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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Como evitar?


Desde Janeiro que terão voado de Portugal 1,3 mil milhões de euros - cerca de 9 milhões diários - para paraísos fiscais. O que, segundo o Banco de Portugal, representará um aumento de 700% face a igual período do ano passado.
Se pensarmos um pouco, esta importância supera aquela que o governo espera arrecadar, com o corte de 50% no subsídio de Natal a recair sobre o valor acima do salário mínimo.
As pessoas que não têm dinheiro andam assustadas e tentam fugir das medidas de austeridade com baixas médicas ou outros subterfúgios equivalentes. Os que têm dinheiro põem-no lá fora, a salvo, em zonas que sendo paraísos fiscais, garantem não só confidencialidade como taxas mais reduzidas ou mesmo nulas.
Só em Março, que foi o mês em que mais se falou da troika, saíram do país 440 milhões de euros, o que mostra bem que quando a austeridade bate forte, o dinheiro não tem pátria. Tem apenas dono!
Todavia será importante que o governo olhe para estes números. É que sem dinheiro não há investimento e sem este não há emprego. Convém não esquecer que quando se estica muito a corda, ela acaba por nos bater no rosto. É de qualquer manual de economia...

HSC

Passo Coelho, todo “Gaiteiro” festejou no Pontal!!!

Desde 1994, que o tradicional comício de Verão do PSD no Algarve não via um primeiro-ministro.
Passos Coelho irá também estar presente na festa do encerramento da Universidade de Verão do PSD, entre 29 de Agosto e 4 de Setembro em Castelo de Vide.
No seu discurso no Pontal, justificou as medidas de austeridade com uma “necessidade imperiosa e que ao longo destes dois meses,  corta na despesa todos os dias”.
Começou o futebol, voltam as festas e por momentos tudo se esquece. Sardinhadas, entremeada assada, festança, muito vinho carrascão de tigela, a acompanhar e uma bagaçada para assentar, música com o Quim Barreiros lábios lambuzados e mão gordurentas, é disto que o meu povo gosta….
Se o povo não tivesse sido enganado e soubesse que haveriam estes aumentos para a classe que menos ganha, não era o PSD que ganhava as eleições, o que está a acontecer é tirar aos pobres para dar aos ricos. Nem no tempo do fascismo se viu semelhante coisa.
Na oposição, o PSD sabia os sítios onde havia de cortar para ir buscar receitas, no governo já se esqueceu. Acho que a única forma do senhor Passos e a respectiva "comandita" não anunciarem mais nenhum aumento de impostos é proibi-los de saírem de casa ....
Passos coelho, neste discurso no Pontal, tentou abafar a desgraça dos seus 50 dias de governo  dizendo que é necessário cortar na despesa.
Vai cortar na despesa, onde? 
Nos milhares de desempregados, no milhão e meio de pessoas que vivem com menos de 400 euros por mês, nos trabalhadores e reformados que vão ficar sem metade do subsídio de Natal, nas milhares e milhares de famílias que se vêem sem dinheiro para pagar  as suas facturas de gás e electricidade?
Porque razão não  corta nos banqueiros nos empresários e nas grandes fortuna?

O MAR E EU

CAMARADA... UMA PALAVRA BONITA

foto Hugo Colares


Camarada...

Camarada é uma palavra bonita. Sempre. E assume particular beleza e significado quando utilizada pelos militantes comunistas. O camarada é o companheiro de luta - da luta de todos os dias, à qual dá o conteúdo de futuro, transformador e revolucionário qu...e está na razão da existência de qualquer partido comunista. O camarada é aquele que, na base de uma específica e concreta opção política, ideológica, de classe, tomou partido - e que sabe que o seu lugar é o do seu partido, que a sua ideologia é a da classe pela qual optou. O camarada é aquele com cujo apoio solidário contamos em todos os momentos - seja qual for o ponto da trincheira que ocupemos e sejam quais forem as dificuldades e os perigos com que deparamos. O camarada é aquele que nos ajuda a superar as falhas e os erros individuais - criticando-nos com uma severidade do tamanho da fraternidade contida nessa crítica. O camarada é aquele que, olhando à sua volta, não vê espelhos...: vê o colectivo - e sabe que, sem ter perdido a sua individualidade, integra uma outra nova e criativa individualidade, soma de múltiplas individualidades. O camarada é aquele que, vendo a sua opinião minoritária ou isolada, mas julgando-a certa, não desiste de lutar por ela - e que trava essa luta no espaço exacto em que ela deve ser travada: o espaço democrático, amplo, fraterno e solidário, da camaradagem. O camarada é aquele que, tão naturalmente como respira, faz da fraternidade um caminho, uma maneira de ser e de estar - e que, por isso mesmo, não necessita de a apregoar e jamais a invoca em vão. O camarada é aquele que olhamos nos olhos sabendo, de antemão, que lá iremos encontrar solicitude, camaradagem, lealdade - e sabemos que esse olhar é uma fonte de força revolucionária. O camarada é aquele a cuja porta não necessitamos de bater - porque a sabemos sempre aberta à camaradagem. O camarada é aquele que jamais hesita entre o amigo e o inimigo - seja qual for a situação, seja qual for o erro cometido pelo amigo, seja qual for a razão do inimigo. O camarada é o que traz consigo, sempre, a palavra amiga, a voz fraterna, o sorriso solidário - e que sabe que a amizade, a fraternidade, a solidariedade, são valores humanos intrínsecos ao ideal comunista. O camarada é aquele que é revolucionário - e que não desiste de o ser mesmo que todos os dias lhe digam que o tempo que vivemos é coveiro das revoluções. Camarada é uma palavra bonita - é uma palavra colectiva: é tu, eu, nós: é o Partido. O nosso. O Partido Comunista Português

contra o paraíso multicultural, o racismo

a visão do pnr sobre os motins ocorridos em inglaterra vai muito para lá daquilo que eu poderia esperar. estranho será, por certo, que eu continue desta forma ingénua a espantar-me com o que vem daquela gente e fique sempre chocada com a profundidade da crueldade que sai daquelas cabeças povoadas com suásticas ao invés de neurónios. mas é isso que vai acontecendo, novidade após novidade.
as palavras pesam e, quando usadas sem cuidado, provocam-me o que me provocou este artigo: nojo absoluto. se me espanta que não se condene “a morte do líder de um gangue étnico de delinquentes”, também não me deixa pouco inquieta que a polícia seja santificada, que o assassinato de polícias seja vil, que o assassinato por polícias seja ordeiro.
do pnr, só espero condenações apolíticas e preconceitos, mas não posso deixar de me sentir enojada e incrédula de cada vez que me deparo com pérolas destas. expressões como “estirpe de marginais” podem ser-me repetidas diariamente e eu vou continuar incapaz de me familiarizar com elas.
toda esta história começou com o mark duggan, que é este menino aqui:

como facilmente observável, o mark duggan era preto. fosse o caso de ele ter sido um adorável loirinho de olhos azuis, como o breivik, aquele amoroso assassino, o pnr iria inverter a situação com a maior das facilidades, dizendo que afinal a culpa era dos ingleses, que não são gente em que se fie e que andam sempre à porrada só porque são estrangeiros. onde é que eu já ouvi esta história? ah, já sei, foi, por certo, em alguma das minhas incursões ao site do pnr. se um dia alguém resolver dizer por aí que o duggan dava beijinhos a meninos, lá teremos o josé pinto coelho e o mário machado, a concubina preferida, a mostrar em praça pública as imagens dos motins, dizendo que o lobby gay está a crescer e se prepara para dominar o mundo de maneira vil e aleivosa. e não nos esqueçamos, por favor, de que "O PNR é o único partido que rejeita a promoção da "cultura gay" e do "folclore amaricado".
no artigo mencionado, a comunicação social é acusada, pasme-se, de “salvaguardar com astúcia a origem étnica dos vândalos” que têm protagonizado os motins. deturpar a realidade dá nisto: em não encontrar a raiz dos problemas, em confundir cor com ideologia. eu sei, o pnr sabe (espero), toda a gente sabe que violência pela violência não é propriamente agradável, que pilhar lojas não é educado, que os motins têm dado asas a algum oportunismo, mas longe estarei eu de julgar - só porque tenho a pele ebúrnea como a cal, não importa o tempo que passo na póvoa - que a culpa é dos pretos só porque são escuros e não precisam de protector solar 60+ for kids como eu. e, no fundo, parece-me que até o pnr deve saber que a morte de um membro de uma comunidade pobre acontecida só porque sim teria de ter resposta. mais cedo ou mais tarde e esperançosamente, claro.
o capitalismo tira vidas, as vidas revoltam-se. ouvi dizer que lhe chamam luta de classes. que queremos, afinal? revolução, sim, mas com maneiras?

Sócrates falha financiamento mas 150 mil cabras vão combater incêndios

por Isabel Tavares, Publicado em 16 de Agosto de 2011  |  A empresa ibérica está à procura de terrenos abandonados nas regiões da Guarda e de Bragança. Não paga em dinheiro, paga com acções
O governo de Sócrates comprometeu-se, através do Ministério da Administração Interna, a financiar com vários milhões de euros um projecto ibérico de combate a incêndios que envolve a compra de 150 mil cabras colocadas em terrenos baldios na região Duero-Douro, num investimento total de 88 milhões. O executivo mudou e a empresa quer agora uma audiência no Ministério da Agricultura, de Assunção Cristas.

Apesar de ser 50% português e 50% espanhol, o projecto avança já em Setembro em Espanha, em Robleda, província de Salamanca, com uma exploração de 970 hectares e um rebanho de 350 cabras. Em Portugal, deverá arrancar em 2012. Para já, uma equipa técnica do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Duero-Douro tem estado a apresentá-lo em sessões públicas de esclarecimento em diversas freguesias de Guarda e Bragança. "Estamos à procura de pessoas que tenham terrenos abandonados, com ou sem infra-estruturas, com um mínimo de dois hectares, e que queiram cedê-los para arrendamento por um período de 15 anos. Como existem na região parcelas muito pequenas, os proprietários podem juntar-se", anuncia a técnica florestal do Self-Prevention, Teresa Pêra.

Em contrapartida, o agrupamento entrega, logo à cabeça, acções da empresa com o valor nominal de 10 euros cada. Um hectare deverá equivaler, em média, a quatro acções, ou seja, a 40 euros, dependendo do tipo de terreno.

A ideia do Self-Prevention não é completamente original. Em África, por exemplo, esta é uma prática mais ou menos comum: usa-se o gado caprino e ovino para comer a massa vegetal que funciona como potencial barril de pólvora em terrenos que estão abandonados.

Quando foi feito o projecto, "os incêndios eram um flagelo", lembra o director-geral do agrupamento, José Luís Pascual. Em Portugal arderam 1,5 milhões de hectares entre 2000 e 2009 e em Espanha 1,26 milhões de hectares.

Este foi o motivo que levou os responsáveis portugueses a pedir apoio financeiro ao executivo de Sócrates. E o secretário de Estado da Administração Interna, Rui Sá Gomes, a assumir o compromisso verbal de pagar perto de metade da verba necessária para pôr o projecto em prática, conta Teresa Pêra.

As eleições antecipadas em Portugal vieram alterar os planos do agrupamento. E a crise económica também. "Ao longo deste tempo fomos fazendo ajustamentos ao projecto. Em tempo de crise, é claro que há outros fogos para apagar e os incêndios deixam de ser prioridade dos governos." José Luís Pascual, que tem 12 anos de experiência nesta matéria, rapidamente compreendeu que era mais fácil adaptar o projecto às circunstâncias. Foi o que fez. E já tem dois grandes investidores, a La Caixa da Catalunha e a Red Eléctrica de España.

Além da holding espanhola, a Exploração Caprina Duero-Douro, S.A., que está em processo de constituição, serão criadas seis outras empresas, três em Espanha, três em Portugal, para explorar leite e derivados. Numa fase mais avançada, está também prevista a criação de uma central de comercialização, empresas de transformação de carne, de produção de rações e de exploração de biomassa, uma plataforma logística de transporte e distribuição e ainda outros serviços.

Cerca de 60% do projecto, que prevê a criação de 558 postos de trabalho, a ocupação de 9000 km2 e um efectivo de 150 mil cabras, deverão estar concluídos entre os segundo e terceiro anos de actividade. O lucro de 37 milhões de euros chegará no sexto ano de actividade.
jornal i 

O importante é comunicar



Insólitos avisos apanhados casualmente em zona turística mediterrânica onde a principal fonte de receitas é o turismo (a par da contrafacção de marcas famosas). Em clima convidativo, sobretudo para quem regressa bruscamente ao nevoeiro e frio sintrenses (basta afastarmo-nos meia dúzia de quilómetros da nossa habitual morada para ver, ao longe, um capacete negro de nuvens sobre a serra), nunca podia ser a divulgação dos letreiros interpretada como troça… É que isto de calor e águas azuis é  assunto da maior seriedade. Longe vai o tempo em que a céltica neblina de uma Avalon nacional trazia evocações românticas. No presente momento, à distância de um local onde só se descansa e nada com lentidão e a temperatura da água do mar é tão ou mais convidativa do que a de algumas paragens africanas ou brasileiras, surgem avisos como os fotografados (só para publicitar o ar condicionado, as versões são múltiplas) como intenção de fazer passar a mensagem, erros ortográficos à parte.



Abrir por estas paragens uma escola de inglês – já que o ancestral fluxo migratório permite a boa parte dos nativos falar com alguma fluência o alemão – será provavelmente um negócio com futuro.



A ideia da escola fica a invadir o pensamento após observação dos guias portugueses que por lá trabalham em “duros” passeios de barco pelo Mediterrâneo ou a saudar de modo amistoso o simpático senhor Mustafa, autor dos melhores gelados da região por fazerem da esplanada contígua - onde também se tem direito ao melhor café da terra - parte do seu escritório informal…

 

ELES ROUBAM TUDO… - por José Casanova

Roubar é a sua profissão: eles roubam, roubam, roubam…

Roubam todos os dias e a todas as horas; roubam nos dias úteis e nos dias inúteis; roubam nos domingos, nos feriados e nos dias santos; roubam enquanto dormem e roubam quando estão acordados.

Eles roubam, encapotados, congelando salários e reformas, e roubam, sem máscara, subsídios de Natal a trabalhadores e reformados.

Eles roubam, à mão armada, o direito ao emprego aos jovens e roubam, a tiro, aos idosos, o direito à dignidade, condenando-os a reformas de miséria.

Eles roubam, em quadrilha, o direito ao pão a milhões e, sempre em quadrilha, concedem-lhes o direito à caridadezinha ultrajante e anti-humana.

Eles roubam direitos laborais e roubam direitos humanos fundamentais aos cidadãos.

Eles roubam serviços públicos essenciais, roubam o direito à saúde, à educação, à habitação – e roubam o direito à felicidade.

Eles roubam, roubam, roubam…

Eles roubam aos que trabalham e vivem do seu trabalho.

Eles roubam aos que já trabalharam e ganharam, com trabalho, o direito a uma velhice digna.

Eles roubam o emprego aos que querem trabalhar, pondo-lhes à frente espessos muros.

Eles roubam, roubam, roubam…

Eles roubam ao País a sua independência e, rastejantes, levam o roubo à boca dos grandes e poderosos da Europa e do mundo, aos quais lambem as mãos.

Eles roubam Abril – a democracia, a liberdade, a justiça social, a soberania nacional, a Constituição, o futuro – e semeiam sementes do passado que Abril venceu.

Eles roubam, roubam, roubam…

Roubar é a sua profissão.

E, quais robins dos bosques de patas para o ar, roubam aos pobres para dar aos ricos – e enchem, com o roubo, os cofres das grandes famílias, dos exploradores, dos vampiros parasitas.

E se alguém se engana com o seu ar sisudo e lhes franqueia as portas à chegada, eles roubam tudo e não deixam nada.

E poisam em toda a parte: poisam no governo e na presidência da República; poisam nas administrações das grandes empresas públicas e privadas; poisam nos bancos falidos fraudulentamente e nos bancos que, fraudulentamente, levam à falência as pequenas e médias empresas.

Poisam nos prédios, poisam nas calçadas…

parece a sombra da cavacal figura