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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O compasso de espera… no Algarve - As crises são um compasso de espera e quando tudo deveria ser posto em causa, o lado contrário, o do poder que provocou a crise, procura subjugar o outro, impondo-lhe as suas soluções.

 

tripadvisor.com.br -Carvoeiro

O compasso de espera… no Algarve

As crises são um compasso de espera e quando tudo deveria ser posto em causa, o lado contrário, o do poder que provocou a crise, procura subjugar o outro, impondo-lhe as suas soluções.


Num dos momentos chave da vida do Algarve e respaldadas na governação PSD/CDS com maioria reforçada no parlamento pela extensão ao P”S”, as forças dominantes na região lançam os primeiros traços da estratégia de retoma sem data marcada.

A primeira semente saiu do honoris André Jordan, com a perspectiva da “Florida da Europa” e, a segunda, em concertação, do incontornável “porta-voz” da região, o doutor Mendes Bota, deputado que se propõe conduzir a aprovação do Estatuto dos Cidadãos Estrangeiros Residentes que, pelo peso dos bolsos, naturalmente alcançarão mais benesses que os residentes.

Duas ideias convergentes destes dignitários e largamente sustentadas entre a alta finança, com propósito de, passadas as convulsões para o pagamento da dívida pelo trabalho, recolocar como paradigma da nova escalada económica e financeira, os motores das várias frentes do imobiliário e da sua enorme capacidade especulativa e geradora de grandes lucros que, invariavelmente, recebem apoios superiores, flanqueiam as leis e as malhas das contribuições tributárias.

Será o regresso do velho sistema com novas vestes jurídicas, para uma nova etapa de exaustão da ocupação dos espaços e resultados proveitosos de curto prazo.

Nesta estratégia, cabem todos os rincões naturais disponíveis no território algarvio, abandonando de todo a afectação e o interesse pela propalada diversificação dos recursos, como forma de resolver os agravados problemas estruturais resultantes da monocultura do Turismo.

O compasso da crise – a qual no Algarve vem desde o trágico 11 de Setembro de 2001-, só produziu declarações em conformidade com as formas centralistas de ver o Algarve, como uma região de escape nacional e de fixação de escolhas e de receitas, fazendo jeito o apelo especial de Cavaco e deixando quase tudo ao sabor do Allgarve, do curto período de sol e praia e dos estereótipos processuais resultantes das rivalidades partidárias com assentos garantidos.

No decorrer da crise não há debate, as instituições que nos superintendem preferem enfatizar a falta de meios e em tempo de mudança de Governo, a estratégia para o Turismo (a nova secretária de Estado ainda não abriu o livro) é substituída pela luta intestina pela hegemonia nessas instituições, com os maus resultados acumulados.

Os factores negativos do funcionamento da presente época de veraneio vão deixar marcas profundas no tecido empresarial e no emprego e, quando se esperaria um discurso de renovação assente em iniciativa e criatividade, o que se ouve são planos de assalto para o futuro.

De um modo geral, as crises são um tempo para o capital se reorganizar e impor aos seus serventuários da política as novas condições em que se querem mover. E tal como a crise no país está a servir para o estado desinvestir nas necessidades básicas da população, a nível regional, para além desses impactos, são legítimos os receios de que os interesses unilaterais que comandaram a região se preparam para os colocar por cima, com as conivências do costume.

Do Governo não há sinais… apostando na terra queimada e nas práticas da renovação natural do tecido empresarial… as tais mortes positivas, na ideia de que outros se levantarão para o novo ciclo de custearem as novas divagações do Estado e dos prevaricadores protegidos… até nova crise…


Luis Alexandre

JÁ DEVE ANDAR A PREPARAR NOVO TACHO PARA QUANDO PERDER AS ELEIÇÕES NA CÂMARA MUNICIPAL DE FARO -ANDA MUITO ACTIVO SO SRº MACÁRIO CORREIA OPINA SOBRE TUDO ! SÓ NÃO OPINA NADA É SOBRE SANTA BÁRBARA DE NEXE A MINHA ALDEIA ! -ESTADO MAIOR LAMENTA POSIÇÃO DE MACÁRIO CORREIA



Estado-maior “lamenta” posição de Macário Correia
15-09-2011 

O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) lamentou hoje a declaração do presidente da autarquia de Faro para quem a estrutura militar é "altamente cara e despesista" e defende "papel fundamental dos militares na afirmação de Portugal no mundo".  
 
Em nota divulgada à comunicação social, o EMGFA lamenta que, "surpreendentemente, alguém com o seu estatuto político e responsabilidade, revele tão profundo desconhecimento sobre uma das instituições estruturantes da Nação".
O comunicado salienta ainda que as Forças Armadas e os militares que as servem "têm contribuído ativamente para a afirmação e o bom-nome de Portugal no mundo e prestado um imenso e significativo contributo ao País", designadamente de "missões de interesse público, de que, igualmente, as autarquias têm beneficiado".
As Forças Armadas reagem assim à entrevista concedida pelo autarca de Faro à Rádio Renascença, no programa “Terça à Noite” em que o autarca de Faro considerou que “estamos a alimentar generais e oficiais superiores que não fazem praticamente nada” acentuando ainda que "o mundo militar vive de mordomias e privilégios que devem acabar”.
Para Macário Correia o Governo devia atentar a “uma estrutura militar altamente cara e despesista”.
“Ociosidade, mordomias, privilégios, improdutividade” foram alguns dos epítetos com que Macário Correia mimoseou o Exército aos microfones da Rádio Renascença, para o qual preconizou “em tempo de paz” que sejam “forças armadas competentes, eficazes e de pequena dimensão, apetrechadas para as missões que têm de desempenhar”.
Quais os cortes na Educação?
Na entrevista, Macário Correia manifestou-se ainda “muito preocupado com os sinais do Governo” quanto aos cortes na educação e se estes irão atingir as atividades extra-curriculares.
“Neste momento, não tenho garantia nenhuma de que a cooperação entre o Estado e as autarquias que permitia a realização destas atividades se possa manter, o discurso que ouvi nas últimas horas não aponta nesse sentido e é urgente perceber rapidamente o que se vai passar, até porque o ano letivo já começou”, sublinhou.
Quanto às portagens na Via do Infante o autarca reiterou nesta entrevista à Renascença a posição já anteriormente assumida frisando que a introdução de portagens na Via do Infante é uma inevitabilidade depois do acordo com a “troika”, insistindo porém ser a conclusão das obras prometidas na Nacional 125.
“Estou preocupado com o rumor de que possa não haver esta reabilitação e, se isso acontecer, é o caos, em termos de trânsito e sobretudo de acidentes. Espero que isso não passe de rumores”, deseja o autarca de Faro.
Observatório do Algarve

A eminência parda



Não penseis que este desenho, por vir na sequência de outro nas mesmas tonalidades orientais, significa que eu, tal como Picasso com o seu período rosa, esteja a atravessar uma espécie de período monhé. Nada disso. Penso todavia que o termo que melhor definiria este breve interlúdio seria mesmo o de rosé, que como sabeis, é relativo a tudo aquilo que não é branco nem é tinto.
Tal é o caso de António Costa. A eminência parda do PS é uma espécie de tremelga, que como também sabeis, é um termo que define tudo aquilo que não é carne nem é peixe.
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O edil da mouraria, acaba de soltar esta pérola de sabedoria (oriental): “O PS está na oposição, mas não é um partido de oposição. Sabemos bem aquilo que só agora a direita aprendeu: que as crises não se vencem por demagogia. Não há milagres. Governar é muito exigente e difícil”.
Elucidados? – o maharaja do partido sucialista esclareceu as hostes do partido, demais apaniguados e potenciais sponsors, da verdadeira índole da súcia: o pêésse é um partido da situação. E mainada.
O problema é que a situação do PS é a de suplente. Só quando passar à titularidade, o líder-sombra do Largo do Rato avançará para o sol. isto não quer dizer que o actual líder recue (um líder nunca recua, avança noutra direcção); avançará também, fermoso e quiçá também Seguro, mas pla sombra, rumo ao bilhar grande. Mas sem volta, está claro. Clarete. Eu diria mais: rosé.

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Educação

Privados aceitam valor proposto pelo Governo para contratos de associação

13.09.2011 -  Por Clara Viana Publico.pt
No mês passado o MEC já tinha chegado a acordo com o Movimento de Escolas Privadas com Ensino Público Contratualizado No mês passado o MEC já tinha chegado a acordo com o Movimento de Escolas Privadas com Ensino Público Contratualizado 
A Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo aceitou hoje o valor proposto pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC) para o financiamento das turmas nos colégios com contratos de associação. O protocolo assinado estabelece que o financiamento do Estado será neste ano lectivo de 85,288 mil euros por turma. Mais cinco mil euros do que tinha sido decidido por Isabel Alçada. Até ao ano passado, o valor médio por turma era de 114 mil euros.
No mês passado, o director executivo da AEEP tinha considerado que este montante era “claramente insuficiente”, o que levou ao prolongamento das negociações. Num comunicado divulgado esta tarde, a associação esclarece que o MEC considera “transitório” o montante agora proposto, esclarecendo que este se manterá apenas até à “definição de uma nova fórmula de cálculo baseada no custo real do ensino público”.

Segundo a AEEP, o protocolo que subscreveu com o ministério “lança as bases de um novo futuro para o ensino particular e cooperativo” ao dar “um sinal claro de avançar no caminho de maior autonomia pedagógica e uma maior flexibilidade na gestão curricular dos projectos educativos” dos colégios. A associação acrescenta que o ministério se comprometeu, já a partir de Outubro, a promover alterações legislativas no sentido de aprofundar a autonomia dos colégios e aumentar a liberdade de escola por parte das famílias portuguesas.

No mês passado o MEC já tinha chegado a acordo com o Movimento de Escolas Privadas com Ensino Público Contratualizado (MEPEC).

“A questão financeira é apenas uma das questões de um protocolo que é muito mais vasto e que permitirá a todo o ensino particular fazer diferente já a partir deste ano lectivo”, frisou ao PÚBLICO o director executivo da AEEP, Rodrigo Queiroz e Mello.

Os colégios poderão decidir sobre o modo como organizam o Estudo Acompanhado e a oferta de escola e também sobre a duração das aulas. Não podem ser inferiores a 45 minutos nem superiores a 90 minutos, mas qualquer valor no intervalo pode ser adoptado, esclarece. O ministério deverá publicar muito em breve a portaria que tornará possível esta maior autonomia, acrescenta.

Por outro lado, Queiroz e Melo está confiante de que serão finalmente instituídos os instrumentos concretos da liberdade de escola por parte das famílias. “Na situação actual não é possível estar a discutir novas formas de financiamento, mas com os recursos que existem é possível aumentar a liberdade de escolha. Isto pode acontecer, por exemplo, com a criação de uma rede de escolas de opção, agrupando todas as escolas que têm contratos com o Estado”, acrescenta.

O Estado apoia quase 50 por cento das escolas privadas existentes em Portugal.

As mulheres alentejanas e amorosas.

A mulher alentejana
força 
agreste
terra
barrenta
.
morango
silvestre
amora
preta
.
Veste-se 
de
negro 
discreta
.
Esconde
o
choro
num
riso
franco
.
Olha 
o
campo
é 
filho
seu
.
nessa
guerra
morreu
.
luto
lhe
deu
.
Raiva
bravia
fundo 
barranco
.
é
Sol
e luar
lindo
trigal
.
é
agua 
fresca
nascente
.
é
um
farol
luz
luminosa
.
é
força
que
nunca 
morre
.
é
suor
transformado
em 
pão
.
é 
luta
pela
liberdade
.
papoila
revolução

mulher
que
sabe
ter
força
.
para
quando
é
malmequer
.
e
sabe
ser
amorosa
.
quando
seu
amor
a quer
.

mulher
doce
solidão
.
sabe
ser
alegria
.
grito
rubro
camarada
.
nos
campos
de
solidão
.
a
força
de
dizer
não



Ester Pita

Silva Porto - "Ceifeiras", 1893                                                         

 

Elogio de‘Il Cavaliere’

Alguém fica espantado se Berlusconi tiver dito numa conversa telefónica que considera a chanceler Angela Merkel uma "gorda infornicável.
 O primeiro ministro de Itália já provou ser capaz de comportamentos interditos aos estadistas. Além das festas ‘bunga bunga’, já foi visto a ‘fazer cornos’ na cabeça do ex-ministro espanhol Josep Piqué, a pregar um susto a Merkel ou a elogiar o "bronzeado" de Obama.
Este é o estilo do primeiro-ministro italiano que mais tempo se mantém em funções desde o fim da II Guerra Mundial. Há quem diga que refez o país à imagem dos seus canais de televisão, mas convém lembrar que o grau de corrupção antes da sua entrada na política quase fez do país uma república dos juízes.
A todos os que se horrorizam com a longevidade política do homem alcunhado de ‘Il Cavaliere’, escapa que ele só vence eleições porque a oposição nunca encontra um candidato melhor.
Com todos os seus defeitos, tem a vantagem de ser verdadeiro. Assim o provou ao sustentar que Kadhafi amava o povo líbio, demarcando-se dos que sofreram um ataque de amnésia após a queda do ditador líbio. Berlusconi não é um Churchill, mas Merkel, Sarkozy e Cameron também não.
Correio da manhã

E que tal irem roubar para a estrada?!




A ir para a frente e a generalizar-se esta prática surreal de continuar a cobrar taxas moderadoras por “consultas não presenciais”, ou seja, conversas e reuniões, entre médicos, sobre um caso clínico de um qualquer doente, depois de já se ter cobrado a “taxa” quando esse doente teve realmente uma consulta... a coisa é uma verdadeira mina.
Ainda bem que o marido da minha médica de família é arquitecto na Câmara Municipal! Imaginem que, em vez de arquitecto era ele o meu cardiologista... e que lhes dava para falarem do meu estado de saúde ao pequeno almoço, no hospital, durante o almoço, novamente no hospital, ao jantar e ao deitar. Estão a ver a conta que me apareceria todos os meses para pagar por “consultas não presenciais”?
Muito provavelmente (espero!), esta ideia “genial” dos gestores do Hospital Garcia de Horta, não irá passar de uma espécie de pré-guião de uma fantástica anedota... e acabará por prevalecer o bom-senso.

uma história pouco católica.


Hoje vou fazer algo que não me dá nenhum prazer. Contar um episódio tão vergonhoso que preferia deitá-lo para trás das costas. Um episódio no qual estou pessoalmente envolvido. Escrevo porque acho que tenho esse dever. Um dever de cidadania, fazer saber que há coisas que se passam entre nós.

No passado mês de Março tomei conhecimento, por uma lista de filosofia, de um Aviso da Faculdade de Ciências Humanas (FCH), da Universidade Católica Portuguesa (UCP), segundo o qual estava aberto um procedimento para seleccionar um candidato ao preenchimento de uma vaga de leccionação na Licenciatura em Filosofia dessa instituição.

Considerada a precariedade da minha actual actividade de investigador, e depois de informar o coordenador do meu laboratório, apresentei (dentro do prazo, até 2 de Maio) a minha candidatura. O processo constava de uma fase documental, que incluía a programação de uma cadeira do curso, e, chegando lá, de uma entrevista. Fui à entrevista, no início de Junho. Parece que se apresentaram 14 candidatos, 11 dos quais foram entrevistados. Depois de um contacto informal, confirmou-se, por uma carta da FCH datada de 20 Junho, que tinha sido eu o candidato seleccionado. Apesar de prevenido de que teria de esperar o contacto da Reitoria para assinar o contrato, comecei imediatamente a preparar o primeiro semestre, incluindo tomar contacto com a plataforma de blended-learning usada na instituição. Os serviços enviaram-me, também prontamente, o calendário dos dois semestres de 2011/2012 e a distribuição do trabalho docente, onde constava já o rol de disciplinas que me caberia leccionar nesse período.

Cabe aqui acrescentar que, quando me foi comunicada verbalmente a minha contratação, fui informado de que o contrato continha uma cláusula que me obrigava a respeitar a instituição UCP e a instituição Igreja Católica, sem que isso conflituasse de algum modo com a minha liberdade de opinião.

No dia 4 de Julho, recebi um e-mail do coordenador da área de filosofia, informando-me, basicamente, “de que, tendo em conta as restrições orçamentais a que a Universidade se encontra sujeita, não haverá lugar para novas contratações para o ano lectivo 2011-2012, para lá das que resultam de contratos já celebrados com os docentes até esta data. Esta situação, que contraria as expectativas que foram criadas à Área Científica de Filosofia ainda no início deste ano civil, impede, pelo menos para já, a sua [minha] contratação”.

Reagindo imediatamente a esta novidade, usei um canal não institucional para fazer chegar directamente ao Reitor da UCP um pedido de aclaramento da situação. Passadas poucas horas, recebi a resposta: eu não iria ser contratado por ter subscrito um abaixo-assinado “contra a vinda do Papa a Portugal”. Ainda nesse dia, tendo coincidido com o Magnífico Reitor numa recepção diplomática (onde estava como acompanhante), ouvi de viva voz, por sua iniciativa, uma reiteração do motivo (com comentários suplementares que me dispenso de divulgar). Começou aí, também, a operação de justificar que não me tinham mentido anteriormente (horas antes), quando me avançaram motivos orçamentais. Noutra fase das explicações, foi-me dito que um professor da casa tinha preparado um dossiê com textos da minha autoria, dossiê esse que, entregue à Reitoria, tinha ditado o meu afastamento. Talvez não seja necessário, mas lembro que o Aviso do procedimento de selecção não continha nenhuma “cláusula ideológica”.

O que escrevi acima é da ordem da pura factualidade. Em termos de interpretação, deixo o essencial ao leitor – até porque todas as peças do meu processo estão publicadas neste blogue. Foi, aliás, um trabalho “de investigador” sobre o conteúdo deste blogue, ajudado pelo meu perfil no facebook, combinado com uns comentários anónimos aqui neste espaço, que deu à luz o dossiê do pequeno inquisidor. Mas sempre digo o que segue, para os mais recentes por aqui, que não tenham acompanhado as minhas posições em questões de religião.

Tenho criticado, sem dúvida, várias posições e acções da Igreja Católica. (Haverá debaixo do sol alguma coisa que eu não tenha criticado neste blogue?) Não confundo isso com respeito institucional. Eu respeito a universidade que me recebe todos os dias, mas nunca me passaria pela cabeça que alguém levasse ao Reitor, ou ao Director do instituto, um dossiê com escritos meus num blogue para o ajudar a decidir qualquer assunto académico. Nem sonharia que qualquer crítica minha ao governo da nação, ou ao Ministro da Ciência, fosse encarada como desrespeito pelo país, que em última instância é a quem pertence essa universidade pública. Já alguém me disse que eu, que fui um católico activo durante muitos anos, mas há muitos anos no passado, estou enganado acerca da actual Igreja Católica, que está muito mais longe do espírito do Vaticano II do que eu sou capaz de imaginar. Talvez seja isso. Pode até parecer que isto foi ingenuidade minha: se eu critico o catolicismo oficial, como poderia dar aulas na UCP? Não é assim que vejo as coisas: não me candidatei a professor no curso de Teologia, admito que poderiam achar estranho um agnóstico querer ser professor de teologia numa universidade católica. Tenho uma ideia da liberdade de pensamento que pode ser alheia a escrevinhadores de dossiês, mas da qual não abdico. (De passagem: já terão deitado o meu dossiê para o lixo, ou continuo a estar fichado nos serviços da Reitoria?)

Cabe notar que a petição que subscrevi não era contra a vinda do Papa a Portugal, mas sim contra o facto de altos magistrados do Estado português confundirem e misturarem a condição de Chefe de Estado (do Vaticano) com a condição de líder religioso. Invocar essa minha posição para tomar tal decisão equivale a isto: pessoas, actuando (acham elas) na defesa política de um Chefe de Estado estrangeiro, atacam os meus direitos e liberdades como cidadão de Portugal.

De qualquer modo, se o Vaticano, recentemente, chamou o cardeal de Lisboa para lhe puxar as orelhas, por causa de uma entrevista onde uma frase ocasional versava a ordenação de mulheres, provocando um "esclarecimento" escrito do Patriarca, onde este se verga à ortodoxia num acto de "humildade" pública, talvez fosse estultícia da minha parte julgar que poderia ter mais liberdade de pensamento como professor do que aquela de que goza o Magno Chanceler da UCP.

Talvez este episódio até dê gozo a um ou outro opinador que desengrace com a minha falta de paciência para a crítica sistemática e radical a tudo o que seja religião, igreja, Papa, etc. Pode até ser uma espécie de “vingança involuntária” para ilustres comentadores que episodicamente se irritam com a minha visão mitigada do fenómeno religioso. Espero, com franqueza, que a minha posição sobre qualquer dos tópicos da questão “religião” não mude por causa deste episódio pessoal. Sempre tentei, e quero continuar a tentar, esse mínimo de liberdade que consiste em sermos capazes de pensar no mundo sem darmos demasiada importância às nossas contingências particulares.

Julguei que era meu dever de cidadania dar pública notícia deste caso. Para que se saiba o que as coisas são. Está feito.

BLOG MACHINA SPECULATRIX