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sábado, 20 de agosto de 2011

Antonio Negri e Gilberto Gil

VEJA NO YOUTUBE TODAS AS CONFERENCIAS E CLIPS DE ANTÓNIO NEGRI

Antonio Negri

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Antonio Negri
Nascimento1 de agosto de 1933
Pádua, Itália
Nacionalidadeitaliano
Ocupaçãoacadêmico, político
Influências
Escola/tradiçãopós-estruturalismo, pós-modernismo, pós-marxismo
Principais interessesPolítica
Ideias notáveisMultidão, Império
Antonio Negri, também conhecido como Toni Negri (Pádua, 1 de agosto de 1933), é um filósofo político marxista italiano.
Tradutor dos escritos de Filosofia do Direito de Hegel, especialista em Descartes, Kant, Espinosa, Leopardi, Marx e Dilthey, tornou-se conhecido no meio universitário sobretudo por seu trabalho sobre Espinosa, mas sua atividade acadêmica sempre foi intimamente ligada à atividade política.
Negri ganhou notoriedade internacional nos primeiros anos do século XXI, após o lançamento do livro Império - que se tornou um manifesto do movimento anti-globalização - e sua sequência, Multidão, ambos escritos em co-autoria com seu ex-aluno Michael Hardt.

[editar] Trajetória intelectual e política

Graduou-se em Filosofia na Universidade de Pádua, onde foi aluno brilhante e, inserindo-se no ambiente goliardesco, dirigiu o jornal dos estudantes da universidade, il Bo.[1]
Em 1955 apresentou sua tese de graduação "Lo storicismo tedesco da Dilthey a Weber" ("O historicismo alemão de Dilthey a Weber").
Em 1956, foi-lhe concedida uma bolsa de estudos do Istituto Italiano per gli Studi Storici (Instituto Italiano de Estudos Históricos). Posteriormente, foi nomeado assistente do diretor da faculdade e, em 1967, obteve a cátedra de Teoria do Estado, sempre na Universidade de Pádua, onde também dirigiu o Instituto de Ciências Políticas.
Iniciou sua militância política nos anos 1950 como ativista da Gioventú Italiana di Azione Cattolica (GIAC) ("Juventude Italiana de Ação Católica"), organização ligada à Ação Católica. Foi membro da Internacional Socialista, de 1956 a 1963.
No início dos anos 1960, Negri compôs o comitê editorial dos Quaderni Rossi ("Cadernos Vermelhos"), jornal que representava o renascimento intelectual do marxismo na Itália, fora da esfera de controle do Partido Comunista Italiano.
Foi também um dos fundadores do Potere Operaio ("Poder Operário"), em 1969, e do movimento denominado operaísmo. O Potere Operaio se desfez em 1973, dando lugar à Autonomia Operaia, também liderado por Negri.
Escreveu vários trabalhos com muitos outros "autonomistas" famosos, tais como Raniero Panzieri, Mario Tronti, Sergio Bologna e Franco Berardi, ligados a movimentos dos trabalhadores italianos, estudantes e feministas dos anos 1960 e 1970.
Durante seu exílio na França, foi professor das Universidades de Paris VII (Denis Diderot) e VIII (Vincennes–Saint-Denis). Também lecionou na École normale supérieure, na Universidade Européia de Filosofia e no Collège international de philosophie, onde também eram docentes Jacques Derrida, Michel Foucault e Gilles Deleuze.

[editar] Prisão e exílio

Em 7 de abril de 1979 foi preso sob várias acusações, dentre as quais, a de ser o ideólogo das Brigadas Vermelhas (Brigate Rosse) e mandante moral do homicídio de Aldo Moro, líder da Democracia Cristã italiana, ocorrido em 1978. Negri foi preso juntamente com outros membros da Autonomia Operaia (O. Scalzone, E. Vesce, A. Del Re, L. Ferrari Bravo, F. Piperno e outros).
Cumpriu quatro anos e meio em prisão preventiva.
Durante o período que passou na prisão, conseguiu provar sua inocência com relação a quase todas as acusações, inclusive as de envolvimento em 17 homicídios e associação com as Brigadas Vermelhas, grupo responsabilizado pelo seqüestro e morte de Aldo Moro. Mesmo assim, foi condenado a trinta anos de prisão em um controverso processo de "associação subversiva", "conspiração contra o Estado" e insurreição armada", pena que será reduzida para 17 anos.
A Anistia Internacional denunciou os processos políticos italianos e a repressão à contestação e chamou a atenção para algumas “irregularidades legais sérias” no manejo do caso Negri. O filósofo Francês Michel Foucault posteriormente comentou “Ele não está na cadeia simplesmente por ser um intelectual?” [2]. Além de Foucault, outros intelectuais franceses como Gilles Deleuze,[3] Félix Guattari e Jean-Pierre Faye manifestaram apoio a Negri e seus companheiros.
Enquanto estava na prisão, em junho de 1983, Antonio Negri foi eleito deputado pelo Partido Radical Italiano, o que lhe permitiu deixar provisoriamente a detenção, graças à imunidade parlamentar. Quando o parlamento, por pequena maioria de quatro votos (todos do Partido Radical) decidiu suspender essa imunidade, Negri fugiu para a França.

[editar] Retorno à Itália

Depois de passar vários anos na França, sem documentos mas protegido pela doutrina Mitterrand, tal como a maior parte dos "emigrados políticos" italianos, Antonio Negri retornou voluntariamente à Itália em julho de 1997 para cumprir sua pena e tentar encontrar uma solução política para os anos de chumbo. Afinal, depois de seis anos e meio de detenção, a metade dos quais em regime semi-aberto, obteve a liberação definitiva em abril de 2003.
No exílio, ensinou na Universidade de Paris VIII e no Collège International de Philosophie, fundado por Jacques Derrida. Apesar de as condições de sua residência na França lhe proibirem de se engajar em atividades políticas, escreveu prolificamente e era ativo numa coalizão de intelectuais de esquerda. Em 1990, fundou com Jean-Marie Vincent e Denis Berger o jornal “Futur Antérieur”. O jornal cessou suas publicações em 1998, mas foi recriado como “Multitudes” em 2000, com Negri como membro da mesa editorial internacional.
Atualmente Antonio Negri vive em Veneza com sua companheira, Judith Revel, e divide seu tempo entre Roma, Veneza e Paris, onde ministra seminários no Collège International de Philosophie e na Universidade de Paris I (Panthéon-Sorbonne).
Depois de ter fundado e dirigido, com Jean-Marie Vincent, a revista Futur antérieur nos anos 1990, Negri dirige a revista italiana Posse. Também fez parte do comitê de redação internacional da revista francesa Multitudes, dirigida por Yann Moulier-Boutang.

[editar] Pensamento político

Entre os temas centrais da obra de Negri estão marxismo, globalização democrática, anti-capitalismo, pós-modernismo, neoliberalismo, democracia, o comum [4] e a multidão. Sua produção intelectual prolífica, iconoclasta e cosmopolita constitui uma análise altamente original do capitalismo tardio.
Negri é extremamente desdenhoso em relação ao pós-modernismo, cujo único valor, segundo sua avaliação, é que serviu como sintoma da transição histórica cuja dinâmica ele e Hardt procuram explicar em "Império". Negri reconhece a influência de Michel Foucault, de David Harvey (A condição pós-moderna, de 1989), de Fredric Jameson ( Pós-modernismo ou a lógica cultural do capitalismo tardio de 1991), de Gilles Deleuze & Felix Guattari ( Capitalismo e Esquizofrenia).
Hoje, Antonio Negri é mais conhecido como o co-autor, com Michael Hardt, do livro Império (2000). A tese marcante de “Império” é que a globalização e informatização dos mercados mundiais desde o fim dos anos 60 levaram um declínio progressivo na soberania dos estados-nação e a emergência de uma nova forma de soberania, composta por séries de organismos nacionais e supranacionais unidos sobre uma única regra lógica de governo. Esta nova forma global de soberania é o que os autores chamam “Império”. Esta mudança representa a “subordinação real da existência social pelo capital.” Ele fala sobre resistência constitutiva autônoma, epitomizada pelos Wobblies. O livro teve influencia mundial. Ele inspirou muitas iniciativas, incluindo o No border Network, a Libre Society, o KEIN; ORG. O Neuro-networking Europe, o D-A-S-H, entre outros. Uma seqüência de “Império” chamada “Multitudão” foi publicada em agosto de 2004.
Uma alternativa para as caracterizações estritamente políticas do projeto de Negri vem de um crítico Neoliberal, John J. Reilly, que chama “Império” de “um plot pós moderno para acabar com a Cidade de Deus”. De fato, o envolvimento de Negri no começo dos anos 50 com o Catholic Worker Movement e o Liberation Theology parecem ter deixado uma marca permanente em seus pensamentos. Um de seus mais novos trabalhos, o “Time for Revolution” (2003), se segura muito em temas de Agustine de Hippo até Baruch Spinoza e pode ser descrito como uma tentativa de achar a Cidade de Deus sem ajuda de “ilusões transcendentais” e da “Teologia do Poder” que ele acha um disparate de pensadores como Martin Heidegger e John Maynard Keynes. Estendendo e tentando corrigir a critica da ideologia como falsa consciência feita por Karl Marx.

HUMOR - SEMANA INTERNACIONAL DO AMIGO

PARA MIM, ACABAR COM AS FREGUESIAS RURAIS É MANOBRA REACIONÁRIA E FASCISTA ! ACABAR COM A REPRESENTATIVIDADE POPULAR NAS ALDEIAS É UMA SACANICE !

Câmaras algarvias aceitam acabar com freguesias
20-08-2011

Vários presidentes de câmara aceitam reformular a sua geografia autárquica, extinguindo algumas freguesias. Há mesmo quem defenda a sua total extinção, revela hoje o semanário “O Algarve”.  
 
O plano do governo passará pela alteração da actual Lei-Quadro de criação de Autarquias Locais que só assim permitirá extinguir e fundir algumas freguesias cujas dimensões não justificam a sua existência.
As orientações da tutela vão no sentido de iniciar o processo pelas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e pelos municípios com mais de 50 mil habitantes.
No Algarve, um distrito com 84 freguesias, distribuídas por 16 concelhos, dos quais apenas três ultrapassam a meta inicial do Governo, Loulé com 70 240 habitantes, Faro com 63 967 e Portimão com 55 818 (censos de 2011 – dados preliminares).
As posições” dos autarcas algarvios, publicadas pelo semanário “O Algarve, são dispares mas a maioria não se opõe a esta reestruturação autárquica.
Há mesmo autarcas com posições bem definidas, é o caso do presidente da Câmara de Castro Marim, José Estevens, para quem “nos dias de hoje não fazem sentido as freguesias” e defende a sua “extinção completa”.
Em Portugal existem 4260 freguesias, o mínimo de freguesias por concelho é de uma (actualmente há em Portugal 5 concelhos só com uma freguesia (Alpiarça, Barrancos, Porto Santo, São João da Madeira e São Brás de Alportel).
As freguesias estão representadas nos órgãos municipais pelo presidente da Junta, que tem assento, por inerência do cargo, na Assembleia Municipal.
Observatório do Algarve
Já se gastaram 116 milhões de euros no TGV em Portugal
20 de Agosto, 2011
O valor total do investimento do projecto português de alta velocidade ferroviária totalizou 116,1 milhões de euros até ao final de 2010, de acordo com o relatório e contas da RAVE – Rede Ferroviária de Alta Ferroviária. Do valor total investido, 8,7 milhões de euros foram concretizados em 2010, segundo o documento da empresa, que foi integrada na Refer no final do ano passado.
Na linha Lisboa-Madrid foram investidos, no total, cerca de 17,9 milhões de euros, enquanto na ligação Lisboa-Porto o investimento feito até 2010 totalizou cerca de 30 milhões de euros.
A linha Porto-Vigo foi alvo de um investimento de cerca de 3,4 milhões de euros, a ligação Aveiro-Salamanca de 734 mil euros e linha Faro-Huelva de 496 mil euros.
Já a rede geral mobilizou um investimento total de cerca de 63,4 milhões de euros.
O documento refere que o financiamento do projecto português de alta velocidade ferroviária, na fase de estudos e projectos, assenta na contribuição do Orçamento do Estado e no financiamento comunitário.
Em 2010, os subsídios ao investimento transferidos para a RAVE totalizaram cerca de 10,4 milhões de euros, dos quais 7,3 milhões de euros provenientes do Orçamento de Estado e 3,1 milhões de euros da União Europeia.
Entre 2001 e 2010, o projecto recebeu cerca de 115,9 milhões de euros de subsídios ao investimento, dos quais cerca de 36 milhões provenientes da União Europeia.
Além destes valores, o consórcio Elos, que ganhou o concurso para a construção do troço Poceirão-Caia, afirmou já ter investido cerca de 150 milhões de euros nesta ligação.
O orçamento da RAVE para 2010 ascendeu a cerca de 11,8 milhões de euros: 7,8 milhões de euros referentes ao investimento directo em estudos e projectos e quatro milhões de euros respeitantes aos custos de estrutura.
Em 2010, a RAVE registou um prejuízo de cerca de 17 mil euros.
O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, afirmou na quarta-feira que o Governo português tomará uma decisão sobre a rede de alta velocidade portuguesa em Setembro.
A proposta de suspensão da linha Lisboa-Madrid consta do Programa do Governo, que admitia que o projecto poderia ser alvo de "uma reavaliação". Esta reavaliação incluiria, segundo o documento, o conteúdo e o calendário, "numa óptica de optimização de custos, à luz de novos condicionalismos, e que deverá ter em conta o estatuto jurídico dos contratos já firmados".
Lusa/SOL
Dias Lourenço e o filho que morreu com um sorriso

16 de Agosto, 2011por Luís Osório
Não dei por alguém se ter lembrado do primeiro aniversário da morte de António Dias Lourenço. Talvez tenha sido distracção minha, pois pouca importância dei aos jornais e televisões no passado domingo. Mas o esquecimento que pressinto não é algo que não antecipasse. Chegou a dizer-mo em conversas. Disse-me tantas coisas que hoje, perante um papel em branco, não é simples recordar um dos poucos heróis com quem privei.
Morreu com 95 anos e era a derradeira figura épica do Partido Comunista. Esteve 17 anos preso, protagonizou a mais espectacular fuga das prisões salazaristas, não cedeu a torturas que lhe brutalizaram o corpo e, mais importante do que tudo isso, jamais deixou de ser o mesmo homem. Generoso, tolerante à diferença, terno, disponível.
Falámos muitas vezes. E continuámos a fazê-lo quando assumi posições ferozes contra o seu partido. Nunca me confrontou com elas, nunca me disse que não podia ser, que eu estava errado e que o caminho certo era outro.
É claro que o pensava. Mas falávamos de outras coisas: das suas histórias, claro, do que arriscou, sofreu, construiu. Cada um de nós é uma pequena ilha, maior ou mais pequena. Mas ele mais parecia um continente.
Entrou para o Partido Comunista aos 16 anos pelas mãos de Diamantino Barros – um metalúrgico de Alverca.
Dez anos depois, em 1942, o conhecido Manuel Guedes sondou-o acerca da sua disponibilidade – e o jovem António respondeu-lhe que a sua vida pertencia ao partido.
Entregou-se à clandestinidade, tornou-se membro do Comité Central e nos anos 40 foi um dos principais responsáveis pela multiplicação do número de comunistas no Alentejo.
Conto-lhe um pouco dele, um pouco do que me passou…
A incrível fuga de Peniche já não tem segredos – pelo que passo por ela. E conto-lhe do seu pequeno filho, António como o pai, a quem foi diagnosticada uma leucemia fatal.
Lourenço estava preso e a PIDE, sabendo que a criança de 10 anos tinha pouco tempo de vida, permitiu uma última visita. Ao fim de cinco minutos, os guardas tiraram-lhe o filho dos braços. Ele pensou em atacá-los – mas teve consciência de que seria a última imagem que o pequeno levaria do seu pai. E conteve-se. No abraço de despedida, prometeu-lhe que falariam mais tarde e jurou-lhe eterno amor.
A direcção do PCP levou a criança a Moscovo, mas nada havia a fazer. Morreu na União Soviética e o corpo veio para Portugal embalsamado e com um sorriso. Após várias pressões, permitiram ao pai assistir ao funeral. Com a filha mais velha ao colo, Dias Lourenço aproximou-se do corpo do filho e para ela falou: «Estás a ver, querida? O mano António está a sorrir, está feliz».
Levantado do Chão, primeiro grande romance de José Saramago, conta a história de várias famílias alentejanas e da formação de uma cooperativa agrícola. O livro é inspirado por várias personagens – e a mais marcante de todas talvez tenha sido Dias Lourenço. Foi quem redigiu o manifesto de greve que é descrito no romance.
Ele adorava recordá-lo. Não tanto como a amizade com Soeiro Pereira Gomes e Alves Redol, padrinho da sua filha mais velha. Mas gostava de lembrar o Levantado do Chão como se nessa memória guardasse o essencial de si mesmo.
Dias Lourenço falava de literatura, emocionava-se com a memória do pequeno António e voltava sem sofrimento visível aos intermináveis dias de tortura. Nunca sentiu a dor física para não lhes dar o prazer de o ver sofrer. Mas depois. Bem, depois era pior.
Da primeira vez, um guarda do Aljube teve de o ajudar a subir as escadas. Chamava-se Manuel e todos o tratavam por Manuelzinho. Dias Lourenço subiu as escadas e, assim que chegou ao corredor dos presos políticos, bateu à porta de cada uma das celas com uma frase de ordem: «Malta, aqui ninguém fala. Os comunistas não falam».
Numa das celas ouviu um preso a chorar em voz alta. Guardou o nome para si, nunca mo disse.
Quando foi preso pela segunda vez, um conhecido pide de nome Tinoco gritou-lhe: «A gente já sabe que não fala do partido, mas tenho aqui um papel em que nos chama assassinos e está cá o meu nome. Tem que dizer quem escreveu isto».
António fez-lhe o sorriso da ordem. Algemaram-no com as mãos atrás das costas. Durante três dias e quatro noites espancaram-no e deram-lhe choques eléctricos. Na penúltima noite, Tinoco entrou na companhia de uma série de homens e voltou a falar do papel. Lourenço só conseguiu abanar a cabeça. Após mais um espancamento, abriram-lhe a boca, meteram-lhe o papel lá dentro e colocaram um adesivo. Toda a noite ficou assim – e o papel, por sorte, dissolveu-se.
Na manhã seguinte quatro agentes puseram-lhe a cabeça em cima de uma mesa, um deles apertou-lhe o nariz durante bastante tempo, outro tirou-lhe o adesivo e o terceiro fê-lo engolir um copo de água. Que lhe soube muito bem: «É verdade, Luís. Eu nunca falei, mas engoli muito papel».
Estava em casa de Bento Jesus Caraça no dia em que o matemático morreu, corria o ano de 1948. Relembrava-o por se irritar sempre que ouvia Mário Soares afirmar que não era comunista.
O partido enviara-o a casa de Bento para lhe dizer que, tendo em conta as dificuldades económicas por que passava, o ajudariam no que fosse preciso. Não o chegou a dizer. O professor Pulido Valente saiu do quarto a chorar e abraçou Manuel Mendes. Lourenço percebeu que nada mais poderia ser feito. E, como estava na clandestinidade, saiu o mais rapidamente que pôde.
De muitas mortes lhe falei. O curioso é que o fiz a propósito de alguém com verdadeira paixão pela vida. Um homem com estofo para aguentar o humor ácido de Ramalho Eanes, o que não é coisa pouca.
«Considero-o um amigo. E ainda como Presidente da República, numa cerimónia em Belém, como se nada fosse e com aquela cara que só ele tem, perguntou-me quantos anos estive preso. Respondi-lhe: ‘17’. Eanes, depois de uns segundos de silêncio, com um ar combalido, adiantou que eu devia ter devorado muitas criancinhas para estar tantos anos preso».
Para acabar, outra morte. A do pai, homem que Dias Lourenço admirava. Nos últimos instantes, o filho deu conta que uma luz na mesa-de-cabeceira encadeava os olhos ao pai. Perguntou-lhe se desejava que a apagasse. O velho pai escolheu então as suas últimas palavras: «Não, filho, o que eu preciso é de luz, muita luz. Não a apagues, por favor».
SOL

Jardim anuncia acordo com Passos para resolver falta de liquidez da Madeira

20.08.2011 -  Por Tolentino de Nóbrega
Jardim explicou que em causa está a liquidez para pagar aos fornecedores em atraso Jardim explicou que em causa está a liquidez para pagar aos fornecedores em atraso (Foto: DR)
Alberto João Jardim anunciou esta noite que o Governo regional vai “fazer um acordo com o actual Governo da República” para “resolver o problema financeiro” da Madeira.
Em causa, revelou o líder do PSD-M no comício de rentrée do PSD no Porto Santo, está a “liquidez que precisamos para pagar aos fornecedores em atraso”.

Jardim assumiu que preferiu “fazer a derrapem financeira”, detectada pela troika no montante de 277 milhões, “para não se render e não parar com tudo”. Teve de optar, disse, “como no boxe, entre atirar a toalha ao chão e resistir”, ou, para “não parar uma série de coisas”, enfrentar e aguentar a dívida da Madeira”.

O líder do PSD-M voltou a responsabilizar o anterior executivo de Jose Sócrates pela actual situação financeira da região. E, após críticas à direcção do centro regional da RTP, acusada de favorecer a oposição regional, o líder do PSD, pedindo o afastamento da administração desta empresa pública, exigiu saber do Governo de Pedro Passos Coelho “se a maçonaria está por detrás do acordo para manter na televisão os socialistas”.

Reiterando ser “contra o regime político da Constituição de 1976”, e contra o capitalismo que provocou a crise internacional, Jardim disse que nunca teve “ligações a sociedades secretas ou grupos económicos”. E defendeu que “hoje não há solução para Portugal se não houver um 26 de Abril”.

No comício, Jardim confirmou a saída de Roberto Silva – ontem acusado pelo Ministério Público de crimes de homicídio por negligência no caso da queda da palmeira que há um ano provocou a morte de duas pessoas, durante o comício do PSD no Porto Santo – da presidência da câmara desta ilha para “reforçar o PSD na Assembleia” da Madeira. O município passa a ser gerido pela arquitecta Fátima Menezes.

FMI, arranjas-me um emprego?



Na mesma manhã em que o ministro das Finanças anunciava ao país, numa conferência de imprensa sem direito a perguntas, o aumento do IVA do gás e da electricidade, os emissários da troikarespondiam, com disposição, às questões sobre as medidas do plano de intervenção aplicadas pelo Governo. Foi o representante da Comissão Europeia e não Vítor Gaspar ou Passos Coelho que nos informou que o aumento de impostos decretado uma hora antes tinha sido o último…de 2011. Está visto que nesta política de terra queimada fala quem manda. Concentremo-nos nessa fala.

O FMI, pela boca de Poul Tomsen, escolheu somar ao longo elogio do Governo uma apoquentação sentida, dizendo que o dado mais surpreendente em Portugal é o do desemprego jovem. É “inaceitável e escandaloso” uma taxa de 30%, enfatizou Tomsen. E tem toda a razão. Com o desemprego perdemos todos, mais e menos jovens, por isso, uma política que não cria emprego é sempre uma política falhada. Então é justo perguntar: a política FMI cria emprego?

O corte no subsídio de natal, o aumento dos transportes, do gás e da electricidade cobrem um desvio orçamental (onde cabem o BPN e a Madeira), ao mesmo tempo que estrangulam a economia e destroem o emprego. Nada se resolve, tudo o que se justifica com a dívida é o que alimenta a dívida. O ciclo da dependência acelera-se, o FMI elogia mas quer mais. A alteração das leis laborais, votada na calada das férias, diz que se deve aumentar a incerteza da vida para seis anos nos contratos a termo certo e que os trabalhadores a recibo verde se devem contentar com o rebuçado do subsídio desemprego, sendo que este mesmo subsídio é cortado e passa a depender do trabalho gratuito. Menos protecção e destruição do emprego com direitos resultarão em mais precariedade: a fórmula mágica para o roubo dos salários e a antecâmara do desemprego. O FMI exulta mas quer mais. A privatização de serviços públicos permitirá a transferência do que é de todos para as mãos de uns poucos, com Mota-Engil e Sonae a salivar pelos CTT, a REN na mira da Logoplaste de Filipe de Button, a Veolia sedenta pelas Águas de Portugal, e por aí vai. Rendas seguras para estes últimos, menos verbas para o Estado, serviços mais caros e piores para os consumidores, despedimentos para os trabalhadores. Também aqui está a política FMI, com menos emprego e menos vida.

Dúvidas houvesse, olhemos o caso da redução da TSU. O espelho mais perfeito desta escolha ideológica do Governo, do FMI e dos seus parceiros credores. O próprio relatório apresentado pelo Governo diz que a medida é recessiva, que tem um impacto mínimo na redução dos custos das empresas e que cobrir o rombo que abre na segurança social com o aumento do IVA é atacar os salários e portanto, o consumo. Não há lugar a criação de emprego, apenas a mais transferência de capital, redução da receita fiscal e aumento do défice. O cenário perfeito para mais medidas de austeridade.

Está visto. Esta política ou é vencida e substituída ou a criação de emprego, nos próximos anos, não passará de uma hipócrita expressão nos lábios do FMI.
blog Adeus Lenine

Camila Vallejo – Vivam os estudantes!


As lutas estudantis no Chile estão a subir de tom e a crescer em volume. Quando uma associação de estudantes consegue organizar marchas de protesto e reivindicação com participação de quase cem mil estudantes (isto só em Santiago) e conquistar o apoio expresso de muitos professores, reitores e trabalhadores em geral, algo está a ir muito bem na organização estudantil e algo vai muito mal no sistema de ensino.
Os estudantes chilenos exigem um ensino público de qualidade, financiado pelo estado. Não querem continuar a ser empurrados para o engodo das universidades privadas, que estão longe de garantir melhor ensino e saídas profissionais, para além de os deixarem atolados em dívidas, anos antes de entrarem no mercado de trabalho.
À frente da FECH (Federação de Estudantes da Universidade do Chile) brilha uma jovem estudante de Geografia, Camila Vallejo. A sua capacidade de liderança, o discurso fácil e articulado, aliado à transparente justeza do que diz (vale a pena ir ver!), transformaram-na rapidamente numa espécie de íman que atrai estudantes, jornalistas... alguns deles e delas, ainda antes do discurso, “convocados” por essa coisa instintiva, bela e incontrolável, que é encantamento pela sua presença física.
Bem... na verdade nem toda a gente gosta dela. Há dias, uma alta funcionária do governo de direita do presidente Sebastián Piñera, Tatiana Acuña Selles (ligada ao Min. da Cultura), durante um momento mais tenso das gigantescas manifestações estudantis e da contestação pública à política do “seu” governo, perdeu a cabeça e gritou para alguém: «Matem essa cadela!»
Ah... apenas dois pormenores:
1. A Camila Vallejo é militante da Juventude Comunista e filha de militantes do PC Chileno. Claro que poderia não ser... mas a verdade é que é!
2. Não há nos estatutos do PC do Chile nenhum artigo que obrigue, ou sequer aconselhe os militantes, sejam homens ou mulheres, jovens ou menos jovens... a serem feios.
Portanto e para resumir o que penso... a Camila é linda!
Linda como o seu sonho (activo) de um amanhã melhor.
Linda como Violeta Parra, a extraordinária “mãe” da música de intervenção chilena, que, mesmo sem a conhecer, lhe (lhes) dedicou esta cantiga, vai para cinquenta anos.
Linda como Mercedes Sousa, que aqui a canta de forma sublime.
“Me gustan los estudiantes
Porque son la levadura
Del pan que saldrá del horno
Con toda su sabrosura.

Para la boca del pobre
Que come con amargura.

Caramba y zamba la cosa,

Viva la literatura!”
(Violeta Parra)
(ler a letra completa aqui)
“Me gustan los estudiantes” – Mercedes Sosa
(Violeta Parra)


Tubarões há Muitos!


SABEDORES de que a variante humana se passeia, alegre e intocável, por todo o território nacional, com a crise a passar-lhes ao lado, alguns exemplares de tubarões autênticos, de barbatana ameaçadora e dente afiado, vieram rondar as praias de Vila do Bispo, na esperança de que os veraneantes, habituados como estão a serem rilhados de todas as formas e feitios, se deixassem abocanhar. Tiveram pouca sorte. Os nadadores-salvadores deram pela intromissão, e forçaram os banhistas a saírem da água. Já sabíamos que tubarões há muitos, porém, a vantagem destes é que não conseguem passar despercebidos.