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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

poemas ilustrados de António Garrochinho (3)

poemas ilustrados de António Grrochinho (2)


360º PORTUGAL.COM (3 fOTOS)


Explorando Guimarães
Santuário do Bom Jesus do Monte em panoramas 360°
Voçê conhece o Santuário de S.Torcato ??

Estas políticas têm de ser derrotadas

segunda-feira, 22 de Agosto de 2011,| António VilariguesIr para o artigo completo
   Este governo PSD/CDS de Pedro Passos Coelho, como anteriormente o governo PS de José Sócrates, foge como o diabo da cruz da análise e discussão das causas desta crise. Percebe-se…
Esta crise tem causas e tem responsáveis.
Não obstante as grandes transformações
s por que passou o sistema capitalista, a análise marxista do capitalismo mantém uma extraordinária vitalidade. E as leis fundamentais da reprodução do capital formuladas por Marx e Engels revelam-se de uma flagrante actualidade. Tal como são válidas as teses de Lenine sobre o imperialismo, em particular da lei do desenvolvimento desigual do capitalismo.
A inevitabilidade das crises encontra-se no ADN do capitalismo. Como aqui escrevemos desde Novembro de 2008 as causas da crise actual do sistema capitalista (iniciada em Agosto de 2007) radicam por um lado, na contradição entre a sobreprodução e sobreacumulação de meios de produção. Por outro, na contracção dos mercados e níveis de consumo decorrentes das desvalorizações salariais e abismais assimetrias de rendimentos, agravadas pelas reduções das despesas públicas e pouca solvabilidade de inúmeros países.
Em 2009 afirmámos que iam continuar as políticas neoliberais e monetaristas. Que a factura dos custos da crise ia ser passada para os assalariados e para os contribuintes. Que um dos resultados ia ser o aumento substancial das dívidas públicas.
Onde estamos? A centralização e concentração do capital e da riqueza realizam-se a um ritmo sem precedentes. A financeirização da economia continua a acentuar-se com a explosão do crédito e do capital fictício. Intensifica-se a exploração dos trabalhadores com a extensão do uso da força de trabalho e a redução, por todos os meios possíveis, da sua remuneração. Aprofunda-se a polarização social, tanto dentro de cada país, como à escala mundial. Intensifica-se o ataque sistemático a funções sociais do Estado. Mercantilizam-se todas as esferas da vida social, numa lógica de privatizar tudo quanto possa gerar maiores lucros ao capital. Acentua-se a instalação no poder do crime organizado e o florescimento de todo o género de tráficos criminosos.
Numa palavra, os mandantes («Quem manda é quem paga»), os detentores do capital, os verdadeiros responsáveis pela crise, pretendem recuperar os milhares de milhões de capital fictício perdido. Seja a que preço for. As colossais dívidas soberanas de alguns países, que radicam na canalização de fundos para que o grande capital não declarasse bancarrota, aí estão para demonstrá-lo à saciedade. Só que a crise persistirá enquanto a procura (por parte da população) face à capacidade produtiva instalada continuar a ser insolúvel.
Em Portugal esta crise geral veio acrescentar mais crise à crise. A partir dos governos de Mário Soares e nos últimos 35 anos as políticas seguidas pelos sucessivos governos conduziram-nos à beira do abismo. Políticas contrárias ao desenvolvimento económico, à criação de emprego e ao combate às injustiças sociais. Políticas favoráveis à concentração e acumulação capitalistas, ao ataque às funções do Estado e aos serviços públicos, à liquidação de capacidade produtiva e agravamento da exploração e à soberania económica.
Portugal viu agravados todos os seus problemas e assistiu ao acumular dos seus défices crónicos e estruturais. O processo de desindustrialização e a amputação do aparelho produtivo e da produção nacional foram brutais.
A década que findou, que coincide com os primeiros anos de permanência na União Económica e Monetária, foi atravessada por uma persistente situação de estagnação económica com taxas médias de crescimento anual de 0,4%. Como resultado desta destruição dos sectores produtivos, o nosso défice da balança de mercadorias situa-se hoje nos 10% do PIB. Fruto desta evolução o país assistiu ao aumento exponencial da sua dívida externa.
A continuação destas políticas não é parte da solução. Bem pelo contrário. Prossegui-las só irá agravar todos os problemas. Há que romper com estes estado de coisas.
Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação
In jornal "Público" - Edição de 19 de Agosto de 2011

poemas ilustrados de António Garrochinho


Revela jornal "O Algarve"
Loja do Cidadão de Faro dá lucro
26-08-2011

A Loja do Cidadão instalada no mercado Municipal de Faro paga, anulamente, à empresa proprietária 146 470€ de renda e cobra das diversas empresas e organismos públicos ali instalados cerca de meio milhão de euros.  
 
A revelação é feita hoje, na edição do Jornal "O Algarve", quando o governo tem em curso uma avaliação dos custos das 32 lojas do cidadão em funcionamento no pais.
O presidente do conselho de administração do Mercado Municipal de Faro confirmou ao “O Algarve” que a renda cobrada à AMA – Agência para a Modernização Administrativa é de 12 205€ mensais.
Francisco Paulino assegurou ainda não ter existido qualquer pedido de renegociação de rendas por parte do arrendatário, aquela que é “uma importante fatia da subsistência” da empresa pública que dirige, a juntar “às receitas de todos os outros inquilinos”, que insiste em lembrar.
Fonte próxima da AMA disse ao “O Algarve” que o custo mínimo pago por cada arrendatário é de 49€ por metro quadrado de área útil.
Um espaço “para esta finalidade, com a comodidade de estacionamento e centralizado na cidade, será difícil de encontrar em Faro”, salienta Francisco Paulino, elogiando um espaço que é o maior do género no país com 2 166m2.
Uma área que recebe 14 serviços públicos e privados, nomeadamente a Administração Regional de Saúde do Algarve, Instituto do Registo e Notariado, Autoridade para as Condições de Trabalho, Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, Câmara Municipal de Faro, Centro deInformação, Mediação e Arbitragem de Conflitos do Algarve, Instituto da Segurança Social, Instituto da Construção e do Imobiliário e Serviços de Estrangeiros e Fronteiras.
Quanto a empresas privadas e públicas estão instaladas a EDP, Fagar - Faro, Gestão de Águas e Resíduos, ZON TV Cabo, Via Verde e Rolegás, s a .
Observatório do Algarve




Contra a miséria e a exclusão social
Reformados protestam hoje
Travar o passo ao alastrar da pobreza e da miséria social e dar expressão à indignação é o propósito da concentração de reformados, pensionistas e idosos, esta tarde, diante da residência oficial do primeiro-ministro.

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É de tal gravidade o ataque aos direitos e às condições de vida dos reformados, pensionistas e idosos, e a desfaçatez com que o Governo PSD/CDS esqueceu as suas promessas eleitorais, que à Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI) e à Inter-Reformados/CGTP-IN não restou alternativa senão convocar este protesto, afirmaram em declarações ao Avante! Fátima Canavezes, dirigente da Inter-Reformados, e Casimiro Menezes, membro da Direcção Nacional do MURPI.
«Fomos constatando um forte aumento da indignação causada pelas políticas anunciadas e decidimos dar expressão ao descontentamento com esta iniciativa, apelando à participação de todos os prejudicados com a política de direita, que está a condenar à pobreza cada vez mais idosos», disse Casimiro Menezes, salientando que esta acção pretende «reforçar a crescente onda de indignação provocada pelas medidas da troika PSD/CDS/PS».
Ambas as organizações «manifestarão, ao Governo, o seu mais profundo protesto pelo agravar de encargos insuportáveis para cada vez mais idosos», garantiu Fátima Canavezes.

Promessas esquecidas

«Na campanha eleitoral, o PSD e o CDS prometeram não aumentar os impostos e agora, em pleno Agosto, talvez pensando que a luta ia de férias e seria mais fácil adoptar estas medidas, eis que avançam com propostas de cortes nas deduções do IRS, agravam o custo dos bens essenciais, como a alimentação, os transportes, a água, a electricidade, o gás, os medicamentos e querem subir as taxas moderadoras», acusou Fátima Canavezes.
«Agravadas com o congelamento das pensões, estas medidas estão a deixar cada vez mais reformados num autêntico sufoco», acrescentou. Esta luta «pretende ser um grito de revolta contra uma política que atira cada vez mais idosos para situações inadmissíveis de pobreza».
Lembrando que os reformados terão «um poder de compra cada vez mais diminuído», Casimiro Menezes realçou que «na actual população de três milhões de reformados, um milhão vive abaixo do limiar de pobreza, com rendimentos que não ultrapassam os 419 euros».
Os aumentos «comprometem a própria sobrevivência de muitos idosos cujas baixas pensões se devem aos igualmente baixos salários que tiveram durante a carreira contributiva», alertou.
Está ainda agendado um encontro nacional de associações de reformados para dia 22 de Outubro, na Moita, onde «serão decididos os próximos passos a dar nesta luta que não pode parar».


Saúde só para os ricos

«Com a criação do Serviço Nacional de Saúde foi possível diminuir drasticamente a taxa de mortalidade infantil», recordou o representante do MURPI, salientando como o investimento na prevenção da doença foi essencial para os bons resultados do SNS. Actualmente, «esse aspecto está completamente descurado e, ao privatizar serviços, o Governo está a fomentar uma Saúde para os ricos e outra, bem pior, para os pobres. É totalmente inadmissível que os mais doentes sejam quem mais paga por esta crise», considerou.
A «redução drástica do investimento no SNS, a concentração de serviços com a extinção e redução de valências e de centros de saúde, acrescida à privatização de sectores considerados rentáveis e à conversão das taxas moderadoras em pagamento pelos serviços prestados, de acordo com os rendimento de cada utente, são medidas que destroem a lógica da solidariedade social, inerente à criação dos serviço públicos», sublinhou Casimiro Menezes.
«O Governo quer acabar com a igualdade no direito de acesso aos cuidados de saúde, entregando serviços públicos ao sector privado e fazendo da Saúde um chorudo negócio para uns poucos, em prejuízo da generalidade da população», acusou Fátima Canavezes.

Programa de segregação

«O anunciado Programa de Emergência Social não é mais do que um autêntico programa de segregação social, que criará cidadãos de primeira e cidadãos de segunda», avisou Casimiro Menezes, lembrando posição semelhante assumida pela CGTP-IN.
«O Governo prepara-se para cometer um verdadeiro atentado contra a dignidade dos cidadãos de segunda, destinando-lhes os restos da sociedade, alimentares e de medicamentos, sem qualquer controlo de qualidade», acusou Casimiro Menezes, lembrando como o bispo resignatário de Setúbal, D. Manuel Martins, também condenou, recentemente, esta política.
«O Governo está a criar uma classe de reformados pobres e sem direitos. Os 400 milhões de euros destinados àquele programa serão entregues às misericórdias, às instituições particulares de solidariedade social e às organizações da Igreja católica destinadas a esta área», explicou, criticando a lógica assistencialista inerente a estas entidades.
Outra preocupante medida é «o aumento escandaloso das rendas em bairros sociais, que está a deixar muitos idosos ameaçados de despejo, por incapacidade para poderem comportar o acréscimo», lembrou ainda Casimiro Menezes.
MURPI e Inter-Reformados condenam a decisão do Governo de fazer depender o acesso a apoios essenciais para esta população dos rendimentos do agregado familiar a que pertencem, enfatizou a representante sindical.
«Quem vive com mais baixas pensões, algumas de pouco mais de 200 euros, será mais duramente afectado por estas políticas», avisou Fátima Canavezes, frisando que «só a luta pode impedir o alastrar da pobreza e da miséria social».

Os reformados exigem
Na convocatória para a concentração, ambas as organizações reclamam medidas urgentes para impedir o acentuar da degradação das condições de vida desta camada da população, designadamente:
- Um aumento extraordinário de 25 euros para as pensões mínimas;
- O não aumento das taxas moderadoras e a manutenção dos critérios de isenção;
- Garantia de gratuitidade de medicamentos genéricos para os reformados portadores de doenças crónicas;
- A manutenção dos serviços de Saúde de proximidade;
- Gratuitidade do transporte de doentes, clinicamente justificado;
- Garantia e reforço da Carta Social na definição de equipamentos sociais e do acesso a eles com justiça social.





BAPTISTA-BASTOS

O PS na clandestinidade

por BAPTISTA-BASTOS24 Agosto 2011
Onde se encontra António José Seguro? Que estará a fazer António José Seguro? Porque não aparece António José Seguro? O PS sumiu-se? As perguntas, aflitas e arquejantes, cruzam-se nas Redacções dos jornais, das televisões, das rádios. Os políticos interrogam-se, por telefone, por mail, por facebook. Até o dr. Sarmento, de hábito muito bem informado, anda tão perplexo e agitado, talvez mais agitado e perplexo do que é costume, vive mergulhado nas trevas da ignorância, acerca de tão augusto problema. Falou com Lobo Xavier, também este gravemente atingido pela inquietação, que não conseguiu esclarecer a funesta dúvida, a qual apoquentava o seu patrão, o eng.º Belmiro, atacado de persistentes insónias.
Começou a dizer-se, à boca pequena, que o circunspecto Seguro se encafuara num gabinete do Largo do Rato, folheando dossiês sobre dossiês, a fim de se preparar para a abertura das hostilidades com Passos, e aceitando o martírio para conquistar a glória. Outros sussurravam que se encontrava, em sigilo, com Mário Soares, para receber lições de como ser astuto sem o demonstrar, e justiceiro com a displicência de um felino.
A mortificação de Seguro tinha razão de ser. E a procura de ajuda espiritual era um forte esteio. Os embates que tivera com Passos haviam-se saldado por melancólicos desaires. E os avanços, os projectos, as decisões, as propostas, os decretos, as leis em catadupa, insinuosamente expostos ou claramente apresentados pelo presidente do PSD desorientavam o adversário.
Que fazer? A leninista interrogação obtinha respostas dúbias. Pouco mais do que ter birras restava a António José Seguro. O seu partido assinara um memorando draconiano e mandam as regras do bom nome que os compromissos se respeitem. Não será bem assim, tanto mais que Passos tem-se adiantado ao que foi estipulado, excedendo a combinação. O Governo comete injustiças das mais bravas e dolorosas e o PS de Seguro está desaparecido sem combate. Como se diz num velho samba: "ninguém sabe / ninguém viu" o que é feito desta gente. Ao menos um arrobo de protesto, um gesticular de indignação, por modesto que fosse. Nada. E o PSD aproveita todas as oportunidades para aparecer, seja nas praias algarvias, seja em declarações absurdas mas úteis para a "visibilidade." O dr. Relvas até foi à Colômbia, apoiar moralmente a selecção de subvinte, enquanto o PS nem um ramo de rosas pálidas enviou como congratulação de "sermos" vicecampeões.
Onde estará Seguro? Onde se esconde o PS? Paralelamente tristes, votam-nos a uma melancolia atroz, que nem a satisfação provocatória do Governo consegue amenizar. Claro que nada disto é eterno ou estável. Porém, a cada dia que passa perdemos um sonho, uma réstia de esperança, um pequeno gomo de fé, uma fatia de confiança.
Passos Coelho coloca travão às empresas municipais
26 de Agosto, 2011por Luís Rosa
Governo aprova legislação que vai pressionar as autarquias a fundir ou extinguir metade das 280 empresas municipais existentes. Mais DE 140 empresas municipais arriscam-se a desaparecer com as alterações ao regime jurídico do sector empresarial local, aprovadas ontem pelo Conselho de Ministros, por proposta do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas.
O Governo calcula que, com as novas regras, poderá ser reduzido para metade o total das mais de 280 empresas desse tipo. Cumpre-se, assim, mais um ponto do acordo estabelecido com a troika.
«É o início de uma revolução tranquila», garante Miguel Relvas, em declarações ao SOL. «O objectivo é promover a transparência e reforçar o controlo destas empresas», acrescenta o ministro, salientando ainda o facto de o novo regime «suspender sine die a criação de novas sociedades».
Trata-se do primeiro dos 11 diplomas necessários para concretizar a prometida reforma administrativa do Estado. A proposta de lei – que será enviada para a Assembleia da República na próxima semana, para discussão e votação – proíbe a criação de novas empresas municipais e aumenta significativamente o grau de escrutínio das já existentes.
Estas sociedades, bem como as respectivas autarquias, passarão a ter deveres especiais de informação – nomeadamente, fornecer todo o tipo de dados sobre a sua situação económico-financeira à Direcção-Geral das Autarquias Locais, de forma a habilitar o Governo a estar devidamente informado sobre o universo empresarial autárquico.
luis.rosa@sol.pt

Medina: "Taxar os ricos? As fortunas mexem-se e escondem-se"

Entrevista - Medina Carreira
O ex-ministro das FinançasReinaldo Rodrigues
25/08/2011 | 15:52 | Dinheiro Vivo
O antigo ministro das Finanças presidiu a uma comissão que publicou um estudo em 1999 chamado Projecto de Reforma da Tributação do Património.O primeiro-ministro da altura António Guterres, e o então ministro das Finanças António Sousa Franco, pretendiam taxar os bens móveis: acções, obrigações, títulos e depósitos.
O Governo disse que
"não descarta a possibilidade" de criar uma contribuição especial sobre os mais ricos. O que pensa disto?
Este episódio é especial. Nasceu nos Estados Unidos com o Warren Buffett e é um problema que se discute nesta conjuntura especial, em tempo de crise económica e social. É uma tributação especial. Estou de acordo porque vivemos num contexto especial.Não faz sentido que uma pessoa que ganhe 500 euros seja taxada ao máximo e que uma pessoa que tenha mais dinheiro pague pouco. A actual discussão faz sentido. O problema é melindroso.A questão aqui é o método pelo qual se vai cobrar aos mais ricos. Pensar no método é que vale a pena.
As fortunas são muito difíceis de apanhar. Uma pessoa muito rica tem em regra geral muito bens mobiliários: acções, obrigações, depósitos.Este imposto sobre as fortunas tem toda a moralidade. Um exemplo: uma pessoa ganha um ordenado, compra uma casa e paga IMI. Outra pessoa, ganha um ordenado, mas poupa esse dinheiro para usar em acções. Esta pessoa não paga nenhum imposto. Isto é um defeito
E qual é o método?
Este imposto sobre os ricos não vai taxar a riqueza, vai sim taxar os rendimentos dos advogados, médicos e gestores. O IRS dos mais ricos em Portugal, já chega aos 46,5%, é um valor muito alto. Uma pessoa trabalha, ganha um ordenado, dá 50% ao Estado, e ainda paga IVA de 23%. Qualquer dia ninguém quer trabalhar em Portugal. Nos países onde há grandes fortunas, ganha-se muito pouco dinheiro, porque os bens imóveis são poucos e os rendimentos são pequenos, comparado com o dinheiro disponível pelos mais ricos em bens mobiliários. Faz lembrar quando após o 25 de Abril, o imposto sobre os rendimento chegou aos 70%, era uma loucura. Agora está nos 46%, aumenta-lo vai ser um disparate.
O homem escolhido para esta missão foi Medina Carreira, mas as coisas não correram bem. Com o impostos sobre os mais ricos a ser debatido actualmente, o Dinheiro Vivo entrevistou o antigo ministro das Finanças para saber a sua opinião sobre uma eventual cobrança desta taxa e qual a sua solução para esta questão.

Mário Crespo e os ricos




Mário Crespo é uma espécie de jornalista de que muita gente gosta, alguma não gosta e outra detesta. Encontro-me, orgulhosamente, no último grupo. Tudo na figura de Mário Crespo me irrita. O abjecto e mal disfarçado ultra reacionarismo, o ar convencido e a cara patética com que fica sempre que quer ser mais polémico, arrogante, ou simplesmente engraçadinho.
Há duas noites a fórmula funcionou mais uma vez. Comentando a actual crise e as possíveis soluções para ela, quis ser provocador... mas a máscara lá lhe escorregou novamente para a indigência. Dizia o craque: «claro que nestas alturas aparece sempre a solução milagrosa... a celebre frase “os ricos que paguem a crise”»... e carregou no (falhado) ar escarninho.
Por uma vez, sem que isso me faça seu “companheiro” em espécie rigorosamente nenhuma de jornada, estou de acordo com ele. Também acho a frase infeliz. Também acho que o dinheiro dos nossos muito ricos, ainda que todo junto, não resolve a crise. Por isso nunca concordei com a estafada palavra de ordem “Os ricos que paguem a crise!”
Aquilo que eu quero, aquilo por que me bato e para que estou disposto a contribuir, por mais modesta que seja essa contribuição, é para ver o dia em que se cumpra uma outra palavra de ordem:
Os ricos que paguem pela crise!
Que paguem por esta crise, pelas anteriores, por décadas de crises, por séculos de fortunas obscenas construídas sobre a exploração, a miséria, o suor e, quantas vezes, o sangue de milhões de seres humanos, ao longo da História.
É isso que tem que parar! É por isso que os ricos têm que “pagar”... mesmo sabendo que o seu dinheiro não chega. Porque não há dinheiro que pague! É por isso que, quando chegar o dia, quero que esses, os obscenamente ricos, os que tudo tiveram, que tudo roubaram ao trabalho alheio, finalmente paguem... mas com o lombo!

O poema original


Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse um abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever em sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar um jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chegar ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.
Esse que despe a poesia
como se fosse mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.

José Carlos Ary dos Santos, «Resumo» in Obra Poética,Lisboa, Edições Avante, 1994, 4.ª ed.
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