiro. Mário trabalha agora por conta própria. Faz passeios à ilha e pelo Rio Minho, em concorrência com a parceria de Sebastião e a Minha Aventura, que alugam bicicletas e barcos, organizam passeios de observação de pássaros, fazem viagens à ilha e promovem percursos de canoa ao luar.
À volta da ilha, o mar é azul escuro e agitado. Um pequeno barco de borracha vermelha anda à pesca nas ondas, perigosamente, junto aos rochedos que marcam a foz. A ilha tem praia de um lado e rochas do outro. Alguns banhistas apanham o barco e vêm para aqui fazer praia. Deixam um rasto de garrafas e embalagens de plástico. O forte está ocupado por um grupo de velhos radioamadores que obtiveram autorização para aqui montarem as antenas durante duas semanas. Mostram-se indignados com a presença dos repórteres. “Isto é uma zona militar”, dizem, e telefonam à Polícia.
“Então os senhores pensam que é só chegar aí à ilha, assim, sem mais nem menos”, diz-nos o polícia, pelo telefone do radioamador. “É preciso uma autorização”.
Brilhando semi-enterrada na areia, uma garrafa fechada parece ter sido deixada por um náufrago que não conseguiu enviar a sua mensagem. A Insua, a única ilha abandonada de Portugal, pede socorro.
(PÚBLICO)
Governo quer reduzir para menos de metade freguesias nas sedes dos maiores concelhos


A proposta do Governo para a reforma da Administração Local pretende reduzir para menos de metade o número de freguesias nas sedes dos municípios com maior densidade populacional, segundo o documento hoje divulgado.  
 
De acordo com o documento verde da reforma da Administração Local, estabelece-se uma divisão em três níveis de municípios: um primeiro nível com mais de 500 habitantes por quilómetro quadrado, um segundo entre 100 e 500 habitantes e um último nível com menos de 100 habitantes por quilómetro quadrado.
No primeiro degrau, onde a densidade populacional for superior a 500 habitantes por quilómetro quadrado, o documento indica que “na sede de município, deverá conseguir-se uma redução efetiva mínima entre 50 a 60 por cento do número total de freguesias”.
Portugal tem hoje um total de 4.259 freguesias, havendo 643 com mais de 500 habitantes por quilómetro quadrado, enquanto, em termos de municípios, o país tem 308, dos quais 37 se encontram neste primeiro nível.
“No âmbito da organização do território, a redução do número de freguesias assume-se como uma prioridade, devendo ser encarada como um verdadeiro instrumento de política autárquica, capaz de melhorar o funcionamento interno da Administração Local, dando escala e valor adicional às novas freguesias”, escrevem os autores, num documento assinado pelo Gabinete do Ministro dos Assuntos Parlamentares.
Os municípios que estejam nesse primeiro nível, ou seja os maiores do país, deverão ter um mínimo de 20 mil habitantes por freguesias em sede de município, número que passa para cinco mil se a freguesia estiver a menos de 10 quilómetros da sede do concelho.
“Pretende-se, (…) através da aglomeração de freguesias, diminuir as assimetrias populacionais, mantendo a freguesia como espaço reconhecível pela comunidade de cidadãos”, indica o documento, acrescentando que as novas autarquias que surjam desta reorganização deverão ver as suas designações ser alvo de discussão nos órgãos autárquicos submetida ao Parlamento.
No segundo nível, entre os 100 e os 500 habitantes por quilómetro quadrado, as freguesias devem assumir um mínimo de 15 mil habitantes em sede de município, com um segundo critério a ser aplicado para as áreas predominantemente rurais, onde se aceita um mínimo de mil habitantes por freguesia.
A menos de 10 quilómetros da sede de concelho, em domínios urbanos, neste segundo nível, o documento verde define um mínimo de cinco mil habitantes, enquanto as freguesias a mais de 10 quilómetros do município ficam com um mínimo de três mil habitantes.
O terceiro nível, em municípios com menos de 100 habitantes por quilómetro quadrado, prevê-se uma freguesia apenas por sede de município, com um mínimo de 500 habitantes em zonas rurais e mil em espaços urbanos.
O memorando de entendimento assinado entre o Governo e a 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) prevê uma "reorganização da administração local", que reduza "de forma significativa" o número de autarquias até julho de 2012.
Observatório do Algarve

Adivinha quem vem jantar *


Álvaro Santos Pereira, o neoliberal-cromo que faz de ministro da economia e não sei mais de quê, convidou (ou deixou-se convidar, não percebi bem) 12-empresários-12 para um jantar... mas não diz quem eles são. É um "encontro privado" - diz ele.
Também tem na manga mais um truque de ilusionismo, na forma de umas tantas excepcionais medidas para dinamizar a nossa economia... mas não diz quais são.
Sobre as excepcionais medidas, presumo que serão aquelas que já obrigaram o lento, leeeento Vítor Gaspar das finanças, a anunciar que maiores dificuldades ainda vêm aí.
Sobre o jantar... desconfio que já sei porque é que o dono do minimercado aqui da rua e o senhor Francisco da oficina de bicicletas, disseram com um ar misterioso que tinham sido convidados para um jantar, em Lisboa... mas não diziam com quem. Grandes empresários... é outra coisa!
* Com um pedido de desculpas ao argumentista William Rose e ao realizador Stanley Kramer.

Agradeço que quem conseguir entender isto que me explique!...

Coelho, amigo, o povo está contigo!..
O país está uma desgraça…
Passos Coelho continua em estado de graça!..
Que me lembre, desde que vivemos em democracia, nunca nenhum Governo carregou tanto, em tão pouco tempo, sobre o povo.
Todavia, até ver, segundo a conclusão do barómetro deste mês da Marktest, para o Diário Económico e TSF, regista-se uma “subida do PSD de nove pontos entre Junho e Setembro (oito pontos face ao resultados das eleições), o que coincide com uma queda do PS de sete pontos percentuais face à última sondagem e de cinco pontos face às legislativas. O CDS fica-se por menos de metade do seu valor eleitoral (4%), enquanto o Bloco de Esquerda atingiu o valor mais baixo do histórico desta empresa de sondagens: apenas 2,7%. A CDU resiste nos 6,8% das intenções de voto.”
Isto, apesar dos primeiros 100 dias de mandato da coligação PSD/CDS, que hoje se assinalam, estarem marcados por consecutivos anúncios de austeridade - do corte no 13º mês, ao aumento do IVA no gás e electricidade, passando pelo aumento dos transportes públicos e pelo aumento do IRS e IRC para as empresas e os particulares que mais facturam!..
Nem sei o que pensar: se esta sondagem é verídica, os portugueses devem ser o povo com mais mau gosto no mundo!..
Bom, mas ainda temos uma solução: ir-mos todos para a Madeira onde, ao menos, temos o grande protector Alberto João Jardim!..

Ponto da Situação

TODOS os dias há novidades. Estão a vir às pinguinhas, com pézinhos de lã, para não assustarem e não doerem muito. Grão a grão vamo-nos habituando, ficando insensíveis, vendo desfilar os buracões no orçamento e aceitando os apertos sem tugir nem mugir, até chegarmos ao patamar da Grécia.

O Governo quer isentar as empresas do dever de informarem a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) sobre as alterações aos horários laborais. Assim sendo, as crianças vão deixar de ver o pais, os divórcios vão disparar, em contraste com a indústria de sacos-cama que vai ganhar um grande impulso.

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, afirmou que o aumento das tarifas de electricidade vai ser muito menor do que os 30 e os 55 por cento que têm andado a ser anunciados, respectivamente para os consumidores particulares e as empresas. Seja muito ou pouco, o aumento prepara-se para levar à falência mais uns milhares de empresas, e por arrastamento, muitos mais portugueses e respectivas famílias.

Carlos Moedas, secretário de estado adjunto do Primeiro-ministro, admite que para 2012 a recessão irá ser mais profunda que o previsto.

Victor Gaspar, Ministro das Finanças, conclui que o pior ainda está para vir.

Embora Hillary Clinton tenha vaticinado que Portugal está no caminho certo para a resolução da dívida soberana, e o Presidente norte-americano Barack Obama tenha atribuído o fracasso do Euro à ausência de regulação do sector financeiro, por cá ainda não se conseguiu apurar quem é o responsável pelo que está a acontecer, havendo quem prefira simplificar, continuando a deitar as culpas para os sindicatos e os trabalhadores portugueses, que continuam a ser o principal obstáculo à competitividade das empresas, preferindo receber subsídios em vez de trabalharem, a serem gastadores e a terem um nível de vida superior às suas possibilidades.