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domingo, 18 de setembro de 2011


Disfarçar o embaraço

Domingo, 18 de Setembro de 2011


É sempre interessante ver o ar surpreendido e preocupado com que Marcelo Rebelo de Sousa comenta as aventuras e desventuras de Alberto João Jardim. Já agora, importa não esquecer que foi durante a presidência do PSD de Marcelo que Jardim ocupou os mais elevados cargos no seio do partido a nível nacional. Foi vice-presidente da comissão política e presidente da mesa do congresso. Curioso, não é?

blog Activismo de sofá

Comício da LUAR (Faro - 1974)

COMICIO E EXPOSIÇÃO DA - LUAR - EM 1974 FARO - PALMA INÁCIO - ZECA AFONSO, VITORINO, BENEDITO E FANHAIS SEMPRE NA LUTA !

Milhares de americanos ocupam Wall Street

 
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Há quem fale em 50 000. Não sabia? nas televisões locais também não sabem. Pode ver em directo aqui,  seguir no twitter (#takewallstreet) ou na página de apoio.
Pegando o touro pelos cornos, actualizado com imagens e vídeos:



blog Aventar



Estado deve milhões de euros a construtores algarvios
18-09-2011 

A construção civil atravessa grandes dificuldades em todo o país, com mais de um milhar de empresas encerradas no último ano, mas o problema é sentido com mais força no Algarve, disse uma associação do setor.  
 
O delegado regional do Algarve da Associação de Empresas de Construção Civil e Obras Públicas (AECOPS), Manuel Gonçalves, disse que “o setor da construção atravessa um gravíssimo o problema porque não tem possibilidade de fazer o escoamento do produto que tem para comercialização” e “o Estado tem dificuldades em promover o investimento e lançar obras públicas a concurso”, assim como em pagar a execução das já concluídas.
“Há, não só da parte da administração central como das autarquias locais, valores que, no seu conjunto, representarão cerca de dois mil milhões de euros de dívidas. Se o Estado pagasse, criaria uma bolsa e permitiria às empresas manterem-se mais uns tempos sem recorrer aos mecanismos das falências e insolvências, como está a acontecer um pouco por todo o país”, precisou.
Manuel Gonçalves disse que em setembro, relativamente ao mesmo período de 2010, foram registadas “1446 empresas que deixaram a sua atividade a nível nacional”, mas deste valor “cerca de 87 por cento, ou seja, 1360 empresas em números redondos, são da área geográfica da AECOPS, de Leiria/Castelo Branco até ao sul, o que significa que a região sul tem sido a mais afetada pela crise no setor da construção”.
“O grande número de empresas que tem vindo a deixar a atividade provoca simultaneamente um aumento do número de desempregados da construção civil, que representam neste momento cerca de 14,4 por cento do bolo total nacional e, na região do Algarve, que é aquela que tem sido a nível da atividade a mais penalizada, representa qualquer coisa como 26 por cento do número total de desempregados da região”, frisou.
Gonçalves disse também que houve uma “redução muito acentuada do número de fogos licenciados” em setembro, comparativamente ao período homólogo de 2010, com uma quebra de “31 por cento a nível nacional, de 33 por cento na área geográfica de atuação da AECOPS e, mais uma vez, na região do Algarve, o montante de redução anda na ordem dos 61,8 por cento”.
Houve também, segundo o dirigente da AECOPS, uma quebra “drástica” na venda e comercialização de fogos, estando esta relacionada com as dificuldades na obtenção de crédito bancário por parte das famílias, mas também “com os valores cada vez mais reduzidos das avaliações” feitas pelos bancos.
Gonçalves acrescentou que a falta de crédito “traduz-se numa redução da ordem dos 79 por cento na comercialização de fogos, um valor realmente assustador para o total que ainda existe na região com necessidade de ser comercializado”.
A quebra verificada nas Obras públicas foi também de 73 por cento no Algarve e de 39 por cento do total a nível nacional, situação que tem reflexos “extremamente negativos na falta de atividade das empresas”, disse.
“Se rapidamente não forem tomadas medidas que permitam ter algum relançamento da atividade, nomeadamente com a modificação da lei do arrendamento, com a criação dos chamados fundos imobiliários de investimento e do pagamento das dívidas às empresas, estamos realmente numa situação muito complicada”, afirmou Manuel Gonçalves, referindo-se a um conjunto de propostas que a associação propôs ao Ministério da Economia para revitalizar o setor.
Observatório do Algarve

RTP... O outro lado da historia que o Governo, a Comunicação Social e a Ongoing não lhe vão contar


1. Sabia que todos os países da Europa comunitária e inclusive nos Estados Unidos têm serviços públicos de televisão, e que o modelo misto de mercado que existe em Portugal é a regra e não a excepção?
2. Sabia que o serviço público de televisão prestado pela RTP é não só um dos mais baratos da Europa, é também um dos mais baratos do mundo? Custa cerca de 15 cêntimos por dia, não por pessoa, mas por contador de luz.

3. Sabia que por esses 15 cêntimos são emitidos diariamente 11 canais de televisão com programação diferenciada (RTP1, RTP2, RTPN, RTPMemória, RTP África, RTP Internacional Asia, América, Europa, RTPMobile, RTP Madeira, RTP Açores) 7 antenas de rádio (Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP África e RDP Internacional, Antena1 Madeira, Antena1 Açores), Rádio, Televisão e Noticias na plataforma Multimédia (NET), com uma audiência potencial de cerca de 200 milhões de pessoas?
4. Sabia que a RTP possui o maior e melhor arquivo audiovisual do país e um dos melhores do seu género em todo o mundo?

5. Sabia que os trabalhadores da RTP são dos mais produtivos do sector televisivo europeu, recebendo menos salário liquido do que os seus congéneres no privado e que auferindo em média 50% do que os seus colegas europeus?
6. Sabia que os trabalhadores da RTP não têm aumentos salariais reais desde 2003, sendo os trabalhadores do sector do estado os que mais de poder de compra percentual perderam numa década?

7. Sabia que a publicidade da RTP não entra para os seus cofres mas está sim indexada ao pagamento de um empréstimo bancário a um sindicato bancário alemão e holandês, que assumiram o passivo?
8. Sabia que essa dívida (contraída graças ao antigo PM Cavaco Silva) ronda os 600 milhões de euros a um spread baixíssimo, e que este sindicato deseja renegociar o empréstimo há anos?


9. Sabia que no caso da RTP ficar sem publicidade o accionista Estado teria que assumir o pagamento da dívida, mais juros por inteiro e de imediato?

10 . Com o governo de Passos Coelho, sabe quem pagará a dívida de um canal à ONGOING (se comprar a RTP)? Você!.. e vai custar-lhe 600 milhões de euros!".

Pondo alguns pontos nalguns iiiii

Neste contexto do "Espaço para o Tempo", acontece, por vezes, não ter espaço para colocar tudo aquilo que, com tempo, me vai passando pela cabeça, pela ideia. Às vezes ficam só uns tópicos, que necessitariam de mais espaço para precisar melhor o que quero dizer com o que digo (escrevo), não me ficando naquela de que: "...meia palavra basta".
Ainda há dois números atrás, no artigo que escrevi sob o título de "Conflitos de Gerações e outros", referi-me, criticamente, a indivíduos que tinham "navegado" nas mesmas águas político-ideológicas que eu e que teriam passado para as áreas de influência do PS ou mesmo do PSD.
Poderá ter ficado na ideia de alguns leitores, que eu não conceba ou não reconheça a legitimidade de outras pessoas receberem a influência, concordarem ou mesmo escolherem militar nesses ou noutros partidos; de terem opções ideológicas ou políticas diferentes das minhas.
Quero aqui deixar bem claro que, não só percebo a existência da diversidade de pontos de vista, como respeito as opções de cada um, procurando, eu, compreender, tanto quanto possível, as razões e fundamentos dessas opções. Tal não significa que tolere todo o tipo de meios usados por alguns (individual ou colectivamente) para atingir os seus objectivos. O que critiquei então, e que critico, é aquele ar de "mandar poeira para os olhos" ou de "esperteza saloia" de certo tipo de indivíduos que andam ao "sabor da maré" ou "atrás do que está a dar".
Dizia, ironicamente, Churchil, o famoso 1º Ministro britânico do tempo da 2ª Grande Guerra, que a Democracia era o pior dos regimes políticos, exceptuando todos os outros. É evidente que Churchil se referia ao conceito que tinha de Democracia, o da Democracia formal, parlamentar, burguesa, capitalista. Assente no reconhecimento dos direitos político-sociais elementares mas, fundamentalmente, no princípio da propriedade privada dos meios de produção e da apropriação privada da mais-valia produzida pela acção do trabalho colectivo, o lucro. No caso de Churcil, admitindo mesmo, que o Estado deveria ter algum papel na correcção das insuficiências e desvios das "leis do mercado" (nome que dão à lei do mais forte, económica e financeiramente).
Tal ironia de Churchil tem o mesmo significado do que o que me diziam, aparentemente convictos, aqueles a quem me referi, de que a Democracia, afinal, seria o regime menos mau. É também evidente, que aqueles indivíduos fingiam esquecer que, nos nossos conceitos e linguagem, (nossos, daquela área ideológica e política, de influência comum marxista-leninista), a Democracia não se limita àquele formato, tendo até, como primeiro formato alternativo, a Democracia Popular, Socialista, assente não só no respeito, mas na prioridade da garantia dos direitos políticos sociais e económicos fundamentais das populações. Para tal, disporia o Estado, de organismos de gestão descentralizada, da propriedade pública dos principais meios de produção e da redistribuição criteriosa da mais-valia produzida pela acção do trabalho, direccionado para a produção e reprodução de mais qualidade de vida, colocando no mercado os bens e serviços necessários ao cumprimento daquele objectivo. Admito e assumo que, nas diferentes experiências de aplicação destes projectos houve fases e períodos de mais democracia (ainda que, paradoxalmente, sob a designação de "Ditadura do Proletariado", por vezes mais explicitamente, de "Ditadura Democrática do Proletariado" - e volta a faltar espaço...) e outras fases e períodos em que esta foi preterida em proveito de outros interesses.
Continuando na senda do respeito pela expressão da diversidade de pontos de vista e nomeadamente das opções eleitorais dos que não pensam como eu, pretendo manifestar, respeitosamente, que acho que a recente escolha eleitoral maioritária não foi acertada; foi escolhida uma equipa que defende a intervenção do Estado na Economia, corrigindo algumas insuficiências das "leis do mercado", na submissão à lei dos mais fortes económica e financeiramente, e na redistribuição criteriosa dos prejuízos causados pelas políticas anteriores.


Autor: José Baeta

Quase 100 mil desempregados no sector da construção


Quase 93 mil trabalhadores do sector da construção estavam desempregados no final do segundo trimestre deste ano, quase 14 por cento do total de desempregados.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), este valor representa uma subida em relação aos primeiros três meses do ano, quando o número de desempregados do sector da construção totalizava 91,3 mil.

A Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) tem alertado para o facto de o sector ter em risco 140 mil postos de trabalho.
 
A Bola.pt

ALGARVE - A antiga governadora civil do Algarve regressa ao lugar de professora.


Na manhã de 13 de Setembro, os alunos do 5ºC da Escola Básica 2,3 Eng. Nuno Mergulhão, em Portimão, entraram na aula de Matemática, sem saberem que a sua professora é uma cara bem conhecida na região. Nervosos por ser o primeiro dia de aulas de um novo ciclo escolar, os estudantes desconheciam igualmente que Isilda Gomes, a sua professora, também estava a assinalar um dia marcante na sua vida: o regresso à profissão de docente, depois de 14 anos dedicados à política.
A única mulher que ocupou o cargo de Governadora Civil do distrito de Faro recomeçou assim o seu percurso como professora, numa escola conhecida por ter muitos alunos oriundos de bairros sociais. “Sou efectiva nesta escola há 10 anos e nunca quis mudar. O meu empenhamento é igual e estou preparada psicologicamente para o que vou encontrar. Sinto orgulho em estar nesta escola, ainda por cima, quando o patrono é o saudoso Nuno Mergulhão”, confessa Isilda.
Troca de experiências
Os cargos políticos ocupados nestes 14 anos de afastamento do ensino foram muitos: desde deputada, a Governadora Civil, Isilda Gomes, passou pela vice-presidência da Câmara de Portimão e foi ainda a primeira coordenadora distrital do Projecto «Vida», no Algarve, e delegada regional do Instituto do Emprego e Formação Profissional.
“Estou no ensino, como na política: quero prestar um serviço público. Levo a minha experiência adquirida noutros cargos para a escola e recebo todo o saber dos meus colegas que têm trabalhado nesta área nos últimos anos”, explica Isilda Gomes.
Neste sentido, a professora de Matemática começou a mexer-se logo que chegou e já está envolvida em vários projectos, juntamente com outros professores.
“A educação no Algarve está bem e recomenda-se”
Isilda Gomes deu aulas durante 18 anos, antes de deixar as escolas, e, neste momento, vê algumas diferenças e outras coisas que ainda não mudaram. “As aulas são muito mais bem preparadas agora. No entanto, a carga burocrática que cai sobre os professores também é muito maior. Penso que deve haver um meio termo. Já a participação dos pais continua a ser insuficiente”, frisa a antiga Governadora Civil, que afirma que “não vale a pena estarmos a interiorizar regras que depois não são seguidas em casa”.
Todavia, para Isilda Gomes, “a educação no Algarve está bem e recomenda-se”. “Temos professores e responsáveis muito trabalhadores que se dedicam à causa”, diz, lamentando, no entanto, a extinção do cargo de director regional de Educação. “Preocupo-me com a centralização, quando lutamos pela regionalização. As delegações passam a ser meras caixas de correio. Confesso que também havia tendência para o centralismo no meu Governo, mas sempre lutei contra isso”, refere.
OBSERVATÓRIO DO ALGARVE

 

AMARELA E AMARGA

«A inveja, amarela e amarga, é a planta maior do horto dos homens. Dizem que é a reacção típica infantil. Talvez seja. Se assim é, de facto, temos de concluir que boa parte da humanidade navega ainda em mares infantis. Não é raro surgirem manifestações de inveja entre irmãos de sangue. No trabalho, na oficina, nos grupos humanos, nas comunidades, na arena das lutas políticas e sindicais, no mundo dos artistas, da ciência e da profissão... A inveja puxa a cada momento do seu florete com que ataca pelas costas. Ai daquele que triunfa! Muito em breve as vespas lhe cairão em cima. Os que encantam, os que brilham, os que conseguem ser queridos que se preparem para serem crivados de picadelas.
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«A inveja existe nas relações humanas em doses mais elevadas do que em geral se crê. E digo isto porque a inveja, como se sabe, é tão feia, tão feia, que faz esforços enormes para se disfarçar. É uma espécie de víbora que busca sempre um canto para se esconder. Quanto mais feia é a sua cara, mais bonitos os disfarces que utiliza. Por outras palavras: a inveja é sumamente racionalizante, ou seja, procura «razões» para se disfarçar. Diz a inveja: aqui vos apresento cinco razões para demonstrar que fulano é um falhado. Mas as cinco razões não passam de fachada; a verdadeira razão é uma sexta, a inveja. Diz a inveja: fulano não está a sair-se tão bem como vocês dizem: não se deram conta de que lhe falta brilho nos olhos, que exagera isto, aquilo, e mais aquilo, que a sua entoação não tem o vigor exigido... Diz a inveja: fulano não serve para esse cargo: a sua pedagogia não está actualizada, o seu poder de persuasão é relativo, a sua capacidade de comunicação, medíocre; hoje, a sociedade precisa de homens com outras ideias, etc., etc.. Assim se disfarça a inveja, nunca ataca a descoberto, mas sempre encoberta das «razões». E desta maneira, sob a capa protectora de uma aparente racionalização, vegeta e engorda, dando bicadas, minimizando méritos, apagando todo o brilho.
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«Muito se sofre por causa da inveja!
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«É porque vais ou porque não vais; porque fazes ou não fazes; porque dizes ou deixas de dizer... E o poviléu, à volta, começa uma série de interpretações e suposições: veio para se encontrar com tal ou tal pessoa; não veio para não se comprometer com tal ou qual coisa; foi lá com esta intenção; disse isto, mas o que queria era dizer aquilo... e as pessoas vão projectando em ti os seus próprios mundos, o que eles fariam, as suas interpretações completamente subjectivas e gratuitas, que, com frequência, se aproximam da calúnia. E, deste modo, começa a formar-se uma imagem distorcida da tua pessoa, imagem essa que vai tomando corpo até se converter na tua caricatura. O que é injusto.» Da obra de Ignacio Larragnaga, Do Sofrimento à Paz

UM SONHO

Camarada Van Zeller, hoje tive um sonho, sonhei com a República ideal. Nesse sonho aparecia um bodegão em vestes estranhas. Julguei que fosse Sócrates ou talvez Platão, mas o primeiro fora para França e o segundo andava desaparecido. O seboso era Alberto João. Na República ideal dos meus sonhos não havia governos a extinguir organismos públicos, eram os organismos quem extinguia os governos. A Assembleia da República transferira-se para a Cinemateca, e a legislatura dos deputados consistia em visualizar as obras completas do Manoel de Oliveira. Camarada, na República ideal do meu sonho nenhum candidato a docente na Universidade da Opus Dei era impedido de aí leccionar. Papas, só de serrabulho. E Universidade Católica não existia, por ninguém lá querer doutrinar. Revisitei os corredores da instituição onde o Tolentino era capelão. Agora poeta, estrela das Paulinas e autoridade máxima do Santo Ofício assírico, mais se parecia a um galo capão. Neste meu sonho o Bundesbank ficava na Amieira. Era uma casa de putas de primeira. Ali satisfaziam ânsias vários ministros e alguns investidores, sem que entre eles se notassem quaisquer diferenças. Acabou este sonho quando sentado num banco de madeira avistei um Coelho a cobrir um Jardim, e do alto de um montículo certo caçador António José, com um ar muito inseguro, apontou a caçadeira e disparou. Saiu-lhe o tiro pela culatra, acertou-lhe o chumbo em cheio no pé. 30 anos é muito tempo, demasiado para que não se tivesse já percebido não ser a Madeira o Jardim do Paraíso. Adões e Evas há muito foram expulsos, ficaram-nos as serpentes com suas maçãs envenenadas. Quem quiser que as coma.

ÉS ÚNICO.

és único
        
não existes

mas eu descobri-te
és terno 
és meigo és sorriso
 és primavera...
és noite de luar...
és chuva suave no rosto...
és canção ouvida em viagem...
és beijo molhado na testa...
és afago de olhar...
és saudade...
és presença constante...
és luz..
és tu em mim...
e eu em ti...
és a minha vida...
Amo-te!




Ester Pita
Júlio Pomar - "O Almoço de Trolha", 1947.

Hugh Laurie – Tudo o que temos que fazer é...


Quando por volta de 1970, ou 71, o pequeníssimo grupo dos meus amigos que reparavam nessas coisas das cantigas de protesto, foi abalroado pela notícia de que o “nosso” artista, um dos arautos contra a odiosa guerra do Vietnam, era, afinal, acionista de fábricas americanas de armamento (estória que nunca esclarecemos ser verídica ou apenas um boato), não suspeitávamos que isso seria o pão nosso de cada dia... até hoje. Ainda há bem pouco tempo se soube que o “supermilitante” Bono Vox, dos “U2”, militante de mil causas políticas e humanitárias, afinal, na sua Irlanda natal, sonega milhões ao fisco com o velho truque da deslocalização da sua multimilionária produtora de espectáculos, mandando a solidariedade e consciência social às malvas.
Pelo meio, neste longo intervalo de quarenta anos de injustiças, guerras, massacres, tragédias humanitárias e catástrofes naturais, é longa a lista de artistas a quem tem sobrado a vontade de protagonismo, o ruído mediático, as vistosas acções “militantes e solidárias”... mas que tantas vezes são acompanhadas de uma deprimente ausência de conteúdo, projecto, rumo, clareza política... ou até sinceridade.
Não estou na melhor posição para criticar esses meus colegas das artes, mas não resisto a convidar para o nosso convívio dominical o actor britânico Hugh Laurie... nos últimos tempos mais conhecido por cá como Dr.HouseHugh Laurie, para além de ser actor (quem viu a série televisiva “Blackadder” não o esqueceu mais), autor de livros, formado em antropologia, arquelogia e doido, obviamente... também é músico. Compõe, toca vários instrumentos e canta.
Há pouco tempo saiu o seu novo CD, “Let them talk” (vale bem a compra), mas como ele não precisa de mim para o promover, hoje vem abrilhantar o “Cantigueiro” de domingo com uma outra canção, já com uns anitos... e aqui voltamos ao assunto do post. A canção é uma alfinetada, tão divertida quanto certeira, a esses tantos artistas sempre tão carregados de “causas”, mas a quem faltam, ostensivamente, as soluções.
(Como a cantiga está legendada, nem aqueles que não entendem o inglês têm desculpa para não se divertirem)
Bom domingo!
All we gotta do” – Hugh Laurie
(Hugh Laurie)