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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

63. Porto



Ao Porto ninguém tratava de outra maneira a não ser por Porto. O Porto era do Porto e falava com um sotaque nortenho, talvez do Porto ou então dos arredores do Porto. Ainda no outro dia eu dizia que era de Almada e a pessoa respondeu-me, ah sim de Lisboa e eu fiquei-me. Se calhar o Porto não era mesmo do Porto, mas todos o tratavam por Porto. Mas não era apenas a sua origem que o caraterizava. O Porto era um tintoleiro. Onde houvesse uma pipa, um garrafão ou uma garrafa cheia, ou meia, do rubro líquido o Porto parava e encharcava-se. Nunca vi o Porto que não estivesse bêbado. O Porto raramente andava sozinho e raras as vezes sem a mulher. Quando ele não vinha com a mulher vinha na companhia da sua bebedeira e quando vinha com a mulher, eram quatro. Ele, a mulher e duas tremendas besanas. O Porto, morava no bairro de barracas que do meu bairro, tinha um matadouro a separá-lo. O Porto cambaleava, melhor que qualquer pessoa que eu já tivesse visto cambalear. E nem nos filmes de Sam Peckinpah, um cowboy cambalearia tão bem como o Porto, depois de uma seta envenenada do Cheyenne Touro Sentado ou do Sioux Asa de Falcão.

Se havia alguém que gostava e ainda gosta de pescar era o Baixinho. Mal as férias da Páscoa começavam e já estava o Baixinho a fazer a sua abertura de época (este parêntesis é para vos falar do desgosto que um febrão, alto lá com o charuto, o fez ficar na cama numa sexta-feira santa em que o pai, com linha de mão, anzol empatado a arame e poita feita de um pedregulho moldado, tirou do rio um safio de cinco quilos e meio, a quem lhe foi dada a honra de beber uma mini no caminho para casa. Ao pai não, ao safio!). Naquele dia, tinha almoçado havia pouco tempo, a maré estava baixa demais, daria tempo para que, com a sachola, escavar umas quantas poças no ostral, recolher uma boa mão cheia de minhocas e começar a pescar um pouco mais tarde. Quis o almoço e a sua digestão que esta colheita não corresse a preceito. Quando começou a ver tudo a andar à roda, largou o sacho, a lata das minhocas, a cana de pesca, o bornal do material, o balde da pescaria, saiu, com as poucas forças que ainda lhe restavam, à procura do trilho que o levaria  a casa. Caiu num barranco, à beira da azinhaga, desfalecido. E começou a viajar.

Quando acordou no hospital de Almada, algumas horas depois, parecia que ainda via o Porto, com ele aos ombros mais de dois quilómetros ribanceira acima, a entregá-lo aos pais. Felizmente que a flecha atirada por Asa de Falcão, em vez de o fazer cambalear, dotou-o falcoamente de duas divinas asas. Obrigado, Porto (sussurrou o Baixinho).

LYA LUFT - A Alma do Outro



"Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambigüidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos."





Lya LUFT
BLOG LINDO MENINO

Fonte: pensador.uol

MADEIRA, A EXPLICAÇÃO DO DÉFICE


EM TEMPO DE CRISE COMO SE GASTAM OS MILHÕES QUE NÃO TEMOS E QUE SE ROUBAM AOS CONTRIBUINTES...

Nova igreja de Câmara de Lobos custou mais de quatro milhões

por Agência Lusa, Publicado em 12 de Setembro de 2011

A nova igreja de Santa Cecília, em Câmara de Lobos, Madeira, foi ontem inaugurada. Um investimento superior a quatro milhões de euros, que substitui um armazém adquirido pela paróquia há 15 anos e adaptado a templo. Tem capacidade para mil pessoas num concelho com cerca de 35 mil habitantes. O governo regional de João Jardim apoiou a obra com 2,6 milhões de euros.

Na cerimónia de bênção e dedicação da nova igreja, presidida pelo bispo da Diocese do Funchal, António Carrilho disse que o momento é de "festa" para a população, que vê realizado um "grande desejo". "Um sonho que vem desde a criação da paróquia, em 1961", afirmou António Carrilho, que realçou o trabalho prestado pela Igreja Católica, que vai além dos domínios "espiritual e religioso". O bispo do Funchal apontou a este propósito o "apoio à família", que classificou como "primeira escola de virtudes" e "elemento fundamental à coesão", ou a educação de várias gerações, através da "catequese, escolas ou grupos juvenis".

António Carrilho sublinhou ainda a "atenção e serviço aos idosos, aos doentes e a tantas outras pessoas que precisam de ajuda". "A nova igreja e todo o complexo de serviço em que se integra é uma grande obra, um novo e grande património para toda a região", acrescentou, explicando que este é o resultado do "empenhamento da comunidade cristã e do apoio de diversas entidades, especialmente o governo regional", que financiou o projeto em 2,6 milhões de euros.

Segundo o bispo, sem o apoio técnico e financeiro, "não seria possível realizar este empreendimento de singular importância para tanta gente em termos humanos, espirituais e religiosos, culturais e sociais". Na cerimónia, que encheu por completo a igreja e na qual participaram diversas entidades, entre as quais o presidente do Governo Regional da Madeira, o pároco de Santa Cecília, Francisco Caldeira, referiu aos presentes que o templo "não foi imposto pelo exterior", mas antes pela "expressão do querer generoso de muitas pessoas".

À Lusa, o sacerdote adiantou que o complexo paroquial hoje inaugurado contempla, além da igreja, com capacidade para mais de mil pessoas, oito salas para reuniões, um auditório, um centro de dia e outro de convívio, além das áreas adstrictas à actividade litúrgica.


Governo de João Jardim apoiou com 2,6 milhões de euros uma igreja com capacidade para mil pessoas.

NOTA: EM VEZ DE FÁBRICAS E EMPREGOS PARA NOS MANTEREM VIVOS, IGREJAS PARA NOS ENTERRAREM MORTOS DE FOME!

FERNANDO FARINHA - biografia e fados - Alfredo Marceiro e Fernando Farinha

Fernando Farinha

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Fernando Farinha (Barreiro, 20 de Dezembro de 1928 (oficialmente 5 de Maio de 1929) - 12 de Fevereiro de 1988), foi um cantor português de fado, que ficou conhecido como o Miúdo da Bica.

[editar] Biografia

Fernando Tavares Farinha, ainda criança veio residir para Lisboa com os pais, – os tempos eram difíceis e o seu pai, barbeiro de profissão decide tentar a sorte na capital, para uma recatada casa no bairro da Bica, onde viveu mesmo quando o sucesso fez dele uma estrela nacional.
Aos 7 anos já cantava e entrou em vários concursos infantis, teve tanto êxito que passou a ser chamado de “Miúdo da Bica”, por esta altura foi convidado para mascote da Marcha da Bica 1935. Em 1940, grava o seu primeiro disco EP com quatro temas: Descrença, Meu Destino, Tem Juízo Rapaz e Sempre Linda.
Em 1942, estreia como atracção no Teatro na revista “Boa Vai Ela”, em que também entrava Hermínia Silva, mais tarde nos anos sessenta ainda é atracção na revista “Sal e Pimenta”
Em 1951, tem a sua primeira deslocação ao estrangeiro indo ao Brasil onde teve grande aceitação.
Em 1955, comemora as suas “Bodas de Prata” de carreira artística no Coliseu dos Recreios em Lisboa e é premiado com a Guitarra de Prata.
Em 1957, a Rádio Peninsular atribui-lhe o galardão de a “Voz mais portuguesa de Portugal
Em 1963 protagoniza dois filmes “ O Miúdo da Bica” e “ A Última Pega”
Entre finais dos anos 60 em diante faz digressões artísticas por todo o mundos, Bélgica, França, Inglaterra, Alemanha, África do Sul, Argentina e E.U.A.
Fernando Farinha faleceu no dia 12 de Fevereiro de 1988.



CINCO BAIRROS
Letra de: Fernando Farinha
Alfama casas velhinhas
Parecem querer dizer
Segredos umas às outras
Sem a gente perceber.
A Bica não quer mudar
Da sua gente a maneira
Os homens vão para o mar
As mulheres p’ra Ribeira
Mouraria mãe do fado
Que Malhoa quis pintar
Triste canção que nasceu
Para sofrer a cantar.
Madragoa marinheira
Sempre formosa e ladina
Anda por Lisboa inteira
No pregão d'uma varina
Bairro Alto triste e belo
É vê-lo sempre imponente
A olhar p'ró Castelo
Que mora ali mesmo em frente.
Cinco destinos dispersos
Com cinco quinas por coroa
Cinco bairros, cinco versos
Dum poema que é Lisboa.




 fotos Portal do fado
recolha de A.G.

Crise...? Para quem?



Porsche regista em Agosto


recorde de vendas 


Um aumento de 43,4% face ao período homólogo de 2010.




Mesmo considerando os modelos mais baratos temos que considerar valores acima dos 100.000 euros para estes carrinhos, o que mostra as dificuldades que têm os "trabalhadores" nas suas deslocações diárias para o trabalho.
(ver em http://c-de.blogspot.com/p/cortes-e-recortes.html )

Apanha de conquilha interdita entre Olhão e Faro
12-09-2011

A apanha e consumo de conquilha está proibida na zona litoral entre Faro e Olhão, devido à presença de toxinas DSP, informou Instituto Nacional de Recursos biológicos.  
 
A interdição da apanha desta espécie no litoral entre as duas cidades algarvias é semelhante aos decretados na zona litoral Viana, para mexilhão e amêijoa branca, no litoral de Aveiro, para a ameijoa branca, na Ria de Aveiro para todos os bivalves, no estuário do Mondego, para a lambujinha, e no litoral entre Lisboa e Peniche, para o mexilhão e a conquilha.
"Devido à presença de fitoplâncton produtor de toxinas marinhas ou de níveis de toxinas acima dos valores regulamentares, estão interditas temporariamente a apanha e captura, com vista à comercialização e consumo, as espécies de bivalves provenientes das seguintes zonas de produção", informou o Instituto.
A apanha e consumo de bivalves esteve proibida em várias zonas do Algarve durante o verão, tendo a interdição vindo a ser progressivamente levantada.
A última zona a ser abrangida pelo levantamento da interdição foi precisamente a do litoral entre Faro e Olhão, no dia 30 de agosto, embora na altura a espécie contaminada fosse o mexilhão.
Agora, as autoridades voltam a proibir a apanha e consumo, mas desta vez sobre a conquilha, devido à presença da toxina DSP, que pode provocar diarreias, vómitos e outras indisposições.
Observatório do Algarve

Alcoutim quer ligação a Espanha por teleférico
12-09-2011

Os municípios de Alcoutim e de Sanlúcar, Espanha, estão a estudar a possibilidade de ficarem ligados por teleférico em 2014, no âmbito de um projeto transfronteiriço comparticipado comunitariamente que seria “inédito”, disse o presidente da câmara algarvia.  
 
O projeto prevê a ligação por teleférico entre Alcoutim e Sanlúcar sobre o Rio Guadiana, fronteira natural entre Portugal e Espanha, e terá fins turísticos, uma vez que, segundo Francisco Amaral, a localidade algarvia “continua a bater-se pela construção da ponte” internacional entre as duas localidades.
“Este projeto está em fase inicial, existe esta ideia apadrinhada pela Câmara de Alcoutim, pelo Ayuntamiento (município) de Sanlúcar e pela Associação Transfronteiriça Alcoutim-Sanlúcar. Foi feita uma consulta prévia a uma empresa do Porto, que fez o teleférico do Funchal, há quatro propostas de localização e estamos a escolher uma delas”, afirmou Francisco Amaral.
O presidente da Câmara de Alcoutim, um dos concelhos do país mais desertificados e com a população mais envelhecida, explicou que o teleférico seria “inédito, uma vez que não há nenhuma estrutura deste tipo que ligue dois países”.
Francisco Amaral frisou que continua “a lutar pela construção da ponte”, apesar de reconhecer “as dificuldades que o Governo tem” devido às medidas de contenção orçamental adotadas para fazer frente à crise financeira e económica que se vive no país.
“Mas é exatamente em tempos de dificuldades que se deve ter mais atenção às zonas mais deprimidas, como é o caso das zonas do nordeste algarvio”, defendeu.
O autarca revelou que o custo do projeto “será de dois milhões de euros, que podem ser financiados a 80 por cento pela União Europeia”, ao abrigo de uma dotação existente para a cooperação transfronteiriça.
“A restante verba será financiada a 50 por cento pela Câmara de Alcoutim e pela Diputacíon Provincial de Huelva”, da qual faz parte o Ayuntamiento de Sanlúcar, “que não tem capacidade financeira para o projeto”, adiantou.
Questionado pela Lusa sobre o horizonte temporal para a realização do projeto, o presidente da câmara algarvia respondeu que “o próximo ano será praticamente destinado só às questões burocráticas, porque há uma série de organismos a consultar e têm que dar pareceres e tem que ser formalizada a candidatura aos fundos comunitários”.
“Por isso, só deverá ser feito em 2013, devendo estar concluído em 2014”, precisou.
Eleito pelo PSD, Francisco Amaral tem sido muito crítico dos mecanismos de ordenamento do território, que diz serem “muitas vezes bloqueadores de projetos de investimento que poderia trazer riqueza” para o concelho de Alcoutim e “ajudar a combater desertificação” da zona.
“O país está ávido de investimento e já houve investidores que queriam realizar projetos e foram para outros países, como a Polónia, porque os mecanismos de ordenamento do território criaram demasiados obstáculos”, acrescentou.
Ainda assim, o autarca manifestou-se confiante de que o novo Governo de coligação entre o PSD e o CDS-PP “seja mais sensível” aos projetos de investimento na zona e “possa ajudar a ultrapassar esses obstáculos”.
Observatório do Algarve

O Congresso do P"S" chegou ao fim. Durante dois dias levámos a ouvir elogios à "obra" de José Sócrates. Qualquer um ficou a dúvida da "obra" a que os "socialistas" se referiam. Se ao betão e alcatrão, grandes responsáveis pelo endividamento excessivo, se às "obras" como a Face Oculta, os 383 milhões que a família colocou em offshores e a "inocente" prescrição do crime de fraude fiscal por alguém "chegado, se às "obras" da Parque Expo, Parque Escolar, Estamo, Gestamo, etc, etc.
Os "socialistas" esqueceram-se do endividamento a que José Sócrates nos conduziu. Claro que há "coisas" que já vem de trás, entre elas, a Madeira. O "socialista" Guterres já tinha "saldado" a dívida da Madeira. Mas Alberto João Jardim voltou a fazê-las com o consentimento do "seu" PSD. Elogiar a "obra" de Sócrates e esquecer o endividamento é igual a lembrar a obra de Alberto João Jardim e esquecer  o endividamento da Madeira. Errado, por igual. Um e outro, mais as suas camarilhas, deviam sentar o cu no banco dos réus por gestão danosa, por governação negligente. Não passam de duas faces da mesma moeda.
Todos os sinais apontam para a insolvência da Grécia e a Alemanha já tem um plano B, que passa pela submissão eonómica e financeira do Povo grego aos interesses dos poderosos da Europa.
As perspectivas apontam para que Portugal siga o mesmo caminho e chegámos a um ponto em que é preciso muito cuidado. A direita, através do seu patronato, tudo vai tentar para cavalgar às costas dos expoliados deste País. Alguém pode compreender que o ex-presidente da CIP possa defender que os portugueses devem revoltar-se e sair à rua para protestar? Não! Os portugueses devem sair, sim, mas para exigir mudanças de políticas e, se necessário, fazer cair o governo, mas nunca conduzidos pelo patronato.
Portugal está em recessão e pensar que são as exportações vão salvar o País do atoleiro em que os governantes nos colocaram é o mesmo que acreditar no Pai Natal. O crescimento económico está a abrandar e faz-se sentir até nas economias emergentes. Em consequência as exportações vão cair.
Certo é que o vice-presidente da Comissão Europeia já admite a possibilidade de novos resgates, provavelmente a pensar na Itália e Espanha.
É o princípio do fim...
blog Olhão livre

a harmonia no caos

a imensidão dos sentidos, das vontades, dos quereres, do regressar a criança, quero, é meu, dá-me, agora.

"Não! Portaste mal! Vais de castigo. Não mereces, não podes, assim não. Aguenta. segura. a vida não é assim... pensas o quê?! Prazer?! boa vida?! Amor... Só facilidades... isso é que era bom. A vida é reponsabilidade meu filho, é dura, os mundo é um mostro e se não te metes a pau, comem-te vivo!!!!"

- disseram-te amo-te quando eras pequenina?

- não. mas não foi preciso, eu sentia. E a ti?

- não, tinha 18 anos quando o ouvi pela primeira vez, mas foi a coisa mais estranha que ouvi, parecia daquelas dobragens de telenovela mexicana sabes... hummm hi! depois de algum tempo o meu pai conseguiu harmonizar a palavra e torna-la "sentida", mas ele teve sempre um abraço, um abraço imenso que me deixou sempre segura, sempre senti amor nesse abraço... mas gostei de ouvir, gostei de perceber que ele queria dizer-me.


- e a tua mãe?

- é uma mulher fantástica... ensinei-lhe imensa coisa... hummm! hi! não sei se aprendeu a ser mãe, mas é uma mulher fantástica! E diz que me ama, sim, e é mesmo uma personagem de uma telenovela mexicana... hummm!hi! E se eu pensar bem, também eu sou e todos os outros são! Nunca soube dizer amo-te... uma vez disseram-me que para parecer verdadeiro tens de o segredar ao ouvido num momento importante.


- E essas coisas aprendem-se assim, tás louca ou o quê?! Ou dizes quando sentes ou então não dizes.

- Se assim fosse estavas sempre a dize-lo e tornavas-te naquelas pessoas que muita gente condena por banalizar a palavra.

não sei se sonhei, se senti, se pensei ou se presenti, nela, na mulher possivel com quem esteja, se foi de ha mais de vinte anos e permanece, se é nova, bonita e inteligente, se o que for. 
pensei que não me importa mais vê-la, conhecê-la, até imaginei entregar-lhe um sorriso franco, um aperto de mão, um ou dois beijos, conforme os gostos. se é uma sua escolha, é bonita com certeza... e quem mais do que eu a percebe...não me sentirei mal, não menos do que sou, nem ela o é.

- achas que era ela?
- não faço idéia nenhuma.
- reparaste?
- sim, tinha um olhar triste, muito bonita, mas se for, não gostou de me ver...
- vês... não quero se quer saber, não quero ver, não quero ver, ponto.
- mas até pode nem ser, quero lá saber. as pessoas são todas pessoas. não vou dizer que vai ser como nada se os ver na rua de mãos dadas, mas é que eu não me considero a outra nem a primeira, eu sou eu, uma granda mulher, sem posto. Ponto! Se é para conhecer, terei muito prazer. Se os lugares não estão marcados, então o mercado é livre. Eu não sei fazer o que não tenho vontade, mas daí a condenar os outros... era bom que tudo fosse a nossa medida para sempre, mas não é.
quando nunca aprendemos a demonstrar os sentimentos aos outros, o turbilhão cresce cá dentro, confrontamo-nos com o que somos e com o que gostariamos de ser, de nos ver, de como gostariamos que nos vissem. quero ser melhor, todos queremos, mas é como é isso de ser melhor, qual é o lado melhor do que quero ser.
honestidade disse-me uma, excesso de transparência é complicado disse-me outra. guardei tudo cá dentro que parecia que ia rebentar durante tantos anos e agora é o oposto. mas diz-me, tu, eu, como é queres ser, como é que queres cá dentro. eu quero poder ser eu, como sou, com podres e vazios, com frios e quentes, com dores, com maldades feitas e por fazer, com manipulações e repressões, com infantilidades e responsabilidades acrescidas, com bloqueios, com defeitos, com desejos, com carinho, quero mesmo o carinho, e o respeito. só não quero deixar de ser eu.


foto: Milla Jovovich by Peter Lindbergh.